Olha eu tentando contribuir mais uma vez pro fandom ZoTash. ( ̄▽ ̄*)ゞ

Dessa vez, eu quis ir full angst porque eu acordei nessa vibe hahaha.

Mais uma vez: tudo se passa após Punk Hazard, mas com pouca relação com o arco canônico atual.

E disclaimer nosso de todo dia: obviamente, eu não sou dona de nada no One Piece.

(e como um leitor gentilmente me avisou, eu deveria estar colocando uma nota avisando que meus bebês estão meio OOC. Eu não me importo particularmente nessa história, mas é só pra vocês saberem)

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Era o sangue dela jorrando sem parar e o que isso representava que o impedia de pensar racionalmente.

Se existia algo que Zoro se orgulhava era da sua capacidade de analisar qualquer situação e ser capaz de ficar calmo em ocasiões críticas. Exatamente como essa.

A diferença era que ele estava fazendo totalmente o contrário do que foi treinado para fazer porque era o sangue dela jorrando sem parar e o que isso representava que o impedia de pensar racionalmente.

As mãos de Zoro estavam vermelhas e grudentas de tanto que ele pressionava o ferimento nas costas de Tashigi. O sangue vermelho vivo, o cheiro forte de ferro e o som de cada gota escorrendo pela mão dele e pingando no chão estavam começando a deixá-lo enjoado, seu estômago se contorcendo como se o corpo quisesse jogar para fora tudo que ele comeu ou bebeu nas últimas quarento e oito horas.

Era o sangue dela jorrando sem parar e o que isso representava que o impedia de pensar racionalmente.

Tashigi já estava em um estado meio acordado e meio sonolento, mas Zoro não podia, de forma alguma, deixá-la fechar os olhos. Uma mão continuava a pressionar o ferimento nas costas e a outra segurou o rosto dela. Agora era o sangue vermelho vivo, o cheiro de ferro, o som de cada gota pingando no chão e o rosto dela sujo com o sangue fresco que estava na mão dele que voltou a deixá-lo enjoado, mas ela precisava prestar atenção, ela precisava olhar para ele.

- Oe, quatro-olhos, não ouse morrer na porra da minha frente.

As palavras foram ásperas, mas a situação era crítica e ele não estava conseguindo ficar calmo. A cada passo desesperado de Chopper, cada choro de Nami, cada grito de Smoker, cada arfada de Robin, cada palavrão de Sanji estava fazendo o espadachim perder a porra da cabeça. Cada minuto que passava, era como se todos esses barulhos lentamente ficasse abafados e só restava a respiração fraca de Tashigi.

Os olhos dela não pareciam focar em nada e nem os dele. Ele só conseguia ouvi-la sussurrar frases desconexas e toda vez Zoro brigava para que ela não teimasse pelo menos uma vez na merda da vida dela porque se ela continuasse falando, mais sangue ia jorrar e Deus (ou qualquer entidade divina que exista nesse mundo) sabe que ele estava a um fio de perder toda a sanidade.

- Eu… ferida… Smoker-san… pessoal… eu…

- Pela última vez, só fica calada, quatro olhos. Eu só te peço isso, caramba. Dá pra fazer isso pelo menos uma vez, porra?

Zoro jura que não queria soltar tanto palavrão, mas todo o esforço cerebral dele estava voltado apenas para fazer aquela mulher não fechar os olhos e ao mesmo tempo, continuar estancando o sangue até Chopper conseguir fazer algo.

Depois de sair do estupor, Robin também passou a usar o Hana Hana no Mi para ajudá-lo na tarefa. Porque ele só tem duas mãos e ninguém estava estancando o sangue que jorrava do ferimento no peito de Tashigi.

Zoro nunca foi religioso e nem mesmo acredita em nada divino, mas o que ele não daria agora para que as preces dele fossem atendidas. Por favor, não deixe ela morrer, por favor por favor.

Mas como se sobrevive a uma espada atravessada no peito?

Ele não conhece ninguém que tenha sobrevivido. Mas quem sabe, talvez Tashigi seja a primeira.

Tashigi. Honrada capitã, defensora da justiça, espadachim admirável, co-líder da revolução da Marinha, heroína de guerra, filha de Wano, irmã mais velha de Kuina.

A mulher que tem um descuido tamanho com sua própria vida se isso significasse proteger os outros.

A mulher que acabou de se sacrificar para salvar a vida dele e de sua tripulação.

A mulher que ele brigou um dia antes e falou tantas coisas ruins agora estava de joelhos na sua frente com uma espada fincada no peito e sangue jorrando por todo canto.

Tashigi estava perdendo a consciência e estava perdendo rápido.

- Ei, ei, ei, só continua olhando pra mim, Tashigi.

Ela olhava, mas ele conseguia ver que as pálpebras dela estavam ficando cada vez mais pesadas.

Por favor, não deixe ela morrer, por favor por favor.

Os lábios que tanto quis beijar mas não teve coragem agora estavam manchados de vermelho e como ele preferia que fosse de batom e não de morte. Toda vez que ela tentava falar algo, acabava cuspindo sangue e o rosto dele já estava encharcado, mas Zoro não conseguia, por nada nesse mundo, se importar com isso.

Robin o liberou da tarefa de estancar e ele conseguiu colocar as duas mãos no rosto de Tashigi para forçá-la a olhar para ele. As mãos estavam completamente pintadas de vermelho e ele odiou vestir o sangue dela - mãos, braços, rosto, peito, tudo. Não caía bem nele e ele realmente estava prestes a perder a porra da cabeça dele.

Ela piscava pesadamente, mas estava conseguindo manter o contato visual e Zoro deixou-se ter esperança. Chopper corria de um lado para o outro, tentando incessantemente, controlar a situação, mas o espadachim conseguia ver como a patinha dele tremia e como os olhos estavam vermelhos de tanto chorar.

Se Chopper dissesse que não tinha mais solução, é porque era o fim.

Por favor, não deixe ela morrer, por favor por favor.

Não ela, por favor por favor.

Tinha tanto que ele queria dizer ainda, ela não podia ir embora agora. Ele queria dizer coisas boas, não as coisas ruins que ele cuspiu em sua cara. Em vez de dizer que ela nunca seria tão boa quanto a irmã, ele queria poder dizer que ela se tornou tão forte a ponto de ser sua rival e que ele tinha tanto orgulho dela que não cabia no peito; queria dizer que ela era uma mulher incrivelmente forte e que ficar de pé depois de tudo que passou na vida era admirável, mas em vez disso ele chamou-a de fraca.

Ele vomitou tantas palavras ruins porque uma raiva incontrolável tomou conta dele quando ela se voluntariou para uma missão suicida. A guerra de Wano estava próxima do fim, mas eles perderam tantas pessoas em tantas batalhas sangrentas. Zoro não queria perdê-la. Meu Deus, não ela.

Morte, leve alguém ruim, não ela. Ela é boa demais. Por favor.

Ele a machucou e machucou de verdade. Foi a primeira vez que Tashigi não gritou de volta e Zoro achou muito estranho. Mas se isso fosse o necessário para que ela não saísse porta afora e voltasse num caixão, valeria a pena. Ela podia odiá-lo o resto da vida, mas iria odiá-lo viva.

"Depois de tudo, achei que você não pensava mais assim de mim. Uma pena porque eu não penso mais o mesmo de você."

Zoro nunca viu tanta tristeza transbordar nos olhos dela como naquele momento. Nem mesmo quando ela contou sua história para os Chapéu de Palha - e essa tristeza era semelhante a que ele viu tantas vezes no rosto de Robin. Mas a que ela expressou logo após ouvir as palavras enfurecidas dele foi como se alguém estivesse fincando uma faca no coração da espadachim e girando. Ela sabe qual é essa dor agora.

- Oe, quatro-olhos, você tá indo bem. Só continua olhando pra mim, okay? Se você continuar indo bem, que tal eu deixar você treinar com a Wado ou a Enma? Você agora é tipo uma deusas das espadas aqui de Wano, né? Elas tudo te obedecem, então que você acha?

Zoro sabia que estava tagarelando, mas ele precisava fazê-la continuar acordada e talvez falar sobre espadas pudesse mantê-la focada nele.

- Sandai… não… me obedece… você… único mestre…

- Eu sei. Você que encontrou ela pra mim, lembra? Você lembra, Tashigi?

O espadachim olhou de soslaio para Chopper e viu a pequena rena chorando copiosamente no colo de Usopp. Então, Zoro percebeu que não tinha mais solução. Esse era o fim.

O coração dele simplesmente parou de bater e ele não conseguia pensar em mais nada. A mente estava vazia com apenas um ruído branco sonoro no fundo.

Não não não não não. Por favor, não.

Zoro tinha certeza que ele devia estar parecendo uma maníaco, com olhos extremamente arregalados, cenhos franzidos e um sorriso completamente desconforme. Sorrir talvez a fizesse aguentar mais um pouco, então ele se esforçou, mas foi em vão.

Tashigi não conseguia mais nem levantar a própria cabeça e Zoro conseguia sentir a vida se esvaindo dela. Segurou seu rosto com força como se esse simples ato pudesse impedir que a existência dela fosse embora desse mundo.

- Bora, quatro-olhos. Aguenta mais um pouco…

- Ro...ronoa…

- Vamos, ainda tem tanta coisa pra você fazer-

Ele sentiu a mão forte de alguém em seu ombro, mas não sentiu conforto nenhum. Essa pessoa não queria dizer que tudo ficaria bem - o gesto estava pedindo para que ele aceitasse e a deixasse ir.

Não não não.

- Zoro. Não tem… não tem mais nada que a gente possa fazer.

A voz de Sanji parecia tão embargada quanto a dele. Zoro tinha certeza que o cozinheiro estava chorando e então percebeu que o sangue que escorria pelo seu rosto não vinha de um machucado. Eram as próprias lágrimas dele derretendo o sangue.

Tashigi cuspiu violentamente mais uma vez e ele entendeu que ela queria falar algo.

- Pes...soal, eu…

Zoro já tinha um esporro na ponta da língua, mas Nami segurou seu braço. A garota mordia os lábios para não chorar, mas estava falhando miseravelmente. Ela soluçava desesperadamente da mesma forma que Robin e Chopper. Sanji, Usopp e Franky choravam silenciosamente. Torao observava com uma expressão assustada, sem saber como reagir e Smoker fazia o mesmo.

Zoro não queria nem pensar na reação de Luffy quando ele soubesse.

No decorrer dos últimos meses, Tashigi permaneceu ao lado dos Chapéu de Palha por ordem de Smoker para que ela lutasse em nome dos revolucionários da Marinha por Wano - sua casa que foi negada a ela por tantos anos. A capitã era extremamente desconfiada no início da aliança, mas Luffy sempre consegue unir qualquer tipo de pessoa e Tashigi não foi exceção. Ela lutou ao lado deles e por eles.

A coragem dela não tinha limites.

Provavelmente por isso que não demorou muito para que a tripulação se apaixonasse por ela e a considerasse uma deles. E ser considerada parte dos Chapéu de Palha significava que ela teria todo o tratamento que qualquer um do bando. Significava que todos eles a protegeriam a todo custo.

Então onde eles erraram para que Zoro estivesse segurando uma Tashigi quase morta em seus braços?

- Pes-Pessoal… obrigada por t-tomarem con-conta… de uma fra-fracote como eu…

Zoro não conseguiu acreditar nas palavras que ela tinha acabado de proferir. Ela estava morrendo e era isso que ela pensava? Quão idiotas eles foram a ponto de deixarem essa mulher tão gentil pensar isso até os últimos segundos de sua vida?

- Não, Tashigi-chan! V-você não é fraca! Se não fosse v-você, essa guerra não estaria g-ganha! - Nami berrou e com os olhos cheios de lágrimas.

- V-v-você é nossa c-c-companheira, Tashigi-chan! Eu não q-q-quero que v-v-você se vá! - Chopper chorava como um bebê e quase não era possível entender o que ele falava.

- V-você é u-uma das pessoas m-mais corajosas q-que já c-conheci, Tashigi! - Robin tinha a voz completamente embargada.

Todos eles se juntaram ao redor dela, abraçando-a e segurando-a com força, tentando mantê-la ali, com eles. Todos torcendo por algum milagre, qualquer coisa que a fizesse não deixar-los.

Zoro continuava a segurar seu rosto enquanto todos choravam e soluçavam histericamente. No meio de todo sofrimento, em um último esforço, os olhos dela encontraram os dele e ela sorriu. Um sorriso doce destinado apenas a ele.

Ela sussurrou com muita dificuldade, porém ninguém pareceu ouvir.

Zoro ouviu.

- E-eu… re-realmente queria… ser mais… do q-que uma… imitação p-para você… Zoro.

O espadachim arregalou os olhos e coração doeu como se estivesse se contorcendo dentro do seu peito. Mas não, ele não deixaria as coisas ficarem assim. Ele foi um covarde todos esses meses, nunca admitindo qualquer sentimento por ela e sempre a admirando de longe como se o mero pensamento de se aproximar fosse errado.

E agora o que resta a ele é um sentimento de culpa e de arrependimento.

Ele podia ter vivido muitas coisas nesses últimos meses, mas foi covarde.

Ele não seria covarde agora. Ela merecia muito mais que a covardia dele.

Zoro se aproximou e beijou os lábios dela. Encostou suas testas e sussurrou com a voz trêmula.

- Você é tudo menos uma imitação pra mim.

Ela já estava quase indo embora, ele conseguia sentir isso. Ele a beijou mais uma vez.

- Você é tudo.

Ela chorava silenciosamente, mas não conseguia falar mais nada. A única coisa que ele tinha nesses últimos momentos era o sorriso dela.

"Você também."

Zoro abriu a boca para falar, mas o brilho nos olhos de Tashigi já tinham apagado. Ele segurava apenas a casca onde ela habitava e ele nunca achou que sentiria tanta dor em sua vida.

Era insuportável e sufocante.

Zoro urrou e chorou desesperadamente junto com seus companheiros. Ele não chorava assim desde a morte de Kuina e mesmo assim, agora era muito mais. Ele não sabia como parar e não sabia nem se queria parar.

A cabeça pesava, o corpo doía, o peito parecia que ia explodir, ele não conseguia sentir nada além de sofrimento, mas foi capaz de ouvir claramente quando Luffy gritou com angústia o nome de Tashigi.

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- Zoro, o funeral dela é hoje. Você vai?

A voz de Sanji estava tão rouca que se não fosse os anos passados juntos, ele não teria reconhecido o cozinheiro.

Zoro manteve-se em silêncio com os olhos fixos na ondas quebrando levemente no oceano. Provavelmente tinha se passado um tempo considerável porque Sanji falou novamente com cautela.

- Acho que ela gostaria que você fosse.

Havia passado-se três dias desde a morte de Tashigi e Zoro tinha entrado em um ciclo de violência monstruosa. Ninguém sobrevivia contra suas espadas e ninguém era capaz de pará-lo.

Nem mesmo sua tripulação.

A morte da capitã levantou uma indignação dentro do peito de todos e até os que tinham desistido de lutar decidiram pisar no campo de batalha mais uma vez. A mulher tinha virado um símbolo de resistência e nem Kaido e Orochi seriam capazes de conter a revolta.

Porque essa guerra tinha levado uma mulher pura e justa. Não havia como perdoar isso.

Desde então, Zoro tem sobrevivido a base de saquê. Ele não comia, não dormia, não falava nada, só lutava. Até Sanji decidir parar esse trem desenfreado de auto destruição antes que fosse tarde demais. O cozinheiro o confrontou ("Você tá fazendo tudo ao contrário do que ela queria! Ela morreu pra salvar a gente e você quer se matar!? Vai se fuder, Zoro!") e isso resultou em uma luta acirrada entre eles. Nem Luffy foi capaz de intervir.

Sanji sempre tenta ser recatado, mas ele também estava em fúria, assim como Zoro. O espadachim percebeu pela forma brusca que falou e os palavrões que soltou. Mas também percebeu depois que a verdadeira intenção de Sanji era fazê-lo botar para fora toda ira acumulada antes que crescesse a níveis alarmantes. Era melhor ele explodir agora e para cima de Sanji do que explodir em cima de toda tripulação. Eles não teriam a menor chance contra a sede de sangue de Zoro. Então o cozinheiro aguentou todos os golpes, devolveu todos os ataques, algumas vezes permitiu ser um saco de pancadas e outras vezes apenas esbravejava com ele. Sanji estava tentando a todo custo cansar Zoro.

Quando nenhum dos dois aguentava mais ficar de pé por causa de tantos ferimentos, Zoro soltou um grito tão sofrido que Sanji acabou abraçando-o. Ele entendia o desespero do espadachim porque Tashigi tinha virado uma grande amiga do cozinheiro. O cansaço venceu e os dois só conseguiam chorar. Logo em seguida, os dois sentiram o abraço e as lágrimas de Luffy e quando menos perceberam, toda a tripulação envolveu os dois em um enorme abraço.

Zoro não sabia quanto tempo passaram daquela forma porque tudo parecia um borrão, mas quando se deu conta, ele percebeu que Sanji estendia um prato farto de comida para ele.

"Por favor, Zoro, coma. As coisas vão ficar mais difíceis agora porque a morte dela foi um golpe enorme na gente e vamos precisar de você."

Isso foi no dia anterior. Os dois comeram juntos e Zoro precisava agradecer porque Sanji foi, de fato, muito paciente e, apesar de estar sofrendo também, se dispôs a ajudá-lo. Apesar de sempre implicarem um com o outro, o espadachim sabia que Sanji era um amigo muito valioso e um dos que mais o compreendia.

- Eu vou.

Sanji assentiu e ficou em silêncio. Depois de um tempo, falou novamente.

- Eles vão conceder a patente máxima a ela. A patente deveria ser Vice-Almirante, mas querem que ela seja lembrada como Almirante.

O cozinheiro acendeu o cigarro e depois de apenas uma tragada, Zoro bufou.

- Como se ela se importasse com essas merdas.

- Sim.

Tashigi nunca se importou com patentes e Zoro sabia disso. A única coisa que importava para ela era proteger as pessoas. Para ela e Smoker, patentes eram apenas nomes para inflar o ego de pessoas vazias.

- Vamos, Zoro. Todo mundo já deve estar esperando pela gente.

- É.

No meio do caminho parou e Sanji também quando percebeu que Zoro não o acompanhava. Olhou confuso e indagou com sua expressão.

- Sanji.

Zoro percebeu que o costumeiro olho descoberto pela franja loira arregalou por uma fração de segundo, mas ele só assentiu, avisando-o que estava prestando atenção.

- Obrigado.

Sanji sorriu levemente e virou as costas, voltando a caminhar em direção a saída do Sunny.

- Disponha, cabeça de musgo.

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O velório foi cheio de pompa, mas tinha uma grande honra na cerimônia toda. Zoro não sabia dizer o que era, mas ele sentia como se todos presentes tinham uma enorme consideração por Tashigi. Hiyori pediu para que ela fosse enterrada em seu país de descendência e a Marinha concedeu o pedido. Luffy pediu de Smoker para que ele e Zoro carregassem o caixão dela e o Vice-Almirante não tinha forças para negar. Assim, Smoker, a Contra-Almirante Hina, Luffy e Zoro foram os últimos a verem o rosto da Almirante Tashigi antes de ela ser entregue delicadamente a terra.

Zoro estava tão entorpecido que não sentia nem mesmo as pontas dos dedos. Ao lado dele, Nami e Robin choravam profusamente - a primeira abraçada a Luffy como se sua vida dependesse disso e a segunda tinha o rosto escondido no pescoço de Franky. As duas foram as que mais se tornaram próximas de Tashigi e Zoro conseguia imaginar a dor que sentiam pela perda da amiga.

Ele sabia bem porque ele perdeu uma amiga, uma rival e a única mulher que amou (e amaria) em toda sua vida.

Depois que toda a cerimônia acabou, Zoro esperou pacientemente todos darem seu último adeus a Almirante em frente a sua lápide para que ele pudesse dizer umas últimas palavras para ela.

Sei lá se existe essa merda de vida após a morte, mas se existir, espero que você me escute, Almirante quatro-olhos.

Todos dos Chapéu de Palha já tinham ido e o último em frente a lápide era Smoker. Zoro resolveu se aproximar.

Smoker provavelmente percebeu a presença do espadachim mas escolheu não reconhecer. Os dois ficaram em um silêncio pesado e nenhum chegou a se mover. Até que do nada, o marinheiro olhou para o céu e resmungou.

- Sabe, essa idiota era completamente louca por um pirata.

Isso chamou atenção de Zoro. Smoker acendeu apenas um charuto.

- Ela fazia umas doidices porque falava que precisava alcançar e ultrapassar o maldito. Treinava que nem uma condenada e toda vez que eu perguntava por que ele, ela sempre respondia que era porque ele era o melhor espadachim que ela já conheceu na vida.

Smoker tirou o charuto da boca e segurou entre os dedos. Zoro mordeu o lábio porque não queria desabar na frente do outro homem.

- Também me disse uma vez que ele e sua tripulação a salvaram e fizeram-na enxergar o quão errado estávamos.

Zoro fechou os punhos tão forte que ficou com medo de acabar rasgando a mão. Smoker continuou.

- Ela dizia que esse pirata era diferente. Que o maldito e a tripulação eram diferentes e que ela protegeria eles a todo custo.

O Vice-Almirante continuava a encarar o charuto em sua mão.

- Tashigi normalmente tinha um bando de desmiolado babando por ela, mas ela nunca dava moral pra nenhum deles. Ela disse pra Hina que, embora odiasse o fato, ela já tinha sido conquistada em Loguetown.

Os ombros de Zoro tremiam e os olhos começaram a marejar. Smoker fungou mas o espadachim deu privacidade ao marinheiro. Ele pegou o charuto e botou na base da lápide. O pirata parecia ter perdido a voz durante o monólogo do Vice-Almirante, mas agora, no silêncio, pareceu encontrar novamente para fazer um último pedido.

- Smoker. Posso ficar com Shigure?

O homem não respondeu nada, só tirou a espada das costas e entregou a Zoro. O espadachim segurou Shigure com as duas mãos e por algum motivo, ele conseguia sentir Tashigi. Agora você vai estar comigo, quatro-olhos. Smoker esfregou o rosto e virou-se para ir embora. Antes de ir de fato, ele pareceu hesitar, mas parou e botou uma mão no ombro esquerdo de Zoro.

- Fica bem, garoto.

E com isso, se direcionou para a saída do cemitério, deixando Zoro com o peito doendo mais do que limite saudável. Ele sentou, cruzou uma perna em cima da outra, repousou Shigure em suas coxas e meditou, focando apenas na presença de Tashigi e na saudade que o sufocava. Ele não sabe quanto tempo passou ali, naquela posição, com o vento passando pelos seu cabelos e balançando seus três brincos, mas a meditação ajudou a acalmar seu coração.

Quando sua respiração pareceu ficar mais tranquila, ele resolveu jogar palavras ao vento.

- Fala sério, como eu fui idiota… você me perdoa, Tashigi?

Sua irmã era minha amiga, mas você era… a mulher mais importante pra mim.

Zoro olhou para o céu e lembrou do dia em que eles dois decidiram entrar em trégua e como Tashigi dormiu tão próxima a ele que ela foi capaz de esquentá-lo na noite fria.

- Será que existe essas idiotices de outra vida, Tashigi?

Zoro cobriu o rosto com a mão esquerda e engoliu em seco toda a infelicidade.

- Será que eu consigo te encontrar em outra vida?

O espadachim lutou bravamente para que nenhuma lágrima sequer saísse, mas a julgar pela vista que virou um borrão, ele deve ter falhado miseravelmente.

- Meu sonho é por você também agora.

Zoro decidiu ficar por mais um tempo, mas sabia que ele estava só prolongando o adeus final. Nada a traria de volta, mas Shigure ficaria para sempre com ele. Até mesmo ponderou se o corpo dele aguentaria o peso de mais uma espada, mas ele daria um jeito. Por fim, com os olhos inchados, desamarrou a bandana preta que sempre carregava no braço e fincou-a com uma faca Tanto na base da lápide.

Levantou-se e se direcionou a saída. A vida precisava continuar e não é como se ele fosse esquecer dela. Ele nem sabia como seria possível esquecê-la.

Eu também, quatro-olhos. Desde Loguetown.

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Eu admito que sou louca pra ver Tashigi se sacrificando, mas não morrendo. Essa história aqui era só pra satisfazer minha vibe angs hahaha. E na moral, eu acho que, se caso os dois criem um laço, Zoro iria sofrer bastante, mas de um jeito diferente de como foi com Kuina. Fora que ele também é mole que nem geleia por dentro.

Outra observação é que não sabemos nada sobre o passado da Tashigi, mas eu acredito que ela possa ser irmã da Kuina ou prima, sei lá. E tenho meus headcanons em relação ao passado dela e a importância dela em Wano, mas só comentei superficialmente.

Levando em consideração que to morrendo de sono, é possível que volte pra fazer algumas modificações, mas no geral, eu to feliz da forma que ficou. Lembrando que a bonita aqui ainda tá no processo de aprendizagem ein. (⌒_⌒;)

Obrigada por lerem!