Boa noite, fanfiqueiros de quarentena! Estou viva, rs. Essa história está no meu notebook há muito tempo, desde que vi o final da 4a temporada de The 100. Não aceitei o reencontro sem sal do Bell e da Clarke e muito menos aceitei o relacionamento dele com a Echo.
Eu ainda não assisti a 6a temporada então não sei bem como está o meu possível casal preferido maaaassss...
Aproveitem a história. Mandei reviews!
Xx
Clarke, por favor, esteja viva. De qualquer maneira, esteja viva.
Eu sinto os trancos e a nave quente. Estamos voltando pra terra, um ano e uma semana depois do previsto. Tínhamos decidido não voltar. Tudo estava destruído tirando aquele único pontinho verde que nos receberá em breve. Monty e Harper estavam bem, mesmo que a morte de Jasper tenha perseguido os dois desde que chegamos aqui. Raven conseguiu acesso àlguns arquivos de Beca que estavam muito bem escondidos no que sobrou do antigo sistema da Arca, o que facilitou nossa vida lá em cima. Murphy e Emori estavam gratos por terem sobrevivido e passaram os últimos seis anos transando em todos os locais possíveis - até nos impossíveis. E eu...
Não me perdoei por ter deixado-a pra trás.
Mas eu desisti de continuar tentando fazer contato; era demais pra mim. Eu amaldiçoei Clarke quando a abandonei pra morrer e ela me amaldiçoou de volta, já que minha vida não era mais minha, não era inteira.
Echo tentou me tirar disso. Ela me beijou e eu beijei de volta por alguns segundos, uma sensação boa no meu corpo desde que tínhamos subido, alguns meses depois do Praimfaya. Quando abri meus olhos e vi cabelos castanhos e não loiros, afastei seu corpo do meu e deixei-a sozinha em meu quarto. Ela não parecia chateada quando nos encontramos no jantar daquela noite mas estava ressentida com certeza. Foi a partir daquele dia que me mudei para a antiga cela de Clarke.
Porque, óbvio, as celas ficavam no Anel.
E em um dos dias que olhava pela janela, encarava a Terra vendo a única região verde crescer, pensando em quantas vezes Clarke olhou por essa mesma janela ansiando o local que provavelmente a matara, Raven chegou à porta.
"Bell." Seu tom era urgente, era carinhoso, era...
"Clarke?" Não dizia essa palavra em alta voz a mais de cinco anos.
"Uhum. Seu nome... apenas seu nome."
Não era possível. Tanto tempo depois... Mesmo que pelos cálculos de Raven, agora a Terra já estaria habitável novamente, não era possível.
"Bell... eu tenho a gravação."
Me levanto num pulo e Raven já está andando a minha frente, como se tivesse a certeza de que eu quereria ouvir. Talvez ela tivesse mesmo.
Chegamos na sala de comunicações, bem mais aparelhada agora do que quando viemos da Terra, e ela me diz pra sentar em sua cadeira preferida. Me passa fones de ouvido e me sinto grato, não queria dividir isso com ninguém mesmo que Raven já tivesse escutado. Afinal, é o meu nome que Clarke chamou.
Eu escuto ruídos, uma voz muito fina e quase infantil que assumo ser de Clarke mas distorcida, mais ruídos, um som que não tenho certeza se vem do Anel ou da Terra e o silêncio. Alguns segundos de tortura e finalmente eu ouço: "Bellamy."
É só isso. Meu nome, não meu apelido. Não consigo ler nenhum sentimento, raiva, tristeza, saudade. Repito a gravação por mais tempo que gostaria de admitir e nesse tempo tenho acessos de choro e de raiva, as vezes os dois ao mesmo tempo. Raven vem e vai, sem se importar comigo ali e agradeço por ela me dar esse espaço. Na última vez que ela entra na sala, se surpreende ao me ver de pé.
"Faça as malas, Raven. Vamos para casa."
Nós brigamos muito quando disse que não voltaria pra Terra. Raven me chamou de egoísta, fraco, covarde, pior que John Murphy e algumas outras coisas. Não discordei mas os outros pareciam não querer se intrometer e por isso não deram suas opiniões para voltar ou não, assim não tive que discutir nada. Depois Emori me disse que ela e Echo queriam voltar mas por razões muito próprias e pessoais. Claro, elas eram terras-firmes afinal de contas.
Então quando eu saí da Comunicações para avisar aos outros eu fingi não ver as lágrimas de Raven porque elas eram culpa minha também. Assim como abandonar Clarke.
O calor se tornava insuportável dentro da nave mas eu não me permitia pensar que morreria. Não quando sobrevivi ao segundo fim do mundo, não quando ouvi a voz dela e recuperei minha esperança. Não. Estou encarando meu joelhos quando sinto uma mão em meu ombro. Murphy. Olho ao redor e estão todos de mãos dadas, esperando a nave se aquietar conforme entramos novamente no planeta. E então sinto os propulsores parando-nos, Raven se levanta para checar algumas coisas nos monitores, Monty grita alguma informação tecnológica e precisa para ela mas eu não estou mais aqui. Já me vejo lá fora, respirando ar puro novamente, sentindo água de um rio qualquer em meus pés. Quero voltar a praia... A única vez que estive numa praia foi pra buscar Luna e não me senti muito confortável. Deveria ter dito tudo que queria dizer pra Clarke naquele dia.
Um último tranco e sons diminuindo, até o silêncio completo (a não ser por nossas respirações). Eu fecho os olhos e já espero alguma tragédia, terras-firmes deformados nos atacando, uma explosão, Murphy e Emori nos matando ou sei lá. Nada acontece então eu desafivelo meus cintos e me levanto.
Abro a porta.
Sol em meus olhos. Vento em meus cabelos. Clarke alguns metros na minha frente.
Me sinto esquisito e completamente travado. Raven passa correndo por mim e se joga em cima de Clarke, que a abraça. Todos vão até ela e parecem estar chorando enquanto eu continuo parado à porta da nave, os braços caídos ao lado do corpo, como um morto que se mantém em pé. Ela me olha diretamente nos olhos quando o grupo abre espaço e eu finalmente recupero meus movimentos. Corro ao seu encontro e a puxo para mim com tanta força que a tiro do chão, o que parece não incomodá-la pois ela envolve suas pernas em minha cintura. Um braço a mantém firme em meu abraço e minha outra mão passeia por ela, seus cabelos, seu braço, sua cintura, voltando para os fios loiros que estavam mais curtos do que seis anos e uma semana atrás.
"Você demorou, Bell."
Eu não a largo e ela não volta para o chão. É muito estranho estarmos assim mas eu não vou arriscar perder tempo desse abraço para colocar Clarke no solo. Nós já perdemos tempo demais, e não falo apenas por esses anos lá em cima, falo especialmente pelos anos aqui embaixo.
"Bell?"
Meus olhos estão fechados, meu rosto encaixado em seu pescoço. "Hm?"
"Você pode se sentar, sabe? Está me segurando a muito tempo."
"E vou te segurar pra sempre."
Ela afasta um pouco a cabeça e puxa meu rosto, para ficarmos cara a cara. Muito próximos como não ficávamos a seis anos. "Ótimo. Porque eu não planejava nada de diferente para o meu 'pra sempre'."
Quando finalmente ela desceu do meu colo, senti um vazio que logo foi substituído por sua mão na minha, nossos dedos entrelaçados. Todos estavam sentados na grama perto da nave, comendo o resto de nossa comida espacial.
"Vai um pouco, Clarke? Comemos isso por seis anos... Sem contar que você não experimentou os cogumelos que criamos lá em cima. E se não experimentar agora, não terá mais chance." Murphy disse com a boca cheia.
Ela se senta e me puxa para baixo junto. Se encaixa no meio das minhas pernas, suas costas em meu peito e eu descanso minha testa em seu ombro. Poderia morrer agora, sem problema nenhum. Suspiro e ela ri pelo nariz, virando o rosto em minha direção e beijando minha têmpora. "Quer conhecer minha casa?"
Andamos alguns metros, talvez por um quilômetro, até chegar no nosso Rover. "Monty tinha deixado à prova de radiação então achei que seria uma boa ideia consertar."
"E como fez isso?" Raven perguntou.
E assim, sem mais nem menos, ela larga minha mão e vai até a amiga, me deixando com vontade de chorar. Ela dirige e Raven está no banco do passageiro, o que quer dizer que todos nós estamos na parte de trás. Ela me olha pelo retrovisor de vez em quando e estou sempre olhando pra ela.
"Nós não achamos esse lugar... antes," sua voz é hesitante ao falar sobre antes. "Beca tinha esse bunker para guardar tecnologias mas depois que Allie destruiu tudo acho que o registro se perdeu no sistema. Quando eu voltei ao Laboratório, quase morta pela radiação, vi que ligar a energia para vocês lá em cima liberou uma série de arquivos e os monitores voltaram a funcionar e..." Ela percebeu a cara confusa de todos, minha também, e sorriu. "Enfim. Eu fiquei por algum tempo naquele apartamento que você também ficou, Murphy, e depois tentei a sorte aqui. E foi aí que encontrei."
Nossas caras confusas com certeza pioraram. E piorariam a medida que entramos.
"Madi. Pode vir." Uma criança, uma menina. Como..? "Madi, esses são os meus amigos que estavam lá no Anel. Esse aqui é o..."
"Bellamy." Madi corta. Eu sorrio. "Clarke tinha desenhos de todos vocês. Bellamy, Raven, Monty, Harper, Emori, Murphy... E você deve ser Echo."
Tenho a sensação de que Clarke não desenhou Echo e sinto um certo orgulho disso.
"Eu acho que consigo arrumar um canto pra todo mundo, se dividirmos."
Ela me olha nervosa e depois pra Echo. Será que a mulher que eu amo passou seis anos e sete dias achando que eu estava com outra? "Eu fico com você, Clarke."
Raven não parecia satisfeita.
A noite cai e nós jantamos nossos cogumelos pela última vez, com a primeira caça grande de Madi que estava sentada ao meu lado, contando-me dos últimos anos na Terra, como ela e Clarke se encontraram, como ela gosta de mim sem me conhecer. "Você me conhece agora, menininha."
Ela sorri satisfeita e boceja. "Hora de dormir, não?"
"Clarke, não sou mais criança." Seu tom foi duro e embora tenha a chamado de menininha e ela não pareceu se importar, Madi se mostrou adulta. Como uma princesa de 17 anos que conheci tantos anos atrás. Ela se levantou, deu boa noite a todos, um beijo na bochecha de Clarke e saiu do bunker.
"Algum tempo atrás ela perguntou se poderíamos morar do lado de fora. Bom, ela é Trikru e eu Skaikru. Ela gosta lá de fora e eu me sinto mais segura dentro, por isso montei uma tenda para ela do outro lado. Madi se defende melhor do que eu."
Parece um tanto irreal estar aqui, com ela, conversando num bunker na Terra e todos parecemos estar pensando a mesma coisa. E de repente, pela primeira vez em algum tempo, meu pensamento não é Clarke.
Octavia.
É mais uma culpa que me varre porque eu não sei como ela está, não sei nem se está viva. Eu não perguntei pra Clarke como estão as pessoas no outro bunker. Ninguém perguntou, na verdade. Porém eu sou o irmão mais velho e minha irmã, minha responsabilidade. A Terra é meu lar mas é um lar muito confuso pro nosso próprio bem. Preciso dormir, talvez durma decentemente pela primeira vez depois de 2.197 noites.
"Acho que vou dormir. Clarke, poderia me mostrar onde?"
Olho de relance e percebo que Murphy e Emori já estão dormindo, um encostado no outro. Pela primeira vez (também), parecem tranquilos. Emori não está dormindo com a mão na faca que fica em seu cinto.
Sigo Clarke por alguns passos e ela revela um quarto que é 100% Clarke. "Estarei com você em um minuto." E sai fechando a porta atrás de si, o que é bom pois me dá tempo de analisar os desenhos pregados na parede.
Não sei onde ela arranjou o material pra desenhar e é mais uma pergunta na lista interminável que já tenho mas foco em outra coisa: meu rosto por todo o quarto. De diversas formas estou retratado ali. Madi também, assim como Raven, Abby, Finn, Wells, até Kane. Mas o desenho mais imponente daquele quarto é o de Octavia, sentada num trono. Espero que eu a reencontre dessa maneira. Analiso bem de perto o rosto da minha irmã, desenhado com algumas tatuagens de Trikru, consigo reconhecer a de Lincoln. O que eu não daria para tê-la comigo, conosco, aqui agora. Se ela estivesse não precisaria voltar ao outro Bunker. Me sentiria inteiro.
"Eu tentei contato, sabe. Quando dei um jeito no Rover, o comunicador voltou também mas acho que a radiação estragou tudo por aí e por isso só recebo silêncio como resposta do Bunker deles... não falo com minha mãe desde que fomos embora pro Laboratório."
Não percebi que eu estava chorando. Continuei encarando o desenho de O e Clarke me abraçou por trás, beijando minhas costas. "Tem tanta coisa que eu preciso te perguntar, tanto pra resolver..."
"Não agora, Bell."
Eu concordo, é demais para um dia só. "Só não fuja disso. Nem de mim."
Escuto sua risada fraca e ela se afasta. Ouço o som de tecido e sei que ela está trocando de roupa, por isso me mantenho virado para a parede. Embora quisesse desesperadamente vê-la de todas as formas possíveis. Quando viro, ela ja está na cama. "Todos já foram dormir?"
Ela acena com a cabeça pra dizer que sim. "Você pode deitar também. Ou se preferir posso montar uma cama improvisada no chão."
Minha vez de acenar com a cabeça mas para dizer que não agora. Quero deitar mas essa roupa tem o cheiro do espaço e eu não aguento mais isso, foram 6 anos. Mas não sei se posso simplesmente tirar toda a roupa e deitar ao seu lado.
"Sabe, eu encontrei umas roupas velhas do Murphy naquele bunker que ele ficou preso e eu... bem... eu trouxe pra cá. Eu não consegui deixar algumas coisas pra trás e imaginei que se vocês voltassem..."
Ela ainda não perdeu a habilidade de ler minha mente. "Eu agradeço, princesa, mas não sei se quero usar uma roupa que já foi usada pelo Murphy. Você vai ficar desconfortável se eu tirar a minha e não colocar nenhuma?"
E mesmo de longe eu consigo perceber que seus olhos escureceram. Ela sussurrou um não quase inaudível e se virou para a parede. Pude então tirar as botas, meias furadas, a calça larga e a camiseta com o agasalho que usava 6 anos atrás na Terra. O bunker tinha energia porque entre os equipamentos que Clarke achou aqui estava um gerador em estado perfeito. O que não teríamos feito por um desse... Eu apago a luz e percebo que tem uma janela, claraboia na verdade, que permite que o luar nos ilumine fracamente. Quando levanto a coberta para deitar (que parece muito com as que existiam em Polis) percebo que ela própria está só de roupa íntima e eu tento esconder meu sorriso.
Deitar na mesma cama que Clarke sempre foi impossível. Porque não ficaria bem dormirmos juntos, porque ela teve com quem dormir as vezes e eu também, porque não, imagina, eu e Clarke somos apenas melhores amigos que sobrevivem. Papo de merda... nós nos evitamos sabe-se lá porque e sequer pudemos nos beijar antes de ficarmos seis anos separados. Nem quando estávamos os dois na Terra tínhamos tomado qualquer atitude. E eu juro por Deus, caso ele ainda exista, que se essa mulher não me ama ela sabe criar sentimentos muito bem.
Ela pega minha mão por debaixo da coberta e estamos aquecidos, confortáveis, secos e limpos. É uma realidade estranha pra nós dois e temo que talvez não saberemos lidar com isso. Nos viramos bem num cenário letal e bruto mas e agora?
"Então. Como tudo aconteceu desde que eu fui pra Torre e você foi buscar Monty?"
"Eu voltei com ele e Murphy para o Laboratório e nós... esperamos. Não conseguíamos nos comunicar e o sinal não ficava online. Raven disse que tínhamos que ir ou a onda pegaria a nave. Todos entramos e esperamos mais, até não ter mais tempo. E fomos embora."
Eu sei que ela queria detalhes mas eu não tinha condições de continuar. O pouco que disse já me deixou com um nó na garganta e lágrimas nos olhos.
"Bom, eu voltei pro Laboratório, estava muito mal. Minha pele estava bem queimada e eu sentia meu pulmão do mesmo jeito. Fiquei desmaiada por algum tempo, horas quem sabe, e quando acordei não senti minha respiração arder tanto. O sangue da noite funcionou. Ir pro bunker que Murphy ficou preso foi mais um desafio e eu jurava que morreria mas o sangue me salvou todas as vezes. Te disse que colocar o sistema online liberou arquivos no sistema e também mais um quarto, debaixo do bunker, que tinha suprimentos pro tempo necessário até que o fogo tivesse passado e o planeta se tornasse levemente menos tóxico. O que achei lá me ajudou a achar aqui. E a achar Madi, que vivia por perto, sozinha."
Eu já não tentava segurar o choro. Eu ouvi toda sua história e fico feliz por ter conseguido sobreviver e achar Madi mas só consigo pensar nela desmaiada no Laboratório, sua pele consumida e sozinha. Sozinha por todo esse tempo. "Eu te deixei, Clarke. Você morreu e a culpa é minha."
Ela se apoia no braço esquerdo, olhando pra mim com doçura e passa a mão por meu rosto secando minhas lágrimas. "Não morri. Senti como se tivesse mas Madi me ajudou a superar. Deixa essa culpa, Bell. Esquece... Deixa ir. Esqueça o exército, esqueça Monte Weather, esqueça que foi sem mim. A gente já passou da segunda chance faz tempo, perdemos a conta. A vida continua nos mantendo vivos e temos que simplesmente ser gratos por isso, não importam os meios. Não dá pra recomeçar mais uma vez se estivermos presos ao que aconteceu. É outro planeta, Bell. Tudo mudou. Bom," ela ri, "99% das coisas mudaram."
"O que não mudou, princesa?"
"Eu e você. Nos reencontrando e evitando chegar onde queremos."
Seguro a respiração e ela continua sorrindo. Estamos falando sobre o que eu acho..? Clarke deita novamente e viramos nossos corpos um para o outro, narizes se tocando. Eu olho fixamente em seus olhos mas eles estão na minha boca e fecho a pouca distância que existia entre nós. Eu a beijo, na verdade apenas encosto nossas bocas e ela fecha os olhos. Me permito fechar os meus também.
Estamos lentos, pra contrariar o que eu pensava do nosso primeiro beijo. Imaginava desespero, saudade, fogo, ódio, amor acelerado mas estamos emitindo calma, saudade, brasa, afeto, amor brando. Uma de minhas mãos está em sua cintura e a outra passou por baixo de seu corpo e se encontra espalmada em suas costas; as mãos de Clarke seguram meu rosto. Me sinto seguro o suficiente pra aprofundar, minha língua passando por seu lábio inferior e logo sua boca se abre e nossas línguas se tocam e eu sou o homem mais feliz do mundo e por isso sorrio. Ela também sorri, distanciando-se um pouco. "Eu esperei muito por isso, Clarke."
"Seis anos e uma semana é um tempo considerável, Bellamy."
Faço que não com minha cabeça. "É mais tempo, pode acreditar." Seu olhar se torna preocupado. "Tudo bem?"
"A gente é muito incompetente. Queríamos estar juntos a tanto tempo e não tivemos a coragem de admitir. Entre me preocupar com nossa sobrevivência e matar centenas de pessoas de uma vez, eu te amava dolorosamente."
Amava. Clarke me amava. Me ama? "Eu te amava dolorosamente. Eu te amei dolorosamente." Encosto minha testa na sua. "Eu te amo dolorosamente, Clarke," sussurro.
Ela me beija dessa vez e continuamos lentos. Enrolo meu indicador no elástico de sua calcinha e ela morde meu lábio. Suas mãos estão em meu peito e tenho certeza que ela sente meu coração acelerado e eu a puxo pra perto, o máximo que posso. Desço meus beijos para seu pescoço e ouço-a gemendo baixinho, enquanto crava as unhas em meu peito. "Bell..." Sorrio e mordo onde beijava, ela se assusta e eu lambo por cima da mordida. Clarke encaixa uma de minhas pernas entres as suas e sinto seu calor diretamente na minha coxa. Deslizo com cuidado uma das mão até o cós de sua calcinha mas não prossigo porque ela quebra o beijo para jogar o cobertor longe, reclamar do calor e sentar-se por cima de mim. Nós dois gememos. Nossas línguas dançam juntas e Clarke beija minha testa, minhas bochechas, meus olhos.
"Que saudade de você, Bell."
Com os olhos nos meus, vejo suas mãos abrindo o sutiã e seus seios saltando livres. Minha boca seca e passo minhas mãos por sua barrigam sentindo-a arrepiar, até chegar neles. Ela consente e fecha os olhos, e quando os aperto, especialmente seus mamilos, Clarke joga a cabeça pra trás. Ela mexe o quadril, apertando-me e deixando-me mais duro ainda, nós dois buscando mais contato. Me sento, com ela em meu colo, e a beijo com uma vontade que existe a muito tempo. Ela beija abaixo da minha orelha, suas unhas arranhando meu abdome e uma mão em meus cabelos. Ela morde o lóbulo e meu corpo inteiro se arrepia, justo quando eu achava não poder ficar com mais vontade.
"Deita." Sua voz é mandona, mas sussurrada, e seus olhos me amam. Jogo o corpo pra trás sorrindo e ela não perde tempo, beijando toda a extensão do meu peito, voltando pra cima pra me beijar e minhas mãos firmam em sua bunda. É a vez dela de sorrir em minha boca. "Você está muito atrevido, Bellamy Blake."
Eu quero responder mas ela continua sua descida, encaixando-se entre minhas pernas e me beijando por cima da cueca, deixando-me obviamente sem palavras. Me obrigo a manter meus olhos abertos pra poder olhá-la e ela também me olha enquanto me tira da minha prisão. Sua expressão é voraz mas ela é delicada ao lamber com a ponta da língua toda a extensão da minha ereção. Meu corpo se contrai e ela me engole. Bem, até onde ela aguenta e ajudo-a com seu cabelo, cuidadosamente reunindo todos os fios em uma só mão. Ela chupa e geme, a vibração de sua voz me levando rapidamente pra perto do orgasmo. Eu não sei do que gosto mais, da sensação de sua boca, das mãos, das duas juntas ou do simples fato de Clarke estar me chupando. Agora já tenho meus olhos fechados, minha voz ecoa pelo quarto e quem sabe por todo o bunker? "Clarke... você é incrível." Ela acelera o ritmo, tanto da boca quanto da mão que cobria o que não estava em sua boca e eu não aguento. Puxo com força seu corpo pra cima, um pouco acima do que estávamos antes, pra eu poder alcançar com a boca seus peitos. Minhas mãos agora vão até sua calcinha e o tecido está molhado.
"Clarke, pelo amor de Deus. Você está encharcada."
Puxo sua calcinha rindo e ela entende, me ajudando a tirar nosso último obstáculo. Deito-me mais na cama e coloco Clarke ainda mais para cima até que meu rosto está bem embaixo dela e a visão é estarrecedora. Ainda não acredito que isso está acontecendo. Clarke literalmente senta em meu rosto, apoiando-se na cabeceira da cama e na parede. Eu vou fazer ela implorar por mim como implorei por ela todos os dias.
Eu beijo sua virilha, assopro com cuidado e sinto-a pulando em surpresa. Sorrio e lambo o mais profundo possível, sentindo seu gosto. Ela é deliciosa em todos os sentidos (faço uma nota mental para contar isso pra ela em outro momento). Eu queria ser calmo nessa hora mas não consigo, minha boca impõe um ritmo severo e meus dedos a ajudam. Meu dedão pressiona e circula seu clitóris, minha língua entrando e saindo de dentro dela e ela implora, ah, ela implora.
"Você vai gozar, Clarke. Forte. Chame meu nome, está bem?"
Volto ao meu trabalho, com mais afinco do que nunca dessa vez, e só escuto seu "uhum" chorado. Pouco tempo depois seu corpo começa a tremer e ela chama meu nome, duas, três, quatro vezes antes de gemê-lo pela última vez quando seu corpo se fecha em volta dos meus dedos e minha língua mantém o carinho em seu clitóris.
Percebo seu corpo amolecido e rapidamente deito-a na cama, Clarke não parece se importar com meu peso sobre ela. Estou encostado em sua entrada, esperando apenas seu consentimento quando ela mesma me pega e me guia pra dentro.
Nós dois suspiramos conforme entro e nos acostumamos. "Bellamy... A gente tem que fazer isso várias vezes." Me movo lentamente e é assim que tem que ser, porque sei que não vou durar muito mais de outra forma.
"Princesa, isso deveria ter acontecido antes."
Clarke sorri. "Não pare nunca, ok?"
Me afundo dentro dela, o máximo possível, e ela geme-chora-grita. Agarro seus seios e ela mesma leva uma das mãos ao meio das pernas, intensificando o que já estamos fazendo. Meu suor pinga sobre seu peito mas ela não vê porque seus olhos estão bem fechados, uma expressão no rosto que eu nunca tinha visto até agora.
"Clarke, você está tão apertada..."
E ela só me aperta mais porque não demora até ela gozar novamente, o que me faz perder todo o controle e acelerar meu ritmo, provocando gemidos altos que toda a Terra poderia ouvir enquanto ela me puxa junto pro meu orgasmo. Meus tremores me fazem deitar sobre seu corpo e ela nos vira na cama, ficando por cima. Sua cabeça na curva de meu pescoço, os dois respirando com dificuldade.
Eu passo os dedos pelo seu cabelo, minha boca grudada em sua testa. "Bellamy?" Não abro os olhos mas sei que ela está me olhando. "A cama tá ficando toda suja."
E ela ri, levantando-se para se limpar ou tentando pelo menos. Puxo-a de volta pra cama. "Pra que você vai limpar isso agora se vamos sujar tudo de novo?"
Eu passei toda a noite que se seguiu reencontrando Clarke.
