Narcissa passou as semanas seguintes procurando todos os tipos de ocupação para evitar ao máximo qualquer contato com o marido dentro de casa. Não queria vê-lo e não fazia o menor sentido manter um convívio com ele ali, pois já não suportava mais. Por volta da metade de agosto, saiu do quarto decidida a ter uma conversa decisiva com Malfoy e, dependendo do rumo que o assunto tomaria, o colocaria para fora da sua vida definitivamente. Por um curto espaço de tempo, a loira ficou circulando pelos corredores o procurando para resolver logo as coisas e por um ponto final. Ao encontra-lo, informou que gostaria de dialogar com ele, fazendo com que a seguisse até perto da biblioteca, onde a segurou pelo braço para virá-la de frente e a obrigar a encará-lo.

- O que quer conversar, Narcissa? Eu sou um homem ocupado para perder o meu tempo com as suas futilidades... – falou a olhando de um modo completamente arrogante.

- Lucius, eu quero o divórcio! – cuspiu as palavras como se tirasse um peso gigantesco das costas. Mesmo o detestando, se sentia culpada por se manter em um casamento apaixonada por outro. Não importava mais se daria certo ou não com Sirius, a questão girava em torno de não aguentar mais a vida que levava ao lado do marido.

- O quê? Quem você pensa que é para dizer que deseja ou exige alguma coisa nessa casa? – o loiro ficara furioso com o que acabara de escutar e seus olhos refletiam toda a fúria e a obsessão que sentia pela esposa. Como ela ousava querer abandoná-lo, quando ele lhe dava uma vida de luxo naquela mansão? Sem pensar muito, a apertou com força, sacudindo o seu corpo violentamente.

- Me ouça, sua louca, se resolver continuar com essas ideias, eu mato você antes de dar dois passos para fora dessa casa, entendeu? Passei anos te tratando com algum respeito, agora é isso, cadela? – antes que Narcissa pudesse dizer qualquer coisa, ele com uma expressão assustadora a agarrou pelos cabelos a arrastando para dentro da biblioteca. A loira tentava se soltar o empurrando, cravando as unhas nas suas mãos, no entanto, nada bastava... Malfoy era mais forte e já se acostumara a fazer isso com várias mulheres, principalmente, com ela inúmeras vezes. Percebendo que a esposa não desistiria de tentar se soltar, apertou o seu pescoço para fazê-la parar.

- Pensa que eu não sei o que faz? Acha que eu sou um completo idiota para ser enganado? Acredita que já não vieram aqui me contar que você tem um caso com o marginal do seu primo? Imagina que o Sirius ama você, sua estúpida? – deu o primeiro tapa a jogando para cima da poltrona e partiu para cima dela.

- Pode me bater o quanto quiser... ele é mais homem do que você e me trata com dignidade! Pouco importa se o Sirius me ama ou não, eu me entreguei por conta de todo o carinho e afeto que eu recebo – gritava tentando de alguma forma chutá-lo para sair de perto.

- É mesmo? Que gentil da parte dele! Pelo o que me recordo, ele sempre teve uma queda por prostitutas. Afinal, qual a mulher decente ia querer foder com um ex-presidiário? – berrou a segurando com força pelo queixo para obriga-la a olhar para o seu rosto.

- Desculpe, meu amor, estou confusa... quando se refere a um ex-presidiário, está se referindo ao Sirius ou a você mesmo? E sobre as mulheres decentes, é a meu respeito ou as vadias que você traz para dentro da nossa casa? – bufava com os olhos chispando toda a aversão e a ira que acumulou por anos.

- Ora, sua puta insubordinada! Onde estão os seus amantes para te defender? Me responda! – desferiu outro tapa, fazendo com que Narcisa erguesse o braço para proteger o rosto.

- Você sempre teve amantes por todos os cantos! Colocou a maioria aqui e transou com elas em cima da cama onde eu durmo... eu não aguento mais viver com você! Não importa onde ele está... eu te odeio! – caiam lágrimas grossas de raiva dos seus olhos, enquanto ela mantinha os olhos fixos nele.

- Está preocupada com o fato de eu ter amantes, que novidade! Quer entender qual o motivo me fez procurar mulheres na rua, Narcissa? Deve ser porque eu me casei com uma cadela frígida que pode me matar congelado se eu tentar transar com ela... você é uma velha ridícula, está ficando cada vez mais gorda e com a cara cheia de rugas, é péssima na cama e é uma mulher totalmente reprimida sexualmente. Você não serve para nada, a não ser ficar como troféu! – Malfoy estava com a testa encostada na dela a xingando violentamente. Parecia que toda a animosidade entre os dois estourava irrevogavelmente entre os dois.

- Você acha que é quem, Lucius? Deixa que eu vou te revelar um segredo, você não passa de um ser repulsivo que fede a bebida, é um bastardo, porco, espancador de mulheres que estupra meninas porque é incapaz de dar prazer a quem quer que seja! – ela gritava cada uma daquelas palavras conseguindo se desvencilhar dele.

- Veremos se eu não sou capaz de dar a você o que merece! – esbravejou batendo com a bengala sobre a mesa da biblioteca, antes de tentar golpeá-la. Antes que conseguisse atravessar a porta, o loiro a prensou contra a parede, apertando o rosto dela para que não pudesse se mover. Com uma das mãos, levantou o seu vestido até a cintura e, como um modo de defesa, Narcissa deu uma cotovelada nele, o obrigando a se afastar. Ao ver que Malfoy se aproximava dela novamente, fechou os olhos com toda a força e apontou a mão esquerda em direção a ele... involuntariamente, a loira soltou uma força capaz de arremessa-lo contra a estante, derrubando vários livros, porta-retratos e vasos no chão.

- O que você fez? O que foi isso? Como... – a olhava espantado por ter certeza de que estava desarmada sem a sua varinha. Antes que a questionasse, mais uma vez, a loira apontou o dedo para ele, acusadoramente, dizendo:

- O que foi isso? Quer saber o que foi isso? Você, seu canalha, está me matando aos poucos por anos! Eu não suporto mais, Lucius... eu não aguento mais ser abusada por você e a culpa sempre recair sobre mim! Não é o fato de eu ser agressiva ou não que te dá o direito de me surrar. Você é um covarde desgraçado que se valeu de todos os meus medos para me torturar e ameaçar o meu filho! – ele avançou a agarrando pelos punhos com tanta força que não havia como sair dali.

- Você quer o divórcio? Quer mesmo? Vai morrer de fome jogada na rua se eu te der liberdade! Você é minha propriedade, como a mobília, como um maldito elfo doméstico, como essa mansão... paguei o suficiente para garantir ter a única Black que fosse virgem, no meio daquele antro de putas... você não é nada sem mim, Narcissa! – a esbofeteou vendo que, dessa vez, ela reagia brigando como um animal enjaulado e ferido. A loira tinha, finalmente, encontrado toda a força que precisava para não ser mais subjugada por ele. Mesmo que isso a levasse a morte. Mas, nunca mais, seria espancada pelo marido.

- Eu prefiro morrer de fome ou ter que me prostituir no meio da Travessa do Tranco a ter que seguir olhando para você, Lucius! Aprendi muito como é ter que fingir estar satisfeita quando você me obrigava a fazer coisas humilhantes. Eu não sou sua propriedade! – acertou um tapa no rosto dele, que o deixou ainda com mais raiva.

- Não é? Você me deve coisas, vagabunda! Você é um lixo, entendeu?! – Malfoy a jogou em cima da mesa, separando as pernas dela agressivamente, permaneceu ali a golpeando e a insultando, até decidir que seria mais humilhante rasgar a calcinha dela.

Observando que lágrimas grossas começavam a sair dos olhos dela, que o encarava com um ódio quase insano, abriu a fecho das calças, puxando para baixo junto com a cueca e deu a primeira estocada. Narcissa fixou o olhar em uma parede, como se estivesse saindo do corpo e indo para outra dimensão, não queria guardar mais lembranças ruins além das que já carregava. Cada tapa sem motivo, palavras que a rebaixavam ou que enfatizavam as suas obrigações de esposa, humilhações de todos os gêneros, puxões de cabelo e estupro... tudo se acumulava. Pensava em Sirius, no amor dele, no quanto era carinhoso e gentil, mesmo quando discutiam por qualquer bobagem. Nunca se mostrou agressivo por mais estúpida que ela pudesse ser com palavras e gestos. Sentia a dor se espalhando pelo corpo, fosse pelas mordidas, pelos socos ou por Malfoy apertar o seu pescoço a ponto de quase sufoca-la. A loura começou a apertar o pulso dele para que a soltasse, pois, começava a ter a sensação de que perderia os sentidos a qualquer instante.

- Me solta, seu desgraçado! – Narcissa gritou com tanta força, enquanto se agarrava nas suas últimas forças para estapeá-lo, que Draco ao entrar na mansão a ouviu e correu pelos corredores. Ao chegar lá, a cena que viu o deixou horrorizado.

- O que você pensa que está fazendo com a minha mãe? – avançou sobre o pai o tirando de cima dela. A loira tremia pelo constrangimento do filho ter testemunhado algo que há tantos anos ocorria dentro da mansão e que ela sempre fez o possível para esconder.

- Isso é entre ela e eu, pirralho idiota! Eu faço o que bem entender com ela dentro da minha casa! Eu é que pergunto quem você acha que é, seu bostinha, para tentar me bater? Você é um fraco igual a essa vadia a quem chama de mãe – esbravejou se erguendo do chão.

- Nunca mais encoste um dedo nela e nem repita isso! Eu juro que se chegar perto da minha mãe novamente, eu vou machucar você muito, pai... eu vou fazer o que for preciso para protege-la, nem que eu tenha de mata-lo – levantou a varinha apontando para Malfoy ameaçadoramente.

- Me ferir? Me assassinar? Assim como fez com o Dumbledore? Vai lançar um Cruciatus como fez como o Rowle e com o Dolohov? Draco, você é um covarde e é tão imundo quanto ela. Vejo que aprova que a sua mãe abra as pernas para todos os homens que vê pela frente! Tem certeza de que eu sou mesmo o seu pai tendo essa vagabunda como mãe? – debochou percebendo o quanto o filho respirava fundo para conter a raiva.

- Lucius, não! Eu faço qualquer coisa, mas não encoste no meu menininho – Narcissa gritou tentando o segurar para que ele não atacasse o bruxo mais jovem.

- Veja, Draco quem é a sua mãe! Uma prostituta de luxo que sempre se prontificou a transar comigo em troca de presentes e que eu não batesse em você. Quanto o Sirius paga para ela, você sabe? É você, bebezinho da mamãe, que cobra? Como estamos falando de uma puta, foi com ela que você transou para deixar de ser virgem, filhinho? – se desvencilhou da loira encarando o rapaz.

- Não... ouse... desrespeitar... a... minha... mãe... desgraçado! – falou pausadamente cada palavra não conseguindo mais conter a ira que o dominava e fervia todo o seu sangue. Sem que o pai pudesse reagir, gritou apontando a varinha:

- Expulso Visceribus!

- Protego! Ora... o Draquinho quer arrancar as minhas vísceras? Aprendeu a ser malvado assim com quem? Com o seu padrinho amado, o Severus, foi? Ele é mais forte do que você e é um Comensal da Morte treinado, não um moleque que mal saiu das fraldas e fica agarrado na saia da mamãe – debochou.

- Verdimillious! – Malfoy se desviou do feitiço rindo do rapaz.

- Expulso! – o feitiço fez com que Draco voasse contra a estante de livros. Antes de bater com as costas, ele berrou:

- Crucio! - Malfoy se debatia no chão e urrava de dor. Bellatrix entrou na biblioteca e olhou para toda a cena. O sobrinho com os olhos chispando uma fúria assassina que ela nunca tinha visto antes, a irmã sentada no chão com as mãos no rosto chorando compulsivamente e o cunhado se contorcendo como um verme envenenado.

- O que aconteceu aqui? – perguntou observando novamente toda a situação.

- Ele... esse... a machucou. Ele estuprou a minha mãe e eu vou mata-lo! – esbravejou, lançando mais vezes o feitiço.

- Draco, me ouça! Você não vai assassinar ninguém, entendeu? O Lorde ordenou que o Lucius não chegasse mais perto da Narcissa, entretanto, vejo que tivemos uma insubordinação aqui dentro da casa... – Bella o acalmou antes de tocar na marca fazendo com que Voldemort surgisse ali.

- Eu posso saber o que de grave aconteceu, minha cara, para toda essa gritaria e agora estarem me chamando? – questionou encarando a morena que lhe fazia uma reverência.

- Milorde, Lucius o desobedeceu novamente. Ele atacou a Cissa aqui dentro da biblioteca e o Draco está o castigando, como o senhor pode ver – disse com os olhos fixos no chão.

- Bella, acompanhe a sua irmã para o quarto. Eu terei uma conversa séria com o meu amigo Lucius, visto que, nunca fui muito benevolente com quem já falhou duas vezes e ainda acredita que possa me desobedecer. Draco, se retire. Amanhã, se quiser, pode sair com a sua mãe da mansão. Contudo, quando eu chama-los, quero os dois imediatamente aqui – o Lorde das Trevas sibilou a voz e o rapaz assentiu, mantendo o olhar de ódio direcionado ao pai que estava caído no chão.

- Minha cara Narcissa, amanhã, Thicknesse dará a autorização, como Primeiro Ministro, para que se divorcie do meu amigo Lucius, de acordo? – a fitou, analisando o estado que ela se encontrava.

- O-obrigada, senhor... – a loira agradeceu com uma reverência, tentando se cobrir com o casaco que o filho havia lhe entregue.

- Vá... o que aconteceu aqui hoje só comprova que mulheres fortes, a maioria das vezes, morrem subjugadas nas mãos de homens fracos e covardes. Quanto a você, Lucius, mais uma vez, age como um sedicioso ridículo e leva uma surra de um adolescente! – ironizou encarando o loiro.

Narcissa subiu as escadas dando passos lentos, sendo amparada por Draco que a abraçava protetoramente sem saber o que fazer para tirar a dor que a mãe estava sentindo. Bellatrix os acompanhava indo mais atrás pensando no que tinha visto e ouvido. Alguma coisa a incomodou naquela biblioteca e a morena não sabia definir exatamente o que era. Ao chegarem na porta do quarto, se aproximou da irmã para entrar e se virou dizendo ao sobrinho que poderia ir. Não tinha motivos para que ele entrasse no quarto junto com as duas e que a sua mãe ficaria segura até o dia seguinte. O rapaz estava suficientemente abalado para debater qualquer coisa, assentiu e foi para o próprio quarto. Quando elas entraram, a loira pensou em dizer alguma coisa, mas Bella a calou a auxiliando a tirar o vestido que estava rasgado e a puxando para dentro do banheiro para que tomasse banho. As duas permaneceram em silêncio por um bom tempo, até que a morena decidiu puxar assunto.

- O que aconteceu na biblioteca? O Lucius não desacataria o Lorde por uma crise de loucura ou porque estava com vontade de voltar a bater em você – perguntou com curiosidade, pois não entendia o que ocorrera ali e não fazia o menor sentido toda aquela briga.

- Eu pedi o divórcio e ele respondeu que eu era propriedade dele... me chamou de vagabunda. Enfim, foi um horror – respondeu colocando a camisola para deitar.

- Agora você se livra dele, de um jeito ou de outro, Cissa. O lado positivo disso tudo, é que você tem sorte... vai ficar com o Sirius, como quer. Lucius, trapaceiro, hoje se ferrou – riu descontroladamente. Estava realizada com o pensamento do quanto o cunhado seria torturado por Voldemort dentro da biblioteca e, se todos os seus sonhos se realizassem, o loiro estaria morto no dia seguinte.

- Não te incomoda? – Narcisa perguntou a irmã, enquanto se arrumava na cama.

- O que? Você e o Sirius? Definitivamente, não! Embora eu ache que vocês dois não combinem muito, mas... ele é louco por você e isso é o que importa, irmãzinha! – sorriu deitando ao lado da loira.

- Você é estranha... – falou observando o sorriso da morena que se espreguiçava.

- Eu sou prática e você, princesa dos Black, vai dormir. Beba isso! – deu a ela a poção do Sono sem Sonhos e Narcissa imediatamente se viu em meio a um misto de sonho e lembrança do dia do casamento de Draco.

FLASHBACK ON (Sonho)

Sirius e Narcissa estavam observando a animação da festa e comentando o quanto os convidados se mostravam felizes e satisfeitos com a comemoração.

- Você me assustou, meu caro! Nunca mais ouse fazer isso... – a loira o olhou com um meio sorriso ao perceber que ele a encarava com uma feição de quem não estava entendo o que ela dizia.

- A minha linda musa quer que eu me ajoelhe e peça perdão? – perguntou rindo e lhe dando um beijo no rosto.

- É o mínimo! Mas... eu acredito que você, querido, não seja muito bom em rastejar por mulheres – falou com um semblante vitorioso e segurando o sorriso que lutava para sair. Sem acreditar no que estava vendo, percebeu que ele se abaixava genuflectindo na sua frente.

- Narcissa, meu amor, peço que me perdoe por tê-la sobressaltado! Permita que eu faça as pazes com você, doce flor – colocou as mãos na parte de trás dos tornozelos dela e ficou acariciando por um tempo as panturrilhas.

- Sirius, eu estava brincando! Claro que te perdoo – se ajoelhou de frente para ele, se inclinando para beijá-lo e o bruxo se afastou a preocupando.

- Ótimo! Então, você tem a permissão de me beijar – brincou acariciando o rosto dela e continuou gargalhando com o que estava pensando em dizer:

- Creio que, como estou desculpado, estamos bem. Podemos levantar daqui? Meus joelhos doem e não sou mais nenhum adolescente para ficar me flagelando desse modo.

- Querido, eu sou quase dois anos mais velha do que você e posso permanecer nesta posição o dia todo. Isso significa que estou muito melhor fisicamente do que o senhor... um pobre coitado à beira da morte – Narcissa riu abertamente o olhando contrariado.

- Ah, priminha... minha adorada prima, eu poderia lhe retorquir de uma maneira bem baixa e vulgar. Entretanto, sei que se falar o que eu penso, neste instante, você se negará a fazer quando lhe pedir – se ergueu limpando as calças e desviando o olhar. Sabia que ela demoraria uns segundos para compreender o que acabara de ouvir e não aguentaria ver a expressão dela quando isso ocorresse. A loira o olhou e lhe deu um tapa na perna, ao mesmo tempo em que, o castanho a ajudava a levantar.

- Sirius, por acaso, você sugere que eu possua mais prática em ficar nesta posição? – disse unindo as duas mãos adotando a sua melhor postura arrogante para observá-lo. Fingia uma verdadeira irritação para o perturbar, embora, pensasse no quanto o ar despreocupado e libertino dele tornara aquela afirmação engraçada.

- Eu? Jamais sugeriria isso a seu respeito! Cissa, foi você quem começou com essa história de perseverar ajoelhada diante de um homem – fez uma expressão inocente e de falsa afronta.

- Ah, Merlin! Que idade você tem? Acabou de completar 13 anos para mostrar tanta maturidade diante de uma mulher de joelhos? Sinta-se completamente honrado por eu ser uma bruxa benevolente e possuidora do dom do perdão. Por isso, sua majestade ainda dispõe da minha permissão para que me leve para cama – ela piscou e ele sorriu a abraçando.

- Sinceramente, não sei do que está falando. Contudo, enfatizo que é uma grande honra saber que eu ainda posso ter você, mulher! – disse distribuindo pequenos beijos pelo rosto da loira a deixando um pouco tímida. Afinal, era muito recente em sua vida ser o alvo de tanto carinho e respeito.

- Não entende? Vou esclarecer... você, Sirius Black, quer continuar me conduzindo à cama e arrancar as minhas vestes? Ou não? – questionou com os olhos brilhando.

- É isso? Claro que eu quero, bruxa bonita! Aliás... aproveitando que hoje estão todos felizes e amorosos, vou te confessar uma coisa – Sirius olhou para baixo pensativo procurando as palavras certas. O que contaria era verdade, no entanto, estava convicto de que não receberia qualquer crédito.

- Ora, diga... – Narcissa o fitava curiosa com a revelação.

- Narcissa, o desejo que eu sinto por você vem de anos. Ou seja, agora, que eu tenho a oportunidade de te abraçar e beijar, não vou jogar fora. Eu acreditei que, uma vez, me deixaria saciado e as minhas fantasias cessariam depois daquelas horas que passamos juntos. Mas... me viciou e a minha atração se tornou amor e faz com que eu anseie estar ao seu lado cada vez mais – desabafou a deixando com uma expressão de incredulidade.

- Anos? Sirius, conta outra... você desde que usava fraldas era apaixonado pela Bella – falou com um ar de negação.

- É sério! Não brincaria com uma coisa dessas... jamais faria isso. Não tenho muita certeza de quando começou, acredito que eu estava com 15 ou 16 anos. Só lembro que foi antes de sair de casa e eu me sentia sujo por pensar em você desse jeito – argumentou segurando as duas mãos dela com firmeza.

- Ora, pare com isso... não me provoque! Com essa idade, você corria atrás de uma das minhas irmãs e sempre ia na casa da outra. Além disso, namorava mais da metade da escola – a loira o encarava com os braços cruzados.

- Residência que você sempre ia escondida e eu não estou brincando! Narcissa, você sempre foi bonita, na verdade, lindíssima! Eu fui cego para todas as suas qualidades, menos esta... fiquei preso à beleza física e a considerava como inatingível, completamente esnobe. Além disso, eu estava obcecado pela Bella, o que fazia com que eu não prestasse atenção ao meu entorno – falava a abraçando. Queria que ela admitisse isso, que sempre foi atraente e desejável.

- Porque nunca me disse nada? – o questionou levantando o rosto para o observar.

- O que eu poderia fazer? Nós mal trocávamos meia dúzia de palavras e, a maioria das vezes, você acabava me chamando de idiota e me estapeando! Imagino eu chegando na sua frente, numa daquelas visitas ou na casa dos seus pais, e, falar "olá prima, sei que está noiva de um cara respeitado, que tem uma vaga garantida no Ministério e meus tios fazem muito gosto no casamento..." – antes que Narcissa argumentasse, Sirius colocou o dedo indicador nos seus lábios prosseguindo:

- Então, você me olharia espantada, enquanto eu diria "Então, acho você linda e fico imaginando você com aqueles rolos no cabelo e usando espartilho branco ao tomar café pela manhã. Ou, quem sabe, parada seminua com as mãos apoiadas em uma janela, quando estivermos transando. Pois bem, gostaria de saber se quer abandonar o seu noivo perfeito, ou deixa-lo um pouquinho de lado, para ter uma emoção mais livre comigo?". Certamente, eu teria sido esbofeteado não apenas por você, como pela Andy.

- De fato, eu teria batido em você e ficaria ofendida. Essa visão de dona de casa ultra sexy nunca passou pela minha cabeça... entretanto, agradeço pela informação. Quero saber o que te fez tomar coragem só agora? – perguntou mordendo os lábios com expectativa do que ia escutar.

- Simples... você ter entrado na minha casa com um semblante de "ah, como eu sou patética e velha! Por Salazar, meus lindos cabelos longos e loiros estão ficando grisalhos. Meu marido rico me chama de frígida e tem uma amante em cada quadra. Oh, como eu sou infeliz" – Sirius falou imitando a voz dela, vocalizando as palavras de um modo estridente.

- Eu não estava tão mal e não falo desse jeito – o olhou de lado mordendo as bochechas para não rir.

- Quem sabe ler a alma das pessoas percebia isso com clareza. Embora eu, que sou um homem de visão elevada, discorde efusivamente desses pensamentos e acrescento que o problema é o Malfoy. Minha percepção me mostra que ele é um sádico, egoísta, de pau pequeno, que não sabe para o que serve o que tem no meio das pernas e, principalmente, alguém que não te merece – o bruxo de cabelos castanhos segurou o rosto dela com gentileza, fazendo com que ela o encarasse.

- Sirius, me ilumine com a sua resposta. Como as coisas mudaram no meu rosto, já que conhece tão profundamente a minha alma – o inquiriu antes de dar um pequeno beijo em seus lábios. Ele pôs as duas mãos no rosto dela, fingindo analisar friamente cada detalhe.

- Hm... deixe-me ver... você, Narcissa, desde que eu revelei o meu interesse, começou a transparecer um ar de "oh, Sirius, meu primo querido... você é tão rebelde, tão desajustado, tão louco e tatuado! Estou extremamente excitada com isso e quero que você me foda, de todas as formas, com vontade" – seguiu com a imitação da voz dela, incluindo alguns gemidos e recebendo uns tapas ao afirmar:

- A propósito, é exatamente assim que você fala.

- Jamais eu pensaria ou transpareceria algo do gênero. Para sua informação, eu odeio você por ser tão baixo – riu o empurrando.

- Gosto de brincar com você, Cissa. Ainda mais quando fica tão envergonhada e as suas lindas bochechas adquirem uma coloração vermelho tomate. É cativante! Desde criança, você possui o dom de combinar a tonalidade delas com o batom e a roupa – a beijou lentamente, distribuindo os beijos pelo pescoço e pelo rosto, enquanto ressaltava:

- Você não me odeia... gosta de mim, me ama e adora! Seu corpo vibra em contato com o meu e me considera perfeito para ser o seu homem.

- Nossa, como é convencido... – sentindo os lábios dele roçando no seu pescoço, distribuindo beijos em cada pedaço de pele. Ela movia a mão sobre o cabelo dele o encorajando a continuar.

- Me ama tanto que deseja me possuir de todas as maneiras. Quer que eu a cobice e me excite mais do que com qualquer outra mulher com quem eu já estive antes – acrescentou mordendo a clavícula a levando a soltar um gemido.

- Eu... eu discordo... soube que é você quem anseia estar nos meus braços e entre as minhas pernas há tempos. Ainda tem sonhos eróticos comigo usando um espartilho branco e rolos nos meus cabelos – sorria com a sensação de amor e liberdade que apenas ele proporcionava. Sirius riu e soltou um pequeno rosnado próximo ao seu ouvido a deixando arrepiada.

- Não sabia que era tão oferecida! Esclareço que, antes, era apenas por questões puramente físicas oriundas de um tesão adolescente e hormônios desenfreados. Agora, não mais – a mordeu no queixo antes de voltar a beijá-la.

- Hmmm... eu sempre gostei de você, não no sentido romântico. Sirius, eu sinto que estou perdidamente apaixonada por você – Narcissa olhou para baixo se sentindo um pouco insegura. Não gostava de ficar tão vulnerável diante de alguém, depois de tantos anos aprendendo a duras penas a não confiar demais nos outros.

- Interessante a sua afirmação, Cissa. Conte-me mais a respeito de estar apaixonada por alguém que a quer o tempo inteiro – falou com os olhos fechados a abraçando com força para que se sentisse segura de tudo.

- Você me ensinou coisas – sussurrou.

- Tais como? – a inquiriu carinhosamente.

- Ah, Sirius... como realizar as minhas fantasias e vontades na cama... o modo que um orgasmo deveria ser verdadeiramente – continuou com o tom de voz baixo sentindo o seu rosto queimar de constrangimento ao revelar tais coisas.

- Você nunca teve um orgasmo antes? – se afastou com um olhar assustado. Pensava no fato de que a loira era casada por cerca de 20 anos e, em algum momento do ano, ela transara com Snape. Como era possível o que afirmara? Será que o bruxo de cabelos pretos fora indelicado e violento com ela?

- Bem... sim, eu tive antes de me envolver com você. O que eu quero dizer é que foi diferente, sabe? Teve um envolvimento e, por isso, foi bem mais forte e intenso do que antes – as bochechas dela seguiam coradas o que o fez a olhar com verdadeira admiração.

- Narcissa Black, acredite, você é uma mulher fantástica! – falou com as duas mãos no rosto dela, a olhando dentro dos olhos.

- É o que você merece, Sirius Black – retribuiu o olhar com a mesma intensidade.

- Não, você é muito mais e melhor do que eu sou digno. Eu amo você, Cissa.. essa é toda a verdade – os beijos voltaram, se intensificando um pouco antes dos dois se separarem e voltarem para a festa.

FLASHBACK OFF