O dia seguinte e o mês de agosto, começaram estranhos, com a família reorganizando a Toca e recuperando as partes que foram queimadas com cuidado. Sirius havia decidido ficar na casa ajudando para que o trabalho corresse mais rapidamente. No fundo, algo lhe dizia que Bellatrix iria retornar uma hora ou outra para lá, mas, não iria apenas com mais dois acompanhantes e, sim, com um pequeno exército. Entretanto, esse não era o único motivo... se preocupava com o fato de que Narcisa havia voltado para aquela mansão dos horrores e ficaria perto de Malfoy. A sua vontade era de entrar lá e retirá-la de uma vez por todas, mesmo que isso lhe custasse a vida. Foi imerso nesses pensamentos que passou boa parte do dia focado, sem se dar conta de que o sol já se escondia no horizonte, iniciando outra noite. Indo para o seu recanto debaixo da árvore para seguir com as suas reflexões, viu quando Patrono de Shacklebolt, avisou não apenas a ele, como a todos os membros da Ordem da Fênix sobre a queda do Ministério. Através das palavras de Quim, proferidas pelo lince, ficaram também informados de que os Comensais da Morte estavam invadindo as residências de várias famílias bruxas para comemorar a vitória. Ao se desfazer no vento como uma névoa prateada, acabaram puxando as suas varinhas e permaneceram de sobreaviso.
Notaram quando Lupin aparatou ali se reunindo ao grupo poucos antes de figuras mascaradas e cobertas aparecerem correndo pelo jardim. Sirius se levantou do galho em que estava sentado gritando Protego, junto a Arthur e Molly; Charlie, George, Fred, Luna, Harry, Ronny e Lupin lançavam diversos feitiços diferentes. Luzes vermelhas e verdes se entrecruzavam por todos os lados, um dos Comensais foi transfigurado na forma de galinha e, o bruxo de cabelos castanho claro empurrou o menino-que-sobreviveu mandando que saísse dali urgentemente. A menina loira o agarrou pela mão e saiu correndo com ele a procura do amigo ruivo, carregando uma bolsa com o Extensius, organizada por ela e Hermione. Tudo se transformou em escuridão e Harry só sentia a mão dela apertando a sua através do tempo e do espaço. A Toca, os amigos, os familiares, os Comensais da Morte e, quem sabe, Voldemort... estavam distantes.
- Onde estamos?! – perguntou Ronny olhando para os lados, depois que eles aparataram na Londres trouxa e abandonando tudo para trás. O bruxo de olhos verdes abriu os olhos tentando compreender o que acontecera. Estava confuso... em um momento, se encontrava no meio de uma batalha, agora, era cercado por carros e pessoas em uma rua movimentada.
- Tottenham Court Road. Minha irmã me trouxe aqui para que eu conhecesse... disse que seria um bom lugar para uma fuga. Antes que me pergunte onde está Hermione, ela está segura junto com a Dora. Ronny, não havia como ela vir junto e você deveria esquecê-la – respondeu Luna olhando para as luzes e as estrelas que começavam a brilhar, ao mesmo tempo em que os três caminhavam rapidamente procurando um lugar para se esconderem. Ao entrarem em um beco, a loira retirou peças de roupa da pequena bolsa, para que trocassem e não fossem reconhecidos, e, passou a capa de invisibilidade para que Harry ficasse imperceptível, no caso de estarem sendo seguidos.
Ao vagarem pelas ruas, um pequeno grupo de homens começou a gritar gracejos e a uivar para Luna, que puxou Ronny pelo braço para evitar que berrasse de volta ou tivesse alguma atitude estúpida. Acabaram se enfiando em um pequeno café, procurando lugares para sentar. O ruivo insistia para que fossem ao Caldeirão Furado e, Harry, contra argumentava baixinho o quanto era perigoso se eles se deslocassem pelo mundo bruxo. Após essa pequena discussão, se estabeleceu um silêncio incômodo entre os três. Luna, para quebrar o clima de tensão, pediu dois cappuccinos, recordando de tudo o que Hermione havia lhe explicado a respeito de como agir de modo natural entre os trouxas. Nesse meio tempo, dois trabalhadores uniformizados rumaram para lugares próximos ao que eles estavam sentados. A menina, ao reconhece-los, sussurrou para os amigos que seria mais seguro que saíssem de lá. A ideia consistia em buscarem um local mais tranquilo para aparatar e seguir para o campo, onde teriam a oportunidade de se esconderem. Pois, era o único modo, viável, de saírem completamente do possível rastreamento feito por Voldemort com relação aos três e enviar um Patrono avisando a Ordem que se encontravam bem.
- Lua, você pode conjurar um Patrono que fale? – Ronny a inquiriu curioso.
- Sim, eu posso. Andei treinando bastante e o professor Snape me ensinou a enviar mensagens em francês, já que a maioria deles não entende o idioma e a Bellatrix, estará muito ocupada para perder tempo como tradutora – respondeu com a sua voz doce de sempre e segura do que estava prestes a fazer.
- Sempre aquele seboso idiota... qual o problema desse cara? Não era ele noivo da Bellatrix Lestrange? Fica perambulando para todos os lados com a Narcissa Malfoy e pensa que ninguém nota a troca de olhares e de sorrisinhos entre os dois. Aí, não contente com isso, seduziu a Hermione e a engravidou para prendê-la a ele. Agora, fica te ensinando coisas... cara, isso é revoltante! – falou dando um gole no seu café fazendo uma expressão de nojo para o gosto do líquido e, principalmente, para os pensamentos que se formavam na sua cabeça. Foi então que prosseguiu indignado:
- Espero que ninguém que gostamos esteja metido em problemas e, muito menos, presos.
- Era Ronny... foi obrigado a ser. Você como sangue puro conhece que, em alguns casos, crianças são prometidas em casamento uma a outra. Não há escolha. Quanto ele e a tia Cissa, são amigos, por isso conversam bastante e se gostam. Não há nada de errado nisso – Luna o observava como se estivesse de explicar aquilo tudo para uma criança de 5 anos. Como viu que não estava obtendo êxito continuou:
- Ele não a forçou a nada, Ronny... a Hermione casou e engravidou por vontade própria. Os dois são felizes juntos, se completam e se amam. Já disse, a esqueça e siga em frente!
- Vamos indo então, não quero beber essa merda. Aliás, alguém aqui tem dinheiro para pagar essa água suja com espuma? – questionou se mantendo irritado, o que estava deixando Harry possesso com aquela chatice sem fim. Todos estavam nervosos e, nem por isso, ficavam descontando nos outros.
- Sim, troquei algumas economias e a Mione me deu algum dinheiro para virmos e não morrermos de fome – retorquiu apontando para a bolsa.
Se preparavam para sair, quando Harry observou que os outros dois clientes faziam movimentos idênticos aos deles e notou o que os dois estavam prestes a fazer. Os três sacaram as varinhas ao mesmo tempo. Ronny, alguns segundos depois, atinou o que ocorria e pulou por cima da mesa, empurrando Luna para baixo do banco. A força do feitiço dos Comensais da Morte foi tanta que quebrou o telhado do café próximo aonde o ruivo se encontrava segundos antes.
- Estupefaça – gritou o bruxo de olhos verdes, ainda invisível, acertando um jato no rosto do Comensal loiro que caiu inconsciente sobre um dos bancos.
- Incarcerous Nerus – berrou o outro. Sem saber de onde tinha vindo o feitiço, mirou diretamente em Ronny que, logo, foi amarrado e sentia o ar se esvaindo pela intensidade que a corda o prendia. A garçonete, vendo essas cenas, saiu correndo pela porta.
- Estupore – o jovem bruxo de cabelos escuros esbravejou novamente. Contudo, o feitiço ricocheteou e acertou a moça que caiu diante da porta de entrada.
- Expulso – bradou o Comensal da Morte e a mesa atrás da qual Harry se escondia explodiu o jogando contra a parede. Isso fez com que ele perdesse acabasse por perder a varinha.
- Petrificus Totalus - gritou Luna de fora da confusão e o Comensal caiu como uma estátua com os olhos abertos no meio da mesa e das louças quebradas. A loira rastejou por debaixo do banco, sacudindo cacos de vidro de seu cabelo e tremendo por conta do nervosismo. Era a segunda vez que participava de um combate e ainda não conseguia se livrar do stress e da ansiedade profunda que isso lhe causava.
- Diffindo - disse apontando a varinha para Ronny que berrou de dor, enquanto ela rasgava o jeans dele no joelho.
- Eu sinto muito, me desculpe... é a primeira vez que eu executo um feitiço com as minhas mãos tremendo – ela respirava fundo tentando recuperar a estabilidade dos movimentos antes e tentar novamente.
- Tudo... tudo bem, vá em frente! – o ruivo falou a encorajando, mesmo com medo de levar mais alguns cortes pelas pernas e os braços.
- Diffindo – repetiu e as cordas caíram e, ele, sacudia o corpo para voltar a ter sensibilidade. Harry foi em direção a Luna e a abraçou.
- Tudo bem? Está ferida? – perguntou a examinando de cima a baixo, sem dar espaço para que ela lhe respondesse qualquer coisa.
- Só fiquei nervosa... está tudo bem – sorriu e ele se virou segurando a varinha em direção ao homem loiro estatelado no banco. Ao ver que se mantinha desacordado, seguiu para o outro, cujos olhos se moviam olhando para os três, principalmente, para Luna como se a acusasse.
- Esse é o Dolohov... o que vamos fazer com eles? – a loira questionou o apontando. Para ter algum tempo e pensar, Harry, mandou que os dois trancassem as portas e desligassem as luzes.
- Lua... no que depender da minha opinião, esses dois saem daqui mortos. Eles nos executariam como animais, então não tenho nenhum remorso de fazê-lo – respondeu Ronny e ela o olhou espantada e o menino-que-sobreviveu balançou a cabeça em um claro gesto de desaprovação.
- O que nos difere deles é que nós não somos assassinos. Só vamos apagar as suas memórias... reflita, cara, se nós matarmos, saberão onde nos achar – explicou.
- Você é o chefe, meu camarada! É o escolhido, logo, você é quem ordena os passos e nós obedecemos – o ruivo retorquiu, dando prosseguimento ao dizer que, quem deveria realizar o feitiço, era Luna, visto que, assumiu o lugar de Hermione. Ela foi em direção ao homem, com um ar de insegurança quanto ao que efetivaria, e, apontou a varinha para a testa dele.
- Obliviate – de repente, os olhos de Dolohov ficaram desfocados.
- Você é brilhante! Por favor, faça o mesmo com o outro e com a garçonete, eles não podem lembrar do que ocorreu aqui – Harry disse sorrindo para ela, que retribuiu o gesto assentindo com a cabeça.
- Ronny, me ajuda aqui a arrumar o lugar. Não podemos deixar rastros – argumentou se movendo para começar a reorganizar o espaço.
- Por quê? – protestou.
- Porque esse lugar parece que passou por um atentado a bomba, não acha?! – ironizou.
Depois de muitos protestos de Ronny, reorganizaram o local e colocaram os dois Comensais na posição em que se encontravam antes. Após isso, iniciaram um debate quanto as possibilidades que levaram os três a serem localizados tão depressa e onde poderiam se esconder para se resguardarem.
- Quem sabe voltamos ao Largo Grimmauld? – questionou Harry com um ar pensativo, como se estivesse arrumando todas as ideias que se chocavam na sua cabeça.
- Você está sendo muito estúpido! A Bellatrix já entrou lá, conhece o segredo... – falou Ronny franzindo o cenho.
- Creio que o Sirius tenha colocado azarações suficientes para repelir pessoas com a marca negra. Podemos aumentar o número de feitiços protetores e para repelir intrusos... também, não pretendo que nós tenhamos de ficar lá eternamente escondidos – enfatizou encarando o amigo e avançou nos seus argumentos:
- A casa não me pertence. Vocês sabem! Mesmo que a Mione não queira morar lá, o Sirius vai ter um filho com a Narcissa... certamente, vão residir ali depois de toda essa confusão.
- Aliás, aquela mulher é apenas uma... se eles podem me rastrear, deve existir um exército atrás de nós, neste momento, para nos preocuparmos apenas com alguém específico – concluiu.
- Harry, você não a conhece... ela é horrível e psicótica! – suspirou cansada. A porta foi destrancada e o feitiço lançado nos dois Comensais e na garçonete foi desfeito. Ao se afastarem do local, sumiram novamente na densa escuridão, reaparecendo na frente da porta da residência se apressando para entrar e olhando para todos os cantos para observar se estavam sendo seguidos. Eles passaram por todas as azarações e ficaram aterrorizados com o que viram ali.
- Não, nós não somos assassinos – gritou Harry sem conseguir pensar em nenhum feitiço que os protegesse dos ataques. A negação fez com que as barreiras caíssem e ele se virou para abraçar Luna que estava chocada com a mão na boca.
- Está.. está tudo bem... isso... foi embora – dizia enquanto o retrato da senhora Black gritava.
- Cala a boca! - berrou apontando a varinha para o quadro e as cortinas se fecharam de novo, silenciando-a.
- Aquele... Aquele era... o meu avô... Cygnus Black – balbuciou a loira.
- Creio que ele era a única pessoa que a Bella tivesse medo e algo de grave deve ter acontecido para que o Sirius escolhesse, justamente, a figura dele para fazer a pior parte de todo aquele espetáculo de terror – falou pensativo, coçando a cabeça em um claro sinal de preocupação e que considerava aquilo muito estranho. Porque utilizar a figura do tio falecido para a pior parte dos feitiços de proteção?
Eles caminharam para o andar superior, prestando atenção em cada som que denunciasse a presença de alguém. Nada de extraordinário surgiu diante deles, ninguém apareceu, fazendo com que subissem as escadas e fossem para a sala de pintura. Depois, continuaram para a sala onde se encontrava toda a árvore genealógica da família.
- Veja Harry... alguém veio aqui e pôs os nossos nomes – Luna apontou para a tapeçaria com os olhos brilhando com um misto de felicidade e curiosidade.
- Alguém veio aqui e desfez o feitiço que a mãe do Sirius jogou para queimar os "traidores" e refez os retratos. Agora consta o nome dos meus pais, o do Sirius... a Ginny foi incluída junto ao Draco e tem uma linha com o nome do Scorpius. Mione e você também estão aqui – Harry olhou para ela também sorrindo.
- Minha tia Andrômeda era linda, viu? – apontou mostrando aos dois o retrato de uma jovem muito bonita e com um ar aristocrático.
- O que eu vejo são as linhas da Bellatrix e da Narcissa dando quase um nó na árvore. São, inegavelmente, irmãs bem unidas trocando de homens entre elas e transando com o primo – Ronny ironizou recebendo do amigo um olhar de completa reprovação pelo comentário. A cicatriz do menino-que-sobreviveu começava a arder e, naquele instante, começava a se ver diante de uma forte luz e uma crescente raiva lhe cortava a alma. Era como se estivesse levando um choque elétrico que lhe dava vontade de bater e gritar desesperadamente, mesmo que não fosse real.
- Eles estão na minha casa? – o ruivo questionou preocupado.
- Não, não era a sua casa... era um lugar de paredes escuras e eu senti muita raiva fervendo o meu sangue – retorquiu bufando. A sensação de ódio ainda atravessava a sua espinha e lhe dava uma náusea profunda. Não conseguia controlar aqueles sentimentos.
- Alguém estava sendo amaldiçoado? – perguntou Luna o segurando pelo braço, tentando fazê-lo sentar.
- Não sei, eu não tenho certeza – se sentia confuso e com uma sensação horrível por todo o corpo.
- A ligação entre vocês não estava fechada? – ela o inquiriu apreensiva com a resposta que ouviria do namorado.
- Lua, ela fechou por um tempo. Entretanto, creio que se abre quando ele perde o controle. Sinceramente, eu não sei – murmurou com a cicatriz ainda doendo, o que tornava difícil se concentrar em dar qualquer resposta que fosse decente e minimamente aceitável.
- Tente fechar. Isso te faz mal e você sofre – falou passando a mão no braço dele para passar algum conforto.
- Vou tentar, prometo – disse sem qualquer sinal de emoção, saindo dali para não vomitar de dor no meio da sala.
Acabou sendo detido por uma doninha prateada, com a voz de Arthur, informando que todos estavam bem e que não era para responderem. Harry deu um sorriso aliviado para o amigo e propôs que dormissem os três juntos ali, naquela noite. Como Luna e Ronny concordaram e se puseram a arrumar o sofá e dois sacos de dormir no chão, ele aproveitou para ir até o banheiro. A ira era incontrolável, seu corpo tremia de ódio, sentia vontade de matar, de ver sangue e a agonia se apoderava da sua alma por inteiro... a sala era iluminada por uma lareira e um Comensal da Morte estava jogado no chão, urrando de dor e se debatendo diante de uma figura alta com uma varinha em riste. Era como se a voz saísse da sua boca ordenando o que deveria ser executado.
- Mais Draco, mais. Não pare... dê a ele uma pequena amostra de todo o nosso descontentamento pela fuga de Harry Potter – exigia. A cobra rasteja pelo mármore negro da cozinha e era perceptível os olhos petrificados de Draco olhando para a cena e pelo o que acabara de ser obrigado a fazer. Uma batida na porta, tirou Harry do transe...
- Quer uma escova de dentes? Eu tenho uma nova aqui – Luna falava do outro lado da porta.
- Sim, eu aceito! Muito obrigado por ter lembrado, Lua... – usou o tom mais casual possível antes de abrir e dar passagem para que ela entrasse.
- Quero, muito obrigada por ter lembrado – buscou um tom mais casual possível antes de abrir a porta e deixa-la entrar.
