Após passar todo o dia na Toca auxiliando nos preparativos e conversado com os que se encontravam na residência, à noite, Narcissa retornou para a mansão Malfoy. Algo lhe dizia que o marido retornaria antes do previsto e que notícias importantes estavam por vir. Sobretudo, após ter visto que a marca no antebraço de Snape estava negra e vibrante, o que significava mau sinal. Ao chegar, ficou por um tempo caminhando pelos jardins até entrar na enorme casa. Pensava no que teria de contar às sobrinhas no dia seguinte e, tudo seria muito difícil se ela estivesse certa, às trevas se ergueriam de maneira permanente no mundo mágico e trouxa. Ninguém mais estaria a salvo se isso ocorresse. Esta reflexão a fez olhar para o céu, cada vez mais escuro e cinzento... dementadores se achavam por toda a parte sugando a felicidade de quem quer que seja, como ocorrera na Primeira Guerra Bruxa, onde demonstrar ter esperanças era considerado quase como um crime. Com os olhos cheios de lágrimas, lembrou que ousou ter fé de que o seu único filho viveria em um mundo muito melhor do que ela conhecera. Sem tantos preconceitos e violências contra aqueles tidos como diferentes. Não foi assim que aconteceu... até mesmo os que combatiam os ideais dos Comensais da Morte, em algumas situações, agiam de um jeito que se assemelhava muito aos deles. De modo velado ou agressivo, os dois lados, uma hora ou outra, sempre acabavam caindo nos erros de atacar mestiços e nascidos trouxas, em nome de uma pureza de sangue completamente contestável.

Doía constatar que o seu menininho, criado e adorado como um príncipe, cresceu ouvindo o pai atacando pessoas por questões financeiras ou sanguíneas. Expressando sempre palavras e gestos de puro ódio contra os demais, sempre considerados como inferiores. Não conseguiu impedir, por mais que tentasse protege-lo, de assistir de perto o retorno dos Comensais da Morte, os níveis de atrocidades que podem ser atingidos por pura aversão ao que era discrepante ou raro, de escutar inúmeras vezes a sua prima ser chamada de aberração e, seu padrinho, de mestiço imundo. Logo, Snape, a quem Draco amava e era infinitamente leal... o homem a quem tantas vezes ela viu o seu menino olhar com verdadeira admiração, como se aquele bruxo tão imperfeito, fosse a pessoa mais digna do mundo para ser o seu pai. Narcissa abriu um sorriso triste ao obter mais uma prova, entre tantas outras, que havia escolhido a pessoa correta para guiar o seu filho em um caminho de retidão. Hermione estava certa, ele só precisou de uma figura masculina descente para se espelhar e, assim, se tornar uma boa pessoa capaz de nutrir sentimentos positivos. Não existia ninguém a quem ela confiasse mais e tivesse absoluta certeza de que seria capaz de fazer o impossível para proteger a pessoa que ela mais amava. Entretanto, sendo dominada novamente por ponderações dolorosas, se questionou o quanto essa honradez e lisura nas atitudes, acabaram o colocando em perigo... após a morte de Dumbledore, Draco foi obrigado a receber a marca negra para comprovar a sua fidelidade ao Lorde das Trevas.

Suas considerações a respeito de tudo o que ocorrera, até então, foram interrompidas por uma sequência de sons de aparatação. Malfoy e os demais retornavam da viagem muito animados com os acontecimentos, principalmente, com as boas novas dadas por Aquele-que-não-deve-ser-nomeado. Voldemort tinha encontrado Gregorovitch e, logo, obteria êxito em assassinar Harry Potter. A loira escutava atenta tudo o que falavam efusivamente, fingindo observar onde se localizava o marido e se ele trouxera alguma coitada como prisioneira para comemorar a vitória alheia.

- Sentiu muito a minha falta, Cissa? – questionou a esposa com um ar de verdadeiro deboche.

- Claro... como não? Me ressenti pela sua ausência, Lucius – respondeu com um ar de falsa submissão.

- Essa noite, então, celebraremos juntos a nossa vitória sobre os traidores de sangue, mestiços imundos e os sangues ruins – sorriu a encarando, enquanto retirava a capa. Buscava achar qualquer vestígio que ela estava mentindo em algum ponto.

- Certamente, comemoraremos muito. Contudo, vejo que é importante lembra-lo, que, estou esperando mais um filho seu, depois de todos esses anos, querido. Gostaria que me tratasse com carinho – o fitou com um semblante de expectativa.

- Lamentável, não é? Você, pelo visto, não compreende que eu não quis o primeiro e, muito menos, esse. Não sei por qual motivo insiste nessa bobagem se sabe que não gosto de crianças – o loiro a repreendeu com um olhar de raiva.

- Eu sinto não corresponder as suas expectativas a meu respeito, querido – falou quase sussurrando com a cabeça baixa. Na verdade, estava farta dele, daquela casa, da vida que levava... só sentia nojo do homem que estava ali diante de si. Pensava em Sirius com os olhos brilhando de felicidade ao receber a notícia, tão contente e com tamanha vontade de segurar o filho nos braços. Foi puxada dos seus pensamentos pela voz de Malfoy, lhe dizendo rispidamente:

- É o mínimo que se espera, minha cara. Aliás, creio que não tenha mais idade para pensar em ter mais filhos. Já tem 39 anos e um filho adulto, está mais próxima de ser avó do que mãe e, depois de ter essa criança, ficará mais indesejável... convenhamos, penso que não anda se olhando no espelho ultimamente! Está ficando velha, gorda e feia. Se estou fazendo um grande esforço ao transar com você hoje, imagine depois. Nenhum homem consegue querer alguém igual a você.

- Claro... você tem toda a razão – manteve o olhar no chão, só via o seu primo sorrindo, alegre, a elogiando, enfatizando o quão apaixonado estava. Seu bruxo de cabelos castanhos e ar selvagem a amava, isso era suficiente.

- Está sendo irônica comigo, senhora Malfoy? – a inquiriu se aproximando perigosamente dela.

- Jamais, estou apenas concordando... como disse antes, você está correto, meu marido – Narcissa o olhou de forma triste, o que deixou radiante. Nada o deixava mais feliz do que destruir a autoestima da esposa e a obrigar a se submeter aos desmandos dele.

- E o inútil do seu filho quando aparecerá? – perguntou se afastando para conversar com outros Comensais que permaneciam por ali.

- Nosso filho virá quando for convocado pelo Lorde, como sabe. Da mesma forma que a sua filha com a Bellatrix, também virá – retorquiu dando as costas para ele. Não via a hora de sair dali e deixar aquele bando de degenerados o mais longe possível.

- Dois idiotas! Imprestáveis que só me atrapalham... sinceramente, deve ser o sangue de vocês que traz imbecilidade, porque não há explicação. Draco é um estúpido completo, a outra, uma lunática. Mas, o que me dá mais raiva é a filha do Black ser amante do Severus. Lembro dela em Hogwarts, aquela cadelinha é uma linda boneca igual a mãe! Não compreendo como uma bruxa, que pode ter qualquer homem aos seus pés, se apaixona por um mestiço morto de fome – argumentou como se vomitasse cada uma daquelas palavras perante a inveja que sentia.

- Amor não tem relação com bens materiais e pureza de sangue, Lucius... – respondeu gentilmente.

- Bella tem razão, você continua burra! Sempre cheia de pensamentos românticos e sonhos ridículos de amor. Mulheres casam por dinheiro e não por sentimentos. Ainda mais vocês, quase verdadeiras prostitutas de luxo, vendidas muito cedo em casamentos arranjados. Caso tenha esquecido, querida, é obrigada a me servir – disse mantendo o mesmo ar raivoso. Antes que se retirasse em silêncio, Narcisa, escutou a voz de Voldemort se dirigindo a Malfoy:

- Discordo de você, Lucius... sua esposa sempre se mostrou muito inteligente. Além disso, as mulheres de sangue puro, devem ser tratadas de maneira gentil e educada... afinal, são elas as responsáveis pela manutenção dos nossos ideais de supremacia – a loira abriu um sorriso de lado, ao escutar aquelas palavras, particularmente, quando percebeu que continuaria.

- Pode ser, meu caro Lucius, que a sua incompreensão quanto a menina Black e Severus, esteja relacionada a sua inaptidão em perceber detalhes. Nosso amigo, embora nunca tenha sido um exemplo de cortesia, sempre tratou as mulheres com o respeito necessário. Pode ser que essa seja a resposta de quais motivos levaram todas as bruxas dessa família a se entregarem de tão boa vontade a ele e não a você... que só as teve à força – o Lorde das Trevas falava pausadamente analisando as expressões do loiro se alterando a cada frase. O homem de rosto ofídico se virou em direção a ela com um tom de aviso:

- Minha cara Narcissa, hoje participará de nossa reunião, mesmo que nunca tenha recebido a marca, sei que sempre foi uma fiel serva e defende a pureza de sangue tanto quanto nós. Já avisei Severo que o quero aqui acompanhado do seu filho e da sua sobrinha, minha querida. Meu amigo Lucius, quero conversar com a sua esposa... saia – concluiu fazendo um gesto desdenhoso para que o outro se retirasse o mais rápido possível.

Enquanto isso, na Toca, Hermione tentava, mais uma vez, se aproximar de Snape. Aproveitando que ele se mostrava muito concentrado na leitura, se aconchegou junto a ele. Lentamente, começou a passar os dedos pelos lábios do marido, sentindo que o corpo do bruxo enrijecer por um tempo, até começar a corresponder dando pequenos beijos nas mãos da castanha. Os olhos de ônix chisparam perante a compreensão do que ela queria e deu um meio sorriso antes de beijá-la. O gesto foi se aprofundando, as respirações começaram a ficar mais pesadas, a medida em que os corpos se tornavam mais sensíveis aos toques e, sentiam as mãos invocarem contato e som mais possessivos.

- Hermione, a sua vida está em risco por minha culpa... – Snape a afastou, gentilmente, para analisar o seu semblante ao falar.

- Eu só vou correr perigo se você estiver longe - Hermione se colocou no colo dele, colando os lábios novamente e experimentando a sensação de ter aqueles dedos longos se afundando nos seus cachos. A outra mão, a segurava firme pela cintura, como se a reivindicasse para si com urgência.

Não demorou para que o segurasse pela nuca, ao mesmo tempo em que se ajustava sobre ele. Queria que a maior proximidade possível, sentir entre as pernas o desejo do seu bruxo de cabelos pretos crescer se manifestar em suspiros roucos combinadas a respiração pesada. A intensidade era tamanha, que o ar se fez rarefeito, os obrigando a separar os lábios e tentar controlar a respiração. Sem dizer qualquer coisa, Snape encostou a sua testa a dela, permanecendo assim por algum tempo em silêncio, recuperando o ar e a sanidade que o abandonavam aos poucos. Se distanciou um pouco, a olhando nos olhos para, depois, roçar o nariz pelo pescoço a deixando arrepiada.

- Sevie, isso foi... – Hermione disse em meio a um suspiro, sendo interrompida por ele, que sorria com a cabeça encostada em seu ombro.

- Maravilhoso, pequena... simplesmente, esplendido, como tudo o que me dá – falou distribuindo beijos por todo o seu rosto e colo.

- Você me ama? – o questionou se mostrando, novamente, insegura com relação aos sentimentos dele. Já que, desde que se reaproximaram, ele a evitava sexualmente. Snape se arrumou e a segurou pelo queixo, para que a castanha percebesse toda a convicção colocada no que diria naquele instante:

- Rainha Hermione, duvides que as estrelas sejam fogo. Duvides que o sol se mova. Duvides que a verdade seja mentira. Mas, não duvides jamais de que te amo. Eu quero ser sempre o seu rei Leontes, seu namorado e melhor amigo. Porque você é o amor da minha vida, a única que tem o melhor de mim e eu não sei viver longe de você, minha linda deusa pagã – vendo que a bruxa erguia as duas sobrancelhas formando com a boca um perfeito O, pelo o que acabara de escutar, ele preferiu usar a ironia e escapar da timidez causada pelo momento:

- Agora, mulher sem coração, quero uma declaração de amor à altura, depois de tanto esforço – dando o seu olhar típico de sarcasmo. Nunca ficou muito confortável em fazer grandes promessas e juras de amor, sempre se sentira encabulado em manifestar afeto... porém, por ela, acabava sempre lutando contra as suas incertezas para que percebesse o quanto era amada.

- Vejamos... Sevie, posso declarar que não tenho medo de mostrar meus sentimentos e de fazer coisas imprudentes, pois acredito que o que não se mostra, não se sente. Coisa que talvez surpreenda muito a você, pois os seus sentimentos são tão guardados que parecem não existir realmente – Hermione abriu um grande sorriso ao terminar, vendo a expressão incrédula com que era observada.

- Oh, minha linda Marianne sempre guiada por versos e sentimentos românticos arrebatadores. Como pode se apaixonar por um velho incapaz de se jogar no abismo dos afetos e arder de paixão, ou, até mesmo, inspirar amor em alguém, como eu? Um homem quebrado, por conta de um amor impossível... – murmurou um pouco desconcertado.

- Como não te amar? Sempre tão quieto, reservado e, mesmo tentando esconder do mundo, é gentil e amável. Você é o meu amor, Coronel Brandon! Severus, se eu não estiver enganada, você tem basicamente a idade dele quando há o casamento com a Marianne, correto? – perguntou o olhando apaixonadamente.

- Está certa... no entanto, Marianne, era mais velha que você. Ela tinha 19 anos quando casou – respondeu pensativo.

- Demorou muito para perceber o homem maravilhoso que a amava... perdida sempre em pensamentos bobos e fúteis – antes de Snape se manifestar, ela o beijou novamente. Sentiu que ele riu contra os lábios antes de dar passagem para que as línguas se entrelaçassem novamente. Por um tempo permaneceram trocando carícias em silêncio, até que o bruxo reiniciou a conversa:

- Me lembro de ter te dito que o nosso maior tesão eram os livros, ler e ficar discutindo isso. Te presenteio com William Shakespeare e, você, me premia com Jane Austen... eu estou bem longe de ser o Coronel Brandon, Hermione. Da mesma maneira que, você, é mais esperta e menos deslumbrada que a Marianne. Entretanto, o importante, é o que significa este fato. Por mais que eu te veja como uma lembrança viva de um passado feliz e um presente incerto, existe uma chama viva que me faz crer em um futuro acolhedor e irreal ao seu lado – o tom de voz dele era completamente reflexivo, cheirando os cabelos castanhos que o enfeitiçavam.

- Você tem um pouco dele, mesmo que não perceba... mas, o que quero afirmar é relacionado a esta guerra que estamos vivenciando. Quando ela acabar, Severus, reconstruiremos todas as tuas ilusões de como seria a nossa vida juntos. Pensa que eu nunca meditei sobre o que teria acontecido se eu decidisse ficar com você no passado? Que, ao invés de dois bebês em formação, teríamos dois filhos adultos? Um rapaz e uma moça muito bonitos, com os seus cabelos pretos e postura altiva, prestes a construírem as suas famílias – enquanto acariciava o rosto de Snape, seus olhos se enchiam de lágrimas ao revelar aqueles pensamentos. Se agarrando a toda a sua coragem grifinória, continuou:

- O nosso amor se conservaria pleno nesses 20 anos... veríamos um ao outro crescer. Você, certamente, estaria menos quebrado pela vida, menos duro consigo e mais capaz de acreditar que tudo é possível. Sempre vou sentir que, em parte, fui a grande responsável pelo seu sofrimento e, jamais, vou me perdoar por ter te deixado para trás tão triste e sozinho...

- ... quando você era tudo o que eu mais amava e queria no mundo, Hermis. Eu pensei em destruir a linha do tempo, girar o globo e virá-lo pelo avesso, apenas para ficar com você. Mesmo que isso criasse um vórtice temporal infinito e tudo o que é conhecido desaparecesse, arriscaria pelo simples fato de que a minha vida dependia do seu sorriso. Nunca terá ideia de como foi viver em um mundo onde a única fonte de felicidade sequer existia – após interrompê-la, a abraçou com força. Novamente se sentia horrorizado com a possibilidade de perde-la, de nunca mais poder olhar os seus olhos castanhos tão cheios de vida.

- Sevie... nós nos amamos e nos pertencemos. Não há mais nada que possa nos separar! Entenda que somos bem mais do que um simples casal, nós somos uma dupla, um par e, isso, é indestrutível – a castanha retribuiu o gesto o apertando contra si o mais forte que conseguia. Sentia que algo estava errado e que ele lutava para esconder o que enfrentariam mais à frente. Isso fez com que voltassem a se acariciar intensamente, aumentar o calor e a impetuosidade dos gestos e dos beijos, até se afastarem novamente.

- É melhor pararmos... – Hermione murmurou ofegante.

- Claro, está certíssima e eu vou embora... tenho reunião naquele antro – falou se ajeitando e a retirando de cima de si. Antes de partir, sentiu que ela o puxava novamente e o beijava de um jeito ainda mais necessitado e urgente. Suas mãos percorriam as coxas apertando de forma possessiva e a castanha gemeu contra os seus lábios...

- Hermis, não me provoque... você teve um sangramento, não podemos! Quase fiz uma bobagem e te machuquei – argumentou com um sorriso triste.

- Antes de você ir para a mansão, me responda se já leu alguma vez um livro chamado Doze maneiras infalíveis de encantar bruxas? – perguntou divertida.

-Não, Hermione, por quê? – disse contrariado, erguendo a sobrancelha esquerda.

-Nada demais... – deu de ombros com um ar completamente inocente.

-Posso te garantir que conheço, por alto, o conteúdo da obra. Essencialmente, embora nunca servirei como exemplo de autoestima plena, creio que não necessite de autoajuda para conquistar ou atrair alguém. Até porque, sei o que eu sou e confio não ser um total incompetente para precisar de uma coisa dessas – enfatizou sarcasticamente.

-Ora, não seja tão cruel com os outros! – o olhou dando um meio sorriso.

-Eu posso ser até pior... ainda mais se eu descobrir que um imbecil tentou se aproximar de você com este típico "manual do punheteiro de plantão". Para o terror desse dito cujo, vou ser obrigado a quebrar cada um dos seus ossos e fazer alguns cortes em locais precisos para que aprenda a não desejar a mulher dos outros – piscou para Hermione vitorioso ao notar que ela o olhava com um ar de reprovação pelas palavras.

- Severus, que horror! – falou dando um tapa nele, recebendo em troca uma longa gargalhada e um beijo de despedida.

Chegando à mansão Malfoy, cruzou mecanicamente pelos corredores, envolto aos seus próprios pensamentos e jogando-os nos mais profundos recantos da sua mente. Deveria se manter lívido, pleno e vazio de sentimentos diante do Lorde das Trevas. Perto de cruzar a porta, respirou fundo e se escondeu na sua melhor máscara de Comensal da Morte e entrou no local. Encarou os demais, com um ar indiferença e menosprezo, se aproximando da mesa. Ao ver Voldemort, fez um gesto de reverência esperando a autorização para que pudesse se juntar aos outros.

- Severus, sinceramente, pensei que tivesse se perdido no meio do caminho! A menina Black deve estar ocupando muito do seu tempo entre os lençóis, para se tornar tão relapso – os olhos vermelhos faiscaram de sarcasmo.

- Me perdoe, milorde. Não ocorrerá novamente – afirmou mantendo os olhos abaixados na mesma postura de submissão.

- Sei que não e nem o perdoarei se continuar assim. Onde estão os jovens Malfoy? – enfatizou virando o rosto para o outro lado, como se ignorasse a resposta.

-Draco e Luna já estão entrando. Acabaram ficando para trás quando transpus o corredor – retorquiu, antes de receber a concessão para sentar na primeira cadeira do lado esquerdo, enfatizando a sua posição no comando. Percebendo que Narcissa se encontrava ali, ergueu a sobrancelha interrogativo, recebeu em troca um olhar de negação. Sabia que depois conversariam. Em segundos, os meninos loiros apareceram na sala.

- Minhas crianças... Draco e Luna! Bom vê-los aqui conosco. Hoje será um dia glorioso aos dois, meus jovens, já que sempre me trazem informações precisas e estão tão convictos do destino glorioso que os espera – sibilava para os dois, fazendo um gesto com a cabeça para que sentassem nos dois lugares vagos ao lado de Malfoy.

- Agora que estamos todos reunidos, vamos ao que importa. Severus e Lucius, vocês deverão assassinar um dos nossos opositores. Ele vem trazendo muitos problemas para os nossos projetos com a sua defesa cega a Harry Potter – manteve a mesma entonação, analisando cada um dos que estavam à mesa, enquanto acariciava a cobra.

- Quem seria, milorde? – questionou o loiro mais velho.

- Xenophilius Lovegood... – ao escutar isso, instintivamente, os meninos seguraram a mão um do outro com força, como se Draco estivesse desesperado para dar o consolo necessário à irmã... não queria que ela fraquejasse diante daquele monstro que falava em mortes como se comentasse a respeito de um passeio. Luna permaneceu com uma postura dura, segurando as lágrimas que queimavam os seus olhos. Não presentearia Você-sabe-quem com o seu sofrimento. Se direcionando a ela, Voldemort a questionou:

- Luna, minha querida, como sou generoso e absolutamente bom para os meus servos, quero que decida se ele será assassinado ou o jogaremos em Askaban? – ela sentia os seus dedos arderem pela força que a sua mão estava sendo segura e, em um ato impensado, respondeu:

- Morto! – por mais que aquilo lhe matasse e destruísse por dentro, estava certa de que a prisão exterminaria o seu pai aos poucos. Não podia permitir que alguém que lhe deu tanto amor fosse torturado da pior forma possível. Confiava que a presença de Snape ali, garantiria uma morte digna e sem tanto sofrimento. Porém, no fundo, queria chorar com todas as suas forças, abraçar o seu irmão e sair dali... não entendia como a tia vivia naquele verdadeiro inferno e ainda preservava a sua sanidade.

- Vejo que a sua filha, Lucius, apresenta a mesma força da mãe. Acabou de ser informada que o pai adotivo será morto e não gasta um segundo dos seus pensamentos. Admirável! Ainda você chama seus filhos de imbecis... são duas rochas, iguais as suas respectivas mães. Logo, ocuparão postos de honra ao meu lado – encarou o outro homem que estava com os olhos desfocados mirando o nada. Por dentro, se corroía de ódio, por nunca receber um elogio como aquele.

A reunião entrou madrugada a dentro, com planos e táticas de ataques à vilarejos bruxos e em algumas cidades trouxas, torturas, estupros... os Comensais passavam a ser divididos em grupos para as operações. Os mais graduados, estavam destinados à agressão dos bruxos opositores, os menos, assediariam os trouxas. Também foi decidido como ocorreria a tomada do ministério, a estratégia de como Rufus Scrimgeour deveria ser morto e, Pius Thicknesse, assumisse o quanto antes o cargo de Ministro da Magia... Tudo se achava, plenamente acordado, no instante em que Voldemort os autorizou a se dirigirem para a sala de estar. Lá estariam liberados para comemorarem a vitória que se aproximava se quisessem. Aproveitando a dispersão, Snape carregou os dois bruxos mais jovens para um canto, precisava falar com eles. Draco recebera a ordem de se tornar um assassino, ultrajar e machucar pessoas por nada. Luna apresentava um olhar mortificado... aquele horror era uma carga muito pesada para que sustentassem.

- Senhorita Lovegood, Luna... sinto muito. Se eu puder fazer algo... – tentava argumentar, porém, ela o interrompeu com um ar resiliente:

- Senhor, dê a ele uma morte digna, por favor! Não quero que o meu pai sofra... ele não merece ser aniquilado em Askaban. Isso é o que eu lhe peço - o bruxo apenas assentiu e olhou para o afilhado.

- Padrinho, não se preocupe! Farei o melhor e serei justo em meio ao terror – falou automaticamente, mais para convencer a si mesmo do que assegurar que estava convicto do que executaria.

- Escutem os dois, vocês são boas pessoas! Não é porque foram jogados nessa merda toda que façam parte dela, me entenderam?! Sou responsável por vocês, não vou permitir que se destruam por conta desses anormais – proferia aquilo como se estivesse sacudindo cada um, antes de empurrá-los contra a porta:

- Vão embora, saiam daqui! Fiquem perto de pessoas que lhe deem coisas boas. Draco, quando chegar o momento, faça sem pensar e siga o que te ensinei. Não pensem em nada disso até acontecer – terminou de argumentar, deixando os dois atordoados antes de partirem de volta para a Toca.

Ao amanhecer, Narcissa e Snape saíram da mansão, como dois namorados prestes a passear livremente pelas ruas. Precisavam manter as aparências, visto que, todos ali pensavam que eles eram amantes. Se distanciando ao máximo dos locais em que poderiam ser vigiados aparataram na Toca e seguiram até lá conversando a respeito dos acontecimentos da noite anterior e até onde estavam chegando os horrores daquela guerra. Prestes a entrarem na residência, ambos foram informados do quanto os meninos chegaram abalados da mansão e foram questionados sobre o que ocorrera. Responderam por alto, enfatizando pontos que poderiam ser evitados e, escondendo, o que estava muito longe do alcance de qualquer um. Narcissa vendo que as sobrinhas se achavam todas ali, chamou-as para conversar do lado de fora da casa. Como ressaltara antes, Snape e Lupin acompanharam as esposas para ouvir o que seria dito ali. Seguiram falando poucas amenidades... se afastando da casa e se aproximando da árvore em que Sirius se encontrava sentado em um galho, comendo alguma coisa, pensativo.

- Bem, para contar o motivo que chamei todos aqui, eu terei de partir do princípio – respirou fundo olhando para cada um que a encaravam com um semblante de curiosidade e clara expectativa.

- Há uma profecia... não a que diz respeito ao Potter. De certo modo, penso que pode ter alguma relação, mas, sinceramente, não sei. O oráculo fala da chegada do Agoureiro... inicia com a ascensão de um Lorde das Trevas que se unirá a mulher de sangue negro puro. Apesar de que este ponto não é muito claro e exato, pelo motivo de que, pensávamos que teria de ser dos dois lados... mas, pode significar apenas que é uma mulher que carregue esse sobrenome e mantenha a pureza sanguínea. Esse Agoureiro seduzira os filhos invisíveis, terá poderes extraordinários que manterão esse bruxo no poder. Não preciso enfatizar quem é o Lorde em questão, contudo, desde que o meu pai soube pelo tio Órion dessa divinação, ele se preocupou... e acabou sendo uma peça chave para que tudo pudesse ocorrer – continuava, percebendo que os demais sequer mostravam que ainda respiravam ouvindo o que dizia. As expressões apresentavam as tentativas de compreender o que estava sendo narrado e continuou:

- Tio Órion era quem estava mais apto, até aquele instante, a trazer ao mundo uma Black de sangue puro por ter casado com a tia Walburga, que era sua prima de segundo grau e irmã do meu pai... entretanto, ele teve dois filhos homens. Meu pai, por sua vez, teve três mulheres. Mesmo sendo Rosier Black, o Lorde sempre nos observou de perto, principalmente a Andrômeda... – neste ponto, foi interrompida por Ninfadora que a encarava sem entender por quais motivos a sua mão despertou interesse de Voldemort quando criança.

- Por que a minha mãe? – questionou franzindo o cenho.

- Dora, a sua mãe nasceu com o dom da magia plena, ou seja, terra, fogo, água, ar e espírito. Isso leva ao completo domínio dos poderes elementares, como sabem. Ela fazia coisas inacreditáveis sem o uso da varinha, desde criança... Bellatrix e eu, precisamos de treinamento para atingir níveis semelhantes. Conquanto, acabei me desenvolvendo melhor do que ela, que sempre foi mais bruta para resolver as coisas – respondeu, ouvindo a voz doce de Luna a inquirindo:

- Tia, isso aconteceu com nós três? Foi por isso que quis nos contar?

- Sim, sinceramente, pensamos que tínhamos nos livrado da profecia até a Dora nascer como metamorfomaga e a Andy se dar conta de que as coisas estavam fugindo do controle. O que aconteceu é extremamente raro, bruxos não tem o dom de se metamorfosear sem poções... isso é parte de um feitiço das trevas muito antigo e que pertence a nossa família, se impregnando em nosso sangue. Entretanto, muitos séculos se passaram até outro membro dos Black apresentasse essas características – retorquiu percebendo que aqueles olhos azuis permaneciam fixo nela. Antes de conseguir retomar o ponto em que parou, foi a vez de Hermione perguntar com um ar pensativo:

- O que cabe a mim e a Luna, exatamente, já que a Bellatrix não é a mais forte?

- De fato, ela não é a mais forte, mas sempre foi esperta e rápida em traçar estratégias. Você, Mione, tem o sangue negro puro e possui os mesmos poderes que a Andy, ainda que, seja mais cética. A Lua, por sua vez, tem o dom da premunição, consegue ver nosso passado, presente e futuro, sem necessitar de artifícios – replicou, repontando para questões que levariam ao quesito que ela queria tratar:

- Inicialmente, pensei em só explicar para você as velhas e obscuras artes d'A Mui Antiga e Nobre Casa dos Black, por ser a última mulher a levar esse sobrenome. Contudo, creio ser necessário que as três aprendam... se o Lorde perder uma, ele buscará a alternativa em outra para a ascensão do seu Agoureiro.

- O Agoureiro poderá fazer o que exatamente? – indagou a bruxa de cabelos rosa.

- O que vocês conhecem e compreendem como arte das trevas ou magia negra, será o coração e o princípio dele. Nossa família... bem, não recebeu o título, que se tornou sobrenome, por acaso. As mulheres sempre reuniram com mais ou menos força a magia plena e elementar e, praticamente todas, se envolveram com a escuridão – Narcissa disse pensativa.

- Eu não entendo... como é possível? – Luna questionou mais a si mesma do que a tia ou qualquer outra pessoa que ali se encontrasse.

- Uma das três reparou em toda a árvore genealógica da nossa família? – perguntou olhando as meninas.

- Sim, Narcissa, o Sirius me mostrou... quando conversamos a respeito dele ser meu pai biológico – retorquiu a castanha, notando que o assunto se aprofundaria ainda mais.

- Então, Mione... você compreende como os sangues negros iniciaram. Quem foi a primeira da nossa casa e tudo o que ela fez – manteve os olhos na sobrinha que a encarava incrédula, até conseguir dizer em voz alta:

- Você está me afirmando que descendemos da Morgana Le Fay? – a castanha estava horrorizada.

- Exato... e mais do que uma metamorfomaga, ela era uma lich e se valia da beleza para conseguir o que queria com os homens. Algo próximo ao que a Bella sempre fez – aproveitando que o silêncio se restabelecera, mais uma vez, muito mais pelo terror daquilo que ouviram do que, propriamente, uma expectativa do que ainda seria dito, prosseguiu:

- Morgana não teve apenas um filho com o seu meio-irmão, rei Arthur. Ela gerou mais três crianças. Uma filha com Merlin, outra com Salazar Slytherin e, a última, nunca tivemos certeza de quem era o pai, porém, as meninas nasceram para que o seu sangue se perpetuasse. Os níveis de magia permaneceram perpetuamente intactos, se dividindo constantemente da mesma forma. O problema é quando todos nascem com o mesmo grau de força... é aí que mora o perigo. Não sabemos exatamente quem era o pai da que iniciou a dinastia dos Black. Nenhuma usou o sobrenome do pai biológico... as três casaram com bruxos das trevas e a questão é que a magia elementar se manteve nas mulheres da nossa família e o que chamam de uma Black pura, existe e isso é temerário.

- Dumbledore tentou nos auxiliar com isso, principalmente, depois que a Bella engravidou... no entanto, pouco foi feito. A única conclusão que chegamos foi a de descartar a possibilidade dos Black ter iniciado com a filha de Salazar. Porque, se ela o fosse, alguém na família nasceria ofidioglota – Sirius se manifestou percebendo que Narcissa se mostrava cansada em ter que explicar tudo.

- A Morgana foi uma leoa que se relacionou com, provavelmente, três serpentes e um leão... Bella com um leão e com uma serpente, Narcissa fez o inverso, serpente e leão; Andrômeda era uma serpente... Dora é texugo e se relacionou com um leão; Hermione é leoa e eu serpente; Luna é corvo e o Potter leão; Draco serpente e Ginny leoa. Temos um padrão aqui... vocês já pensaram que a Bella e o Lorde podem ter desvendado quem era o pai da terceira? E se o Agoureiro, mais do que ser um sangue negro puro, ser a combinação dois diferentes ou a soma de dois iguais? – inquiriu Snape como se estivesse diante de um verdadeiro enigma que o conduziria a um enorme quebra-cabeças, cheios de peças soltas.

- Não compreendo, Severus... – Lupin falou se virando para ele.

- E se o responsável por conduzir a magia foi o leão? A Bella poderia pensar em gerar o Agoureiro por ser uma serpente assim como o Lorde. Ainda mais porque ele é ofidioglota. Ele é o herdeiro de Salazar Slytherin. Potter confirmou isso em 1993 – respondeu o de cabelos pretos.

- Eu, sinceramente, não acompanho o seu raciocínio... porque você mesmo disse que a Morgana era leoa – falou Sirius olhando para o outro do alto da árvore.

- Claro que não, cachorro burro... seria exigir muito que usasse o cérebro, quando tem de se livrar de pulgas e carrapatos! - retorquiu sarcástico e cáustico, antes de dar seguimento e explicar o que pensava:

- O que eu estou tentando dizer é que, a Morgana teve um filho com o rei Arthur, que era um leão. Provavelmente, seja uma explicação para que, entre os Black, tenha apenas dois leões em uma casa repleta de serpentes. Há uma mutabilidade... Hermione. Se você, o Remus e a Narcissa bem se lembram, ela conseguiu convencer o chapéu seletor a coloca-la na Sonserina. E se isso foi feito pela Morgana? E se ela era uma serpente que pediu para ser posta entre os leões? Todos aqui sabem, tão bem quanto eu, o quão astuta e versada nas trevas ela era para ser uma leoa nata... além de que, ela era obcecada pelo meio-irmão.

- Tem razão, Severus... isso é um caso a ser pesado muito bem. Realmente, é muito estranho que haja apenas dois leões em uma família de serpentes. Ainda mais quando, um deles fez que o chapéu obedecesse a sua vontade – Lupin arguiu com um ar reflexivo olhando para a esposa.

- Então, Remus, temos um ponto a ser meditado aqui. Outra questão que levanto ao Sirius e a Narcissa... qual o grau de parentesco de vocês com os Weasley? – Snape se virava para os dois como se estivesse próximo a abrir um verdadeiro interrogatório.

- Arthur é nosso primo de segundo grau, por quê? – respondeu Sirius o encarando.

- Isso explica um terceiro caso... que devemos considerar, Ginevra Weasley. Me lembro dela criança e ela apresentou todas as características de que iria para a Sonserina. Ao contrário dos irmãos, ela é esperta e ardilosa, não se move por sentimentos tolos... uma menina forte que pouco chorava. Isso te lembra alguém, Cissa? – manteve a mesma postura olhando para a amiga.

- Sim... mas foge do padrão que a tia Walburga falava – a loira tentava entender onde ele queria chegar com aquele raciocínio abstrato.

- Ora, Narcissa... Nymphadora, Hermione e Luna também são. As três teriam de ser filhas da mesma mãe para compartilharem e não, apenas, duas. Outro fator que está longe da lógica, é que a Dora não poderia manter níveis altos de magia plena e elementar, por ser filha de um trouxa... – ele foi interrompido por ela que apenas disse:

- Antes que prossiga no seu discurso, quero te informar que você também não poderia ser um mago, mas o é... entretanto, isso, eu vou explicar depois que este assunto estiver encerrado – o bruxo de cabelos pretos a encarou, como se a questionasse silenciosamente, entretanto, como viu que não ouviria nada, continuou:

- Retomando, você e Luna são loiras, Andrômeda e Hermione castanhas, Bellatrix e Nymphadora tem cabelos pretos... ao contrário do que os trouxas aprenderam, Morgana tinha cabelos ruivos como fogo, não era morena. Mudava a cor dos cabelos e dos olhos como a Dora faz, passando uma falsa certeza de sua verdadeira identidade. E se Mordred, antes de morrer, também se relacionou com alguém... como Ravena, por exemplo? Teríamos uma quarta possibilidade. Embora os Black descendam de uma das mulheres, quem garante que não se envolveram sexualmente, em algum momento, com o descendente de Mordred? Quem sabe de três ou quatro famílias distintas, os filhos desses irmãos acabaram através de casamentos, voltando a ser uma família apenas? Relações incestuosas na casa dos Black sempre existiram.

- Cissa, o Severus tem razão. A Ginny pode ter desenvolvido melhor a magia elementar do fogo, tudo é possível se pararmos para pensar nas coisas inacreditáveis que vem acontecendo ultimamente. Arthur é filho da nossa tia Cedrela e, mesmo sendo estranho e eu desconheça algo parecido, pode ter pulado uma geração e ido direto para a filha dele – o bruxo de cabelos castanhos falava para a prima que apenas assentia ponderando o que escutara.

- Se aconteceu, Sirius, você sabe o que significa... – sussurrou com um tom de medo na voz, antes de se virar para as sobrinhas e afirmar convicta:

- Meninas, quero que vocês sempre tenham em mente, por pior que seja a situação... os nossos piores inimigos, os mais cruéis e os que podem, realmente, nos matar, somos nós mesmas. Nossos medos, ansiedades e preocupações são o que alimentam o que há de pior.

- Que Merlin nos proteja, pois Agoureiro se aproxima... – Sirius levou as duas mãos ao rosto massageando a testa como se tivesse sendo dominado por uma dor horrível.

- Com sabem? – Hermione os questionou.

- Porque se o Severus tiver razão, terão nascido 7 bruxas, de mesmo sangue, com magia plena em menos de 30 anos... sendo a mais jovem, a portadora da magia de fogo. Vocês nasceram regidas cada uma por um elemento, nessa perspectiva... o que mexeria com os quatro principais pontos cardeais direta ou indiretamente – explicou a loira, voltando as suas palavras para Snape:

- Agora, trataremos do que eu quis te dizer, quando falávamos com relação a impossibilidade da Dora ser metamorfomaga, sendo filha de um trouxa. Do mesmo jeito que você, estaria impossibilitado de ser um mago poderoso.

FLASHBACK ON

- Minha cara Narcissa, de fato, Severus é um mestiço. Mas, sua mãe Eillen Prince foi uma bruxa muito poderosa, exímia praticante da arte das trevas e muito fiel a nossa causa... – o Lorde das Trevas explicava apontando para a bruxa sentar de frente a ele, para que pudesse manter o olhar fixo nela.

- Claro... claro, milorde... mas, eu estou confusa. Se o senhor me permite questionar, como uma defensora da nossa pureza pode casar com um trouxa? Ainda mais com aquele especificamente? – falava completamente aturdida com a revelação.

- Narcisa, o casamento da Eillen com Tobias Snape teve um propósito maior. Ela se aproximou daquele porco seguindo as minhas ordens. Afinal, ele descendia de abortos bruxos, mais especificamente, em duas gerações. Por isso, nos odiava. Como não utilizar um ser tão baixo e inferior para que eu tivesse um menino bruxo com pleno domínio da magia negra e ódio desde tenra idade? Severus praticamente foi moldado para ser o que é... por isso, nunca duvidei da sua excelência em executar os meus ditames, tornando-o um dos meus generais na guerra – afirmou enfaticamente.

- Eu não compreendo, senhor... – estava perdida. Aquilo não fazia o menor sentido e era terrível a ideia de alguém ter um filho para ser tratado como um escravo. Lembrou do seu amigo criança e dos absurdos que teve de enfrentar para sobreviver, como se fosse um animal abandonado, sozinho e ferido.

- O que não entende exatamente? – perguntou com desinteresse. Se incomodava com o fato dela demonstrar sentimentos com o que ouvia.

- Meu pai e ela se conheciam antes? Porque nunca nos foi dito nada? – o questionou aflita.

- Sim, foram os meus primeiros Comensais. Não pense que seu pai casaria uma das filhas com um mestiço qualquer... embora eu quisesse a Andrômeda ou a Bellatrix para os meus propósitos, Cygnos acabou me facilitando algumas coisas. O atrevimento dele me trouxe a plena certeza de que eu obteria a criança perfeita que casará com o meu Agoureiro – retorquiu tranquilamente, dando continuidade ao que falava:

- Depois da fuga da Andrômeda, eu deveria ter ordenado ao seu pai que, ao invés da Bella, você era quem deveria casar com o Severus, visto que sempre se deram bem. Certamente, teriam muitos filhos. Todavia, para minha surpresa, a linda flor de luxúria e lealdade à causa, me presenteou ao trazer ao mundo uma Black de sangue puro pelos dois lados. O que o seu amigo fez, sem saber, foi me obrigar a reorganizar os meus planos para que a profecia se cumpra.

- O Severus sabe disso? – inquiriu sombria.

- Obviamente, não. As coisas devem acontecer naturalmente... então, quase tudo está encaminhado para o nosso destino glorioso – sorriu maleficamente.

- Isso é perfeito, milorde! – retribuiu o sorriso se retirando do escritório com uma reverência.

FLASHBACK OFF

- Em resumo, eu sou o touro reprodutor do Lorde das Trevas... – Snape falou com um tom sórdido.

- Vocês podem pensar que estou enlouquecendo... porém, será que a Bella não está grávida dele? Para que esteja tão tranquilo e tenha dito isso, alguma coisa já vem ocorrendo e só estão organizando os ajustes finais – Lupin se mostrava taciturno ao proferir aquelas palavras.

- O que faria um dos meus netos ser o parceiro ideal da anomalia deles, pobre criança! – Sirius estava com um semblante jamais visto, totalmente mórbido e sombrio com as revelações finais. Tudo parecia se encaminhar para um fim terrível a todos.

Durante o tempo em que os bruxos mais velhos discutiam e chegavam à conclusão de que esses fatos deveriam ser compartilhados com os Weasley e Shacklebolt, as três foram caminhando para o outro lado da propriedade, sentando-se na grama para olhar o céu escuro da noite. Experimentavam a estranha sensação de que coisas horríveis aconteceriam e a batalha final ficava cada vez mais próxima. Para piorar, um temor maior se avizinhava... viram nos olhos de Narcissa e Sirius o suficiente para compreenderem que o Agoureiro aniquilaria a todos. Trocaram algumas palavras observando aquela escuridão e as raras estrelas... constelações eram as responsáveis por iluminar a obscuridade dos Black, unidas a magia era mais forte do que nunca.