Disclaimer: Harry Potter não me pertence e tudo que vocês reconhecem pertence a J.K. Rowling.
Chapter Forty Three – Truths of the Past
(Verdades do Passado)
Harry tentou entender o que via à sua frente. Ele tentou diminuir o influxo de memórias que Bella estava lhe enviando, mas tudo que viu foram flashes ligeiros do passado dela. Lentamente, o fluxo de imagens começou a diminuir para que ele pudesse entender o que estava vendo.
A primeira lembrança que viu foi de uma Bella muito jovem, que parecia ter seus vinte e poucos anos. Ela estava de pé ao lado de uma garota loira, que Harry percebeu ser Narcissa. As duas estavam diante de um grupo de garotos. Pela decoração e atmosfera ao redor delas, parecia uma espécie de baile. Harry reconheceu o local diante do qual estavam como a mansão de Cygnus Black, pai de Narcissa e Bella.
Bella focava sua atenção em um jovem de cabelos escuros. Bastou uma olhada para Harry reconhecê-lo. Era o marido dela, Rodolphus Lestrange. O garoto sentiu o coração pular no peito ao vê-lo. Harry tinha apenas dez anos quando Rodolphus foi morto, mas tinha muitas lembranças dele. Muitas lembranças boas.
Harry assistiu à memória de Bella falando com Rodolphus pelo que parecia ser a primeira vez.
"Quem é seu amigo?" perguntou Bella a um homem de cabelos cor de areia que Harry não reconheceu.
O homem pôs a mão nas costas de Rodolphus e o apresentou.
"Este é Rodolphus Lestrange."
Bella olhou para o homem incrivelmente bonito de cabelos escuros e se concentrou em seus incríveis olhos azuis que brilhavam com vida. Ela sorriu para ele e Harry percebeu que nunca a vira sorrir assim antes. Era um sorriso cheio de vida e ela parecia menos com uma Comensal da Morte e mais com uma bruxa normal.
"Lestrange? Eu achava que o único descendente da nobre casa dos Lestrange era Rabastan. Tenho certeza que li sobre sua lamentável morte no ano passado," disse ela, sem tirar os olhos do homem à sua frente.
Harry se virou para observar a reação de Rodolphus e notou imediatamente o olhar em seus olhos. Ele sorria para Bella, mas seus olhos tinham um olhar estranho. Um olhar quase ansioso, não havia outra palavra para descrever. Sem quebrar o contato visual, ele respondeu.
"Rabastan era meu irmão mais velho. Você está certa. Ele morreu ano passado."
Bella baixou o olhar ao murmurar suas condolências. Ficou claro em seu tom de voz que não sentia por sua morte, já que não o conhecia. Harry sabia que Bella era assim; era seu jeito de pensar. No entanto, isso não pareceu afetar Rodolphus. Ele deu de ombros para as condolências e começou a conversar com ela. Os dois pareciam tão absortos um com o outro que ignoraram a companhia em volta.
"Eu não sabia que havia um último descendente dos Lestrange. Você é uma surpresa," disse Bella. Harry se encolheu ao ouvir o tom de flerte.
Rodolphus riu e Bella parou de falar. A visão do belo rapaz sorrindo visivelmente a pegou desprevenida.
"Sou sim," respondeu ele e lhe lançou outro sorriso deslumbrante. "Eu sou o mais novo; meus pais nunca se incomodaram em me apresentar a alguém importante. Na verdade, eu nunca morei com eles. Vivi no exterior a vida toda. Só voltei no ano passado, depois da morte do meu irmão," explicou ele.
Desta vez, Bella pareceu realmente sentir muito. Ela desviou os olhos e lançou um olhar rancoroso para o pai, que estava em pé com uma multidão de pessoas, discutindo alegremente sobre política. Ela olhou para Narcissa, que estava muito ocupada conversando com seu namorado loiro para notar a expressão da irmã.
"Eu sei como é isso," disse ela baixinho.
"Você é a mais nova também, não é?" perguntou Rodolphus.
Bella acenou com a cabeça e desviou o olhar.
A memória começou a desaparecer e logo foi substituída por outra. Bella estava com Narcissa novamente, mas desta vez do lado de fora de um café e pareciam conversar sobre alguma coisa. Harry observou as duas irmãs sentadas ao sol, tomando suas bebidas geladas. O cabelo escuro de Bella estava bastante longo, mais do que ele lembrava, e ela continuava sacudindo-o atrás dos ombros. Harry viu um jovem, Rodolphus, sair de uma livraria. Ele olhou, viu as duas Black e acenou para Bella, que acenou de volta, um sorriso se espalhando rapidamente em seu belo rosto. Rodolphus começou a andar na direção delas.
"Ah, estou vendo que seu stalker te encontrou de novo," disse Narcissa maliciosamente, tomando sua bebida e mantendo os olhos fixos em Bella.
"Ele não é um stalker," corrigiu Bella.
"Aham, então por que nos últimos meses ele aparece aonde quer que você vá?" perguntou Narcissa, com um sorriso no rosto.
Bella revirou os olhos para a irmã mais velha e se concentrou em sua bebida.
"Chama-se coincidência, Cissy," disse ela sem olhar para a irmã.
Narcissa olhou para Rodolphus, que ainda se aproximava, e sussurrou depressa para a irmã.
"Ele parece muito legal, acho que deveria dar uma chance a ele."
Bella olhou para Narcissa em exagerado choque.
"Está louca? Não posso sair com ele! Tenho outros compromissos."
O olhar brincalhão no rosto de Narcissa foi substituído por um que mostrava medo e aborrecimento.
"Sim, bem, acho que você merece ter mais de um compromisso!"
A resposta de Bella foi cortada pela chegada de Rodolphus, que saudou as irmãs calorosamente. Harry podia ver claramente o olhar de aprovação no rosto de Narcissa enquanto sorria para o homem de cabelos escuros. Bella parecia desconfortável no começo, mas logo se derreteu na presença de Rodolphus.
A memória lentamente desapareceu para ser substituída por outra. Desta vez, havia só duas pessoas diante de Harry. Parecia que um bom tempo passara, já que Bella estava um pouco mais velha que na última memória. Harry pôde ver imediatamente que, independentemente do que ela havia dito à irmã, Bella e Rodolphus evidentemente se aproximaram muito e começaram um relacionamento.
O rapaz a observou falar com calma e um tanto seriamente com Rodolphus.
"Eu sei que quer uma resposta, mas é muito mais complicado que isso," disse ela com os olhos voltados para longe dele.
Rodolphus sorriu novamente e segurou as mãos dela nas dele.
"Não é complicado, Bella. É simples: 'sim' ou 'não,' pessoalmente eu diria 'sim,'" disse ele antes de rir.
Ao som de sua risada, Bella olhou para ele. Ela o examinou atentamente e deu um sorriso relutante por fim.
"Eu quero dizer 'sim,' mas preciso que saiba algo sobre mim antes disso."
"Seja o que for, eu aceito. Não há nada em você que eu não ame," disse Rodolphus, beijando sua mão.
Harry rapidamente desviou o olhar. Isso o estava fazendo corar; era como ver seus pais sendo românticos um com o outro, muito constrangedor e muito errado.
Bella olhou para Rodolphus. Mantendo os olhos fixos nele, ela puxou a manga esquerda das vestes para revelar a tatuagem escura da Marca Negra. Rodolphus olhou para ela antes de passar o dedo suavemente pela marca. Ele olhou de volta para Bella, sua expressão ilegível.
"Se me quiser, tem que aceitar isso também. Essa sou eu de verdade. Eu pertenço a Ele, ao Lorde das Trevas. Se realmente quer se casar comigo, então terá que aceitar isso em sua vida," disse Bella seriamente, seus olhos fixos no rosto de Rodolphus.
Rodolphus olhou para Bella, os olhos azuis perfurando os dela. Ele ainda segurava sua mão esquerda. De repente, ele puxou o braço dela, expondo a marca novamente, e abaixou a cabeça, beijando a marca e encostando a testa nela em sinal de respeito.
Bella parecia surpresa, mas seu rosto explodiu em um sorriso profundamente aliviado. Rodolphus se endireitou e sorriu para ela de novo. Bella jogou os braços ao redor dele antes de rir, seu alívio e nervosismo anterior aparecendo em sua risada. Ela o beijou profundamente assim que a memória desapareceu.
Harry se perguntou por que estava assistindo aos momentos íntimos de Bella e Rodolphus, mas não conseguiu fazer nada quanto a isso. Ele observou outra memória se materializar à sua frente. Desta vez, o ambiente lhe tirou o fôlego. Estava nos aposentos de Voldemort.
As tochas nas paredes lançavam sombras bruxuleantes no cômodo. A câmara estava cheia de homens mascarados em vestes negras e máscaras brancas. Harry assistiu com um coração palpitante uma figura solitária caminhar até a massa de homens mascarados. Voldemort ficou em silêncio enquanto examinava a sala através dos olhos vermelhos. Ele levantou a mão, fazendo um comando silencioso. Harry assistiu com admiração quando uma figura vestida com trajes ritualísticos saiu da multidão e caminhou firmemente até o bruxo. Ele se ajoelhou e beijou a bainha de suas vestes. O rosto estava escondido, pois o capuz estava sobre sua cabeça. Ele sentou-se de joelhos e esperou pacientemente por seu mestre.
Voldemort olhou para o homem sentado obedientemente aos seus pés. Harry observou de perto. Sabia o que estava acontecendo, embora nunca tivesse presenciado uma dessas reuniões. Era o ritual de iniciação, quando um novo Comensal da Morte era iniciado e recebia a Marca Negra.
Dois Comensais da Morte apareceram ao lado de Voldemort. Um deles removeu a máscara branca e se revelou. A única Comensal da Morte mulher. Ela assistiu, visivelmente preocupada, quando Voldemort falou com o homem sentado no chão diante dele. O que quer que Voldemort disse não foi ouvido, mesmo que a câmara estivesse em silêncio mortal. A figura falou com a cabeça abaixada.
"Sim, mestre."
Voldemort se endireitou e encarou o homem antes de virar a cabeça para olhar direto para Bella. Seus olhos pousaram nela e ela também olhou para seu mestre, com um olhar preocupado e irritado.
"Levante!" veio o comando.
O homem encapuzado se ergueu e ficou de pé. Voldemort estendeu uma mão enquanto a outra revelava sua varinha. O homem finalmente abaixou o capuz para que seu rosto ficasse visível.
Harry já sabia quem era. O belo rosto de Rodolphus apareceu por trás do capuz e, embora parecesse nervoso, isso não afetou o brilho brincalhão em seus olhos. Voldemort parecia discordar de sua expressão, mas não disse nada. Rodolphus ofereceu o braço esquerdo a Voldemort e ficou rígido, esperando pela marca.
Voldemort parecia avaliar o homem à sua frente. Sua varinha tremeu ligeiramente, mas Harry viu. Ele sabia o que significava. Significava que Voldemort estava incerto sobre algo. Isso em si era enervante, já que era muito raro o bruxo não ter certeza de suas ações. Ele pegou o braço de Rodolphus e pressionou a ponta da varinha no antebraço.
Rodolphus não vacilou quando o feitiço foi pronunciado e a Marca Negra começou a se espalhar por seu antebraço. A pele queimava e coçava enquanto a tatuagem era gravada de forma definitiva em sua pele. Rodolphus virou a cabeça para encarar Bella. Seus olhos estavam fixos nela e um pequeno sorriso enfeitava seu rosto. Através da dor excruciante de ter a Marca Negra queimada em seu antebraço, Rodolphus manteve os olhos fixos em Bella, quase como se não doesse tanto se estivesse olhando para ela. O sorriso não deixou seu rosto enquanto a tatuagem era concluída.
Assim que Voldemort soltou o braço de Rodolphus, a sala começou a desaparecer e Harry se viu sendo empurrado para outra lembrança. Ele viu Rodolphus e Bella no laboratório de poções da Mansão Riddle. Ambos estavam diante de caldeirões, preparando uma poção incolor. Harry reconheceu imediatamente como a poção da verdade, Veritaserum. Com um sobressalto, o rapaz viu seu eu de oito anos sentado no laboratório, mergulhado na lição com Lucius Malfoy. Lembrava-se daquele dia. Ele estava no meio da aula de poções quando Bella e Rodolphus chegaram, insistindo que precisavam fazer um lote de emergência da poção da verdade por ordens de Voldemort. Lucius reclamou, mas permitiu o acesso, já que as ordens vieram diretamente do próprio Lorde das Trevas.
Harry se lembrou de como Rodolphus entrara atrás de Bella, seu habitual sorriso encantador no rosto. Ele incomodou Lucius por entrar direto, sem se desculpar por interromper sua aula de poções. Bagunçara o cabelo desarrumado de Harry ao passar, irritando Lucius ainda mais. O Harry de oito anos lançou-lhe um olhar zombador antes de se virar e sorrir secretamente para ele. Lucius e Rodolphus estavam sempre competindo entre si. Harry não queria piorar a situação.
Enquanto o Harry de dezoito anos assistia à memória, viu Bella e Rodolphus sussurrando um para o outro.
"Você sabe por que o Lorde das Trevas pediu emergência no preparo de Veritaserum?" perguntou Rodolphus. Ele fez a pergunta casualmente, mas havia algo em sua voz que alertou Harry. Talvez fosse nervosismo?
"Eu não sei. Provavelmente só quer que os estoques sejam atualizados," respondeu Bella enquanto agitava a poção no sentido anti-horário.
"Eu tive a impressão de que ele queria interrogar alguém," disse Rodolphus, suas palavras ditas com cuidado e preocupação.
Bella levantou uma sobrancelha para ele e disse em tom de zombaria.
"Aah, consciência pesada, hein? Está com medo que ele te dê um pouco?"
Harry pôde ver que Rodolphus sorria e riu de Bella, mas havia algo em seus olhos quando ela falou, algo que fez Harry sentir que talvez a brincadeira dela tivesse fundo de verdade.
"Você sabe que não tenho nenhum segredo," disse Rodolphus com um brilho nos olhos.
"Eu sei, e é melhor permanecer assim," alertou Bella de brincadeira.
A memória desapareceu e Harry começou a se preocupar. Por que Bella estava lhe mostrando essas memórias? Será que Rodolphus tinha um segredo? O que isso tinha a ver com Harry? Por que estava vendo essas lembranças? Rodolphus estava morto. Harry sabia disso, lembrava-se do dia que viu o corpo dele e a forma arrasada de Bella ao seu lado. Lembrava-se de como seu pai, Voldemort, ficou irritado ao ver o cadáver de um dos seus mais talentosos Comensais da Morte sendo trazido pelos outros. Harry levara alguns dias para superar a dor em sua cicatriz e a dor em seu coração por perder Rodolphus. Ele e Draco gostavam muito do marido de Bella, e sabiam que Rodolphus também gostava muito deles.
Harry forçou-se a deixar esses pensamentos quando sentiu outra lembrança se materializar. Desta vez, sentiu a respiração deixá-lo completamente. Estava no meio de um ataque. Um ataque que envolvia Comensais da Morte e aurores. Havia clarões de luzes por toda parte enquanto feitiços zuniam em todas as direções. Harry assistiu à cena familiar com um coração martelando. Já vira isso; vira essa mesma memória repetidamente em seus sonhos no ano anterior.
Harry assistiu à memória mesmo sabendo o que veria. Ele viu Bella aparecer, rindo e curtindo o ataque. Harry viu quando ela tirou a máscara e começou a duelar. De repente, percebeu que conseguiria ver tudo na íntegra, já que estava assistindo à memória de Bella, não deveria haver distorção. Finalmente veria o que aconteceu para fazê-la suspirar de dor.
Assim, depois de alguns minutos de duelo, uma maldição perdida a atingiu de lado. O suspiro de dor de Bella soou nos ouvidos de Harry. Suas vestes estavam manchadas pelo sangue vazando de um corte horrendo, logo abaixo de suas costelas. Bella tentou, mas não conseguiu impedir que a próxima maldição a atingisse. Ela estava muito ocupada duelando com os dois aurores à frente e não pôde impedir o terceiro auror de lhe atingir com uma maldição de corpo preso.
Bella bateu no chão com um grito. Ela lutou contra a maldição, mas seus membros duros estavam sob o feitiço que ela não conseguia quebrar. Só seus olhos estavam livres dos efeitos da maldição e ela olhou em volta freneticamente.
Harry observou os três aurores se aproximarem dela, com a intenção de machucá-la mais ou prendê-la. Seus grandes olhos em pânico examinaram a área freneticamente e finalmente pousaram em alguém. Harry seguiu seu olhar e viu Rodolphus. Ele acabara de lançar a maldição da morte em um auror e se virou para ver Bella no chão, sangrando e com dor.
Naquele mesmo momento, um grito de "recuar" foi ouvido. Os Comensais da Morte estavam sendo instruídos a partir.
Harry sabia os pensamentos de pânico que corriam pela mente de Rodolphus naquele momento. Ele não podia deixar Bella. Estalos altos foram ouvidos quando os Comensais da Morte começaram a aparatar. Os três aurores indo na direção dela ou iam matá-la ou tentar prendê-la. A julgar pelos corpos dos Comensais da Morte, não parecia que estavam interessados em fazer prisões.
Rodolphus tentou lançar os três aurores para longe da forma caída de Bella, mas só dois homens voaram para longe dela. O outro auror apontou a varinha para Bella e as palavras da maldição da morte já estavam saindo de seus lábios. Tudo aconteceu em um piscar de olhos, mas para Harry parecia que tudo desacelerara.
Ele viu o olhar de puro pânico e medo nos olhos de Bella ao sustentar o olhar do esposo. Rodolphus se aproximou e puxou a corrente em volta de seu pescoço. A corrente estalou e Rodolphus lançou-a com todas as suas forças para Bella. O olhar em seu rosto enquanto jogava a corrente era claro. Ele sabia que nunca mais a veria novamente. Harry podia ver a dor intensa em seus olhos enquanto observava a corrente pousar em Bella.
Assim que a corrente atingiu a forma imóvel dos Comensal, a chave do portal foi ativada e ela foi levada de volta à Mansão Riddle, de volta à segurança.
A memória terminou abruptamente quando Bella foi transportada, mas Harry teve um vislumbre da luz verde que saiu da varinha do auror e atingiu o ponto em que Bella estivera há poucos segundos. A última coisa que Harry viu foi Rodolphus sendo atingido por dois aurores.
Harry respirava com dificuldade. Assistir à última memória tinha sido uma tortura. Ele presumiu que os aurores deviam ter matado Rodolphus após ele transportar Bella para a segurança. Harry não sabia que Rodolphus fizera aquilo. Ele se sacrificara por ela. O rapaz sentiu uma emoção estranha borbulhar dentro de si. Nunca soube que Bella e Rodolphus eram tão apaixonados. Lembrava-se de Narcissa dizendo que Bella nunca mais foi a mesma após a morte dele. Agora entendia.
Quando Harry achava que as lembranças tinham acabado, ele se viu dentro da Mansão Riddle. Assim que avistou as duas figuras na câmara vazia, sentiu suas entranhas congelarem. Voldemort estava com Bella. Harry nunca tinha visto alguém tão arrasado quanto Bella ali. Ela estava com a cabeça abaixada, mas ele podia ver que seu rosto estava pálido, os olhos avermelhados, mas era o olhar de completo horror em seu rosto que tirou o fôlego de Harry.
Voldemort a observava, seus olhos vermelhos olhando para ela sem qualquer pitada de misericórdia neles. Harry não entendia o que estava acontecendo. Ele olhou de Voldemort para Bella e desta vez viu que ela segurava um pequeno arquivo, apertado firmemente em suas mãos. Mas ela não olhava para ele. Ela parecia em choque.
"Não... não pode ser," sussurrou ela, sua voz cheia de dor.
Voldemort reagiu às suas palavras rosnando para ela.
"É verdade! A verdade está diante dos seus olhos!" disse ele apontando para os papéis nas mãos dela. "Você o trouxe aqui! Apresentou-o a mim sem investigar seu passado! Veja onde isso te levou!"
Harry estava achando realmente bizarro Voldemort estar tão zangado e isso não o afetar nem um pouco. Sua cicatriz não doía desde a morte do bruxo no ano anterior. Ele sabia que, quando a cena diante de seus olhos ocorrera, devia ter sofrido muito. Voldemort estava mais que irritado, ele estava lívido.
Bella ainda não erguera os olhos, mas balançou a cabeça um pouco. Isso fez Voldemort perder a paciência que restava. Ele marchou até ela e a agarrou duramente pelos braços, forçando a mulher chocada a olhar amedrontada para ele.
"Você entende o que aconteceu?! Ele mentiu para você! Ele mentiu para mim! Está entendendo?" sibilou ele para ela. "Você foi enganada! O mestiço imundo mentiu para você! Ele mentiu sobre tudo! Ele não é um Lestrange! É um mestiço, o filho bastardo de alguma sangue-ruim imunda!"
Harry assistiu, sentindo a bile subir em sua garganta de medo. Ele nunca tinha visto Voldemort assim e não era fácil ver Bella se acovardar e chorar diante dele. Não sabia se as lágrimas dela eram por medo ou por outra coisa.
"Mestre! Eu... eu..." Bella não conseguia falar. Ela tremia e chorava quando Voldemort continuou a sibilar para ela.
"Você acreditou nele e me convenceu de que ele era o último descendente da família Lestrange. Eu só o aceitei por sua causa! No que deu sua confiança nele? Ele usou você, mentiu para você. Ele não é Rodolphus Lestrange. Nunca houve um Rodolphus Lestrange! Aquele homem com quem você se casou e trouxe para o meu serviço é um mestiço chamado Cole Bailey!" gritou Voldemort, apontando para o arquivo nas mãos de Bella.
Suas palavras atingiram Harry como um soco. Rodolphus Lestrange era Cole Bailey?! Ele mentiu sobre ser puro-sangue e fingiu ser outra pessoa. Mas por quê? De repente, o rapaz se lembrou da primeira lembrança que Bella lhe mostrou. O olhar ansioso nos olhos de Rodolphus quando olhou para Bella fazia sentido agora. Ele devia estar apaixonado por ela. Como todos sabiam da obsessão da família Black com pureza de sangue, ele fingiu ser o último descendente de uma família morta para se aproximar dela.
Harry sentiu-se mal. Rodolphus não era Rodolphus. Ele era Cole Bailey, um bruxo mestiço que fingia ser puro-sangue. O rapaz de repente percebeu a grandeza da revelação. Se Rodolphus era na verdade Cole Bailey, então significava que a pessoa se passando pelo Príncipe das Trevas, a pessoa responsável por tentar incriminá-lo pelos ataques e mortes, a pessoa responsável pela condição de Draco, era Rodolphus!
A cabeça de Harry estava girando. O telefonema feito para ameaçar a vida de Damien partiu de Rodolphus. A luta nos telhados de Hogwarts tinha sido com Rodolphus. Toda vez que Harry via a foto da figura mascarada no jornal, era Rodolphus olhando para ele.
Harry sentiu que poderia facilmente vomitar. Era Rodolphus por trás de tudo. Mas ele ainda não entendia como isso era possível. Tinha visto o cadáver dele sendo trazido de volta pelos Comensais da Morte. Ele não compareceu ao funeral, pois ainda estava em segrego. Voldemort só revelara Harry quando ele tinha quatorze anos, e na época da suposta morte de Rodolphus o garoto tinha apenas dez anos.
A atenção de Harry voltou à cena acontecendo diante dele. Bella ainda chorava, sua personalidade forte fora quebrada e lágrimas de angústia escorriam por sua face. Voldemort parecia não conseguir conter o desejo de matar alguém, de matar Cole Bailey.
"Ele não sabe o que fez! Se acha que pode se safar por me trair, o Lorde das Trevas, está gravemente enganado! Só porque ele está em Azkaban, não significa que eu não possa alcançá-lo!"
Bella olhou para Voldemort, mas não disse nada. Ela olhou para o arquivo fino apertado em suas mãos e Harry aproveitou a oportunidade para ver o que era também.
Era o arquivo de prisão de Cole Bailey. Dizia claramente que o bruxo, identificado como Cole Bailey, havia sido preso durante o ataque e foi sentenciado à prisão perpétua em Azkaban. Tinha outros detalhes também, mas Harry não se incomodou em ler no momento.
"Prepare os outros. Vamos atrás do mestiço hoje à noite!" disse Voldemort e rumou para fora do cômodo.
De repente, Bella estava de pé diante dele, seus olhos cheios de lágrimas fixos em Voldemort. Bella caiu de joelhos, mas manteve contato visual com ele.
"Mestre, por favor!" implorou ela.
Voldemort ficou em silêncio. Ele olhava para Bella com uma mistura de repulsa e raiva.
"Sua mulher estúpida!" sibilou ele. "Você percebe o que está me pedindo? Deseja a pessoa que mentiu para você, que mentiu para o seu Mestre! Você quer que ele seja poupado!?"
Bella abaixou a cabeça enquanto Voldemort gritava a última parte. Ela se sentou de joelhos, a cabeça baixa, e não falou. Voldemort se afastou dela, de costas para a mulher arrasada no chão.
Depois do que pareceram horas, Voldemort falou com uma voz muito mais calma, mas igualmente furiosa.
"Eu lhe concederei seu pedido. Não matarei aquele mestiço!" Ele se virou para encará-la. "Mas ele ficará em Azkaban para sempre! Vai apodrecer lá!"
Bella acenou com a cabeça e levantou-se, tremendo um pouco.
"Obrigada, mestre," sussurrou ela.
Voldemort olhou cuidadosamente para ela antes de falar novamente.
"Eu não permitirei que ninguém saiba da fraude dele. Tomarei providências para que seja enterrado diante de todos os outros. Rodolphus Lestrange estará morto para o mundo. Cole Bailey..." Voldemort cuspiu o nome, "passará o restante de seus dias em Azkaban!"
Foi quando tudo fez sentido para Harry. O corpo que tinha visto e que estava enterrado sob a lápide de 'Rodolphus Lestrange' era falso. Era algo que Voldemort criara para que ninguém questionasse o paradeiro do Comensal da Morte mais talentoso. O bruxo não queria que seus Comensais soubessem que um metamorfomago mestiço o enganara, fingindo ser puro-sangue. Se isso vazasse, Voldemort seria ridicularizado e isso era inaceitável para o Lorde das Trevas.
A julgar pelo arquivo no chão, todas as provas sobre Cole Bailey haviam sumido do Ministério. Foi por isso que Remus e Sirius não conseguiram encontrar nada. Os espiões de Voldemort asseguraram que nada permanecesse sobre Cole Bailey. Os Comensais da Morte capturados raramente enfrentavam julgamento, então ninguém sabia que Cole Bailey fizera todos pensarem que ele era o descendente puro-sangue da família Lestrange. O fato era que se o Ministério não tivesse questionado Rodolphus usando Veritaserum, ninguém saberia de sua verdadeira identidade.
Harry observou Bella de cabeça baixa, as lágrimas ainda caindo em cascatas pelo rosto. Ela tremia. Seus braços estavam ao lado do corpo, os punhos cerrados. Sua respiração estava saindo irregularmente para se impedir de chorar.
Lorde Voldemort estudou Bella cuidadosamente antes de falar.
"Deveria estar grata porque ele se foi, Bella. Se ele estivesse aqui, eu mesmo o teria matado," sibilou ele.
Harry sentiu o estômago revirar ao ouvir as palavras familiares. Tinha visto essa memória, essa parte da memória antes. Sonhara com isso, mas na época estava convencido de que Voldemort falava sobre ele. Estava certo de que o bruxo se referia a ele e que ocorrera quando Harry tinha fugido e estava caçando suas Horcruxes.
A memória desapareceu e Harry se viu encarando o teto branco de seu quarto. Ele disparou da cama, sua respiração curta e difícil. Estava encharcado de suor e o cabelo grudado na cabeça. Mas tudo que podia ouvir era o som dos soluços abafados de Bella em seus ouvidos.
"Ah, Deus!" sussurrou Harry para si enquanto pensava sobre quem ele enfrentaria por trás daquela máscara prateada.
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"Eu não entendo. Como isso é possível? Rodolphus está..."
"Morto, sim, também pensávamos isso," disse Lucius, cortando James.
James ainda segurava a cópia do jornal em sua mão, olhando para o belo homem de cabelos escuros.
"Nós procuramos nos registros trouxas, na esperança de encontrar algo sobre Cole Bailey. Acontece que, quando era adolescente, ele foi suspeito de ser cúmplice de um incêndio criminoso," informou Hermione, respondendo à pergunta não formulada de James. "Ninguém morreu, apenas danos causados à propriedade e tal. Encontramos a foto dele e Sirius disse que ele parecia familiar." Aqui ela olhou para Sirius e ele assumiu a conversa.
"Eu não conheci Rodolphus, mas lembro de vê-lo com... com Bella. Mostrei a foto a Lucius, esperando que fosse reconhecê-lo." Sirius olhou para Lucius e engoliu em seco. "Isso foi um eufemismo."
Lucius levantou uma sobrancelha, mas não comentou. Em vez disso, ele se virou para James e começou a explicar.
"Eu estava lá quando enterramos o corpo de Rodolphus Lestrange. Estive presente em seu funeral. Eu também estava lá no ataque onde ele 'supostamente' perdeu a vida. Eu nunca vi nada, mas nos disseram que Rodolphus havia dado sua vida para salvar Bella. Nossos homens que trabalhavam disfarçados no Ministério contrabandearam o corpo e o devolveram a Voldemort, onde ele e Bella realizaram um funeral apropriado. Rodolphus era um dos Comensais mais talentosos e úteis que Voldemort tinha. Sua morte foi muito difícil." Lucius parou aqui e James teve a impressão de que, embora o loiro estivesse agindo como se aquilo tudo não o afetasse, ele se importava.
"Voldemort deve ter descoberto que Rodolphus era na verdade Cole Bailey, um mestiço. Rodolphus nunca morreu naquele ataque. Ele foi preso e durante seu interrogatório deve ter sido revelado que era na verdade Cole Bailey. Voldemort forjou a morte de Rodolphus e o funeral para que ninguém jamais questionasse por que deixou um Comensal da Morte tão importante em Azkaban."
Ninguém sabia bem o que dizer. Eles se encararam.
"Por que Cole Bailey mentiu?" perguntou Hermione, sem entender o motivo do homem.
Lucius não sabia.
"Eu não sei. Eu não sei nada mais do que todos vocês. Rodolphus, ele era muito próximo de Draco e Harry. Ele gostava deles como se fossem seus filhos. Não entendo como poderia ter machucado Draco ou porque tentaria machucar Harry. Eu não entendo nada," disse ele dolorosamente, sua máscara sonserina caindo para mostrar o quanto essa revelação o afetava.
James não sabia o que dizer. Ele se virou para encarar o melhor amigo.
"Sirius, chame Dumbledore e Remus para cá. Hermione, Lily está no jardim, pode chamá-la aqui, por favor? Vou buscar Harry." Com isso, James saiu
James subiu as escadas correndo, tinha que contar o que Sirius e Hermione descobriram a Harry. Ele alcançou o patamar superior e literalmente esbarrou em Damien, Ginny e Ron.
"Uau, o que houve?" perguntou seu filho ao ver o rosto pálido do pai.
"Onde está Harry?" perguntou James apressadamente.
"Tirando uma soneca," respondeu Damien, confuso com a expressão preocupada do pai.
James seguiu na direção do quarto de Harry, fazendo Damien e os outros dois o seguirem.
"Pai! O que está fazendo?" perguntou Damien quando o viu se aproximar da porta de Harry.
James não respondeu, em vez disso, abriu a porta do quarto. Era importante. Tinha certeza que Harry não se importaria de ser acordado para ser informado de que haviam encontrado o impostor.
A porta se abriu e revelou o quarto espaçoso. James examinou o cômodo e sentiu o coração afundar no estômago. O quarto estava vazio. Harry se fora.
Antes que pudesse se virar para sair, ele viu um pergaminho aberto sobre a mesa. Andou a passos largos até lá e reconheceu a letra de Harry. Ele leu a carta sem apanhá-la, suas mãos tremiam demais para erguer qualquer coisa.
'Papai,
Eu sei quem é o impostor. Sinto muito, mas tenho que enfrentá-lo sozinho. Por favor, não se envolva nisso. Eu tenho que lidar com ele sozinho. Voltarei logo. Eu prometo.
Harry.'
James ergueu os olhos do bilhete rabiscado por Harry, um estranho pânico tomando conta dele. Como o garoto descobriu a identidade do impostor? Ele os ouvira? James achou que essa provavelmente era a explicação mais provável. Ele se virou e viu que Sirius, Lucius e Hermione tinham se juntado aos outros três adolescentes e estavam de pé na porta, olhando para o quarto vazio com expressões de pânico também.
"Você sabe onde ele está?" perguntou James. Ele se referia a Rodolphus.
Lucius viu todos se virarem para olhá-lo. Ele olhou para James e encontrou seus olhos preocupados.
"Eu tenho uma ideia de onde ele possa estar," respondeu Lucius.
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Harry entrou no quarto escuro e olhou pesarosamente à volta. Embora tenha estado ali muitas vezes antes, nunca entrara na pequena cabana que pertencia a Bella e Rodolphus. Todas as vezes que ali estivera, visitou as lápides do lado de fora e partiu.
Ele nunca teve nada para fazer em Cornwall além de visitar as sepulturas que pertenciam ao casal. Agora sabia que o túmulo ao lado do de Bella estava e sempre esteve vazio.
O cômodo em que entrara estava cheio de garrafas vazias e jornais velhos. Harry notou que a maioria tinha a figura de máscara prateada em suas páginas. O rapaz olhou para as paredes e viu um grande retrato. Era a Marca Negra, o crânio com a serpente saindo de sua boca. Havia muitos outros retratos decorando as paredes, a maioria retratava a obsessão deles por magia negra.
Harry estava em pé na frente do retrato da Marca Negra quando ouviu as tábuas do assoalho rangendo, revelando que alguém havia entrado.
"Vejo que finalmente se lembrou."
A voz ecoou no quarto escuro. Harry ficou onde estava, de costas para quem falava. Tinha que acalmar o coração frenético antes de encará-lo. Lentamente, ele se virou, mas a visão tirou seu fôlego mesmo assim.
O bruxo estava parado lá. A poucos passos dele. A máscara ainda cobria seu rosto e Harry poderia ver que o metamorfomago ainda o imitava. O rapaz olhou para ele, para Rodolphus, o homem com quem cresceu e que acreditou estar morto nos últimos oito anos.
Ninguém falou, os dois bruxos continuaram a se encarar. Harry podia ver o ódio e a raiva nadando nos orbes esmeralda. Nenhum deles fez qualquer movimento para atacar o outro, e ficaram na sala escura.
"Pode remover a máscara. Eu sei quem você é agora," disse Harry baixinho.
O homem mascarado não reagiu imediatamente. Lentamente, ele levantou a mão e afastou a máscara prateada do rosto. Ao mesmo tempo, Harry notou as mudanças acontecendo, e então Rodolphus assumiu sua verdadeira forma. O cabelo bagunçado mudou para longos cabelos escuros. Ele cresceu alguns centímetros também.
Harry respirou fundo ao ver o rosto de Rodolphus. Nunca tinha visto alguém que estivera em Azkaban. Foi, portanto, um choque ver o que a prisão bruxa fazia a um indivíduo.
O rosto outrora bonito tornara-se magro e pálido. Seus olhos que outrora brilhavam com vida agora eram atormentados. Suas bochechas pareciam ter sido sugadas. Seu rosto parecia nada mais do que o de um esqueleto com a pele fina dolorosamente esticada sobre ele.
Harry deu um passo involuntário para trás ao vê-lo.
Rodolphus sorriu, um sorriso de dor, nada parecido com os sorrisos de sempre, e fixou os olhos em Harry.
"Não é bem o que esperava?" perguntou ele, dando um passo adiante.
Harry sentiu suas entranhas congelarem quando ouviu sua voz de verdade novamente.
"Considerando que eu pensei que você estava morto, sim, é uma surpresa," falou Harry.
O sorriso desapareceu do rosto de Rodolphus e ele olhou com raiva para o rapaz.
"Eu estou morto. Eu morri com ela! Eu morri na noite em que você a traiu, na noite em que você a matou!"
Harry olhou para ele, surpreso. Sabia a que "ela" o outro se referia. Só poderia ser uma pessoa.
"Rodolphus, eu não a matei," disse Harry com dificuldade, principalmente porque sua culpa na morte de Bella pesava sobre si.
Os olhos de Rodolphus se arregalaram de imediato e ele segurou a varinha na mão com força.
"Olhe para você! Não consegue nem mentir direito," sibilou ele para Harry.
"Você saberia tudo sobre isso, não é Cole Bailey!?" retrucou Harry. Não seria chamado de mentiroso pela pessoa que enganara a própria esposa.
Rodolphus parou e o encarou, uma emoção ilegível em seus olhos.
"Minhas mentiras nunca machucaram ninguém," argumentou ele.
"Sim, apenas enganaram todo mundo. Especialmente as pessoas que você alegou amar!"
Harry teve que erguer o escudo, já que assim que as últimas palavras saíram de sua boca, Rodolphus disparara um feitiço nele. A luz do feitiço atingiu o escudo azul e desapareceu. Harry baixou o escudo e olhou para o homem à sua frente.
"Eu me perguntei onde sua vadia aprendera isso," disse Rodolphus com um sorriso.
Harry teve que se forçar a ficar calmo. Decidira antes de ir até ali que não se deixaria levar por algo que não queria fazer. Rodolphus podia xingar Ginny ou qualquer outra pessoa; ele não ia perder o controle.
"Você não tem vergonha alguma? Repassar os ensinamentos do Lorde das Trevas para traidores do sangue é uma vergonha!" cuspiu Rodolphus.
Harry não disse nada. Ele estava de olho na varinha na mão do outro.
"Mas, enfim, você é uma vergonha. Acho que não deveria me surpreender com suas ações," disse Rodolphus, as palavras perfurando a calma forçada de Harry.
"Você não sabe o que..." Harry foi interrompido por outro ataque, desta vez ele pulou quando um crucio foi mirado nele.
"Não se atreva a tentar mentir para mim! Não quero ouvir suas mentiras e desculpas patéticas!" rugiu Rodolphus. Ele apontou outro crucio para Harry, mas o jovem estava pronto para evitá-lo.
Harry mal conseguira desviar da maldição e virou-se para apontar a varinha para Rodolphus. Ambos miravam um ao outro. Lentamente, Harry abaixou a varinha, surpreendendo Rodolphus.
"Eu não vou lutar com você, Rodolphus," disse ele. "Eu não vim aqui para enfrentá-lo. Você não é meu inimigo."
Rodolphus soltou um grunhido e disparou outra maldição contra Harry, desta vez seu feitiço cortante o atingiu na lateral e ele cambaleou alguns passos para trás.
"Você é meu inimigo!" gritou Rodolphus, brandindo a varinha. Ele atirou maldição após maldição e Harry apenas se protegeu delas. "Você nos deixou e mudou de lado! Depois de tudo que fizemos por você! Nós te criamos, cuidamos de você, amamos você! Amamos você como se fosse nosso e o que fez?! Você nos deixou! Você nos traiu!" Rodolphus estava perdido em sua raiva e continuou atirando em Harry.
Se Harry tivesse escolhido revidar, teria facilmente derrubado o bruxo enlouquecido. Mas não o fez. Não só porque a pessoa à sua frente era alguém do seu passado, mas porque sabia que ele estava parcialmente certo. Harry traiu Voldemort, ele causou a queda de Bella. Ele os deixou em meio à guerra e quaisquer que fossem seus motivos, não afastavam o fato de que ele, Harry, matara as pessoas que o criaram.
A outra coisa, e talvez o fator que impediu Harry de lutar com Rodolphus, foi saber que ele nunca soube do abuso que Voldemort e Bella o infligiram. Harry o conheceu quando se casou com Bella e passou um tempo considerável como Comensal da Morte. Voldemort não confiaria em um novo Comensal com Harry. Foi pelo fato de mostrar tamanho talento que ele foi apresentado ao menino.
Harry tinha apenas seis anos quando conheceu Rodolphus. Os abusos pararam quando ele tinha quatro. Rodolphus nunca soube como seu mestre e sua esposa tinham quebrado o menino antes de transformá-lo em um guerreiro. Harry sabia que era por isso que o homem tinha tamanha raiva dele. Para Rodolphus, Harry havia mudado de lado por nenhuma outra razão além de causar a queda de Voldemort.
Harry conseguiu bloquear as maldições e desviar das Imperdoáveis, já que não podiam ser bloqueadas. Ele estava no chão quando conseguiu lançar um 'Expelliarmus' e desarmar o outro. Mas mesmo sem sua varinha, o fugitivo de Azkaban não cessou seus ataques.
Ele se jogou sobre Harry e começou a socar qualquer parte que pudesse. Harry lutou de volta, mas só para se proteger, não fez qualquer movimento para machucá-lo. Harry bloqueou o ataque físico e empurrou Rodolphus para longe.
"Você os deixou! Você os deixou quando mais precisaram de você! Você é um traidor!" gritou Rodolphus enquanto tentava chutá-lo.
Harry o bloqueou e finalmente se cansou. Ele jogou Rodolphus para longe sem usar a varinha. O bruxo caiu no chão com um estrondo; sua cabeça colidindo terrivelmente com a mesa. O homem ficou lá ofegante, tentando recuperar o fôlego.
Uma culpa terrível invadiu Harry. Podia ver que Rodolphus não estava em seu juízo perfeito. Ele não sabia o que o levou a fazer o que fez. Não entendia.
"Eu não os traí," disse Harry ao vê-lo se levantar. O homem o encarou.
"Você os deixou! Ficou do lado do Ministério! Você ajudou a destruir o Mestre!" disse Rodolphus, sua voz mostrando não só a raiva, mas também o desgosto.
"Não, eu não ajudei!" defendeu-se Harry.
"Eu sei o que aconteceu! Eu vi tudo! Eu vi o que você fez! Eu vi tudo!" gritou Rodolphus, pegando Harry desprevenido.
"O que quer dizer?" perguntou o rapaz, seu coração batendo forte.
"Eu vi. Eu vi como ela... ela... e o que você fez... como pôde, Harry? Como pôde fazer isso com o Mestre?" A voz de Rodolphus vacilou neste momento e ele olhou para Harry com dor nos olhos.
Harry estava perdido. O que Rodolphus quis dizer quando disse que viu? O que ele viu?
"Do que você está falando…?" começou Harry, mas parou quando ouviu Rodolphus começando a explicar.
"Quando ele estava morrendo, eu vi tudo. Eu extraí as memórias dele. Ele não podia detê-las, Snape não pôde me impedir de ver suas memórias." Harry mal podia respirar. Ele ficou em silêncio e o ouviu. "Eu lancei Legimens, mas Snape me bloqueou. Ele era bom, suas habilidades em Oclumência eram lendárias, mas quando uma pessoa está morrendo, seus escudos mentais não são fortes o suficiente para resistir. Eu invadi facilmente sua mente e extraí tudo dele."
Harry não podia acreditar no que estava ouvindo. Rodolphus violara a mente de Snape enquanto ele morria. Mesmo para um Comensal da Morte, essa era a coisa mais cruel que se poderia fazer.
"Eu vi o que aconteceu. Eu vi como você o deixou! Vi como ela implorou para você voltar. Ela temia por você, por você! Ela não queria que se machucasse! E você nem se importou. Bella amava você! Ela te amava como um filho! E você, você nem se importou!"
Harry não conseguia falar, ele ouvia a confissão enlouquecida de Rodolphus.
"E então eu vi o castigo dela... o castigo dela... ela não deveria ter sido punida! Foi sua culpa! Não dela! Não foi ela que perdeu a Horcrux, foi você quem a destruiu! Eu sei que foi! Eu vi aquele velho idiota, Dumbledore, dizer a Snape que foi você! Você tirou o anel dela sabendo que causaria sua morte! Você a matou! Você a sentenciou ao beijo! Não foi culpa do Mestre! Não foi, foi culpa sua!"
Harry sentia-se mal. Ele tinha razão. Rodolphus tinha razão. Foi culpa dele. Sabia que Bella seria punida, mas ainda assim destruiu a Horcrux. Foi culpa dele.
"Eu... eu não..." começou Harry.
"Cale a boca! Cale a boca! Você fez de propósito! Você fez isso para poder voltar para o seu pai traidor do sangue e sua mãe sangue ruim! Você deixou aqueles que te criaram, que te deram tudo que desejou e voltou para as pessoas que nem se incomodaram em te procurar!" Rodolphus estava perdido em sua raiva.
"Por que fez isso, Harry? Por que os matou? Eles nunca fizeram nada além de te amar. Você destruiu o Lorde das Trevas, o homem a quem chamou de pai a vida toda. Você o matou, eu vi!" A voz de Rodolphus mudara e Harry podia ouvir a dor nela.
"Eu nunca quis acreditar nisso. Eu vi a notícia da destruição do Lorde das Trevas enquanto ainda estava em Azkaban. Me recusei a acreditar! Estava convencido de que você preferiria morrer a levantar a varinha contra ele. Mas, então, eu te vi! Eu te vi com sua nova família!" A última palavra foi cuspida com ódio. "E percebi o que tinha feito. Eu sabia que Snape levara os aurores à nobre casa do meu Mestre e o localizei. Eu o matei e enquanto ele dava seu último suspiro, eu arrancava as memórias dele e via, com meus próprios olhos, sua traição!"
Aqui os modos de Rodolphus mudaram e parecia que ele perdera toda sua raiva. Ele se encurvou um pouco, os braços envolvendo seu torso magro. Seu rosto pálido se contorceu, mostrando dor e desgosto. Seus olhos subitamente se arregalaram, como se estivesse vendo algo que só ele podia ver.
"Eu vi o que tinha acontecido. Eu a vi e sabia o que tinha que fazer. Lembrei-me das promessas que fizemos um ao outro e eu tive que fazer. Ela não me perdoaria se eu não fizesse. Ela não estava como eu me lembrava. Estava... diferente. Eu a vi deitada em sua cama, seu belo rosto virado para o teto, seus olhos, ah, seus olhos sem vida me encarando, mas não havia luz neles como de costume." Um soluço estrangulado o deixou e Harry pôde sentir seu próprio coração bater fortemente contra o peito.
"O que você fez, Rodolphus?" perguntou ele dolorosamente. Harry sabia que ele estava falando sobre Bella e, pelo que havia dito, era óbvio que a encontrou depois que ela recebeu o beijo.
"Eu sabia o que tinha que fazer, isso me foi pedido. Ela me disse que se algum dia fosse humilhada assim, eu concluísse por ela. Eu a amo tanto que poderia fazer." Rodolphus olhava para além de Harry, seus olhos desfocados e ainda vidrados. As palavras se repetiam como se ele estivesse tentando se convencer mais do que a Harry.
"Eu fiz o que tinha que fazer. Fiz o que ela me pedira. Olhei para ela pela última vez, beijei-a pela última vez e a soltei suavemente, afastando-a da desgraça que ela tinha sido forçada a suportar. Eu a tirei de todos e trouxe-a para casa, aonde ela queria vir." Rodolphus olhou para a porta da frente, fora da qual estavam as duas sepulturas.
Essa foi a gota d'água e a calma de Harry foi para o espaço. Seus olhos esmeralda escureceram e o chão em que estava balançou sob ele. Isso tirou Rodolphus de seu torpor e ele olhou para o rapaz, o medo genuíno aparecendo em seus olhos ao ver o garoto diante dele.
"Você a matou," sibilou Harry para ele.
Bella não morrera na cama, como todos pensavam. Ela havia sido morta por Rodolphus. Ele a matou.
Apesar da raiva dirigida a ele, Rodolphus correspondeu à raiva de Harry e gritou.
"Matei?! Eu não a matei! Você a matou! Você é responsável pela destruição dela, não eu. Eu a amava! Eu fui para Azkaban por ela! Para mantê-la segura!"
Rodolphus foi repentinamente jogado para longe. Ele voou para trás e seu corpo bateu na parede, derrubando o retrato atrás dele. O homem caiu no chão, cuspindo sangue.
Harry estava perigosamente perto de queimar o lugar. Sua raiva era tal que podia senti-la se espalhar por suas veias. Ele estava de pé diante de Rodolphus antes mesmo que ele atingisse o chão. Com um movimento de seu pulso, Rodolphus foi apanhado e erguido no ar.
"Você a matou!" Harry bradou para ele novamente antes de jogá-lo pelo quarto.
O corpo de Rodolphus caiu no chão e ele derrapou alguns metros antes de bater na parede.
Harry não conseguia raciocinar. Não conseguia mais ver Rodolphus na sua frente. Tudo que via era o assassino de Bella.
Rodolphus levantou-se e conjurou a varinha. Ele a apontou para Harry e tentou azará-lo, mas antes que as palavras o deixassem, Harry erguera a mão e, sem varinha, torceu seu braço. Um estalo horrível ecoou pelo ar quando o pulso de Rodolphus estalou e sua varinha caiu no chão. O homem ficou surpreso demais até para gritar de dor.
Harry bateu com o pé no estômago do mais velho e ele foi empurrado para o ar, colidindo com uma porta e acabando no quarto. Harry foi rápido em alcançá-lo e mais uma vez o ergueu no ar. Rodolphus engasgou de dor, mas como estava suspenso no ar, não havia nada que pudesse fazer para se proteger.
Ele olhou para Harry enquanto seus olhos negros irradiavam escuridão.
"Você queria ver no que eu me transformei, não é?" perguntou Harry, sua voz soou desumana, como se um monstro tivesse falado.
Rodolphus gritou quando sentiu o sangue começar a ferver. Ele encarou os olhos negros de Harry fixos nele. Quando Rodolphus pensou que não podia mais suportar a tortura, ele foi libertado da maldição e jogado no chão. O homem engasgou com uma dor excruciante e olhou para cima, vendo Harry, com os olhos negros, olhando-o com uma expressão assassina.
Harry se aproximou dele com a mão estendida, apontando para Rodolphus. Estava prestes a despedaçá-lo, membro a membro, quando parou de repente. Seus olhos captaram um retrato na parede, o retrato de uma linda mulher. Um súbito lampejo de memória o atingiu, uma Bella chorosa caindo de joelhos, implorando para que Voldemort poupasse a vida do homem que amava. Os olhos de Harry voltaram à cor verde e ele olhou para a parede à sua frente.
A mulher de cabelos escuros no retrato olhou diretamente para Harry, impedindo-o de matar Rodolphus. Harry encarou o retrato de Bella e sentiu o coração doer insuportavelmente. Ele a perdera. Ela se foi no dia em que foi beijada. Harry sabia disso, mas havia uma parte dele que acreditava que talvez, apenas talvez, ela pudesse ser trazida de volta. Afinal, não foi um dementador de verdade que lhe dera o beijo. Talvez houvesse uma maneira de trazer sua alma de volta. Mesmo quando Draco lhe disse que não era possível, Harry não acreditou nele. Tinha certeza que devia haver um jeito de trazê-la de volta. Mas Rodolphus a matou. Poderia haver uma maneira de trazê-la de volta, mas ele a matou antes que qualquer coisa pudesse acontecer.
Harry se afastou do homem, sentindo desgosto. Estava pronto para perdoá-lo. Foi até ali com intenções de fazê-lo entender que não era seu inimigo. Talvez até contar sobre seu passado e o que o levou a deixar Voldemort. Mesmo depois do que Rodolphus fez com ele, todos os ataques que realizou sob seu nome, as mortes e tudo mais. Depois do que fez com Draco, a ameaça que fez à vida de Damien, depois de tudo, Harry estava pronto e disposto a deixar para trás, por ser Rodolphus, o marido de Bella. A última pessoa ligada ao passado dela e de Harry.
Harry se afastou e deixou o homem ferido no chão.
"Eu não vou matá-lo, Rodolphus," disse o rapaz sua respiração tornando sua voz tensa. "Você pode viver com a noção de que matou Bella quando havia uma chance de ela ser revivida. Foi você que a matou." Harry se virou para sair. Ao alcançar a porta, ele falou novamente. "E deve saber que o homem ao qual serve até hoje, o homem que queria vingar, te deixou para apodrecer em Azkaban." Com isso, Rodolphus ergueu o olhar, os olhos arregalados e incrédulos.
"Não! Milorde estava vindo me buscar. Ele ia me tirar de lá! Ele nunca me deixaria!" resmungou ele.
"Ele jamais iria buscá-lo. Você estava destinado a morrer atrás das grades de Azkaban," sibilou Harry cruelmente.
Rodolphus lutou para se levantar, mas não conseguiu. Ele se sentou.
"Eu não acredito em suas mentiras! Ele... ele não me deixaria assim! Bella... Bella não deixaria..."
"Bella não fez nada porque você mentiu para ela! Você sempre mentiu para ela e ela te largou."
Rodolphus balançou a cabeça vigorosamente.
"Não! Ela teria me perdoado! Ela me amava, ela me perdoaria. Eu sei disso! Eu só menti porque a amava! Ela acreditaria em mim!" gritou ele.
Harry olhou para o homem coberto de sangue e sentiu a familiar pontada de piedade se agitar nele.
"Ela amava você, sim. A única razão para você ainda estar respirando é porque ela te amava." Harry o olhou nos olhos antes de continuar. "Você passou oito anos na prisão, esperando que alguém viesse buscá-lo. Encare a verdade. Voldemort não ia te buscar. Eles nunca iriam te buscar. Olhe para fora, Rodolphus, eles te enterraram há muito tempo."
Com isso, Harry saiu da sala, deixando o homem arrasado para trás.
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Assim que Harry saiu da sala, ele ergueu os olhos e viu quatro homens entrarem correndo com as varinhas em mãos. O rapaz viu o olhar de pânico no rosto do pai.
"Harry! Você está bem?" perguntou James, enquanto Sirius, Remus e um homem de cabelos escuros, que Harry presumiu ser Lucius com glamour, entraram correndo atrás dele.
Harry olhou cansado para o pai. Parecia que toda a energia fora sugada dele.
"Eu estou bem, pai," respondeu ele com uma voz tensa.
James e Harry se viraram quando ouviram Sirius gritar do quarto que estavam levando Bailey para St. Mungo's.
James olhou para Harry com um olhar questionador.
"Agora não, pai. Não posso explicar agora. Grite comigo depois," disse Harry, sentindo as emoções à flor da pele.
"Eu não... eu estou surpreso," disse James, fazendo Harry olhar confuso para ele. "Eu pensei que tivesse matado ele."
Harry olhou para o quarto, ainda podia ver parte do retrato de Bella.
"Ele já está morto. O que eu ganharia ao matá-lo?" sussurrou Harry ao ver Sirius e Remus verificando o homem de aparência quebrada.
James olhou confuso para ele, mas não disse mais nada. Ele colocou um braço reconfortante ao redor do filho emocionalmente esgotado.
"Venha, vamos para casa," disse ele baixinho.
Harry estava cansado demais para dizer qualquer coisa, mas lançou um olhar de agradecimento ao pai. James o guiou para fora para que aparatassem juntos, de volta para casa, de volta à Mansão Potter.
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N/A: O.k., aí está. Espero que tenham gostado. O Epílogo amarrará todas as pontas soltas, Malfoy sênior e júnior, o destino de Rodolphus, o novo ministro e, claro, Harry.
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