Nosso amor não era, não é e nunca será um amor comum.

Começou com um admirar pela beleza e pelo jeito 'legal e descolado' de ser. Aos olhos dela, e de outras garotas, eu era o tipo ideal de garoto. Minha aparência e meu modo frio provavelmente fizeram com que ela quisesse me desvendar, ao menos era o que eu supunha na época.

Nunca entendi o porquê de tanto assédio, logo eu, tão quebrado e perdido em meu desejo de vingança. Tal falto me deixava mais descolado? Tolas.

E de fato ela era uma tola! Uma tola que achava o pequeno Sasuke bonito, uma tola que achava o pré-adolescente Sasuke bonito e descolado... Uma tola e irritante garota que aos poucos me viu como mais do que um garoto bonito e com bom sobrenome, uma irritante que sempre arrumava um jeito de entrar em minha pele... E uma tola que não soube quando desistir.

Entretanto, tola como ela era, foi a única garota que eu deixei aproximar. A única que deixei ser importante e digna de minha proteção. Em toda sua irritante forma de amar ela era minha para proteger. Ela era minha para cuidar, orientar e até dar sermões... Afinal, ela era tola.

Sakura foi minha companheira de time, minha amiga e minha família. De modo suavemente irritante deixou de ser uma fã apreciadora e passou a ser uma companheira em todos os sentidos que a palavra pode oferecer. Foi então que eu comecei a sentir que nosso laço, tal conexão, poderia ser o que chamam amor. Eu era muito jovem, muito problemático, e muito perdido em todos os tipos de sentimentos. Contudo, quando a vi toda machucada, com o rosto roxo, olhos inchados e cabelos cortados... Eu entendi. Entendi que a garota tola por me amar tinha algo meu, algo de meu coração.

Sei que o que eu sentia não era de fato amor de homem e mulher, um amor romântico e desejoso, mas era um carinho especial. Especial ao ponto de querer vinga-la por estar ferida, a ponto de me fazer perder para a marca da maldição que dominava meu corpo.

Vê-la daquele modo fez com que eu aceitasse ser um vingador, por ela, por minha equipe e por minha família morta.

Mas Sakura era irritantemente tola, tola o suficiente para tentar me parar... E parou. Parou porque naquele momento ela era a única ligação que eu tinha com a luz, um porto seguro. Seus braços em volta do meu corpo e seus olhos chorosos me ancoraram de volta à sanidade. Hoje entendo que foi o amor a ela que me fez insano, e foi o mesmo amor que me fez voltar à realidade.

Não era fácil ter esses sentimentos por ela tão à flor da pele. Era difícil admitir que meu time era uma família, era difícil admitir que Sakura era minha garota... Todos esses sinestésicos sentimentos me faziam desejar um futuro que um vingador - como eu deveria ser -, jamais teria. Assim eu enterrei no fundo de meu coração tudo o que me fazia frágil, incluindo a tola Sakura.

Tola... Irritante... Corajosa... Foi o que pensei dela quando pela primeira vez ela se declarou de forma verdadeira para mim. Abrir o coração como ela o fez, implorar por alguém como ela o fez e oferecer felicidade como ela o fez, só era possível por causa da coragem. Percebi que o amor dela era mais do que verdadeiro e era mais do que eu merecia, fiquei perdido e balançado. Não tive dúvidas em deixar a aldeia ou abandonar minha vingança, eram meus motivos de vida, mas me perdi em sua declaração e seu amor. Porque foi ali que eu percebi que Sakura me amar e ser minha companheira foi um fio que me conectava a ser bom... Percebi ali que Sakura, de modo irritante, era a única que poderia preencher minha solitária existência com seu amor.

A agradecer por me amar foi mais fácil do que deitá-la no banco frio de pedra e dizer adeus. Adeus a ela, adeus ao time sete e adeus ao antigo Sasuke. Essa foi minha primeira tentativa de cortar nossos laços, de desfazer a conexão de nossos sentimentos.

Por algum tempo eu consegui. Foquei em ficar forte, foquei em treino, foquei em solidão, mas no fundo – bem escondido na camada de gelo que eu criei – eu guardei a esperança de que ela estivesse lá quando tudo isso acabasse. Era por isso que as vezes, sem premeditação nenhuma, eu me lembrava de Sakura e do time sete. Eu me lembrava do modo empolgado com que dizia 'Sasuke-kun' e no quanto ela – Naruto também – acreditava que eu era uma boa pessoa.

Só que a vida de um vingador não é escrita e muito menos moldada em momentos felizes. Alcançar meu objetivo fez as últimas frestas de luzes se esvaírem, entrei na maior escuridão. Totalmente cego.

O amor de Sakura já não podia me salvar – assim como a amizade de Naruto -, mas ela irritantemente tentava. Talvez em algum lugar muito fundo dentro de mim eu gostasse de suas infindadas tentativas, e talvez por gostar de tais tentativas foi que eu enxerguei – em toda minha cegueira – sua traição. Naquele ponto, Sakura tentar me matar não foi uma verdadeira surpresa, mas a mim foi um desaforo.

Tal irritante era o laço que ela nos impunha, um laço que por mais que eu tentasse era impossível desfazer, e vê-la querer romper essa conexão foi meu limite. Eu fui baixo, baixo demais, só queria ser eu a quebrar essa conexão. E foi ali, naquele momento que eu percebi que nada mais me importava. Nosso laço desfeito e a conexão quebrada.

Havia tanto ódio em mim, tanta cegueira, e a tola sabia.

Entretanto, sentimentos são lados opostos da razão e racionalidade. Ver Itachi expressando verbalmente seu amor por mim teve um peso gigantesco em minha escuridão. Minha cegueira passou a enxergar uma luz, meu desejo de vingança encontrou entendimento nos atos de meu irmão e em sua proteção dirigida a mim. Naquele momento, todos os laços que teimei em cortar – em tentar cortar -, me lembraram de suas existências.

Tobirama e Hashirama Senju, conhecedores do amor que só um Uchiha pode devotar, conseguiram entender o ódio de Madara e o ódio e necessidade que eu tinha em me vingar e fazer uma revolução... Contudo, eu ainda não estava pronto e muito menos verdadeiramente limpo do ódio.

Ignorei meus sentimentos e lutei uma guerra focado apenas na revolução que poderia mudar o mundo shinobi. O sistema falido – acreditava eu -, que fez inocentes morrerem e poucos se sacrificarem por suas vidas, como meu irmão. Naquele instante o laço irritante que Sakura forçava em mim era tão tolo quanto ela, sem importância alguma perante um sistema falido.

Contudo, depois que meu único e último amigo me trouxe à realidade eu pude ver com clareza.

Irritante como era, perigrinei em redenção enquanto admitia todos meus erros, meus sentimentos e principalmente meus laços e conexões. E nesses momentos eu sentia minha conexão com Sakura voltar a esquentar minha vida solitária.

Expressar nossa ligação com um poke, foi tão instintivo quanto certo. Talvez ela já não fosse tão tola assim, pois palavras não foram necessárias para ela entender que naquele momento nossa conexão perdida no banco frio de pedra na saída de Konoha estava mais uma vez reestabelecida.

Não importou quantas vezes eu a empurrei, não importou quantas vezes eu tentei nos quebrar, ela sempre teve um lugar para mim em seu coração. O que era irritante passou a ser minha esperança, minha guia por todo caminho que eu traçava.

Sakura e eu vivemos tanto e tivemos tanto um do outro que aos meus olhos era inconcebível que Sarada duvidasse que nossos sentimentos estivessem conectados. Mesmo que minha filha não soubesse de nada sobre meu passado, meu amor por sua mãe era palpável e físico, era maior na ausência e se fortalecia na proteção. E a prova era ela, Sarada Uchiha.

Ainda cometo meus erros, ainda sou um homem quebrado, mas tenho ao meu lado a mulher mais forte do mundo. Não por seus socos lendários e força monstruosa, mas por seu irritante amor inabalável.

- Anata?

- Hn?

- Está distraído, o que foi?

- Ah, nada. – Terminei de tirar minha roupa e sentei-me na cama. Toda comoção com Shin e meu reencontro com Sarada havia me deixado cansado e drenado emocionalmente.

- Não se preocupe, tudo ocorreu bem no jantar... E Sarada ama muito você.

- Tsc... – Era igualmente irritante o quanto ela sabia meus pensamentos. – Não é porque eu quero, Sakura. Será que um dia Sarada vai entender?

- Vai. Ela está em uma família shinobi e está se tornando uma, um dia ela vai entender os sacrifícios que temos que fazer.

- Espero que ela não me odeie até lá.

- Não vai, tenho certeza.

- Não sei, esse ato revolto dela foi muito parecido comigo quando nessa idade...

- Mas se ela tem um pouco de mim... – Minha esposa apenas deu de ombros e sorriu. – Vai ser irritante atrás de seu papa.

- Ah. Prefiro que ela seja parecida com você.

Eu realmente preferia, e era por isso que me omiti de Sarada que escondi dela as falhas que eu cometi e cometia. Meu único arrependimento é ter escondido dela meu amor por ela e sua mãe, algo que se ela soubesse jamais duvidaria.

- Eu... Eu fiquei um pouco chateada, anata.

- Com o que? – Sakura também tirava a roupa e a dobrava delicadamente.

- Sarada duvidar que nossos sentimentos estão conectados.

- É minha culpa, me desculpe por isso.

- Iiê, nós dois decidimos isso. Mas me doeu um pouco.

- Vem. – Deitei-me com Sakura e a colei em meu peito. – É bom estar em casa.

- Estamos bem, Sasuke-kun... Eu me orgulho do homem e shinobi que você é, vou sempre te apoiar.

- Eu sei.

Sakura, tola e irritante... Minha.

- Anata, sente falta? – Minha esposa começou a acariciar meu abdome e lentamente fazer seu caminho até minha intimidade.

- Todos os dias. – E eu sentia, falta demais. Seu toque, seu cheiro, sua voz e seu corpo.

O beijo de Sakura ainda era macio e suave como nosso primeiro e nosso último a alguns meses atrás. Seu toque ainda tinha o poder de me causar arrepios, de me deixar meses com a lembrança da sensação em minha pele.

- Gosto quando estamos em nossa cama, te encontrar a cada três ou quatro meses naquela torre não é a mesma coisa, Sasuke-kun.

- Não é... Tadaima.- De fato, era muito bom estar em casa, na minha casa com minha família, na minha cama com minha esposa.

- Okaeri.

Minha intimidade estava entregue aos cuidados habilidosos de Sakura, era irritante o quanto meu corpo respondia a ela nos mínimos detalhes. Eu era entregue, consciente e totalmente sem escolha.

Os firmes apertos me tinham gemendo, sedento por me derramar nela. Sakura por sua vez era uma mulher provocativa, aumentava meu sofrimento deixando à mostra cada pedaço de seu corpo e dava à sua outra mão o deleite de se auto satisfazer.

Tola! Ela sabe que nesse jogo eu sempre encontro um modo de subjuga-la, de fazê-la minha mais do que já é, contudo, não é irritante que ela tente... E seus lábios fazem um bom, não, um excelente trabalho tentando. Sua saliva quente é uma amostra de seu interior, seus ávidos movimentos me mostram o quão sedenta ela está. Me derramo com a promessa de mais, muito mais.

Sakura embaixo de mim era uma amostra de sua completa confiança, seu corpo me pertence, sempre pertenceu, responde ao meu toque como o meu responde ao dela. Mais uma prova de nossa conexão. Minha língua reconhece cada milímetro que sentiu saudade nesses meses, cada arrepio sob meus dedos é uma resposta ao meu comando.

E estar dentro de Sakura era realmente estar em casa. Minha mulher, minha tola mulher, era meu lar, minha casa, minha volta e meu tudo. Dona do meu prazer e fonte da minha perversidade, tomou tudo de mim o quanto eu ainda dava e até quando não tinha mais a oferecer.

Deitado ao seu lado, conversando sobre todas as amenidades de uma vida conjugal, eu percebi o quanto seu irritante amor se tornou nosso. O quanto o meu amor por ela era igualmente irritante e o quão tolo eu também o era.

Ainda sou um homem quebrado e por isso não sei dizer com precisão, mas talvez seja isso o verdadeiro amor e o verdadeiro laço. Uma conexão de vidas que independem do tempo e da presença constante, uma conexão forjada com sentimentos fortes. Sentimentos que passaram pela dor e floresceram na adversidade. Sentimentos tolos e irritantes dos quais é impossível se ver livre. Sentimentos que resultam em um amor maior, resultam na prova de todo nosso laço... Sarada.

Esse laço me fez ser o homem que eu precisava ser, o homem que meu irmão desejava que eu fosse, o homem que Naruto me ensinou e o homem que Sakura precisava. Eu, tão odioso e vingativo, por causa dos sentimentos conectados me vi entregue à proteção, à devoção.

Nosso amor não existe porque temos nossa filha, nossa filha existe porque temos o nosso amor. A prova de que um Uchiha quebrado pode vir a amar uma tola e irritante mulher. Aquela que fez um Uchiha já não carregar ódio, tudo porque trouxe sua primavera para minha existência. Aquela que fez de seu amor, nosso.

- Sakura?

- Eu também te amo, Sasuke-kun.

- Ah.