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Mal posso acreditar que daqui duas semanas eu poderei voltar para casa e será o fim da faculdade. Parece que faz uma eternidade desde eu fui para casa para o recesso de Natal. Papai estava tão feliz. Ele e Trina fizeram um banquete porque eu e Margot íamos para casa. Kitty até fez rolinhos de canela. Tinha comida para o bairro todo! Peter adorou, eu nunca o vi comer tanto. Eu e ele pudemos passar muito tempo juntos, mas não foi o bastante para matar a saudade. Nunca é, para ser sincera.

A California tem seu charme, com sol e praias, mas cada dia aqui só me fez ter mais certeza de que a Virgínia é o meu lugar, a minha casa. Todos que eu amo estão lá. Peter adora me visitar aqui por causa das praias, ele adora praticar surf e, quando está aqui, ler na praia não parece tão ruim assim para mim. E Lisa também foi uma ótima colega de quarto, mas ela sempre teve sua própria vida, rotina e amigos. Agora que ela está se mudando para um apartamento com o namorado, Tommy, e ficar sozinha no dormitório parece mais solitário do que nunca.

Margot reagiu melhor do que eu esperava quando contei que voltaria para a Virgínia, acho que ela percebeu há muito tempo que as coisas não estavam indo bem para mim aqui, sozinha na Califórnia. Definitivamente não sou o tipo de pessoa que gosta da solidão. Consegui um trabalho em Charlottesville, com a ajuda de Peter, em uma empresa de embalagens plásticas. Não é emprego dos sonhos, mas será meu primeiro emprego sério e eu estarei perto da Kitty, do papai, de Trina e de Peter. Depois de algum tempo, eu terei experiência na área de administração e poderei encontrar outro emprego facilmente.

Depois de ter tomado banho e terminado meus estudos para as últimas provas, estou decididamente pronta para dormir. Enquanto pego minha escova de dentes para ir ao banheiro do dormitório, meu celular vibra em cima da cama. A foto de Peter brilha na tela.

– Eu ia te ligar daqui a pouco, só ia escovar os dentes.

Todas as noites, como estipulado no nosso contrato, eu ligo para Peter antes de dormir. É algo sagrado, com ou sem feriado, provas ou qualquer outro compromisso, ligar para Peter ao me deitar é quase lei para mim.

– Caramba Covey, você não podia ficar num quarto mais fácil de subir? – Não entendo o que ele está dizendo, nem posso vê-lo, mas consigo sentir o sorriso na voz de Peter. – Pensando bem, acho que é melhor assim. Pelo menos vejo que minhas preocupações sobre caras subindo na sua janela foram desnecessárias, porque é impossível subir até aí.

Coloco um roupão por cima do meu pijama e vou até a janela. Peter Kavinsky está no gramado ao lado do prédio, com o agasalho da UVA, uma pequena mala ao lado e segurando um saco de padaria nas mãos. Estou sorrindo como uma boba.

– Peter! O que você fazendo aqui?

– Você vai descer e abrir a porta para mim ou eu vou ter que voltar no próximo voo pra Virgínia?

Eu desço a escada para a porta principal do prédio o mais rápido que eu consigo sem nem ter medo de cair escada à baixo. Quando eu alcanço a maçaneta, Peter já está pronto para me abraçar. Ele me beija com urgência e meu corpo treme com o toque dele. Quando eu penso que já acostumei com Peter Kavinsky, percebo novas necessidades.

– O que você está fazendo aqui? – Eu posso tocá-lo, mas não parece real.

– Vim ver minha garota. – Ele passa as mãos pela minha trança.

– Você é louco, Peter. – Eu também estou passando a mão pela bochecha dele.

– Só por você, Covey.

Em três anos, Peter nunca veio aqui antes das férias oficiais da UNC. O que deu nele para vir mais cedo? O combinado era que ele viria para a minha formatura juntos com meu pai e minhas irmãs, e depois voltaríamos todos juntos para a formatura de Peter.

Quando ele entra no meu quarto, vê sua foto na minha mesa de cabeceira e aponta.

– Lara Jean, seu namorado é um gato.

Deu um tapa no seu braço.

– Estou apenas constatando um fato! – Peter massageou o braço um sorriso brincalhão no rosto. Como eu sentia falta desse sorriso.

Peter deita na minha cama deixando a mala no chão e o saco de padaria na minha escrivaninha. Eu me aconchego do lado dele e sinto o cheiro do amaciante que a mãe dele ainda usa e de biscoitos de chocolate, e posso apostar que ele comprou os biscoitos para mim, mas acabou comendo alguns no caminho para cá, por isso o cheiro.

– Então me diga: o que te trouxe aqui duas semanas antes da minha formatura? – Me apoiei em cotovelo e perguntei, olhando para aqueles olhos brilhantes. Estar nos braços dele é como estar em casa.

– Eu estava com saudade da minha garota, Lara Jean, já disse. – Peter desfez minha trança e estava penteando meu cabelo com os dedos.

– Acho que quem esperou seis meses poderia esperar mais duas semanas.

– Tudo bem, eu posso voltar para a Virgínia, se você quiser. – Ele disse com um tom ofendido que não passava fachada, porque Peter sabia que eu jamais pediria para ele voltar.

– É sério. – Eu me sentei com as pernas cruzadas e o encarei com minha expressão mais séria. – Tem alguma coisa que eu deveria saber?

Um milhão de coisas se passaram pela cabeça depois que eu vi Peter do lado de fora do meu dormitório. Muitas coisas boas, é claro, mas também muitas coisas ruins. O que poderia ter acontecido para que Peter gastasse algumas centenas de dólares com uma passagem aérea de última hora?

– Eu só queria passar um tempo sozinho com você, Lara Jean. – Ele se sentou e ficou de frente para mim. Pegou minha mão e começou a brincar com os meus dedos. – Quando você voltar, eu vou ter que dividir você com toda a sua família. Então aproveitei que minhas aulas acabaram antes das suas, pedi férias do trabalho e vim pra cá.

Nos deitamos novamente e voltei a me aconchegar ao lado de Peter. Ele está estagiando em um escritório de advocacia desde que entrou na UVA. Fiquei tão orgulhosa dele quando Peter me contou! Ainda não conversamos sobre os planos dele para depois da formatura, pois sinto que Peter não sabe o que o futuro o reserva. Ele ainda faz parte do time de lacrosse e ama o esporte, então acho que seu coração está divido entre o direito e o esporte.

– E onde você vai ficar?

– Conversei com a Lisa antes de vir, ela disse que eu podia ficar aqui e usar a cama dela.

Peter havia planejado tudo! E eu achando que ele tinha agido por impulso.

– Você é muito espertinho, Peter Kavinsky. – Disse apertando a ponta do nariz dele.

– E você... – Peter não terminou a frase, me segurou pela cintura, me virou na cama e me beijou intensamente.

Nossa primeira vez foi no dia de Natal, na última vez que a gente se viu. Não foi nada combinado ou planejado, apesar de termos conversado muito sobre sexo antes. Peter Kavinsky foi até minha casa para o almoço, pois Margot e Ravi estavam em casa. Depois do almoço, e de Peter ter comido o peru quase inteiro, ele me convidou para ir a sua casa. A mãe de Peter e Owen ainda estavam na casa da avó dele, então ficamos sozinhos por muito tempo.

Fomos para o quarto de Peter e começamos a nos beijar e... aconteceu. Foi mágico. Peter me fez sentir a garota mais especial do mundo, ele me tratou tão bem e foi tão gentil! Sempre pensei que a primeira menstruação fosse algo mágico que marcava a passagem da infância para a vida adulta de uma mulher, mas nunca estive mais enganada, porque nunca me senti mais mulher do que naquela tarde.

– Peter. – Ele parou de me beijar e ergueu seus olhos pidões para mim.

– O que foi?

– Eu quero fazer sexo com você, mas agora estou com saudade de outras coisas.

Ele imediatamente voltou a beijar meu pescoço. Quando comecei a pensar em uma forma mais assertiva de falar com ele, Peter começou a me morder e grunhir, como se fosse um cãozinho.

– Por favor, Peter, para! – Eu estava ficando sem fôlego.

– Tá bom, - ele me jogou na cama – eu vou parar. Daqui a pouco.

Eu comecei a recuperar o meu fôlego, mas Peter voltou a me morder e a grunhir, porém dessa vez o alvo não era o meu pescoço, mas sim minha barriga. Por momento fiquei preocupada com possíveis reclamações com o barulho tão tarde da noite, mas quem se importava? Peter estava ali, comigo, e nada merecia minha preocupação.