Oie!

Essa fic surgiu através de um jogo de RPG com uma das escritoras mais incríveis que eu já conheci, minha amiga de longa data, Leo Gumz, que aceitou meu desafio para jogar SwanQueen, e o resultado foi dois meses de turnos até altas horas da madrugada, muita conversa e muito amor por Emma e Regina.

Eu resolvi adaptar o jogo pra uma fanfic, porque eu amo demais o rumo que nossa história tomou e quero compartilhá-la com outros fãs de SwanQueen.

Aviso que o caminho é longo e terão momentos Regina/Robin e Emma/Hook. Mas é total e inteiramente SQ.

Para situar vocês, a história começa exatamente na quinta temporada, em Camelot, logo após a transformação da Emma em DarkOne.

Espero que gostem!


CAMELOT

Capítulo 1

Escuridão. Havia algo vibrando e o som era a única coisa capaz de guia-la no escuro. Os passos eram pesados, como se estivesse caminhando embaixo d'água, e também era difícil respirar. Apesar de não enxergar nada, havia uma imagem dançando em sua mente, insistente e estridente, o grito de alguém chamando seu nome enquanto ela tomava a adaga das mãos de Regina e era consumida pelas trevas.

Finalmente, como se emergisse, Emma viu-se caída entre folhas secas de um lugar que só poderia ser a Floresta Encantada, com suas árvores altas, frondosas e fechadas, lhe escondendo da luz do sol. Levou as mãos à garganta, percebendo que voltara a respirar, ainda que seu coração batesse em uma velocidade alarmante. Emma sentiu-se tentada a arrancá-lo do peito para verificar se já havia sido consumido pelas trevas, mas o ligeiro pensamento a fez acordar: era a Salvadora, nunca que seu coração poderia ficar tomado pela escuridão.

Levantou-se, limpou as folhas do corpo e notou que vestia uma túnica branca um tanto remendada, um verdadeiro contraste daquilo que imaginava ser a vestimenta de um Dark One. O destino parecia adorar lhe pregar peças e Emma desejou que estivesse usando sua jaqueta vermelha, porque sentia frio. Imediatamente, sem que fizesse um só movimento com as mãos, trocara de roupa. Puta merda, pensou, assustada com o poder que o mero pensamento lhe proporcionara, e trocou de roupa novamente, voltando a usar a túnica branca amassada que viera sabe-se lá de onde. Passou a caminhar, e conforme andava, Emma sentia seus sentidos e emoções se amplificando. Podia escutar, ver, cheirar melhor, e o simples roçar dos dedos nas árvores fazia seu corpo inteiro arrepiar com a sensação. Ficou se perguntando como havia chegado até a Floresta Encantada e como faria para voltar para StoryBrooke, até que um tremor a fez parar, atenta aos ruídos. Seu primeiro instinto foi utilizar magia para deslocar-se até o local do barulho, mas sabia que não devia.

Cada segundo de magia que utilizasse lhe traria mais perto da escuridão, e Emma tinha medo suficiente do escuro para desejar que isso nunca acontecesse de fato. Obrigou-se a correr, saltando as raízes grossas das árvores, sentindo o coração pulsar tão forte como se prestes a explodir, e só então entendeu o que seu corpo tanto procurava: a adaga. Não demorou a encontrar o que causara o tremor, vez que a lanchonete/pensão Granny's tinha surgido exatamente no meio da Floresta Encantada, trazendo seus pais, Henry, Regina e Hook para o mundo da magia. O coração de Emma relaxou por um momento e ela se permitiu sorrir, aliviada, sabendo que não estaria mais sozinha. Aproximou-se correndo e Henry foi o primeiro a alcança-la para um abraço apertado.

– Mãe! Eu sabia que encontraríamos você! – Manteve o filho nos braços por alguns segundos, mas não conseguiu dizer coisa alguma. As lágrimas queimaram seus olhos e a obrigaram a se afastar do menino, sendo então engolfada pelos pais. Respirou fundo, abraçou-os de volta.

– Estou bem. – Disse, mas era mentira. Suas mãos tremiam e ela sabia o porquê: precisava descobrir quem estava com a adaga e recuperá-la, protegê-la, pois agora o objeto era parte de sua nova vida. E quando ergueu os olhos, fixou-os diretamente em Regina, e seu coração pulsou um pouco mais, quase que convidando-a a se aproximar.

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A lanchonete da vovó Granny balançou furiosamente ao ser arrancada do chão e jogada dentro de um furacão mágico. As pessoas que a ocupavam no momento em que isso ocorreu se agarraram ao que puderam alcançar, tentando superar a mesma força gravitacional que jogava mesas, talheres e lâmpadas para todos os lados. Entre estas pessoas, Regina Mills agarrou o filho em um dos braços e se segurou ao balcão com o outro. O tempo pareceu se arrastar, mas demorou apenas um instante para que, com um estrondo ensurdecedor, a lanchonete caísse no chão seco de uma outra terra, em uma outra dimensão, bem no meio de uma enorme floresta mágica, derrubando algumas árvores e entortando outras para ocupar aquele espaço. A floresta encantada. Ou, pelo menos, era aquilo que os integrantes daquele estranho grupo de heróis e vilões acreditava.

— Todo mundo bem? — Snow olhou ao redor para checar. A lanchonete estava destruída, mas todos pareciam bem, embora dois anões tivessem se embolado em um canto durante a passagem pelo portal, nenhum dano sério parecia ter acontecido.

— Então funcionou. — Hook suspirou para si mesmo.

— O Capitão Óbvio ataca novamente. — O tom de voz sarcástico de Regina era o suficiente para tirá-lo do sério. Hook se aproximou da antiga rainha, os olhos vidrados nos dela e a ponta afiada do gancho no lugar da mão voltada para cima.

— Eu não estou vendo Emma, você está? — Ele cuspiu as palavras num tom áspero, mas antes que a discussão se prolongasse, David se colocou entre os dois.

— Vamos encontrá-la. — Disse, num tom de quem encerra o assunto. O papai Charming tinha que ser o homem da casa, como sempre! Regina sustentou o olhar em Hook por mais um instante, os lábios retorcidos sem esconder o desgosto, mas sabia que David tinha razão. Então, não discutiu. Cruzou os braços e se voltou para Henry, o lembrete mais forte que tinha do que era agora: Uma heroína. E como era irritante sustentar esse título, às vezes! Porque, por mais que ainda sonhasse em arrancar aquele coração sujo do peito de Hook e esmagá-lo em seus dedos quentes, sabia que nunca o faria. Deixou-os discutir sobre os próximos passos e caminhou até as janelas da lanchonete, espiando para concluir, sem surpresa, que estavam em uma floresta. Estava mais pensativa do que o de costume. E mais tensa, também. Por este motivo não argumentou que seria uma difícil tarefa encontrar Emma andando em uma floresta provavelmente gigante e não se envolveu na decisão de quem iria e quem ficaria.

Por fim, os outros decidiram que Granny, Robin e os anões ficariam para tentar arrumar os estragos na loja e os outros, incluindo ela, sairiam em busca da loira. E saíram. Uma busca que poderia levar horas, ou dias, mas bastaram dez passos para fora da lanchonete para que a encontrassem. Ou talvez ela os tenha encontrado? Estava vestindo uma roupa esfarrapada que não lhe caía tão bem quanto a costumeira jaqueta de couro vermelha e parecia um pouco mais pálida ou talvez assustada, mas fora isso, era Emma. Emma Swan. Sem escamas, sem olhar frio, sem risadinhas maliciosas. Apenas a Salvadora, abraçando o filho, abraçando os pais, e roubando de Regina um singelo sorriso aliviado. Nada de Dark One, afinal. Ainda.

— Estou bem. — Ouviu ela dizer, mas não precisaria ser nenhuma expert em mágica para adivinhar que estava mentindo. Ninguém estaria bem depois de ser envolto pela maldição mais poderosa que vagava por todos os reinos. Ninguém estaria bem com o peso de ter seu nome gravado naquela adaga. Seus olhos foram atraídos pelos dela e Regina os repousou lá por um longo momento, sentindo-se um pouco mais aliviada, como se antes temesse (não encontrar aqueles olhos) não encontrar uma mulher, e sim uma criatura.

A morena abriu a boca sem saber o que diria e sentiu certa energia impulsionar seu corpo na direção de Emma, mas antes que o fizesse, Hook correu até a amada e a abraçou com força. O hálito forte de rum invadiu as narinas de Emma quando Hook depositou um beijo bastante desesperado nos seus lábios pálidos. Retribuiu o toque, feliz com a proximidade dele, porém afastou-se antes que o pirata se prolongasse e a envolvesse em algo que ela não desejava agora. Regina desviou o olhar para o chão.

— Nós estávamos tão preocupados! O que aconteceu? Como veio parar aqui? — Snow começou a falar, como sempre, rápido demais. — Ah, nós trouxemos isso! — Ela se aproximou de sua filha e tirou algo das vestes; algo que exalava uma energia fascinante, poderosa e ameaçadora. A adaga de Emma Swan.

A realidade a atingiu em cheio: fora isso que a trouxera tão rápido até ali, mais que o desejo de ver sua família novamente. Antes que pudesse se conter, Emma se viu estendendo a mão e pegando o objeto de Snow, mirando-o com um interesse quase que doentio. Podia sentir que a lâmina fazia parte de si agora, e a ânsia de escondê-la em algum lugar seguro só aumentou. Emma ergueu os olhos verdes para os presentes e passou a língua nos lábios sem realmente perceber o movimento.

Amor, você está bem? – Hook tocou o ombro da loura com a mão boa, tentando virá-la para ele, mas Emma o interrompeu com um gesto da mão. Pôde sentir a hesitação do Capitão como se fosse algo palpável, e escutou uma voz bem conhecida emergir das profundezas de sua mente para perturbá-la: Crocodilo. Será que era assim que sua pele ficaria daqui uns dias? Emma balançou a cabeça para afastar o pensamento e segurou a adaga com mais força.

Enquanto os outros foram distraídos pela adaga, os olhos de Regina estavam firmes na loura, e um arrepio gelado desceu por sua coluna porque pôde sentir as trevas se agitando dentro das írises verdes dela. Ela ainda parecia a Salvadora, andava como ela, sorria como ela, mas havia algo diferente. Quanto tempo demoraria até que aquilo se espalhasse, invadindo-a e a dominando de dentro para fora? Sabia que Emma lutaria, mas era forte o bastante? Regina tentou ser otimista, mas ela conhecia o poder sedutor das trevas. Conhecia melhor do que todos os outros ali, e às vezes ela mesma ainda precisava lutar contra as suas trevas.

– Emma... – Snow começou, mas Emma não deixou que terminasse.

– Obrigada, mãe. – Sorriu com o máximo de naturalidade que conseguiu, apertando o ombro da mãe. – Mas não posso ficar com a adaga. Preciso de alguém para protegê-la. – E voltou o corpo para Regina, andando até a morena com o objeto nas mãos. Ergueu os olhos para encarar a rainha e soube que aquela era a melhor escolha que poderia fazer agora, dada as circunstâncias.

Parecia quase insensível que sequer houvesse falado com a morena antes de pedir-lhe tamanho favor, mas era assim que sempre fora. Não havia meias palavras entre elas, e isso lhe fazia sentir-se mais próxima do que nunca de Regina. Enquanto os demais eram pura preocupação, Regina sabia que a situação ia além do bem-estar de Emma. Os papéis se inverteram. Antes que desistisse, vez que o impulso de manter a adaga para si era forte demais, suficiente para fazer suas mãos tremerem com o poder, Emma pegou a mão de Regina entre as suas e lhe passou a lâmina, confiando-lhe seu coração.

– Você é a única que pode escondê-la de mim, Regina. E a única que seria capaz de usá-la contra mim, se for preciso. – Emma apertou os lábios e respirou fundo. Separar-se do objeto lhe causaria algo parecido com uma dor física, constante e insistente, mas talvez fosse isso que precisasse agora. A rainha sentiu o peso da adaga em suas mãos, os dedos da loira sobre os seus e os olhares tensos dos outros, tudo de uma só vez.

— Emma… — Você não pode me pedir isso. — Eu… — Sua voz mal arranhou a garganta, seus olhos ainda presos aos dela. Aquilo estava errado. Tudo. O sacrifício… Ela deveria ter deixado as trevas encontrarem quem procuravam: A própria Regina. Deveria tê-la permitido voltar a se tornar a Rainha Má, e aí sim as coisas estariam corretas. Porque assim teriam uma vilã, uma profecia e uma salvadora. Como sempre havia sido. Mas agora tinham apenas uma vilã e uma profecia, e nada parecia correto.

— Isso não vai ser necessário, mães. — Henry disse, soando confiante como sempre. — Eu sei que você vai salvá-la.

— Nós todos vamos. — Concluiu David, mas foi a força de Henry que a fez envolver a adaga na própria mão e trazê-la para si, guardando-a no interior de seu terninho feminino. Manteve os olhos em Emma por mais um instante, em um olhar cúmplice que dizia o que nenhum dos outros queria ouvir: Eu farei o que for necessário.

— EMMA! — Outra voz surgiu atrás do grupo, e era Granny que vinha encontrá-los, seguida por Red, pelos anões, por Zelena, por Robin e seu filho. Regina se deixou ser abraçada por Robin enquanto os outros cumprimentavam a Salvadora, numa animada demonstração de que todos estavam ali para ajudar, mas os pensamentos da morena vagaram.

Sacrificá-la. A palavra ecoou em sua mente várias e várias vezes. Quantas vezes já pensara em matá-la, em seus piores dias? E quantas vezes fora incapaz de tal ato? Ainda estava incerta do motivo. Parecia ser simplesmente incapaz. Mas e se a vida de Henry dependesse daquilo? Talvez, só talvez… A rainha foi tirada de seus pensamentos pelo som de uma trombeta soando.

— Henry, para trás! — Disse, alarmada, dando um passo para frente enquanto todo o grupo se voltava para a clareira de onde vinha aquele som, e assistiram sete homens montando belos cavalos se aproximarem. — Quem são vocês? — Regina gritou, tomando a liderança do grupo.

— Eu sou o rei Arthur, e esta é a minha guarda real. — Disse um dos sujeitos, um homem de sorriso fácil e olhos quentes, de quem a rainha imediatamente desgostou. — Estávamos esperando por vocês há muito tempo. Merlin nos disse que chegariam, cedo ou tarde.

A menção ao nome de Merlim fez algo se revirar nas profundezas da mente de Emma, como se a criatura tivesse repulsa pelo mago, o que era estranho, no mínimo.

— Merlin está desaparecido há séculos. — Pontuou Charming, postado logo ao lado da morena.

— De fato, meu amigo. — Arthur sorriu. — Mas deixou sua profecia. A de que a Salvadora chegaria às terras de Camelot com todo o seu grupo; e eles nos guiariam até ele novamente, em seu local de descanso. Venham, amigos! Meu castelo está há alguns quilômetros a pé, temos quartos e comida para todos. Vocês podem tomar um banho, relaxar um pouco e podemos conversar sobre isso. Serão meus convidados de honra. – Camelot? Regina podia jurar que estavam na floresta encantada, mas estava enganada.

Ela torceu os lábios, mas a índole de sempre ver o bem da maior parte do grupo fez com que ela se visse caminhando até o tal castelo, junto com os outros. Estavam até animados, todos eles. Voltar para uma terra mágica era como voltar para casa. Regina puxou o terninho para mais perto do corpo, como que querendo proteger a adaga, e cruzou os braços sobre o peito de maneira protetora. Casualmente, ela se deixou ficar entre os últimos do grupo, caminhando em silêncio ao lado de Emma Swan, por um longo tempo.

— Emma… — Chamou-a. Havia tanto o que falar. Entretanto, palavras nunca foram muito necessárias entre elas. — Como se sente? — Perguntou. A loura sentiu o olhar da rainha e ponderou antes de responder. Repetir que estava bem seria besteira, comparado ao quanto conheciam uma da outra.

– Cansada e com fome, se é que isso responde a sua pergunta. – Sorriu de forma breve, percebendo que realmente havia um buraco em seu estômago, como se não comesse nada há dias. A resposta fez os lábios da morena se curvarem em um sorriso torto. Aquela era a resposta mais Emma Swan que poderia receber, sem dúvidas. – Mas também me sinto muito mais viva do que consigo me lembrar. É uma mistura de sensações, como se a qualquer momento a magia pudesse escapar dos meus dedos. – Emma continuou, mirando as mãos pálidas, e pôde sentir a energia que fluía delas, imaginando, por um momento, como seria tocar alguém com tamanha sensibilidade nos dedos.

E Regina entendia perfeitamente o que ela queria dizer. Emma tivera experiências com a magia antes, mas não com magia negra, que demandava muito mais de quem a manipulava do que qualquer outra. A magia branca de Emma era vida e, portanto, ela se encaixava em espaços vazios, se adaptava, trazia calma e calor: a negra era destruição, e destruía espaços para ocupá-la, queimava, inundava. Ela ainda se lembrava da primeira vez que a tinha experimentado. E de como se sentira invencível. Emma acabou se distraindo outra vez e tropeçou na própria túnica, sendo amparada por Hook, que parara de andar há alguns segundos para esperar as duas mulheres. Afundou nos braços do pirata por um momento, mas não sentiu a mesma sensação de pertencimento de antes. Temia que Hook percebesse a qualquer instante que ela era agora a criatura que ele mais odiara na vida, e isso lhe deixava morrendo de medo.

– Swan, tudo bem? – A mesma pergunta se repetiria por muitas vezes ainda, e o pensamento a deixou irritada.

– Só quero chegar logo. – Respondeu, desviando-se dele e da morena para caminhar mais rápido. Percebeu o olhar enviesado de Hook para Regina, mas optou por ignorá-lo, e continuou o resto do caminho em silêncio. O Castelo do Rei Arthur era imenso, porém bastante parecido com os demais que Emma vira ao longo de suas idas e vindas do mundo real até a Floresta Encantada, mas ela se espantou com a quantidade de pessoas que viviam ali. Já escurecera, então o grupo foi conduzido pelos soldados até o Grande Salão, onde aconteceria um baile de boas-vindas, e depois encaminhado aos dormitórios.

– Os quartos já foram preparados para vocês, e um banho quente os espera. Após, peço que desçam para o jantar. Há tempos que aguardávamos a aparição da Salvadora. – O Rei Arthur olhou para Emma, mas a loura não tinha mais certeza que aquele título lhe pertencia. Além disso, Regina se moveu primeiro, adiantando-se três passos para se postar na frente de Emma.

— Eu fico feliz de termos nos encontrado, Rei Arthur. — A morena disse, com um sorriso suave estampando seus lábios sempre vermelhos e os olhos mornos. — Meus pais vieram de terras encantadas como as suas, mas eu não as conheço. Suas terras são tão lindas quanto as histórias contam. — Para apoiar a cena, Snow se aproximou e a abraçou de lado. — Vamos nos aprontar para o jantar, então. — Ela disse, e o rei Arthur permitiu que os convidados subissem as longas escadarias até o segundo piso.

A verdadeira Emma entendeu o motivo de Regina ter se adiantado e se apresentado como a Salvadora, uma vez que todos no castelo pareciam ter um interesse genuíno naquele fato e a loura não precisasse de mais atenção. No entanto, as trevas dentro dela pareceram se incomodar com a intromissão, e foi a primeira vez que Emma viu a sombra de Rumplestilskin se agigantar e tomar a frente, projetando-se na parede logo atrás de seus pais. Sacudiu a cabeça para espantar a visão e subiu junto com os outros. Havia um quarto para cada casal, um para os anões, um para as crianças e um para Granny e Red. Snow se adiantou para Emma antes de se dispersarem.

– Emma, eu a ajudarei com o vestido antes de descermos para o baile. Tome um banho quente e me aguarde no quarto. – Hook pegou sua mão e subiram para o quarto, para mais uma rodada de perguntas sobre como ela se sentia naquele momento. A loura largou o corpo contra a cama e fechou os olhos por alguns instantes, até ouvir o namorado desabar ao seu lado. Escondeu a cabeça no peito de Hook e sentiu uma paz momentânea ao contar as batidas do coração dele.

– Não se preocupe, amor, não iremos descansar até tirar essa coisa de dentro de você. – Emma sabia disso, e prolongar o assunto só lhe deixaria mais ansiosa, de modo que se limitou a concordar e foi tomar um banho. Afundou na banheira, deixando a água queimar sua pele até sentir que a palidez de sua pele tinha diminuído, e, quando saiu, não conseguiu resistir ao impulso de renovar a água da banheira com magia, só porque podia. O capitão respeitou seu espaço e entrou logo depois de Emma, deixando-a sozinha com Rumplestilskin.

Você sabe que é apenas uma questão de tempo para que ele perceba que não tem volta. – Emma se voltou para a sombra, cruzando os braços na frente do peito.

– Vamos dar um jeito de libertar Merlim. – Disse em voz alta, e recebeu uma risada cínica como resposta. Ficar sozinha no quarto lhe pareceu insuportável, então Emma colocou o primeiro vestido que encontrou (prateado, com gola no pescoço e pedras brancas no espaço entre os seios) e caminhou até encontrar o quarto de Regina. Podia sentir a presença da adaga, por isso foi fácil descobrir.

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