- Selena! Espera!
Era mesmo de se admirar a persistência de Demi que fez com que eu parasse no meio do corredor do prédio e fechasse os olhos por um momento enquanto ela vinha atrás de mim. Respirei fundo, e com certa relutância, me virei e mantive o maxilar cerrado perante seu olhar sobressaltado.
- Sel, não vá...
A tentativa de Demi de alcançar a minha mão foi barrada pelos meus braços cruzados na defensiva.
- Ela estava com você em Chicago?
Três segundos foi o tempo que ela levou para acenar que sim; elas estavam juntas em outra cidade, em outro estado.
- Por que não me contou?
Demi deu um suspiro longo enquanto eu a fitava, confusa e desapontada.
- Meu amor, nós trabalhamos juntas. Isso é algo normal de acontecer.
Desviei os olhos dos alarmados em minha frente, um leve vacilo em minha postura. Demi pediu que conversássemos em outro lugar, mas eu fiz que não e continuei a interrogá-la ali mesmo.
- Pelo quê ela queria se desculpar?
Sua resposta mais uma vez demorou a vir, mas sua fisionomia questionável já apontava que de qualquer forma eu não ia gostar de ouvi-la.
- Nós conversamos bastante no hotel, eu pensei que as coisas ficariam bem entre a gente, mas... - Olhou momentaneamente para baixo com os lábios amassados. - Ela acabou bebendo demais e me beijou.
Veja bem, eu tentei dificultosamente não me exasperar com aquilo, já que era comigo com quem Demi estava e queria ficar, mas puta que pariu...
Meu estômago se retorceu e eu não consegui alinhar meus pensamentos, pois além de frustração, eu também estava espumando de ciúmes; sentimento esse que nos transforma em seres ignorantes, nos faz dizer coisas irracionais e que não queremos dizer, nos faz ferir quem amamos. E infelizmente algumas vezes é impossível de controlar.
- Você pretendia me contar ou isso também é algo normal de acontecer?
- Sel...
- Apenas me diga que não a beijou de volta. - Minha voz saiu baixa e desanimada.
- O que? Não! - Olhou rápido para os lados. - É claro que não! - Respirou fundo tentando controlar a voz. - Eu... fiquei sem reação, mas não a beijei.
- Então só... deixou ela te beijar? - Uni as sobrancelhas. - Isso foi antes ou depois de você me mandar flores?
Demi franziu o cenho.
- O que isso.. espera... você acha que eu te mandei flores por causa disso? Acha que... eu me senti tipo... culpada ou alguma merda assim? Sério, Selena? - Não abri a boca. - Uau... - Riu amarga. - Eu disse que eu não correspondi o beijo! Eu estou com você, caramba! Como pode pensar que eu..
- Eu não sei que porra eu penso disso tudo no momento, okay? - A cortei, alterada, meu peito apertado, cheio de amargor e insegurança. - Agora eu prefiro ir pra casa.
Demi endureceu a feição.
- Vá então. - E ao pressionar violentamente o botão do elevador, vi que seus olhos marejavam ressentidos. - Mas vá sabendo que eu te mandei flores porque eu quis, porque você merece e porque eu te amo!
Meu coração descompassou, mas quando Demi percebeu que havia articulado tais palavras para mim depois de anos, ela engoliu em seco e olhou para longe por um instante. Eu quis me aproximar e dizer alguma coisa, mas fiquei estupidamente estacada ali a olhando sem dar um pio.
- Aquela noite na chuva... eu me dei conta de que... eu nunca amei tanto alguém como eu amo você. - Confessou num sussurro vulnerável.
Engoli apesarada e estupefata, vendo Demi desviar os olhos dos meus de novo e passar a mão no rosto impedindo com rapidez que a lágrima que havia escapado rolasse por sua bochecha.
- Mas talvez eu esteja errada afinal de contas e você não me conhece mais.
- Eu... - A frase morreu na minha garganta ao nos olharmos estoicamente; Demi sentida e magoada, eu frustrada e arrependida, nossos olhos faiscando uma variação de sentimentos, entre eles o amor infindável que nutríamos uma pela outra.
Até que, com um ato desesperado para mostrar o quanto eu também a amava mais que tudo, e que ela era minha e de mais ninguém, avancei um passo largo e a puxei impetuosamente pela nuca; o choque brusco dos meus lábios nos seus macios e a colisão de suas costas na parede onde a prensei a fez me apertar forte, mas não me apartou de si e gemeu abafado quando invadi avassaladoramente sua boca com a língua, a beijando com furor ao segurá-la fortemente ali, como se a qualquer segundo ela fosse escapar da minha vida outra vez.
Demi me beijava de volta com a mesma força sem se importar se o local era inadequado e se seus vizinhos poderiam nos ver. Permanecemos com os corpos prensados após eu finalizar o beijo bruto e esconder o rosto em seu pescoço, roçando o nariz em sua pele enquanto minha respiração aos poucos se normalizava.
- Você não pode fazer isso. - A voz baixinha falhou. - Não pode dizer tamanha merda e depois simplesmente me beijar assim.
Demi mantinha a cabeça recostada na parede enquanto eu acariciava seu rosto com o meu sentindo seus dedos emaranhados nos cabelos da minha nuca.
- Eu sei... - Expeli o ar quente em sua mandíbula antes de encontrar sua expressão mais suavizada e os olhos ainda um bocado tristonhos. - Ainda quer que eu fique?
Demi apenas me examinou sem dizer nada, a mão caindo levemente pelo meu pescoço e gentilmente me empurrando entre os seios me fez suspirar desgostosa ao dá-la espaço para se afastar sem uma resposta.
- Me avise quando chegar em casa.
(...)
Devia ser mais de três horas da manhã, um grilo cantava em algum canto do jardim, cachorros latiam ao longe e as estrelas brilhavam no céu junto à lua bonita enquanto eu, estirada meio alcoolizada no gramado, relatava dramaticamente para Taylor no telefone como tinha sido o final da minha noite. Meus dedos, gelados, agarrados na garrafa de cerveja. Minha pele exposta, fria, devido à temperatura baixa da madrugada. Eu permanecia aborrecida demais para tentar dormir e Taylor estava ansiosa além da conta para o seu grande dia e por isso também não sentia um pingo de sono.
- Aí eu vim pra casa, triste e com tesão. - Solucei.
Taylor roncou uma risada no viva-voz.
- Pode rir a vontade. - Encostei o gargalo da garrafa nos lábios. - Eu mereço. - E bebi.
- Nossa, mas que timing horrível o de Amber.
- É... - Joguei o braço sobre a testa. - Mas não tão horrível quanto a minha irracionalidade e estupidez é claro. - Grunhi. - Eu baguncei tudo.
- Sel, eu acho que está sendo muito dura consigo mesma. Você é humana, é normal ficar com raiva por causa disso e sentir ciúmes. Amanhã vocês vão conversar melhor e vai ficar tudo bem.
- Ciúmes é o de menos agora pra ser honesta... - Dei um suspiro pesado. - Mas eu não acho que consigo lidar com isso agora então... me conta, conseguiu escrever seus votos?
Taylor suspirou de forma audível.
- Consegui.
- Que bom, mal posso esperar para ouvir. - Eu ri e bufei logo em seguida, pois pela terceira vez em menos de meia hora, um número desconhecido com o código de área de NY que eu vinha ignorando, tentava me ligar. - Espera um pouco, Tay.
Irritada, coloquei Taylor em espera e decidi atendê-lo.
- Alô.
- Selena?
- É ela.
E quando você pensa que a noite não pode piorar...
- Eu sou a Dra. Anne Moore do Hospital de Nova York. Aqui consta que a senhora é o contato de emergência de Ashley Victoria Benson...
- O que?
- A senhora a conhece?
- Sim. - Respondi num sussurro assustado.
- Sinto informá-la, mas houve um acidente automobilístico...
É difícil explicar o que eu senti naquela hora. Os sons se dissiparam gradativamente dos meus ouvidos e além de uma ânsia de vomito intensa, meu cérebro deu pane com o baque e a minha habilidade de raciocinar parou de funcionar por alguns segundos. Sentei, alarmada e tonta.
- E-Eu... - Engoli em seco. - Eu estou fora da cidade, pode me dizer se... ela está bem? - Pedi preocupada. - Por favor?
- Ela sofreu uma grave lesão na medula espinhal, na região da coluna cervical...
Derrubei a garrafa levando a mão à boca.
- A capacidade de locomoção dos membros superiores e inferiores foi afetada, nós...
A médica ainda informava com profissionalismo o estado de Ashley quando abandonei o telefone na grama e literalmente vomitei.
- Senhora Selena?
Tossindo, em choque, catei o celular de novo e passei as costas da mão tremida nos lábios.
- Está dizendo que ela está... está...
- Sinto muito. - Falou calma.
- Deus... - Sussurrei, condoída.
- Vocês são parentes?
- N-Não, nós... não. - Titubeei na fala. - Eu.. eu acho melhor ligarem para os pais dela, eles... eles são pessoas importantes com recursos e saberão o que fazer.
- Certo.
- E por favor?
- Sim?
- Diga a Ashley que... eu estou aqui pra ela.
- Tudo bem. Farei isso.
- Muito obrigada.
Deixei o ar sair devagar afundando os dedos em meus cabelos e me esforcei para ocultar meu estremecimento de Taylor ao finalizar também a nossa ligação com uma desculpa qualquer.
Ainda em estado de consternação e desejando muito que alguém apenas me abraçasse e me segurasse firme, consegui me erguer do gramado, sentindo a grama sob meus pés desprotegidos ao andar abalada para dentro de casa. De pijama na cozinha, Brian bebia água, e quando me viu, afastou o copo dos lábios, confuso.
- Sel? Pensei que você não...
Lágrimas surgiram em meus olhos e ao notar que eu não estava bem, meu padrasto rapidamente me amparou em seus braços.
(...)
O jardim externo todo florido para a realização do casamento e a área do altar perfeitamente adornada com um arco de flores em tons pastéis e voais brancos criava uma atmosfera romântica. Ao fundo o lago complementava o cenário apaixonante.
O dia estava bonito, o clima ameno, por sorte nenhum sinal de chuva. Os convidados aos poucos iam chegando em seus trajes formais e se acomodando nas cadeiras brancas de aspectos propositalmente gastos que constituíam a decoração provençal.
Da sacada da suíte master onde estávamos já adequadamente arrumadas também podia se ver um dos fotógrafos, o cinegrafista e a chef do buffet que também era uma amiga da família, conversando entre si, todos na espera da cerimônia que teria início às quatro horas em ponto.
- Quarenta minutos, pessoal! - Margaret, a cerimonialista e seu pesado sotaque sulino, avisou apenas com a cabeça dentro do cômodo grande.
Taylor deu um gritinho de excitação sacudindo as mãos enquanto o zíper de seu vestido branco evasê era deslizado para cima.
- Ai meu Deus! Ai meu Deus! Ai meu Deus!
- Filha, você está deslumbrante! - Sra. Swift falou, comovida ao ver a filha enfim pronta para se casar.
Elas se abraçaram, e sentada no divã eu sorri, sensível e tocada pela interação de mãe e filha.
- Você está maravilhosa, Tay. - Falei.
Camila e Karlie também a enalteceram enquanto Cara, esparramada na cama e compenetrada em seus próprios pensamentos, bebia algo de um cantil, os olhos vazios, fixos no lustre.
- Kar, tire uma foto nossa. - Taylor entregou seu telefone à amiga e posou sorridente com a mãe.
A cerimonialista neste minuto retornou a suíte e perguntou se estávamos prontas para descer, pois a fotógrafa gostaria de fazer mais algumas fotos profissionais antes do cortejo começar. No entanto, como ainda não estávamos todas reunidas, Taylor declinou e, a par da minha situação com Demi que seguia mal resolvida, pediu com sutileza que eu tentasse falar com ela de novo.
- Ai pra quê? A gente pode fazer sem ela mesmo. - Cara se manifestou monótona, agora de pé, mas ainda bebendo.
- Eu ligo pra ela, podem ir. - Falei. - Encontro vocês lá embaixo.
Taylor sorriu agradecida e saiu junto de sua mãe e Karlie.
- Será que dá pra esperar até a festa pra se embebedar?! - Camila repreendeu tirando o cantil de Cara e as duas saíram discutindo entredentes.
Logo que todas elas deixaram a suíte um suspiro profundo deixou minha boca e eu entrei no banheiro. A verdade era que eu não queria ligar para Demi pela quarta vez e parecer mais paranoica do que eu já estava, mas sabia que teria de fazer isso a pedido de Taylor. Mordi o interior do lábio e finalmente toquei em "ligar".
- Oi, aqui é a Lovato. No momento não posso atender, mas deixe sua mensagem e eu ligarei assim que possível.
Larguei o celular sobre a pia e apoiei as mãos no mármore marrom. Uma sensação esmagadora corroía minhas entranhas, mesmo que eu não fosse mais aquela garota desorientada e sozinha em um dormitório em outra cidade, eu ainda tinha meus medos e ainda caía nas armadilhas do meu próprio cérebro, como qualquer ser humano.
Bufei piscando de forma demorada antes de encarar a minha própria aparência no espelho sofisticado; a maquiagem bem feita pela maquiadora profissional escondia muito bem as marcas escuras com as quais acordei debaixo dos olhos em decorrência da noite mal dormida. Eu poderia não estar esbanjando muita alegria naquela tarde, mas pelo menos meu cabelo estava bonito ondulado e jogado de lado.
Fiquei ali até escutar três tímidas batidas na porta. Ergui a cabeça, inspirando o ar com profundidade.
- Estou indo. - Falei acreditando ser a cerimonialista.
Mas não me mexi, pois a voz abafadiça que respondeu atrás da porta não pertencia a Margaret.
- Sou eu. - Demi falou, o tom baixo e calmo. - Taylor avisou que você estava aqui então eu pensei que... poderia me ajudar com a maquiagem?
Espremi os lábios entendendo que na realidade seu pedido se tratava de um pretexto para ficarmos sozinhas e conversarmos porque ela deveria saber que havia maquiadoras experientes contratadas na casa. Comedidamente, abri a porta e perdi o fôlego ao encontrá-la se desencostando do batente, perfumada e trajada elegantemente em seu vestido de madrinha. Um sorriso tenuíssimo curvou o canto de sua boca quando seus olhos se dirigiram ao meu rosto. Meus músculos então relaxaram um pouco e eu correspondi o gesto quase imperceptível.
- Eu... - Aclarei a garganta. - Nós tentamos te ligar várias vezes.
- Meu celular ficou sem bateria.
- Oh.
Fixei o olhar nos lábios recém-umedecidos controlando a vontade de beijá-los.
- Então vai me ajudar? O casamento começa em poucos minutos.
Pisquei quando Demi se distanciou apressada até as maletas de maquiagem na penteadeira.
- Claro. - E quieta a segui.
Demi se acomodou na cadeira e eu recolhi os materiais e produtos necessários para uma maquiagem neutra que combinasse com a cor do vestido que usávamos.
- Você conseguiu dormir bem ontem à noite? - Ela perguntou cautelosa.
Emiti um som gutural em resposta e me senti ser observada ao pegar algumas presilhas.
- Fiquei perambulando pela casa e acordei parecendo um guaxinim.
Delicadamente com os dedos, escovei as mechas do cabelo solto e as prendi para poder maquiá-la.
- Soube que receberam massagem corporal hoje...
- Sim.
- Deve ter sido muito bom.
- Foi agradável.
Ficamos mudas por alguns minutos, um silêncio desconcertante se instalou entre nós enquanto eu aplicava a base em sua pele. Aliás, era quase um crime encobrir as pequenas sardas de seu rosto naturalmente bonito.
- Ontem... - Demi brincava com as próprias mãos. - Depois que você foi embora, eu... saí para encontrar Lauren.
- Oh. - Parei para olhá-la nos olhos.
- Conversei com ela por um tempo, aí o hospital ligou e... - Suspirou. - Enfim, eu... preciso te perguntar uma coisa, Sel...
Engoli saliva sentindo a boca seca e as palmas das mãos suadas.
- Ohkay...
- Você... - As mãos pequenas não paravam quietas. - Você confia em mim?
- O que? - Perguntei ao franzir o cenho. - Dem, que pergunta é essa? É claro que confio.
- Então se sente segura em reatar comigo?
- Por que está me perguntando isso agora? Você sabe que sim.
Tentei fugir daquela conversa e continuar com a maquiagem, mas cuidadosamente, Demi segurou meu pulso.
- Eu sei? - Ela tinha as sobrancelhas arqueadas e me olhava como se pudesse enxergar a minha alma. - Aquilo na noite passada... não foi só raiva por eu ter escondido de você o que aconteceu, não é?
Enfezei, larguei o pincel e andei para longe dela para respirar, parando rente a sacada com as mãos na cintura.
- Conversa comigo, Sel...
Meus braços caíram para as laterais do meu corpo e a minha garganta fechou quando virei e encontrei o olhar desconsolado de Demi.
- Você quer mesmo saber a verdade? - Minha voz trepidou. - Eu me sentia segura até a sua ex que ainda te quer aparecer e na minha presença se desculpar por ter te beijado. - As palavras saltaram amargamente da minha boca. - Talvez se tivesse me contado eu não estaria me sentindo assim agora, decepcionada e com medo de ter meu coração quebrado outra vez, porque nós sabemos que na realidade tudo começou com a nossa falta de comunicação...
Demi fechou os olhos e pendeu a cabeça para baixo enquanto eu me empenhava em reter as lágrimas para não estragar a maquiagem.
- As coisas podem não ser como eram antes, mas a sensação de sufocamento que a sua ausência me causou durante anos ainda me atormenta... - Gesticulei respirando penosamente. - Me desculpe por ter perdido a razão na noite passada, eu estava brava e fora de mim, mas nós não daremos certo se cometermos os mesmos erros do passado, Dem. - Falei chorosa.
Os olhos expressivos de Demi percorreram toda a extensão do meu rosto, e de maneira meticulosa, ela foi chegando perto de mim.
- Eu pisei feio na bola escondendo de você o que houve e sinto muito... - Parou a menos de um passo, sua mão buscando a minha. - Mas só agi assim porque eu não queria arruinar o nosso encontro ou o que estamos reconstruindo. - Crispou o nariz e eu soprei um riso seco. - Eu sei, foi estúpido.
- Muito estúpido. - Desci o olhar para as nossas mãos, permitindo que os dedos alvos se entrelaçassem nos meus.
- Eu entendo você se sentir assim. Eu era uma namorada instável, escondi muita coisa que não devia de você e mesmo sem intenção feri seus sentimentos, principalmente quando estávamos longe uma da outra. Mas, Sel... agora é diferente, eu me reergui e retomei a minha vida pra valer...
- Eu sei. - Eu disse baixo.
- Eu realmente reencontrei a felicidade que existia em mim e tudo que eu quero agora é compartilhá-la com você, meu amor... - Seus olhos brilhavam em determinação. - Só com você. Porque é nos seus olhos que enxergo o meu lar, Sel...
Respirei abrandecida, sorrindo com a vista embaçada, meu coração palpitando forte.
- Eu quero casar com você, quero viajar para qualquer lugar que quiser com você, quero ter filhos com você, quero envelhecer com você, quero tudo isso e muito mais só com você e não tenho mais medo de te dizer.
- Você vai me fazer chorar assim. - Pisquei repetidas vezes abanando meus próprios olhos.
Demi sorriu largo, e me olhando de um jeito ternurento, tirou atenciosamente um cílio caído da minha bochecha.
- Quer fazer um pedido? - Perguntou com seu jeitinho risonho.
Mas eu neguei ao sorrir contentada.
- Já tenho tudo que preciso. - Assoprei o cílio de seu dedo e a beijei.
(...)
Era chegada a tão esperada hora. Taylor já se encontrava junto de seu pai, pronta para subir ao altar, e nós madrinhas com nossos delicados buquês de mosquitinho, nos dirigíamos em posição ao local da cerimônia em meio à natureza. O caminho que nos guiaria ao altar onde um Matt sorridente de terno cinza aguardava sua futura esposa estava repleto de diversas pétalas de rosas e folhas secas. Perto dele estavam os padrinhos, entre eles Nick, o interesse amoroso da minha amiga sentada na terceira fileira junto de Liz e da Sra. Cyrus.
E ao som de uma canção suave, Karlie, a primeira do cortejo, de modo lento deu os primeiros passos sob as lentes dos fotógrafos e do operador de câmera que registravam tudo. Camila foi a segunda madrinha, e na minha frente esperando sua vez, Demi não parava de dar olhadinhas para trás. De forma discreta, cheguei com a boca pertinho de seu ouvido, aspirando o perfume refinado.
- Mal posso esperar para nos casarmos. - Sussurrei, seu sorriso acompanhando o meu.
Talvez fosse porque eu me sentia emotiva graças a sua declaração minutos atrás e porque casamentos tendem a deixar algumas pessoas emocionadas, mas eu genuinamente não via a hora desse dia enfim chegar.
Depois que Demi seguiu Cara, só restou eu. Dei uma respirada mais profunda e me preparei, segurando o buquê com mais equilíbrio. A brisa branda acariciava minha pele conforme eu, sorrindo para todos, passava de maneira lenta pelo tapete de pétalas que separava as fileiras de cadeiras até o altar. Chegando lá, me posicionei ao lado de Demi, nossos braços se tocando.
- Você está muito linda nesse vestido, mas não vejo a hora de arrancá-lo do seu corpo mais tarde. - Ela sussurrou com desenvoltura, seu rosto próximo ao meu.
Quase perdi a compostura e sorri olhando reto mordendo o canto do lábio, júbilo e excitamento correndo em minhas veias. Não era segredo nenhum que os nossos corpos clamavam desesperadamente um pelo outro, mas era incrível como ela ainda conseguia me fazer corar ao extremo.
O cortejo veio ao fim com a entrada das duas daminhas; sobrinhas pequenas de Taylor. Uma música instrumental então começou a tocar para a triunfal entrada da noiva e todos os convidados se puseram de pé. De braço dado com o Sr. Swift, Taylor entrava radiante, em sua mão direita, um buquê de rosas de tonalidades claras. Acho que nunca a vi tão linda, Taylor parecia uma princesa da Disney em seu vestido de noiva, joias finas e penteado charmoso. Os olhos esverdeados de Matt brilhavam de adoração e amor, ele era muito sortudo e sabia disso.
- É impressão minha ou aquele cara não para de olhar pra você? - Demi murmurou.
Encrespei o cenho.
- Que cara?
- O moreno de barba do lado da prima de Matt na segunda fileira.
Passei os olhos pelos convidados do noivo e notei o rosto familiar; a única pessoa que não olhava para a noiva. Levantei as sobrancelhas e meus lábios se entreabriram em total surpresa. O homem ofereceu um sorriso polido, acenando com discrição, e eu inevitavelmente, me recordei da última vez que nos vimos; alguns dias antes de eu me assumir em uma rede social para todos verem, há quase dez anos...
Era um domingo garoento, uma música do Bruno Mars — que apesar de bonita eu não aguentava mais ouvir — tocava no rádio do Jeep onde eu me encontrava alheada no banco do carona, felizmente indo para a minha casa após um fim de semana asfixiante com o garoto por quem eu fingia ter atração e sua família conservadora.
- E então? Você se divertiu?
Mirei a mão pesada de pele bronzeada que pousou em meu joelho, me limitei a forçar um sorriso e fiz que sim, notando que já estávamos parados em frente a minha casa.
- Eu também, mas só porque você estava lá comigo. - Colocou meu cabelo atrás da orelha e se inclinou para um beijo.
Eu por outro lado, tirei o cinto de segurança e abri a porta do carro.
- Sem beijo de despedida?
- Meus pais estão em casa. - Aleguei.
- E? A sua mãe me adora! - Exibiu orgulhosamente os dentes brancos em um sorriso brilhante que fazia um tanto de garotas da escola se derreter. Eu não era uma delas.
E pior que era verdade. Mamãe o adorava e com motivos; ele era inteligente, bonito, tirava ótimas notas e vinha de uma família renomada. Ela o achava perfeito e por isso aceitei tentar namorá-lo e ser alguém que eu sabia que eu não era.
- Mas ela não gosta que eu fique me agarrando com você em frente de casa então tchau. - Dei um simples beijo em sua bochecha e saí do Jeep, cobrindo a cabeça com o capuz do moletom para me proteger do chuvisco gelado.
- Selena, sua mochila!
Arregalando os olhos, parei no meio do caminho, e nervosamente voltei para pegar depressa a minha mochila.
- Te busco na escola amanhã?
- Eu vou pra casa da Hay estudar.
- Ah, tudo bem. Então eu te ligo.
- Okay.
Respirei aliviada assim que entrei em casa agarrada na mochila e a pendurei no ombro ao subir a escada. "All Through the Night" de Cyndi Lauper preenchia o segundo andar, caminhei até a porta aberta do quarto da minha mãe e meu padrasto e sorri ao vê-la cantarolando descontraidamente a canção, os óculos de grau pendurado em seu pescoço enquanto ela dobrava um suéter, mas franzi o cenho ao reparar a cama e a poltrona abarrotadas de roupas.
- O que a senhora tá fazendo? - Minha pergunta atraiu sua atenção.
- Oi, filha! - Sorridente, beijou-me na testa. - Estou separando umas roupas para doação.
- Ah... - Adentrei o cômodo e sentei no recamier. - Eu devo ter algumas também.
- Então depois você olha. - Falou dobrando outra blusa de frio. - Então o casamento foi bonito? Você chorou?
Sufoquei uma risada.
- Eu quase chorei de tédio.
Minha mãe balançou a cabeça, mas eu sabia que ela queria rir.
- Eu não entendo por que as pessoas se casam se elas podem simplesmente juntar os trapos. - Falei, brincando com o cadarço do meu Vans.
- Sel que jeito feio de falar! As pessoas se casam porque se amam e porque querem formar uma família, oras!
- Mas elas podem fazer essas coisas sem ter que assinar um pedaço de papel.
- Bom, depende, para as pessoas muito religiosas, como os Lautners, por exemplo, o casamento é muito importante já que é uma dádiva de Deus.
- Hm... - Suspirei ao levantar. - Eu não acho que eu vou querer me casar um dia.
- Eu dizia a mesma coisa com dezessete anos, Sel.
- Mas eu não sou igual a senhora, mãe. Quer dizer... - Hesitei. - Eu sou a minha própria pessoa e não consigo me imaginar casando.
Ao menos, não com um homem.
- Acredite minha filha... - Ela disse e eu parei na porta. - Você ainda vai amar tanto alguém que não vai pensar em outra coisa além de se casar e dividir seus sonhos com essa pessoa.
- E se... - Apertei a alça da mochila mordendo o lábio. - Essa pessoa não for um... - Encarei o carpete. - Um... - Engolindo em seco, olhei para a minha mãe. - Não for um Lautner? - Falei, amedrontada e decepcionada comigo mesma por mais uma vez não conseguir dizer o que eu realmente queria.
- Não está mesmo apaixonada por ele, né?
Neguei.
- É uma pena porque aquele menino é uma graça.
- Ele é legal, mas...
É um garoto.
- Bom, contanto que essa pessoa te dê todo o amor que você merece e te faça sorrir apenas com um olhar, estará tudo bem, filha. - Assegurou doce e plácida antes de eu correr para abraçá-la.
- Quem é ele? - O cochicho de Demi me trouxe de volta.
Senti meus lábios secarem e os umedeci, tombando só um pouco a cabeça para o lado para respondê-la.
- Uma vez você quis saber sobre a minha vida amorosa antes de você...
Sussurrávamos sem manter contato visual e sorríamos para disfarçar.
- Sério?
Olhei Demi de soslaio, constatando antipatia escrita em seu rosto. Enquanto isso no altar acontecia a troca de votos dos noivos que se olhavam intensamente, como se ninguém de nós estivesse ali os assistindo...
- E eu não imaginava que seria você a pessoa que conquistaria completamente o meu coração... - Taylor sorria sem desgrudar os olhos dos de Matt. - E que eu seria tão feliz...
Sentados nas primeiras fileiras, os pais dos noivos sorriam emocionados...
- Você me apoia de verdade, me escuta com atenção, me entende como ninguém...
Sr. Swift secava discretamente as lágrimas com um lenço.
- Você é o meu lugar seguro... - Foi então que o dedo mínimo de Demi se agarrou ao meu. - Meu mundo. Minha eternidade...
Agarrei firme o dedinho entrelaçado no meu, embora minhas pernas tremessem.
- E nos seus braços me sinto protegida e amada. Você me faz feliz de um jeito que ninguém mais faz. Eu espero que, daqui para frente, o nosso amor só aumente, e que juntos, possamos realizar todos os nossos sonhos. Eu te amo.
(...)
Após a troca de alianças, os noivos saíram de mãos dadas pelo caminho de pétalas, aplaudidos por todos os convidados. E ao seguirmos os recém-casados, juntamente com os padrinhos, Demi não hesitou em quebrar a fila para enlaçar nossos dedos, o gesto atencioso e inesperado me tirou um sorriso amplo que fez os meus olhos se fecharem enquanto saíamos lado a lado.
Mas logo fomos desaproximadas e instruídas a ficarmos em tal lugar. O motivo? Outra sessão de fotos com a noiva, agora no jardim, junto com o noivo e os padrinhos. Não que eu estivesse me queixando já que isso fazia parte de uma cerimônia de casamento, mas é que, naquele momento o que eu queria mesmo era ficar sozinha com Demi e beijá-la até meus lábios ficarem dormentes.
Posamos sorridentes para as fotos durante trinta longos minutos enquanto os convidados desfrutavam dos coquetéis que eram servidos. Ao sermos liberadas, dei o meu buquê para a assistente da cerimonialista em meio a uma conversa informal com Camila e entrevi Demi falando risonhamente com Nick que segurava o paletó no ombro antes do meu campo de visão ser rudemente invadido pela última pessoa que eu imaginaria reencontrar naquele dia, ou na minha vida.
O moreno que escondia as mãos nos bolsos da calça branca se aproximou de um jeito incerto e amistoso quando Camila saiu. Já eu não me importei muito em ser amigável com uma das pessoas que me viraram as costas num momento apavorante em que mais precisei de apoio. Ele então parou a uma moderada distância de mim, parecia mais alto e mais encorpado do que eu me lembrava, se bem que nunca reparei de verdade em seus atributos.
- Isso é esquisito. - Falei.
- É. - Riu, um riso nervoso. - A última vez que a gente conversou foi... - Calou-se, encarando seus próprios sapatos sociais.
Vi então que, por trás dele, Demi se aproximava de cara fechada.
- Quando eu saí do armário. - Falei debochada diante sua irresolução.
- Será que é tarde demais para pedir desculpas? - Perguntou com os ombros encolhidos, envergonhado.
- Nunca é.
Ele sorriu e quase dez anos depois se desculpou por ter sido um ignorante.
- Você parece estar muito bem agora.
- Eu estou ótima. Aliás... - Mirei Demi esticando o braço em sua direção. - Deixa eu te apresentar... - Sorri tocando a parte inferior de suas costas enquanto ela o observava, a sobrancelha erguida. - Essa é Demi.
- A namorada dela. - Ela complementou, me surpreendendo, a mão se firmando em meu quadril.
A autoconfiança, excepcionalmente sexy. O tom tão intimidador que o pomo-de-adão de Lautner se agitou na garganta, ele ficou tenso e sem saber o que falar, até que a prima de Matt, de quem ele certamente era plus one, o chamou por um apelido carinhoso, duas taças de margarita nas mãos.
- Bom te ver, Selena.
Fiz apenas um sinal de assentimento, percebendo em seguida que Demi ainda o fitava com os olhos semicerrados e o queixo levemente levantado enquanto ele se afastava.
Céus, se ela soubesse o quão sexy ela estava...
Envolvi o braço em volta de seu pescoço a sentindo relaxar ao beijá-la na cabeça.
- Vem... - Sussurrei, meus lábios grudados em seus cabelos. - Quero te mostrar um lugar.
Levamos menos de cinco minutos para nos distanciarmos das pessoas que se direcionavam para o local da festa onde uma música alternativa tocava repercutindo por todo o ambiente aberto.
Atrás da casa, agregada a construção e afastada da aglomeração de convidados, havia uma estufa elaborada em madeira branca, com paredes e telhado de vidro. A área iluminada pela luz solar era repleta de plantas suculentas, vários tipos de flores, vasos pendurados e utensílios de jardinagem.
- Acolhedor. - Demi comentou logo que entramos na estufa.
Eu, no entanto, não perdi mais tempo, puxei Demi de jeito e a colei em mim, conectando sofregamente nossos lábios. Ao conduzi-la aos beijos até a única parede de tijolo e prendê-la ali, agarrando sua coxa grossa pela abertura do vestido, um gemido vibrou em sua garganta com o impacto e fez com que eu interrompesse o roçar de nossas línguas afoitas.
- Te machuquei? - Sussurrei rouca ao resfolegar com a testa apoiada na dela.
- Não... - Resvalou o nariz no meu. - Sabe que adoro quando me beija assim.
Sorri enlevada ao senti-la usar a perna para me prender contra seu corpo e a segurei no pescoço antes de beijá-la com menos voracidade, gemendo em sua boca ao receber um aperto na bunda. Estávamos necessitadas uma da outra de tal maneira, mas sabíamos que por ora precisávamos nos conter, caso contrário, acabaríamos transando bem ali rodeadas de echeverias e trepadeiras.
Paramos o beijo dando selinhos morosos, meu polegar se arrastando por seu queixo, a cena de Demi se apresentando como a minha namorada há menos de quinze minutos reprisando em minha mente...
- O que está pensando? - Ela perguntou quando um risinho involuntário saiu do meu nariz.
Outro riso e então o sorriso se espalhou por todo o meu rosto e meu olhar se elevou para os olhos calorosos que me observavam com curiosidade.
- Por que disse ao Lautner que você é minha namorada? - Perguntei, arqueando uma sobrancelha.
A pergunta fez com que Demi franzisse o cenho, um sutil beicinho em seus lábios.
- Porque eu sou.
- Hm... - Brinquei com o colar delicado que ela usava. - Isso é engraçado porque eu não me lembro de você me pedindo em namoro.
Demi deu risada, mas logo viu que eu tentava falar sério, as sobrancelhas impecáveis se uniram.
- Eu preciso?
- Se vamos fazer isso de novo... - Dei a deixa ao fitá-la expectante.
Demi mordiscou o próprio lábio e sorriu balançando a cabeça.
- Okay... - Fez um carinho em meu rosto com um traço de divertimento no olhar amoroso. - Bom, eu não tenho nenhuma aliança de namoro para te dar, mas...
- Eu não preciso de aliança, amor... - Falei afagando sua cintura sobre o tecido do vestido. - Só peça.
- Tudo bem. - Passou rapidamente a língua nos lábios. - Selena...
- Sim...
Ela tomou uma respiração profunda, e nesse momento, quase longínqua, uma música mais calma começava a tocar...
- Você aceita namorar comigo?
Sorri travessa.
- Depende... - Falei andando de ré. - Dança comigo? - Pedi, minha mão estendida.
Algo nos seus olhos faz com que eu queira me perder
Faz com que eu queira me perder
Em seus braços
O olhar de Demi transbordava doçura, seu sorriso vasto, o meu favorito que me desmontava inteira, esticava seus lábios...
Há algo na sua voz que faz o meu coração disparar
Espero que esse sentimento dure pelo resto da minha vida
Ela pegou na minha mão e com lentidão seus dedos se enlaçaram aos meus e os nossos corpos se uniram, sendo embalados pela canção serena...
Eu me sinto em casa
- Eu não danço assim desde a nossa última noite juntas então se eu pisar no seu pé...
Parece que voltei todo o caminho de onde vim
Abri os olhos sorrindo em sua pele, meu nariz afundado na curva de seu pescoço. Dançávamos coladas, apenas sentindo uma a outra enquanto trocávamos olhares e sorrisos e compartilhávamos dos mesmos sentimentos de plenitude e pertencimento.
Parece que voltei para onde pertenço
- Tudo bem... - Peguei sua mão e girei seu corpo a envolvendo por trás. - Eu também estou enferrujada. - Arrastei a ponta do nariz em seu trapézio.
- Não parece... - Segurou meus braços envoltos de seu torso, nossos quadris se movendo em sincronia. - Mas bom saber.
Se você soubesse o quanto este momento significa para mim
E quanto tempo esperei pelo seu toque
- Senti tanto a falta disso. - Deitou com leveza a cabeça para trás. - Do seu conforto.
E se você soubesse o quanto está me fazendo feliz
Nunca pensei que amaria alguém tanto assim
- Eu também. - Beijei o pescoço perfumado. - Eu aceito. - Sussurrei em seu ouvido.
- Aceita...?
Eu me sinto em casa
- Aceito namorar com você.
Parece que voltei para onde pertenço
(...)
Um varal de luzes amarelas iluminava o amontoado de corpos dançantes na pista de dança sob as estrelas. Fazia pouco menos de uma hora que os noivos haviam cortado o bolo de quatro andares elaboradamente decorado, sujando o rosto um do outro em meio a risos, e agora dançavam juntos ao som animado do DJ agitando a festa que, após vários brindes, discursos engraçados, comidas e sobremesas deliciosas, chegava ao final.
- Ele dança bem melhor que eu. - Comentei ao levar a taça de espumante aos lábios, assistindo Matt fazer a dança do robô.
Demi riu, bocejando, a lateral de sua cabeça apoiada em meu ombro, minha mão esquerda pousada em sua perna. Já passava das dez horas da noite e havia restado só a gente na mesa principal enfeitada com um arranjo de flores. Felizmente não teríamos de dirigir por uma hora para chegarmos em casa igual aos convidados que começavam a se despedir, pois passaríamos a noite em um dos quartos da casa.
- Cansada? - Indaguei.
- Um pouquinho.
- Quer entrar?
- Não, tudo bem. - Sorriu ao me analisar. - A não ser que... você queira...
- Eu quero. - Mordi o lábio. - Mas eu também quero mais um pedaço de bolo, então... - Balancei a cabeça de um lado para o outro.
Demi revirou os olhos, rindo e me beijando brevemente.
- Vá pegar mais bolo.
- Já volto. - Dei um selinho nela e levantei da cadeira.
Porém, como sentia a minha bexiga cheia, aproveitei para ir ao toalete mais próximo primeiro, no interior da casa. Passei por dois garçons fumando no corredor aberto, mas ao fugir do cheiro tentador e adentrar a residência, meus pés pararam abruptamente com a visão horripilante da minha melhor amiga se atracando com Nick sentada em uma mesa de bilhar, o buquê da noiva que ela tinha pegado, derrubado no chão.
Os meus olhos queimaram e os meus músculos faciais se contorceram numa careta. Para terem uma ideia, eu me senti como a Phoebe de Friends, quando ela vê, pela primeira vez, Monica e Chandler se pegando pela janela. Raspei a garganta e os dois depravados imediatamente se separaram; Nick encabulado de cabeça baixa e mais vermelho que um tomate e Hay sufocando um sorriso.
- Arranjem um quarto. - Falei ao passar por eles. - Credo.
Eles muito possivelmente seguiram a minha sugestão e se enfiaram em algum cômodo da casa, pois após usar o banheiro, não os vi no meu caminho de volta para a área externa.
Assim que as solas das minhas sandálias encontraram novamente a grama, fui direto até a mesa de doces para me servir de outra fatia de bolo de limão. Perto de lá, estava a Dra. Chaney, a Chefe de Cirurgia do hospital no qual Demi e boa parte das pessoas festejando trabalhavam. A mulher esguia de cabelos castanhos comia um macaron na companhia de uma ruiva alta, sorrindo elas assistiam os noivos no meio de uma dança lenta, e ao me notar, a morena sorriu amigavelmente. Ela aparentava ser uma pessoa afável, tinha um nariz notavelmente bonito, os olhos grandes e intimidantes que, em certas circunstâncias, poderiam te fazer se sentir como um filhotinho abandonado, exatamente como Demi a descreveu dias atrás, na noite em que a mulher de meia idade nos interrompeu com um telefonema de urgência.
- Selena, certo? - Ela inquiriu, se aproximando quando eu estava prestes a voltar para junto de Demi.
- Sim. - Dei um sorriso gentil. - E a senhora é..
- Oh, por favor, me chame só de Chaney. - Interrompeu mexendo a mão no ar.
- Chaney. Entendido.
- Muito melhor. Enfim, eu fiquei sabendo que você colocará um apartamento a venda em NY em breve.
- Sim, no SoHo.
- Maravilha! Eu adoraria ver algumas fotos e talvez quem sabe comprá-lo.
Arqueei as sobrancelhas.
- Sério?
- Sim, eu me mudo para NY em três semanas e estou à procura de um lugar bem localizado, sabe?
- Entendo. Bem, eu sou suspeita para falar, mas o bairro é realmente um charme.
- Acredito que seja. Então, eu sei que nós estamos no meio de uma festa agora, mas será que você já pode me passar o seu contato? - Perguntou me estendendo um celular.
- É claro. - Pousei o prato com um pedaço de bolo na mesa. - Eu vou viajar para lá na terça-feira para buscar alguns pertences... - Falei adicionando meu número aos seus contatos. - E... - Limpei a garganta, engolindo em seco.
Pensar em NY me fazia pensar em Ashley e pensar em Ashley me deixava mal, tanto que passei o dia inteiro tentando afastar o assunto delicado da minha mente e tinha decidido que contaria a Demi sobre o ocorrido perturbante quando não estivéssemos no meio de uma comemoração.
- E visitar uma amiga, mas eu posso te dar as chaves quando eu voltar caso queira dar uma olhada pessoalmente.
- Okay, para mim parece ótimo. Muito obrigada, Selena. - Sorriu quando a devolvi o aparelho.
- Imagina, eu que agradeço pelo interesse.
Enquanto rumava sossegadamente de volta a mesa comendo bolo, vi Cara e Demi conversando, ou melhor, discutindo. Eu já havia, muitas vezes, presenciado Demi se irritar com outra pessoa, e naquele instante deu para perceber o quão irada ela estava ao bater o punho na mesa e se por de pé para responder seriamente uma Cara embriagada de punho cerrado. Deixei meu bolo em uma mesa desocupada e mastigando me apressei até a mesa principal.
- Você está sendo insana! - Demi falou entredentes, as sobrancelhas baixas, o dedo em riste, ao contrário de Cara, ela não queria chamar atenção à discussão.
- E VOCÊ ESTÁ SENDO UMA CRETINA! - Berrou a britânica, mais alto que a música, atraindo os olhares de todos antes de arremessar o vinho de sua taça em Demi.
Estaquei de queixo caído. Todos pararam o que faziam para ver o que estava acontecendo ali, incluindo Tay e Matt no centro da pista de dança. Em choque e constrangida, Demi vagou o olhar pelos semblantes pasmados das pessoas; algumas cochichando entre si, outras gargalhando alcoolizadas. Ela enrijeceu o maxilar e engoliu em seco, os olhos mais magoados do que raivosos. Cara então largou a taça vazia na mesa, apanhou uma garrafa de whisky e cambaleando ela se afastou. Senti meu sangue entrar em ebulição ao ver Demi limpando o braço todo espirrado de vinho com um guardanapo, seu vestido manchado pela bebida borgonha.
- O que houve?! - Taylor questionou confusa ao se aproximar da mesa.
- Ela perdeu o caralho da noção! - Demi respondeu ríspida, jogando o guardanapo com força na mesa.
Tentei falar com ela, mas Demi passou reto por mim e com isso eu entendi que ela só queria sair daquele lugar o mais rápido possível. Pretendi segui-la, mas avistei Cara andando até o gazebo do jardim e num impulso marchei atrás dela.
- Cara! - Agarrei o braço magro a forçando olhar para mim.
- Sai fora! - Tentou se soltar sem sucesso. - Tire sua mão de mim!
- Por que fez aquilo com a Demi? Huh? - Interpelei brava. - Você ficou louca, foi isso?
- Ai que saco! - Reclamou mal disposta. - Você soa tão patética defendendo a Demetria. - A voz rouca saiu lentificada por conta da embriaguez. - Ela mereceu, tá legal?
- Escuta aqui... - Cheguei com o rosto perto do dela, sentindo o odor de bebida alcoólica. - Eu sei que está fodida de bêbada agora e amanhã provavelmente não se lembrará do que fez, mas se por acaso, algo assim se repetir... - Reforcei o aperto em seu braço, meus olhos impetuosos, fincados nos claros tomados por uma coloração avermelhada. - Se tratá-la mal assim e eu ver, seja qual for seus motivos, a gente vai brigar sério. - Falei pausadamente. - Está ouvindo?
- Pa-té-ti-ca.
- Deus, Cara, você é ridícula. - A soltei com brusquidão.
A loira tombou para o lado e caiu desmantelada na entrada do gazebo. Por um segundo, pensei que eu tivesse a machucado, mas ela logo começou a rir, um riso choroso, penoso. Suspirei diante a cena da mulher chorando abraçada a garrafa de whisky. Eu sabia que alguma coisa tinha acontecido para ela estar se comportando desse jeito, desde cedo ela estava esquisita, fechada, na dela, exprimindo tristeza por todos os cantos. Agachei do seu lado, procurando os olhos molhados de lágrimas, escondidos pelos fios desalinhados do cabelo.
- O que aconteceu? - Perguntei com a voz mais amenizada, porém séria.
- Nada. Sai daqui. - Resmungou, tentando se endireitar. - Cai fora.
- Não. - Sentei no gazebo. - Você claramente precisa desabafar então me diga o que houve.
Cara me encarou com desdém.
- Por que não disse que a conhecia?
Franzi as sobrancelhas.
- Como é?
- Eu sei que você é a tal da ex-namorada da Lovato que voltou para a cidade.
- E daí? - Falei azeda. - Devo sair contando sobre isso para todo mundo? Isso não é da conta de ninguém.
- Uau, tá certo. - Soluçou passando a mão na testa. - Pra dizer a verdade eu não dou a mínima pra isso.
- Quem te contou? Camila?
- Amber. - A maneira como o nome da mulher foi proferido, em um murmúrio quebrado e doído, foi a resposta para tudo. - Ela citou o seu nome. - Outro soluço. - Ela estava tão destruída por ter flagrado o grande amor da vida dela com outra que nem prestou atenção quando eu disse que a amava. E olha que eu só digo essas três malditas palavras para o meu cachorro!
Encarei a grama, a ficha caindo, de repente parecia que estávamos em um episódio ruim de The L Word.
- É por ela que você está apaixonada.
- Não importa mais, ela vai embora. - Tomou do whisky.
- Okay, me dá essa garrafa, vai, você já bebeu demais. - Tirei a bebida de sua posse e a botei longe dela, a vendo secar as lágrimas.
- Amber vai voltar para a cidade natal dela e é tudo culpa da Demi. - Falou, abespinhada.
- Isso é um absurdo, Cara. - Discordei. - Mas talvez... ficar longe fará bem a ela.
Cara riu com deboche.
- Você diz isso porque essa ideia te agrada.
- Pra ser honesta, agrada sim. - Fui franca. - Mas eu digo isso porque para mim ficou óbvio que Amber não está aguentando ver Demi comigo.
- Elas mal terminaram, Selena! - Soou revoltada.
- Escute, eu sinto muito pela dor da sua amiga, mas Demi e eu... - Suspendi o olhar para as estrelas, suspirando. - Nós ficamos separadas por anos, sofremos e nos amamos a distância mesmo sem saber se algum dia teríamos outra chance de ficarmos juntas. - Encarei Cara. - E agora que nos reencontramos, ambas em um lugar melhor mentalmente falando, não vamos nos restringir. - Afirmei. - Então Amber precisa superar, porque Demi e eu estamos felizes e eu não vou permitir que nada atrapalhe a gente de novo.
- Uau... você a ama mesmo, huh?
Anuí.
- Demi sempre foi, e eu tenho certeza que ela sempre será, única para mim.
(...)
Mais uma vez, bati amenamente na madeira decorada, minha cabeça escorada no batente.
- Dem? Está aí amor?
Do mesmo jeito que o restante da casa, o corredor de paredes marfim preenchido de silêncio, era enfeitado por pinturas caríssimas.
- Demi? - Insisti uma última vez, suspirando ao desencostar da madeira.
Mas antes que eu desistisse, a porta da suíte destinada a nós foi destrancada e depois aberta, revelando uma Demi amuada, com um florido robe curto e livre de maquiagem.
- Eu estava no banho.
- Você está bem? - Perguntei terna.
Demi deu de ombro, esfregou o nariz olhando para baixo e segurou na maçaneta.
- Eu voltei ao jardim para te chamar, mas vi você com a Cara...
- Eu fui.. - Tentei esclarecer, mas Demi não deu atenção, pois já tirava conclusões precipitadas.
- Ela está interessada em você, não está? Foi por isso que ela pirou?
Precisei sufocar uma risada. Demi não tinha a menor ideia.
- Não tem graça, Sel. - Advertiu se exasperando. - Eu desconfio disso desde quando eu vi vocês se beijando na despedida de solteira da Tay.
Tudo bem. Isso eu não esperava.
- Oh...
- Pois é. - Trocou o peso do corpo para a outra perna. - É por isso que me incomoda tanto ver você com ela.
- Dem, aquele beijo não significou nada pra mim, tanto que eu nem me lembrava mais de tê-la beijado.
- Eu sei que não significou nada pra você, amor. Mas e pra ela?
- Posso te garantir que pra ela também não.
- Como pode ter certeza? - Persistiu. - Selena, eu conheço ela, eu sei quando..
- Ela está apaixonada pela Amber. - Soltei de uma vez após uma longa piscada.
- O que? - Demi franziu a testa. - Amber?
- Yep.
Demi ficou bestificada, assimilando a notícia, os olhos surpreendidos plantados em algum ponto do tapete persa do corredor.
- Então... - Umedecendo lentamente os lábios, ela me olhou com mais serenidade. - Cara não quer nada com você.
- Não. E mesmo se quisesse, ela não ia conseguir, sabe por quê? - Peguei nas pontas de seu cabelo, sorrindo com presunção. - Porque eu só tenho olhos pra você, meu amor.
Demi rolou os olhos, o nariz deixando escapulir um risinho.
- Clichê.
- Mas é a mais pura verdade. E você sabe disso.
- Eu sei.
Observei Demi mordiscar o lábio, e de maneira silenciosa me conceder passagem para dentro da suíte composta por móveis franceses. A escassa iluminação amarela mais a música lenta trazida pelo vento que entrava pela sacada criavam um clima intimista, e um tanto romântico. A porta rangeu ao ser fechada e eu lambi os lábios em antecipação, focando nas costas abrigadas pelo robe ao escutar o giro desapressado da chave, meu olhar desejoso migrando para os quadris largos, descaindo até as panturrilhas e pés descalços. Bastou apenas um passo para que a essência irresistível de coco dos cabelos escuros me extasiasse. Com as pálpebras fechadas, rocei o rosto no couro cabeludo, sentindo os fios suaves, um suspiro chegou aos meus ouvidos.
- Selena... - Demi sussurrou quando plantei uma mão em seu quadril, apertando.
- Quer que eu pare? - Perguntei com rouquidão contra a nuca cheirosa, a beijando; minha língua a acariciando.
- Não. - Agarrou meus cabelos me dando todo acesso a seu pescoço ao tombar a cabeça para o lado. - Não pare.
Calmamente, desfruindo do momento, salpiquei beijos vagarosos e molhados na pele branca, desatando o laço do robe sem pressa. O tecido de cetim escorregou pelo ombro nu de Demi que suspirava e se aprazia com a minha língua passeando por seu pescoço e trapézio. Ao atacá-la na orelha, mordê-la no lóbulo e beijá-la na cartilagem, ela arfou, os dedos entranhados com afinco em meus cabelos, minha mão a alisando na barriga, avançando para a virilha, nenhum sinal de calcinha; sorri libidinosa e viajei os dedos para um dos seios, roçagando no mamilo antes da minha mão ser desavergonhadamente conduzida até o sexo quente, melado, necessitado. Um gemido rouco seguido de um palavrão saiu da minha boca colada em seu ouvido.
- Eu te quero tanto. - Demi soltou um gemidinho dengoso quando a alisei devagar, meus dedos escorregando pelos grandes lábios.
- Deus, Dem... - Murmurei continuando a marcá-la com a boca, meu hálito quente batendo em sua pele.
- Você é a única que me deixa assim.
Usei a outra mão para agarrá-la no pescoço, sentindo a minha própria excitação escorrer enquanto massageava Demi intimamente, minha pelve pressionada contra a bunda avantajada que roçava deliciosamente em mim. A beijei no maxilar, seu rosto se virou e sua língua buscou a minha num beijo tórrido, erótico, úmido. Puxei o lábio rosado com os dentes, meus dedos encharcados abandonando seu sexo; minhas unhas arranhando sua virilha.
- Vamos para a cama. - Sussurrei, cada parte de mim ardendo de desejo e saudade. - Estou louca pra fazer amor com você.
Os lábios de Demi tornaram a devorar os meus com sofreguidão ao seguirmos até a cama grande. Paramos arfantes aos pés do móvel e eu sorri maliciosamente ao empurrá-la de leve. Demi caiu sentada no colchão, sorrindo, as mangas do robe caídas nos braços, os seios perfeitos visíveis, expectativa e fascínio explícitos nas pupilas dilatadas. Dei um pequeno passo para trás e livrei meus pés das sandálias, alcançando o zíper do vestido em seguida. Sem descravar os olhos dos castanhos incandescentes que assistiam a cada movimentação, deixei o vestido cair no chão e fiquei só com uma pequena calcinha vermelha.
Demi lambeu os lábios e então o robe fez companhia ao vestido antes da boca ávida se chocar em meu abdômen. De olhos fechados, pendi a cabeça para trás ao mergulhar os dedos em seus cabelos, me deleitando com o calor de suas mãos, com o som excitante e com a macieza dos lábios delicados explorando minha pele; meus músculos contraindo com cada beijo lânguido, cada sugada precisa, a umidade se acumulando entre as minhas pernas com cada toque luxurioso. Senti o resvalar dos dedos de Demi em meus quadris ao se enroscarem nas tiras da calcinha e olhei para baixo, entreabrindo mais os lábios com a imagem de sua língua contornando o meu umbigo enquanto a peça minúscula era escorregada com vagareza pelas minhas coxas.
Meu corpo desnudo não era novidade para ela, mas havia algo novo nos orbes penetrantes apreciando cada pinta e marca do meu corpo exposto, algo muito forte; amor, veneração, fogo, um desejo visceral. Era como se estivéssemos prestes a ter a nossa primeira vez.
- Você é a mulher mais linda do mundo. - Demi deu uma mordidinha no canto do lábio.
E uma emoção abrasadora invadiu meu peito. Eu me senti viva, inteira, amada, desejada. Sorrindo, acarinhei a bochecha corada, a covinha do queixo, e arrastei o polegar no lábio inferior, refreando um gemido ao ver Demi capturar meu dedo com a língua, chupando demoradamente, os olhos erguidos nos meus.
Ao deitarmos, pele com pele em brasa, nossos sexos se fundiram e nós gememos em uníssono com a sensação eletrizante; corpos, almas e corações atados.
Suspiros e gemidos sussurrados, respirações descompassadas e os sons de nossos beijos reinavam na suíte. Uma mão de Demi segurava meus cabelos, a outra me dava prazerosos apertões na nádega enquanto os nossos quadris se moviam em ritmo sincrônico e nossos cheiros se misturavam no ambiente. Ofegando, interrompi o beijo, minha testa se colou a dela.
- Eu te amo. - Soprei. - Em nenhum momento deixei de te amar.
- Eu também te amo. - Demi sussurrou, entregue de corpo e alma como nunca antes. - Agora... - Lambeu meus lábios. - Me faça sua de novo.
Chupei a língua provocativa e o queixo sedutor. Trilhei beijos pelo colo e deslizei o lábio até um dos seios, rodeando o mamilo duro com a língua e o sugando com morosidade. Demi gemia fraquinho, e após dar atenção ao outro seio, meu olhar chamejante fincou no seu ao mesmo tempo em que eu rastejava a boca para seu abdômen, deixando um rastro úmido de beijos e lambidas na pele arrepiada enquanto me embriagava com seu aroma e me perdia em suas curvas.
Pressionei um beijo longo em seu monte de vênus, os fios castanhos do meu cabelo eram zelosamente afastados do meu rosto, as pernas lisas completamente apartadas para mim; minha boca salivou. Beijei o interior das coxas fartas antes de abraçá-las, e ao correr vagarosamente a língua entre suas dobras, Demi arquejou e se estremeceu quando circulei o clitóris endurecido antes de chupá-lo com suavidade.
Chupei os lábios menores e subi as mãos para os seios macios os ameigando enquanto me deliciava saudosamente com a sensação de tomá-la de novo em minha boca; beijando e a lambendo com gosto de baixo para cima, de um lado para o outro; desfrutando de cada pedacinho seu enquanto seus gemidos compunham a minha melodia favorita e sua expressão de mais puro deleite delineava a mais fascinante obra de arte que os meus olhos já viram.
- Sel... - Demi gemeu meu nome ondulando os quadris em minha boca quando intensifiquei a pressão no nervo inchado. - Isso... - Sua mão apertou a minha sobre seu seio.
Gradualmente fui acelerando os movimentos da minha língua, grunhindo prazerosamente com os puxões de cabelo e as arranhadas que recebia de Demi. Ao percebê-la perto de seu ápice, soltando gemidos chorosos com o peito subindo e descendo, abracei firmemente os quadris e abocanhei seu clitóris, vislumbrando seu rosto se contorcer de prazer e sua cabeça encurvar para trás no travesseiro, sua mão tomando seu próprio seio. Um gemido estrangulado então explodiu do fundo de sua garganta quando sua coluna curvou no colchão. Segurei as pernas estremecidas que ameaçavam se fechar em torno do meu pescoço enquanto Demi tremia por inteira, se esvaindo em minha boca.
Lambi todo o líquido viscoso ignorando a pulsação no meio das pernas ao beijar suavemente a carne sensível. Subi o rosto pelo corpo relaxado e brilhante de suor, deslizando a ponta da língua no vão entre os seios de Demi enquanto ela sorria plena, imersa no próprio êxtase. Beijei todo seu rosto e dei um risinho baixo ao mordê-la no queixo, arquejando com o esbarrar sutil de sua coxa em meu centro pulsando por ela.
- Dem... - Gemi quando suas mãos despertaram e vagaram para as minhas coxas.
Impulsionei o tronco para trás com Demi me acompanhando; abocando meus seios e depois minha boca que acolheu prontamente sua língua. Nos beijamos; um beijo doce e tão lento quanto o deslizar do meu sexo escorregadio em sua pele macia. Arfando, quebrei o beijo, gemendo contra os lábios entreabertos ao sentir as mãos firmes de Demi se fecharem em minha bunda, conduzindo a dança dos meus quadris ao voltar a se deitar. O travesseiro sob sua cabeça então foi jogado para o lado, e o preto de seus cabelos espalhados no colchão, contrastou com o branco do lençol.
- Vem cá... - Murmurou, o olhar carregado de desejo enquanto me guiava para cima, levando meu sexo de encontro a sua boca.
Com os joelhos acima de seus ombros, enterrei os dedos na cabeleira negra logo que a língua longa e aveludada pincelou meu clitóris. Resfoleguei com o baixo ventre oscilando de prazer e apoiei temporariamente a outra mão na cabeceira da cama, meu corpo se retesando na primeira sugada, um gemido fino saindo da minha garganta. Demi sorriu lasciva esfregando morosamente o queixo molhado no ponto latejante, tornando a abocanhá-lo com delicadeza, os olhos vívidos pregados em mim, as mãos atenciosas dançando por todo o meu torso; me alisando, me apertando e se fechando em meus seios enquanto eu gemia livremente e rebolava familiarmente sobre a boca rosada que me tomava com vontade, me arrepiava a alma e me levava aos céus.
(...)
Despertei com cócegas; alguma coisa gelada resvalava sutilmente na região inferior das minhas costas, ouriçando minha pele descoberta, beijos gentis estalavam ao longo da minha coluna, um cheiro adocicado impregnava minhas narinas. Senti a respiração quente bater em minha orelha e sorri preguiçosa abraçada ao travesseiro. Descolei as pálpebras, voltando a fechá-las ao me deparar com a luz da manhã de domingo iluminando a suíte.
- Bom dia, linda. - Demi sussurrou amorosa, beijando a lateral da minha testa.
Dei um gemido manhoso ao me espreguiçar e virar o corpo envolto ao lençol, encontrando uma Demi sorridente, de robe e com o cabelo molhado.
- Bom dia, amor. - Ergui a mão para acariciá-la na bochecha. - Podia ter me chamado pra tomar banho com você. - Falei despretensiosa.
Demi pendeu o rosto beijando minha mão.
- Você estava dormindo tão gostoso que fiquei com dó de te acordar cedo.
- Que horas são?
- Oito e pouquinho.
- E por que estamos acordadas mesmo?
Demi sorriu enigmática, brincando com as pontas do meu cabelo que tapava meu seio.
- Você sabe que quando eu estou feliz demais eu acordo cedo, mas também tem outro motivo...
- Ah é?
- Sabia que tem uma cachoeira a poucos quilômetros daqui? Eu estava pensando que poderíamos dar uma passada lá, o céu está tão bonito, que tal um piquenique? - Propôs com entusiasmo, mas algo me dizia que esse não era o tal do outro motivo, pois eu a conhecia melhor que ninguém e sabia quando ela disfarçava algo.
De qualquer maneira, abri um sorriso animado com a ideia do piquenique na cachoeira.
- Parece perfeito. - Dito isso juntamos os lábios num beijo casto.
- Vai tomar banho que eu vou pegar café da manhã pra gente. - Me deu um último selinho, acertando minha bunda desprotegida com um tapa. - Gostosa. - E saiu rindo.
Suspirei sorrindo apaixonada e afundei o rosto no travesseiro. Ao me rastejar para fora da cama confortável, vislumbrei o céu azul pela sacada e sorri otimista.
Não queria deixar Demi esperando, então lavei os cabelos em um banho rápido. De roupão e com a pele fresca, saí do banheiro mais desperta, cantarolando uma música presa em minha cabeça enquanto secava os fios compridos com uma toalha.
Demi estava sentada na cama, as mãos nos joelhos, um sorriso absorto no rosto.
- Eu estou faminta. - Pendurei a toalha no braço de uma poltrona. - Eu poderia.. - E aí eu quase tive um piripaque.
As minhas pernas bambearam e o meu coração acelerou tanto que achei que fosse arrebentar minhas costelas. Na bandeja ao lado da mulher que agora sorria marota, continha um bule, uma xícara de café, suco, frutas e croissants. Porém não foi a comida de aparência saborosa e nem a bela rosa branca que havia ali que me deixou sem ação igual a uma estátua humana. O que me estagnou no meio do trajeto até a cama, foi uma caixinha de veludo aberta que abrigava um anel de diamante de três pedras.
- O que... é isso? - Mal consegui articular as palavras, tamanha era minha surpresa.
- Café da manhã. - O tom sonso de Demi me fez despregar os olhos da joia brilhosa e semicerrá-los em sua direção. - Oh, você se refere a isso aqui... - Ela removeu o anel da caixinha e se ergueu da cama. - Isso aqui é... - Veio ao meu encontro. - Um anel de noivado.
Cobri a boca com as duas mãos.
- E bem, o motivo de eu quase ter chegado atrasada ontem.
Extática, observei com comoção o anel lindo de ouro branco que, além de representar a amizade, o amor e a fidelidade, carregava um significado profundo.
- O seu amor foi a melhor coisa que aconteceu comigo, e apesar dos percalços durante o nosso namoro, eu te amei imensamente... - Demi perpassou o polegar na pedra que representava o passado. - Eu te amo como nunca agora... - Continuou carinhosa, repetindo o gesto na pedra do meio, a maior, do presente. - E te amarei... - Passou o dedo para a outra gema, a que simbolizava o nosso futuro. - Pelo resto da minha vida.
- Demi... - Sussurrei com os olhos inundados de lágrimas.
- Eu sei que nós concordamos em ir devagar e eu não posso te prometer que tudo será um mar de rosas, que não iremos nos desentender às vezes, porque senão eu estaria mentindo... - Respirou fundo e pegou a minha mão esquerda. - Mas eu te prometo Sel... - A voz firme e meiga irradiando honestidade quase me fez derreter. - Com todo o meu coração que... - Pressionou minha palma em seu peito e bem como o meu, seu coração batia em ritmo frenético. - Só bate forte assim por você, que não importa o que aconteça, eu nunca mais vou te deixar, vou sempre escolher você, te apoiar, te ouvir, cuidar de você, te amar todos os dias...
Com as costas da outra mão, sequei as lágrimas que vertiam dos meus olhos, sorrindo trêmula.
- Eu não quero nunca mais ficar longe de você, então... - Demi se apoiou em um joelho. - Selena Marie Gomez... - E sorriu abertamente. - Você quer casar comigo?
Eu sorri, ri, chorei, assentindo freneticamente, tudo ao mesmo tempo.
- Sim! - Por fim consegui dizer, na verdade, eu gritei de alegria.
Então Demi deslizou o anel em meu dedo anelar e me envolveu num abraço de tirar os pés do chão enquanto nos beijávamos eufóricas.
- Quem pede alguém em casamento horas depois de pedi-la em namoro? - Contemplei o rosto entre as minhas mãos.
- Em minha defesa, eu só planejava te pedir em casamento. - Demi firmou os braços ao redor do meu corpo junto ao dela. - Você está presa comigo agora, Srta. Gomez. E dessa vez, para sempre.
Gente, valeu por chegarem até aqui e pelos comentários, aprecio muito 3 e leitorxs fantasmas também, valeu pelas views!
Last but not least, vai ter epílogo, então até mais!
