Às quatro da tarde Harry, Ronny, Fred e George esperavam os convidados do casamento, indicando os lugares onde deveriam se sentar e, em alguns casos, acompanhando para encontrar as cadeiras. Junto a eles, chegaram garçons vestidos de branco e uma banda trajada com jaquetas douradas, que permaneceram sentados debaixo de uma árvore conversando até o momento em que se iniciaria a festa. A decoração se espalhava por todos os lados do jardim, com flores brancas e douradas, balões com o nome de Draco e Ginevra marcavam o local em que fariam os votos do matrimônio. Alguns comentavam o fato de que a guerra estava apressando o casamento de duas pessoas tão jovens. O rapaz mal atingira a maioridade e ela ainda era uma menina... praticamente duas crianças que geraram um bebê e estavam assumindo responsabilidades de adultos sem terem terminado os estudos. Para quebrar um pouco o clima de tensão e de preocupação, Fred teceu alguns comentários bobos e, logo, os quatro já estavam conversando a respeito do tempo e o que fariam no dia seguinte, após tanta agitação. O que antes eram poucas pessoas foram, em pouco tempo, se transformando em um exército de figuras coloridas, que surgiam de uma a uma, nos limites do jardim indo em direção a eles.

Todos foram se dirigindo aos seus lugares, animados com a celebração e elogiando a decoração feita para um casamento a céu aberto. Luna fez questão de levar o seu pai, Xenophilius, para que conhecesse os amigos, o namorado e a família biológica. Queria muito que todos fossem próximos, mesmo que por pouco tempo... Harry, ao vê-la, ficou encantado. A loira vestia uma roupa amarelo brilhante e usava um grande girassol preso em seu cabelo. Tão espontânea e cheia de vida que, aquela cintilação, acabava se tornando extremamente agradável. Ela se aproximou de onde ele estava e ficaram conversando sobre a mordida que recebera de um gnomo e como isso acarretaria na possível aquisição de talentos inimagináveis e benéficos que não deveriam ser reprimidos sob hipótese alguma. Sem se perder nos devaneios do homem de cabelos loiros, que seguia divagando quanto as maravilhas trazidas pelos gnomos de jardim, o bruxo de olhos verdes apenas de preocupava que, no local das marcas dos pequenos dentes, era necessário passar alguma pomada ou poção. Quem sabe, simplesmente, lavar para que não infeccionasse? No entanto, não disse nada, afinal, não queria desagradar o seu futuro sogro... visto que, Lucius Malfoy era, abertamente, ignorado para tal posição. Notando que Harry estava imerso nos próprios pensamentos, Luna o olhou sorridente, garantindo que estava tudo bem e que não existia qualquer motivo para se afligir por tão pouco. Enquanto ela parava a conversa para chupar o dedo, mais uma vez, e estancar o sangue, Xenophilius, se virou para questionar o menino:

- Aquela não é a Narcissa Malfoy conversando com o Stubby Boardman, vocalista da banda The Hobgoblins?

- É ela mesma. Quanto a quem está a acompanhando, não ele não é o Boardman... embora eu pense que Sirius deve achar legal a ideia de ser comparado a um roqueiro – sorriu ao imaginar a cara do padrinho ao ser confundido com um astro do rock do mundo bruxo.

- O Malfoy não veio? Ele é o pai do noivo e ignorou o casamento do próprio filho? – questionou com um semblante de incredulidade, sendo retorquido pela filha que olhava para o casal que dialogava próximo a uma árvore.

- Pai... ele ignorou a minha existência por 16 anos e não gosta do Draco. O senhor Malfoy, na verdade, detesta as pessoas e acha que ninguém está à altura dele.

- Creio que sequer saiba que o filho está casando hoje – pensou Harry. Tinha certeza de que Narcissa não fez a menor questão de avisar qualquer coisa a respeito ao sair de casa. Já estava mais do que claro o quanto ela e o filho desprezavam aquele homem para que compartilhassem qualquer informação com ele. Logo, foi retirado do seu devaneio pela voz do bruxo mais velho:

- Isso é triste e quem perde é ele, não vocês dois. Vou cumprimenta-la, pois, ela sempre foi muito educada comigo e com a sua mãe. Com licença – os dois assentiram e ele se afastou em direção aos outros que seguiam muito compenetrados no diálogo que mantinham.

Ronny passou acompanhando a sua tia avó que reclamava de tudo e tecia críticas bem ácidas aos convidados. Falava para ele o quanto tentou ensinar Ginny a como utilizar a tiara de modo civilizado, mas que ela parecia uma vândala sem qualquer educação e porte. O ruivo revirava os olhos escutando que a irmã era muito sortuda de casar com um rapaz rico, mesmo depois de engravidar antes do casamento, agindo como uma prostituta. Quando avistou Harry com Luna, lançou aos dois um olhar cheio de significados para o amigo, reaparecendo quase uma hora depois com uma expressão péssima. Se animou um pouco ao iniciar o relato de como os gêmeos foram retirados do testamento da idosa e que ela era um verdadeiro pesadelo. Neste ínterim, Hermione e Snape chegavam de mãos dadas, retornando da consulta ao médico e das compras que fizeram. Como ambos sabiam que não haveria tempo de se arrumarem entre um compromisso e outro, vieram trajados com as roupas que adquiram na loja da Madame Malkin. Assim, seguiram para a festa. Com a aproximação deles, o ruivo parou o relato para olhar em direção aos dois.

- Ela está linda – comentou com Harry e Luna, que concordaram sem dizer nada, e sem se conter, prosseguiu se dirigindo à castanha:

- Você está ótima. Maravilhosa!

- Obrigada! Meu marido também pensa o mesmo e repete isso todos os dias. Até quando eu estou horrível pela manhã, sem utilizar esse tom de surpresa – deu meio sorriso, se virando para abraçar a irmã.

- Foi apenas um elogio... – falou em um tom de voz mais baixo, contudo, ainda audível, demonstrando o desgosto diante do fracasso.

- Ronny, eu agradeço. Entretanto, estou dispensando e gostaria que ficássemos em questões de amizade, porque a sua insistência está me deixando desconfortável. Pode ser? – argumentou com total reprovação no tom de voz aos proferir aquelas palavras. Começava a cogitar a possibilidade de terminar o relacionamento de cordialidade se aquela situação permanecesse. Como já se mostrava farta daquela fixação, prosseguiu:

- Aliás, sua tia avó discorda da sua opinião, pois, eu mal coloquei os pés aqui e ela comentou "Nossa essa é a filha do presidiário com a prostituta? Esse mundo está perdido! Aprovam o incesto, não criam a criança, deixando que tenha má postura e permitem que case com um Comensal da Morte. Não me espanta que seja uma Black". Me senti muito satisfeita com as palavras dela.

- Não leve para o lado pessoal, ela é rude com todo mundo – disse Ronny.

- Falando da nossa querida Muriel? – Fred se pronunciou aproveitando a deixa.

- Sim... da própria – assentiu bufando.

- Não perca seu tempo, Mione... ela nunca gostou do Snape e eu estou pasmo que até agora ele não a mandou pastar. Era sempre uma alegria quando a Dora vinha passar o Natal aqui e eles acabavam se encontrando. Bons tempos eram aqueles que tio Billius ainda estava conosco e o ajudava a implicar com ela. Era risada na certa – riu abertamente recordando do que relatava.

- Não foi esse que viu o Sinistro e morreu? – questionou franzindo o cenho com curiosidade, principalmente, porque o ruivo mais velho não parava de gargalhar com o que visualizava pela memória.

- Esse mesmo, mas ele já estava velho e perto do fim da vida – assegurou e decidiu continuar a narrativa:

- O importante é que, antes dele ficar doido, era considerado a vida e a alma das nossas festas. O tio Billius sempre costumava derramar uma garrafa inteira de firewhisky e ir para a pista de dança. Ali ele erguia a túnica e começava a lançar buquês de flores de seus... – antes de que prosseguisse, as duas ergueram as sobrancelhas e Harry ria abertamente imaginando a cena.

- Nossa, isso parece... realmente... muito encantador – disse Hermione sem palavras, pois tinha vislumbrado como deveria ter sido aquelas situações de comemoração.

- Não sei por qual motivo ele nunca se casou... até um porco imundo como o Snape conseguiu – Ronny comentou tentando ser engraçado e recebeu olhares nada amistosos do que estavam ali. A castanha se virou para ele, rapidamente, com um misto de raiva e repulsa por conta daquelas frases.

- Você me espanta com a sua capacidade de ser um completo babaca. Parabéns! – dando as costas para sair dali, deu de cara com um jovem rapaz de cabelos escuros, um grande nariz curvo e as sobrancelhas negras.

- Você está linda – falou segurando a mão dela dando um beijo.

- Viktor?! – gaguejou olhando para os lados, fazendo um gesto de se retirar, sendo impedida por ele.

- Quanto tempo, não é? Como vai? – perguntou firmando a mão no pulso para que não pudesse se afastar.

- Muito tempo mesmo. Vou bem e você? – respondeu procurando onde estava Snape ou Sirius, ou qualquer um que a ajudasse a afastá-lo.

- Ótimo... – sorriu com um olhar cheio de cobiça.

- Com licença, eu tenho que encontrar o meu marido. Foi bom revê-lo – puxou a mão e saiu andando, sendo seguida por Krum, que tentava manter o diálogo.

- Não sabia que estava casada – sua expressão se tornou dura ao dizer isso.

- Sim, com um homem maravilhoso e que me respeita muito. Teremos dois bebês logo – deu meio sorriso insatisfeito.

- Parabéns. Posso saber quem é o felizardo? – inquiriu a segurando pelo cotovelo.

- Severus Snape – respondeu vendo que quem ela esperava estava se aproximando se esgueirando entre as pessoas.

- O professor? Aquele velho? Sabia que ele era pervertido com toda aquela roupa de tarado. Começaram naquele dia em que nós dois estávamos nos divertindo ou foi depois? – manteve as perguntas a apertando ainda mais forte.

- Sim, eu mesmo senhor Krum... e tarado, ao que bem me recordo, é quem rasga o vestido de uma menina tentando abusar dela. Não lembro da minha esposa estar aproveitando algo, na sua companhia, aquele quando os encontrei. Creio que ela já estava se despedindo... contudo, se o senhor quiser seguir o diálogo, proponho que nos encontremos quando encerrar a cerimônia. Vou adorar ter uma conversa de homem para homem com uma pessoa tão ilustre e que eu espero achar a tanto tempo – Snape o encarava perigosamente sibilando, como uma cobra, lentamente cada uma das palavras. Claramente, buscava não perder o controle e atacar o outro diante de todos, mesmo sabendo que teria total direito se o fizesse.

- Desculpem interromper o clima de romance no ar. No entanto, é hora de todos nos sentarmos antes da noiva nos atropelar. Você, meu caro Snape, deve sair para vir com a tia Cissa, já que o "ilustre" Lucius Malfoy nos deu a honra de sua ausência – Fred disse aos três, tentando amenizar o clima pesado que se instalara ali. Como percebeu os motivos, saiu acompanhando a castanha, para leva-la até onde Sirius se encontrava e ali, ela permanecesse em segurança.

No ambiente, por alguns instantes, todos ficaram em silêncio. Como a expectativa crescia diante da entrada dos noivos, os comentários se misturavam aos risos e sussurros. O bruxo de olhos de ônix entrou de braços dados com a amiga, representando a figura paterna que a sua condição de padrinho do rapaz lhe garantia. Snape e Narcissa percorreram o corredor, pouco depois, entrou Draco junto a Neville. A quietude novamente se estabeleceu ao ecoar a música do que pareciam balões dourados. Arthur conduzia Ginny, em seu vestido branco perolado muito simples e bonito, encontrando os olhos do noivo que estava radiante ao vê-la. A ruiva parecia atingir a plenitude da beleza, mais do que já alcançara normalmente, na percepção dele.

O casamento transcorreu tranquilo e os jovens fizeram os votos deixando muitos emocionados. Estrelas prateadas caíram sobre eles com espirais que entrelaçavam as suas silhuetas como se fossem um testemunho vivo das suas promessas de amor e união. Ao término, um jorro de ouro derretido espirrou dentro da tenda, formando uma brilhante pista de dança e as cadeiras foram agrupadas em torno de pequenas mesas. Hermione seguiu para onde Luna estava sentada sozinha para conversarem um pouco e, ao perceberem que a aglomeração em torno dos noivos tinha se dispersado, se direcionaram para parabeniza-los. No meio do caminho, aproveitaram para agarrar Dora pelo braço e leva-la junto para papearem qualquer coisa no meio daquele burburinho de gente. O lugar estava lotado!

Observando que a esposa estava acompanhada, Snape se concentrou no diálogo com Lupin a respeito da guerra e dos próximos passos que dariam. O que sabiam era que a queda do Ministério estava próxima, contudo, não se tinha notícias de como e quando aconteceria para se prepararem.

- Você não tem nenhuma informação? – questionou o bruxo de cabelos castanho claro o encarando com um olhar de preocupação.

- Não, como eu estou envolvido com a direção de Hogwarts, pouco me dizem quanto às outras missões. Sei que, amanhã ou no dia 2, serei convocado para alguma coisa. É provável que Draco também... é difícil garantir com precisão – soltou uma respiração pesada enquanto falava em um estado completamente reflexivo.

- O pior é pensar que aqueles que a iniciaram, não estão sujando as mãos. Não gosto de ter a dimensão de que esses meninos, que não chegam nem aos 20 anos de idade, vão ter que passar pelos horrores que tivemos de presenciar. Harry já teve um fardo muito pesado e perturbador de sofrimento, até mais do que nós, mas e os outros? – Lupin perguntava tanto para Snape, quanto para si mesmo. De fato, o que se aproximava era terrível o suficiente para causar traumas irreversíveis em muitos ali presentes.

- De fato... também me preocupo em como cada um vai lidar com o preço que se paga em uma guerra. Não quero que a minha irmã, minha esposa e o meu afilhado, vivenciem nem um terço do que já passamos e fizemos parte – o olhava com preocupação.

- Você fala do que a Bellatrix fazia? – Sirius se aproximou dos dois, mantendo as mãos nos bolsos do terno, ao mesmo tempo em que indagava.

- Exatamente... já pensou no dano que causará quando eles e a Luna souberem do que ela é capaz? Muito além de torturar os Longbottom... – retorquiu se voltando para o sogro.

- Ninguém esperava que a loucura dela chegasse àquele ponto, nós que a conhecemos antes de chegar a Hogwarts sabíamos que ela era apenas uma menina mimada e malvada... aquilo era sadismo puro – o bruxo de cabelos castanhos franziu o cenho torcendo o lábio para o canto. Odiava lembrar da eficiência dela em causar dor aos outros e sentir um prazer absoluto ao ouvir gritos de dor.

- É bom ver que reconhece, finalmente, Black o que a Bella sempre foi preparada e competente nas execuções. No meu primeiro ano entre eles, eu já estava arrependido do que me metera... vocês apenas chegavam e viam o resultado final. No meu caso, algumas vezes, eu testemunhei os atos. Vi o olhar dela completamente desfocado e psicótico para aquelas pessoas. Ela se satisfazia com aquilo – estava enojado ao recordar da hediondez das cenas de horror assistiu. Continuou refletindo sobre aquele horror, enquanto prestava atenção no que Lupin dizia com uma voz que esclarecia bem o pânico que aquela mulher era capaz de gerar nos outros:

- Até hoje, eu me pergunto como ela se excitava com corpos mutilados à faca... marca registrada dela durante as torturas.

- Não era só a Bella que fazia isso, Dolohov utilizava feitiços não verbais para rasgar os adversários por dentro. Os Lestrange gostavam de misturar feitiços e cacos de vidro... já o Greyback, não preciso informar o óbvio. Entretanto, apenas ela se divertia depois e o Rodolphus ficava para assistir – Snape soltou a respiração pesada. Uma parte dele receava que, um dia, aquelas atrocidades fossem direcionadas à Hermione. Sabia o quanto Bellatrix odiava a menina e que ela se dedicaria a machucá-la com requintes de crueldade quando tivesse a primeira oportunidade.

- Isso é perturbador e bestial... – Sirius comentou.

- Black, estamos levando o mundo como o mundo é. Crescemos tendo a noção de que, uma hora ou outra, nos tornaríamos soldados, acabaríamos desempenhando os papéis mais tristes e deploráveis... seríamos assassinos, tanto quanto os que combatíamos – respondeu sem nenhuma emoção.

- Mas, nunca ninguém chegou a este nível hediondo, Severus – enfatizou com raiva.

- Isso, com certeza, não. Mudando de assunto... e a Narcissa, como estão as coisas entre vocês? – Lupin, rapidamente, contornou o rumo da conversa para evitar uma discussão. Conhecia aqueles dois o suficiente para saber que, qualquer fagulha, resultava em uma briga de grandes proporções e uma aberta troca de xingamentos, socos e feitiços.

- Tudo bem, não vejo a hora que eu vou conseguir tira-la daquela casa – falou suavizando a expressão ao comentar isso.

- Ela te contou como conseguiu convencer o Lucius de que a criança é dele? – questionou com um ar de curiosidade. Não conseguia entender como o amigo se mantinha tão calmo em relação a este ponto, principalmente, por conhece-lo o suficiente para saber o quanto era ciumento.

- Sim... aquele idiota passou tanto tempo bêbado e metido em comemorações, sabe lá do quê, que acreditou quando a Cissa lhe garantiu estar grávida e o filho era dele – deu de ombros.

- Sei que a pergunta não me foi direcionada... contudo, desde antes da morte de Dumbledore que, Lucius, não encosta um dedo nela. Ele anda se divertindo com uma amante e, é horrível dizer, mas, considera a esposa uma verdadeira puta igual a Bella – Snape disse se virando em direção a Sirius, afirmando:

- Não adianta ficar nervoso, Black. Tem conhecimento suficiente para saber que ela sempre foi descrita desta maneira entre os bruxos. A fama da Bella nunca foi das melhores, sobretudo, depois que casou com o Rodolphus e se tornou amante do Lorde das Trevas.

- Ninguém pode negar que ela é corajosa para transar com aquele ser... – Lupin riu um pouco com o comentário que acabara de fazer e viu que os outros acabaram sorrindo também. De fato, era necessário ter bastante estômago para desejar aquele homem e se entregar a ele.

- Nem que a Cissa nascesse novamente... só na mente perturbada do Malfoy que isso é possível. Aliás, não quero nem pensar o que aquele doente imagina com as duas – comentou, enquanto olhava Narcissa sendo conduzida por Arthur para dançar.

- Sei que os senhores sentirão muito a minha ausência e derramarão lágrimas... mas, devo me despedir e dançar com a mãe da noiva. Então, se controlem os dois – as suas palavras escorriam sarcasmo e ironia, antes de encarar Sirius, mudando a expressão e dizer:

- Black, para a sua informação, aquele brutamontes de barba e sotaque, atacou a sua filha quando ela tinha 15 anos.

- Vou ficar de olho nele... será um jogador de Quadribol sem os balaços e o bastão já que gosta de atacar meninas – sorriu dando uma levantada de sobrancelhas.

Todos dançavam, entre músicas trouxas e bruxas, para o divertimento dos que ali se encontravam. Draco e Ginny se retiraram da festa, enquanto Fleur e Bill se despediram de alguns convidados, visto que, estavam com a incumbência de cuidar do pequeno Scorpio e do seu estoque infindável de mamadeiras e fraldas... tudo corria bem. Harry se afastou um pouco da aglomeração se sentando onde estava Viktor e iniciaram uma conversa, primeiro com a respeito das "desvantagens de ser um jogador famoso, já que as meninas bonitas estavam todas acompanhadas" e engrenaram em um assunto sobre o senhor Lovegood ser ou não um seguidor de Grindewald por conta do colar que ele ostentava no pescoço. O menino-que-sobreviveu não acreditava que o pai de Luna fosse um seguidor da Arte das Trevas e garantiu ao búlgaro que, provavelmente, o bruxo loiro desconhecesse o significado daquele símbolo. Depois de uma rápida discussão, o jogador acabou indo embora e, o de olho verdes aproveitou para se aproximar de um velho bruxo que se encontrava sozinho em uma das mesas.

Depois de refletir um pouco, com relação a dúvida de onde o conhecia, lembro que foi aquele o senhor responsável pela escrita do obituário de Dumbledore no Profeta Diário e que, o mesmo, era membro da Ordem da Fênix. Com isso, começou a dialogar com Elphias Doge, logo sendo acompanhados pela tia avó de Ronny, sobre a família Dumbledore, a vida que tiveram em Godric's Hollow, a amizade com Bathilda Bagshot e a biografia escrita por Rita Skeeter. Enquanto a festa corria madrugada adentro, a marca negra no antebraço de Snape começou a queimar... imediatamente, ele olhou para os lados procurando por Hermione. Assim que a localizou, a puxou para perto de si, falando rapidamente:

- Me ouça com atenção. Não sei exatamente por qual motivo estou sendo chamado. Mas, saia daqui com a Dora, imediatamente. Sigam para a casa dela e não pense em fazer nada estúpido e nem corajoso... é só isso que eu te peço! – enfatizou apreensivo.

- Venha comigo, por favor! Eu tenho medo de nunca mais tocar em você novamente. Estou com uma sensação ruim de que vai acontecer alguma coisa. Severus, você é o meu amor e a minha vida, sempre! – a castanha já tinha lágrimas nos olhos, pois odiava ter de se afastar dele. Ainda mais, quando sentia o perigo se aproximando.

- Você estará segura. Eu já te dou o meu amor eterno, o poder de reger todas as tempestades que me cercam, de orientar o meu mundo. Rainha Hermione, você é a minha amada esposa... não posso permitir que se arrisque por mim. Tenha certeza de que o fiel do segredo, de onde a residência fica, vai preferir a morte a denunciar onde vocês estão, entendeu? – a olhou nos olhos e a beijou com um misto de pesar e agonia.

- Mas... – ela tentou argumentar, sendo interrompida por ele que a abraça forte, acariciando e cheirando os seus cabelos que sempre o enfeitiçaram.

- Hermis, vou ser bem claro. Não queira caminhar ao meu lado pelas trevas. Eu a amo demais para condená-la a uma vida tão miserável, a venero o suficiente para não aguentar a ideia de que Bellatrix pode te matar e nem nas barbaridades que ela é capaz de fazer antes de acabar com a sua vida. Eu te imploro, se esconda... não confie em ninguém, além da minha irmã, a partir desse momento – afirmou a beijando várias vezes.

- Eu vou te ver novamente? Entenda que o meu amor por você já te libertou da escuridão. Somos parte um do outro... – Hermione o olhava com tristeza e medo.

- ... porque um amor verdadeiro é mais forte do que o tempo e o espaço. Ele vence a morte, minha vampirinha – sorriu melancolicamente a observando, ao mesmo tempo em que, distribuía carinhos e beijos pelo rosto.

- Eu amo você, Sevie... amo muito, amo tanto que fui capaz de recriar o diálogo entre a Mina e o Drácula no filme. Vidinha, vou sentir saudades... – disse soturnamente segurando as lágrimas que lutavam para sair.

- Reparei, linda rainha, te acompanhando neste lindo devaneio. A ideia de que Mina é cúmplice, e não uma vítima, me encanta... passa uma imagem de eternidade e absolvição através do amor. Isso é tudo o que eu recebo com os teus sorrisos, meu raio de sol. Entretanto, o príncipe Drácula parece mais com o Sirius, seu pai, do que comigo - riu sem humor e prosseguiu:

- Agora, vá! Eu prometo te procurar quando as coisas se acalmarem um pouco. Pode ser que não seja nada demais, mas vou sentir sua ausência o tempo todo e a cada instante. Eu te amo, pequena! – a abraçou, mais uma vez, e a beijou demoradamente.

Hermione começou a se afastar, se virando para o olhar novamente, fazendo um gesto de despedida. Snape foi em direção aos outros para deixá-los de sobreaviso e enviar o Patronoavisando Bill para ficar atento, visto que, o bebê estava com ele e a esposa no Chalé das Conchas. Em pouco tempo, um gracioso e brilhante em forma de puma entrou na residência com a voz do bruxo de olhos de ônix:

- Madame, j'espère que vous êtes heureux avec votre mari et je vous demande de faire attention à l'avenir (Senhora, espero que você esteja feliz com seu marido e peço que vocês prestem atenção no futuro).

Na Toca, começavam a se organizar para o que estava por vir. Não sabiam exatamente o que seria, mas viram o quanto o homem de vestes negras estava com um semblante mórbido e aflito para atestarem que era algo relevante. Quando Lupin e Sirius estavam saindo da casa, acompanhados por Narcissa que conversava com eles, escutaram um barulho e perceberam que a proteção da Toca estava quebrada. O bruxo de cabelos castanhos puxou a loira para trás dele, no intuito de escondê-la, pois, se um dos Comensais da Morte a visse ali, ela estaria morta imediatamente. Tudo aconteceu rapidamente, os segundos pareciam se arrastar e os atos ocorrerem em câmera lenta. Pouco antes dela aparatar na Mansão Malfoy, os ataques iniciaram e as gargalhadas histéricas de Bellatrix ecoavam no jardim.

Narcissa jogou um feitiço, de dentro da casa, atingindo um mascarado que corria em direção à residência e desapareceu na escuridão antes de se ver próxima a uma árvore na mansão. A primeira parte do plano de Voldemort de atacar os Weasley, que representavam uma ameaça por se tratar de uma família grande composta de "traidores de sangue", foi posta em prática. A Toca ardia em chamas e Charlie era socorrido com um profundo corte no braço.