Sanji nunca gostou muito da cor de seus cabelos. O amarelo o fazia lembrar que seus irmãos eram especiais. E ele era um erro. Era constantemente lembrado de que aquela não devia ser a sua cor, e mesmo assim forçado a usá-la todos os dias.
Na verdade, desde que podia lembrar, sua cor favorita sempre foi azul. Azul como os olhos tão lindos da sua mãe. Sanji havia herdado aqueles olhos e era uma das únicas coisas que gostava em si mesmo.
O loiro poderia passar horas apenas encarando o azul celeste que cobria toda a imensidão do céu. Ele gostava muito de observá-lo, de se imaginar voando dali para um lugar distante. Azul, portanto, era uma cor que remetia à liberdade. Mas, ele não podia se vestir com ela. Cores eram uma grande parte do que identificava cada um dos quadrigêmeos, o azul já pertencia a um de seus irmãos. E Niji realmente agia como se ele fosse o dono absoluto daquela cor, não deixando Sanji usar qualquer coisa azulada e batendo no mais novo a cada vez que escutava ele dizer que aquela era sua cor favorita a alguém.
Então, sua única opção era se vestir com suas roupas amarelas que combinavam com seus cabelos que deram errado. Amarelo que lembrava seu pai e Sanji estava pesarosamente muito acostumado a observar aquela cabeleira loira dando as costas para ele a cada vez que terminava de esfregar em sua cara o quão fracassado ele era.
Mesmo assim, ele gostava de ver sua cor favorita de outras formas. Principalmente, Sanji gostava de dar flores azuis para sua mãe e observar as íris igualmente azuis dela se encherem de alegria. Ela era a única coisa na sua vida que o fazia pensar diferente sobre seus cabelos, ela o lembrava que o amarelo podia ser bom. Que era quente e acolhedor, como os raios de luz pela manhã. Mas seus cabelos dourados foram empalidecendo até que perdessem toda sua vida assim como ela própria, e Sanji nunca mais olhou no espelho pensando que seus próprios fios loiros eram bonitos.
Quando Sanji deixou tudo para trás e entrou numa cozinha pela primeira vez, teve que usar um lenço azul no pescoço e era quase tão prazeroso quanto cozinhar. Não estava preso, seu nome não era Vinsmoke e ele podia vestir as cores que bem entendesse. Assim, ao longo da vida, usou todas elas, até o amarelo de que por tanto tempo desgostou. Embora com certeza continuasse com uma certa preferência pelo azul. Sua camisa de botão era a roupa que ele mais tirava do armário e Zeff costumava dizer que a peça qualquer dia sairia andando sozinha de tanto que o berinjelinha a usava.
Azul também era a cor do mar. Sanji com certeza passou a amar o mar. Era tão vasto e até mais libertador que o céu que ele tanto observava quando pequeno. O mar o levou até onde estava agora. E, dentre todos os mares, havia o All Blue. Sanji tinha certeza que aquele seria o azul mais bonito que veria em toda sua vida, agora que decidira procurá-lo.
Mas ele só decidiu ir atrás do seu azul graças a um amontoado de verde. Uma grama insuportável que se achava gente e que o ensinou o que é sonhar de verdade. Que suas ambições não eram ridículas, que ele não estava inerentemente fadado ao fracasso.
E talvez a cor que agora representasse liberdade para ele fosse outra.
Talvez sua cor preferida fosse verde.
