Ao entrarem na Toca ficaram auxiliando nos preparativos finais para o casamento de Draco e Ginny no dia seguinte. Com a chegada dos elfos, Japeto, Selene, Monstro e Dobby, foi possível fazer rapidamente os bolos, os doces e os salgados para que tudo ocorresse maravilhosamente bem. O dia 31 de julho seria bastante corrido e festivo... pela manhã, batizariam o pequeno Scorpio e, o jovem casal de bruxos, convidou Snape para que fosse padrinho do seu filho. Pela tarde, fariam uma comemoração para não deixar passar em branco os 17 anos de Harry. Assim, daria tempo aos amigos e alguns convidados chegarem para o enlace à noite, e, participarem da celebração da maioridade do menino-que-sobreviveu. Ao terminarem de arrumar a casa e os pormenores, que ainda restavam, se distribuíram pelos quartos e, alguns, se acomodaram na sala para descansar.

Narcissa estava agitada e sem sono, sabia que a sua vida mudaria significativamente depois do dia que mal começara. Seu filho estava prestes a concretizar a construção da sua família, mesmo sendo tão jovem e com tantas coisas ainda por realizar, foi responsável e assumiu os seus deveres como homem. Foi assim que ela saiu da residência para admirar as estrelas do lado de fora. Caminhando pelo gramado, sem prestar atenção em nada específico, percebeu que Sirius se encontrava estirado na grama, absorto em pensamentos, enquanto olhava para o céu.

- Noite, meu tatuado! – disse se aproximando.

- Noite, princesa loira... quer deitar aqui também? – perguntou virando o rosto na direção dela.

- Creio que é um pouco incômodo ficar prostrada no chão... pode sujar as minhas roupas – falou com um tom desconfortável.

- Não por isso, linda bruxa vaidosa! – tirou a camisa que estava, ficando só com uma camiseta branca. Com cuidado, ele esticou o tecido para transfigurá-lo em uma espécie de toalha para que ela ficasse ao seu lado.

- Confortável assim? – questionou, notando a sua expressão de análise sobre aceitar ou não a oferta.

- Grata pela gentileza, gentil primo! – retorquiu assentindo com a cabeça sorrindo para ele, ao mesmo tempo em que, se arrumava para ficar em uma posição apropriada no chão.

- Sabe, Cissa... eu nunca entendi qual o motivo que levou a tia Druella e o tio Cygnus a não te nomearem como uma estrela ou constelação – a olhava pensativo. De fato, aquela loira fugia de todas as explicações e delimitações pré-estabelecidas da família. Fosse pelos cabelos, a cor dos olhos, a maneira gentil de lidar com os outros... ela era diferente dos Black, se destacando desde muito cedo por ser única.

- Isso te incomoda de alguma forma? – inquiriu com um semblante de curiosidade.

- Não, não é isso! Só é diferente, assim como você sempre pareceu ser. Acho e acredito que não exista nada que a defina melhor que a linda flor de narciso – piscou para ela galanteador, a fazendo virar os olhos e soltar um suspiro de falsa reprovação.

- Sei... – respondeu dando um sorriso aberto e incrédulo para Sirius. Isso o fez se virar de lado e apoiar-se no braço para observá-la melhor.

- Cissa, eu estou falando sério! Não sei quem foi o idiota que te disse o contrário, nem em que eu devo bater para que confie nas minhas palavras... mas, mulher, você é muito bonita e inteligente. Pode ser que não abone minhas frases... pelo tempo que demorei para me dar conta do óbvio. Perceba que a vejo como a única capaz de me presentear com o que sempre procurei na vida e eu, como cego, custei a enxergar – argumentou com sinceridade, gostava da sua companhia e queria muito a fazer feliz.

- Entendo... contudo, creio que o seu gênio selvagem e fogoso sempre precedeu as suas considerações e gestos mais corteses – Narcissa olhava para o céu refletindo o que escutara. Não estava segura de encará-lo naquele instante e, muito menos, de crer no que ele dissera.

- Significa que não acredita? – sentou mantendo o olhar fixo nela, queria ser retribuído de algum modo.

- Sirius, na verdade, não é isso que estou dizendo. Você é muito afoito, na maneira de agir... apenas isso! O que gostaria de ter ou espera exatamente que eu seja capaz de realizar? – retribuiu a pergunta com outra.

- Uma família que me aceitasse do jeito que eu sou... rebelde, tatuado, meio louco, selvagem... completamente, insanamente e totalmente apaixonado pela minha prima quase dois anos mais velha e querendo convencê-la a ser minha todos os dias e noites, até o fim da nossa existência – respondeu com os olhos brilhando de excitação e felicidade.

- Pode ser que consiga – o mirava atentamente, identificando cada alteração nas linhas mais finas do seu rosto, durante o tempo em que ele refletia o que ela lhe disse.

- Me daria uma família? Quer ser minha esposa, amiga, namorada e amante? – falou impetuosamente, segurando as duas mãos dela, a puxando para que sentasse ao seu lado e ficasse mais próxima.

- Gostaria... porém, sou casada. O divórcio no mundo bruxo é impossível! Por mais que eu queria, seria um escândalo sem tamanho se eu entrasse no Ministério e solicitasse o rompimento dos meus laços com o Lucius – dizia o olhando dentro dos olhos, para que ele percebesse a verdade naquelas palavras.

- Isso é o de menos... se ficar viúva, poderá casar novamente! – deu de ombros, não se dando por vencido.

- Sirius, por Merlin! Não invente... faz pouco que retiraram aquelas acusações contra você e passou tempo suficiente em Askaban para ficar tão animado com pilherias desse gênero – o repreendeu com um ar de censura.

- Não estou dizendo que vou matar o Malfoy a sangue frio... mesmo que eu queira muito, mas muito mesmo, dar uns socos no meio da cara dele! Me refiro ao fato de que estamos em guerra e, aquele frouxo, pode morrer a qualquer momento. Apensa isso! – fez uma cara de inocente e ela sorriu de lado, buscando mudar de assunto.

- Em teoria, se você puder assumir essa criança que eu estou esperando... qual o nome daria a ela? – sondou como quem nada quer, mas tudo consegue.

- Em teoria? Que tipo de bruxo pensa que eu sou? Vou, dessa vez, cobrar meu direito a honra, isso sim! Depois, vou sequestrar você daquela casa e te levar comigo, minha loira! Só espere que eu compre uma moto nova... quero deixar tudo mais emocionante – sorriu a apertando contra os braços, começando a acaricia-la, antes de continuar:

- Falando sério... se for uma menina, gostaria que fosse Sagitta, como a flecha que rege a constelação de Sagitário. Caso vier menino, Pictor, como um cavalete de pintor. São nomes fortes e norteadores, simbolizam guerra e arte. Além de representar um pouco nos dois... eu, todo errado e briguento, você, infinitamente perfeita! Agora sou eu que te pergunto qual nome dará a essa bruxinha ou bruxinho aí dentro?

- Não pensei em nome de menina, acredita? Entretanto, para um menino, cogitei o nome de Leo. Porque tenho certeza de que será um leão igual a você. Só peço que não esqueça de uma coisa... independentemente da idade e de quantos filhos eu possa vir a ter, Draco sempre será o meu bebê – concluiu se aconchegando ainda mais no peito dele. Se sentia segura ali, tomada por uma verdadeira sensação de paz, até então, desconhecida.

- Narcissa Rosier Black... Malfoy – disse colocando a mão, gentilmente, no queixo para fazê-la levantar o rosto e o olhar, enquanto ele se mostrava um pouco contrariado de ter de proferir o último sobrenome dela.

- Diga Sirius Black – riu abertamente da cara de insatisfeito que ele apresentava.

- Não ria, bruxa... é repugnante ter que lembrar daquele sujeito tocando em você. Até porque, eu te amo! Por isso, não pense que tentarei te afastar do seu filho, a partir do dia em que esse bebezinho vier ao mundo. Hermione, ao meu ver, é uma garotinha indefesa, mesmo sem tê-la criado. Então, nunca cogite a possibilidade de que eu queira te distanciar dele, quando o que mais quero é me aproximar da minha filha – a beijou com paixão, se deixando cair e rolando com ela na grama. Sem entender o motivo, viu que o beijo foi cortado e Narcissa se afastava dele com um ar de dúvida.

- O que aconteceu? Fiz ou disse alguma coisa de errado? Eu te magoei? Fui bruto e te machuquei? – a olhava sem compreender, questionando o que a afligia. Como se estivesse buscando coragem nos recantos mais profundos de sua alma, a loira respirou fundo e perguntou:

- Você me considera atraente ou eu sou apenas um prêmio de consolação por não ter conseguido ficar com a Bella?

- De onde veio essas ideias? Claro que eu a julgo sedutora, bonita e fascinante! Não sei a motivação dessas palavras... de modo algum eu a enxergaria como uma segunda opção. Isso é desrespeitoso e sujo. Me diga, porque dúvida de quem é e do que pode ter? – a inquiriu com um semblante fechado.

- Lucius... enfatizou que eu estava velha e, se antes da gravidez, já me apresentava pouco atrativa... depois, será ainda pior – baixou a cabeça fitando para as próprias pernas.

- Há quanto tempo a sua autoestima é atacada? – ele sentou novamente, acariciando o rosto dela com carinho.

- Ele mudou muito depois do casamento e ter tirado a minha virgindade. Piorou depois que o Draco nasceu... todas as vezes que brigávamos, gritava que faria mal ao meu bebê, que não o queria. Eu sempre acabava cedendo por medo de que a promessa fosse concretizada e nunca mais pudesse ver o meu menininho novamente – Narcissa chorava lembrando daquilo, doía lembrar de todo aquele sofrimento. Buscando controlar a respiração, prosseguiu:

- Foi assim que arranjei forças e procurei o Severus... quebrei o juramento de nunca mais envolve-lo nos meus problemas. Eu me sentia tão sozinha e tão aterrorizada... pedi que ele me ajudasse. O adverti da sua promessa de proteger o meu filho como se fosse dele. Ele era o padrinho, tinha a obrigação de amparar e salvaguardar um ser inocente – Sirius se mantinha em silêncio ouvindo o que ela relatava atentamente.

- Saiba e entenda que eu estava disposta a implorar e me dispor a efetuar qualquer coisa que o Severus me pedisse... o que eu ouvi foi apenas que seria feito, que o Lucius jamais machucaria o meu bebê – o olhar dela estava perdido como se estivesse em outro lugar ao contar aquilo.

- O Severus nunca quis nada em troca? – perguntou com medo da resposta que, quem sabe, surgiria.

- Sim... falou que se eu o responsabilizava pela segurança do Draco, deveria permiti-lo educar como se fosse filho dele. Destarte, ocorreu deste jeito. Sempre que via uma oportunidade, levava o meu menino para visita-lo. Severus o ensinou a brigar, a xingar, a jogar futebol, torcer para o Aston Villa, ouvir músicas, assistir filmes, a controlar sua magia e, acima de tudo, confiar em si mesmo. Penso que ele queria ser, tudo o que o pai não foi e não representou... agiu desse modo tanto com a Dora, quanto com o Draco. Sempre se mostrando atento as necessidades de cada um – respondeu pensativa.

- Quanto a você... o que ele exigiu? – a inquiriu demonstrando incômodo.

- Ora, nada! Nunca demonstrou qualquer tipo de interesse sexual, se quer saber – retorquiu o encarando.

- É que... vocês dois... – antes de dizer qualquer coisa, ela o interrompeu:

- Sirius, o que houve aquele dia dentro da mansão entre o Severus e eu, foi uma única vez. Não pensamos em repetir e não foi algo planejado ou desejado durante anos. Respondido? – manteve os olhos fixos nele e recebeu apenas uma resposta positiva com a cabeça. Permaneceram em silêncio, cada um perdido em suas próprias reflexões, quando ele a puxou com força e Narcissa deu um grito assustado. Percebendo, pouco depois, o movimento do corpo dele embaixo com pequenos espasmos causados pelas gargalhadas do susto que lhe deu.

- Você é louco! Achei que havia acontecido alguma coisa... idiota, bastardo... eu te odeio! – o estapeava e, Sirius, continuava rindo abertamente. No fim, acabou se dando por vencida, achando graça no ocorrido e o beijando novamente.

- Narcissa, você é fantástica e eu amo esse seu jeito doce! – a mordeu levemente no pescoço ao sentir que a loira se afastava novamente.

- Também te amo... de certo modo, é isso que continua me dando forças – respirou fundo, notando que ele se movia para ficar por cima, retomando os lábios para um beijo mais necessitado.

- Eu sei, Cissa... todavia, como já passou das 2h da manhã... acredito que não haja absolvição para nós, que somos ímpios e apaixonados – a beijava vorazmente, levantando um pouco o vestido para se ajustar melhor entre as pernas e excitá-la o máximo que pudesse.

- Alguém pode acordar! – enfatizou preocupada.

- Vamos fazer em silêncio, um gemendo na boca do outro... eu te desejo e amo tanto! – permaneceram se abraçando, acariciando e beijando, até os suspiros se transformarem em uma respiração pesada. Sem se despirem completamente, Sirius a penetrou sob a luz das estrelas e da lua. Cada impulso, cada toque, cada beijo, tudo queimava e ardia como fogo entre eles. Os lábios se afastavam para permitir que o ar voltasse e não necessitassem se separar. Enquanto, os corpos, permaneciam tão unidos que o ritmo mostrava que era quase um só, mais rápido, mais forte, se deixando levar até o ápice em que se perderiam completamente um no outro. O bruxo de cabelos castanhos decidira, resolutamente, que Narcissa perceberia o quanto era sensual, atraente e encantadora aos olhos dele. Aquela não era a hora para pensar em sexo selvagem ou uma sessão ininterrupta de luxúria e gritos incontroláveis de prazer... apenas amor e carinho bastavam aos dois. Continuou os movimentos, aumentando a velocidade das estocadas, ao notar que ela já se achava tão perto. Experimentava as sensações dela roçando os lábios e os dentes contra os seus braços, seus ombros e pescoço, procurando algum conforto e sanidade. A beijou novamente, abafando as palavras desconexas que eram proferidas em voz alta, sentindo o corpo dela estremecendo em meio aos espasmos que levaram, pouco depois, a se derramar por completo e o guiaram junto. Acabaram adormecendo ali, sendo acordados pelos primeiros raios de sol que anunciavam o novo dia.

- Nós dormimos por quanto tempo? – a loira olhava para os lados, arrumando um pouco onde o vestido estava mais amarrotado.

- Creio que por umas duas ou três horas, no máximo – sorriu travesso a admirando.

- Foi uma maluquice o que fizemos... imagina se tivéssemos sido pegos?! – falava sacudindo a cabeça em desaprovação.

- Se alguém acordasse e notassem a nossa presença aqui, não teriam visto nada que jamais tenham feito. Aliás, suas mordidas pelo meu pescoço e ombros, me provam que estava gostando de usar o meu corpo – foi se aproximando aos poucos, até ficar perto o suficiente da orelha para sussurrar:

- Seus gemidos abrandados pela minha pele, atestam que eu me mantenho absoluto na posição de único homem com quem você deu uma trepada épica, bruxa bonita.

- Pare de ser indecente e pretensioso! – o olhou completamente envergonhada, recebendo um abraço apertado em troca antes de entrarem na casa e perceberem que todos ainda estavam entregues ao sono.