Oi, gente! Cá estou aproveitando o fato que meus experimentos do mestrado ainda estão parados por conta dessa quarentena e trouxe uma one shot para vocês. Aqui lhes trago minha versão de como imagino que foi a primeira infância de Sarada, e o porquê Sasuke saiu para sua missão deixando Sarada e Sakura em Konoha. Eu nunca gostei muito de como o mangá/anime trabalharam isso, e eu vejo muito amor nessa família - além de ser necessário um motivo para o Sasuke ter perdido toda a infância de sua única filha. Espero que vocês gostem!
Proteção - Capítulo Único
"Ei, mamãe, eu trouxe os tomates e os temperos que você me pediu", Sarada declarou alto para que a mãe pudesse ouvir da cozinha sua chegada. Ela havia acabado de chegar do centro de Konoha, onde fora comprar uns ingredientes que a mãe pediu para que trouxesse para a janta.
"Ah, obrigada, Sara-chan!", Sakura a agradeceu, enxugando as mãos em uma toalha de cozinha — enquanto se aproximava de Sarada para pegar as sacolas que ela havia trazido.
"Posso ajudar com alguma coisa?", a herdeira perguntou, vendo a mãe colocando os tomates na pia e dando uma olhava no fogão ao mesmo tempo.
"Não se preocupe, filha, eu só preciso cortar esses tomates e colocar na panela, está praticamente tudo pronto", olhando para a careta que Sarada fazia, Sakura riu, "Não se preocupe, você não vai comer sopa de tomates, eu fiz Yakimono para você", e logo que disse isso, Sarada notou a grelha em cima da pia, onde ela viu carne de peixe, carne vermelha e carne branca sendo grelhada — explicando o porquê a mãe também havia pedido temperos específicos.
Ela havia notado que desde o início da manhã, a mãe estava com um bom humor estranhamente fora do normal. Ela ouviu a mãe contarolar no quarto quando ela passou pelo corredor, ela ouviu a mãe limpando a casa completamente no mundo da lua — como fosse prazeroso limpar a casa em seu único dia de folga. E o que Sarada mais estranhou foi o fato daquele dia ser seu primeiro dia de folga em semanas, e ela havia tirado o dia para fazer todos os serviços que ela menos gostava. Logicamente, Sarada havia ajudado a mãe com o serviço, dado que ela também estava de folga de suas missões. Ela ajudara limpando seu próprio quarto e também o banheiro do corredor — que acabara sendo seu banheiro, dado que na antiga casa que estava ainda terminando de ser reformada, ela tinha seu próprio banheiro. O apartamento era pequeno, então era um serviço bem rápido, e no fim da limpeza, a mãe havia lhe perguntado se ela não poderia buscar algumas coisas no centro para que ela pudesse fazer um jantar mais caprichada.
A casa estava limpa, as roupas estavam lavadas, e tudo na casa agora cheirava a limpeza. E mesmo depois do cansaço, sua mãe continuava ainda de bom humor e ela não a vira reclamar de dor nas costas uma única vez. Ela não podia deixar de notar que enquanto estava fora, a mãe havia tomado um banho, e vestia suas roupas usuais de ficar em casa — mas mesmo assim.
A mãe não passava perfume para ficar em casa.
A mãe dificilmente usava um batom — sempre optando e usar hidratantes labiais — e naquele dia, ela estava usando um batom rosa bebê.
Sarada resolveu jogar um verde — para provocá-la. Sentada num banquinho do balcão da cozinha, ela podia ter uma visão de tudo que a mãe fazia no fogão e na pia, e com aquilo, a mãe não poderia esconder sua reação.
"Ei, mamãe, por acaso o papai vai chegar hoje?", ela viu o momento que a mão direita da mãe que segurava uma colher de pau tremeu enquanto mexia no ensopado de tomates. E pela reação do corpo da mãe, mesmo Sarada não podendo ver seu rosto, ela apostava que estava vermelho de vergonha.
"Como sabe que seu pai chegou hoje?", Sakura perguntou, e seu tom de voz era um pouco envergonhado.
Ignorando seu objetivo de provocar, Sarada ficou completamente interessada com a resposta da mãe.
Papai já chegou de verdade?
"Eu apenas chutei", ela respondeu alegre, "Você sempre capricha mais do que o normal nas coisas quando o papai está em casa, mamãe, eu não sou boba, eu noto", quando a mãe virou-se para encará-la, Sarada lhe deu um sorriso de orelha a orelha.
"Sim, ele chegou no almoço, mas tinha alguns compromissos no escritório do Hokage", Sakura a respondeu, sorrindo abertamente de volta para a filha, "Ele me enviou um falcão ontem dizendo que chegaria hoje até a hora da janta em casa", Sakura então virou-se novamente para finalizar seu compromisso com a comida.
Com a comida pronta, Sarada ajudou a mãe a por a mesa, e quando ela foi buscar os pratos — enquanto a mãe arrumava as panelas e a grelha sobre a toalha de mesa, ela ouviu a porta do apartamento se abrir.
"Tadaima", elas ouviram uma voz rouca através do corredor.
Sarada de prontidão deixou os pratos em cima da mesa, e foi de encontro com o pai no meio do corredor.
"Okaeri, papai", Sarada murmurou, abraçando-o pela cintura — recebendo um afago na cabeça em seguida.
"Okaeri, Anata", Sakura murmurou logo que viu os dois chegando do corredor e entrando na sala onde ficava a mesa de jantar — Sarada segurava a capa do pai com uma das mãos.
Sasuke retirou sua capa e a bolsa transversal que carregava consigo de uma só vez, e quando pensou em pendurá-las, Sakura já estava ao seu lado, pegando-as de sua mão — e com um sorriso direcionado a ele, fazendo-o sorrir de volta — ela pendurou sua capa e a bolsa no hall da porta de entrada.
Toda aquela troca de olhares, sorrisos e o pequeno gesto da mãe em pegar a capa e a bolsa do pai para pendurar, não passou desapercebido por Sarada, que sorriu ao analisar os pais.
"Vamos comer!", Sakura murmurou quando passou novamente pelo marido, e então, a pequena família se reuniu na mesa de jantar para comer o banquete da noite.
˜˜˜˜•˜˜˜˜
"Eu trouxe umas coisas que achei enquanto estava em Kaminari no Kuni", Sasuke murmurou logo que Sakura terminou de lavar a louça — e ele guardava a louça seca que Sarada lhe entregava.
Sarada secava o último prato quando notou a troca de olhares entre os pais, se perguntando que tipo de coisa o pai poderia ter trazido. Sarada sabia que a missão que o pai fazia para Konoha era secreta, mas ela também já tinha ideia que tinha a ver com aqueles Otsutsuki. Seu pai andava mais presente desde o ataque daqueles alienígenas a meses atrás, e ela pôde até mesmo ter a oportunidade de se aproximar ainda mais do pai em uma missão junto com o Time 7 sob o comando do pai há meses atrás — tendo a oportunidade de mostrá-lo todas as suas habilidades.
"Que tipo de coisa, Sasuke-kun?", ela notou que a mãe estava tão curiosa quanto ela.
Quando entregou o último prato ao pai, ele o guardou dentro do armário prontamente, e deixou a cozinha em seguida — as duas, mãe e filha olhando-o com tremenda curiosidade — indo em direção ao hall de entrada, onde pelo barulho, ele mexia em sua bolsa transversal.
Quando voltou, ele segurava algo parecido com um livro, e Sarada não fazia a mínima ideia do que poderia ser aquilo — mas pelo olhar da mãe, ela parecia saber exatamente o que era aquilo.
"É o que eu estou pensando?", Sakura se aproximou do marido e pegou o que quer fosse aquilo em suas mãos, logo o abrindo, "Sasuke-kun, como você conseguiu isso? Eu pensei que tínhamos perdido tudo no incêndio!", Sarada definitivamente não sabia do que eles estavam falando, a deixando completamente frustrada.
"Não são as originais", ela viu o pai respondendo a mãe, e ele parecia desanimado em falar sobre aquele assunto que somente os dois conhecia, "Mas eu fiquei curioso quando acabei ficando uns dias por Koamgakure e escutei pessoas falando que a antiga gráfica da região ainda existia, e eles costumavam guardar os filmes de todos os seus clientes", ele murmurou, enquanto olhava para as folhas que Sakura folheava animadamente.
"E você foi lá verificar se eles ainda tinham as nossas? Sasuke-kun, faz tantos anos, eu nunca imaginei que veria essas fotos outra vez", vendo a animação da mãe, e sendo dominava pela curiosidade ao saber que se tratava de um álbum de fotos, Sarada se aproximou dos pais que estavam no meio da sala de jantar.
"O que é isso?", Sarada perguntou, e logo que se aproximou, viu que a mãe segurava uma página daquele álbum, e a jovem fez um `o` com a boca quando viu que era uma foto sua.
Uma foto que ela nunca vira antes.
Uma foto dela ao lado do pai.
Sarada podia ver o quão pequena estava, ela chutava que tinha aproximadamente 2 anos daquela foto. O pai estava ajoelhado em uma grama bem verde, e para a surpresa dela, ele estava sorrindo, mas ele não olhava para a foto — ela chutara que alguém tirou aquela foto sem ele perceber. Ele sorria ao olhar para sua versão pequena, que segurava um girassol que parecia até maior que ela.
Sarada nunca imaginou que tivesse fotos ao lado do pai sem ser a que eles tiraram em família logo que eles se reencontraram há quase dois anos atrás. Ela nunca viu foto alguma sem ser ao lado somente da mãe. Ela nunca tinha visto fotos suas pequenas sem ser uma sua recém-nascida sozinha e uma sua no quintal de casa com 5 anos — aquelas eram as únicas fotos que estavam presentes em porta retratos no criado mudo de casa, e quando perguntara a mãe sobre mais fotos, a mesma lhe respondera desanimadamente que não tinha mais fotos além daquelas.
"Vem ver, Sara-chan!", a mãe a chamou, indicando para que se sentassem no sofá, e Sarada logo a seguiu — completamente curiosa em ver todas aquelas fotos.
Quando as duas sentaram-se no sofá, ela notou que o pai as encarava um pouco, ainda de pé e encostado na parede de frente com o sofá, mas aquilo não tirou a animação da mãe ao lhe mostrar foto por foto.
"Olha aqui! Você era tão pequenininha… que saudade dessa época", apesar da melancolia, Sarada notou a felicidade na voz da mãe ao ver aquelas fotos. Sarada estava tão curiosa em ver tantas fotos suas, umas sozinhas, outras com o pai, com a mãe ou até com os dois. Ela se perguntou por tantos anos qual era o problema de sua família em não terem fotos, e agora ela estava vendo uma centena de fotos com a família, fotos que ela jamais acreditaria existir.
"Ei, mamãe, porquê não tínhamos essas fotos em casa?", ela precisava verbalizar sua curiosidade após ver tantas fotos, "E o que você quis dizer em "perdido tudo no incêndio"? Que incêndio?", Sakura suspirou. Era lógico que Sarada não deixaria aquela informação passar. A filha não era mais uma criança para que ela escondesse tantas informações, e trocando olhares com Sasuke — que acenou com a cabeça positivamente — ela resolveu que contaria a filha sobre sua primeira infância.
"Lembra-se quando você me perguntou sobre o paradeiro de seu pai há 2 anos anos atrás? Quando você queria saber o porquê não havia registros seu no hospital de Konoha?", Sarada ficou envergonhada com aquela constatação, pois ela não havia perguntado aquilo para a mãe. Shizune provavelmente deveria ter lhe contato sobre suas dúvidas e frustrações na época.
"Você não nasceu em Konoha, mas sim e um dos esconderijos esquecidos do Orochimaru", era seu pai quem lhe deu aquela informação — fazendo-a arregalar os olhos.
O pai… mãe… sei lá… esquisito do Mitsuki?
"Por que eu não nasci em um hospital?", ela perguntou, mas olhava para o pai — ela podia sentir o olhar da mãe sobre si, observando suas reações.
"Você ia nascer em um hospital—", Sakura cortou a fala do marido no meio do caminho.
"Mas você estava tão ansiosa em vir ao mundo que quis vir antes, nos dando um tremendo susto", a mãe cutucou seu nariz com sua mão direita, fazendo uma careta engraçada para ela — brincando com a situação, fazendo com que Sarada sorrisse com aquela informação nova, "Levaríamos apenas um dia inteiro para chegar em Yugakure, mas eu senti fortes contrações quando estávamos atravessando a fronteira do País das Fontes Termais com o País do Som, e nossa única alternativa era um esconderijo já esquecido de Orochimaru perto da floresta da fronteira", Sakura continuou, "Achávamos que o esconderijo estava abandonado, mas encontramos Karin — que você já conheceu", Sakura lhe deu um sorriso gentil, "E ela me ajudou com o seu nascimento".
Aquilo respondia muita coisa. Sarada sempre se perguntou sobre o carinho e apreço da mulher de óculos vermelhos que aparentemente já fora uma colega de seu pai para com ela. Ela havia ajudado a mãe com seu parto, e isso explicava o porquê havia DNA da mãe com a mulher. Ela se lembrava de quanto pediu a Suigetsu que fizesse um exame de DNA, e ele havia encontrado um cordão umbilical nas coisas da mulher de óculos — fazendo-a achar que aquele cordão umbilical era da mulher e não de sua mãe. Por algumas horas, Sarada acreditava veementemente que era filha da mulher de óculos vermelho, até aquele mal entendido ser solucionado no final do dia. Talvez a mãe tivesse lhe dado aquilo como agradecimento por ter a ajudado com seu parto, e Sarada agora compreendia aquilo.
Mas aquilo ainda não respondia sobre o tal incêndio.
"Entendi…", ela parecia filtrar as informações para logo fazer mais perguntas. Seus pais pareciam que lhe dariam as informações que ela lhes pedisse naquele momento, então ela iria aproveitar aquela oportunidade dada, "Mas isso ainda não explica sobre esse tal incêndio", ela questionou.
"Moramos por um tempo em Koamgakure", Sarada ouviu o pai lhe dizer, ainda encostado na parede, sua única mão em seu bolso da calça, "Eu estava investigando umas coisas por Kaminari no Kuni, e acabamos nos instalando em Koamgakure, um pequeno vilarejo a quilômetros da capital, Kumogakure", a ela notou que aquele seria o máximo de informação que o pai lhe daria naquele momento.
Eles moraram em um vilarejo no País do Relâmpago? Por que ela não se lembrava disso?
"Você era tão bebê, Sara-chan", a mãe parecia que estava lendo suas perguntas somente com o olhar, "É uma pena que você não se lembre", a mãe se lamentou, dando um sorriso triste, "Era um lugar tão lindo, e morávamos em uma cabana bem simples, mas era tão lindo o lugar — você amava brincar com as borboletas que ficavam nos arbustos perto de uma floresta de cerejeiras todas as manhãs, seu pai sempre te levava lá", ouvir aqueles relatos da mãe a fazia realmente se entristecer em não se lembrar daqueles momentos, ainda mais ao saber que o pai estava presente em sua infância.
"Quanto tempo moramos lá?", ela logo perguntou, olhando para a mãe.
Sakura colocou um dedo indicador na boca, mostrando que estava contando o tempo, "Acho que quase dois anos e meio", Sarada arregalou os olhos com a informação — era tudo muito novo para ela, "Fomos para lá logo que você nasceu, e viemos para Konoha quando você tinha quase três anos, talvez seja por isso que suas únicas lembranças sejam de Konoha e não de Koamgakure".
"Eu não entendo… Vocês são de Konoha. Por que eu não cresci aqui?", ela perguntou para a mãe, e Sakura podia ver a frustração em sua pergunta. Quanto mais informações eles davam a ela, mais perguntas ela parecia ter.
"Nós estávamos fazendo essa missão juntos — fazíamos umas investigações por alguns países", Sakura olhou de relance para Sasuke, para ter certeza que não diria nenhuma informação a mais, "Mas então tivemos você", Sakura disse com alegria na voz, sorrindo para a filha, "E como precisávamos investigar os Países da Geada, Água e Relâmpago, nos instalamos em um vilarejo pacato no meio do caminho de todos os lugares que seu pai precisava investigar, fazendo com que ele pudesse voltar em menos de uma semana para nos ver", e com aquela informação, Sarada olhou para o pai, que para sua surpresa, sorria para ela, como se confirmasse a informação da mãe.
Sarada nunca se sentira tão feliz como naquele momento, e ao mesmo tempo tão triste.
Ela, em algum momento da vida, viveu em um outro país, onde seus pais estavam em alguma missão secreta que ela suspeitava do que se tratava, e seu pai, para não ficar longe delas, optou em morar em um lugar próximo de suas missões.
Seu pai queria ter elas próximas dele, e isso a fez sentir-se completamente amada — e sua tristeza era não se lembrar de absolutamente nada por ser tão pequena na época. Ela, que achou por tantos anos que seu pai havia as abandonado, achando que a mãe lhe dizia mentiras sobre o paradeiro do pai para lhe proteger — na verdade, sempre lhe dizia a verdade.
Elas eram preciosas para o pai.
O pai as amava incondicionalmente.
Mas ainda…
… ela não entendia o porquê aquilo mudara.
O porquê eles voltaram para Konoha era quase que óbvio para Sarada — talvez eles quisessem que ela crescesse em suas vila natal, mas aquilo não parecia argumento para Sarada.
Se eles a levaram para perto de onde seu pai fazia sua investigação para que eles não ficassem sem se ver por tanto tempo, porquê aquilo havia mudado?
Do que se tratava aquele incêndio que eles comentaram? Por que parecia que eles sempre fugiam dessa pergunta?
"Vocês ainda não me responderam do que se trata esse incêndio. Por que vocês não querem me contar?", Sarada indagou, sua boca fazia uma linha fina, quase que um beiço de desgosto. Ela encarava o pai, mas fora a mãe quem lhe respondeu.
"Foi em uma noite qualquer", ela podia ouvir a derrota na voz da mãe, dizendo que ela lhe daria a resposta que queria, "Comemos, brincamos um pouco com você na nossa sala de estar, e fomos dormir", Sarada viu o pai fechar a mão com força dentro de seu bolso, mostrando como aquilo que a mãe estava lhe relatando o deixava com raiva, "Seu pai me acordou no meio da noite, gritando para que eu pegasse você imediatamente no berço e fugisse dali o mais rápido possível, e eu agi tão rápido que nem perguntei a ele do que se tratava, até que, quando eu a peguei do colo, eu senti seu pai usando seu jutsu de teletransporte para nos levar até uma colina a quilômetros de nossa cabana, e de lá de cima, eu vi as explosões, incendiando completamente a cabana", Sarada pode perceber que ambos os pais pareciam perdidos em seus próprios pensamentos, como se estivessem se lembrando daquele momento.
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"O quê?", apesar de sonolenta, Sakura despertou rapidamente com a voz amedrontada e alta de Sasuke — que pegou sua katana do lado da cama e antes de sair pela quarto grunhiu em desespero.
"Pegue a Sarada e fuja daqui agora!", e com aquela ordem — algo que Sasuke nunca antes havia feito — Sakura levantou-se rapidamente da cama, correndo até o quarto que ficava a frente do seu, pegando Sarada — ainda dormindo — de seu berço, e quando virou-se para correr para fora do quartinho rosa, ela sentiu os braços de Sasuke envolvê-las, e no mesmo segundo, ela sentiu que estava sendo teletransportada para algum lugar.
Antes mesmo de abrir os olhos, Sakura pôde sentir uma brisa fria por todo o seu corpo, fazendo com que inconscientemente apertasse Sarada contra si, para protegê-la do frio da madrugada. Sakura abriu os olhos, e viu que estava no alto da colina que ela via todos os dias ao sair de casa. Ela estava a quilômetros da cabana, mas dali, ela podia ver uma grande árvore no meio de sua cabana sendo consumido pelas chamas — provavelmente o objeto que Sasuke usara para trocar de lugar para se teletransportar. No mesmo momento que ela havia notado aquilo, ela ouviu uma forte explosão, e com tristeza, viu sua cabana ser arremessada pelos ares.
Quantas lembranças aquele lugar lhe trazia… e vê-lo simplesmente desaparecer diante de seus olhos fez com que lágrimas formassem e escorrerem por seu rosto, e no mesmo momento, o pavor a dominou, pensando que ela poderia ter perdido Sarada daquele momento, fazendo com que ela apertasse ainda mais a filha contra o peito.
"Sasuke-kun… o que foi isso?", ela perguntou com a voz embargada, e quando virou-se para seu lado esquerdo, ela podia ver o rosto completamente branco do marido, como se ele ainda assimilasse o que acabara de acontecer.
Sasuke tremia.
E Sakura não sabia se era de raiva ou de medo.
Sakura então tocou seu rosto com a mão esquerda — querendo chamar sua atenção, no mesmo segundo, ela sentiu seu único braço as envolver completamente. Ela podia sentir sua respiração quente — em contraste com ar gélido da noite — em seu pescoço, ela podia sentir seus batimentos cardíacos fora de sintonia, dizendo que ele estava completamente assustado com o que acabara de acontecer. Ela pôde sentir algo molhando seu pescoço, indicando que ele deixara cair algumas lágrimas ali, e Sakura apenas esperou que ele se recuperasse o suficiente para falar algo.
"Vocês estão bem? Sarada está bem?", ele perguntou minutos depois, desaproximando o rosto de seu pescoço, e com a única mão, tocando no rosto adormecido da filha nos braços de Sakura.
"Estamos bem, não se preocupe", ela lhe assegurou, "Sarada nem notou o que aconteceu", ela disse, olhando para o rosto da filha, agradecendo imensamente por Sarada não ter acordado para presenciar aquele desespero dos pais.
"É perigoso ficarmos aqui", ele murmurou com raiva, "Alguém com interesse em mim descobriu onde ficávamos", sua voz estava dominada por raiva, "Vocês não estão seguras aqui".
"Nós podemos pegar quem quer que seja, Sasuke-kun—"
"Não vou arriscar a vida de vocês duas, eu já arrisquei demais em deixá-las comigo", ele a cortou, e mesmo dizendo aquelas palavras com raiva, Sakura podia senti tristeza enraizadas nelas.
"Acha que os renegados de Kirigakure o seguiu até aqui?", ela quis fugir daquele assunto, ela não pretendia deixar o seu lado por conta daquilo. Eles poderiam resolver aquilo juntos, como sempre fizeram.
"Não importa quem me seguiu, o que importa é que eles sabem de vocês e eu não vou deixar eles tocarem em vocês", enquanto dizia aquilo, ele tremia, e Sakura não sabia o que fazer para acalmá-lo.
"Vamos para Konoha", ele disse decidido, seus olhos olhavam fixamente para a cabana em chamas, "Precisamos ir agora, irei mandar um falcão para Naruto avisando de nossa chegada", não querendo discutir naquele momento, Sakura apenas assentiu para o marido, dando uma última olhada na cabana que ela chamou de lar por bastante tempo, antes de dar as costas e partirem para Konoha naquela madrugada.
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"Você pegou esses caras, papai?", Sarada perguntou com a voz quase saindo tremida, como se sentisse o medo na voz da mãe ao relatar aquilo.
"Sim", ele respondeu simplesmente.
"E depois?", ela quis saber.
"Eu fiquei por um tempo em Konoha", ele respondeu rapidamente.
Colocando as peças do quebra cabeça no lugar conforme absorvia aquelas informações, Sarada logo lhe fez outra pergunta.
"E depois você nos deixou para voltar a fazer suas investigações", ela disse o óbvio, e ela pôde ver pelo canto dos olhos que a mãe encarava o pai com tristeza.
"Sim", as respostas rápidas e curtas do pai quase a irritou.
"Então por que não voltou?", ela perguntou de imediato, seu tom era feroz, e Sasuke sabia do que ela estava falando. Ela queria saber o porquê ele ficou anos em sua missão e nunca voltou para vê-las.
O que mudou?
Por que ele nunca voltou para nos ver?
Por que ele era presente em minha vida e depois desapareceu?
Por que ele não esteve presente quando eu mais precisei dele?
"Eu precisava proteger vocês", ele respondeu com tristeza, e apesar de sua raiva, seu pai não teve medo de sustentar seu olhar, como se ele estivesse lhe pedindo perdão com o olhar — fazendo com que ela baixasse sua guarda.
"Seu pai tem muitos inimigos, Sarada", Sakura ajudou o marido com aquela conversa, chamando a atenção de Sarada, "E como uma kunoichi, você já sabe muito bem que há ninjas que jogam sujo em nosso mundo. Se seu pai ficasse longe de nós…", Sakura esperou Sarada a olhar nos olhos para continuar, "Era uma forma dele distrair seus inimigos perante a nós, além de, ninguém teria coragem de invadir Konoha por conta do tratado de paz com as Grandes Nações — estaríamos protegidas aqui".
"Mas ficar longe por tanto tempo?", Sarada repetiu a pergunta com tristeza em sua voz.
"Talvez um dia você entenda. Eu lhe disse isso por tantas vezes quando você me perguntava, e eu nunca sabia o que exatamente lhe responder para lhe reconfortar", o tom de Sakura era de desculpas, fazendo com que Sasuke se aproximasse do sofá — finalmente de desencostando da parede. Sarada viu o pai se aproximar e se ajoelhar em frente a ela, ficando na mesma altura dela no sofá.
"Não é em sua mãe que você deveria descarregar suas frustrações, Sarada, é em mim", seu pai lhe disse, e ela nunca o vira soar tão sério diante dela, "Essa escolha foi feita por mim — mesmo sua mãe não concordando — mas para mim, a única maneira de eu protegê-las era não voltar para Konoha. Eu não podia arriscar que mais ninguém descobrisse sobre vocês", Sarada podia sentir o quão triste era para o pai lhe dizer aquilo, "Eu sempre disse a mim mesmo que se um dia você me odiasse, eu entenderia, ainda mais se isso significasse que vocês poderiam ficar seguras — isso seria o suficiente para mim", Sarada ficou completamente estática pela grande frase do pai. Ele não era conhecido por dizer tantas palavras de uma vez, e aquilo fez com que ela acabasse juntando lágrimas nos olhos.
"Eu não odeio você", ela conseguiu lhe responder, baixando o olhar para o tapete felpudo abaixo do pé do pai, mas em segundos, Sasuke ergueu seu rosto, para que ela o olhasse nos olhos.
"Fico feliz em ouvir isso", ele lhe disse, e então, como o mesmo gesto que ele sempre fazia, ele tocou seus dois dedos na testa dela.
Sarada então sorriu, e virou-se para a mãe.
"Eu.. eu quero ver as outras fotos", ela pediu a mãe, que logo colocou o álbum em seu colo, para que eles pudessem ver juntos aquele álbum de recordações.
˜˜˜•˜˜˜
"Sarada parece estar mais receptiva", Sakura disse ao marido quando saiu do banheiro — com uma toalha na cabeça. Sasuke estava encostado na cama, com as costas na cabeceira. Quando viu que o marido não lhe respondeu, permanecendo parado e olhando fixamente em um ponto fixo na parede a sua frente, Sakura chamou sua atenção, "Eu acho que não é certo escondermos mais informações dela, Sarada não é mais criança, ela precisa entender algumas coisas", ela sentou-se na cama — tocando na mão direita do marido.
"Tem razão", ele respondeu, e então virou a cabeça levemente para olhá-la nos olhos, "Sarada… é igualzinha a mim", e com aquela frase, Sakura riu.
"Mais uma razão para não escondermos nada dela. Mas, Sasuke-kun, diferentemente de você, Sarada é mais compreensiva", ela murmurou.
"Isso ela puxou de você", ele deu um sorriso fraco a esposa, ainda triste em lembrar-se do passado — quando precisou deixar a família em Konoha com a intenção de protegê-las, sem ter ideia do sofrimento que causaria aos três.
A saudade poderia corroer uma pessoa, e Sasuke sabia daquilo muito bem.
Ela sentia falta da esposa e filha todos os dias, mas a determinação de protegê-las era sua desculpa diária para não voltar correndo para Konoha e matar a saudade das duas únicas pessoas mais preciosas em sua vida — pessoas que ele daria a vida para proteger
"Ela sentiu sua falta… e eu também", Sakura murmurou, se aproximando mais dele na cama, o abraçando — sua cabeça em seu tórax.
"Eu tive vontade de voltar todos os dias", ele revelou, apertando-a com seu único braço contar si.
"Mas isso é passado, e agora vivemos o presente", Sakura murmurou, enquanto brincava com a bainha de sua calça de algodão azul.
"Eu não vou esperar por mais tempo, eu vou contar a ela sobre o clã Uchiha", ele disse após minutos de um agradável silêncio. Sakura levantou o rosto de seu tórax e o encarou.
"Se você acha que é ideal", apesar do medo de Sakura para com aquelas informações a Sarada, era certo que ela soubesse. Ela sabia que não era um assunto fácil para Sasuke, e muito menos seria para Sarada quando ela soubesse a verdade sobre o clã a qual ela pertence.
"Não vou mais postergar. Melhor ela sabendo por mim do que por terceiros", Sasuke disse aquilo olhando nos olhos de Sakura, "Além disso, ela sonha e objetiva em ser uma Hokage um dia. Ela precisa saber de suas raizes e os preconceitos que ela pode passar por ser uma Uchiha".
Sakura sabia que ele tinha razão.
Sarada era crua e ingênua, e apesar de ser talentosa, corajosa, determinada e um prodígio como kunoichi, não seria fácil seu caminho para seu sonho. Apesar de anos terem se passado, o mundo ainda carregava ódio e rancor pelo clã Uchiha, e por ser filha de um Uchiha que já foi um criminoso mundial — que até os dias atuais estava em regime semi aberto — isso fazia com que seu caminho torne ainda mais difícil.
Sarada precisava saber a verdade sobre o clã Uchiha — a verdade sobre o passado de seu pai. Para que assim, ela esteja preparada para todos os obstáculos que ela enfrentará em um futuro próximo.
O caminho que Sarada escolhera não seria fácil, mas…
… ela tinha os pais como seu apoio. E enquanto eles estivessem vivos, eles estariam ali por Sarada sempre que ela precisasse.
Ela não caminharia sozinha.
"Ela tem a nós", Sakura lhe disse, "Ninguém vai tocá-la enquanto estivermos aqui", Sakura lhe assegurou, e Sasuke riu.
"Ninguém em sã consciência mexeria com a discípula da Quinta Hokage", Sasuke disse em um tom provocativo, erguendo uma de suas sobrancelhas e fazendo Sakura rir ainda mais alto com seu gesto — e tudo que Sasuke pôde fazer é apreciar aquele som que ele sentira tanta falta.
"Ainda mais com mais um Uchiha ciumento em cima da única garota Uchiha", Sakura respondeu divertida, alarmando Sasuke.
"Como?", ele perguntou — porquê ele poderia ter ouvido errado.
"Eu disse que Sarada não precisa se preocupar com proteção, é gente demais em cima dela".
"Não foi isso que você disse".
"O que eu disse?", Sakura perguntou confusa.
"Você disse que Sarada teria um Uchiha ciumento a mais para protegê-la", ele repetiu sua frase anterior, confuso com a sentença.
Sakura abriu a boca e a fechou rapidamente, mostrando que entendera o que ele quis dizer — fazendo uma careta e ficando rubra. Ela acabou sem querer soltando a surpresa que ela havia planejado em seu aniversário de 33 anos dali 2 dias, e agora não tinha como fugir de lhe dizer a verdade.
"Droga, não era para você saber agora", ela se lamentou, jogando os dois braços por seu pescoço.
"Sakura…", Sasuke engoliu um seco, e então olhou para baixo, olhando fixamente para a barriga da esposa que não estava tão lisa como da última vez que ele a viu há 2 meses atrás — e só era possível notar aquilo por conta de sua camisola justa pelo corpo, "Você está grávida?", e a resposta para sua pergunta foi o sorriso imenso da esposa para ele.
"Dá para acreditar que depois de tanto tempo vamos ter noites mal dormidas outra vez?", ela perguntou completamente deliciada com o evento. Sasuke só conseguiu abraça-la forte contra seu corpo.
Sakura o abraçou, apertando sua nuca contra seu peito, sentido o calor de ter o marido em seus braços. Depois de alguns segundos, ambos encostaram suas testas, ficando de olhos fechados, como se aproveitassem aquele momento a dois.
"Sakura", ele a chamou, e então ela abriu os olhos, e notou que seu Sharingan estava ativado.
Se fora consciente ou não, ela não podia dizer.
"Obrigado", ele lhe disse antes de lhe dar um beijo na testa, abraçando-a novamente com seu único braço.
"Eu te amo", ela murmurou baixinho, encostada em seu ombro esquerdo.
"Você não faz ideia", e ela sabia o que ele queria dizer com aquilo.
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Você não faz ideia do quanto eu amo você.
