Disclaimer: Harry Potter não me pertence e tudo que vocês reconhecem pertence a J.K. Rowling.

Chapter Forty One – The Threat

(A Ameaça)

James observou em silêncio o filho mais velho andar pelo corredor, com as mãos cerradas em punhos, a cabeça baixa em pensamentos angustiados ou orações silenciosas. As roupas de Harry ainda estavam manchadas com o sangue de Draco, mas ele não pareceu notar. Estava muito ocupado esperando que o medibruxo saísse do quarto e informasse qual seria o destino de seu amigo.

James olhou para Sirius, que estava sentado à sua frente. Ele também observava Harry. Ao lado dele estavam Remus e Lily. Eles estavam sentados com a cabeça abaixada e nenhuma palavra foi falada entre eles. Dumbledore e Tonks estavam sentados ao lado de James. A única pessoa que não estava sentada era Harry. James tentou fazer com que ele se sentasse, mas o rapaz estava muito nervoso para isso.

James não vira em que condição Draco Malfoy estava quando Harry o trouxe. Ele, junto com os outros, aparataram para a Mansão Black logo depois de Harry. Mas, ao contrário dele, precisaram sair da Mansão Potter para que as proteções os deixassem aparatar. Quando chegaram à Mansão Black, viram de longe Harry desaparatando com um corpo ensanguentado em seus braços.

James e Sirius entraram correndo na Mansão Black e acharam o cadáver de Marco Black. Eles o levaram para St. Mungo's, embora estivesse claro que estava morto.

James não podia acreditar no que havia acontecido. No espaço de meia hora, foi informado de duas mortes e um ataque horrendo.

James viu-se rezando para que Draco se recuperasse. Não era tanto por se importar com o menino, ele mal o conhecia. Mas ele tinha a mesma idade que Harry. Arriscara sua vida para ajudar a resgatar Harry de Voldemort, e sabia que Harry se importava profundamente com ele. Era seu melhor amigo.

As portas no final do corredor foram abertas com força, chamando a atenção de todos. Eles se viraram e viram Narcissa Malfoy correndo na direção deles. O olhar em seu rosto partiu o coração de James. Ele olhou ao redor e viu Lily olhando compassivamente para ela também. Sabiam perfeitamente bem como ela deveria estar se sentindo agora. Quase perderam Harry por tantas vezes que entendiam muito bem o que a mulher estava passando.

Narcissa parou diante de Harry, que parara de andar e agora estava de pé diante dela. Os olhos vermelhos da mulher o examinavam. Ela abriu a boca para falar, mas descobriu que não podia. Um choro suave a deixou em vez disso. Ela queria perguntar a Harry o que ocorrera, queria saber como aquilo poderia ter acontecido com sua família, com seu irmão e seu filho, mas não tinha forças para isso.

Sirius se levantou e estava ao lado da prima em questão de segundos. Narcissa deu uma olhada em Sirius antes de se virar para ele e desmoronar em seus braços aos prantos.

"Sirius!" gritou ela. "Marco! Ele está... ele... e Draco!" Ela estava chorando muito e não conseguia pronunciar as palavras.

"Psiu, tudo ficará bem. Vai dar tudo certo." Sirius consolou a prima enquanto a abraçava.

Sirius sempre foi mais próximo de Bella, já que Narcissa era mais velha. Ele perdeu todo contato com ela quando decidiu se casar com Lucius Malfoy. Hoje, porém, ele não podia se afastar e assistir um membro de sua família sofrer assim. Sabia que agora ela estava completamente sozinha e ele era o único membro da família presente. Bem, ele e Tonks, mas ela não conhecia Narcissa o suficiente para confortá-la, já que a família Black deserdou Andromeda depois que ela se casou com Ted Tonks, um nascido-trouxa. Ninguém da família Black sequer compareceu ao funeral de Andromeda há alguns anos, ninguém exceto Sirius, é claro.

Tonks estava ao lado de Dumbledore e viu sua tia Narcissa desmoronar em lágrimas. Lily e James se aproximaram da mulher em prantos. Eles não a conheciam muito bem, mas entendiam o que estava passando e queriam confortá-la.

Harry não sabia o que dizer ou como reagir, e apenas ficou ao lado da mãe perturbada. Não achava que pudesse dizer algo que a fizesse se sentir melhor. Então, deixou as pessoas ao seu redor a confortarem.

Lily e Sirius conseguiram conduzi-la até um banco e eles se sentaram. Narcissa estava se esforçando para se recompor. Ela não era o tipo de mulher que mostrava suas emoções tão facilmente. No entanto, hoje foi uma exceção. Havia perdido o último dos seus irmãos e seu único filho estava quase morrendo também.

Alguns minutos se passaram com apenas o som das palavras gentis de Sirius ecoando no corredor. Por fim, a porta se abriu e um medibruxo exausto saiu. Narcissa saltou da cadeira e correu até ele. Todos se levantaram também e olharam para o bruxo, cada um rezando para que ele tivesse boas notícias.

"Dr. Roberts!" gritou Narcissa enquanto corria para o medibruxo de cabelos grisalhos. "Meu filho! Meu filho está bem?" perguntou ela com desespero em sua voz.

O medibruxo olhou para ela com uma expressão solene, fazendo todos prenderem a respiração.

"Sra. Malfoy?" perguntou ele. Com o aceno dela, ele continuou. "Fizemos tudo que podíamos por seu filho. Ele teve um pulmão perfurado devido à facada e perdeu muito sangue. Os outros ferimentos não eram tão fatais, mas ainda o enfraqueceram. Reparamos o pulmão dele da melhor forma possível, mas..." Ele hesitou aqui e deu uma boa olhada na mulher aflita. Ele pegou a mão dela antes de continuar. "Sinto muito, seu filho entrou em coma. As chances de uma recuperação completa não são boas. Lamento dizer isso, mas há uma boa chance de ele nunca se recuperar do coma. Sinto muito," disse ele enquanto Narcissa começava a sacudir a cabeça com suas últimas palavras e as lágrimas caíam em cascata por seu rosto.

"Não, não, Dr. Roberts! Não, isso não pode... você tem que fazer alguma coisa. Por favor, salve meu filho," gritou ela. "Draco! Ele é... ele é tudo que me resta, por favor!" implorou ela.

"Eu realmente sinto muito. Faremos nosso melhor, mas tenho que ser honesto com você. Não há sentido em lhe dar falsas esperanças," disse o medibruxo com remorso.

Narcissa se dissolveu em lágrimas e ficou fora de si de tristeza. Ela ia perder a única família que lhe restara. Seu filho, seu único filho estava morrendo e não havia nada que alguém pudesse fazer.

Sirius estava mais uma vez ao lado dela e, dessa vez, até Tonks pôs a rivalidade familiar de lado e se aproximou da tia. Os dois membros da família seguraram Narcissa e deixaram a pobre mulher chorar. Remus e Dumbledore estavam conversando com o medibruxo, obviamente discutindo outros possíveis tratamentos.

James e Lily desviaram o olhar da mãe perturbada e viram Harry parado onde estava. James viu o medo nos olhos dele ali paralisado. Seus olhos estavam fixos no medibruxo, mas ele não olhava realmente para o homem. Estava revivendo o que o doutor acabara de lhes dizer. James podia ver claramente que ele estava desesperado para provar que o homem estava errado, para fazer alguma coisa, qualquer coisa que pudesse salvar a vida de seu amigo. Infelizmente, existem coisas que não podem ser controladas por magia e foi com essa percepção que Harry perdeu sua batalha interior. Ele se virou de repente e fugiu.

James deu um passo atrás dele, mas foi impedido por Lily.

"Deixe-o ir. É assim que ele enfrenta as coisas," disse Lily em uma voz triste.

James ouviu a esposa e deixou Harry sair do hospital. Só podia imaginar como ele estava se sentindo.

xxx

As coisas permaneceram iguais durante a próxima semana. Draco ainda estava em coma e não houve mudanças em sua condição. Seu pulmão reparado não mostrava sinais de cura. Como resultado, ele estava sendo mantido vivo por meios mágicos.

Narcissa estava com Sirius, já que ainda estava desabrigada e não conseguia ficar na Mansão Black, lugar onde seu irmão foi brutalmente assassinado e seu filho atacado. Ela já era um membro da Ordem, por isso não era problema ficar no Largo Grimmauld, número 12.

Harry estava desesperado para encontrar o Príncipe das Trevas impostor. Não conseguia descansar, comer ou dormir. A imagem de Draco caindo com a faca terrível cravada em suas costas flutuava diante de seus olhos, deixando-o louco.

Ele estava tão desesperado que ela não argumentou contra Ron, Hermione, Ginny e Damien se juntando à sua pesquisa. Os outros três se encontraram na Mansão Potter no início da manhã e ficaram até a hora do jantar, procurando o máximo de informações que conseguiram sobre os Comensais da Morte que escaparam.

Hermione conseguiu tirar cópias dos Profetas Diários antigos para examinar com mais profundidade. Harry mandou Sirius e Remus procurar informações sobre os Comensais da Morte que escaparam. A busca pelos metamorfomagos foi esquecida. Em vez disso, eles se concentraram nos arquivos preparados por Hermione e procuraram todas as informações que o Ministério tinha sobre os Comensais da Morte que escaparam cujas iniciais eram C.B. Até mesmo James, Lily, Sirius, Remus e Tonks ajudavam na pesquisa quando podiam.

Era uma dessas tardes em que a turma toda estava amontoada ao redor da mesa, arquivos e pergaminhos espalhados por toda extensão. Tudo, de recortes de jornais a arquivos oficiais do Ministério, até anotações manuscritas, estava espalhado pela mesa.

"Eu não entendo," suspirou Ron, coçando a lateral da cabeça. "Eu tenho procurado por mais informações sobre este Comensal da Morte, mas não consigo encontrar nada."

Harry tirou os olhos de suas anotações sobre um tal de Carl Bjorn e viu o rabisco no caderno de Ron. Cole Bailey. Harry notara isso também. Todos os outros Comensais da Morte na lista de Hermione tinham uma história completa que estava sendo cuidadosamente montada por Harry e os demais. Era a única maneira de descobrir quem era o provável culpado. Mas não havia muito sobre este misterioso Cole Bailey.

"Repasse o que você tem sobre ele até agora," disse James enquanto largava suas anotações sobre um Comensal da Morte chamado Caleb Bradford.

Ron começou a ler o que conseguiu encontrar.

"Bem, ele foi preso durante uma operação há cerca de dez anos. Foi condenado a prisão perpétua em Azkaban e foi um dos últimos Comensais da Morte a escapar." Ron olhou para os rostos que o observavam.

"E?" instigou Tonks.

"E é isso," respondeu Ron.

"Quê?" exclamou Hermione, agarrando o caderno de Ron. Ela examinou sua escrita confusa e olhou para ele. "É isso?! É tudo que você descobriu?" disse ela em uma voz acusatória.

"Hermione! Não é como se eu decidisse que é toda a informação que teríamos sobre ele! Isso é tudo que está disponível." Ele gesticulou para os jornais.

Harry se virou para Remus.

"Bailey não tem um arquivo no Ministério?" perguntou ele.

Remus balançou a cabeça.

"Não lembro. Se tiver, estará aqui em algum lugar," respondeu ele, analisando os arquivos.

"Não está aqui. Eu já verifiquei," disse Ron.

"Certamente deve haver algo sobre ele!" disse Hermione, alcançando a pilha de papéis diante dela e a examinando. "Como pode ser possível que um Comensal da Morte que foi preso não tenha um portfólio?"

"Ela está certa," disse Sirius. "O Ministério faria um registro dos crimes dele para apresentar no julgamento."

"Por que você e Remus não procuram mais coisas sobre esse Cole Bailey? Talvez não tenham visto," sugeriu Lily.

Remus parecia ofendido com a suposição de que havia negligenciado algo tão importante quanto isso. No entanto, ele respondeu em seu habitual jeito educado.

"Claro, vou dar outra olhada."

"Enquanto isso, continuamos trabalhando com os outros. Ron, coloque esse de lado. Ninguém para até que tenhamos todas as histórias desses Comensais da Morte," ordenou Harry.

Ninguém se opôs e eles retomaram a pesquisa.

Mas todos pararam de pesquisar por um dia. O dia do funeral de Marco Black. Harry inicialmente decidira não comparecer, mas depois mudou de ideia. Não tanto por Marco, sabia que o homem não gostava dele. Não, Harry queria ir por Narcissa. Ele sabia que significaria muito para ela e sentiu um estranho desejo de apoiá-la. Ela era a mãe de Draco e Harry sabia o quanto o amigo secretamente a amava. Harry sabia que uma parte de sua decisão era baseada no conhecimento de que Narcissa o apoiara durante sua infância. Ele não conseguia se lembrar, já que essas memórias lhe foram tiradas, mas isso não significa que nunca aconteceram.

Aconteceu que muitas pessoas apareceram no funeral de Marco. A Ordem toda estava lá, incluindo Dumbledore, assim como algumas outras pessoas importantes da comunidade bruxa. Foi uma experiência triste, já que Narcissa estava inconsolável. Sirius e Tonks ficaram ao lado dela o tempo todo. Narcissa teve que ser levada de volta ao quartel-general, uma vez que claramente não conseguia enfrentar o funeral. Sirius e Remus partiram com ela enquanto Tonks e seu pai ficaram para representar a família Black. Apesar de irônico, era algo que tinha que ser feito.

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Harry ficou feliz em voltar para casa. Ele atravessou a porta da frente e foi direto para a sala de estar. Estava cansado, cansado demais para fazer qualquer pesquisa hoje. O funeral exigira muito dele, mais do que esperava. Ele se viu imaginando que se o funeral de uma pessoa com a qual não se importava o esgotou tanto, então como seria se tivesse que comparecer ao de alguém com quem realmente se importasse? Seus pensamentos se voltaram para Bella e o que sentiu no momento em que ela foi enterrada. O funeral de Bella foi o primeiro ao qual compareceu. Ele não conseguia se lembrar daquele dia. Parecia que um forte nevoeiro encobriu aquela memória. Ele ficou em choque durante a maior parte do dia. Suas memórias daquele dia eram difusas e ele não conseguia pensar nisso.

Seus pais entraram na sala de estar em silêncio. Lily foi direto para a cozinha para fazer uma xícara de chá da qual precisava muito. James estava prestes a se sentar diante de Harry quando o telefone tocou, fazendo-o pular. Harry olhou para o telefone trouxa com desdém. Ele se perguntou o que sua tia trouxa queria com sua mãe.

"Lily!" gritou James.

"Atenda, por favor, James!" veio a resposta da cozinha.

Com um gemido reprimido, James se aproximou para atender o telefone. Honestamente, não havia razão para ele ter que atender. Claro que era Petunia ligando para falar com Lily por algum motivo.

Com uma carranca no rosto, ele pegou o telefone e respondeu como de costume.

"Olá, residência dos Potter."

Harry observou a expressão de James mudar para surpresa. Estava claro que ele foi surpreendido pelo interlocutor. Seus olhos foram até Harry e pousaram sobre ele.

"Posso perguntar quem está ligando?" Seu tom era educado, mas exigente, e Harry se sentou.

A pergunta de James obviamente não foi respondida, já que uma carranca apareceu em seu rosto antes de ele vociferar duramente.

"Temo que terá que me dizer quem você é primeiro!"

Lily voltara à sala e olhava para James também. Harry notou o olhar de crescente fúria no rosto do pai.

"Quem é!?" perguntou ele novamente.

Harry se levantou e foi até o pai. Ele sabia quem era. Ficou claro no olhar de pânico e raiva de James. A maneira como olhou para Harry foi o suficiente para sugerir que o interlocutor estava pedindo para falar com ele. Harry sabia quem era e sabia que James também sabia. Ele só estava perguntando em uma tentativa de ver se estava certo ou qual resposta o interlocutor daria.

Harry estendeu a mão para pegar o receptor de James. A princípio, James hesitou, mas, vendo o olhar no rosto do filho, ele entregou. Harry o levou ao ouvido, seus olhos já ardendo de raiva.

"Fale!" sibilou ele.

Uma risada baixa foi ouvida do outro lado, alimentando a raiva do rapaz.

"Ainda tem o hábito de dar ordens. Acho que algumas coisas nunca mudam."

Harry parou quando a voz do impostor soou em sua mente. A familiaridade dela o atingiu com força, mas, mais uma vez, não sabia por que era familiar.

"Eu não mudei nada. Se me conhecesse, teria o bom senso de não mexer comigo!" Harry sibilou perigosamente para ele.

Outra risada e Harry desejou poder entrar no telefone e puxar o impostor para lhe causar danos de verdade.

"Você sempre foi confiante demais. Uma qualidade que eu gostava muito em você." A última parte foi dita em uma voz que Harry poderia jurar que soava como remorso.

"Você percebe que, ao atacar Draco, assinou efetivamente sua própria certidão de óbito!" disse Harry com os dentes cerrados.

Desta vez não houve risada. Por um momento, Harry pensou que ele tinha desligado. Mas, então, sua voz veio, cheia de raiva ou arrependimento, ou talvez ambos.

"Não é algo que eu queria fazer. Não me responsabilize. Você é o único culpado!"

Harry ficou surpreso com isso. Não esperava essa resposta.

"Eu? Você está me culpando por suas ações? De que maneira maluca eu sou responsável?" perguntou Harry.

"É engraçado, quase agonizantemente engraçado, que possa fazer tanto e ainda afirmar que é inocente." A voz estava tão cheia de ódio e dor que quase tirou o fôlego do garoto.

"O que eu fiz?" perguntou Harry em uma voz que denunciou sua sincera confusão.

"Você esqueceu? Acho que isso não deveria ser surpresa. Você parece esquecer um monte de coisas. Esqueceu a gentileza dedicada a você, esqueceu o cuidado que lhe foi dado, a honra conferida a você, o amor que foi reservado para você e apenas para você!" A última parte quase foi gritada e Harry podia ouvir as respirações ofegantes, em um esforço para se acalmar.

"Tudo que aconteceu entre mim e Voldemort não é da sua conta," sibilou Harry, sua própria raiva ameaçando irromper. "Quem é você para se vingar por ele?"

"Você não se lembra de mim? Bem, não importa. Eu me lembro de você. Quero que saiba que passo o tempo todo pensando em você e em como fazer você pagar pelo que fez!" A malícia em sua voz desapareceu e o que Harry ouviu em seguida fez os pelos do seu pescoço ficarem de pé. "Você consegue dormir à noite, Príncipe?"

Harry sentiu seu sangue gelar com a pergunta.

"Quê?" perguntou ele, em uma voz que mostrava sua surpresa.

"Eu espero que não consiga dormir, do jeito que eu não consigo. Eu quero que saiba como é ficar acordado à noite, revivendo memórias que desejaria não possuir. Desmoronar todas as noites, para sofrer infinitamente! Você vai sofrer, Príncipe. Você vai pagar por seu engano e traição!"

Harry levou um momento para se acalmar. Aquele idiota sabia muito sobre ele. Provavelmente só estava dizendo essas coisas para fazê-lo se sentir fraco e vulnerável. Ele sabia que, dizendo essas coisas, acusando-o desses crimes, atingiria seu ponto fraco. Harry enfrentara seus remorsos. Enfrentara a tortura de sua culpa. Não deixaria aquele bastardo fazê-lo se sentir culpado de novo.

"Então, por que está se escondendo de mim? Se quer que eu sofra, então por que não vem atrás de mim? Por que se esconder? Apenas me diga onde te encontrar e estarei lá!" rosnou Harry com raiva.

Mais uma vez, o tom mudou e a voz ficou mais calma, mais contida.

"Não se preocupe, Príncipe. Eu vou te encontrar. Só tenho mais uma tarefa a cumprir. Mais um trabalho e então será só você e eu." A voz dele diminuiu para quase um sussurro antes de ele perguntar: "você se importa muito com ele, não é?"

De alguma forma, Harry sabia de quem o impostor estava falando e aquilo causou ondas de raiva ardente dentro dele. Seu coração começou a bater dolorosamente forte no peito. Sua raiva era tal que não conseguia falar. Ele segurava o telefone na mão com tanta força que doía.

"Se sabe o que é bom para você, ficará longe dele!" Harry forçou as palavras entre os dentes cerrados.

"Ah, tantos sentimentos. É reconfortante saber que a morte dele vai acabar com você. Então, saberá como é." A voz sibilou de volta para Harry.

"Você deve estar louco em sequer pensar em machucá-lo!" cuspiu Harry. "A única coisa que lhe restará é sofrer!" avisou Harry perigosamente. "Siga o meu conselho e corra, porque no dia em que eu te encontrar será seu fim!" sibilou o rapaz.

Outra risada baixa antes de o impostor falar suas últimas palavras para terminar a conversa.

"Mantenha Damien Potter seguro, se puder, Príncipe. É só uma questão de tempo antes de eu chegar até ele."

Um clique foi ouvido antes de a ligação acabar. Harry não podia acreditar no que acabara de ouvir. Suas mãos tremiam de raiva. Ele sentia como se seu coração fosse saltar do peito.

O rapaz colocou o fone no gancho e escutou vagamente James e Lily lhe fazendo perguntas, mas não poderia respondê-las agora. Ele olhou ao redor da sala e percebeu que Damien não estava. Onde ele estava? Harry percebeu que não o vira o dia inteiro. Ele estava no funeral? Em seu pânico, não conseguia lembrar se Damien viera com eles ou não. Não se lembrava de tê-lo visto. Então, onde ele estava?

Harry se virou para olhar para o pai, que o fitava com uma expressão preocupada e assustada.

"Onde está Damien?" perguntou Harry com uma voz rouca. Seu coração estava tão rápido que o fazia se sentir mal.

James olhou para Harry sem entender, confuso com a pergunta.

"Pai, onde está Damien?" perguntou Harry, sua voz mais alta e mais aflita.

"Harry, o que está acontecendo?" perguntou James. "O que ele te disse?" perguntou ele, referindo-se ao impostor do Príncipe das Trevas.

Mas Harry não podia perder tempo repetindo aquela conversa horrível. Ele tinha que chegar a Damien primeiro.

"Papai! Onde está Damien!?" Harry literalmente gritara a pergunta.

"Ele está n'A Toca. Está lá desde hoje de manhã. Ele saiu na sua frente, não se lembra?" respondeu James, olhando preocupado para Harry.

Harry de repente se lembrou. Depois do café da manhã, Damien tinha corrido para A Toca, enquanto os outros iam ao funeral de Marco. Ele ia ficar com Ron e os demais enquanto o Sr. e a Sra. Weasley também estavam no funeral.

Sem outra palavra para seus confusos e levemente assustados pais, Harry aparatou para A Toca. Assim que apareceu na cozinha dos Weasley, examinou o pequeno cômodo à procura de seu irmão. Ainda podia ouvir a voz do homem soando em sua mente, "é só uma questão de tempo antes de eu chegar até ele." Harry só conseguia se concentrar em encontrar Damien e levá-lo de volta à Mansão Potter, onde estaria seguro.

Ele o avistou pela janela. O menino estava no meio de um jogo de quadribol com os irmãos Weasley. Harry saiu correndo, ignorando os olhares e saudações que recebeu de Bill e Fleur. Ele acabara de entrar no jardim quando Ron e Damien o viram. Eles sinalizaram para Fred, George, Percy e Ginny que o jogo deveria ser pausado. Ron e Damien retornaram ao chão para encontrar Harry. Ginny estava a caminho para encontrá-lo também.

Assim que os pés de Damien pousaram, ele foi agarrado por Harry.

"Harry! O que...?" Damien foi cortado ao ser agarrado sem cerimônia e puxado em direção à casa por Harry.

Ron observou com os olhos arregalados quando Harry não disse uma única palavra a ninguém, mas agarrou Damien e o arrastou para dentro de casa.

"Harry! O que você está fazendo?! Me solte!" gritou Damien, enfurecido por ser tratado como uma boneca de pano. "O que aconteceu? O que deu em você?!" indagou o menino, tentando se soltar do aperto firme em seu braço.

Harry não respondeu, mas continuou a arrastá-lo até a cozinha e em direção à lareira. Não estava sendo rude e ofensivo de propósito. Estava em pânico e não podia explicar tudo agora. Quando o levasse para casa, e lançasse alguns de seus feitiços de proteção sobre ele, então poderia repassar o que havia acontecido. Ele empurrou o irmão para a lareira e jogou um punhado de Pó de Flu.

"Vá para casa!" Ele instruiu o menino confuso.

"O que está acontec...?"

"Damy, por favor, apenas vá para casa e eu te conto. Depressa!" implorou Harry.

Damien não argumentou mais e disse "Mansão Potter" com clareza. Ele desapareceu em um redemoinho de chamas verdes. Harry aparatou de volta também, sem dar qualquer explicação aos Weasley confusos em pé na porta.

xxx

Damien resmungou alguns palavrões em voz baixa enquanto era novamente jogado para o outro lado da sala. Ele se levantou do chão e massageou o cotovelo dolorido, que batera quando a força o impulsionou pelo ar.

"Harry!" rosnou ele, enquanto abaixava o escudo mágico que surgira ao seu redor, efetivamente o envolvendo dentro de uma bolha protetora.

Damien subiu correndo as escadas até o primeiro andar, apertando o cotovelo dolorosamente. Ele entrou no quarto de Harry e o viu ainda sentado em sua mesa, examinando os papéis à sua frente.

"Harry!" gritou o menino ao fechar a porta.

Harry saltou com o som e se virou, vendo Damien parado em sua porta.

"Damy! O que houve?" perguntou ele em alerta e pronto, a varinha já em sua mão.

"Parabéns por sequer me perguntar!" vociferou o mais novo para ele. "Aquele maldito feitiço que você colocou na porta principal me jogou do outro lado da sala de novo!" explicou ele.

A expressão de Harry relaxou antes de ficar séria novamente.

"O que estava fazendo perto da porta? Eu te disse para ficar em casa!" estalou Harry para ele.

"Eu não estava perto da porta! Estava indo para a janela, só para dar uma olhada lá fora e fui jogado de volta no meio da sala!"

Harry ignorou a reclamação do irmão e se virou para se concentrar em seus papéis novamente.

"Eu conjurei o mesmo feitiço da porta em todas as janelas. É para sua segurança, Damy. Não te fará nenhum mal," disse ele de costas.

"Eu vou ter que discordar." Damien bufou, esfregando o cotovelo dolorido.

Damien estava cansado disso. Fazia duas semanas que Harry falara com o impostor e ele levara a ameaça à vida do irmão muito a sério. Harry repetiu toda a conversa para ele e seus pais, e todos concordaram em considerar as palavras do impostor. Mas ao dizer isso, ninguém imaginara as medidas que Harry tomaria para manter o irmão a salvo.

Damien foi efetivamente proibido de sair de casa. Ele não podia nem ir ao quintal. Não podia usar a lareira para ir a qualquer lugar e não podia sequer se aproximar das janelas, para o caso de uma maldição vir de fora. Harry não confiava nas proteções colocadas em volta da Mansão, como apontou para James e Lily, por seu próprio exemplo em Hogwarts no ano anterior. Elas não eram tão confiáveis quanto todos pensavam.

Então, Damien deveria ficar dentro da Mansão sem a liberdade de sequer olhar pela janela. A porta principal estava enfeitiçada, e agora as janelas também, para impedi-lo de sair. Eles o envolveram em um escudo protetor para mantê-lo a salvo de qualquer ataque. Damien achara que tudo isso era um pouco demais. A Mansão Potter já estava fortemente protegida e tinha todos os tipos de feitiços de proteção sobre ela. Quase não precisava de mais nada. Mas isso não impediria Harry de lançar seus próprios feitiços mais poderosos. Damien até acordara uma noite e encontrara o irmão em seu quarto, lançando todos os tipos de feitiços e encantamentos no cômodo para mantê-lo protegido.

"Ah, pelo amor de Merlin, Harry! O que você está fazendo?" perguntou Damien de sua cama.

"Apenas alguns feitiços, por segurança," respondeu ele, lançando uma misteriosa luz amarela ao redor das janelas e do teto.

Irritado, Damien respondera:

"Isso é realmente necessário? Quer dizer, no meu quarto? Não é como se ele estivesse debaixo da minha cama."

Harry olhou para Damien por um momento antes de levitar a cama, com o menino ainda nela, para verificar o que havia embaixo.

"Me coloque no chão!" gritara Damien.

"Só checando." Foi a resposta do outro.

Harry estava mais determinado a encontrar o impostor agora. Sua dedicação após o ataque de Draco não era nada comparada ao desespero que agora demonstrava. Ele ficava no quarto estudando o tempo todo, até durante a noite. Os demais vinham durante o dia e ajudavam na pesquisa, mas Harry estava continuamente pesquisando. Ele ainda não estava mais perto de encontrar o culpado e isso o frustrava.

O único momento em que tirava uma folga da pesquisa era quando ia visitar Draco. Ele ficava sentado em silêncio ao lado do amigo, que ainda estava em coma. Não houve melhora em sua condição. Harry não sabia por que ia visitá-lo, era apenas algo que se via fazendo quando ficava muito frustrado com a pesquisa fracassada. Só em sentar ao lado de Draco, em completo silêncio, dava-lhe o que precisava para voltar à sua busca: mais determinação.

James e Lily estavam tentando de tudo para manter as coisas sob controle. Estavam tão preocupados quanto Harry com a ameaça feita à vida de Damien e, portanto, não interferiram nas "instruções" de Harry para manter o menino dentro da Mansão Potter. Eles, porém, lamentavam pelo filho mais novo, que estava começando a se sentir um prisioneiro. No momento, eles estavam sentados na sala, conversando sobre a situação. Damien de repente invadiu o cômodo e se jogou furiosamente no sofá.

"Damy?" indagou Lily com firmeza, nada impressionada com a atitude dele.

"Mãe, eu sei que Harry é meu irmão e eu o amo e tudo mais, mas se eu for atingido por um de seus feitiços de proteção mais uma vez, acho que posso explodi-lo por isso!" disse Damien aborrecido.

"É para sua própria segurança," disse Lily, linhas de preocupação agora aparecendo em seu rosto.

"Sim. Estarei seguro, mas machucado," respondeu ele, esfregando o cotovelo. Não estava mais doendo, mas queria sugerir aos pais que se machucara novamente.

James sorriu para ele e tirou os óculos para limpá-los.

"Damy, tenho certeza que prefere esse arranjo ao anterior," afirmou ele, recolocando os óculos e olhando para o menino para ver sua reação.

Como esperado, o rosto de Damien ficou vermelho e ele murmurou algo incoerente em voz baixa. James riu de sua reação. A situação estava longe de ser engraçada, mas James achou difícil não rir do que vinha acontecendo há uma semana. Antes que Harry tivesse a ideia de colocar feitiços ao redor da Mansão para impedir Damien de sair, ficou seguindo o irmão para todo canto. Por mais que Damien fosse próximo a Harry e quisesse estar em sua companhia, ele logo descobriu que a constante supervisão era muito irritante.

James talvez tenha piorado as coisas ao comentar com Damien que a vida tinha uma maneira estranha de inverter as coisas. Damien irritou Harry no ano anterior, seguindo-o em Hogwarts, e agora Harry estava fazendo o mesmo com ele. O menino apenas reclamou e ignorou o pai.

O engraçado era que às vezes Harry nem percebia que estava fazendo isso. Ele ainda segurava um arquivo, lendo-o, enquanto seguia Damien de um cômodo a outro. Não importava quantas promessas Damien fizesse sobre não deixar a Mansão, Harry não queria correr nenhum risco.

James lembrou-se de avistar Damien, com um olhar irritado, indo em direção ao banheiro, Harry o seguindo de cabeça baixa lendo o arquivo em suas mãos. Harry entrou no banheiro após Damien. James assistiu a porta se abrir um segundo depois e Harry ser jogado de volta para fora por um Damien realmente irado.

"Desculpe, desculpe," murmurara o irmão mais velho.

Foi depois daquele dia que Harry veio com os feitiços que o impediriam de deixar a Mansão. A única pessoa que poderia tirá-lo de casa seria o próprio Harry. Dessa forma, não precisaria segui-lo, mas estava seguro de que Damien não poderia ser levado a deixar a segurança da Mansão.

"Não é como se eu quisesse que algo aconteça comigo! Eu juro que vou ficar aqui dentro, mas Harry está agindo como se eu tivesse um desejo suicida ou algo assim!" reclamou Damien.

"Seu irmão só está cuidando de você. Ele está preocupado e se lançar esses feitiços lhe trouxer paz de espírito, então não há mal nenhum nisso," explicou Lily ao se levantar para ir à cozinha.

Harry de repente chamou do corredor.

"Eu vou sair! Volto em uma hora."

"O.k.!" James gritou de volta, feliz por Harry ter finalmente entendido a ideia de lhes informar quando estava saindo.

"Passe na cara," murmurou Damien para si enquanto afundava em sua poltrona e olhava para o espaço.

xxx

Harry saiu do elevador e foi em direção ao quarto de Draco. Estava totalmente exausto e frustrado com a falta de informação sobre o impostor. Sirius sugeriu assistir à memória do ataque de Ginny mais uma vez para ver se ele poderia extrair algo disso. Já que tinha falado com o impostor, ver a memória dele poderia desencadear alguma coisa. Harry não achou que ajudaria, mas decidiu falar com Ginny sobre isso. Era algo que não queria discutir com ela, uma vez que fazia suas entranhas gelarem, mas era necessário. Ela viria amanhã com o restante, assim poderia falar com ela sobre isso.

Assim que Harry entrou no quarto de Draco, foi recebido por uma visão estranha. De pé ao lado da cama do rapaz estava um homem ruivo de barba. Ele vestia o uniforme do hospital e segurava um gráfico na mão. O homem ergueu os olhos assim que Harry entrou e, por um momento, ele apenas o encarou sem falar nada.

A única pessoa que o rapaz vira com Draco foi Narcissa. Mas hoje estava só esse estranho no quarto. Harry fechou a porta e apenas o encarou. Nada parecia estranho a princípio, mas tinha visto o homem de cabelos ruivos acariciando gentilmente a cabeça de Draco quando entrou pela primeira vez. O estranho rapidamente se afastou quando o viu.

Nervosamente, ele limpou a garganta.

"Eu estava apenas checando o progresso dele," disse o homem, segurando o gráfico.

Harry não respondeu, mas ficou onde estava, com os olhos fixos no homem.

"Certo, bem, é melhor eu ir embora." O homem olhou de volta para Draco, e Harry percebeu a tristeza em seus olhos.

Ele passou por Harry e se dirigiu à porta.

"Você deveria ficar," disse Harry sem se virar para encará-lo.

O ruivo parou ao lado da porta, com a mão na maçaneta.

Harry se virou para o ruivo. Ele o reconhecera instantaneamente. "Agora seria um bom momento para recuperar o tempo perdido," disse Harry friamente.

O homem se virou, surpreso, e olhou para Harry.

"Você não concorda, Lucius?" acrescentou Harry.

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N/T: Conclui a tradução da segunda parte da trilogia e vou postar tudo hoje. Logo começarei a terceira parte! Obrigada pelos comentários e aguardo vocês na sequência! Bjs!

Karol: Oi, xará! Amei o comentário! Obg por estar acompanhando, espero que goste de receber quatro capítulos de uma vez rsrs Beijos e até a terceira parte!