Já era quase natural os dois se encontrarem semanalmente para conversar, tomar algumas taças de vinho e caminhar pelo centro de Londres à noite. Mesmo que 22 anos os separassem, existiam muitos interesses em comum. Livros, filmes, teatro, a paixão por atuar e uma profunda ideia de que as pessoas deveriam ser mais livres para tomarem as suas decisões. Sem amarras morais, correntes religiosas ou, até mesmo, um puritanismo idiota que castrava a todos desde tenra idade. Aos primeiros sinais da chuva, correram de volta ao ponto de saída, entrando aos risos dentro do carro para prosseguirem o assunto. Aquela seria mais uma madrugada recheada de boa conversa e música entre dois amigos na residência dele.

- Ora, Alan, sinceramente, eu não acredito em uma palavra do que diz - Helen sorria divertida com um olhar desafiador o encarando.

- Claro que eu fiz. Porque dúvida? - a retorquiu semicerrando os olhos a levando a gargalhar.

- Simples, você é muito regrado, certinho… é só olhar para esse seu apartamento! Você é um verdadeiro asceta bíblico tentando se passar por celta - suspirou para conter o riso e expor a sua opinião, calmamente, para não ofendê-lo. O vinho já surtira o efeito esperado nos dois e as palavras fluíam mais livremente.

- E o que levaria a personificação feminina de Mabon Mabon a crer nas minhas palavras? - a questionou, provocando pelo modo que a fitava e proferia cada nota pausadamente com a sua voz grossa.

- Me surpreenda, Alan… - respondeu dando de ombros, sem esperar que o homem segurasse o seu rosto, beijando os lábios. Seus pensamentos estavam todos desorganizados e não apresentavam mais qualquer possibilidade de voltar a mostrar sinais de coerência com toda aquela proximidade. Principalmente, quando seu corpo reagia àquilo, correspondendo aos toques e retribuindo as carícias recebidas.

- Alan… eu… não… - Helen pôs as duas mãos no peito dele para se afastar. Sua respiração descompassada e o coração acelerado denunciavam os seus pensamentos. Sem dar tempo para que pudesse argumentar qualquer coisa, sentiu o nariz encostando na face e o ar quente da respiração. Em segundos, o beijo se tornara mais ardoroso, sua língua era sugada, os afagos eram intensificados. Prendendo o lábio inferior com os dentes, a puxou para si.

Inesperadamente, trouxe a morena para o sofá, levando a sentar sobre o seu colo com uma perna de cada lado. Com o aumento do contato e o inevitável roçar dos corpos, ambos gemeram baixo se abraçando forte, aproveitando os toques e as sensações compartilhadas. Helen afastou um pouco o rosto do grisalho, o fitando com malícia até começar a distribuir pequenos beijos e lambidas por toda a face dele, o estimulando com o roçar dos lábios que iam descendo até o seu pescoço. Ali foi que ela iniciou um verdadeiro rastro de beijos e mordidas, marcando-o, enquanto o despia lentamente. Botão por botão da camisa foram abertos. A pele exposta era beijada, mordida e arranhada a medida em cada centímetro se revelava aos olhos.

Notando que Alan sorria com os olhos fechados, pelo prazer que lhe era proporcionado, aumentou as investidas. Se afastou um pouco e foi descendo perpassando o queixo até o umbigo, passando as unhas levemente entre as costelas, soprando o ar morno para excitá-lo ainda mais. O analisou, com um olhar dominador, antes de tomar qualquer atitude e subiu novamente, o atiçando ao prosseguir com aquele contato vagando em seus pontos sensíveis. As mãos do grisalho a apertavam possessivamente, começando a vagar em busca de um espaço onde pudessem entrar e acarinhá-la também. Foi, então, que uma mordida mais forte foi dada em seu pescoço, se apoderando dos seus sentidos e o levando a gemer alto. Sua razão se esvaiu e a segurando pelo cabelo, para que os rostos ficassem alinhados, a beijou fervorosamente… Helen ofegava baixinho contra os seus lábios, revelando no hálito quente de vinho, o quão entregue e o quanto se dispunha a ir mais além.

Com uma das mãos a segurando pela nuca, sem parar de beijá-la, usou a outra para abrir o vestido, descendo até a cintura. Os toques de Alan lhe roubavam completamente a prudência que ainda existia. Os castanhos encontraram os esverdeados, como se os dois se hipnotizassem, não existia mais lugar para onde fugir. A morena experienciava cada impressão gerada pelas mãos grandes e macias massageando os seus seios, apalpando as suas nádegas ou destinando os seus dedos para penetrá-la. Sua pele se arrepiava com a voz sussurrando coisas impublicáveis no seu ouvido, despertando as suas percepções e tornando as emoções ainda mais latentes. Em algum instante, em que sua mente projetava um mundo de delícias infinitas, sua respiração ficou ainda mais apressada ao ter os seios abocanhados, sugados, lambidos... um após o outro, com todo o cuidado que a hora exigia.

Em meio a uma tempestuosa atitude, cheia de luxúria, Alan se ergueu com ela no colo, prensando o corpo da mulher contra a parede. Roçando a sua ereção na intimidade dela, notou que Helen sorria com uma expressão vitoriosa, o prendendo entre as pernas. No fundo, significava o quanto era consciente de que o dominava, o deleitando com os gemidos baixos com que correspondia a esses movimentos. Inegavelmente, sentia o quanto já estava encharcada e louca de desejo por aquele homem. Ao mesmo tempo, seu vestido era jogado em algum canto… o mover dos corpos não era apressado. Era lento, lascivo e vigoroso. Ambos mergulharam em um profundo, erótico e violento frisson sexual, em que a autoconsciência sensorial acordara furiosamente. Os instintos mais primitivos dos dois estavam livres e se expunham nos gestos indicavam a urgente necessidade em aliviarem toda a tensão sexual gerada. Helen arranhava as suas costas, gemia cada vez mais alto, enlaçava os dedos pelos seus cabelos lisos, segurando firme e com uma certa força… tudo nela o enlouquecia. Havia um fogo afrodisíaco e impudico nos pequenos detalhes das reações ou naqueles traços femininos tão sedutores.

- Você me alucina… desde a primeira vez que eu a vi - sussurrou, mordiscando de leve o lóbulo da orelha esquerda, a lambendo depois.

- Alan… eu quero você - empurrava as calças e a cueca dele para baixo com os pés. Almejava vê-lo completamente nu, sobretudo, após ter a sua calcinha rasgada e atirada em algum ponto do corredor. Nunca um trajeto fora tão longo e com tantos obstáculos. Ao agarrarem-se como devassos, não houve um átimo sem que se chocassem contra as paredes ou móveis. Derrubaram objetos, enquanto tentavam se manter de pé, caminhando abraçados, fosse pelos braços ou pelas pernas dela em sua cintura, envoltos a beijos mais longos, molhados e quase pornográficos. Em meio a confusão de roupas e sapatos, que eram abandonados no caminho para o quarto, chegaram ao cômodo entre a mistura de suor e saliva.

Ao adentrarem no aposento, ainda zonzos e buscando o ar que lhes fugirá dos pulmões, ainda trombaram em mais algumas coisas sem soltar um ao outro. Helen desceu do colo dele para que pudesse empurrá-lo para a cama. Sentada em cima de suas coxas, retomou a vagarosa tortura, beijando e dando leves mordidas no peito dele, fazendo com que estremecesse e soltar uma espécie de rosnado baixo de aprovação. Suas unhas voltavam a arranhar a pele aumentando um pouco o vigor empregado. A dor escondia picos de prazer inenarráveis ao ter as suas costelas redesenhadas, como se marcadas em brasa, pelos dedos pequenos, macios e ardentes.

A trilha foi sendo traçada novamente até o umbigo, fazendo com que a morena ali parasse e o encarasse desafiadoramente. Alan a olhava com uma clara expressão de expectativa quanto ao que faria, o que a encheu de certezas e a levou a penetrar a concavidade da barriga com a língua. Ela sorria observando cada expressão de prazer, voltando a beijá-lo com ímpeto, subindo e descendo com os lábios pelo corpo do seu homem. Por um tempo, ficou o atiçando, deslizando as mãos pelo tórax, roçando os seios pelo rosto e pelo sexo do grisalho, beliscando as suas coxas... o deixando louco.

Lentamente, foi se aproximando da virilha, atenta ao quanto os olhos dele faiscavam de desejo. O modo que a fitava, a queimava de tesão, pelo jeito charmoso e arrebatador que expunha toda a febre voluptuosa que percorria em cada célula do seu corpo. Inegavelmente, o via como um homem extremamente fascinante e irresistível. Não permitindo que lhe falasse qualquer coisa, segurou com as duas mãos o membro aveludado, duro e inchado, massageando antes de colocar na boca. Alan não aguentava mais, queria pará-la, fazer com que montasse e fodesse com ele... no entanto, não conseguia. Fora enfeitiçado e se sentia dominado por aquela mulher. Helen circulava o prepúcio com a língua descendo até a base. Ouvindo que a voz dele envolta sussurros, voltou a dar beijos por toda a extensão, se dedicando a sugar os testículos... um de cada vez, ao mesmo tempo em que o masturbava.

- Porra, Helen... - arqueou as costas na cama, agarrando o lençol com tanta força que seus dedos começavam a perder a cor. A sanidade já estava perdida naqueles movimentos de vai e vem, se encontrava entorpecido.

- Diga o que você quer... eu farei qualquer coisa que me pedir - sussurrou com a voz mais sensual possível.

Uma onda de fogo percorreu todo o seu corpo e não podia expressar verbalmente o que desejava, fazendo com que ela retornasse aos movimentos com a boca, beijando e lambendo o pênis antes de colocá-lo de uma só vez no recanto úmido e quente dos seus lábios. Assim, conduziu a sucção do membro rígido, segurando a base com a mão para que coubesse todo.

Alan contraia o quadril para manter o que sobrara de autocontrole... experimentando a satisfação da ardência em suas escoriações. Subitamente, a segurou pelo cabelo, aumentando a velocidade e impulsionando o quadril para aprofundar ainda mais. Com um gemido rouco, ejaculou, ficando extasiado ao perceber que ela engolira tudo e limpava os cantos dos lábios com os dedos. Helen, ainda sem fôlego, deitou a cabeça no quadril dele, brincando com pêlos que cobriam o seu sexo ainda úmidos pelo gozo.

Gentilmente, ele a conduziu para o seu lado e os beijos voltaram a ser quentes, sensuais e apaixonados. Sentia o seu próprio gosto no contato entre os lábios. Suas mãos a acariciavam, incendiavam os pontos tocados. Alan foi elevando uma das mãos pelas costa, até a nuca, enlaçou os dedos nos cabelos castanhos, segurando com firmeza. Helen retribuiu o gesto com uma certa violência, aprofundando ainda mais o toque, enquanto ele a fazia pender a cabeça para trás. Era o seu momento de levá-la à loucura...

Mordendo o pescoço alvo, sem se preocupar mais se deixaria marcas, se colocou por cima, beijando e lambendo todas as partes daquele corpo que há tanto desejava possuir. A outra mão desceu, a masturbando lentamente. Sua boca se encontrara, mais uma vez, com a pele quente e direcionou a sua atenção aos seios. Queria redesenhar os mamilos com a ponta da língua, os deixando entumecidos e prontos para receber novos cuidados. Os gemidos eram cada vez mais altos e sôfregos... pequenos beijos, mordidas e chupões eram acompanhados pela agilidade dos dedos que intercalavam a agitação circular e o ir e vir da penetração. Sua boca descia até as coxas macias, abocanhando o clítoris. Desejava experimentar o gosto dela. A carne latejava inchada, a cada sensação da língua tocando os grandes lábios, ou o modo como a sugava e enfiava os dedos com maior intensidade.

- Alan... me fode! - gritou, se contorcendo na cama, o segurando pelos cabelos. Apertava a cabeça dele entre as suas pernas, enquanto suas costas arqueavam com a chegada do primeiro orgasmo.

A morena abriu mais as pernas, dando passagem silenciosa que lhe fora pedida, ao mesmo tempo que os dedos longos ficavam marcados em sua cintura. O grisalho a segurava forte para que não saísse da posição. Queria beber cada gota daquele néctar e não se permitiria perder nenhuma sensação experimentada. Percebendo que se acalmará um pouco, recuperando o ritmo da respiração, com um sorriso safado a virou de costas para si. Se erguendo com o corpo junto ao dela, a pôs de joelhos da cama, deixando que sentisse a sua excitação contra as costas. As mãos de Helen foram conduzidas para a parede, como se estivesse sendo presa, as de Alan vagavam por cada curva, a abraçando possessivamente. Com uma de suas mãos, a segurou com uma certa brutalidade pelo pescoço, beijando ferozmente os seus lábios.

- Hell, você vai gostar do que acontecerá aqui - a vendou com uma das gravatas, saindo da cama para apagar as luzes.

Tudo se tornava mais potente, cru e excitante. Por um tempo, ainda com a lâmpada do abajur acesa, observou como os sentidos se ampliavam. Ela o procurava, virando a cabeça em direção aos mínimos sons que ouvia. Até soltar uma respiração pesada ao sentir as mãos dele novamente em seu corpo. Já entregue e com a visão bloqueada, não teve a oportunidade de vê-lo vendar os próprios olhos... sua experiência comprovava que haviam coisas que não precisavam ser vistas para ser sentidas. Não eram adolescentes descobrindo os seus corpos, mas dois adultos conscientes dos seus limites e os significados implícitos nos suspiros ou gemidos.

Com as mãos na cintura, afastou um pouco o corpo, se colocando posicionando melhor e entrando de uma só vez. Estocando rápido e forte, descendo a mão para que Helen chegasse ao ápice novamente. Alan lambia o suor que escorria pela pele lisa. O barulho dos corpos se misturava com os gritos de prazer e as frases desconexas que diziam um ao outro. Logo, a morena convulsionou, prendendo os dedos e o pênis dele dentro de si, pendendo a cabeça para trás. Sem se permitir chegar ao ápice também, pegou os seus dedos molhados pelos fluidos e pôs na boca dela... queria que também experimentasse os seus gostos juntos. Helen sugou, dando mordidas provocativas nos dedos dele.

Ao trocar de posição, retirou a venda dos seus olhos, para colocá-la de frente, a ajeitando no seu colo. Eram as reações e a entrega que o impulsionavam a prosseguir, chegando ao seu limite. Foi penetrando lentamente, admirando como os lábios formavam um perfeito O, enquanto se movimentava vagarosamente sobre ele. As mãos da morena se apoiavam no seu peito, cravando as unhas ali para aliviar um pouco da tensão. Os movimentos foram sincronizados de tal maneira que o terceiro orgasmo chegou mais rápido... Helen convulsionava quase esmagando o pênis dentro da sua vagina que se apertava mais a cada contração forte. Alan, com isso, se impulsionou sentando na cama para inverter as posições. Ambos se agarraram por um tempo nas grades na cama, os movimentos eram fortes, vigorosos, intensos. Gemiam um na boca do outro, enquanto as suas línguas lutavam por dominação. Soltando as grades e virando o rosto para o lado, não demorou muito para que o mordesse nos ombros. Ao mesmo tempo, usava as suas mãos para segurar os próprios pés, permitindo que o homem se afundasse ainda mais. Mantendo o ritmo das estocadas a ouviu gritar pela última vez... num clímax quase brutal que por pouco não levou a perda dos sentidos. Não aguentando mais, se deixou derramar entre as pernas, deitando a cabeça sobre o ombro da mulher com quem compartilhara aqueles momentos tão intensos.

O corpo estava mole, o ventre pulsava por algo tão forte... o coração dele estava tão descompassado quanto o dela, quase sem ar. Helen ficou por alguns minutos afagando os cabelos dele. Queria que, a partir daquele segundo, Alan estivesse perto. Se possível, para sempre. Era o seu celta, o selvagem da distopia de Huxley, sem religião e com linguajar requintado. Mal sabia que era notada como, comprovadamente uma bruxa, cuja luxúria a deixava livre para o sexo sem julgamentos ou restrições.