John Smith chamava a atenção por onde passava. Alto, magro e com um topete considerado exagerado demais, era reconhecido por onde passava. Durante sua infância e boa parte de sua adolescência, ele era o foco das atenções não por suas características em si, mas sim por ser filho de um astro do rock famoso chamado Doctor Disco. Esse último fato por si só já atraía muita atenção indesejada, o que acabava criando situações cabulosas das quais ele gostaria de esquecer por completo. No entanto, tudo agora era diferente. Estava, finalmente, cursando Astronomia; havia recebido de presente – cortesia de seu pai – uma incrível moto que fazia com que fosse um sucesso entre as suas namoradinhas e, claro, estava jogando futebol novamente. O rapaz sempre gostou do esporte e treinou no Northampton Town Football Club durante boa parte da adolescência, porém sem almejar a carreira profissional – o que ele queria mesmo era estudar as estrelas.

De fato, John não tinha do que reclamar: ele estava estudando em uma das melhores universidades do país, era astro do time de futebol e seu pai ainda era um astro do rock. Ainda assim, havia algo que o incomodava. Em todas os treinos, ele se pegava observando a mesma menina de cabelos castanhos e rosto suave na arquibancada – Clara Oswald era o seu nome, uma das meninas mais bonitas e inteligentes que ele já conheceu. Ela chamava atenção por onde passava graças a sua postura simples e seu rosto meigo, porém em poucos minutos se percebia que ela era, de fato, uma moça de opinião forte. John, por outro lado, adorava esse traço de personalidade dela.

O seu desejo íntimo era de chama-la para sair. No entanto, o jovem sabia que ele não era nem de perto o tipo dela; ele não era tão inteligente quanto ela e seu único trunfo era ser o astro do time de futebol. Ostentando a camisa de número onze, comemorava os seus gols lançando olhares para a arquibancada, buscando o rosto da menina de cabelos castanhos que dominava a sua mente. Vez ou outra seus olhares se encontravam e o jovem rapaz não conseguia controlar o rubor que surgia em seu rosto.

Terminado o jogo, estava indo para o vestiário quando percebeu que ela estava em pé olhando fixamente para ele, como se esperasse por ele. Limpando a garganta, John caminhou até ela, fingindo não ter percebido a presença dela.

– Bom jogo. – A voz da jovem encheu os seus ouvidos.

– Obrigado. – Ele sorriu. – Foi uma grande partida.

– Foi mesmo. – Concordou sorrindo. – Você fez uns gols incríveis.

Ele sorriu e voltou a caminhar – para logo em seguida virar-se na direção dela. Levantando os braços, disse:

– Café, daqui meia hora? Por minha conta e eu te deixo em casa.

– Como quiser, Número Onze – ela sorriu, enquanto se afastava.

O sorriso que surgiu em seu rosto foi maior do que poderia imaginar. Ele, logo ele, iria sair com a Clara Oswald – iria sair com a menina que invadia seus sonhos durante a noite. Enquanto a água gelada caía sobre seu corpo nu, ele tinha certeza de que esse encontro era ainda maior e melhor do que qualquer gol que ele pudesse ter feito em sua vida.