Como prometido, Snape foi vê-la no final de semana. Aparatou no jardim da casa onde Nymphadora e Lupin moravam, aproveitando para conhecer o sobrinho recém-nascido e matar a saudades que sentia de Hermione. Como se os dias estivessem, misteriosamente, querendo colaborar com os dois, o tempo passou devagar para que pudessem ficar o máximo possível juntos e ele curtir um pouco a gravidez dela. Os olhos do bruxo davam a impressão de se descortinar, como se abrissem grandes janelas, quando sentiu os dois bebês se movimentando e chutando a barriga da castanha.
- Eles gostam da sua voz, vidinha! Sabem que você é o pai deles e estão felizes ao constatarem está perto – sorriu abertamente com um olhar sonhador. Não houve dia em que ela não conversou com os seus bebês e falou a respeito do quanto Snape era maravilhoso e que os amava infinitamente.
- Será? Parece que estão desgostosos com a minha presença – comentou coçando um pouco a cabeça com um ar de dúvida.
- Ora, eles são seus filhos! Tenho certeza de que são bem diferentes no modo de expressar sentimentos. Embora, comigo, você verbalize o que quer e o que pensa... com as demais pessoas, Sevie, sempre se mostra ríspido e fechado – concluiu dando um longo beijo no rosto dele, que ainda se mostrava contrariado.
- Continue falando, vai ver que, daqui a pouco, eles ficam quietos prestando atenção – riu e piscou para Snape, que apenas a olhou erguendo a sobrancelha.
- Sei... vou pedir que eles me façam um relatório sobre o mau comportamento da mãe – foi a vez do bruxo rir, vendo que ela lhe mostrava a língua.
- Hermis? – a chamou segurando o rosto dela com carinho para que o olhasse e prestasse atenção ao que ouviria.
- O que houve? – questionou.
- Eu ando com a sensação de que algo ruim vai acontecer logo. Então, pequena, eu te peço para não sair daqui em hipótese alguma... e, não esqueça, jamais, o quanto eu amo você! – disse pensativo, mantendo o olhar fixo nela.
- Sei que quer ver os seus amigos e a sua irmã. Mas, por favor, não vá procura-los. Eles estão bem, acredite – prosseguiu cada vez mais soturno pelos pensamentos que lhe rondavam a mente.
- Tudo bem. Só que, eu sinto a falta deles... – antes que Hermione concluísse, ele a interrompeu com um beijo.
- Se eu te perder, nunca vou me perdoar... você é tudo na minha vida – disse ao acariciar o rosto dela, que o olhava sem compreender muito bem o motivo daquelas palavras.
Eles conversaram a respeito de outros assuntos, implicaram um com o outro e namoraram como se estivessem lutando contra os segundos, para permanecerem o máximo possível daquele jeito. Se amavam e isso bastava. Quando amanheceu aquela segunda-feira, foi difícil aos dois ter de passar por mais uma separação, contudo, a castanha se enchia de esperanças que era por pouco tempo. Logo o veria novamente e, quanto a guerra terminasse, seriam felizes juntos.
O tempo foi passando depressa, chegando próximo ao final de outubro... Hermione estava cada vez mais inquieta com as notícias que recebia. Estava temerosa que algo ruim ocorreria a qualquer momento com alguém próximo e se sentia inútil por não fazer nada. Por várias vezes, ela e Snape acabaram discutindo pelo Elo por conta da sua obstinação em querer ajudar e, foi por isso que, a castanha arrumou algumas mudas de roupa e decidiu ir atrás de Harry e Luna. Depois de algum tempo os procurando, viu o amigo seguindo uma luz prateada. Pela distância, sabia que era um Patrono, entretanto, não conseguia identificar de quem era. Como não via o bruxo de olhos verdes retornar do lago, onde pulara, decidiu se jogar atrás dele. O retirando de lá junto a espada de Gryffindor. Harry a incentivou a destruir a horcrux, dada a sua prova de coragem e, após a castanha ter sido torturada por imagens de Snape dizendo que não a amava, que preferia Lillian e, depois, morto... conseguiu acabar com mais uma das partes da alma de Voldemort. Chegando com o amigo ao acampamento, viu que Ronny os abandonara e eles não tinham qualquer notícia de onde se encontrava e foi assim que o Dia das Bruxas chegou... Por mais que corressem, os sequestradores eram mais rápidos, por conta de que Hermione não podia ser muito veloz pelo peso da sua barriga e, obviamente, Harry e Luna a acompanhavam para que não ficasse para trás. Quando foram pegos, mentiram as identidades, mas o bruxo foi reconhecido por conta da cicatriz e os três foram levados para a mansão Malfoy.
Draco ao ver os três, ficou assustado e, imediatamente, chamou Monstro para que este fosse atrás de Sirius e Snape. Antes que o elfo fosse embora, ainda ressaltou que trouxesse Dobby ou outro que ajudasse na fuga. Mesmo agindo rápido, foi chamado para descer e reconhecer o seu ex-colega para que o Lorde das Trevas fosse chamado e os Malfoy voltassem às suas graças. O loiro desconversou o máximo que pode, se disse incapaz de reconhecer, sentindo a pressão colocada por Bellatrix e Lucius que queriam que falasse de uma vez. Na verdade, estava tentando ganhar tempo... um tempo bastante precioso, que seria fundamental para tira-los dali. Entretanto, a tia ao ver a espada de Gryffindor na mão de um dos sequestradores, parecia ter saído de si. Atacou os homens e ordenou que Rabicho levasse Harry e Luna para às masmorras da casa, ao mesmo tempo, em que ela mantinha Hermione junto de si, a segurando com força.
Na cela, eles encontraram Ronny e o senhor Olivanders. Antes que conseguissem trocar algumas palavras, ouviram os gritos de Hermione na sala... ela estava sendo torturada com Cruciatus. A bruxa de cabelos pretos a acusava de ter sido a responsável pelo roubo, berrava que tudo era culpa unicamente dela, exclamava que a detestava desde o dia em que nasceu. A menina implorava para que parasse, chorava de dor, tentando proteger os seus bebês para que não sofressem, jurava que não era sua culpa... nada adiantava. Enquanto Monstro fugia com os prisioneiros; no andar de cima, Sirius e Snape travavam uma batalha contra a Bella e Malfoy. Dobby desaparafusou o lustre, deixando que caísse em cima deles... infelizmente, não obteve êxito e acabou morto na fuga.
Ao aparatar com Hermione nos braços, Snape sentiu como se uma água quente e pegajosa o molhasse da cintura para baixo. Quando se deu conta, viu que ela estava sangrando e se desesperou achando que poderia ter estrunchado. Apavorado com o que via, entrou correndo com a castanha na casa, gritando para que alguém o ajudasse. Vendo-o naquele estado e o olhar perplexo de Sirius olhando para a filha, o cenário ficou ainda mais trágico... ela estava parindo os bebês antes do tempo e, pela quantidade de sangue, certamente, era sinal claro de hemorragia. Levaram-na para o andar de cima e Snape subiu as escadas desesperado... estava fora de si. Mais uma vez, sentia tudo era sua culpa! Devia ter jogado tudo para o alto e ficado todos aqueles meses ao lado da sua amada, fugir para um lugar distante e viverem como trouxas. Ao contrário disso, seguiu cumprindo o seu papel de agente duplo a deixando sozinha. Não conseguia suportar a ideia de que a perderia novamente... pensava que se acontecesse algo com ela, jamais se perdoaria. Já decidira que entregaria os filhos para Narcissa e Sirius, sabia que os dois os protegeriam com a própria vida, caso fosse necessário. Era corajoso, mas, não para enfrentar o olhar de duas crianças que perderam a mãe por sua culpa... muito menos, era forte, para viver em um mundo onde Hermione não existisse mais.
Como estava sujo, Lupin o convenceu a tomar banho antes de tentar entrar no quarto. Assim, ele fez o mais rápido que pode e se recompôs o suficiente para correr para onde ela estava. Quase caiu no corredor por se sentir fraco pelos dias sem dormir e que se alimentou mal ou foi torturado... de algum modo, entrou e ficou ao lado dela, segurando firmemente a sua mão. A sua linda bruxa estava pálida e gelada, seu coração batia fraco...
- Hermione, não faça isso comigo, por favor! – sussurrava no ouvido dela. Desesperado, abriu o Elo para que a castanha visse todas as lembranças que ele tinha com ela. Queria que percebesse o quanto era amada, que era a única e sempre foi por ela que o seu coração bateu descompassado e feliz.
- Hermione, lute... você é a mulher mais forte que eu já conheci. Muito mais do que eu penso ou imagino ser... amo o seu cheiro, o seu sorriso, seu cabelo, sua capacidade de ser teimosa e irritante. Cada batida do meu coração é porque você existe. Você é inteligente, linda e perfeita. Me perdoe por tudo o que eu já disse e fiz para te machucar de alguma maneira – ele, agora a apertava contra si, ignorando o choro dos próprios filhos. Os dois eram muito pequenos para entenderem o que estava acontecendo, mas sabiam que tinha algo errado. Snape compreendia tudo, cada detalhe a sua volta, ao ver que parara de respirar.
- Hermione! Hermione... não, não... eu preciso tanto de você! - ele a sacudia sem saber o que fazer, como não ouviu nenhuma resposta dela e as mulheres tentavam fazê-lo soltá-la, saiu de dentro de si um grito que expressava a sua dor tão profunda. Ele foi arrastado por Lupin e Sirius para fora do quarto, se debatendo queria ficar com Hermione... queria morrer de tristeza abraçado a ela. Como os dois homens não estavam conseguindo dar conta, os meninos foram em auxílio para retirá-lo dali.
- Black... me mate! Eu sou um desgraçado que acabou com a vida dela... eu matei o amor da minha vida! - agarrava o homem pela gola do casaco e era completamente ignorado. O bruxo de cabelos castanhos estava vendo diante de si tudo o que amigo havia dito que aconteceria várias vezes... Snape estava a ponto de enlouquecer sucumbindo à dor. Não conseguia argumentar mais nada, a angústia era tão forte que o fez cair de joelhos e vomitar um líquido negro que lhe queimava a garganta.
- Severus... se controle, ela vai resistir... só está fraca a respiração - falava Lupin tentando manter a calma e a esperança de que só havia sido uma parada respiratória. Foi assim que o levaram até a cozinha, onde, mais uma vez, ele segurou Sirius e implorou pela morte. Estava completamente perdido e desorientado a ponto de se ajoelhar na frente de alguém que o humilhara tantas vezes.
- Eu não vou matar você, Ranhoso... e cuidarei para que você viva por anos, pois quero que conviva com a culpa diariamente, que jamais esqueça que você foi o único culpado pela morte dela. Agora me solte! - disse dando um empurrão e saindo dali, pois sabia que acabaria agredindo Snape a qualquer momento.
A notícia não demorou a chegar... de fato, Hermione morreu por conta da hemorragia causada pela tortura. As crianças receberam o nome de Gaia e Marte, como tantas vezes, eles comentaram que os chamariam. Dois dias depois, o bruxo de cabelos pretos, sentou com Narcissa e falou que estava indo embora. Pediu que ela ficasse com as crianças e que, se pudesse, contasse a eles o quanto foram amados e desejados. A loira tentou argumentar que não o fizesse e recebeu como resposta que não suportava a ausência do único amor que teve durante a sua vida inteira. Se sentia enjoado, tonto, sufocado... como se estivesse a ponto de morrer a qualquer instante. Precisava partir para sempre. Ela o segurou pelo braço e lhe contou a respeito de algo que existia na mansão Malfoy e que poderia auxiliá-lo a não chegar ao extremo de cometer o suicídio. Snape a ouviu e foi...
Severus Snape entrou na casa, passando por cada um dos corredores mecanicamente, como infinitas vezes fizera. Ao encontrar Bellatrix no corredor, lançou um Avada Kedavra que a acertou no peito. Sentia que era seu direito fazer isso, depois que dela ter lhe roubado tudo. Ao vê-la morta, percebeu que fechara um ciclo... entrando na biblioteca se deparou com Voldemort, sentado na poltrona que se localizava atrás da mesa, o observando atentamente. Depois de uma rápida discussão, eles fizeram uma troca... tudo por Hermione, sempre e unicamente por ela. Foi assim que ele segurou com firmeza o Vira-tempo de ouro entre os dedos e girou... mesmo sabendo que, com aquele gesto, poderia estar arruinando o tempo e mudando completamente toda a história que vivera.
