Disclaimer: Harry Potter não me pertence e tudo que vocês reconhecem pertence a J.K. Rowling.
Chapter Forty Two – Realms of the Erised
(Os Reinos de Ojesed)
O silêncio ecoou na sala e os dois bruxos se olharam. Diante dos olhos de Harry, o cabelo vermelho começou a mudar de cor e a crescer. A barba desapareceu, revelando o rosto desfigurado de Lucius Malfoy.
Harry tentou ignorar o estado em que o outro estava. Era evidente que já tivera dias melhores. O homem cansado lhe lançou um pequeno sorriso.
"Eu devia ter imaginado que você veria através do meu disfarce," disse ele em sua voz normal. Qualquer glamour que tenha usado para disfarçar a aparência e a voz foi removido.
"Sim, bem, você não combina de cabelo ruivo," respondeu Harry.
Lucius sorriu novamente e uma pequena risada lhe escapou. Ele olhou para Harry e seus olhos mostraram as emoções que enfrentava.
"Como esteve, Harry?"
Harry olhou para ele antes de se virar para fitar o amigo em coma.
"Não poderia estar pior," respondeu ele com honestidade.
Lucius foi até a cama do filho e olhou para ele também.
"Eu vim logo que descobri," disse ele, passando a mão pelo cabelo de Draco. Harry nunca tinha visto o Malfoy mais velho agir de forma tão paternal antes.
"Você demorou," disse Harry, sua tentativa de esconder o tom acusatório era inútil.
Lucius o encarou, os olhos cinzentos perfurando os esmeralda.
"Não é tão simples quanto pensa," disse ele com cuidado.
"É bastante simples. Você fugiu. Esteve escondido enquanto sua família sofria," respondeu Harry.
Lucius desviou o olhar e virou as costas, sem querer encará-lo.
"Minha família me deserdou muito antes de eu fugir. Eu não sabia que estavam esperando por mim," disse ele em uma voz cheia de ressentimento.
Harry não disse nada. Ambos ficaram ao lado da cama de Draco em silêncio. Depois de alguns minutos, Harry falou.
"Onde você estava?"
Lucius se virou para encará-lo, um sorriso forçado no rosto.
"Eu decidi seguir seu exemplo e fui para o mundo trouxa. Achei que ninguém me procuraria lá e estava certo."
Harry olhou espantado para ele. Lucius Malfoy, aristocrata e avesso a trouxas e nascidos trouxas, estava vivendo como um trouxa! Harry sabia que para Malfoy, que era puro-sangue, viver como trouxa deve ter sido uma experiência terrível e torturante.
"Como foi essa experiência para você?" perguntou Harry, tentando afastar o sorriso do rosto.
"Não consegue ver?" indagou ele, gesticulando para seu estado irregular.
"Consigo, mas será muito melhor ouvir isso de você pessoalmente," respondeu Harry.
Lucius parou para olhar para o adolescente.
"Você ainda gosta de se divertir com minha miséria, não é?"
"Algumas coisas nunca mudam," respondeu Harry com um sorriso.
Lucius sorriu com isso.
"Sim, algumas coisas nunca mudam," repetiu o loiro com um sorriso triste.
Harry e Lucius passaram as duas horas seguintes se atualizando sobre o que estava acontecendo. Harry lhe contou sobre o impostor do Príncipe das Trevas e que ele era responsável pela condição de Draco. Lucius ficou visivelmente aturdido. Estava furioso quando Harry terminou de contar novamente o relato do ataque de Draco.
"Ele pagará pelo que fez ao meu filho! Eu vou cuidar disso!" enfureceu-se ele, levantando-se para andar pela sala.
Harry revirou os olhos.
"Sim, bem, já que não pode nem sair deste quarto sem usar glamour, acho que a vingança terá que esperar," repreendeu Harry.
Lucius o ignorou e continuou a andar de um lado para o outro. Ele só parou quando se virou para olhar para Draco.
"Eu nunca pensei que algum dia o veria machucado assim. Tomei providências para que Draco nunca sofresse nenhum dano." Ele olhou para Harry e viu que o rapaz entendia a que se referia.
"Como ser meu amigo," disse Harry em voz alta.
Lucius assentiu com força. Ele soltou um suspiro e agarrou-se à beirada da cama do filho.
"Eu sempre achei que, sendo seu amigo, Draco nunca se machucaria. Nunca na minha vida achei que essa seria a razão para ele se machucar."
Harry sentiu o rosto corar, mas não disse nada. Lucius estava certo. Draco estava ali por causa dele. Se Draco não tivesse ajudado a resgatá-lo no ano anterior, não estaria nessa bagunça.
"Eu não culpo você, Harry," acrescentou Lucius ao ver o olhar no rosto do rapaz. "Estou só impressionado com a virada dos eventos."
Harry olhou para o relógio do quarto e viu que estava ali há quase três horas.
"Melhor irmos embora. Os medibruxos podem entrar para examiná-lo," disse Harry.
Imediatamente, Lucius sacou a varinha e aplicou o glamour que mudou seu cabelo para vermelho e fez a barba aparecer em seu rosto.
"Espero te ver de novo, Harry," disse ele enquanto se dirigia à porta.
Ele não se afastara muito quando Harry o bloqueou, olhando incrédulo para ele.
"Acha que vou deixar você ir?" perguntou Harry.
"O que quer dizer?" perguntou Lucius, confuso sobre o que Harry queria fazer com ele.
"Você não vai voltar a viver como um rato de rua trouxa! Você vem comigo," disse Harry.
Lucius balançou a cabeça devagar.
"Não posso. É muito arriscado. O Ministério..."
"Está muito ocupado limpando a própria bagunça para prestar atenção," interrompeu Harry. "Não vou deixar você ir embora. Precisa estar aqui, por Draco e por Narcissa."
À menção de sua esposa, Lucius ficou tenso. Depois de um momento, ele perguntou.
"Como ela está?"
"Arrasada. Como imaginou que ela estaria?" respondeu Harry.
Lucius abaixou a cabeça novamente.
"Onde está planejando me levar?" perguntou ele.
Harry sorriu.
"Aos seus parentes."
xxx
Sirius olhou para o homem loiro de pé diante dele. Ele se virou para o afilhado e depois para o homem de cabelos loiros.
"Você deve estar brincando!" disse ele depois de alguns instantes.
"Não estou não. Estou falando sério," respondeu Harry.
O atestado de como Sirius estava chocado foi que não respondeu com o usual 'você-não-é-sério-eu-sou-Sirius.' Em vez disso, ele olhou para Harry como se ele estivesse louco.
"Você quer que eu deixe ele ficar comigo?! Ele!? Um Comensal da Morte!" disse ele indignado.
"Ex-Comensal da Morte," corrigiu Harry.
"Harry, você está maluco! Ele não pode ficar comigo!" gritou Sirius novamente.
"Eu te disse que essa seria a resposta dele. É melhor eu ir embora," disse Lucius e fez menção de sair, mas Harry o impediu. Ele se virou para encarar as outras três pessoas na sala. Seus pais o olhavam com a mesma expressão de Sirius. Damien parecia estar gostando da cena. Estivera morrendo de tédio ultimamente, aquilo era definitivamente divertido.
Harry levara Lucius Malfoy à Mansão Potter e pedira a Sirius que viesse para lhe pedir um favor. Seja o que for que seu padrinho estivera esperando, não era isso. Harry lhe pedira para dar refúgio ao infame Lucius Malfoy!
"Harry, uma palavrinha, por favor!" disse Lily, acenando para a cozinha.
Harry seguiu a mãe, seu pai e Sirius até a cozinha, deixando Damien sozinho com Lucius.
"O que você acha que está fazendo?!" perguntou Lily assim que eles entraram.
"Estou ajudando um amigo," respondeu ele.
"Você está ajudando Malfoy!" sibilou Sirius para ele.
"Eu sei quem ele é!" zombou Harry em resposta.
"Harry, não pode estar falando sério sobre pedir permissão para Malfoy ficar em Grimmauld Place. Quer dizer, para começar, é o quartel-general!" disse James baixinho.
"Exatamente! É o último lugar que alguém procurará por Lucius Malfoy," respondeu Harry.
James parou para fitar o filho. 'Bom argumento' pensou.
"Harry, não vou deixá-lo morar na minha casa! Não tem como!" disse Sirius.
"É uma mansão grande o suficiente. Por que não?" perguntou Harry.
"Ah, meu Deus, você está realmente me pedindo um motivo? Que tal meia dúzia? Ele é um idiota arrogante, preconceituoso, ele é um Comensal da Morte, ele abandonou a esposa, que por acaso é minha prima, ele tem matado e torturado pessoas a vida toda, nós sempre nos odiamos e ele é um maldito Malfoy!" Sirius parou para respirar. "Me dê uma boa razão para ajudá-lo!"
Harry olhou para Sirius antes de responder.
"Ele me ajudou." Os três adultos o encararam. "No ano passado, na Mansão Riddle. Lucius me ajudou quando ninguém mais o fez. Eu nunca vou esquecer seu ato de bondade e não me importo com o que os outros pensam dele. Vou ajudá-lo quer vocês me apoiem ou não," afirmou ele friamente.
James também se lembrou de como Malfoy falara a palavra 'Hogsmeade' para ele quando Voldemort desaparecera com Harry. James poderia ter chegado ao vilarejo eventualmente, mas teria sido tarde demais.
Sirius olhou para o amigo, obviamente pedindo ajuda. Ao ver sua expressão, ele hesitou. Ele olhou de volta para a expressão determinada de Harry.
"Ah, droga!" Sirius xingou e saiu da cozinha.
Harry sorriu e o seguiu, James e Lily saindo por último.
"Tudo bem, Malfoy, você pode ficar," disse Sirius com os dentes cerrados.
"Maravilha," falou Lucius com um sorriso de escárnio.
Sirius se virou para encarar o afilhado. Só estava fazendo isso por ele, mas o mínimo que Malfoy podia fazer era demonstrar sincera gratidão. Harry lançou a Sirius um olhar pacificador. Sirius apenas dirigiu a Lucius um olhar de abuso antes de disparar em direção à porta. Lucius aplicou o glamour antes de segui-lo.
Quando saíram, Sirius se virou para ele.
"Escute aqui, Malfoy! Eu só estou fazendo isso por Harry. Eu amo meu afilhado e isso obviamente significa muito para ele. Mas, eu juro por Merlin, se fizer qualquer gracinha, vou te azarar até a morte antes de jogá-lo na porta do Ministério! Entendeu!?"
Lucius olhou calmamente para o agitado Sirius antes de dizer preguiçosamente.
"Sabe, para um vira-lata, você late demais." Dito isso, ele seguiu em frente, com o nariz empinado.
Sirius murmurou alguns palavrões antes de segui-lo.
xxx
Foi no café da manhã que a coruja chegou. Ela bateu na janela de forma agressiva, já que os feitiços acrescentados por Harry não as deixavam mais entrar voando na Mansão. James se levantou da mesa e foi até a janela. Ele tirou a carta da coruja aborrecida e deixou-a voar, piando o que só poderia ser descrito como uma reclamação.
James viu que havia duas cartas; uma endereçada a Harry, outra a Damien. Ele sabia o que eram. Podia dizer pela tinta verde. O pai entregou a carta de Hogwarts a Damien e colocou a de Harry ao lado de seu prato, esperando que seu filho descesse para o café da manhã.
Damien abriu a carta preguiçosamente e demorou alguns minutos para ler.
"A lista de livros cresce a cada ano," comentou ele enquanto descuidadamente jogava a carta de lado.
Lily a pegou e olhou também.
"É seu quinto ano, seu ano dos N.O.M.s. É natural que precise de mais material," disse ela.
Harry entrou alguns instantes depois e sentou-se, começando seu café da manhã. Ele olhou para o envelope ao lado do prato, com seu nome na frente, mas não fez nenhum movimento em direção a ele. James e Lily esperaram impacientemente. Harry concluíra Hogwarts, sua carta não era a de costume, informando os alunos sobre o próximo ano letivo. Isso significava que era o resultado de seu exame. Mas parecia que o rapaz não se importava. Ele não dispensou um único olhar para o envelope sobre a mesa da cozinha.
Damien também esperou, antes de olhar para os rostos fervorosos de James e Lily.
"Ah, pelo amor de Merlin, Harry! Abra logo isso!" disse ele divertidamente para o irmão.
Harry tirou os olhos do prato e sorriu para eles.
"Para quê? Não faz diferença alguma para mim," disse ele enquanto se servia de um copo de suco e se sentava, bebendo lentamente.
"Sim, mas se não abrir logo, mamãe vai implodir de impaciência," respondeu Damien, fazendo Lily franzir o cenho para ele.
Harry sorriu e pegou a carta. Ele abriu agonizantemente devagar só para fazer James e Lily sofrerem. Só quando James soltou um pequeno "vamos lá!" foi que Harry retirou o papel do envelope. Ele sorriu ao ler a carta. Sem uma palavra, o rapaz entregou a carta à mãe, que a pegou ansiosamente. Seus olhos se iluminaram de orgulho quando viu todos os 'Ótimo' ao lado da lista de N.I.E.M.s. que ele prestara.
"Ah, Harry! Tudo 'Ótimo,' muito bem! Estou tão orgulhosa de você!" Ela sorriu.
Harry apenas sorriu e deu uma olhada em seu pai. James parecia que acabara de assistir ao melhor jogo de quadribol. Ele brilhava de orgulho. Damien deu um soco no braço de Harry e sorriu para ele também.
De repente, o sorriso de Lily sumiu ao examinar a carta de perto.
"Espere, tem algo errado aqui." Ela contou as notas que Harry recebeu e olhou para ele. "Está faltando uma. Feitiços não está aqui," disse ela, olhando para a carta novamente para ter certeza.
Harry desviou o olhar e, de repente, sentiu o rosto esquentar.
"Hum, mãe!" sussurrou Damien com um olhar significativo.
De repente, Lily e James lembraram por que Feitiços não estava na carta. Eles olharam horrorizados para Harry e depois um para o outro. O garoto não pôde prestar o último exame, que era o de Feitiços, pois foi na noite anterior a que encontrou o cadáver de Nagini em sua cama. Estava angustiado demais para fazer a prova. Lily se sentiu muito culpada por trazer aquela lembrança terrível, especialmente em um momento como aquele, quando todos estavam felizes.
"Sinto muito, Harry. Eu não me lembrava," desculpou-se ela com sinceridade.
Harry, como de costume, não disse nada, mas deu de ombros.
"Eu pensei que eles te dariam uma nota em Feitiços, visto que não foi por culpa sua que não pôde prestar o exame. Poderiam facilmente ter te dado nota com base no desempenho na escola," continuou Lily, sem conseguir entender que seu filho tinha um N.I.E.M. a menos.
"Mãe, tudo bem. Não estou nem um pouco incomodado com isso," disse-lhe Harry.
"Ainda assim, parece injusto," reclamou ela, olhando de volta para a carta.
"Vou sobreviver," disse Harry sarcasticamente.
Lily olhou para ele e corou. Harry obviamente tinha outras coisas em mente. Coisas que eram muito mais importantes do que o resultado dos exames. Eles ainda não estavam nem perto de descobrir a identidade do impostor, Harry temia cada dia mais pela segurança de Damien, Draco ainda estava em coma e Lucius Malfoy estava tendo dificuldades em viver com Sirius e Narcissa, que se recusava a falar com o marido. Lily olhou para o filho e sentiu uma agitação de emoções. Harry era realmente uma pessoa muito altruísta. Ele sempre pensava nos outros. Mesmo quando estava com Voldemort, sempre pensava em Voldemort antes de si mesmo. Ela sacudiu esses pensamentos e se levantou para arrumar a mesa.
Quando passou por Harry, deu-lhe um beijo rápido no rosto e o parabenizou pelas conquistas novamente. Harry corou e esfregou o rosto, limpando o local onde ela o beijou. Lily notou que, embora ele estivesse fazendo parecer que estava limpando o beijo, seus dedos se arrastaram sobre o local em sua bochecha.
"Bem, parece que você tem bastante a superar, hein, Damy?" brincou James, pegando a carta dos resultados e dando uma olhada.
Damien gemeu e enterrou a cabeça nas mãos.
"Estou dizendo a vocês dois agora, de maneira alguma vou obter tudo Ótimo nos meus resultados. Tenho uma reputação a zelar!" brincou ele.
James e Lily riram com isso, mas Harry olhou ao redor lentamente para Damien e por um minuto apenas o encarou. Seus olhos viram a carta aberta ao lado do mais novo e ele reconheceu o brasão da escola no envelope rasgado.
"Também estou lhe avisando, Sr. Potter. Sem mais brincadeiras. A partir de agora, tem que prestar atenção nos seus estudos," repreendeu Lily em um tom de voz leve.
"Que isso, mãe. É Hogwarts. Mal posso esperar para voltar e pregar uma peça em Madame Norris e seu animal de estimação, Flich!" respondeu Damien.
"Você não vai."
Os três Potter se voltaram para olhar para quem falara. Harry ainda estava sentado, mas seu corpo estava, de repente, muito mais tenso. A carta de Damien estava em suas mãos, mas ele não estava lendo. Damien piscou surpreso para ele.
"Perdão?"
"Eu disse que você não vai para Hogwarts," repetiu Harry, encarando o irmão para mostrar que não estava brincando e que falava sério.
Damien olhou de Lily para James e viu que ambos pareciam tão chocados quanto ele.
"Sinto muito, mas do que você está falando? Claro que vou para Hogwarts," respondeu Damien, tentando impedir que sua raiva assumisse o controle.
"Eu acho que não. Você vai ficar aqui até eu pegá-lo. Não estará seguro em Hogwarts," explicou Harry.
Damien estava prestes a discutir quando James falou.
"Harry, eu acho..."
"Por favor, pai. Você sabe que estou certo. Tudo pode acontecer em Hogwarts. Damien não vai voltar para aquela escola até que o impostor seja pego." O tom de Harry endureceu no final de sua declaração.
"Sinto muito, mas não acho que você possa decidir!" Damien quase gritou. "Independentemente de como aja, Harry, você não é meu pai!"
"Estou perfeitamente ciente de quem é o nosso pai!" Harry voltou-se para ele.
"Garotos, garotos. Acalmem-se, o.k.?" disse Lily, correndo para frente. A atmosfera estava tão relaxada e divertida há poucos minutos. De repente, os dois irmãos estavam se engalfinhando.
"Pai! Você não vai dar ouvidos a ele, não é?" perguntou Damien, virando-se para James.
"Olhe, Damy, Harry tem razão..." foi tudo que James conseguiu dizer antes de Damien explodir. Ele se colocou de pé.
"Não posso acreditar nisso! Você está do lado de Harry?" gritou ele.
"Eu não estou do lado dele, só estou dizendo..." começou James.
"Eu sei o que vai dizer! 'É para o meu próprio bem. Minha segurança!' Estou cansado disso! A única coisa que me ajudou a suportar isso foi pensar na minha volta a Hogwarts. Pensei que poderia aguentar ficar dentro de casa por tanto tempo, porque quando voltasse à escola, teria minha liberdade de volta!" gritou Damien em frustração.
"Damien, eu não estou dizendo que não pode voltar. Só estou dizendo que tem que ficar aqui até eu pegá-lo," explicou Harry, um pouco mais calmo.
"E quando é que vai pegá-lo? Quanto tempo vai levar? Caia na real, Harry. Você não tem nada sobre ele. Nada mesmo. Nós sequer temos um nome! Só as iniciais. Quanto tempo vai levar para você rastreá-lo e pegá-lo?" perguntou Damien, olhando com raiva para o irmão.
"Isso é inaceitável, Damien. Você sabe o quanto Harry está trabalhando, o quanto todo mundo está trabalhando para encontrar esse cara. Mais cedo ou mais tarde, vamos pegá-lo," disse James.
Damien se acalmou um pouco e se virou para Harry.
"Eu sei disso. Eu sei que está tentando, mas, Harry, você não pode me manter escondido para sempre. Nem acho que ele estava falando sério sobre me pegar. Acho que ele só disse isso para você se concentrar em me manter seguro enquanto ele planejava outra coisa." Damien estivera pensando sobre isso há algum tempo.
"Não importa se ele falou sério ou não, você não vai deixar a Mansão. Não até eu pegá-lo," disse Harry.
Damien se virou para os pais e pediu para que o deixassem ir.
"Papai?"
Com um suspiro cansado, James se virou para os dois filhos.
"Olha, Harry tem razão, no entanto..." acrescentou ele depressa enquanto Damien se preparava para fazer mais birra. "...no entanto, acho que podemos resolver isso para que você possa participar do quinto ano."
Harry virou a cabeça para encarar James enquanto Damien soltou um suspiro de alívio.
"Quê?" perguntou Harry, sem conseguir acreditar que seu pai estava disposto a assumir o risco.
"Eu tenho uma forma de manter Damien seguro enquanto estiver em Hogwarts," disse James, um sorriso estampando seu rosto.
"Ah, e o que é?" perguntou Harry, meio intrigado e meio irritado.
"Eu estarei em Hogwarts," respondeu James.
Tanto Damien quanto Harry encararam James.
"Você vai ser meu guarda. Não, de jeito nenhum!" Damien se opôs imediatamente.
"Eu não disse nada sobre ser um guarda," disse James. "Fui convidado para o cargo de Professor de Defesa Contra as Artes das Trevas."
Damien e Harry olharam boquiabertos para ele. James mantivera aquilo em segredo.
"Quando foi que isso aconteceu?" perguntou Harry.
"Há alguns dias," respondeu Lily, juntando-se ao restante à mesa. "Dumbledore enviou a carta oficial, pedindo para ele se juntar à equipe de Hogwarts."
Harry olhou para James.
"E você vai aceitar o trabalho?" perguntou ele.
"Eu disse a Dumbledore que ia pensar. Mas eu gostava de ensinar. Se eu aceitasse o emprego, significaria que poderia estar lá para ficar de olho em Damien."
Damien estava muito mais feliz com a revelação. Harry, porém, ainda não estava convencido.
"Pai, se vai estar ensinando, então não terá tempo de vigiar Damien. Ainda é muito arriscado."
"Harry, vamos lá!" disse Damien, implorando para que ele desistisse.
"Não! Por que vocês estão agindo como se não fosse grande coisa? Hogwarts é tão importante que você está disposto a arriscar sua vida?" perguntou Harry, virando-se para Damien.
"Não, mas…"
"Mas nada! Você não vai e eu não me importo com o quanto reclame e esperneie. Assim que eu pegar o bastardo, eu mesmo vou levá-lo a Hogwarts." Com isso, Harry se levantou e saiu da cozinha, deixando os demais em um silêncio constrangedor.
xxx
Harry apareceu na sala de estar, seus pés batendo com força no chão. Ele se endireitou e se virou para encarar uma Ginny com uma expressão sombria. O rapaz acabara de voltar da penseira após ver a memória do ataque à garota novamente.
James se aproximou dele, preocupado, ele não parecia muito bem. Harry se sentou e fechou os olhos, tentando afastar a imagem do ataque. Ele agradeceu a todos os deuses por ela ter sobrevivido sem muito dano. Ele assumira um risco terrível. Empurrando esses pensamentos de lado, Harry olhou para James.
"Alguma sorte?" perguntou seu pai, esperando que desta vez ele tivesse conseguido reconhecer o impostor.
Harry sacudiu a cabeça.
"Não, nada," respondeu ele, esfregando a testa em frustração.
"Ah, bem, valeu a tentativa. Não se preocupe, Harry. Vamos pegá-lo," disse James, acariciando seu ombro.
Harry assentiu distraidamente. Eles o pegariam, mas quanto tempo mais demoraria? Damien continuava de mau humor porque o irmão ainda se recusava a deixá-lo voltar à escola.
Ele olhou para cima e viu Ginny sentada ao seu lado. Ela deu-lhe um sorriso tranquilizador.
"Não se preocupe, Harry. Nós vamos encontrá-lo," disse ela baixinho.
Harry desviou o olhar. Estava ficando sem tempo. Precisava encontrar aquele bastardo antes que fizesse qualquer movimento para machucar mais alguém.
"Por falar nisso, a memória estava intacta desta vez?" perguntou James, sentado do lado oposto.
"Sim," respondeu Harry.
Ele ficou surpreso ao ver a memória sem estar distorcida. Parecia que a teoria de James estava certa: se a memória fosse de uma fonte secundária e não da pessoa a quem pertencia, ela ficava distorcida e confusa. Como Harry tirou a memória diretamente de Ginny dessa vez, ele a viu sem problemas.
Um pensamento de repente ocorreu a Harry. Se isso fosse verdade, então talvez a razão pela qual não podia ver Bella adequadamente em seu sonho recorrente era porque essa memória não estava sendo enviada a ele por ela. Talvez o que estava vendo em seu sonho fosse uma lembrança daquela lembrança. Talvez fosse a visão de outra pessoa sobre o ataque que estava sendo projetada para ele. Harry sentiu o coração apertar com o pensamento. Ele sabia, sem dúvida, que só uma pessoa podia ter visto aquela lembrança para enviá-la em seu sonho.
Mas a questão era, por que Voldemort estava lhe enviando essa lembrança? O que havia nela que tinha alguma conexão com Harry? O que Bella tinha a ver com aquilo?
xxx
Harry soltou um grunhido irritado e jogou o papel inútil para longe. Não adiantava. Não importava o quanto estudasse, não estava mais perto de encontrá-lo.
"Harry, você precisa descansar," afirmou Ginny, pegando os papéis que ele espalhara.
"É, cara, você está trabalhando sem descanso. Deveria descansar um pouco," acrescentou Ron.
O grupo de adolescentes estava no quarto de Damien, mais uma vez examinando a papelada e tentando desvendar a identidade do impostor. Harry esfregou os olhos e olhou para o próximo arquivo. Seus olhos estavam vermelhos e ardendo por falta de sono e descanso. Estava gastando cada momento que tinha buscando o falso Príncipe das Trevas.
Damien o observava. Ele se sentia terrível. Sabia que o irmão estava tentando encontrar o impostor antes de primeiro de setembro, para que ele pudesse ir a Hogwarts sem qualquer ameaça. O menino se sentiu muito culpado por adicionar esse estresse a um Harry já irritado.
Harry estava ficando cada vez mais ansioso com o passar do tempo, e não estava mais perto de descobrir quem era esse impostor. O único suspeito que tinham era o bruxo Cole Bailey. Harry pediu a Remus e Sirius para procurar qualquer coisa que o Ministério tivesse sobre Cole Bailey, mas eles voltaram sem nada. Não havia nada sobre ele. Era como se um bruxo com esse nome nunca tivesse existido. Harry até perguntou a Lucius, mas ele também não ouvira falar dele. Ele, então, pediu a Hermione para ver o que poderia obter de fontes trouxas. O impostor cometera um erro quando ameaçou Harry. Ele fizera um telefonema. Usara tecnologia trouxa, indicando que estava familiarizado com itens trouxas. Harry tinha certeza de que era nascido trouxa.
Hermione estava com Sirius no mundo trouxa, fazendo o que o amigo havia lhe pedido.
"Harry, vá se deitar," disse Damien baixinho ao ver como o irmão lutava contra o cansaço.
"Eu vou dormir o quanto quiser depois que o pegar," respondeu Harry.
Damien suspirou e se levantou. Ele caminhou até o irmão e afastou o arquivo de seus dedos.
"Eu juro que se não for para a cama, eu vou te azarar e te forçar a dormir!" ameaçou ele.
"Damy..."
"Harry, por favor. Sinto muito pelo que eu disse sobre ir a Hogwarts. Juro que não vou até você encontrá-lo. Mas não precisa fazer isso. Vá descansar, você está literalmente caindo de sono. Descanse um pouco e depois continuaremos procurando."
"Estou esperando por Hermione..." começou Harry.
"Nós te acordamos quando ela chegar," disse Ron imediatamente.
Harry tentou argumentar, mas o cansaço o estava alcançando. Ele desistiu quando Ginny o arrastou para o quarto e o guiou para a cama.
"Não precisa me cobrir," disse Harry, lutando contra um bocejo.
Ginny apenas sorriu e o beijou.
"Durma," ordenou ela e saiu do quarto, fechando a porta gentilmente.
Os olhos de Harry se fecharam por conta própria e ele adormeceu em questão de segundos.
xxx
Harry apertou os olhos contra o brilho intenso do sol. Ele olhou em volta e viu que estava em um parque. Parecia um parque trouxa. Havia crianças em todo canto, brincando nos balanços, uma correndo atrás da outra no gramado, em fila diante da van de sorvete. Os pais das crianças estavam sentados na grama, observando e rindo ao verem seus filhos brincar.
Harry olhou em volta, espantado. Sabia que estava sonhando já que nunca estivera em um parque trouxa antes. Ele caminhou entre as crianças risonhas que brincavam, alheias à sua presença e observou, fascinado, os acontecimentos ao seu redor.
Alguns passos à frente dele estava um jovem. Ele parecia um pouco mais velho do que Harry, devia ter dezenove ou talvez vinte anos de idade. Ele estava encostado nas grades verdes que cercavam o parque e observava a cena com tanto interesse quanto Harry.
Harry o viu e por um momento olhou para o jovem. Ele observou a aparência familiar, uma figura alta e magra, cabelos negros, traços bonitos e olhos verdes marcantes. Harry ficou surpreso ao ver os olhos verdes. O jovem olhou para Harry e quando seus olhos se encontraram, Harry sentiu uma emoção de familiaridade atingi-lo. O jovem desviou o olhar com um sorriso no rosto.
Harry desviou o olhar também e se perguntou o que estava acontecendo. Ele arriscou outro olhar para o rapaz de cabelos escuros e viu que ele ainda sorria.
"Eu acho que você gosta mais dessa aparência do que da outra," disse o rapaz quando se virou para encará-lo com um sorriso no rosto.
Harry sentiu como se o chão sob seus pés tivesse sumido. Ele olhou para o rapaz, boquiaberto com a visão. Podia reconhecer aquele sorriso em qualquer lugar.
"Voldemort?" perguntou Harry, sem fôlego devido ao choque.
"Tom Riddle, na verdade," respondeu o rapaz de cabelos escuros, ainda sorrindo.
xxx
Ginny, Ron e Damien estavam estudando silenciosamente no quarto de Damien. Cada um absorto em um arquivo ou papelada à sua frente. Eles estavam tão concentrados que não ouviram a campainha tocar no andar de baixo.
James abriu a porta e se deparou com algo estranho. Hermione e Sirius estavam de pé na porta, junto com o ex-Comensal da Morte de cabelos loiros.
"Malfoy?" perguntou James, olhando para ele em completa surpresa.
"Potter. Podemos entrar agora?" perguntou o outro um pouco irritado.
James conduziu os três para dentro, olhando para eles como se estivessem loucos.
"Do que está brincando? Não pode andar por aí assim à luz do dia! E se alguém te visse?" perguntou ele ao homem.
"Não há tempo para se preocupar com isso," disse Lucius, ignorando-o. "Temos problemas maiores."
James viu o olhar de preocupação e pânico em todos três e sentiu o coração acelerar.
"Vocês o encontraram, não foi?" perguntou ele.
"Sim. James, você não vai acreditar nisso," respondeu Sirius gravemente.
xxx
Harry encarou o jovem Voldemort, Tom Riddle, surpreso e chocado.
"Sério, não precisa ficar olhando," disse Tom enquanto Harry ainda não falara nada.
Harry saiu do seu torpor e deu um passo para trás.
"Como isso é possível?" perguntou Harry.
Tom desviou o olhar do rapaz e examinou o que o rodeava, seus olhos, tão semelhantes aos de Harry, examinando a área. Harry olhava para o jovem Voldemort. Definitivamente era ele. Mas seus olhos ainda eram da cor natural, ainda não tinham ficado vermelhos.
"Por que está aqui?" perguntou Harry, recuperando alguns dos seus sentidos.
Tom se virou para ele.
"Eu acho que a pergunta é: por que você está aqui?"
Harry olhou à volta novamente e desta vez seus pensamentos estavam claros para serem lidos em seu rosto. Tom riu, fazendo-o se afastar para olhá-lo.
"Não, Harry. Não estamos no inferno."
Harry sentiu seu coração dar cambalhotas no peito quando ouviu Voldemort proferir seu nome novamente. Não era como em seus pesadelos; não havia malícia ou ódio na voz, apenas conforto e uma sensação familiar.
"Onde estamos, então?" perguntou Harry, sua voz soando estranhamente calma para o que estava sentindo.
"Chama-se de Reino de Ojesed," afirmou Tom. "É um lugar onde se é levado aos seus desejos mais profundos."
Tom não olhava para Harry enquanto falava. Seus olhos estavam fixos em um ponto à sua frente. Harry seguiu a direção de seu olhar e viu duas pessoas, um homem e uma mulher, sentados na grama, rindo e sorrindo amorosamente para uma criancinha. A criança tinha cabelos negros e olhos verdes marcantes. Ele parecia ter cerca de três ou quatro anos de idade. O menino tentava correr em círculos ao redor deles, mas o homem o agarrava quando passava por ele. O homem de cabelos escuros ria enquanto fazia cócegas na criança, que gritava de felicidade. Harry viu que o belo homem de cabelos negros tinha uma estranha semelhança com Tom Riddle. Ele olhou para a mulher loira sentada ao lado dele e de repente soube quem eram. Eram Tom Riddle sênior e Merope Gaunt. Os pais de Voldemort.
Harry olhou para o garoto de cabelos escuros parado ao seu lado e viu que ele olhava para a criança pequena, que ainda ria e brincava com seus pais, com um olhar ansioso. Tom olhou para Harry e sorriu.
"O abandono talvez seja o medo de toda criança," disse ele em explicação.
Harry não sabia o que dizer e então apenas encarou a cena diante dele. Nunca pensara no que havia sob o exterior de Voldemort, ele ainda ansiava pela única coisa que lhe foi negada: os pais.
"Por que estou aqui?" perguntou Harry com dificuldade.
"Eu te trouxe aqui," respondeu Tom, desviando o olhar de seus pais e concentrando toda sua atenção em Harry.
"Por quê?" perguntou Harry. "Me assombrar toda noite não era o suficiente? Por que me trouxe aqui?"
Tom olhou para Harry com cuidado.
"Foi isso que pensou que eu estava fazendo? Te assombrando?" perguntou ele, verdadeiramente surpreso.
Harry ficou surpreso.
"Não estava?" perguntou ele.
"Eu não estava te assombrando. Estava tentando alcançá-lo. Mas toda vez que você detectava minha presença, sua culpa assumia, te fazendo ver o que não queria. Foi sua própria culpa que te atrapalhou. Eu não fiz nada com você."
Harry o encarou, sem saber se podia confiar nele. Todos aqueles pesadelos e visões de Voldemort morrendo que teve, tudo isso era por sentir culpa? Não era Voldemort tentando levá-lo à loucura?
"Por que estava tentando entrar em contato comigo se não queria me assombrar?" perguntou Harry com dificuldade.
"Porque você precisava de mim," respondeu Tom com um sorriso brincalhão no rosto.
Harry não disse nada. Era verdade. Precisava dele. Até mesmo agora, precisava dele.
"Por que ia querer me ajudar depois do que aconteceu? Eu... eu matei você." Harry quase sussurrou a última parte.
Tom não falou nada. Ele olhou para a imagem fabricada do que sua infância poderia ter sido se seus pais estivessem com ele. Depois de alguns momentos, ele falou.
"Eu o matei." Ele gesticulou para Tom Riddle sênior. "Eu o matei, assim como matei meus avós. Foi um dos assassinatos que achei ser justificado."
Harry tornou a olhar para a imagem do pai brincalhão com seu filho e olhou de volta para o Tom Riddle adolescente. Ele entendeu o que o outro estava tentando dizer. Embora Voldemort tenha matado seu pai, isso não mudou seu desejo mais profundo. Ele ainda queria o amor de seu pai, mesmo quando na realidade tenha sido responsável por sua morte.
Harry sentiu como se um peso tivesse saído dele. A culpa que o atormentava desde a morte de Voldemort de repente evaporou. Ele olhou para Tom e pôde ver o pequeno sorriso em seus lábios.
"Por que me trouxe ao Reino de Ojesed?" perguntou Harry, sentindo-se muito mais relaxado do que antes.
"Era o único lugar para o qual eu podia te trazer para ajudá-lo," respondeu Tom.
"Você não fica aqui?" perguntou Harry, pensando que talvez fosse o lugar onde Tom Riddle estivera o tempo todo.
Algo cintilou nos olhos de Tom e ele desviou o olhar.
"Não, Harry. Eu não pertenço aqui." Seu tom era baixo. Desde que Harry chegou ali, foi a primeira vez que seu sorriso desapareceu.
Harry não queria perguntar aonde ele pertencia. Já sabia a resposta e não suportava pensar nisso.
"Sua ajuda seria essencial no momento," disse Harry, recostando-se nas grades, a cabeça baixa. "Eu tentei de tudo, mas ainda não consigo chegar a esse impostor que está me ameaçando. Não sei mais o que fazer," disse Harry desanimado.
"Vamos, Harry. Não pode me dizer que ainda não descobriu," disse Tom, seu sorriso de volta no rosto.
Harry olhou para ele, surpreso.
"Você sabe quem é?" perguntou ele.
Tom apenas sorriu e de repente começou a se afastar.
"Ei!" gritou Harry, correndo atrás dele. "Aonde você vai?"
Tom continuou andando e não diminuiu a velocidade. Harry correu atrás dele, esquivando-se da criança.
"Voldemort! Tom! Espere!" gritou Harry.
De repente, Tom parou no meio do parque. Harry o alcançou.
"O que aconteceu? Onde estava indo?" perguntou Harry.
"Te dar a resposta," respondeu Tom.
Harry não sabia do que ele estava falando até sentir uma sombra cair sobre ele. Ele olhou para frente e a visão tirou seu fôlego. De pé à sua frente, sorrindo para ele, estava Bellatrix Lestrange.
Harry não conseguiu encontrar palavras para falar. Ele apenas a encarou, descrente. Bella se aproximou para ficar diante dele, seu sorriso tão triste que fez Harry querer desviar o olhar, mas não o fez.
"Eu não entendo," sussurrou Harry.
"Estamos aqui porque você quer que estejamos aqui, Harry," explicou Tom. "Foi seu mais profundo desejo de estar conosco que nos permitiu vir aqui. Eu tenho tentado fazer com que venha comigo desde o ano passado para mostrar o que precisa saber. Você deve ter lidado com sua culpa, já que conseguiu vir comigo hoje."
Harry nunca teve chance de perguntar a Tom sobre o que ele estava falando, pois naquele exato momento Bella estendeu a mão e tocou sua cabeça. Seus dedos tocaram a têmpora de Harry e ele de repente se viu sendo jogado em um redemoinho de memórias. Nenhuma delas eram suas.
xxx
James olhou para as três pessoas diante dele.
"Que?" perguntou ele, sem entender por que estavam tão confusos.
"Nós sabemos quem é o impostor," disse Hermione novamente, repetindo as palavras de Sirius.
"Quem?" perguntou James imediatamente, imaginando por que ainda não tinham gritado o nome.
"É Cole Bailey," disse Sirius.
James sentiu uma sensação de alívio inundá-lo. Eles sabiam o nome do impostor. Ele não sabia quem era Cole Bailey, mas ao menos teriam mais facilidade em rastreá-lo agora.
"O.k., por que estão tão espantados?" perguntou James, sem entender por que todos pareciam em pânico.
Os três trocaram olhares entre si. Sirius se adiantou.
"James, você sabe quem é Cole Bailey?" perguntou ele.
"Hum, é Cole Bailey," respondeu James.
"Você já ouviu falar dele?" retrucou Lucius, claramente impaciente.
"Não," respondeu James.
"Assim como todo mundo. Ele era um Comensal da Morte, mas nunca ouvi esse nome antes. Isso não lhe parece estranho?" perguntou Lucius.
"Acho que sim, mas pensei que ele fosse um zé ninguém," admitiu James.
"Não é o caso," disse Sirius, parecendo bastante pálido.
"Do que está falando? Qual é o problema?" perguntou James, agora claramente nervoso.
"James, o que teria acontecido se Voldemort fosse capturado e levado a julgamento? Que nome teria aparecido no processo? Seria o nome que ele criou para si, Lorde Voldemort? Ou seria o nome dele, Tom Riddle?" perguntou Sirius.
James olhou confuso para Sirius.
"Seria o nome verdadeiro dele, Tom Riddle," respondeu ele.
"Essa é a razão pela qual não reconhecemos o nome Cole Bailey. Também é por isso que Harry não reconhece o nome. O problema é que Cole Bailey não era conhecido no mundo mágico por esse nome. Ele era conhecido por outro nome." As palavras de Sirius vacilaram e ele parecia não acreditar no que estava prestes a dizer.
Ao mesmo tempo, Hermione tirou uma fotocópia de um jornal trouxa da bolsa e entregou-o a James, sem dizer nada. James olhou para a foto imóvel em preto e branco de um homem bonito de cabelos escuros. Ele ergueu a cabeça para encarar Sirius, a respiração presa em seu peito.
"Cole Bailey era conhecido no mundo bruxo como Rodolphus Lestrange," Sirius conseguiu dizer.
N/A: O.k., o que, como, quando, onde será explicado no próximo capítulo, o último capítulo de 'A Part of Me.'
Por favor, lembrem-se que como a história é UA, os personagens e suas histórias também são UA. Eu explicarei tudo no próximo capítulo, prometo!
Por favor, comentem! Beijos!
