- Draco Malfoy, - Minerva sussurrou.

- De fato. E agora, parece que tenho um favor a pedir. - Snape respirou fundo. Ele sabia que o que faria nos próximos momentos mudaria tudo. Ele sabia que agora teria que admitir que estava desobedecendo diretamente às suas ordens, mudando o plano.

- O que é isso?

- Eu confio que você entende a seriedade de guardar isso para si mesma?

- Claro.

- Posso contar com seu silêncio absoluto sobre o assunto? Mesmo com a Ordem?

- Sim.

- Bom. Não desejo ter que obliviar você, Minerva. Há alguém, no entanto, que eu vou pedir para você contar.

- Quem?

- Dobby.

O rosto dela era quase cômico.

- Você não precisa me encarar como se eu fosse um primeiranista. Isso foi uma informação útil, com certeza, e agradeço. Mas há coisas que devo atender imediatamente. Vou daqui para meus estoques e depois para meus antigos aposentos nas masmorras. Se Dobby perceber a razão, se ele confiar em mim, envie-o para lá.

Ela levantou as sobrancelhas levemente.

- Existem outros elfos, você sabe. Outros que certamente o servirão.

- Eu servi a senhores o suficiente para saber que eu nunca poderia querer um escravo, - disse ele intencionalmente e caminhou em direção à porta. Ele parou no limiar.

- E Minerva?

- Sim?

- Você percebe que vou ter que fazer um espetáculo com você.

Algo parecido com um sorriso dançou em torno da boca de Minerva enquanto ela assentia. Era uma feição que ela costumava ostentar quando eram os Direitores das casas rivais, uma feição que ele associava às brincadeiras sobre quadribol e copa das casas. Ele levantou uma sobrancelha e tentou devolvê-la. Então, ergueu a varinha e desfez o Feitiço Silenciador. Respirou fundo e começou a gritar.

- Você acha que suas preocupações insignificantes exigem que você me arraste através deste castelo para o seu escritório? Você acha que merece algum tipo de tratamento especial? Porque garanto que não. Preocupações disciplinares passam pelo meu escritório - sem exceções! Eu lhe dei o privilégio de atribuir e deduzir pontos da casa por conta própria. Até agora. Mas como mostrou que não se pode confiar em você, mesmo com um pouco de bom senso, devo insistir em aprovar sua...

- Eu sou a Diretora da casa de Gryffindor... - Ela começou a gritar de volta, seus olhos brilhando intensamente para ele. Ela atravessou a sala e pressionou o deluminator na palma da mão dele.

- Silêncio! - Ele berrou, se afastando e abrindo a porta. - A partir de agora, considere-se em liberdade condicional. Estarei observando suas ações de muito perto, Minerva. Tome cuidado para não sair da linha. Detestaria pensar no que aconteceria se demitisse você.

Ele empurrou o grupo de professores do lado de fora da porta.

- Não tenha idéias, - ele rosnou. - Eu ficaria mais do que feliz em remover todos vocês deste castelo.

Ele avançou pelo corredor e desceu várias escadas para as masmorras. Três voltas rápidas, e ele estava na porta de seu antigo laboratório. Pressionou as pontas dos dedos contra a porta e entrou rapidamente, fechando e protegendo-a atrás dele. Poderia entrar em seus aposentos antigos daqui.

Levou apenas alguns instantes para encontrar o que precisava, embora as paredes estivessem alinhadas com inúmeras garrafas de poções, unguentos e pomadas. Seus dedos dançaram agilmente sobre as opções, pegando Veritaserum, Analgésico, Poção de Cura e Sono sem Sonhos, e enfiando-os nos vários bolsos de suas vestes. Ele passou a mão sobre a mesa de trabalho, revestida por uma leve película de poeira. Como ele sentia falta dessa sala, daquele lugar silencioso onde ele havia trabalhado sem medo de interrupção, onde havia engarrafado segurança, conforto e calma. Mas ele seguiu pela porta ao lado, entrando na sala que fora seu escritório e de lá para a sala de estar.

Ele se acomodou em uma cadeira perto da lareira vazia para esperar. A mente de Snape ainda estava avançando, sem examinar, classificando as informações que ele recebeu. A varinha de Dumbledore... possivelmente mais poderosa que outras varinhas, sua lealdade conquistada apenas pela força. Voldemort, pegando a varinha de Lucius, acreditando que outra varinha seria necessária para evitar o problema dos núcleos gêmeos. Essa informação veio de Ollivander. Seria possível que Ollivander tivesse dito ao Lorde das Trevas sobre a Varinha das Varinhas?

Onde estava a Varinha das Varinhas agora? Snape presumiu que Dumbledore havia sido enterrado com sua varinha, como era o costume bruxo, mas já que ele não pôde comparecer ao funeral, não tinha certeza. Se Dumbledore quis que ele pegasse a varinha, por que não a revelou ou a deixou em algum lugar para ele encontrar? Dificilmente invadiria o túmulo de Dumbledore para obtê-la. Mas Dumbledore havia deixado pistas para Hermione para levá-la à lenda das Relíquias da Morte, então talvez Minerva estivesse certa, e o velho mago queria que a varinha fizesse parte...

Uma grande parte dele queria subir imediatamente para o escritório do Diretor para exigir respostas do retrato, mas cautela e sigilo não permitiriam. Não até ele entender. Não até ele saber o que Dumbledore poderia ter pretendido.

Dobby ficou perto da porta e em pé, sem tremer como costumava fazer, mas com o queixo pontudo erguido. O que o elfo estava fazendo aqui tão cedo?

- Diretor, - ele chiou.

- Dobby, - Snape respondeu cautelosamente. - Você falou com a Professora McGonagall?

- Dobby não precisa ouvir as explicações da Professora McGonagall, senhor, embora Dobby tenha ficado feliz em ouvi-las. Mas Dobby já sabia que o Professor Snape estava trabalhando para Harry Potter.

Snape franziu o cenho para o elfo doméstico.

- Não tenho certeza se estou entendendo você.

- Dobby sabe desde o ano passado que o Professor Dumbledore tinha planos secretos para você.

- Dumbledore contou que eu-

- Não, senhor. - Então ele estendeu a mão e bateu profundamente na cabeça. - Perdoe Dobby por interrompê-lo, senhor. Mas Dobby pode ver seu anel.

Snape inalou audivelmente.

- Meu anel?

- A senhorita Hermione Granger tem um igual. Dobby viu o Professor Dumbledore machucado, e você se importou com ele. Granger apareceu com um anel como o seu. Dobby sabia então que o Professor Dumbledore precisaria nos deixar e que ele deve ter juntado você com a senhorita Granger para ajudar Harry Potter, senhor.

- Mas no meu escritório - dia de Natal-

Dobby voltou a atacar sua cabeça.

- Dobby está arrependido, Professor Snape. Os outros elfos domésticos, eles não estão associados à senhorita Granger. Eles estão com raiva por ela estar tentando libertá-los. Então eles não sabem o que Dobby sabe. Dobby não estava querendo chamar atenção, senhor. Dobby não achou que deveria saber.

- Pare, - disse Snape. - Não se castigue mais.

As mãos de Dobby caíram frouxamente ao lado do corpo, e ele sorriu para Snape.

O elfo sabia de Hermione. Uma pequena voz no fundo de sua mente surgiu mais uma vez. Dumbledore havia planejado isso? Havia um esmero que o incomodava.

- Eu preciso ir ao porão da Mansão Malfoy. Há um prisioneiro ali, com quem preciso falar. Mas os encantamentos são pesados; e eu não devo ser descoberto. Não posso chegar lá sem a sua mágica.

- Dobby conhece bem o porão, senhor - disse o elfo doméstico quando um tremor o sacudiu.

- Então você conhece o perigo. Se você não quiser me levar, eu entenderei. Não vou ordenar que você faça isso.

- Harry Potter e senhoritaGranger são amigos de Dobby, senhor, - disse ele lentamente. - Dobby quer-

Snape assentiu.

- Dobby vai levá-lo, Diretor, - disse o elfo e levantou a mão ossuda e de couro para Snape.

De alguma forma, apesar do estranho elfozinho ter deixado claro que ele, como aparentemente todo mundo, agia em nome de Potter, Snape se sentiu estranhamente emocionado com a sensação do aperto firme e seguro da mão do elfo doméstico em sua mão.

- Obrigado, - disse ele, e o estalo da aparatação de Dobby vibrou por ele como um chicote.

oooOOoooOOooo

Estava tão escuro no porão dos Malfoy que ele não viu nada ao cair pesadamente. Snape jogou o braço livre diante dele, com medo de tropeçar e esmagar o elfo que o levara ali. A escuridão era tão completa que parecia ter uma vida própria, torcia e se contorcia diante dele, e seus olhos doíam ao tentar ver. Ele não teve escolha. Ele teria que acender sua varinha.

Snape soltou a mão de Dobby e lançou um Feitiço Silencioso sem palavras. Certamente, quem quer que estivesse aqui em baixo fora alertado da chegada deles pelo som de sua aparatação mas até agora ninguém havia gritado. Era quase impossível imaginar que houvesse alguém aqui embaixo, alguém vivo de qualquer forma, no silêncio e no escuro frio. Mas até onde Snape sabia, Ollivander nunca havia sido movido nem liberado.

Ele sacudiu a varinha pelo ar para acendê-la. Na penumbra, viu uma figura pequena e cinza enrolada no canto do porão contra as paredes de pedra. Ollivander, ele pensou, dando um passo à frente. Se ele estava vivo ou morto, Snape não sabia. O homem estava completamente imóvel; não havia sinal de que ele tinha ouvido a chegada deles, nem que ele vira a luz, certamente a primeira luz que ele teria visto em algum tempo.

- Ollivander? - Snape disse bruscamente.

De repente, ele foi agarrado pelos joelhos e jogado no chão, a pedra dura embaixo dele enviando uma dor intensa por suas coxas. Ele sussurrou enquanto respirava. Como ele poderia ter falhado em checar a sala inteira? Ele teve apenas uma breve impressão de cabelos loiros emaranhados antes de atirar em um estupefaça silencioso, imobilizando seu agressor. Draco? O que ele estaria fazendo aqui embaixo na escuridão? Ele rapidamente examinou o porão, seus olhos finalmente pousando na figura ao lado dele, que agora estava imóvel como o mago no canto, e ele rolou o corpo com o pé.

Luna Lovegood. Puta merda. Há quanto tempo ela estava aqui? E igualmente assustador, por que ele não ouviu falar sobre isso? Abriu a mão esquerda e tocou a varinha no anel. Não vá para Lovegood.

Snape caiu de joelhos ao lado da bruxa e sentiu seu pulso. Era rápido e suave, mas ela não parecia estar em perigo imediato. Ela estava magra e suja, e mesmo à luz de sua varinha, ele podia ver que a pele pálida e translúcida estava manchada de hematomas, mas parecia inteira. Ele a colocou em uma posição sentada contra a parede de pedra e puxou um frasco de poção de cura de suas vestes. Inclinando a cabeça dela para trás, ele pingou o líquido em sua boca, deixando-o rolar lentamente pela garganta. Ele deu também três gotas de analgésico e depois se afastou, avançando sobre a figura no canto.

- Ollivander! - Ele disse novamente, mas o mago não piscou. Seus olhos prateados continuaram olhando fixamente para a parede dos fundos.

Timidamente, Snape tocou a pele cinza e fina como papel de Ollivander. Era quente, maleável. Ele acenou com a varinha por sobre o corpo do mago. Ele estava vivo. Vivo, mas talvez enterrado em sua própria mente.

- Ollivander, - ele sussurrou. - Eu não vim te machucar.

Ainda assim, Ollivander não se mexeu. Snape deslizou a mão por baixo da cabeça do velho e gentilmente a levantou do chão. Ele odiava fazer isso, mas tinha que saber se o mago estava lá ou se sua mente estava irreparavelmente destruída.

- Legilimens, - ele sussurrou.

- Quem é.… mais de você? Deixe-me em paz... não tenho mais nada... contei tudo o que sei... me mate, por favor, apenas me mate. Não tenho mais utilidade para você... essa dor... o escuro... por favor... Poupe a senhorita Lovegood. Ela não fez nada. Merlin, por favor, acabe com isso.

O arder de seu anel o chamou de volta, e ele se retirou da mente do velho. Rapidamente, removeu o aro e o segurou na varinha. Consegui sair viva. Devo falar em breve. Ela já estava... Não. Ele não devia pensar nisso agora. Ela estava viva; ela tinha novidades. Isso era tudo o que importava. Ele conseguiria o que podia aqui e então eles discutiriam.

Entrarei em contato, ele enviou e pôs o anel, preparando-se mais uma vez para entrar na mente de Ollivander.

- O que você está fazendo com ele?

Snape se ajoelhou para encarar a garota, que estava claramente lutando para se libertar do último estupefaça. Ele levantou a varinha, mas hesitou. Ela não estava se mexendo, apenas observando-o.

- Você me curou, - disse ela finalmente.

- Senhorita Lovegood - começou ele.

- Não o machuque.

- Não tenho intenção de fazê-lo. Há quanto tempo o Sr. Ollivander está nessa condição?

- Ele parou de falar há dois dias. Depois da última visita dele.

- Entendo. Ele foi torturado?

- Talvez a princípio. Não estou aqui há muito tempo - disse ela em sua estranha voz alta. - A última vez que ele fez ... o que você está fazendo.

Porra. Quem sabia quanto restaria da mente do homem se Voldemort tivesse ido até lá. Se o Lorde das Trevas pensasse que Ollivander estava escondendo algo, ele iria rasgá-lo e espancá-lo até recuperar.

- Eu estava realizando Legilimência, Srta. Lovegood, - Snape disse suavemente. - Eu queria saber se o Sr. Ollivander ainda... tinha função cerebral.

- E ele tem?

- Sim. Ele se refugiou em si mesmo, mas pelo menos no nível superficial, sua mente está ativa.

- Fico satisfeita em ouvir isso. Sinto falta dele. Não há muita companhia aqui embaixo - disse ela alegremente como se estivesse discutindo o clima.

- Não, - disse Snape, incapaz de pensar em uma resposta mais apropriada. Ela não parecia ter medo dele e não fez nenhum movimento para atacar novamente. Ainda assim, ele estava cauteloso e falava com ela como faria com um cachorro estranho. - Não desejo causar-lhe angústia, mas é necessário falar com o senhor Ollivander. Vou ter que entrar em sua mente novamente.

- Mas você não está machucando ele, está?

- Serei o mais gentil possível.

- E você vai curá-lo também?

- Eu vou.

Ela assentiu, aparentemente satisfeita.

- Você trouxe Dobby.

- Dobby me ajudou a vir aqui.

O elfo se curvou em resposta. O rosto de Luna não registrou choque, mas ela se virou e olhou interrogativamente para Snape.

- Lovegood? - ele disse, embora seus olhos inquietos e sem piscar não o tivessem deixado. - Você vai me ajudar?

- Eu não tenho uma varinha.

- Uma varinha não será necessária. Se você pudesse levantá-lo um pouco, talvez colocá-lo em uma posição sentada?

A garota se esticou imensamente como se não tivesse certeza se seus membros responderiam aos seus comandos. Então ela se arrastou pelo chão de pedra até se ajoelhar ao lado de Ollivander. Snape pensou que ele teria que ajudá-la, já que o homem estava mole e certamente pesado, mesmo em seu estado de emaciação, mas Luna colocou os braços sob os de Ollivander e o puxou na vertical, apoiando-o contra o peito. Enquanto trabalhava, ela cantou para ele com sua voz engraçada.

- Está tudo bem, Sr. Ollivander. Sou apenas eu, Luna Lovegood. Eu não vou te machucar. Eu só preciso que você se sente assim. Sim é isso. Isso é muito bom. O Professor Snape está aqui, Sr. Ollivander, mas acho que ele não nos fará mal algum. Ele me deu uma Poção de Cura e me disse que ele também vai te curar. Sim, isso mesmo, senhor Ollivander. Apenas descanse sua cabeça aqui no meu ombro.

Quando ela o acomodou, ela olhou para Snape.

- Está bom?

- Muito. Muito bom, Srta. Lovegood. Obrigado.

Ele levantou a varinha.

- Legilimens.

- Snape! A garota disse Snape! Ela não sabe? Como ela não pôde saber? Snape! Sua mão direita, venha para... Deixe-me em paz. Vá embora! Ele pegou o que precisa. Não há mais nada-

Snape mergulhou sob os pensamentos superficiais do homem; ele os penetrou como se mergulhasse através de uma fina camada de lodo na superfície de um lago.

- A varinha - ele conhece a Varinha das Varinhas - eu tentei detê-lo, tentei bloqueá-lo, tentei esquecer, mas ele pegou, mesmo assim. Agora, ele envia seu servo; agora, ele vem para tirar o que resta da minha mente-

Muito gentilmente, muito suavemente, Snape começou a falar na mente de Ollivander.

- Eu não vim a mando de Voldemort.

- Mentiras... mentiras...

- A verdade, Ollivander. Eu vim pela verdade sobre a Varinha das Varinhas.

- A varinha mais velha! Eu gostaria de nunca ter ouvido falar disso... não sei mais nada! Eu nunca vi, nunca toquei!

- Mas você sabe do seu poder.

- Você procura a Varinha das Varinhas? Deseja ascender, talvez, acima do Lorde das Trevas? Reinar...

- Não. Eu venho apenas para entender.

- Se você conhece a varinha, conhece as histórias... não há nada que eu possa lhe dar, Snape. Nada.

- Eu tenho Veritaserum, Ollivander. Não me obrigue a usar.

- Então isso importa pouco, então. Você finge cortesia, mas não é diferente do Lorde das Trevas. Você deveria aceita o que ofereço, quer eu queira ou não.

- Eu vou curá-lo de qualquer maneira. Não farei mais danos do que o necessário, Ollivander. Você pode optar por me ajudar. Mas você está certo; terei o que vim recuperar.

Ollivander deu um longo suspiro mental e, por um momento, houve um silêncio na mente do velho.

- Pergunte o que você veio pedir.

- É verdade que a Varinha das Varinhas passa apenas pelo sangue?

- A Varinha das Varinhas não é como as outras varinhas; é verdade. Não pode ser entregue de boa vontade; deve ser tomada à força.

- Por assassinato?

- Não posso dizer com certeza, pois eu mesmo não examinei a varinha. Mas acho que não. Conquistar deve ser tudo o que é necessário.

- O que isso significa 'conquistar'?

- Derramamento de sangue não seria necessariamente... necessário. Apenas tornar o mestre da varinha indefeso, mantê-lo à sua mercê.

- Entendo. E a varinha funcionará com um portador que não seja o mestre?

- Não muito bem. Não tão bem, talvez, como numa partida ruim, como uma varinha que não escolheu seu mago. Eu acho que é por isso que tantos voltaram para matar o mago de quem haviam roubado... como no caso de Godelot e Hereward... e Loxius e Livius. A varinha não funcionará até que seja ganha.

- A varinha reconhece poder?

- Oh, sim. A varinha é poderosa e tem sede de poder. Porém mais do que poder, a varinha quer domínio.

- Você acha que a varinha é sensível?

- Todas as varinhas são sencientes, Snape. Sua própria varinha reconheceu você, há muitos anos, na minha loja. Ela escolheu você como seu parceiro. Mas a Varinha das Varinhas não quer simplesmente um parceiro. Não, suas necessidades, suas demandas são maiores. Ela quer ser dominada. Almeja governar... destruição.

- Então, nas mãos de Voldemort-

- Existe uma simetria terrível lá, sim. Admito que o pensamento tem... poder.

- O escolheria como sua própria varinha? O escolheria mesmo que ele não tivesse vencido?

- A Varinha das Varinhas é governada por suas próprias leis únicas... mas leis, no entanto. Eu não acho que ela possa escolher da mesma maneira que faz uma varinha tradicional. Foi projetada para tirar sangue, para gerar conflitos. Quando a varinha está nas mãos de quem não a domina, ela procura... É por isso que os boatos surgem... a varinha está buscando seu mestre. Gregorovitch nunca teria se gabado da varinha se não estivesse convencendo-o a fazê-lo. Ele não era o dono, e a varinha queria pertencer...

- Diga-me o que você sabe sobre Gregorovitch... por que o Lorde das Trevas o persegue?

- Gregorovitch estava com a varinha, ou assim ele disse. Eu acredito que ele estava. Ele era um bom homem, um bom fabricante de varinhas. Ele não era dado a falsas alegações. Acredito que ele a herdou, que talvez lhe tenha sido legada por Baliclus, que morreu seu mestre. É por isso que acredito que a varinha o fez se gabar... não queria ser estudada, permanecer adormecida em uma coleção... a varinha estava procurando.

- E Grindelwald? Ele pegou a varinha de Gregorovitch?

- O Lorde das Trevas... ele veio aqui depois de matar o Gregorovitch. Ele era meu rival, mas ainda assim, não consigo imaginar o mundo sem... é uma perda terrível para os bruxos. Existem poucos fabricantes de varinhas com a habilidade dele. Mas o Lorde das Trevas disse que tinha tomado a mente de Gregorovitch antes de matá-lo. Ele disse que um jovem bruxo loiro pegou a varinha, que o vira desarmar Gregorovitch e atacou... talvez o domínio renasça nele. Eu admito... pensei em Grindelwald. E o Lorde das Trevas sabia que eu tinha pensado nisso. Essa varinha é um castigo e uma maldição para o titular. Quem domina isso nunca é seguro.

Nunca estaria seguro. Era para isso que Dumbledore tentara condená-lo.

- Viraria contra seu mestre? O Lorde das Trevas seria capaz de manipulá-la contra a sua verdade...

- Mais uma vez, só posso adivinhar. Mas acho que não. Eu acho - a varinha não gostaria de destruir seu mestre. Gostaria de se juntar a ele.

- Mas se o mestre fosse o mais fraco dos dois - se uma criança mantivesse o domínio, e Voldemort a varinha-

- Eu não sei, - disse Ollivander, mas Snape percebeu o sabor dos sub-pensamentos do homem. - Oleiro?

- Mas você pode adivinhar.

- Imagino que não. A varinha é senciente, sim, conforme todas as varinhas, e parece ter uma afinidade incomum pelo poder, mas seu julgamento... Uma varinha pode julgar? Pode sentir algo além da vibração intensa de uma alma em harmonia?

- Eu vim para você porque acredito que você é o único bruxo que pode saber.

- Trabalhei com varinhas a vida toda. Eu criei milhares. Dezenas de milhares. Mas o conhecimento das varinhas é inexato, imprevisível. Eu ouço o agudo de uma varinha em uma mão desconhecida, o suspiro sutil da varinha que encontrou seu mago. Mas as varinhas na minha loja ficam quietas em suas caixas por toda a eternidade, se necessário. Elas não procuram. Mas essa varinha... está vinculada pelas leis de seu criador, do caos. Eu acho que conhece apenas as leis da força e dominação. Ele escolheria o mago que ganhou, eu acho.

- Você tem sido muito útil, Ollivander.

- Snape... você é o mestre da Varinha das Varinhas?

- Por que você me pergunta isso?

- Porque parece apenas uma questão de tempo antes que ele saiba. Se Grindelwald tinha a varinha, de modo que o Lorde das Trevas acredita que ele tinha, então Dumbledore deve ter pegado quando o derrotou. Você matou Dumbledore, Snape. Um mago tão poderoso quanto Lord Voldemor ... ele será capaz de canalizar através de qualquer varinha. Mas quando ele perceber que a varinha não é o instrumento de poder que ele esperava, ele saberá que não a domina e encontrará você.

- Isso é tudo, - disse Snape, deslizando rapidamente da mente de Ollivander. O mago piscou rapidamente.

- Snape, - ele resmungou.

- Deite-se em silêncio, Ollivander. Poupe sua força. Você foi muito prestativo. Snape abriu o frasco restante da Poção de Cura e derrubou-o na garganta do velho mago. Ele adicionou várias gotas do analgésico e do sono sem sonhos à boca do homem e fez um sinal para que a senhorita Lovegood o libertasse. Ela o colocou gentilmente no chão.

- Não posso levá-lo em segurança, - disse ele. - Ninguém deve perceber que eu estive aqui.

- Está tudo bem, professor Snape, - disse ela. - Não é tão ruim.

Snape bufou em descrença. A garota deveria estar em Gryffindor.

- Às vezes, à noite, ouço as pessoas conversando, andando pelo andar de cima. Eu posso fingir que estou em Hogwarts, dormindo no meu dormitório.

Uma jovem tão estranha, Snape pensou. Mas ela o lembrou um pouco Hermione. Tal aço por baixo. Ele desejou não ter que fazer isso.

- Lovegood, vou ter que te obliviar. Vocês dois.

Ela assentiu.

- Vou enviar ajuda o mais rápido possível. - Por que ele estava fazendo promessas a uma garota cuja memória ele estava prestes a apagar? Era sem sentido; ela não se lembraria de nada disso mais tarde, e, no entanto, ele descobriu que não podia deixá-la sozinha naquela escuridão implacável sem falar algumas palavras de esperança. - Aguente.

- Sim senhor. Devo ficar sentada muito quieta?

- Isso seria útil, sim.

Mas ela não ficou quieta. Em vez disso, ela se inclinou para a frente e passou a mão na manga dele.

- Eu não percebi antes. Que você estava do nosso lado.

Ele afastou o braço, repentinamente horrorizado. O que ele estava fazendo? Em vinte e quatro horas, ele se revelou a quatro pessoas. Quatro! Ele estava disseminando o plano com tanta certeza como se tivesse marchado até Voldemort e anunciado ser um traidor. Isso era loucura - isso era morte. Todos esses anos, isso era o que ele sabia que nunca deveria ter. Que negócio é esse dele ter sido tocado por elfos domésticos e crianças?

- Obliviate!

Os olhos da garota ficaram suaves e sem foco, mas ela parecia assistir enquanto ele obliviava o senhor Ollivander.

Então ele olhou para baixo, e Dobby solenemente levantou sua pequena mão ossuda. Droga. Ele pegou, mas quando ouviu o estalo da desaparatação do elfo, seu coração pareceu gaguejar e parar no peito. Quando se mudaram para a escuridão, ele sentiu repentinamente a certeza de que havia morrido, que de alguma maneira alguém o amaldiçoara pouco antes de ele escapar e que a escuridão esmagadora e sufocante era o sentimento de sua alma sendo arrancada de seu corpo.

oooOOoooOOooo

Quando eles chegaram ao escritório do Diretor, ele estava suando e com medo, e seu próprio medo o aterrorizou e o enfureceu.

- Isso é tudo, Dobby, - disse ele friamente. - Obrigado."=

Dobby não fez nenhum movimento para sair da sala.

- Eu disse que é tudo. Eu tenho negócios com Dumbledore.

Dobby olhou para ele inescrutável e desapareceu, deixando Snape sozinho na sala, embora soubesse que os ex-Diretores o observavam com interesse. Ele caminhou até sua mesa e sentou-se de costas para os retratos.

A sala estava estranhamente silenciosa, mas ele não conseguia se concentrar, não conseguia pensar no que queria dizer.

Dumbledore o havia enviado para a morte, e ele tinha medo de morrer.

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N/T.: Obrigada pelos comentários, beijos para todos e todas e um feliz 2020 para nós. Perdão pelos erros.