Todos estavam em silêncio na sala, contemplando o céu escuro da noite. Não havia nenhum sinal de movimentação do lado de fora... tudo estava silencioso, as estrelas não brilhavam e a lua se escondia por detrás de uma nuvem. Se perguntavam onde estava Ronny e Dora? O que acontecera com Fred e Arthur? Por qual motivo Bill e Fleur ainda não tinham chegado? Siris e Draco conseguiram escapar dos ataques que sofreram? Será que todos voltariam sãos e salvos? Enquanto todo o silêncio se expandia pela casa, Harry ajudou Hagrid a conseguir entrar de volta, ao mesmo tempo em que, Molly e Ginny limpavam o ferimento de George. Antes que alguém falasse alguma coisa, escutaram um barulho de aparatação do lado de fora e, pouco depois, viram um vulto preto entrar na residência rapidamente.

- Como o seu filho está? – perguntou Snape guardando a máscara dentro do bolso do sobretudo e viu indo em sua direção uma versão de Molly Weasley a qual não gostava nem um pouco. Após ter recebido alguns tapas e ser arrastado para a sala por uma orelha, como se fosse uma criança de 8 anos, a ouviu esbravejar contra ele e quase azará-lo.

- Como o meu filho está? Veja por você mesmo, Severus! Seu irresponsável... quase o matou e arrancou a orelha dele. É isso o que quer saber? Veja o buraco que ficou no lugar onde ela deveria estar! – respondeu a ruiva mais velha rispidamente voltando a lhe dar uns tapas para descontar toda a raiva que sentia.

- Ah, por Merlin, se controle! Não planejei acertá-lo e nem arrancar uma das orelhas dele. Se quer saber, eu sinto muito! Pode até se vingar, se isso for a sua vontade, mas não estou aqui para discutir responsabilidades ou motivações. Também pare de me bater, pois eu não sou um dos seus filhos! – retorquiu nervoso passando a mão pelos cabelos. Odiava ter que se desculpar e, mais ainda, ver que fracassou em algo de seu domínio e conhecimento.

- Realmente, não é... mas, desde a primeira vez que colocou os pés aqui, eu te tratei como se fosse um deles! Tem horas que você age como se tivesse a idade da Ginny, por sinal - manteve o semblante bravo olhando para ele com os braços cruzados sobre o peito, vendo que ele entortava a boca para o lado, demonstrando contrariedade, continuou:

- Aliás, se eu não o conhecesse há anos, arrancaria vários pedaços do seu corpo pelo o que fez.

- Molly, me perdoe! Estávamos no meio de uma batalha a céu aberto, mirei em um Comensal que desviou e o feitiço atingiu o George... foi isso o que aconteceu. Ele e o Remus seriam assassinados... – tentou argumentar, no entanto, foi interrompido.

- Olha, Severus... não espere que isso ocorra imediatamente. Sei que jamais machucaria as minhas crianças, contudo, quero que entenda que não é fácil vê-lo assim e saber quem é o responsável – falou sem o encarar novamente.

- Justo. Entretanto, posso ser útil e tentar amenizar um pouco o estrago estancando o sangue e apressando a cicatrização? – disse retirando o casaco e se aproximando do sofá onde o rapaz estava deitado, observando a gravidade do ferimento e franzindo o cenho para o que via.

- É o mínimo! Só me responda... isso foi Magia das Trevas, não foi? – o questionou.

- Sim, um feitiço criado por mim. Não possuo a capacidade de fazê-la crescer novamente... entretanto, garanto que posso amenizar um pouco isso – falou mantendo o foco no contrafeitiço direcionado ao rapaz ruivo. Snape percebeu que estava sendo observado atentamente por todos os que estavam na sala e que pareciam estar segurando a respiração durante o tempo em que recitava as palavras. Toda essa atenção dos demais foi, subitamente, interrompida por Ginny que entrou avisando que Hermione e Shacklebolt, já haviam chegado e se encontravam no jardim. Pouco depois, se sobressai uma voz entrando pela cozinha expressando todo o nervosismo nas palavras:

- Quim, eu provarei que eu sou o verdadeiro, depois de ver o meu filho. Agora saia da minha frente, se você tiver ciência do que, realmente, é bom para você!

Harry nunca tinha ouvido Arthur gritar com alguém ou agir daquele jeito, principalmente, quando ele entrou na sala de estar e agarrou o bruxo de olhos de ônix pelo colarinho da camisa e o sacudiu. Snape não fez qualquer menção de reagir, mesmos com a clara ameaça de que seria agredido, sabia que o homem estava coberto de razão em sentir raiva e precisava descontar em alguém. Ainda mais, se essa pessoa fosse a responsável por um dos seus filhos estar ensanguentado e sem uma parte do corpo. Antes que alguma coisa acontecesse, Fred segurou o pai e pediu para que ele se acalmasse, fazendo com que soltasse o outro.

- Arthur... eu já pedi perdão a sua esposa e estendo a você. Jamais atacaria os seus filhos, sabe muito bem disso – expressou as suas desculpas de forma séria.

- Eu sei, Severus... porém, não pode me tirar o direito de me enraivecer vendo o estado em que ele se encontra – retrucou e viu o outro apenas assentir e voltar ao que estava executando.

- Molly, como ele está? – inquiriu, percebendo que ela não se movia ao lado do filho. Permanecia ali atenta a tudo o que era feito para que o seu menino ficasse curado.

- Melhor do que quando chegou... – soltou uma respiração pesada.

George permanecia em silêncio com os olhos fechados e Fred o fitava apavorado, não conseguia esboçar qualquer reação diante daquilo... não conseguia acreditar no que presenciava. Depois que fez algumas piadas, a respeito da perda da orelha, para o irmão e dizer que, finalmente, as pessoas conseguiriam os diferenciar, perguntou onde se encontravam os outros. Recebeu como resposta que apenas os que se encontravam ali tinham retornado, os demais, seguiam desaparecidos. Ginny saiu pela cozinha, acompanhada por Harry, para esperar que os outros voltassem... estava preocupada com Draco e sentia medo que ele nunca mais regressasse. O bruxo de olhos verdes apenas segurou a mão da amiga e permaneceu olhando para o céu, na expectativa de que, logo, todos estivessem ali. Até que a sua atenção se voltou para a castanha que passava com Snape atrás dela, iniciando mais uma discussão. Isso o fez virar para a ruiva e apenas dizer que não restava dúvidas de que brigariam novamente e, ela, apenas concordar enfatizando que achava os dois teimosos demais para admitir que erraram.

- Hermione, preciso falar com você – falou a agarrando e virando em direção a ele.

- Seu... ridículo, idiota, me solta! – disse puxando o braço que Snape segurava com força para impedir que ela se afastasse. Com o dedo em riste, ela começou a esbravejar:

- Aparece após semanas desaparecido, depois de ter me dito uma série de absurdos e tem a audácia de afirmar que precisa falar comigo? Cadê a minha varinha?! – gritava o enchendo de tapas e tentando empurrá-lo para longe. Estava ofendida, ferida e revoltada com tudo o que acontecera... principalmente, porque sentia sentimentos conflitantes dentro de si e não conseguia lidar com nenhum.

- Por Merlin, bruxa... se acalme! Nós nos ofendemos e nos machucamos, usamos palavras como armas para atingir um ao outro... – falou a aproximando de si. Não queria que ela se ferisse em meio àquele ataque de fúria. Depois de um tempo se debatendo e brigando com ele, Hermione sossegou um pouco e apenas sussurrou:

- Desculpe. Não queria te ofender... foi por um ciúme bobo que tudo isso aconteceu.

- De fato... entretanto, o que houve, me fez ver que você merece alguém melhor do que eu – Snape passava a mão nos cabelos dela. Se sentia horrível por tudo o que fizera e constatava que não passava de um sádico, um bastardo egoísta que exigia tanto amor para si e o desdenhava por medo.

- Nós nos merecemos! Reconheça isso, seja homem... pare de me magoar e me torturar com o seu desprezo – a castanha o encarou com um semblante decidido.

- Compreenda... palavras muito duras e irresponsáveis foram ditas, mais da minha parte do que sua. Eu sou mais velho, deveria ter agido conforme a minha idade e não como um maldito adolescente imaturo. Hermione, uma discussão, como as duas que ocorreram, uma hora ou outra, vão surgir novamente e a tendência é piorar - a sua voz soava triste e cansada ao expressar aqueles pensamentos. Como se estivesse em um debate acirrado internamente, prosseguiu tentando esboçar uma total segurança do que fazia... todavia, estava perdido.

- Espero que me perdoe por ter sido cruel e duvidado de quem você é realmente, nunca tive a intenção de te maltratar... suas lágrimas só comprovam o quanto eu sou horrível. Do mesmo jeito que, estou disposto a superar o fato de que me chamou de Comensal da Morte imundo. Resolvemos as coisas assim e seguiremos em frente. Você está livre de mim.

- Severus... o que isso significa? – questionou se afastando um pouco para perceber onde iria chegar aquilo.

- Tudo foi um erro... sou um velho nojento, pervertido, fracassado, sujo e pobre, que não tem absolutamente nada para te oferecer... um verdadeiro desgraçado, porco e egocêntrico! Você é mais forte do que eu. É jovem, inteligente, bonita e cheia de sonhos, tem uma vida inteira pela frente. Foi um equívoco abismal ter deixado que se aproximasse novamente de mim. Eu não quero mais estragar os seus sonhos com a minha amargura e, principalmente, a minha presença... – enfatizou olhando para os próprios pés. Sabia que era fraco e covarde em não a encarar, não suportaria ver a dor estampada nos olhos dela. Era necessário, precisava protege-la, por mais que lhe matasse aos poucos aquela distância.

- Não vá embora... não quero que fiquemos longe um do outro! Não diga que foi um erro o que vivemos. Sei que não acredita nisso... Severus, você me ama também, por mais que queira negar e lutar contra os seus sentimentos – a voz saia em meio aos soluços do choro. Ela o agarrava com todas as forças para que não partisse.

- Hermione, pare! Não se humilhe... não sou digno das suas lágrimas e de tanto sofrimento. Entenda que estou te deixando livre, faço isso por você. Me esqueça! Eu te imploro... – argumentava com as duas mãos nos ombros da castanha a sacudindo. Começava a se desesperar a vendo tão angustiada.

- Severus, espere! Me responda... porque você está fazendo isso comigo? O que aconteceu? Qual é o problema, afinal? – percebendo que ele não respondia, continuou tentando entender o motivo que o levava a abandoná-la.

- Já falamos sobre isso... não é um engano ou uma ilusão, é o que eu quero! Respeite a minha decisão de querer ficar com você e pare de ser teimoso. Deixe de ir ao encontro da tristeza e fique comigo. Fugiremos até o fim do mundo se for preciso para que possamos viver o nosso amor. Só prometa que vai me abraçar forte todos os dias, me prender nos teus braços quando eu sentir medo... é só isso que eu necessito para ser feliz – foi se reaproximando lentamente, levando Snape a fechar os olhos e não conseguir se mover, como se os seus pés estivessem presos ao chão.

- Você não sabe o que diz... é arriscado o que me pede – sussurrou fraquejando diante dela.

- Tenho certeza... quero que volte a não se julgar tanto e queira mergulhar em nós novamente – a castanha argumentava espalhando pequenos beijos no pescoço dele.

- Eu sou um monstro... um anormal que só te machuca – continuou com um fio de voz, se agarrando aonde podia para não possuí-la ali mesmo.

- É o amor da minha vida, meu marido, pai dos meus filhos, senhor absoluto dos meus sonhos... é o meu desejo real, a minha verdadeira ficção de amor, meu príncipe feito de gelo e fogo – concluiu o beijando. No entanto, o beijo não durou muito. Novamente, Snape se afastou e a segurando para que ficasse longe.

- Porque teima tanto em me amar, menina tola? Você me descreve como se eu fosse uma espécie de frenesi exotérico que te dará liberdade e força. Não sou isso... eu sou as trevas e o pior tipo de pessoa que existe. Por favor, deixe de sonhar tanto comigo! – a encarava tentando convencê-la do que dizia.

- Sempre foi você... Sev'rus, professor Snape, meu Sevie... – falava agoniada o agarrando novamente pelas vestes. Não sabia mais o que teria que fazer para persuadí-lo a ficar.

- Preciso ir... adeus, Hermione – disse dando às costas. Mas, antes de partir, a castanha o alcançou, parando na frente dele.

- Você não está fazendo isso para me proteger... é só um maldito canalha autocentrado em si mesmo! – antes de terminar aquelas frases cheias de sofrimento, a sua mão bateu forte contra o rosto dele. Assim, ela pode ver aqueles olhos negros, que tanto amava, se cobrirem de agonia e compaixão... significava que aquilo, igualmente, o sufocava.

Snape se afastava para aparatar e ficar o mais longe possível. Pensava, seriamente, em se embebedar e descontar todas as frustrações sobre a primeira coisa que surgisse na sua frente. Estava convicto de que, se encontrasse Bellatrix, a torturaria e seria capaz de assassiná-la com as próprias mãos por ter sido a responsável pelo seu padecimento novamente. Experimentava a sensação de que a sua vida se arruinara. Mais uma vez, se via como um infeliz que não merecia nada de bom e o correto era se conformar com isso. Antes de atravessar a proteção da casa, escutou Hermione gritar de dor e cair no chão abraçada na própria barriga. Não conseguiu analisar mais nada de concreto... tudo o que planejara era jogado fora naquele exato instante. Sua teimosia a estava matando aos poucos. A sua rainha sofria por sua culpa. Essa reflexão o fez retornar correndo para perto da castanha, sendo acompanhado, de longe, por aqueles que estavam dentro da casa e a ouviram chorar desesperada. O bruxo se encontrava tão aturdido que a única imagem que conseguia perceber diante de si, era exclusivamente a de Hermione, como se mais nada existisse a sua volta.

- Vai embora! – a castanha berrava o estapeando, enquanto ele a colocava na cama.

- Nossa, eu não posso te ajudar? – questionou levantando a sobrancelha a encarando.

- Não... você disse que não me amava, quer me abandonar... não há motivos para ficar aqui – ela cruzava os braços e franzia o cenho virando o rosto para o outro lado.

- Que bruxa mais cheia de regras, brava e ingrata! Alguma vez te disseram que, quando quer, é muito chata e irritante? – Snape revirou os olhos em meio a um gesto de negação com a cabeça, tentando recuperar o fôlego depois de correr e subir as escadas com ela mais incontrolável que uma leoa raivosa.

- Já... e te falaram que você é safado e cafajeste? – Hermione continuou retorquindo com raiva.

- Como não? Você é a primeira a me jogar isso na cara! Porque eu pensaria em ter uma vida de paz, quando convivo com o seu ciúme infundado?! – ironizou.

- Eu te odeio... às vezes – ela soltou uma respiração pesada ao dizer isso o analisando novamente.

- Que linda! Me toca muito o seu ar romântico e, por isso, casamos. Mas, não lembro de todo esse ódio e rancor desmedidos quando geme no meu ouvido, querida esposa – ele deu um sorriso de lado ao reparar no semblante de desaprovação recebido e mais uma série de tapas. Contudo, a discussão foi interrompida por outro espasmo de dor, que a fez começar a chorar e se abraçar novamente com um ar assustado.

- Me diga, Hermione... o que aconteceu? Você bebeu alguma coisa? Eu... eu quando te segurei, te machuquei de alguma forma? – perguntou preocupado.

- Eu ingeri a poção Polissuco... – sussurrou sabendo que ele iria se enfurecer.

- Você é louca? Isso... ah, Salazar! Não pode tomar essa poção durante a gravidez, bruxa. Não saia daí – ordenou como se ela fosse capaz de se levantar, esquecendo que a menina mal conseguia se mexer. Como um desatinado, desceu as escadas correndo. Precisava, urgentemente, fazer uma emulsão de ervas para que aqueles efeitos colaterais parassem. A sua castanha, sua rainha, seu único amor, corria o risco de abortar os bebês. Queria estrangular o responsável por aquela ideia absurda, mas, não sabia a quem acusar. Ao passar pela sala, agarrou Sirius pelo colarinho e lhe encheu de desaforos. Estava tão indignado que o chamou de irresponsável, péssimo pai e que seria sua culpa se algo acontecesse com as crianças.

- O que ela tem, Severus? – Molly o questionou, chegando mais perto de onde ele se encontrava na cozinha.

- Bebeu Polissuco... pode perder os meus filhos. Eu quero saber quem foi o filho da puta que permitiu que ela tomasse isso, para que possa esquarteja-lo no meio da sala! – respondeu, vasculhando o cômodo para ver se tinha os ingredientes necessários.

- Severus, se acalme! Você sabe que sou boa em feitiços de cura... só me fale o que precisa para preparar a poção, o chá, ou o que for, que vai ajudá-la – falou de maneira que o tranquilizasse e ele respondeu ponto a ponto do que necessitaria. Em menos de dez minutos, tudo se achava pronto e Snape subiu com uma caneca fumegante alcançando para que Hermione ingerisse.

- Deve ser sorvido em apenas um gole. Sei que o gosto é péssimo... mas, é isso ou os meus monstrinhos deixarão de existir – disse preocupado a observando atentamente.

- Obrigada! Só não quero que os chame de monstrinhos... eles são meus bebês, os meus dois bonequinhos lindos – ela voltou a se deitar na cama, olhando para o teto. Sentia que aquele líquido a deixara extremamente sonolenta e antes de adormecer, teve tempo de ouvi-lo dizer com um falso sarcasmo:

- Não há nada neste universo que você não me ordene aos berros que eu não faça com medo, minha rainha.

- Severus... eu amo você, vidinha – murmurou.

- Eu também te amo, Hermione. Agora descanse, quando acordar estará tudo bem. Eu prometo, pequena – falou dando um beijo na testa e sentou no chão para ficar velando o seu sono. Assim permaneceu por um bom tempo, acariciando os cabelos e constatando o quanto era fascinado por cada traço dela.

- Você ainda vai ser o motivo da minha morte, menina insolente! – sussurrou antes de adormecer a segurando pela mão.

No andar inferior da casa, o alvoroço permanecia com os relatos dos últimos que haviam chegado. Todos contavam o que acontecera, como escaparam das perseguições, se atingiram algum inimigo no meio do combate. Porém, sem demora, o silêncio se restabeleceu e começavam a expressar uma inquietação quanto a notícias de como Hermione estava. Se consideravam responsáveis e culpados se algo acontecesse com os bebês e, Harry, brigava com cada um acentuando que avisara que não era certo. Que ressaltou, antes de saírem, a possibilidade de ocorrer algum problema e ninguém deu importância ao que dizia. Dora, sentada no colo do marido, apenas concordava com a cabeça... expressava tristeza e desolação, considerava tudo sua culpa. Sentia que deveria ter usado os seus dons para se metamorfosear e a prima não precisasse passar por aquilo.

O único, naquela sala, que demonstrava um semblante tão alegre, que não conseguia disfarçar, era Ronny. Visualizava a oportunidade de que a castanha desistisse de Snape e o reparasse finalmente. Pensava que era o óbvio, ele era mais jovem, bonito e atlético... não existiria mais qualquer empecilho entre os dois e o caminho estaria completamente livre para conquista-la, sem a existência de duas cópias em miniatura do mestre em Poções. Hermione, com isso, perceberia o quanto se enganara por um velho e iria querer casar novamente, ter muitos filhos e ficar em casa cuidando das crianças, o esperando retornar todos os dias. Alheios àquelas ideias do jovem ruivo, os demais permaneciam absortos raciocinando quem os traíra.

- Sirius, quem iria com você antes de vir aqui atrás do Draco? – inquiriu Lupin.

- O Quim me falou que era o Dunga, mas, ele não apareceu – respondeu sem prestar muita atenção no assunto. Sua mente estava no andar de cima, onde a filha se achava enferma e ainda não ouvira nenhuma notícia de como estava até aquele momento.

Entretanto, o questionamento fez com que a atmosfera se modificasse na casa. Todos agora se perguntavam se Mundungus era o delator. Contudo, como saberia da existência dos sete Potters? Houve discussão quanto responsabilidades, pontos em aberto relativos à descoberta da transferência de Harry e, principalmente, quem deixara escapar a informação principal. O menino-que-sobreviveu começou a defender o possível denunciante, argumentando que, quem o fez, não deveria ser julgado. Que se acabou relatando, foi acidentalmente e, que, todos ali deveriam confiar uns nos outros. Os demais ficaram em silêncio olhando para ele, principalmente, Lupin e Sirius que o encaravam com expressões de pena. Vendo que o jovem de olhos verdes ia começar a contra argumentar, o bruxo de cabelos castanho claro apenas assegurou que a atitude lembrava a de James Potter. Não admitia o fato de que um amigo pudesse trair deliberadamente outro.

Mais debates surgiram, especialmente, depois que Harry enfatizou que iria embora. Ele foi convencido, na verdade obrigado, por Molly e os demais que deveria permanecer ali para o casamento de Draco e Ginny. Afinal, depois de tanto esforço, ferimentos e abalos emocionais, seria egoísmo de sua parte, simplesmente, sair pela porta como se nada tivesse acontecido.

Dois dias depois, Narcissa chegara à Toca preocupada com a falta de informações. Aproveitava que Malfoy tinha viajado com o grupo de Comensais que viviam na mansão para sair e ajudar nos preparativos do casamento do filho. Não avisaria nada ao marido, em verdade, não fazia a menor questão de que ele soubesse de qualquer coisa ou participasse de um dia em que todos se encontrariam felizes e comemorando a vida. Ao chegar lá, foi avisada que Hermione se encontrava no andar de cima acamada e que, Snape, permanecia ao lado dela desde então. Ela subiu as escadas e entrou no quarto, vendo que o casal conversava calmamente.

- Fico tranquila que tenham, finalmente, se acertado – disse com um sorriso no rosto os observando.

- Foi difícil... só que eu sou teimosa e consegui convencê-lo de ficar aqui – a castanha sorriu de volta, percebendo que o seu bruxo só a olhava de lado, com um semblante de discordância.

- Narcissa, na verdade, ela premeditou me matar! Acredite, ela é ardilosa e vingativa... quase enfartei por culpa dessa desmiolada – falou o homem sério.

- O que aconteceu exatamente? – a loira os questionou e ele se precipitou na resposta:

- Polissuco! Isso é toda a questão e o fato. Sua sobrinha predileta, por conta disso, quase abortou – ao terminar, a castanha suspirou profundamente e concordou com a cabeça, demonstrando que tinham brigado o suficiente por conta do assunto.

- Severus, não seja tão duro com a Mione! Ela fez isso para ajudar o amigo, como saberia que a poção faria mal? Meu filho também se arriscou... o importante é que todos estão bem, não é? – retorquiu, logo, se sentando ao lado da bruxa mais jovem. Percebendo que o amigo estava prestes a argumentar alguma coisa, mudou o rumo da conversa, se virando para a menina a questionando:

- A sua irmã chegará quando?

- Ela virá para o casamento do Draco. Creio que chegue amanhã. Por quê? – replicou a pergunta com outra.

- Preciso falar com você, a Nymphadora e a Luna. Tenho que contar as três juntas qual a motivo que correm perigo em maior ou menor grau... e, principalmente, a razão que levou o Severus a agir feito um obstinado e querer afastá-la – falou abraçando Hermione, acariciando os seus cabelos e a fazendo deitar a cabeça no seu ombro. Sabia o quanto ela tinha sofrido longe do seu amado e ainda devia estar apavorada por quase perder os seus bebês. Não haveria coisa melhor do que receber um pouco de carinho e ser mimada, para se sentir protegida e, em pouco tempo, se recuperar plenamente.

- Narcissa, você está me assustando... – disse se virando para olhar a tia que se mostrava pensativa.

- É para ficar assombrada mesmo, porque é sério! O seu pai concordou que tenhamos essa conversa, mesmo que ele seja extremamente contra o fato... Sirius tem medo do que possa acontecer quando souberem de tudo – soltou uma respiração pesada e prosseguiu:

- A Bella está completamente descontrolada! Não sabemos se mantê-las na ignorância é o melhor... o Remus e o Severus também vão ouvir o que eu relatarei. É importante que estejamos juntos. Serei eu a responsável por contar isso, pois sei bem mais a respeito do conteúdo dessa conversa do que o seu pai, mesmo que pertençamos da mesma família.