Madara Uchiha

Tratando-se de Eliza Uchiha, todo cuidado era pouco. Eu ainda me culpo por todo mal que a fiz anos atrás e sei que no fundo ela nunca vai me perdoar. Eu a menosprezei, e toda manhã, quando eu me olho no espelho, tudo o que vejo é um monstro.

É assim que eu deveria me sentir?

Monstro...

O mesmo monstro que a chamava de bastarda, que a fez me odiar. Que a feriu. Que já desejou a morte dela.

Eu nunca irei esquecer as malditas palavras pronunciadas por mim mesmo: "Você deveria ter ido no lugar do Shisui." Ainda assim ela relutou.

Pagou meu ódio com amor e eu cai em minha própria armadilha.

Olha só o que me tornei... Uma pessoa que eu jamais imaginaria.

Lembro-me perfeitamente do nosso primeiro beijo, sinto que tirei proveito da situação. Deitei-me ao seu lado no sofá, enquanto minha doce Eliza na mais pura Ilusão dormia. Sonhava acordada e roubou-me não apenas um beijo. Naquela noite, Eliza roubou tudo de mim e eu descobri isso com o tempo.

Confesso que eu tenho medo de onde isso tudo pode chegar? Não estou arrependido das outras vezes na qual silenciosamente e com seu consentimento tomei seus lábios. Isso despertou uma fagulha em mim, e foi ai que me perdi.

XXXX

O avião acaba de pousar em Naha. Eliza desceu na frente, saltitante e alegre enquanto Sofia foi logo atrás advertindo-a sobre algumas coisas da pousada na qual ficaríamos.

Está calor, e por mais que seja insuportável, vai valer a pena.

Consigo ver de longe todas as seis marcas gravadas de ombro a ombro em Eliza e sem perceber estou sorrindo. Lembrar do meu avô sempre me trás boas risadas.

E não posso negar, Eliza é tão animada quanto ele. Divertida e guerreira.

Eu nunca irei recompensar por todas as vezes que a envenenei com minhas palavras estúpidas.

— Estou exausta, preciso descansar. – Primeira reclamação do dia. Sofia, para variar.

A ignorei.

— Tio... Podemos mergulhar? Vi aqui nesse folheto que o dia está ótimo para a atividade. – Eliza animada mostrando-me o folheto que acabará de juntar sei lá de onde.

— Eliza o Madara está cansado, e temos que nos organizar sobre o casamento. – Sofia pegou em minha mão puxando-me.

Penso que Sofia deve desconfiar. Ela sabe melhor do que ninguém o quanto rejeitei Eliza nos primeiros meses. E agora o jogo está virando, minha Liz torna-se a peça principal em meu tabuleiro de xadrez.

Mas o olhar cabisbaixo de Eliza travou-me por completo. — Hai... ‐

Eu odeio quando Sofia responde por mim.

— Eu vou mergulhar com a minha sobrinha. – Parei antes de entrar no carro que aluguei pela internet. Um Honda Civic. Confortável e estiloso, mais tarde eu poderia voltar até Naha com Eliza e talvez aproveita-la.

Céus preciso tirar esses pensamentos impuros! Vou acabar cometendo uma loucura.

— Madara não seja bobo, você sempre odiou mergulhar. Eliza docinho, podemos fazer isso amanhã que tal? – Sofia a convenceu, mas eu conheço esse sorriso falso.

Respirei fundo e fechei os olhos para não surtar. Ela sabe o quanto eu odeio ser contrariado e controlado. Mas de um jeito ou de outro Eliza passaria a tarde comigo. Não importa como for.

Ao chegar no resort Eliza outra vez foi na frente investigando tudo. Sofia ficou para trás e aproveitei a oportunidade para um pequeno acerto de contas com minha futura noiva.

Desci do carro e assim que a mesma passou por mim a segurei pelo pulso, o baque a fez parar rapidamente.

— Não pense em me dar ordens ou achar que manda em mim. – Sofia me encarou franzindo o cenho e logo assentiu.

— Não era você que a odiava? – Retrucou com um sorriso besta. — Por que eu lembro muito bem de a proteger enquanto o péssimo ojisan a rejeitava. – Puxou o braço com força indo na frente.

Usou o quadril sensual para sair rebolando na intenção de me provocar. Tola, eu já não caio mais nos seus joguinhos de cintura relacionados a sexo.

XXXX

Eliza

O sol estava escaldante e eu estava perdida, na correria acabei trazendo apenas um biquíni. Mas já tem algum tempo e eu cresci um pouco. Vai ficar muito curto, vou ficar mais feia que o normal!

Eu não sei, mas meu Ojisan pode ficar furioso. Eu não vou a praia! Ficarei aqui.

— Eliza, estamos esperando. – Sofia bateu na porta enquanto eu me olhava no espelho.

— Tem certeza? E-sse biquíni? Não está curto? – Perguntei dando mais uma volta em torno de mim mesma.

— Imagine, quanto mais curto, melhor. – Sorriu vindo até mim. Estendeu a mão. – Vamos, querida aposto que terá muitos pretendentes por lá. –

Mas eu não quero pretendentes... Eu só quero um alguém... E esse alguém está comprometido. Eu não deveria pensar assim, Sofia sempre foi boa comigo.

— Poxa, eu não sei o que faria sem você... – Prendi o cabelo num coque frouxo e andei lado a lado com ela até algumas cadeiras de praia distantes da agua.

Uma longa paisagem azul celeste. Estou maravilhada.

Sofia logo se deitou pondo o chapéu sob o rosto, eu fui até a água molhar os pés. Alguns turistas estavam passando e os raios de sol não me permitiam ver muita coisa, exceto o momento em que meu ojisan se sentou ao lado da Sofia. Por que ele me deu esperanças e vai se casar com ela?

Eu deveria desviar o olhar, mas ver ele com ela me deixou angustiada, meu coração se aperta e eu não consigo entender o que se passa em minha mente. Quisera eu ter a sorte dela.

É... Eu queria ser ela.

Catei algumas conchinhas na areia e quando percebi ela estava acenando pra mim. Pedia-me para voltar e assim o fiz, lentamente enquanto tentava tranquilizar minha respiração.

Estar de biquíni na frente do meu tio era completamente diferente do dia no qual estávamos na banheira quentinha no Canadá. Lá eu não o via com outros olhos, e estávamos de roupa.

— Querida como está a água? – Perguntou e tudo o que consegui fazer foi observar meu ojisan passando protetor solar em si mesmo.

Os ombros largos e fortes, bíceps incrivelmente trabalhados, antebraço grosso e mãos grandes esfregando-se no próprio peito.

— S-sim... Boa, refrescante. – Respondi olhando para o chão rapidamente.

— Pensando bem, esse biquíni é curto demais, Eliza. Deveria ter trago um maior. – Nesse mesmo instante Madara me encarou, sério e tão intenso que parecia ler minha mente.

— G-gomen... E-eu deveria ter verificado. – Respondi sentindo meu rosto arder.

— Amor, passa protetor nas minhas costas? – Sofia pediu, percebi um sorriso maléfico enquanto ela virava de bunda. Ela armou isso?

Ela armou para se pagar de boazona na frente do meu tio!?

E quando ela girou o corpo na cadeira eu descobri o por que do meu Ojisan estar com ela. Um bumbum anormal, e eu odeio lembrar mas já os flagrei na cama e ele deve amar ela... Aquela cena quente, ela de bruços ele por cima usando a força bruta... Por que isso não sai da minha mente!

Tola eu imaginar que poderia ter algo com ele.

Fiquei de costas observando o mar calmo. Respirei fundo rezando para que não voltássemos a estaca zero. Eu não o queria brigando comigo novamente, foi ela que me fez vir assim para cá. Voltei do transe enquanto Sofia passava por mim indo em direção a água.

— Passou protetor? — A voz rouca e grave direcionada a mim.

— N-não... – E prendi a respiração quando Madara se aproximou. Tao alto, tão forte, tão lindo. Mas continuei observando Sofia entrar na água.

— Esse biquíni... – Um sussurro e sinto a mão dele em minha cintura, puxou-me até que eu ficasse entre as pernas dele. – Me parece pequeno demais. – Outro sussurro.

— G-gomen... Eu só trouxe ele. – Respondi novamente.

— Deveria ter ido comigo até Naha ontem a tarde, mas dormiu. – Comentou enquanto colocava protetor solar na própria mão. – Me permite? —

Virei o rosto para encara-lo. Parecia-me atrevido, mas a intenção de proteger-me dos raios solares era boa. — H-ai... Por favor. – Pedi e respirei fundo sentindo sua mão quente e suave por minhas pernas.

Coxas, lateral, interna subindo e descendo lentamente ao ritmo da baderna (risos)... Percebi que deixou minha bunda de lado e foi direto para a cintura. Parou por alguns segundos e eu estava ficando vermelha por tanto prender a respiração.

Era a primeira vez que eu sentia suas mãos sob meu corpo e tentei me tranquilizar ao máximo.

— Meia noite, na cozinha. – Sussurrou e senti mais uma vez o par de mãos em minhas costas. A ponta dos dedos parecia massagear, porém atrevidas. Quase deixei de lado a ordem de encontro com horário marcado. Ele queria me ver novamente! E eu estava ansiosa para provar dos lábios dele mais uma vez.

Eu deveria para-lo, mas quando o senti tocando o cantinho dos meus seios com os dedos médios melados de protetor o ar escapou dos meus pulmões junto com um fio de voz por minha garganta. Um gemido rápido e caloroso.

— Merda... – Sussurrou passando rapidamente a mão por meus ombros. – Não me torture... – Pediu e girou meu corpo deixando-me de frente consigo a uma pequena distância.

—G-gomen... – Sussurrei o encarando nos olhos.

O que me surpreendeu foi ver ele sorrindo. Como são raras as oportunidades de o ver sorrir, eu não tinha ideia do quanto o ver assim aquecia meu coração e eu me sinto quente... Tão quente que minhas pernas estão bambas.

— E-eu estarei na cozinha... – Respondi nervosa enquanto estendia meu braço para que o mesmo terminasse de passar o protetor.

Meus olhos percorrem pelo corpo dele, o final do arco-íris estava concentrado abaixo do umbigo. A bermuda com um enorme volume, até consigo ver o formato cilíndrico. Meu corpo inteiro está em chamas.

Lentamente minha calcinha começa a ficar úmida demais, percebo que não estou só excitada como anseio por senti-lo tocando-me.

XXXX

Depois de longos minutos na banheira, a agua fria era a única coisa que deixava meus ombros menos doloridos, já estavam queimados. Madara passou protetor em tudo, menos em minha bunda. Ali eu mesma dei jeito.

Eu deveria ter me cuidado direito. Passei um creme que ganhei da senhora Mebuki em meu último aniversário e coloquei um vestido branco de alcinhas.

Eu deveria pedir por sutiãs maiores, meus seios já estão crescendo. Nunca imaginei que começariam a crescer depois dos meus dezesseis anos, pelo menos eu estou conseguindo ganhar um pouco de corpo.

O equilíbrio perfeito!

Verifiquei o meu celular, é isso mesmo. Quando eu fiz dezessete quem me presenteou com um bom aparelho foi o meu próprio ojisan, e eu estou tão feliz com isso e... Nervosa.

Já é quase meia noite, o horário se aproxima e meu coração quer sair pela boca. Isso parece ser o nosso primeiro encontro, na verdade é o nosso primeiro encontro.

As únicas duas vezes que ele me beijou foi do nada.

Eu sei o quanto é errado. Que ele vai se casar com a Sofia, que temos o mesmo sangue percorrendo nossas veias, mas se eu conseguir convence-lo do contrário, há uma possibilidade de a gente... Droga eu nunca vou ter coragem de impedi-lo. Eu me sinto inútil, o que eu teria de bom para oferece-lo?

Olhei o visor novamente e como horário estabelecido tirei a sandália e andei descalça até a cozinha evitando barulho.

Estou nervosa, suando frio e meu estômago está revirando com mil borboletas. A cena da tarde se repete inúmeras vezes, o quanto ele é malhado, moreno e o sorriso... Eu jamais vou esquecer isso! O desgraçado do sorriso.

— Aqui. – Um sussurro e um reflexo em meio a luz.

Andei até ele rapidamente e fui surpreendida com um abraço aconchegante. — Liz... — Sussurrou envolvendo minhas coxas com suas mãos grandes, rapidamente tirando-me no chão.

Tentei envolver a cintura dele com minhas pernas, consegui, mas eu não aguentaria muito tempo. A camisa dele, embora fosse de tecido fino eu desejava que ele estivesse sem.

Minhas mãos foram parar em volta do pescoço, senti os cabelos macios contra os meus dedos e com aquela pouca luz dava para ver o brilho dos olhos dele direcionados a mim.

Meus dedos que perambulavam por sua nuca desceram até o pescoço, subindo lentamente em direção ao queixo. Parei ao tocar os lábios, eu estava lendo em braile procurando por sua boca e por fim tomei impulso.

O beijei tão atrevidamente que meu coração já poderia parar, eu havia pego meu beijo de boa noite. Estava matando a saudade dos lábios dele.

Senti suas mãos apertando minhas coxas, mais uma vez eu o abraçava lentamente envolvendo meus braços sobre seu pescoço e ele correspondia ao meu longo, prazeroso e quente, beijo.

Não tardará até sentir sua língua contra meus lábios. Minha permissão rapidamente concedida, e a junção de nossas línguas ávidas e sensuais disputando por espaço. Longas e deliciosas lambidas, levando tudo de mim, dando tudo de si, os estalos de nossas bocas ecoando pela cozinha. Até que o oxigênio nos fizesse parar, ou a falta dele.

Distanciei-me poucos centímetros buscando por ar, Madara respirou fundo inclinando-se para juntar nossas testas e ali permaneceu.

— Sabe que isso é errado... – Sussurrou tirando uma mão de mim, procurou pelo escuro um lugar para se sentar.

— Hai... G-gomen... – Contra minha vontade relutei para sair de seu colo assim que o mesmo se sentou.

— Mas eu não quero parar... – Outro sussurro e um pouco a mais de força em minhas pernas fazendo-me ficar sobre si.

— E-eu também não... – Respondi sorrindo e ajeitando-me sobre suas coxas. As mãos grandes brincavam por baixo do meu vestido, mas não subiam.

Devido a cadeira eu já não conseguia envolver a cintura dele, meu vestido acabaria por subir completamente, embora esteja escuro ainda dá pra ver alguma coisa. Mas no instante em que me ajeitei deixando nossos corpos mais próximos, meu coração falhou uma batida. O escutei arfar e travei no mesmo instante.

Ele estava excitado comigo. Era a primeira vez que eu o sentia diretamente contra mim, contra minha intimidade coberta somente pela calcinha. O vestido traíra mal cobria minhas coxas e tudo estava disponível para ele.

Não estou reclamando, apenas quero que ele me toque. Que ele faça todas as loucuras na qual já li nos livros do Kakashi. Que ele me tome da mesma maneira que já fez com Sofia.

— Shiii... Calma, não irei toca-la. – Sussurrou escorando seu queixo em meu ombro. — Jamais farei algo com seu corpo que não me seja permitido. – Outro sussurro amenizando minha mente e meu coração. Mas eu o queria, não estava nervosa por medo, mas sim por ser minha primeira vez.

Mas ainda assim, era possível senti-lo pulsar contra mim. Estava duro demais, e estava deixando-me cada vez mais quente, lá em baixo. Sinto-me molhada demais, eu consigo sentir meu próprio cheiro.

Desde que tive algumas conversas com o kakashi, ele comentou sobre o quanto o meu cheiro o deixava louco e consequentemente Madara sente a mesma coisa.

No campus Kakashi era meu irmãozão, ensinava-me sobre tudo. Desde as aulas, até o sexo.

— Uma hora ficará pronta pra mim. – Sussurrou beijando a lateral do meu pescoço.

— Hai... – Mas eu o queria, queria senti-lo me tocando, sentir o corpo dele contra o meu e isso estava me deixando louca. Daria tudo para que ele me tocasse nesse exato momento ali em baixo.

Desfiz o abraço, peguei numa das mãos a levando até meu rosto. O polegar acariciou minha bochecha e a puxei lentamente para baixo, os dedos roçavam por meu rosto, queixo, pescoço, clavícula e o parei assim que sua palma cobriu meu seio direito.

— Liz... Não faça isso. – Pediu tirando a mão de mim rapidamente.

— M-mas... – Tentei argumentar, mas seus lábios já estavam nos meus.

Outro delicioso beijo, um pouco mais calmo dessa vez, mas de todas as formas sensuais.

— Quando eu a tocar... – Beijos roubados, estalos baixinhos. — Quero toca-la por inteira. – Sussurrou beijando-me pela terceira vez.

Não havia possibilidade, mas meu coração permanecia aquecendo-se. Era como sensações peculiares, uma melhor do que a outra. E eu nem se quer imaginava que poderia existir um homem tão carinhoso por baixo daquela casca grossa e rude.

Sempre pensei que Madara Uchiha era um homem grosso e rude em todos os aspectos.

— Quando chegar a hora... – Senti seus lábios molhados deslizando por meu pescoço. — Você estará pronta, e eu vai me dar tudo o que tenho direito... – Sua boca atrevida mordia o lóbulo de meu ouvido. – Minha menina...

Preciso de você Madara!

— Madara... – O chamei num sussurro. – E-eu... Eu queria dizer que... – Rapidamente ele me tirou do colo e levantou sumindo na escuridão da cozinha.

Percebi uma luz fraca se acender atrás de mim e quando virei-me para encarar. A luz da cozinha se acendeu sozinha.

— Tá fazendo o que aqui? – Perguntou Sofia com a cara amassada. – Onde está o Madara? – Perguntou coçando os olhos.

— Eu... – Travei, engoli em seco.

— O que é, Sofia? – Virei-me para trás e meu Ojisan estava sentado em volta da mesa com alguns chocolates em volta.

— Você não vem deitar? Amor, a cama está tão fria. – Choramingou indo até ele.

— Se desligar o ar condicionado não sentirá frio. – E novamente aquela casca grossa o cobria.

Ele estava se moldando somente a mim?

Deixei o local rapidamente e corri até o meu quarto. Embora o desfecho da história tenha sido mal acabado, Sofia apareceu do nada. O início foi perfeito. Eu tive a prova viva de que ele me deseja, sente minha falta e quer dar um passo a mais em nossa relação...

Mas que relação é essa? O meu tio... Eu estou apaixonada pelo meu próprio tio? Eu serei punida nas minhas próximas reencarnações mas eu não me importo!

Eu poderia morrer feliz agora mesmo se eu soubesse que iria reencarnar e me apaixonar por ele mais uma vez.

Me perdoe papai, mamãe e Shisui. Eu sei que estou pecando, mas meu coração precisa desse calor.

XXXX

Voltar para Konoha depois de uma semana em Okinawa era ótimo. Sofia fez questão de comprar passagens de primeira classe e deixar o jato do ojisan de lado.

Segundo ela, deveríamos estar mais próximas. Só que estranhamente meu assento era o mais distante de todos.

Havia poucas pessoas no embarque e eu percebi que nesses poucos minutos de vôo eu estaria sozinha. Peguei meus fones de ouvido, e os coloquei enquanto observava a paisagem coberta pelas nuvens e alguns raios de sol. Estava anoitecendo e iríamos chegar em cada por volta das oito da noite.

Escorei minha cabeça na janela e fechei os olhos. Ouvir Hotel Califórnia distraia-me. Era como voltar ao passado quando eu pegava o rádio do Shisui e ficava ouvindo as músicas dele.

Puxei a cortina da mini janela e ficou um pouco escuro. Percebi que alguém estava do meu lado e quando o encarei direito tive que sorrir.

— Oi. – Sussurrei retirando os fones.

Nenhuma resposta, ele apenas se inclinou procurando por meus lábios e rapidamente fui de encontro. Estávamos passando dos limites para atender nossas urgências. Madara segurou meu rosto com uma das mãos enquanto sua língua invadia-me mais uma vez.

Depois daquela noite em Okinawa a gente não se arriscou mais. E agora estávamos matando a saudade de quatro dias, estou perdendo a linha, quero os lábios dele todos os dias!

Minha mão direita foi parar no peito dele onde mais uma vez eu sentia seus músculos torneados, e seu coração saltitando rapidamente. Desci minimamente parando no abdômen e surpreendentemente tive minha mão pega por ele.

Segurou em meu pulso com força levando-a até o local mais rígido e pulsante entre suas pernas. A calça jeans era um estorvo e meus dedos nem se quer davam conta de envolve-lo. Grosso demais, em todos os aspectos.

Meu coração quase saindo pela boca, poderíamos ser flagrados, eu o estava sentindo pulsar em minha mão enquanto ele afastava-se das minhas partes íntimas.

— Madara... – Cortei o beijo. — É perigoso aqui, estamos passando dos limites. – Comentei enquanto tentava me afastar.

— É inevitável. – Sussurrou roubando-me outro beijo de tirar o fôlego.

Finalmente senti uma de suas mãos pousando em minha coxa, acariciava e subia lentamente. Quase senti a ponta dos dedos tocando minha intimidade e gemi contra o beijo.

— Kakashi disse que era bom aqui... – Sussurrei involuntariamente deliciando-me com seus toques controlados.

Mas rapidamente ele parou e tirou minha mão de si.

— Kakashi o que? – Sussurrou um pouco alto.

— O que? – Perguntei abrindo os olhos após ele parar o beijo rapidamente. Por que fui abrir a boca! Eu estraguei tudo!

— O que disse? – Outro sussurro quase alto demais. — Não ouse me enrolar ou mentir pra mim! – Dessa vez ele não sussurrou.

— Kakashi me ensinou a me tocar. – Sussurrei sem coragem para encara-lo. Eu não poderia mentir.

Tarde demais quando percebi mencionar o nome de outro. Pela pouca luz a cara dele não estava nada boa. Sua expressão facial mudou completamente em segundos.

— P-preciso ir ao banheiro. – Levantei, consegui passar por ele mas rapidamente fui surpreendida. Madara segurou meu pulso com força fazendo-me parar no enorme corredor da primeira classe.

— Volta aqui! – Quase me sentei no colo dele pela força brusca. Mas rapidamente me sentei no meu lugar. — Onde? – Elevou o tom de voz.

Comecei a olhar através dos bancos, Sofia poderia perceber agora mesmo! E seria o nosso fim.

— Onde o que? – Perguntei confusa. Eu já não estou conseguindo raciocinar direito.

— Onde ele te tocou! – Perguntou apertando-me com força.

Gemi baixinho pela dor e rapidamente ele me soltou colocando as mãos no rosto. — Ojisan... Kakashi não me tocou... – Respondi choramingando enquanto acariciava meu pulso.

— Eu sabia que a maldita escola pública era uma ideia ridícula. — Resmungou levantando rápido e saiu sem ao menos olhar para trás.

XXXX

Madara

As coisas na empresa não poderiam estar melhores. Negócios fluindo, funcionários preparados para toda e qualquer situação. Meu respeito inabalável, exceto por uma pessoa.

Eu nunca lhe dei brechas para tal comportamento, mas além do meu humor não estar sendo um dos melhores, Mebuki conseguia fazer tudo piorar sem esforço algum. Parecia fazer de propósito.

— Vai se casar esse final de ano? – Mebuki Haruno, ela ainda tinha petulância para se atrever a opinar sobre minha vida pessoal. Não somos amigos.

— O que isso lhe diz respeito? – Perguntei a encarando sério.

— Não me parece contente. — Explicou. — Você nem se quer gosta da Sofia. – Ela insiste em apontar o obvio como se não me conhecesse.

Talvez eu não esteja contente. E Deus, só eu sei tudo o que se passa em minha mente. Meus erros, meu pecado. Meu irmão iria me matar se já não estivesse morto.

Eliza, tudo o que consigo fazer é pensar nela e no erro que cometi alguns dias atrás. Desde que voltamos de Okinawa eu a evitei. Mesmo sabendo que ela me disse a verdade.

Porém, o simples fato de imaginar que ela de descobriu através das palavras de outro homem me irrita profundamente. Só eu sei o quanto ela é ingênua, apenas eu a conheço bem e não quero que isso mude por culpa de um estranho maldito.

—Hm. – Não dei a mínima a Mebuki. Eu não queria conversar sobre isso.

Casar com a Sofia inicialmente era por interesse pessoal. Faria muito bem a minha empresa, muitos dos patrocinadores dela viriam tratar de negócios comigo sem pensar duas vezes. Mas, seria apenas isso... Continuaria uma vida de adultério, se Eliza continuar topando se encontrar comigo as escondidas, e isso é um erro.

Mas que tipo de exemplo eu estaria dando a ela?

— Como está nossa doce Eliza. O tempo mal passou e ela está cada dia mais linda. – Mebuki comentou sorrindo.

E eu não consigo discordar dessa vez.

— Está sim... – Nem mesmo eu posso negar. E não consigo, um dia se quer, esquecer de como é prazeroso deslizar minhas mãos por todas aquelas curvas. Ou aquela boquinha gemendo pra mim, eu estou literalmente fodido!

Fodido!!! E ela sabe como me deixar louco. Pego me lembrando novamente de nossa única noite proveitosa em Okinawa.

— Está sorrindo? Uchiha Madara sabe sorrir? – Mebuki chamou minha atenção dando gargalhadas.

— Mebuki, por que não vai ver se eu estou na esquina ? – Perguntei afastando-me aos poucos. Encara-la está me dando nos nervos.

— Hahaha! Eu sabia que ela iria ganhar o seu coração! – Merda se continuar assim eu não poderei esconder por muito tempo. — Eliza conquistou a todos nós, Madara. –

A mim da maneira mais crucial! Eu estou nas mãos dela! Eu a desejo cada dia mais, os beijos já não estão sendo o suficiente. Eu preciso de mais, e mais...

— Madara? – Chamou-me outra vez.

— O que? Inferno! –

— Ah meu Deus, você a ama! Eu sabia que iria amar ela algum dia. É a sua única família. — Mebuki sorriu animada, batendo palmas. Que tipo de doença a afeta?

— Cale a boca! – Mandei. — Não venha me falar de família, pare de falar asneiras e saia da minha sala. – Apontei o dedo para a porta.

Não quero saber de laços sanguíneos, não quero saber da minha sobrinha. Apenas Eliza, da mesma maneira que eu já a havia proibido me chamar de Ojisan, mesmo que isso escapasse algumas vezes.

Eu não quero pensar no meu pecado a todo instante que se passa.

— Vai me dizer o que está te deixando assim ou eu vou descobrir sozinha? – Cruzou os braços estufando o peito.

Quanta petulância!

Eu odeio ser enfrentado.

— Vá cuidar da sua vida Haruno! –

— Se eu souber que está magoando a Liz outra vez você está ferrado! – Apontou o dedo na minha cara enquanto saia de costas.

Eu preciso acabar com isso o quanto antes! Ficarei em casa essa tarde, com uma delas eu preciso terminar.

Sentei-me sobre a ponta da mesa colocando minhas mãos sobre meu rosto. Eu não posso continuar fazendo isso com a Liz... Ela não merece. Não depois de tudo o que eu já fiz. Eu vou parar com isso hoje mesmo.

XXXX

Eu só queria chegar em casa e ter um pouco de sossego pra minha mente. Mas não foi assim que aconteceu. Sofia estava perambulando de um lado para o outro discutindo no celular e eu nem se quer sabia onde estava Eliza.

— Como assim foi adiado!? Mas eu estava de malas prontas! O ensaio tem que acontecer. Seus incompetentes. –

As vezes namorar uma modelo nem sempre é uma boa escolha. Eu pensei que estava apaixonado, que estava fazendo o certo em pedi-la em casamento... Wow, em que estou pensando? Ainda vamos nos casar, negócios sempre são bem vindos.

Eu não posso continuar brincando com a Eliza, mesmo que eu sinta saudades dos beijos, da inocência e de todo o carinho no qual ela me direciona. Meus sentimentos por ela são errados e impuros, eu nunca deveria ter dado espaço para algo do tipo acontecer. Como eu pude amolecer tanto para chegar a esse ponto?

Agora eu não estou brincando com a mente dela. E sim com o coração, isso torna-se muito pior. E não quero que ela tenha ainda mais mágoa de mim.

— Madara!? – Nem se quer percebi Sofia me chamando. – Preciso ir até Nova York, o ensaio vai acontecer amanhã a tarde. – Comentou sentando-se na minha coxa direita.

Eu nunca me importei com onde ou quando ela iria sair para trabalhar. Mas dessa vez eu gostei de saber. Com essa notícia eu poderia passar um tempo a sós com Eliza e compreender o que se passa na mente dela, e também compreender meus sentimentos para com ela.

Deveria esclarecer tudo e colocar naquela mente jovial que não poderíamos mais cometer esses atos depravados. Mesmo que eu passe por cima do meu desejo de possuí-la.

— Tá... – Respondi a tirando do meu colo.

Se o ensaio for amanhã a tarde, significa que ela vai hoje a mesmo para poder descansar bem amanhã.

E hoje eu posso conversar abertamente com a Eliza. Sem toca-la, sem beijos, sem nada.

XXXX

Depois do almoço a dois Sofia partiu. Estranhei Eliza não descer para se juntar a nós. Mas vagamente lembrei de como eu a tratei no avião. Eu não a culpo, eu senti ciúmes. Eu sou um monstro.

Subi para um longo banho na minha hidro. Preciso relaxar o corpo e a mente. Ficar a sós com Eliza em casa pela primeira vez estava me deixando tenso.

Eu ainda não sei como vou começar a conversa, como irei resistir, mas preciso dizer a ela que estou... Arrependido? Vou mesmo mentir quando na verdade tudo o que sinto é vontade de repetir e ir até o fim?

Não posso pensar nisso!

Involuntariamente meu coração acelera, meu corpo se aquece e não é a hidro borbulhando. É o meu sangue! Percorrendo meu corpo inteiro e se intensificando no meu pau. Pensar nela me deixa assim, as memórias de nossa viagem a Okinawa não me abandonam e eu desejo mais do que tudo tê-la naquele estado novamente: Nervosa e atrevida, louca para ser tocada e com medo de me sentir. Eu jamais imaginaria que aquela menina mal trapinha iria se tornar a dona dos meus desejos mais insanos.

Eu a desejo tanto que chega a doer...

Confortável e relaxado levo minha mão esquerda até o meu cacete, toca-lo chega a ser dolorido, estou explodindo e imaginar Liz o engolindo com sua bocetinha faz com que eu revire meus olhos iniciando uma massagem lenta da extensão até a cabeça.

Fecho os olhos escorando a nuca na borda da banheira e continuo a me masturbar. Era a primeira vez depois de anos. Primeira vez na qual eu desejo uma garota e não posso me satisfazer devidamente. Primeira vez que não posso socar meu pau com força até o talo.

— Eli...zaa.. – Um gemido baixinho e já posso sentir que estou a ponto de bala. Levanto-me as pressas tentando sair da água, mal coloquei uma perna pra fora da banheira e vejo os jatos fortes de esperma deixando-me com deliciosas sensações.

Ainda gozando continuo a me masturbar até que minha mão esteja melada com meu próprio sêmen. Meu abdômen se contrai, a sensação de prazer intenso me deixa louco! Minha respiração está descompassada, tento me acalmar, e aos poucos estou mais leve do que nunca. Usei uma toalha para secar minha mão e retornei a banheira, deitei-me deixando a água chegar até o pescoço e fechei os olhos focando em memórias vagas.

XXXX

Com os cabelos ainda úmidos, coloquei uma cueca seguida de uma bermuda leve. Eu não quero sentir-me preso com tantas roupas.

Sai do meu quarto e parei no corredor encarando as escadas que davam acesso ao antigo quarto do Izuna. Respirei fundo e subi lentamente. A porta estava fechada, mas não trancada.

Girei a maçaneta e meus olhos rapidamente a localizaram sobre a cama. Um lençol fino a cobria por completa, ainda que fosse muito magra, era perceptível ver todas as suas curvas quando deitada de lado.

Que Deus me perdoe...

Aproximei-me da cama em passos lentos, subi deitando-me atrás dela tendo todo seu corpo escorado ao meu. Eliza estava quente e o sol ainda não havia se posto.

Izuna sempre dormia melhor pegando sol e acredito que Liz sinta a mesma coisa.

— Liz... – Sussurrei tocando levemente o ombro delicado. Estava molenga, provavelmente anda se alimentando mal desde a nossa briga. Isso me torna um monstro pior ainda.

Um gemido manhoso, um bocejo e depois o lençol tirado de si mesma involuntariamente. Percebi que estava quase nua, o pijama de seda colado ao corpo refletia como convite. A calcinha que cobria toda sua feminilidade, mas era pequena e deveria estar bem escondida por sua bunda redonda pálida e suave.

Ajeitei o pijama que logo percebi ser um baby doll e a cobri com o lençol. Eu não posso ficar observando-a assim.

— Ojisan... – Sussurrou deixando-me chateado. Eu não gosto de lembrar a todo momento de nosso parentesco.

Já havíamos conversado sobre chamar de tio e ainda assim ela o fazia. Embora fosse errado, era provocativo. Deixava tudo mais proibido e gostoso.

— Sofia! – Rapidamente saiu de perto envolvendo-se com o lençol até o pescoço. Deveria ter acordado pra valer nesse instante.

Mal consegui ver os seios médios, percebi que estava marcadinha pelo biquíni, faixas em tons de pele da clavícula até que o baby doll cobrisse-as.

— Estamos a sós, ela foi pra Nova York. – Expliquei e ganhei um sorriso ingênuo junto de um par de bochechas rosadas.

— Madara... – Voltou para o meio da cama vindo ao meu encontro, abraçou-me enquanto o lençol que cobria seu pequeno corpo deslizava deixando somente o frio tecido de sua veste. Eu a aqueceria quantas vezes fosse necessário.

— Liz, precisamos conversar. – Tentei desfazer o abraço, mas estava tão gostoso.

Ela está tão gostosa.

Embora eu tenha me tocado recentemente, já estou ficando duro outra vez. Respirei fundo ao sentir os lábios suaves em meu pescoço. Isso está mesmo acontecendo? Por que ela está fazendo isso? Eu preciso parar de uma vez!

— Liz! – Finalmente a segurei pelos ombros a tirando de mim. Olhos amedrontados, as mesmas bochechas vermelhas. — Não me deixe assim, ainda não podemos. – Sussurrei ainda segurando nos pequenos ombros. A encarei no fundo dos olhos perolados.

Uma de minhas mãos percorreu por cada braço prendendo os pulsos suavemente acima de sua cabeça. E ali estava minha doce e inocente perdição.

Não me aguentei, eu necessito desses lábios. Preciso sentir esse corpo contra o meu. A beijei lentamente enquanto aos poucos a dominava por completa.

A boquinha cedeu, e me atacou. Mordeu meu lábio inferior enquanto passava as pernas por minha cintura.

Eu ainda não vou me atrever a toca-la. Não posso me dar a esse capricho, pois quando eu começar nada vai me parar.

— Madara...– Outro sussurro durante o beijo. Liz se ajeitou em baixo de mim e as pernas agora envolviam minha cintura com mais força, eu a sentia me puxar. Ela queria que eu me entregasse de uma vez, que a tornasse mulher.

Ela quer me sentir contra o meio de suas próprias pernas. Mas eu não posso fazer isso... Céus eu vou direto para o inferno se permitir isso ir mais além.

— Pare... Pare! – Mandei enquanto ficava de joelhos na cama.

— Madara... – Sussurrou me encarando. – Gomen Ojisan... – Finalmente me soltou e sentou-se escorada na cabeceira da cama.

Estava corada, sexy, cabelos soltos e ingenuamente gostosa.

— Quer conversar sobre o que aconteceu no avião? Eu juro, ninguém nunca me tocou a-assim... – Sussurrou desviando o olhar.

— Não Liz, não é sobre isso. – Respondi sentando-me ao lado dela.

Lentamente ela escorou o rosto em meu braço.

— Então é sobre o que Madara ojisan? – Perguntou mirando aquelas orbes lunares em mim.

Eu não consigo fazer isso. Eu amo a adrenalina correndo por minhas veias, eu amo a sensação de ser pego a qualquer momento. Eu amo o prazer de saber que é errado e perigoso. Eu a amo? Impossível.

— Seu aniversário de dezoito anos está chegando... Queria conversar sobre isso. – A encarei.

Os olhinhos agora brilhavam, o sorriso gentil ganhava espaço e meu maior desejo era beija-la nesse exato momento. Mas diferente de tudo o que pensei, quem tomou atitude mais uma vez foi ela.

Eu não consigo parar...