Harry abriu seus olhos e estava deitado na cama ao lado da que Ronny dormia. O sol já havia nascido e o cômodo ainda permanecia envolto em uma completa penumbra. Mais um pesadelo envolvendo Voldemort e a sua cicatriz ardia como fogo... o dia não começava facilmente. Percebendo que o ruivo o olhava, iniciou uma conversa a respeito do que aconteceria durante aquele dia, o sonho que tivera e, depois de algum tempo, o rosto do seu amigo se iluminou ao dizer:
- Perdemos muito tempo com bobagens... feliz aniversário! Agora você tem 17 anos, parabéns – se levantou da cama, pulando sobre o amigo, exatamente como os seus irmãos faziam nas felicitações. Aliás, adotaram o bruxo de olhos verdes, desde a primeira vez que o viram, traduzindo esse carinho através de gestos que dividiam uns com os outros. Fossem abraços, esculhambar os cabelos com as mãos ou saltar em cima daquele que se mostrava desavisado. O sentimento de irmandade era recíproco, manifestava apenas felicidade e união. Depois de alguns minutos rindo, o ruivo estendeu para ele um pacote, que foi aberto rapidamente acompanhado de um olhar espantado de Harry. Jamais imaginaria que Ronny fosse presenteá-lo com um livro.
- Não foi esse o livro mencionado pela Mione como o que o Snape considera um acinte e que ele disse que castraria o primeiro que encontrasse com um exemplar? – questionou com um olhar preocupado, analisando a capa da obra.
- Esse mesmo! Mas, convenhamos, aquele idiota seboso só falou isso para assustar quem é frouxo. Deve ter inveja... já que esse texto é ouro puro, cara! Não há mulher que resista a lábia de quem o lê. Garanto que se eu tivesse lido isso antes, nunca que a Mione teria ficado com aquele velho ridículo – respondeu com um ar vitorioso.
- Ronny... sinceramente? Eu acredito que, mesmo você fazendo uma das fórmulas mais poderosas da Amortêntia ou lançasse nela a maldição Imperius, ainda assim, a Mione permaneceria apaixonada pelo Snape. Às vezes, acho que ela já nasceu o amando... não tem outra explicação! Você nunca a ouviu dizendo que apenas perto dele, sente uma sensação de casa, de proteção e de que tudo faz sentido – argumentou pensativo lembrando do olhar sonhador que a amiga ficava sempre que falava no bruxo de vestes negras.
- É fogo de palha e deve ter um jeito de desfazer o Elo – deu de ombros, fazendo com que Harry o observasse e soltasse uma respiração que passava cansaço.
- Você que sabe. No entanto, pense que ela está com ele por vontade própria – argumentou se arrumando para descer.
Ao entrarem na cozinha, os dois se depararam com uma pilha de presentes esperando em cima da mesa. Bill e Fleur terminavam o café da manhã, muito compenetrados no assunto que estavam tendo com Molly. A senhora ruiva, por sua vez, conversava com os dois, mantendo a atenção na frigideira de bacons que preparava. Os elfos tinham se proposto a ajudar, mas ela os proibiu de trabalhar com qualquer coisa até que estivessem devidamente alimentados e descansados do dia anterior. Deixou bem claro, que ficavam ali como convidados e não como empregados, principalmente, que estavam ajudando como todos os outros. Percebendo que Harry se localizava ali parado, avisou que Arthur, Draco e Ginny, deixaram felicitações para ele antes de saírem de casa. Contudo, regressariam antes do almoço, pois os dois foram registrar o pequeno Scorpius antes do batizado, enquanto, o bruxo mais velho, teve de ir ao ministério mais cedo que o costume. O menino-que-sobreviveu sorriu ao recordar do bebê loiro que sempre se mostrava feliz e sorridente. Pensou que ele devia ser assim quando pequeno e que, de fato, as crianças eram uma luz no meio de toda aquela escuridão da guerra. Até Snape passava um ar menos sombrio quando mencionava os filhos que sequer tinham nascido ou via o seu mais novo afilhado.
Abrindo os embrulhos, Harry encontrou um relógio semelhante com o que Ronny ganhara dos pais no seu aniversário de 17 anos. Admirava o relógio dourado com estrelas no lugar dos ponteiros, quando foi retirado das suas reflexões com a voz da senhora Weasley.
- Querido, é tradição dar um relógio a um bruxo quando ele se torna maior de idade – disse um pouco nervosa e ansiosa, observando o silêncio do jovem. Como não obteve resposta, prosseguiu:
- Eu sei que não é exatamente como o que demos ao Ronny e nem se compara ao presente que ganhará do seu padrinho... entretanto, esse é um presente afetivo, pertencia ao meu irmão Fabian. Ele não era muito cuidadoso com os seus pertences. Há alguns arranhões e marcas de uso na caixa, mas... – antes que argumentasse mais alguma coisa, ou enrolasse ainda mais as mãos no avental, foi abraçada por Harry, que a apertou o máximo que pode para que o gesto demonstrasse tudo aquilo que palavras eram incapazes de expressar com clareza. Toda a verdade estava exposta, não precisava de laços de sangue para que existisse amor suficiente para que ele a visse e a tivesse como sua mãe. Os Weasley eram a sua família, com 7 irmãos, com um sobrinho e dois cunhados... em algum lugar, seus pais deviam estar muito felizes sabendo que existiam pessoas que o amavam e zelavam por sua segurança em meio àquele caos.
- Feliz Aniversário, Harry! Não é muito, todavia, eu espero que goste da lembrancinha – falou Hermione que chegava ao cômodo, praticamente arrastando um Snape contrariado e com cara de poucos amigos. Vendo que o amigo não respondia, colocou o seu presente no topo da pilha e perguntou ao ruivo o que acontecera. Ao mesmo tempo em que o marido analisava toda a cena e notava os motivos que levavam Ronny a ignorá-la.
- Fracassado e invejoso – sussurrou para si mesmo encarando o menino ruivo. Entretanto, Sirius, que também estudava a situação ali, escutara o que o bruxo de olhos de ônix acabava de dizer e lhe lançou um olhar de concordância. Fazia algum tempo que as atitudes do mais novo dos Weasley em relação a Harry e Hermione o incomodavam, mas, não queria se meter na amizade dos três.
Retomando a concentração no seu entorno, voltou a abrir os presentes. Da castanha ganhou um bisbilhoscópio novo. Sirius e Narcissa o regalaram com uma bússola de ouro gravada sou guiada pelo coração e uma nova Firebolt. Bill e Fleur lhe deram uma lâmina de barbear, além de chocolates belgas e franceses. Os gêmeos, entregaram uma enorme caixa das últimas Gemialidades Weasley com um cartão que dizia Infernize a todos, ria muito e viva infinitamente, irmãozinho. Draco e Ginny, o brindaram com itens de Quadribol e um uniforme do Chudley Cannons, com o seu nome gravado às costas e o número 7, acompanhados por uma pequena carta de felicitações assinada pelos três (ao lado da assinatura dos pais se achava um pequeno dedinho, representando a rubrica de Scorpius). E, o presente mais esperado, foi recebido por último... Luna, finalmente, o beijara na frente de todos.
- Ainda bem que o Potter superou o seu complexo de Édipo e não ficou sofrendo por não casar com uma réplica da própria mãe – Snape erguia a sobrancelha sarcástico e Hermione o encarava séria.
- E você deve ainda chorar por ela, para estar se importando tanto, não é mesmo?! – bufou cruzando os braços.
- Não sou adepto à necrofilia para ficar 16 anos querendo transar com alguém que morreu e, enquanto esteve viva, pouco se fodeu para mim. Além do mais, bruxa ciumenta, estivesse tempo suficiente apaixonado por outra, para que Lillian ocupasse as minhas memórias – a puxou para um abraço, vendo que ela permanecia contrariada.
- Eu me sinto insegura, Severus... você prometeu proteger o Harry, mesmo o detestando por causa dela. Ele me contou o que disse no dia da morte de Dumbledore e, tem vezes, que penso na possibilidade de ser a sua segunda opção – respirou fundo e continuou:
- As palavras da Bellatrix ainda ecoam na minha mente... ela era bonita e popular... eu...
- Hermis... é inacreditável como a mais perfeita das criaturas pode se considerar tão indigna e se menosprezar tanto! Reflita comigo, é humanamente impossível alguém como você se apaixonar por um sujeito igual a mim. Pertencemos a classe sociais diferentes, contextos e trajetórias de vida distintas, uma distância abismal no que corresponde à educação recebida em nossas respectivas casas – falou a observando.
- Sevie, você sabe que eu não me importo com isso e não ligo. Você é um lutador, trabalha sem descanso, é inteligente... não me incomoda o fato de que morava em um lugar pobre e esquecido, muito menos, que três ou quatro quadras da sua casa, o esgoto corre a céu aberto. Ninguém tem culpa de ser pobre ou ter passado por uma criação ruim! – se virou para o olhar.
- Concordo em partes. Vamos a outro ponto, você é muito bonita e extremamente sábia, posso afirmar que é uma erudita das Runas Antigas e da Aritmancia. Uma menina chatíssima de tão esperta que se transformou em uma mulher muito focada com direção e propósito. Sabe o que isso significa, Hermione? Você é tudo aquilo o que considero inatingível e extraordinário. Me vejo como um verdadeiro nada! – falava acariciando o rosto dela. Realmente, era perdidamente apaixonado e encantado por ela. Considerava a sua castanha fantástica e maravilhosa demais para amá-lo.
- Não diga isso... parece que é um pobre coitado, um medíocre nos estudos... nem parece que é um bioquímico com doutorado e mestre em poções, duas coisas que requerem um intelecto e uma capacidade de raciocínio muito grande. Não se diminua tanto... – sorriu com os olhos brilhando para ele. Sempre o veria como um homem perfeito, um verdadeiro herói.
- Não vou esquecer do mais importante de tudo, minha rainha... não houve uma vez que eu tenha deixado de fazer amor com você. Não existiu dia que eu tenha abandonado os meus pensamentos de como poderia te fazer feliz ou como provar todo o meu amor e devoção apenas a você. Saiba, bruxa teimosa, que posso dedicar a minha vida inteira a decifrar os teus olhares e sorrisos, entender essas tuas variações de humor durante o dia... porque quanto mais surpreendentemente única se mostra, maior é o meu ciúmes, amor e adoração – Snape dava pequenos beijos na castanha, que começava a rir por estar sendo tão paparicada. Quem dera que todas as brigas ou discussões terminassem daquele jeito. Só existia amor ali, sem culpas, longe de acusações infundadas ou questões bobas.
- Eu amo você, Sevie – o beijou mais demoradamente.
- Não parece... e espero que, hoje, eu possa te acompanhar ao médico para saber dos meus morceguinhos – antes de terminar a ergueu nos braços para que ela ficasse da altura dele.
- Já começou... – Hermione revirou os olhos como se o estivesse criticando.
- Ora, eu não resisto ao seu lindo rosto contrariado. Pare de ser tão ciumenta, minha linda flor de alcachofra. Amo só você, pequena! - sorriu a beijando novamente, percebendo que ela ficara toda boba com o novo elogio inventado.
- Bobo...
Draco e Ginny entraram com o bebê em casa, sendo acompanhados por Charlie, que chegara para o batizado do sobrinho, aniversário de Harry e casamento da irmã. Organizaram uma mesa do lado de fora para que todos pudessem comer confortavelmente. Logo, estavam todos no terreno acompanhando os feitiços de proteção que eram conjurados em direção à Scorpius, que permanecia tranquilo no colo do seu padrinho. Ao concluírem, Snape fez um pequeno corte no seu dedo e no do pequeno loiro, encostando um no outro.
- Scorpius Draco Weasley Malfoy, como seu patrono, defensor, padroeiro e protetor, prometo estar ao seu lado quando necessitar. Juro protege-lo de todo o mal e da escuridão que ronda o mundo. Asseguro que, na ausência dos seus pais, eu serei seu guardião e pai. Certifico que, se o mundo se apresentar injusto, encontrará em mim sempre um amigo, um ouvinte e um intercessor – ao concluir, correntes prateadas cercaram os dois, como se tivessem testificando essas palavras. Ao devolver o menino para a mãe, sentiu que Ginny o abraçava emocionada.
- Snape, obrigada por ter aceito ser padrinho do Scorpius. Eu confio que você vai cuida-lo, como sempre fez com o meu noivo – dizia com lágrimas nos olhos.
- Minha palavra é uma só, senho... Ginevra – assentiu sério demorando um pouco para retribuir o gesto.
- Padrinho... eu... – Draco procurava as frases certas para dizer naquele instante. Parecia que tudo lhe fugia e não conseguia elaborar nada que fizesse sentido. Era tudo tão claro e evidente, que o silêncio falava por si só. Agradecer era pouco, um aperto de mão era extremamente frio, enfatizar que o considerava como seu pai representava repetir o incontestável...
- Não há necessidade, eu sei. Digo o mesmo e espero que não esqueça jamais – a primeira coisa que o bruxo lembrou olhando para aquele rapaz loiro, foi quando Narcissa entrou em sua casa e o convidou para ser padrinho do seu bebê ainda sendo gerado. Três meses depois do nascimento do menino, ela retornou a sua casa desesperada pedindo ajuda... não demorou muito para que ele tivesse de derrubar a porta de um dos quartos para impedir Malfoy de sufocar um Draco, ainda tão pequeno, com um travesseiro. Era seu filho por conta da criação, pelo comprometimento, devido aos cuidados e, principalmente, pela convivência. Agora era um homem, decente e honesto e, que, já tinha o seu bebê. Outro menininho loiro, que, certamente, teria uma história completamente diferente.
Como batizados bruxos eram cerimonias rápidas, que consistiam muito mais na promessa e no pacto de sangue firmado pelo padrinho com o bebê, as decorações com um grande número 17 se espalhavam por todo o terreno. Harry mostrava para Scorpius os balões e girava a varinha para que faíscas aparecessem e o bebê sorrisse. Mesmo sendo o seu aniversário, se dedicou a dizer a todos que a festa era do bruxinho, porque a esperança de um futuro estava ali em um ser tão puro e inocente. Enquanto isso, Hermione, caminhava pelo jardim bastante compenetrada em alastrar flâmulas douradas e púrpuras pelas árvores e os arbustos no entorno. Se mantinha tão concentrada, no que fazia, que não percebeu quando Ronny se aproximava.
- Está muito legal. Você é fabulosa e, realmente, tem o dom para isso... eu... – quando ia continuar, o bruxo de cabelos pretos, pôs a mão apertando o seu ombro de forma ameaçadora.
- Página 25, parágrafo 4, do brilhante manual do punheteiro, sobre como tecer comentários agradáveis a uma jovem bruxa. Não é mesmo, senhor Weasley? Até onde eu bem me recorde, esse lixo literário serve para conquistar moças solteiras e que estejam muito desesperadas para arranjar marido... assim, qualquer bosta proferindo palavras ridículas as conquista facilmente. No entanto, creio que a minha esposa não esteja exposta em um balcão de carnes para que um sujeitinho desprezível se aproxime. Fui claro? – sibilou o encarando como um predador prestes a atacar a qualquer momento. O sangue se acumulava em seus olhos por estar buscando forças para conter a fúria assassina que crescia dentro de si ao olhar para o ruivo.
- Severus, ele só quis ser gentil... – a castanha tentou argumentar, para que o marido se acalmasse um pouco e saísse dali com ela. Depois, pensaria em falar com Ronny e o repreender por criar um acontecimento tão constrangedor.
- Hermione, esse é o idiota não está sendo gentil. Ele com essas frases vulgares, irrisórias, está perseguindo e cercando você, para que se sinta acuada e acabe cedendo às investidas dele – falou sério sem tirar os olhos de onde estava o rapaz.
- Quanto a você... garanto que posso arrancar, com as próprias mãos, uma parte sua que irá lhe fazer falta. Se permanecer mais um minuto na minha frente, penso em colocar em meio a decoração, embora deva ser mínimo, para que todos vejam o que acontece com quem ousa se aproximar da minha mulher. Ou melhor, sou capaz de fazer com que engula e morra engasgado com ela. O que acha? – mantinha o tom de voz cada vez mais agressivo.
- Quem decide é ela, não você... seboso – Ronny retorquiu com raiva.
- Não me provoque... não é pelo fato de que eu tenha amizade pelos seus pais que exista algo forte o suficiente que me impeça de matar você, agora, lentamente – o agarrou pelo colarinho da camisa, encostando a testa para encará-lo bem antes de o empurrar jogando o ruivo longe. Percebendo que ia sair briga, Bill, Charlie e Sirius foram onde eles estavam. Ao escutarem o que ocorrera, os três praticamente arrastaram Ronny para longe, notoriamente, o xingando pela atitude detestável e desrespeitosa.
- Severus, porque fez isso? – perguntou olhando para Snape que a fitava com um ar de quem não tinha feito nada demais.
- O que? – respondeu com outra pergunta, enfiando às mãos nos bolsos.
- Ameaça-lo desse modo! Eu não me importo o quanto ele tente ou diga, depois eu falaria com ele. O que interessa é que eu amo você – o abraçou pela cintura e recebeu em troca um olhar analítico, com a sobrancelha esquerda erguida.
- Pode não te afetar e eu acredito no que me diz. Contudo, cada vez que esse idiota se aproxima, se enche de esperanças de que vá me largar e abandonar as crianças para ficar com ele – respirou fundo observando o ar de dúvida que ela demonstrava.
- Ronny não é assim... – assegurou confiante.
- Pelo visto, não o conhece. Porque é pior do que pensa. É invejoso, medíocre, covarde, sonso, bobalhão... sempre a sombra do Potter e dos irmãos. Todos infinitamente, melhores do que ele em tudo. Esse é o seu amigo. O silêncio dele hoje pela manhã, foi por ciúmes que a mãe estava abraçando um órfão. Apenas um ser mesquinho age dessa maneira – antes que Hermione dissesse alguma coisa, prosseguiu bufando:
- Então, meu amor, sinto de informar. Mas, quando o Ronald Weasley não puder mais sugar a sua inteligência em próprio benefício ou não tiver mais os holofotes do Potter recaindo sobre ele também, acabará dando o fora os abandonando. Vai correr e se esconder no colo da mamãe como o belo fracassado que é. Olha para você e vê como uma coisa com a qual fará uma penca de filhos babacas e, que ficará dentro de casa o aguardando com o chinelinho na mão. Bem submissa como uma cadela! Afinal, esse porco, nunca aceitou que fosse mais inteligente e infinitamente melhor do que ele. Sempre a rebaixou na esperança que descesse ao nível rasteiro em que habita... sujeitinho imundo.
- Nossa, você o odeia! – a castanha o olhou assustada.
- Particularmente, não. Esse bosta só me causa asco. Quanto à ira, vou morrer tendo a dúvida se eu odeio mais o Lorde das Trevas ou o Malfoy... e olha que a Bella se esforça há anos para ter o primeiro lugar! – riu a abraçando, percebendo a movimentação no terreno da casa e um burburinho se formando.
- Saiam da frente! – gritou Molly, saindo da cozinha em direção ao jardim, com o que parecia um pomo de ouro gigante que flutuava a sua frente.
- Parece delicioso, muito obrigada! – exclamou Harry com os olhos brilhando para o bolo.
- Ah, não é nada, querido! – disse com afeição ao menino.
Todos já estavam em volta da mesa para iniciar as palmas e o parabéns, quando Arthur chegou acompanhado do Ministro da Magia. O que fez Lupin pegar Dora pela mão e se despedir rapidamente, antes de serem vistos. Gesto semelhante foi feito por Snape e Narcissa que entraram na casa, indo para o andar de cima, até que Scrimgeour fosse embora. Assim que avistou quem se achava presente ali, fez alguns questionamentos, antes de se virar para Harry e enfatizar que queria tratar, com ele, um assunto em particular. O mesmo foi dito para Hermione, Luna e Ronny, que seguiram para a Toca com expressões apreensivas. Na sala, o bruxo com cabelo de leão sentou na poltrona e deixou que os meninos se espremessem no sofá para ouvir o que tinha a dizer. Houve uma discussão antes que ficassem cientes do que estava acontecendo e que eram herdeiros de algumas coisas deixadas por Dumbledore. Os quatro se entreolharam sem compreender exatamente o que significava aquilo.
- Este é o último testamento de Albus Percival Wulfrico Dumbledore. Sim isto é... "Para Ronald Bilius Weasley, eu deixo meu Deluminador, na esperança de que ele se lembrara como se usa isso" – o ministro examinou e guardou o objeto antes que Harry visse. Olhou algo como um isqueiro de prata, todavia, logo soube que a peça sugava toda a luz de um lugar e restaura-lo com um simples clique. Ele inclinou-se e passou o Deluminador para Ronny que o analisou e brincou com a peça entre os dedos olhando espantado. Questionando por quais motivos o velho bruxo de olhos azuis deixara aquilo para o ruivo, sem receber qualquer justificativa em troca, continuou a leitura:
- "Para as senhoritas Hermione Jean Granger-Black e Luna Lovegood-Malfoy, deixo minha cópia de Contos de Beedle, o Bardo, na esperança de que elas o considerem interessante e instrutivo" - Scrimgeour retirara, neste instante, um pequeno livro que parecia tão antigo quanto a cópia de Segredos das Artes das Trevas. A castanha ficou olhando para a obra e pensando que já encontrara um compendio de encadernação parecida no meio dos pertences de Snape, entretanto, não quis abrir e ver qual era o conteúdo. A capa e o interior apresentavam manchas e marcas de uso, descascando e desprendendo folhas em alguns lugares. Hermione pegou o livro, sem dizer nada e, passou, imediatamente, para Luna. A loira segurou o livro na palma da mão e ambas fixaram o olhar nele, sendo, pouco depois, questionadas a respeito das motivações de Dumbledore.
- Senhor, o professor sabia que minha irmã e eu gostamos muito de ler. Certamente, lembrou que Hermione teve uma criação trouxa e apreciaria muito conhecer os contos infantis do mundo bruxo – falou Luna calmamente.
- Nunca debateram códigos? – inquiriu as duas, fazendo com que a castanha perdesse a paciência.
- Não, não tratamos este tipo de conteúdo. Temos coisas mais importantes para pensar do que criação de mensagens secretas e teoria da conspiração. Francamente, se o Ministério, com suas mentes brilhantes e crachás resplandecentes, não achou nenhum código escondido nesse livro em 31 dias, duvido que nós duas possamos encontrar – respondeu Hermione ríspida e com um tomo irônico.
Naquele momento, estava esfomeada, queria sair dali e, em menos de duas horas, deveria estar consultando um médico para ver se tudo estava correndo bem na sua gravidez. Desta maneira, não se mostrava disposta a perder tempo ali em meio a um interrogatório sem fundamento. A gota d'água foi quando Ronny se moveu, com dificuldade, colocando o braço em volta dos seus ombros. Ao perceber e sentir aquele gesto, imediatamente, se levantou, sentando no braço do sofá para ficar afastada. Aquilo já passara do limite do aceitável, sobretudo, depois de toda aquela discussão com Snape no terreno da casa. Se sentia traída e desapontada, detestava ter que admitir o fato de que o seu bruxo estava certo em alguns pontos. O ruivo não sabia ou fingia desconhecer o significado de respeito e limite, exprimia tanto egoísmo naquela atitude que não valia a pena nem tentar argumentar. Sabia que viraria a discussão a seu favor, sairia de vítima e faria tanto drama, que ela acabaria se sentindo culpada pelos erros dele. De qualquer modo, não importava, pois Ronny acabara de deixar claro que nunca respeitou os seus sentimentos. Alheio aos pensamentos de Hermione, Scrimgeour, seguiu com o testamento:
- "Para Harry James Potter, eu deixo o Pomo de Ouro que ele capturou em sua primeira partida de Quadribol em Hogwarts, como uma lembrança da recompensa de ser perseverante e habilidoso" - leu e as estranhas do bruxo de olhos verdes se contraíram em repentina excitação. Assim que o ministro retirou a minúscula bola de ouro, suas asas prateadas bateram fracas, e o menino-que-sobreviveu não conseguiu evitar a sensação de anticlímax. Também foi inquirido quanto as razões de ter sido presenteado, o que iniciou um novo desentendimento entre os cinco.
- É só isso então, não é? - perguntou Hermione, se erguendo novamente, agora, para sair da residência. Estava a ponto de esmurrar alguém.
- Não tudo, senhorita Black... fico me questionando se não mantém contato com a sua mãe, Bellatrix Lestrange. Se parece tanto com ela se mostrando provocativa e irritante – falou ríspido e mal-humorado.
- Com o devido respeito que lhe devo, nunca mais me compare com aquela mulher. Primeiro, é Granger. Segundo, ela não é minha mãe, porque o fato de ter me gerado não lhe dá esse direito. Terceiro, não lembro de ter dado a oportunidade de, quem quer que seja, duvidar da minha honestidade e da lisura dos meus atos. Quarto, detesto que pensem que podem me manipular com jogos de palavras e gestos – bufou com um semblante de indignação.
- Foi só um pensamento, senhorita... apenas isso. Além do mais, como não comparar, quando sua mãe teve duas filhas fora do casamento e, a senhorita, segue quase o mesmo caminho. Até onde nos consta, não é casada e a identidade do pai do seu filho é desconhecida – sorriu percebendo que aquilo a irritara profundamente.
- Até porque não interesse ao ministério ser informado com quem eu durmo ou deixo de dormir. Ou agora é norma que aurores sirvam de colchão para relações sexuais no mundo bruxo? – o olhar dela era de raiva.
- Ora, senhorita, não fique tão nervosa! Creio que o pai do seu filho não gostará nada se a ver tão descontrolada. Aliás, quem é ele? – perguntou a encarando.
- O que importa? – retorquiu com uma postura de confronto.
- O Ministério irá descobrir, não se preocupe... – a desafiou pensando que encontraria alguma pista quando a tirasse, definitivamente, do sério.
- Aguardarei ansiosa pelo dia – Hermione se manteve com um tom afrontoso que o fez encerrar o conflito, virando o rosto em direção a Harry, que estava tão ou mais indignado que a amiga, para lhe informar que o Dumbledore deixara a ele uma segunda herança. A mesma consistia na espada de Godric Gryffindor e que não seria entregue por se tratar de um artefato histórico o qual, o diretor, não possuía qualquer tipo de propriedade para dispor a quem bem entendesse.
Aquilo foi o suficiente para iniciar uma série de trocas de acusações entre os quatro e o ministro. Quando Scrimgeour estava prestes a incriminá-los por insubordinação, Sirius e Arthur entraram na sala. Ouviram o suficiente do lado de fora, para estarem preocupados com toda aquela gritaria e uma quase agressão entre Harry e o bruxo de cabelos de leão. O ministro acabou mostrando arrependimento pela sua total falta de controle e quase ter atacado fisicamente o bruxo de olhos verdes durante a briga. Antes de sair, pela porta dos fundos, ouviu o menino-que-sobreviveu dizer claramente que não concordava com os métodos do Ministério. Ao terminar de falar isso, mostrou a cicatriz causada do Umbridge com os dizeres não devo contar mentiras.
- O que ele queria, afinal? Achamos que vocês sairiam daqui presos com toda a confusão que dava para escutar do lado de fora da casa – questionou Arthur os olhando.
- Pretendia nos importunar, interrogando quais os motivos levaram Dumbledore a nos deixar algumas coisas. De qualquer forma, eles tinham acabado de liberar o conteúdo de seu testamento - disse Harry massageando as têmporas.
- Hermione... está tudo bem com você? – Sirius perguntou preocupado.
- Sim... – respondeu olhando para baixo.
- Foi detestável o que aquele imbecil te disse – foi se aproximando dela aos poucos, se abaixando um pouco, para olhar em seu rosto.
- Você também já me comparou com ela, de qualquer jeito – deu de ombros.
- Eu o fiz, porque possui muitas qualidades que a Bellatrix tem. Não se envergonhe e nem queira esconder. Nem sempre ela foi um monstro. Um dia, antes de você a conhecer, era apenas uma menina que amava ler, dona de um gênio forte, extremamente inteligente, forte e bonita – sorriu tirando uma mecha de cabelo do rosto da filha, fazendo com que a menina o encarasse.
- Ora, alegre-se! Ainda bem que puxou a sagacidade dela, pois, se tivesse saído igual a mim, seria uma obtusa, me valendo das palavras do Severo – ao terminar notou que ela ria. De fato, sempre Snape se referiu a ele como um completo tapado e ignorante. Embora discordasse, era engraçado ouvir Sirius usando coisas depreciativas que lhe foram atribuídas apenas para fazê-la sorrir.
- Obrigada, Sirius! – o abraçou em agradecimento.
- De nada, filha. Um dia, eu ainda vou te ouvir me chamar de pai – a apertou nos braços por um tempo, passando conforto e segurança.
Saíram da Toca conversando e, lá fora, no jardim, os três objetos foram passados de mão em mão. Todos exclamavam pelo Deluminador e os Contos de Beedle, o Bardo, lamentando o fato de Scrimgeour ter se recusado a entregar a espada. Todavia, nenhum deles conseguia dar nenhuma sugestão quanto a justificação de Dumbledore ter deixado para Harry um velho Pomo de Ouro. Arthur estava absorto examinando atentamente o artefato que "roubava a luz" pela terceira ou quarta vez, quando Sirius enviou um Patrono para Lupin avisando que eles poderiam retornar em segurança e, Molly, começava a colocar a comida na mesa.
- Harry, querido, todos estão terrivelmente famintos e não queremos iniciar sem você... Posso servir o almoço agora? – perguntou, com os quatro elfos levando os demais alimentos à mesa. Logo, eles comeram, conversaram e, depois de um rápido coro de Parabéns a você acompanhado de muitos pedaços de bolo, a festa do aniversário acabou, em partes. Hagrid, que tinha sido convidado para o casamento auxiliava na mudança de decoração para o acontecimento da noite. Os outros seguiam arrumando as mesas, as cadeiras, a cobertura de onde aconteceria a cerimônia... sempre envolto em algum assunto e em meio a risos ou gargalhadas.
- Encontre-nos lá em cima, quando todos estiverem dormindo – sussurrou para Hermione, ao mesmo tempo em que ajudavam na reorganização do jardim para o casamento.
- Harry... eu sinto muito. Mas, dessa vez, não vou acompanhar vocês. A consulta no médico hoje é, justamente, por conta de que a minha gravidez é de risco. Vamos seguir nos comunicando pelas moedas, sempre que precisar, vou te ajudar. Só não me peça para te seguir agora – disse triste, por se sentir mal de abandonar os amigos em um momento de necessidade. Mas, não via outra alternativa, além da que estava apresentando a ele.
- Eu não sabia, Mione. Você deve se cuidar mais! Eu quero muito conhecer os meus sobrinhos emprestados e... é claro, não quero ser vítima da ira do Snape e, muito menos, da sua – os dois riram dessa última parte e se abraçaram.
- Eu amo você, Harry James Potter. Sabe que sempre foi e permanecerá sendo um irmão – sorriu o olhando com os olhos marejados.
- Também te amo, Hermione Jean Granger-Black... nunca sei se você já usa o sobrenome Snape ou não! - os dois riram e ela assentiu com a cabeça.
- Então, cara senhora Snape, se o mundo fosse um lugar justo, nós teríamos crescido na mesma casa, como irmãos bruxos e saberíamos andar de moto – continuou rindo e apertou a ponta do nariz dela. Seria difícil enfrentar o mundo sem a melhor amiga ao lado... infelizmente, era necessário e ele o faria.
- Harry, não fale nada para o Ronny e chame a Luna para ir no meu lugar. Ela é extremamente inteligente e capaz de auxiliá-los. Além de que você gosta dela... enfim, aproveite um pouco dessa bagunça e seja feliz o máximo que puder – o apertou com toda a força, como se ali já se iniciasse a despedida que se aproximava rapidamente.
CONTINUA
