Capítulo 44
"É para você Skerrett." A rainha declarou, estendendo uma caixa na direção da camareira.
"Eu não quero nada, ma'am. O que eu fiz não teve como propósito obter nenhuma recompensa."
"Sou eu que vos quero dar isto. Você é uma serviçal fiel. A mais fiel que eu tenho. Além de Lehzen e Lord M. Mas Lord M já está há muito fora desta lista porque ele não é mais um servo…"
"Ma'am…"
"Vale mais do que um ano do vosso salário…" Victoria insistiu.
Houve um silêncio.
"Guarde como um seguro para a vida, use para obter dinheiro num momento em que seja necessário." A rainha continuou a tentar que ela agarrasse o presente.
Skerrett estendeu a mão e agarrou o que lhe era oferecido. Depois ela abriu a caixa e os olhos dela arregalaram de espanto. Lá dentro estava um colar digno de uma rainha…
Victoria procurou a mãe nos aposentos da duquesa, o que era uma coisa rara de acontecer.
"Mamã…"
"Drina! Você aqui?"
Victoria achou por bem não dar resposta àquela provocação. Ela decidiu que era melhor ir direta ao assunto. Então ela declarou determinada:
"Eu não quero que aquela história sobre Skerrett e Lord M se espalhe…"
"Você não quer que a verdade seja conhecida…Ou talvez isso não seja verdade…" Observou a duquesa.
"Eu não quero que a minha Corte seja lembrada pela devassidão, isso é algo do passado…"
"Você está a proteger aquele homem?"
"Eu estou a proteger o nosso sistema político. A Corte régia e o parlamento. E você também faz parte desse sistema…" Victoria lembrou.
A duquesa olhou para a filha. Parecia que ela ainda não se tinha dado conta disso. De facto, a relação entre mãe e filha era tão fria e distante que era fácil para ambas esquecer que havia um laço de sangue entre elas que deveria ser expresso através de emoções profundas.
"Você é um membro da família real, a mãe da rainha." Victoria continuou. "Tudo o que afeta a monarquia afeta você também. Por isso, você deveria defender a monarquia que eu encabeço e deveria fazer isso sobretudo para me proteger a mim, vossa filha, mas…" Victoria parou. Avançar mais do que isto, dizer que a duquesa nunca agia como mãe, que não mostrava preocupação ou afeto, iria iniciar uma discussão. A duquesa iria dizer a seguir que sempre tinha defendido a filha, que tinha feito tudo por ela…
"Você pede que eu guarde segredo…" Disse a duquesa.
"Mais ninguém ouviu o que Skerrett disse, além de mim, Lord M e você…"
"Talvez você pudesse então…" A duquesa começou.
Ela preparava-se para extorquir dinheiro! Ou outra coisa qualquer…Victoria deveria ficar chocada. Ela estava chocada, mas aquilo já nem era demasiado chocante, depois de toda a frieza que a duquesa tinha mostrado, desde que ela era uma criança.
"Não, mamã!" Victoria elevou o tom de voz. "As coisas funcionam ao contrário. Se essa história aparecer em algum lugar eu irei reduzir o vosso subsídio e você não poderá comprar mais vestidos luxuosos…"
"Drina!"
Victoria voltou as costas e saiu da sala.
Os olhos da duquesa faiscaram.
Naquela tarde Victoria estava a ler nos seus aposentos, na companhia de Emma e Harriet. Ela não estava muito concentrada pois o pensamento estava ocupado pela imagem de William. O homem que ela desejava que estivesse ali com ela, mas que a mãe dela tinha conseguido afastar dela…Sem William ali, a única coisa que lhe apetecia era voltar para casa, mas isso seria indiciador da verdade que ela se esforçava por disfarçar. Afinal de contas a versão que ela queria que fosse oficial era a de que ela fora para Claremont para descansar e que Lord M só tinha ido lá porque era urgente falar com a rainha…
A duquesa entrou no salão.
Victoria levantou os olhos do livro com ar desagradado.
Emma e Harriet olharam para a duquesa e depois para a rainha, na expectativa de ver o que iria acontecer.
"Você saiu tão apressada dos meus aposentos que eu nem tive oportunidade de dizer o que eu vi…" A duquesa começou.
"E o que é que você viu?" Victoria perguntou.
"Podemos falar a sós?" A duquesa perguntou, olhando para Emma e Harriet.
As ladies-in-waiting levantaram-se da cadeira, pousaram os livros, fizeram uma vénia e saíram.
Quando a porta se fechou a duquesa disse: "Bem, eu passeava no jardim e… Eu vi…"
"O quê?" Victoria perguntou, sem paciência para aquele suspense.
"O vosso Lord M e Skerrett…Ele estava a beijá-la." A duquesa informou visivelmente satisfeita.
Victoria sentiu um aperto violento no estômago e o coração disparou ao ponto de parecer que iria sair pela boca. Ela queria gritar que aquilo era mentira. Mas ela não poderia nem parecer uma amante traída, nem contradizer a história que Skerrett tinha contado, e que a tinha salvado, pelo menos aparentemente…Mas era chocante e confuso! Lord M e Skerrett? Ele tinha-a beijado? Porquê?
Então Victoria respirou fundo e tentou usar a situação em favor dela dizendo:
"Você viu? Então não faz mais sentido desconfiar dessa história! Se você viu é porque é verdade."
Depois de alguns segundos de silêncio Victoria concluiu:
"No entanto, não é para ser divulgado!"
"Eu só quis que você soubesse que o vosso Lord M, que você considera um santo, e que por acaso é vosso primeiro-ministro, não só passa as noites com a vossa camareira como também se esconde com ela pelos cantos do jardim…" A duquesa finalizou e saiu.
Victoria queria dizer alguma coisa que lhe permitisse ficar por cima daquela situação, mas ela não conseguiu articular mais nenhuma palavra.
A estadia em Claremont tinha-se tornado em algo pesado e Victoria não queria mais estar ali. Ao contrário do que ela tinha imaginado não tinha sido possível mais do que passar uma única noite com William. A mãe dela tinha vindo com suspeitas perigosas, William tivera de partir e agora ainda havia esta história perturbadora passada nos jardins…William tinha beijado Skerrett no jardim como a tinha beijado a ela? Não, não era possível! Era horrível demais!
Victoria regressou a Londres sem aviso prévio e deixando a mãe para trás. Quando a duquesa descobrisse estaria sozinha em Claremont. Já não havia paciência!
Skerrett estava a escovar o longo cabelo de Victoria.
A camareira olhou a rainha refletida no espelho da penteadeira.
Era percetível que a rapariga estava nervosa e que queria dizer alguma coisa.
Victoria pensou que a camareira sabia o que tinha feito e que já sabia que a rainha era conhecedora desse facto. Com certeza a duquesa também tinha falado com ela, dizendo o que tinha visto e que já tinha denunciado o acontecimento à rainha…
Victoria não queria ouvi-la desculpar-se sobre isso. Ela não iria dar a ela a oportunidade de pedir perdão e nem queria ter obrigação de concedê-lo a seguir.
"Não diga nada Skerrett…Não diga nada…" A rainha foi determinada.
E Skerrett nem começou.
Ele viria ao palácio hoje de manhã. Agora, dentro de minutos. Ele tinha escrito a informá-la, mas ela ficara com a informação e não respondera. Isso era incomum e ele iria estranhar, com certeza. Mas ela não sabia o que dizer. O que ela precisava de dizer não podia ser escrito numa carta, tinha de ser dito diretamente. E o que ele gostaria de ler ela não tinha nenhuma vontade de escrever…
Victoria estava ansiosa para que William chegasse e ao mesmo tempo temia esse encontro. Então ela ficou lá na janela, olhando para o exterior e de costas para a porta, para não ter de encará-lo assim que ele entrasse.
A porta abriu e ele entrou.
"Bom dia…" A voz dele soou alegremente.
Doeu não reagir, mas ela não conseguia fazer isso.
Na falta de uma reação pela parte dela, enquanto juntava as mãos atrás das costas e se curvava ligeiramente para a frente, ele acrescentou:
"Ma'am…"
Ela sentiu a provocação no cumprimento formal. Ele fazia isso quando queria brincar com ela ou se achava que ela estava a ter uma postura demasiado distante para uma amante. E hoje ela ainda nem tinha olhado para ele…
"Você beijou-a?" Ela perguntou, permanecendo sem se virar para ele.
"Quem?" Ele fingiu não entender. Embora ele soubesse muito bem de quem ela falava, ele não tinha nenhuma vontade de falar sobre isto e era bom poder adiar a realidade mais alguns segundos.
"Skerrett."
"Não."
"Há testemunhas…" Victoria insistiu.
"Sim."
"Você está a brincar comigo?" Ela perguntou virando-se agora para ele, visivelmente perturbada.
"Não, eu não a beijei e, sim, há testemunhas. Nem tudo é o que parece, Victoria!"
O tom de voz dele mostrava que ele estava incomodado pela desconfiança dela, mas ela não seria capaz de não perguntar…
Ele continuou:
"O que a vossa mãe viu foi uma farsa, uma representação propositada para proteger você…"
"Para me proteger…" Ela observou calmamente, parecendo estar farta de que tudo sempre fosse justificado como um ato de proteção.
"Porque é que você não me informou de que iria fazer isso?" Victoria perguntou, agora indignada.
"E isso seria bom para quê? Para deixar você inquieta ainda antes que isso acontecesse…"
"Se eu soubesse eu não teria sido apanhada desprevenida…Foi um choque…" Ela reclamou franzindo a testa.
Ele aguardou um pouco antes de continuar. Depois, com um pequeno sorriso, ele disse:
"Eu gosto de ver você assim."
"Assim como?" Ela perguntou irritada.
"Com ciúmes de mim."
"Eu sou uma tola por ter ciúme de você, não sou?" Ela perguntou, suavizando a voz.
"O vosso ciúme reforça aquilo que eu sei que você sente por mim…" Disse ele semicerrando os olhos.
Houve um pouco de silêncio, mas depois ela não resistiu a perguntar:
"Você diz que foi apenas uma representação, mas como foi que você fez?"
William aproximou-se de Victoria e envolveu-a nos braços enquanto dizia:
"Primeiro eu agarrei Miss Skerrett desta forma…"
"William!" Victoria repreendeu com indignação.
"Depois eu pressionei-a contra as sebes do jardim." Ele explicou, enquanto empurrava Victoria contra a parede.
"Como é que você se atreveu?" Ela continuou a barafustar.
"E depois eu fiz isto." Ele finalizou, e encostou a boca dele à boca dela.
"E depois?" Ela perguntou ansiosa. Os lábios dela a roçar sobre os dele.
"O que vem depois é só para você." Ele declarou num sussurro.
Ele beijou-a!
Primeiro suavemente, apenas nos lábios, provocando…E depois foi profundo e foi intenso. Ele queria capturar tudo o que havia nela e que ele reclamava para si.
Ele deixava-a tonta de desejo.
"Eu posso beijar o vosso corpo todo…" Disse ele, descendo a boca dele por ela. Queixo, pescoço, atrás da orelha direita, ombro…
"Eu acho melhor não…não agora…" Victoria disse sorrindo e mantendo a cabeça dele entre as mãos.
Ele olhou para ela e perguntou: "Você incendeia-me e depois quer que eu pare?"
"Eu não queria que você parasse, mas é necessário…"
"Nós já nos tivemos várias vezes nesta sala e neste horário." Ele lembrou.
"Mas não hoje, meu amor. Nós precisamos de trabalhar." Victoria notou.
"Agora você está simpática comigo…" Ele disse sorrindo."
Ela sorriu.
Depois ele largou ela, e afastou-se ajeitando a roupa.
Victoria reorganizou-se também e dirigiu-se à mesa de trabalho, enquanto dizia:
"Ela não me contou…"
"Claro que não!"
"Houve um momento em que ela quis falar sobre isso, mas eu já sabia o que tinha acontecido e eu não queria mexer nesse assunto."
"Victoria, essa rapariga não tem culpa. E ela sacrificou-se por você." William lembrou.
"Eu já a recompensei. Ainda antes de saber o que você tinha feito…E eu exigi que a minha mãe ficasse calada."
"Como é que você espera conseguir isso?" Ele perguntou com descrédito.
"Eu ameacei reduzir o financiamento dela para vestidos…"
William riu. E foi acompanhado por Victoria.
Quando William saiu dos aposentos da rainha, duas horas mais tarde, ele viu que Skerrett caminhava no corredor, em sentido contrário ao dele, carregando nas mãos alguma roupa branca dobrada.
Skerrett viu o primeiro ministro a alguma distância e apressou-se para entrar num quarto, evitando assim cruzar-se com ele.
Ele poderia dizer que ela o tinha evitado propositadamente. E, mesmo com alguma distância, ele também podia perceber algo no semblante dela que ele ainda não tinha visto.
William parou no corredor. Depois ele respirou fundo, movimentando o peito e os ombros para cima e para baixo.
Um pensamento passou por ele. Ele costumava dizer a Victoria que os servos eram pessoas como eles. Que também tinham olhos e ouvidos e que percebiam as coisas. E também tinham coração… O que é que ele tinha feito?
William informou Victoria por carta de que precisava de ir para Brocket Hall por 3 ou 4 dias. Alguns negócios reclamavam a presença dele na casa do campo.
Victoria preferia que ele ficasse perto dela, em Londres, mas reconhecia a necessidade de que ele fosse.
Ele partiu.
Passaram-se 3 dias de separação.
E o inesperado aconteceu…
Quando a Rainha chegou à casa do Primeiro Ministro em Brocket Hall, acompanhada por Emma, foi informada pelo mordomo de que His Lordship não se encontrava em casa, pois ele tinha saído para montar a cavalo. A esta hora ele estaria para lá do rio Lea.
William estava do outro lado do rio e ela teria de chegar até lá agora.
Ela iria lá a pé, se ela pudesse, mas Victoria achou que deveria ser mais sensata do que isso e pediu para que a carruagem a levasse até à proximidade da entrada da ponte que cruzava a mancha de água. Depois, sozinha e a pé, ela atravessaria para o outro lado.
Quando a carruagem parou, Emma saiu e auxiliou a Rainha na descida.
A soberana levantou a cabeça para olhar nos olhos de Emma.
Nenhuma palavra foi trocada, mas a lady-in-waiting sabia o que aquela jovem e pequena mulher lhe dizia. Ela estava a agradecer a ela a cumplicidade única, o facto de ela estar sempre lá.
A rainha afastou-se e Emma recolheu-se à carruagem para esperar. O encontro das duas mais altas figuras do império poderia ser breve ou poderia ser demorado…
Victoria caminhou durante alguns metros e depois entrou na ponte.
Passados poucos metros sobre a ponte, ela avistou William em cima do cavalo. Ele dirigia-se na direção dela. Era como se ele estivesse de regresso porque sabia que ela estava lá para falar com ele.
Sozinho em Brocket Hall, ele não usava dos formalismos que eram habituais quando montava a cavalo na presença dela em Londres. Além das calças bege e das botas de montar, William vestia apenas a camisa e um colete desabotoado. As mangas da camisa estavam enroladas para cima e o colarinho estava aberto.
William piscou os olhos algumas vezes. Era demasiado surpreende para ser verdade. Victoria estava ali. Alguma coisa de grave ou urgente tinha acontecido em Londres. Alguma coisa que implicava que ela se deslocasse pessoalmente em vez de enviar uma nota. Ou talvez ela quisesse apenas fazer-lhe uma surpresa. Ele sabia que ela tinha a dose de loucura certa para isso.
Instintivamente, ele passou a perna direita sobre o pescoço do cavalo e saltou para o chão. E depois ele apressou-se para ela.
Victoria começou por apressar o passo, mas depois ela não aguentou a limitação e correu para ele.
William correu para ela nos últimos metros.
Eles embateram um no outro e abraçaram-se.
"William!" Victoria exclamou.
Ela estava ansiosa. Ele podia perceber. Mas ele ainda não conseguia distinguir se o motivo que a trazia ali era agradável ou não para ambos.
O coração dela batia com muita força.
Eles afastaram-se um pouco para recuperar o fôlego, mas mantiveram o embrace.
Victoria olhou para William enquanto apoiava as mãos nos lados das costas dele, sentindo o acetinado frio do tecido das costas do colete debaixo do calor das mãos dela.
"Victoria! Você aqui? O que aconteceu, meu amor?" Ele perguntou.
"Eu precisava de falar com você…" Ela esforçou-se para conseguir falar.
"O quê? O que se passa?"
O rosto de Victoria suavizou-se e ela sorriu para ele com ternura. Pela primeira vez, desde que tinha chegado junto de ele. Depois ela disse:
"Eu tenho uma coisa muito importante para contar para você…"
Ele sentiu um aperto violento no estômago e que o coração tinha disparado sem que ele lhe tivesse dado ordem para isso.
Os olhos de William perscrutaram os olhos de Victoria à procura da resposta que ele precisava. E que ele queria ouvir…
"O Dr. Clark diz que eu estou à espera de uma criança…" Ela disse finalmente.
William ficou a olhar para Victoria durante uns segundos.
Então ele puxou-a contra ele e abraçou-a com força.
Victoria sorriu com o rosto no peito dele. Agora ela tinha os braços dele à volta dela e isso era a única coisa de que ela precisava desde que o médico tinha proferido aquela novidade.
Toda a energia que o mantinha vivo, e acordado, e de pé, estava a liquidificar-se e a escorrer por ele, esvaindo-se sem que ele pudesse recuperá-la.
William caiu de joelhos, arrastando Victoria com ele até ao chão.
Depois ele acabou por se sentar no tabuleiro empoeirado da ponte, com a pernas dobradas sob o corpo, mantendo Victoria envolvida nos braços e colocando-a parcialmente no colo.
"Você está bem, meu amor?" Ela perguntou um pouco preocupada, mas acreditando que não havia motivo para uma preocupação real. Ele estaria apenas a integrar o que ela acabara de dizer.
De olhos fechados, ele beijou a cabeça dela e depois disse:
"Eu estou maravilhado…"
Victoria relembrou como os acontecimentos se tinham precipitado:
Depois que William tinha deixado Londres, ela tinha-se sentido indisposta.
Ela não queria dizer nada para não preocupar ninguém, mas o mau estar continuou e ela teve de revelar que não se sentia bem.
Embora relutante, Victoria tinha aceitado a sugestão de Lehzen para que permitisse ser vista pelo médico.
Depois de falar com ela, o Dr. Clark não teve dúvidas quando declarou:
"Vossa Majestade, o império deve alegrar-se porque em breve terá um herdeiro!"
Ela não sabia como as mulheres se sentiam quando recebiam a notícia de que esperavam um filho, nem sabia o que seria ser mãe. Ela não tinha desejado isso, mas sabia que era inevitável. Ela só podia ficar feliz por William, mas ela também estava apreensiva sobre o futuro. Havia um segredo que envolvia a conceção dessa criança e só ela era detentora dele neste momento. Isso era um peso que ela precisava de partilhar para que se tornasse mais leve, e uma alegria que ela queria muito dar a William. Antes disso ninguém poderia saber. William deveria ser a primeira pessoa a saber a novidade e ele estava tão longe… Pela primeira vez ela sentiu o medo de que ele um dia faltasse, pela primeira vez ela sentiu o peso da inevitabilidade de um dia ficar sozinha com aquele filho… Ela só queria chorar e que William pudesse estar ali para a abraçar naquele momento.
Disfarçando como se sentia sozinha e assustada, a Rainha pediu segredo sobre a atual condição dela, ao médico. Victoria forjou a desculpa de que queria dar pessoalmente essa alegria ao Príncipe, que estava ausente, e antes disso ninguém deveria saber.
Obviamente o médico estava obrigada a manter sigilo.
E na primeira oportunidade em que se sentiu melhor, Victoria pediu, mais uma vez, a cumplicidade de Emma para ir a Brocket Hall.
E agora aqui estavam os braços dele ao redor dela e o medo, o vazio e a solidão tinham sido dissipados. Só ele tinha esse poder sobre ela.
"Você sente-se bem?" Ele perguntou, segurando o rosto dela entre ambas as mãos.
Victoria movimentou a cabeça afirmativamente e disse:
"Agora sim. Mas eu senti-me mal e enjoada nos últimos dias e foi por isso que eu chamei o médico. Então, depois de me observar e de fazer algumas perguntas ele concluiu que eu estou…"
William abraçou-a de novo e fechou os olhos.
"Você está com medo?" Ele perguntou.
"Um pouco, mas eu tenho você…"
Ele colocou-se de pé, levando a que ela se levantasse também.
William segurou ambas as mãos de Victoria entre as mãos dele, olhou para ela e perguntou:
"As vossas regras tinham faltado? Você não me disse nada…"
"Não…quer dizer, isso ficou um pouco estranho nos últimos meses, mas eu tinha sangramento…Era menor…O Dr. Clark diz que pode acontecer nos primeiros meses de gestação."
"Eu entendo…"
Depois de um momento de silêncio ela perguntou:
"O que é que nós vamos fazer agora? Eu devo escrever para Albert para dizer o que está acontecendo?"
Você deve escrever para ele sim, mas não diga ainda o que está acontecendo. Diga-lhe que é urgente que ele regresse, que um assunto de Estado da mais elevada importância reclama a presença dele em Londres.
Nota: Este é um capítulo um pouco menor, mas achei que era melhor publicar agora e não demorar mais ... Considere-o também como um presente de Natal, porque não poderei escrever outro capítulo antes disso. Lol. Novo capítulo apenas em 2020!
