Crepúsculo não me pertence.
Essa Fanfic faz parte do Projeto One-shot Oculta 4 em 1, onde autoras do fandom de Crepúsculo transformaram 4 imagens em uma One-shot. Confira as regras e todas as participantes na página bit (ponto) ly (barra) POSOffnet
Você também encontra o link diretamente no meu perfil, na aba de Favorite Authors.
As imagens que usei de inspiração estão aqui: bit (ponto) ly (barra) POSO4em1
Olá. Para quem não me conhece, sou a Kah Nanda. Sejam todas bem vindas. Hoje trago a vocês minha One-Shot participante do POSO4em1. Que tornou-se muito especial pelo seu desenvolver e enredo. O projeto foi criado com o intuito de estimular nossa criatividade em criar histórias distintas com uma única base, por isso ao fim da leitura, não deixem de conhecer as outras Fanfics do mesmo.
Essa One era para ter sido postada ainda em Março, porém quando não consegui êxito em finalizá-la completamente no dia 31, escolhi a data de hoje para brindá-las. Então em comemoração ao aniversário da nossa amada Kristen Stewart, entrego a vocês essa amorosa e libertadora história.
Antes de prosseguirem a leitura, deixe-me esclarecer alguns pontos, uso espaços de linha para marcar passagem de dias seguidos e pontuação ao centro do texto quando passa mais tempo. As mensagens enviadas por celular, seguem o principio do Whatsapp, porém como o site não deixa colocar o texto a esquerda, o mesmo será marcado pela letra inicial do personagem que está falando, espero que não fique confuso e que possam entender. Conversamos mais lá embaixo.
Apreciem Sem Moderação.
Capítulo Postado Em: 09/04/20 *Aniversário da musa da minha vida, Kristen Stewart.
Libertar
POV Bella
- Bella querida. Que bom que chegou. – Mamãe me cumprimentou assim que entrei no salão
- Oi mamãe. – Me aproximei do balcão, onde ela está posicionada, para lhe dar um beijo no rosto.
Em seguida virei cumprimentando as outras funcionárias e também clientes que estão no salão.
- Como foi na faculdade? – Questionou quando deixei minhas coisas no armário anexo ao balcão.
- Tudo bem. Normal como sempre.
- Que ótimo. Terminei com uma cliente ainda a pouco por isso estou aqui no balcão, mas minha próxima cliente já chegou. Vou atendê-la, você pode assumir agora.
- Certo mamãe. Pode ir que cuido de tudo. – Ela se afastou do balcão e assumi meu lugar de secretária/assistente do salão.
Com certeza minha formação acadêmica não tem nada a ver com gerenciamento de salões de beleza, mas como meu último contrato de estágio encerrou há pouco e desde nova sempre estive envolta ao empreendimento da mamãe, não foi sacrifício ocupar minhas tardes trabalhando aqui novamente.
Comecei a organizar as planilhas e históricos de clientes para o dia. Até que para uma quarta-feira, o salão terá bastante movimento. Sabendo que assim que começar o trabalho de fato será difícil ter um tempo livre, aproveitei o instante de calmaria para ir ao banheiro e depois à cozinha para pegar alguma coisa que beliscar, cumprimentei as meninas que estão no horário de almoço e ficamos conversando por um tempo sobre as coisas da vida, costume que desde pequena sei que faz parte do ambiente de trabalho do salão.
Quando voltei aos espaços sociais do mesmo, que é dividido em conjuntos extensos de três salas, mamãe me chamou.
- Bella, venha aqui meu bem, quero lhe apresentar uma cliente. – Caminhei até a cadeira que ela tem a senhora posicionada em atendimento. – Sra. Cullen, essa é minha filha Bella. Bella, essa é a Sra. Cullen.
- Oh não. Hoje em dia quem detém esse título e o ostenta com prazer é minha nora. Podem tratar-me apenas pelo primeiro nome. Sou Gwen e é um prazer conhecê-la Bella.
- O prazer é meu Gwen.
- Sua mãe estava comentando comigo que você estuda algo relacionado a idosos.
- Sim. Estudo gerontologia. – Respondi com orgulho genuíno que sinto pela profissão escolhida.
- E pode me explicar como funciona? Exatamente com o que estuda e o que pode fazer?
- É claro. Gerontologia é a ciência que estuda o processo de envelhecimento humano com atenção às necessidades físicas, emocionais e sociais que surgem com a idade. No curso estudamos aspectos variados de como cada pessoa lida com o envelhecimento, para ajudá-los a viver de forma completa e saudável a melhor idade. – Expliquei.
- Não que esteja no que chamamos de grupo de idosos, pois sou ainda muito jovem. – Gwen comentou causando riso em mamãe e eu. – Mas achei interessante essa área de estudo, não é uma que ouvimos falar muito por ai.
- Ela não é consideravelmente nova, porém a tendência de no futuro aparecer cada vez mais é grande, já que hoje a média de idosos está em um número tão relevante quanto o de jovens.
- Charlie, meu marido e pai da Bella. – Mamãe começou a falar e Gwen assentiu. – Assim como eu, também não entendeu muito a princípio quando Bella optou por essa profissão, mas vemos o quanto ela é dedicada à mesma e aprendemos muito também desde que ela começou os estudos. Ao menos temos ciência que seremos bem cuidados quando envelhecermos – Brincou.
- Cuidaria bem de vocês de qualquer forma. Mas ao menos terei conhecimentos e permissões a mais para auxiliá-los quando o momento chegar. – Respondi.
- E é sobre isso que quero saber. Sua mãe comentou que está ajudando aqui no salão, mas de forma temporária.
- Sim. Estava estagiando em uma clinica, porém meu contrato acabou no início do ano e desde então ainda não encontrei um novo estágio ou emprego na área. A senhora sabe de alguma coisa?
- Já disse, pode tratar-me por você. – Sorriu e acabei retribuindo o gesto. – Mas como disse não me considero uma pessoa particularmente idosa de fato. Mas como meu RG não concorda tanto com meu estado de espírito e meu filho e nora insistem em atentar-se apenas ao mesmo e não a minha condição real, estou à procura de uma dama de companhia.
- Como?
- É. Não mostrei minha juventude falando um termo do século passado. Para dizer a verdade por eles já estaria a um bom tempo em uma casa de repouso.
- Não sei quantos anos tem de fato, mas pela aparência não se enquadra nos pré-requisitos de idosos que precisam desse tipo de auxílio. A não ser que tenha algum agravante em sua saúde.
- Não. Minha saúde é perfeita. Continuo tão lúcida como sempre e também ainda não apresentei nenhum problema de memória. Eles estão errados quanto à ideia de internar-me em um lugar daqueles quando ainda tenho muito que viver. Meu neto, no entanto, concorda em termos com os pais, ele não quer que vá para uma casa de repouso, mas diz que preciso ao menos de uma companhia, alguém que possa me auxiliar e cuidar de qualquer assunto que precisar. Ele até já me convidou para morar consigo, mas ele é jovem e solteiro, com certeza não quero impedi-lo de curtir a vida, quer dizer, espero que ele esteja curtindo já que os pais o pressionam tanto naquela empresa. Mas estou divagando. O fato é meu neto concorda com que continue seguindo minha vida sozinha no meu apartamento, desde que contrate alguém para estar comigo e é ai que você entra.
- A senhora quer que eu seja essa pessoa? – Enfatizei para tirar a dúvida.
- Sim. Diante do que contou e do que preciso, acredito que possamos auxiliar uma a outra. Você trabalhará com uma pessoa mais velha, pode fazer testes e análises comigo, caso precise. Enquanto eu terei alguém para acompanhar-me aos lugares, fazer companhia e caso necessário que me auxilie em outras coisas também. Você acha uma ideia viável?
- Nunca trabalhei com apenas uma pessoa, mas acho que pode ser uma boa ideia. Já que até hoje só estudei os idosos com mais dificuldades, trabalhar com você pode dar outra visão ao meu trabalho de curso. Mostrando as diferentes nuances que as pessoas têm ao envelhecer, como você continua ativa, responsável por suas ações e disposta a aproveitar o melhor que a vida ainda tem a lhe oferecer. – Comentei entusiasmada e parece que o mesmo sentimento nubla Gwen.
- É isso ai. Passaremos horas e horas conversando, você poderá tirar qualquer dúvida comigo, ajudarei no que precisar. Posso apresentá-la a outros conhecidos, você poderá fazer estudos e análises com eles também e com isso de certo modo, manterei minha vida nos eixos, mas com uma boa companhia ao lado.
- É uma proposta interessante. – Ponderei.
- Isso quer dizer que aceita trabalhar comigo?
- Você não deveria conversar com seu filho e nora primeiro? Ou ao menos com seu neto? – Questionei.
- Avisarei ambos sim. Entregarei seu currículo a eles e é provável que a chamem para uma entrevista e essas coisas formais. Porém se disser sim aqui e agora, teremos um acordo. Então? O que me diz? – Seus brilhantes olhos verdes não saíram do meu rosto.
Desviei o olhar para mamãe procurando algum tipo de conselho e ela apenas balançou a cabeça como que deixando claro que a decisão é minha, como ela e papai sempre fizeram, apoiaram-me nas decisões, mas sem fazer escolhas por mim.
Pensando nos prós e contras, no que pode ou não acontecer, no meu projeto de curso e no que a convivência com Gwen acarretará não só ao meu currículo profissional, mas também a parte pessoal da minha vida. Tomei a decisão.
- Tudo bem Gwen. Se a escolha é entre nós duas. Saiba que minha resposta é sim.
- Isso! Tive um pressentimento assim que te vi. Nos daremos muito bem Bella, você verá.
- Espero que sim Gwen. Mas em resumo, para que precisamente precisará da minha ajuda? E por quais períodos? Pois como sabe ainda estou na faculdade, estudo de manhã e não tenho a escolha de trocar o período.
- Mas isso será perfeito. Eu com certeza não sou uma pessoa matinal. Geralmente acordo após as 10h e meu dia só vai começar mesmo depois das 11h, quase ao meio dia. Nesse período você já tem saído da faculdade? – Assenti. – Então poderá seguir para o meu apartamento. Na verdade meu motorista passará para pegá-la na faculdade e a levará até lá. Isso quando não tiver compromissos no horário do almoço, nesses casos nós dois passaremos para pegá-la. E a partir dai passaremos a tarde e a noite juntas até um horário noturno que seja viável para que seja volte para casa, nesse caso meu motorista também a levará, não precisam preocupar-se com segurança. – Comentou falando com mamãe e eu. – E como sei que ainda está na faculdade poderá tratar dos seus estudos, trabalhos, qualquer compromisso necessário durante as horas que estiver comigo. Porque também não sou a pessoa mais cheia de afazeres do mundo, terão muitos dias que passaremos o dia apenas em casa, sendo assim não acredito que o horário será complicado para sua rotina. Estou errada?
- Não. Acredito que conseguiremos conciliar bem as coisas e qualquer mudança ou novo reajuste, conversaremos para reprogramar, pode ser?
- É claro. Ai já estou animadíssima. Mal vejo a hora de começarmos.
- Eu também Gwen, mas acredito que como disse, ainda serei avaliada pelos seus parentes.
- Mera formalidade querida, mera formalidade. Mas falando nisso. – Mexeu na bolsa em seu colo pegando um cartão. – Esse é o cartão de visitas do meu neto, no mesmo contém os dados da empresa, como e-mail para onde deve mandar seu currículo. – O peguei lendo o nome simples, mas muito elegante.
Cullens Investments
- Sua família é a família Cullen? Da Cullen Investments? – Me vi questionando, mesmo tendo acabado de ler a informação no cartão.
- Sim. Meu pai fundou a empresa, que passou para o meu marido quando nos casamos então para nosso único filho. Mas logo será totalmente administrada pelo meu neto. Um verdadeiro negócio de família. – Comentou, mas não senti o tipo de orgulho esperado em sua voz.
- É realmente uma empresa importante. Apesar do grande mercado presente aqui em Boston, vocês estão entre a elite. – Mamãe comentou.
- Talvez quem trabalhe lá ou mesmo as pessoas do mercado financeiro pensem assim. Mas para mim sempre foi apenas a empresa que sugou todos os homens da minha família. – Respondeu. – Mas voltando ao foco, avisarei ao meu neto sobre nossa conversa e como deve proceder para efetuar o contrato. Podem estar seguras também que tudo será feito de modo legal e Bella receberá todos os benefícios necessários. Não posso lhe passar uma estimativa de salário agora, pois realmente não sei como funcionam as questões legais, mas acredito que meu neto lhe pagará uma quantia mais do que justa.
- Não se preocupe Gwen, estou acostumada a trabalhar com salários de estagiária. O dinheiro no momento não é o que importa. Estar com você e estabelecermos uma boa relação é o mais importante. – Respondi.
- Sua filha é realmente adorável Renée. Você tinha razão em elogiá-la.
- Obrigada Gwen, somos realmente muito orgulhosos dela. E estou feliz em saber que Bella trabalhará com alguém como você.
- Passaremos por muitas aventuras juntas, não tenha dúvida. – Comentou piscando.
- Não tenho, pode acreditar.
- Ah me passe seus contatos também, assim poderemos combinar os detalhes posteriores. – Pediu e o fiz.
Trocamos os números de celular, então finalmente as deixei sozinhas, para que mamãe continue seu serviço.
Quando Gwen finalizou o corte que veio fazer, que a deixou ainda mais bonita e cheia de vida. Nos despedimos com a promessa de logo reencontrar-nos e começar nossa jornada juntas.
Já quase no fim do expediente recebi uma mensagem dela informando que já conversou com o neto e que ele está no aguardo do meu currículo.
Assim que li a mensagem enviei o e-mail a Cullen Investments, apresentando-me conforme Gwen instruiu, esperando receber ao menos uma resposta ao mesmo...
.
- A parte que condiz a vocês como futuros profissionais... – Me distrai da voz do professor por meu celular vibrando próximo as minhas anotações.
Olhei o identificador e o mesmo além de não apresentar um contato conhecido, ainda está aparecendo como restrito, não confiando na procedência da ligação desliguei a mesma continuando a prestar atenção na aula.
Ao menos foi o que tentei, mas não consegui, já que o número bloqueado e desconhecido continuou a ligar.
Cansada da insistência e não querendo correr o risco de atrapalhar a aula de alguma forma, discretamente sai da sala indo atender a chamada no corredor.
- Alô. – Atendi.
E admito que minha fala não foi muito cortês.
- Srta. Isabella Swan?
- É ela. Quem gostaria?
- Me chamo Carmen Denali e estou ligando em nome da Cullens Investments. – Ah meu Deus.
A ligação é referente ao meu futuro emprego e quase a perdi!
- Olá. Bom dia Sra. Denali.
- Bom dia. O Sr. Cullen pediu para entrar em contato com a senhorita na intenção de marcar uma entrevista, referente ao trabalho com sua avó, a senhora Gwen. – Ri internamente ao pensar que Gwen reclamaria da secretária a tratando por senhora, mas imagino que de forma alguma os funcionários da empresa a tratarão apenas por você.
- Sim. Gwen e eu conversamos, enviei meu currículo ontem e ela disse que ele entraria em contato.
- Ótimo. O Sr. Cullen gostaria de saber se tem a disponibilidade de vir até a Cullens Investments para conversar?
- Tenho sim. É só dizer o dia e a hora que estarei ai.
- O senhor Cullen é um homem realmente ocupado e abrirá um horário em sua agenda apenas porque esse é um assunto ligado a sua avó. Por conta disso precisamos que esteja aqui ás 11h de hoje, seria possível? Caso contrário à entrevista terá que ficar para semana que vem quando o senhor Cullen retornará de uma viagem. – Olhei meu relógio, 10h03min.
O segundo bloco de aulas tinha acabado de começar quando as ligações começaram, porém não posso abrir mão de uma entrevista, ainda mais que prometi a Gwen. Se esse é o único horário que o senhor Cullen pode, terei que comparecer.
- Sim senhora Denali. Posso estar ai ás 11h.
- Ótimo. Informarei sobre sua chegada. Você tem o endereço da empresa, correto?
- Sim.
- Muito bem, estou ao seu aguardo Srta. Swan. Até mais ver.
- Até. – Desliguei voltando imediatamente para a sala.
O bônus da faculdade é não precisar ficar justificando-nos a qualquer ausência da sala de aula, porém por respeito ao professor quando entrei informei que precisarei sair para ir a uma entrevista de emprego, ele apenas assentiu e me desejou sorte.
Peguei minhas coisas rapidamente, dei um tchau breve aos meus colegas próximos, informando-os que depois explico tudo e sai da sala.
Apesar do campus da BU – Universidade de Boston – ser bem posicionado no centro da cidade, não quis arriscar de forma alguma atrasar-me, então pedi um Uber que por sorte não demorou a chegar e dentro do mesmo comecei a me arrumar o máximo possível.
Passei a mão no cabelo, um batom, peguei uma bala refrescante na bolsa e dei uma olhada na roupa que estou. Calça jeans de lavagem clara, tênis branco, por sorte minha blusa é de um tecido não tão despojado e de cor escura, assim não darei a total impressão de descaso.
Porém imagino que eles entenderão que estava na faculdade e não tive como preparar-me mais para passar por uma situação dessas. Prestes a chegar enviei uma mensagem a mamãe e outra a Gwen, contando a elas que estou prestes a fazer a entrevista.
A resposta da mamãe chegou antes de descer do carro desejando sorte, porém de Gwen não recebi retorno, com isso guardei o celular e desci quando o automóvel parou em frente ao prédio comercial onde está localizada a cede principal da Cullens Investments.
Na recepção informei meu nome e aonde irei, aguardei um pouco antes de receber autorização para subir e a indicação de ir até o vigésimo andar. No elevador dei uma última conferida no visual e me apeguei à sensação de que tudo dará certo.
Quando o elevador parou e sai dei de cara com uma sala extensa de recepção e várias mesas com secretárias dispostas, pensei em questionar a mais próxima sobre quem poderá ser a senhora Denali, mas logo ouvi meu nome ser pronunciado.
- Srta. Swan? – A secretária mais afastada da saída do elevador falou.
- Sim. Sra. Denali? – Assentiu. Com isso caminhei em sua direção.
- Pode aguardar um instante que logo o Sr. Cullen irá atendê-la. – Informou indicando o conjunto de cadeiras próximo a sua mesa, assim o fiz.
Olhei o celular constatando que faltam dez minutos para as onze horas. Então aproveitei o tempo para ler um texto da aula de manhã, entretida no mesmo fui tirada da leitura apenas quando uma mensagem apitou no celular.
- Bella. Já está na entrevista? Caso esteja pode me responder só depois. ~G
- Oi Gwen. Não, ainda estou aguardando. ~B
- Como assim menina? Você não falou que a entrevista estava marcada para ás 11h? ~G
- Sim, mas não se preocupe. Continuarei esperando pelo tempo que for preciso. ~B
- Não menina isso não está certo. Se marcaram com você em um horário devem cumpri-lo. Espere um pouco que resolverei isso. ~G
- Gwen? ~B
- Gwen? ~B
Parece que não conseguirei falar com ela por enquanto, então não tenho alternativa que não esperar.
Porém não durou mais que três minutos para ter um retorno de Gwen.
- Prontinho Bella. Infelizmente meu neto não poderá atendê-la. Ele está em meio a uma vídeo conferência ou algo assim e não sabe quando terminará. ~G
- Tudo bem Gwen, sem problemas. Posso voltar outro dia. ~B
- O único problema é que não poderemos começar a trabalhar logo, pois estou sabendo que ele viajará e só voltará semana que vem. ~B
- Quanto a isso não se preocupe. ~G
- Conversei com ele e você não precisará passar por uma entrevista, afinal de contas a opinião que importa é a minha. ~G
- Nosso contrato mantém-se de pé. ~G
- Você pode começar segunda-feira? ~G
- Sim, claro. Por mim tudo bem. ~B
- Ótimo. Continuaremos conversando e segunda começamos. ~G
- E desculpa por tê-la feito sair da faculdade por nada. ~G
- Sem problemas Gwen. Estou animada para começarmos. ~B
- Até segunda. ~B
Quando parei de trocar mensagens com Gwen resolvi levantar e ir embora, já que não terei mais a entrevista com o Sr. Cullen.
- Srta. Swan.
- Sim, senhora Denali.
- Pode me tratar apenas por Carmen.
- Então pode me chamar de Bella.
- Certo Bella. Acredito que já esteja sabendo que infelizmente o Sr. Cullen não poderá atendê-la. – Assenti. – Ele lamenta muito o ocorrido, mas realmente está com muitas questões a resolver. No entanto, pediu para entregar-lhe algo. – Apontou para alguns papéis a sua frente na mesa, aproximei-me para olhá-los. – Esse é o seu contrato para os serviços que prestará a senhora Gwen. Ai estão claros os seus direitos, benefícios, salário, etc.
Minha família sempre teve boas condições. Papai trabalhou a vida inteira em um escritório de direito e mamãe tem seu próprio salão que é um empreendimento realmente rentável. Sempre tive a opção de trabalhar com o que gosto e por amor, não pela obrigação de ganhar qualquer quantia exorbitante, mas tenho que confessar que realmente me espantei com o valor que vi como o acordado.
- Alguma dúvida? – Carmen questionou tirando-me dos pensamentos.
- O Sr. Cullen está de acordo com tudo que está estipulado aqui?
- Sim. Ele mesmo redigiu o contrato. O senhor Cullen é muito apegado à avó e não deixaria nada que tenha a ver com ela ser tratado com menos do que a excelência. É uma lástima que não poderão fazer a entrevista, porém acredito que se ele aprovou sua contratação é porque já possui grande confiança perante a Sra. Gwen. – Sorri encabulada. – Mas se não tem nenhuma dúvida pode assinar. Uma via ficará com você e a outra conosco.
Com isso assinei ambas, guardei minha via na pasta com as coisas da faculdade, enquanto Carmen ficou com a outra.
- Muito bem Bella. Espero que nos vejamos outras vezes e que tenha um bom trabalho com a Sra. Gwen.
- Obrigada Carmen. Espero revê-la também. Tchau.
- Tchau. – Caminhei em direção ao elevador, quando o mesmo parou abrindo as portas, entrei apertando o botão do térreo, porém antes de fechar de uma vez, vi a porta de uma das salas abrir, mas não consegui enxergar bem a figura saindo da mesma, apenas vislumbrei uma fisionomia alta e imponente, então a perdi de vista.
Quando cheguei ao térreo caminhei até a saída do prédio, porém antes de sair na rua meu celular apitou, o peguei achando que tinha recebido uma nova mensagem, mas ao invés disso era uma notificação de e-mail, abri para ler.
Srta. Swan, perdão por não tê-la recebido. Meu dia está extremamente corrido e acabei não conseguindo conciliar um tempo para recebê-la. Realmente sinto muito por fazê-la perder seu tempo, mas já fui informado que assinou o contrato e que segunda-feira começará a trabalhar com a minha avó. Espero que ambas tenham um bom relacionamento e que tudo dê certo no que estão se propondo a fazer. Também espero ter o prazer de conhecê-la em uma próxima oportunidade, vovó tem falado muito sobre a senhorita e quero conhecer a ilustre pessoa que conquistou o afeto de forma tão rápida da dona Gwen Cullen.
Espero que tenha um bom dia.
E. Cullen
Cullens Investments
Quando terminei de ler o e-mail me perguntei se de alguma forma deveria respondê-lo, mas do jeito que o Sr. Cullen parece ocupado é provável que nem veja a resposta, isso se foi ele mesmo que redigiu o texto, apesar de algumas partes parecerem mais pessoais, não posso duvidar que ele pediria para alguém fazê-lo, portanto decidi não responder nada, acredito que quem enviou saberá de algum modo que recebi e li absorvendo as palavras...
XXX
Comecei de fato a trabalhar com Gwen na segunda-feira, conforme combinado quando sai da faculdade tinha um carro e motorista me esperando, porém não só ele, Gwen também fez questão de ir me buscar no primeiro dia, fui apresentada ao motorista, o senhor Carlisle. E depois fomos almoçar fora em um dos restaurantes de sua escolha.
Ao fim do almoço seguimos para o seu apartamento, que não é o apartamento localizado na cobertura do prédio, porém com certeza é um espaço luxuoso e bastante confortável, ainda mais para alguém que vive sozinha. No mesmo fui apresentada também a cozinheira, Esme.
Gwen explicou que ela tem funcionários que periodicamente vem para cuidar da limpeza, roupa e afins e que Esme trata exclusivamente de preparar a comida. Ela sabe que poderia dispensá-la, mas além de mantê-la em decorrência da boa amizade que tem com a funcionária, também é um jeito de continuar provendo o apoio financeiro dela e do marido, foi quando descobri que o senhor Carlisle é marido da Esme, achei a relação como um todo, não só de amizade, mas também do relacionamento pessoal do casal, muito fofa.
Assim estabelecemos uma rotina, Gwen participa de algumas atividades fora de casa, como Pilates, também faz hidroginástica e caminhadas esporádicas pelo parque que tem próximo ao seu prédio e em todas essas atividades sou incumbida de acompanhá-la. O que me fez conhecer mais sua rotina e também amigas e conhecidas que participam das atividades junto com ela.
Em casa Gwen apresenta um posicionamento mais calmo, gosta de conversar como ninguém e quase nunca deixa o assunto parar, apenas quando tiro um tempo para fazer minhas atividades da faculdade, nesses momentos ela aproveita para ler um livro, entreter-se com alguma coisa na TV, mas assim que aviso que já terminei ela volta a encher-me de toda sua positividade e entusiasmo. Até a hora que vou embora, quando ela decide que o dia já foi satisfatório o suficiente e que podemos encerrá-lo.
- Mas e você?
- Hun, perdão Gwen, não estava ouvido. O que perguntou?
- Estava reparando naquele casal sentado ali no banco. – Indicou para onde estava olhando e segui a indicação vendo um casal de adolescente trocando carinhos, a menina está meio deitada no colo rapaz, enquanto o ele parece lhe confortar com um meio abraço. – Com isso me perguntei se você não tem namorado ou namorada. – Prosseguiu o assunto. – Não quis perguntar antes e você nunca fala nada, mas agora cansei de esperar e estou perguntando diretamente. – Ri do jeito realmente direto da Gwen.
- Não, não tenho namorado ou namorada. Faz um bom tempo que terminei meu último relacionamento, mais de um ano pelo menos, desde então não me relacionei seriamente com mais ninguém.
- Mas imagino que não tenha ficado totalmente sozinha nesse tempo. Não é possível que uma menina tão linda quanto você esteja há tanto tempo sem aproveitar os prazeres da vida.
- Gwen! Não vou falar sobre a minha vida sexual com você.
- Porque não? Não me importo de falar da minha. Apesar de que eu sim estou a um bom tempo sem companheiro algum e isso às vezes é frustrante demais, porque sinceramente sinto bastante falta.
- Ter alguém é legal. Meu último namorado era muito legal, terminamos numa boa, apenas percebemos que não estávamos mais dando certo juntos. Ás vezes faz falta ter sim um companheiro para compartilhar os momentos, porém não podemos nos apegar e achar que nossa felicidade só está em companhia de alguém. Além do mais, para as questões que citou, realmente não é preciso de ninguém para fazer feliz. – Informei.
- Olha só, gosto de ouvir sobre isso, temos que conversar mais.
- Sobre o que a senhora gostaria de conversar ainda mais? – Uma voz comentou atrás de nós surpreendendo-nos e de algum modo arrepiando todo meu corpo.
O que está acontecendo?
Viramos para ver o rapaz misterioso, quer dizer misterioso só para mim, já que Gwen parece conhecê-lo muito bem mediante o grande sorriso que abriu quando o viu, imediatamente envolvendo-o em um abraço.
- Ah meu neto, que saudades.
- Também estava vovó.
Ah então esse é o neto, o Sr. Cullen.
Ele é bem jovem realmente, deve ter uma idade próxima a minha.
Não esperava que fosse assim, pela forma que Gwen fala como é compenetrado nas questões da empresa, imaginava alguém mais velho e tão pouco que fosse tão atraente...
Quando se soltaram do abraço Gwen falou.
- Mas o que está fazendo aqui? Como soube que estávamos no parque?
- Passei lá no apartamento para fazer uma surpresa e Esme contou que estavam aqui, então vim encontrá-las.
- Mas essa é uma surpresa realmente muito boa. Quando chegou de viagem?
- Hoje.
- E como está aqui? Conseguiu folga daquele lugar?
- Na verdade ninguém sabe que voltei, consegui resolver os assuntos mais cedo do que o previsto e adiantei minha volta, portanto hoje estou livre e resolvi passar esse tempo com minha amada avó.
- Que honra ser a escolhida para desfrutar do seu tempo livre.
- Não se faça de modesta dona Gwen, pois sabe que é a mulher mais importante da minha vida desde sempre.
- Eu sei que sim, mas gosto de ouvi-lo dizer. – Sua fala arrancou riso de nós dois. – Ah meu Deus, que gafe. Ficamos conversando e deixando Bella totalmente de lado sem fazer as devidas apresentações. Deixe-me corrigir o erro, Bella esse é meu neto, Edward Cullen. E Edward, essa é minha amiga, Isabella Swan.
- É um prazer conhecê-la pessoalmente Srta. Swan.
- É um prazer conhecê-lo também Sr. Cullen. – Apertamos as mãos, o que ocasionou em uma sensação estranha em meu corpo...
- Pode tratar-me apenas por Edward. Fora da empresa, Sr. Cullen é apenas meu pai.
- Então pode me chamar de Bella.
- Muito bem Bella. Como minha avó tem se comportado? E pode falar toda a verdade, sei que essa senhora pode dar trabalho quando quer.
- O que é isso menino? Eu sou um amor de pessoa.
- Eu sei bem. Mas então Bella?
- Não se preocupe. Sua avó é realmente uma ótima companhia. Tenho aprendido muito ao seu lado.
- Viu só? – Gwen provocou arrancando risos do neto e poxa vida que sorriso bonito.
Qual é Isabella? Nunca viu um homem bonito não?
É verdade, já vi homens bonitos antes e até posso dizer que já me relacionei com alguns. Porém Edward parece ter algo mais...
Não sei se são os olhos verdes que apesar de conseguir identificar cansaço em seu semblante, ainda mostram um brilho diferente. Ou o porte muito bem apessoado dentro do terno de corte fino. Tem também o cabelo que apesar de apresentar corte sofisticado e comportado começa a despontar com os raios do sol batendo no mesmo.
Sai da análise minuciosa sobre seu físico prestando atenção em suas palavras.
- Pelo que li no seu currículo sei que estuda Gerontologia, pesquisei um pouco sobre a área, mas gostaria de ouvir de você exatamente qual o foco de estudo e o que pretende fazer quando se formar.
- Gerontologia é uma área muito abrangente. Posso trabalhar em clínicas de consultas, ou auxiliando em casas de repouso, posso oferecer suporte intelectual e social a um grupo ou indivíduo como é o caso com Gwen. Nosso maior objetivo é suprir e pleitear as maiores necessidades das pessoas que estão na terceira idade, para que todos continuem desfrutando do melhor que a vida tem a lhes oferecer.
- Assim como eu faço. – Gwen comentou.
- Sim, você é um bom exemplo de como a vida pode ser aproveitada. – Respondi.
- Vi também que você estuda na BU. É uma excelente universidade. – Edward comentou.
- Sim, é uma honra estar lá. Quando recebi a carta dizendo que tinha não só entrado, mas que meu pedido de bolsa também foi aceito, comemorei como nunca.
- Parabéns. O sistema de bolsas de lá não é fácil, ainda mais para graduação. Na época que fiz a minha gostaria de ter estudado lá também, mas meu pai quis que seguisse seus passos e fosse para Harvard.
- Um membro da Ivy League, parabéns.
- É, mas sabemos bem que ela pode ser membro da liga, mas não é a melhor do estado. Esse título pertence à BU. Por isso quando fui fazer minha especialização não hesitei em escolhê-la.
- Então quer dizer que é um ex-aluno da BU também?
- Especializado em Ciências Atuariais pela Universidade de Boston com orgulho.
- E qual foi sua graduação em Harvard?
- Administração e Ciências Contábeis. Por conta do ramo da empresa ser o mercado financeiro.
- E cursou as duas ao mesmo tempo? – Questionei e ele apenas assentiu. – Uau isso é realmente admirável. Mais uma vez parabéns.
- Além de ter se graduado em dois cursos ao mesmo tempo, Edward ainda se formou mais cedo com apenas 21 anos. – Gwen disse.
- Caramba. Estou ficando sem elogios para você. – Comentei.
- Não tem porque fazê-lo. Não foi nenhum mérito extraordinário. Como sabia que essa seria a carreira que seguiria desde cedo, apenas tive maior preparação que os outros e com isso pude eliminar algumas matérias e ter adiantamento em outras, nada demais.
- Edward é modesto, mas sabe que é o orgulho da família. – Gwen falou e realmente senti o orgulho transparecendo em sua voz. – Agora você vai voltar para o apartamento e jantar conosco, certo?
- É claro. Não perderia a oportunidade de saborear a comida da Esme. Faz tanto tempo que não como, que não sei nem me meu paladar ainda reconhece o gosto do tempero.
- Isso é que dá ficar tanto tempo sem me visitar.
- A senhora sabe que não é de propósito vovó.
- O que sei é que seus pais ainda estão muito bem e em condições de ficar a frente da empresa sem sobrecarregá-lo tanto.
- Vovó, não vamos discutir, por favor. Só quero ter um jantar agradável sem discussões ou preocupações. Será que podemos?
- Podemos, mas você sabe minha opinião.
- Sei sim e respeito muito toda e qualquer coisa que diga.
- Certo. Então vamos para casa. Não tenho dúvida que Esme já deve estar preparando coisas maravilhosas especialmente para você.
- É o que espero. – Com isso começamos a caminhar de volta para o apartamento.
Deixei os dois irem á frente, dando-os privacidade para conversar.
Quando chegamos ao apartamento Esme informou que está terminando de preparar o jantar, enquanto Gwen pediu licença, deixando Edward e eu a sós.
- Você está em que período da faculdade? – Perguntou.
- No sexto. Mais um ano e concluo o curso.
- Que bom. Como deve ter percebido pelos comentários com minha avó. A faculdade não foi uma das melhores épocas da minha vida. Espero que seu tempo na mesma esteja sendo melhor.
- Quanto ao curso não tenho dúvidas, já que faço o que quero e gosto, além de ser otimista pelo futuro. Quanto a diversões, fraternidades, noites de loucura e curtição, receio não ser uma boa representante da classe universitária.
- Pois é. Também não fui. Mas no meu caso não tive ao menos a chance de saber se gostaria ou não de ser esse tipo de universitário. Fazendo dois cursos ao mesmo tempo e ainda trabalhando na empresa, mal tinha tempo para dormir, imagina para fazer outras coisas.
- Sinto muito. – Ele deu de ombros. – Mas você ao menos gosta do que faz? – Perguntei.
- Desde pequeno sempre soube que um dia seria meu dever administrar a empresa. Então acabei me interessando pelo assunto e posso dizer que gosto do que faço, não gosto de algumas coisas que vem junto com as obrigações do cargo, mas faz parte, ninguém é totalmente feliz no emprego, não é mesmo?
- Terei que discordar de você. Pois até hoje só trabalhei em lugares que me trouxeram prazer extremo. Estar trabalhando agora com sua avó é mais uma prova disso.
- Você é uma pessoa de sorte, não são todos que tem esse tipo de privilégio.
- Que privilégios Bella tem? – Gwen questionou ao voltar à sala.
- O de trabalhar com uma pessoa tão incrível quanto você. – Respondi.
- Ela diz incrível, mas sei que no fundo quer dizer irritante, ao menos um pouco.
- Edward. – Me vi repreendendo-o.
Só depois me tocando que é esse homem quem paga meu salário.
- Deixe-o Bella. Esse menino anda muito desaforado mesmo, deixe estar. Quando arrumar um namorado e ele deixar de ser o homem número um da minha vida. Lembrará a forma que me tratou.
- Para vovó. A senhora sabe que estou brincando. Além do que, sei que essa história de namorado não é real, que só fala isso para me provocar.
- Vai pensando querido. Se a ilusão de que não é real te faz sentir melhor. Pode continuar com a mesma. – Gwen falou piscando e seguindo para a sala de jantar.
- É verdade essa história que ela tem namorado? – Edward perguntou quando ficamos a sós.
- Não me pergunte, pois não sei de nada. – Ergui as mãos em sinal de inocência.
- Não sei se posso acreditar. Vocês estão próximas demais para que não saiba de algo tão importante assim.
- Pois acredite. Se ela tem um namorado, pretendente ou afins, não me falou. – Respondi levantando e seguindo para a sala de jantar também, onde Esme já está terminando de colocar a mesa.
- Vovó a senhora pode falar agora que história é essa de namorado. – Edward falou ao entrar.
- Não querido. Não tenho nada a dizer. E agora chega de conversa, vamos jantar. – Edward sentou ao lado da avó, mas com a cara fechada, o que o deixou com um ar de garotinho.
Como é de costume quando fazemos as refeições em casa, Carlisle e Esme sentaram conosco a mesa.
Apesar de ser uma família bem rica e Gwen ter sido criada com requintes de berço, conforme me contou, ela nunca fez diferença das pessoas que trabalham para si, ainda mais depois que ficou viúva.
Já que quando Edward não pode vê-la, Carlisle e Esme são o mais próximo que pode chamar de família, apesar dos mesmos terem seus próprios familiares e nem sempre terem disponibilidade para estar com ela também.
- E como estão seus pais Edward? Faz tempo que não os vemos. – Carlisle questionou em meio ao jantar.
- Sim, já que conseguiu vir jantar com sua avó, poderia tê-los convidado também. – Esme completou.
- Agradeço a gentileza dos dois, mas meus pais estão fora do país, assim não poderiam aceitar o convite.
- Como se Edward e Elizabeth fossem aceitar jantar em casa como uma família normal...
- Vovó...
- Você sabe que é verdade Edward. Dói muito admitir que meu único filho e nora não são as pessoas mais amorosas, empáticas e gentis que conheço, mas não há como contestar isso.
- Eu sei vovó. A senhora acha que os conhece? Sou eu que convivo com eles por toda vida e ainda hoje trabalho com os dois. Porém tendo a crer que papai e mamãe não são pessoas más, apenas tem um jeito diferente de ver e lidar com as coisas.
- É ao que temos que nos apegar querido, caso contrário a perspectiva não é muito animadora. – Gwen respondeu e o clima definitivamente mudou.
- Mas e a vida de vocês como anda? Seus filhos estão bem? Quero saber, já que faz tempo desde a última vez que os vi. – Edward questionou a Carlisle e Esme.
E eles entendendo bem a deixa começaram a falar sobre a família, os filhos e netos, preenchendo o jantar com conversas interessantes e reestabelecendo a aura leve de outrora...
Após o mesmo não demorou a Esme e Carlisle irem embora, Gwen os dispensou alegando que Edward me deixará em casa, assim o casal não teve que esperar mais para encerrar seu dia.
E nós também não demoramos muito para despedirmo-nos de Gwen, já que ela também alegou cansaço, com isso Edward e eu saímos do apartamento em silêncio durante o percurso do elevador até o andar do estacionamento.
- Onde você mora Bella? – Questionou quando saímos do elevador.
- Você não precisa me deixar em casa Edward. Aceito que Carlisle me leve, pois esse é seu trabalho, mas você não tem obrigações comigo. Posso pegar um Uber tranquilamente.
- Bella, como nos conhecemos hoje, deixarei o comentário passar. Porém de forma alguma a deixaria ir embora sozinha, sendo que posso perfeitamente deixá-la em casa. Então, por favor, informe seu endereço para que possamos ir? – Rolei os olhos, mas mesmo assim falei onde moro. – Ótimo, não é tão fora de mão do caminho para o meu apartamento, podemos ir. – Assenti seguindo-o até seu carro.
Paramos em frente a um modelo esportivo, prata, mas apenas olhando não consegui reconhecer o carro.
- É um volvo. – Edward comentou.
- Não tinha reconhecido mesmo. – Ele abriu a porta do passageiro, agradeci e entrei. Não demorou em fazer o mesmo no lado do motorista, assim seguindo com o veículo.
- Você dirige? – Questionou quando saímos para as ruas noturnas de Boston.
- Sim. Mas optei por não ter um carro, não vi necessidade. Papai tem e o usa constantemente, mamãe também, mas com seu trabalho no salão de beleza, que foi onde Gwen e eu nos conhecemos, ela não tem tanta precisão de usar o carro, com isso quando preciso utilizo o dela, quando não dá me satisfaço andando em carros de aplicativos ou transporte público.
- Gostaria de ter essa consciência ecológica. Mas mesmo quando ainda morava em casa e meus pais também dispunham de veículos, não abri mão de ter o meu e hoje que moro sozinho é mais que necessidade, porém confesso que gosto da sensação libertadora de dirigir e gosto ainda mais desse carro. – Comentou com um sorriso.
- Não tem problema que goste de dirigir e o faça por prazer, não tenho dúvida que ajuda o planeta de outras formas.
- Obrigado.
- O que mais gostei em dirigir foi quando aprendi, pois meu pai me ensinou. Ele é advogado, então assim como você, também é bastante ocupado, mas sempre deu um jeito de tirar um tempo para estar comigo e minha mamãe. Então quando atingi idade para aprender a dirigir ele se ofereceu para me ensinar e aceitei. Foram tempos memoráveis o que passamos juntos. – Comentei.
- Você e seus pais são apegados?
- Sim, temos uma relação muito boa e próxima. Mamãe é uma das minhas melhores amigas, apesar de sermos bem diferentes na essência. Ela é toda animada, ama se arrumar e aos outros também, por isso abriu o salão. Eu pareço mais com meu pai nesse aspecto, introspectiva, tímida em certos casos, porém consigo ter uma boa relação com ambos.
- Que bom que vocês são assim.
- Sinto muito que aparentemente você e seus pais não tenham uma relação tão próxima e com a Gwen também.
- Por sorte ainda tenho a vovó. Mas é como disse lá no jantar, não acho que eles sejam pessoas ruins, ao menos tento me apegar a isso. Porém papai e mamãe parecem ter sido feitos um para o outro sob medida, do jeito que ele é compenetrado no trabalho, ela também, ambos seguem os mesmos princípios de excelência, tentaram moldar-me a sua maneira, mas sai muito diferente da fórmula. E olha que ganhando o nome do meu pai, as chances que saísse sua cópia fiel eram ainda maiores, porém não poderia ser mais diferente, ao menos na personalidade, já que fisicamente possuo muitos traços de ambos.
- Edward é um nome bonito. É uma boa herança.
- Ao menos isso. – Respondeu cabisbaixo.
- Tenho certeza que também passaram outras coisas boas a você. Temos a mania de deixar alguns defeitos nublarem as qualidades, mas elas estão lá, basta procurá-las.
- Obrigado, tentarei aplicar esse exercício de análise.
- De nada. – Reparei que já estamos no meu bairro, próximos a minha casa. – Você dirige rápido. – Comentei.
- Um pouco, mas pode ficar tranquila, sou um motorista prudente. Você está segura comigo. – Desviou os olhos do painel para olhar em meu rosto.
- Posso confiar mesmo?
- Pode. Saiba que sempre estará segura ao meu lado... – Não respondi e ele voltou seus olhos à rua.
Parou o carro quando chegamos à frente da minha casa.
- Obrigada pela carona, não precisava, mas agradeço mesmo assim.
- Foi um prazer. E foi um prazer também finalmente conhecê-la.
- Foi um prazer te conhecer também.
- Espero que possamos nos ver mais vezes.
- Você sabe onde trabalho. – Brinquei.
- É verdade. – Sorriu. – Mas você também sabe onde eu trabalho. Prometo que na próxima vez que for ao escritório a receberei.
- Tudo bem. Boa noite Edward.
- Boa noite Bella. – Tirei meu cinto e abri a porta do carro saindo, porém Edward só partiu depois que entrei em casa.
Sozinha comecei a pensar...
Nossa conversa não foi um flerte... Ou foi?
Não, provavelmente não.
Só porque um homem é gentil e atencioso, não quer dizer que está flertando com você...
É isso.
XXX
- Edward é um homem muito solitário, acho que ele seria um pouco mais feliz se tivesse uma namorada. – Gwen comentou em meio ao assunto que estamos conversando.
- Ele é solteiro?
- Sim. Não lembro nem quando foi à última vez que namorou, talvez tenha sido no início da faculdade, antes de sua vida ser quase que toda sugada pela empresa.
- Gwen, farei um comentário agora e espero que não me leve a mal.
- Pode falar o que quiser Bella, não precisamos de meias palavras uma com a outra.
- Tudo bem. Você fala sobre a empresa da sua família de um jeito, que ás vezes não parece que...
- Que é dela que vem meu sustento e de todas as pessoas que amo? – Completou meu raciocínio e assenti. – Isso é verdade, a Cullen Investments realmente me proporcionou muitas coisas durante toda minha vida. Não só por questões financeiras, que sei que somos privilegiados, mas também foi através dela que conheci meu marido, que meu filho conheceu a esposa, onde apesar de tudo todos os homens que amo ou já amei construíram carreiras sólidas e outros aspectos, porém a Cullen Investments também me tirou muita coisa...
"A convivência com meu pai na infância, depois com meu marido, não só como companheiro, mas também como pai. E assim vi Edward Sênior, seguir rigorosamente os passos do pai, com a diferença que foi mais esperto e arrumou uma mulher com pensamentos semelhantes aos seus, então não passa pelo mesmo que o pai, que tinha uma mulher sempre a espera em casa, sentindo falta não só de companhia, mas também de atenção e afeto..."
"E hoje vejo meu filho e nora tentando moldar meu neto a sua imagem e o mesmo lutando de certa forma contra os pais, porém não sei até quando meu Edward conseguirá resistir às amarras invisíveis, mas muito fortes que aquela empresa é capaz de colocar em uma pessoa. Edward ainda se esforça em ser presente em minha vida, porém quanto a sua vida pessoal não sinto que esteja conseguindo deter muito progresso..."
- Sinto muito em saber disso Gwen. – Toquei em sua mão.
Antes de entrar nesse assunto sério, estávamos sentadas na sala mexendo em seus materiais de arte. Gwen contou que sempre gostou de pintar, não que seja muito boa, suas palavras, não minhas, apesar de não entender dessa expressão artística em particular, achei suas pinturas muito bonitas.
Porém o ponto é que ela já não mexe nisso há muito tempo e está pensando em voltar a fazê-lo, então estávamos organizando as coisas que ainda tem guardada para ver o que pode servir e o que teremos que comprar novo, quando o assunto caminhou para esse lado.
- Obrigada Bella, você é muito gentil.
- Perdão pelo comentário, era óbvio que teria um motivo sério por trás da sua forma de pensar sobre a empresa. Afinal é você que convive com os efeitos dela na vida das pessoas que ama...
- Nenhuma das pessoas que citei são más. Meu pai foi um homem muito esforçado, conquistou tudo do zero, apostou alto e ganhou, ainda hoje tenho muito orgulho dele, assim como do meu falecido marido. Gavin foi meu primeiro amor, nem acreditei quando papai nos deu permissão para namorar, quer dizer, na época não era um namoro, mas permissão para cortejar, isso se tivesse intenção clara de casamento. – Sorri. – Mas realmente o amei e sinto que a sua maneira Gavin correspondeu ao meu amor, porém infelizmente sua dedicação à empresa acabou sendo maior do que a que teve para com seu lar e esposa.
- Desde quando você é viúva Gwen? – Não me contive em perguntar.
- Já faz 17 anos.
- Nossa. É muito tempo.
- Sim. O desgaste e a vida atribulada acabaram afetando a saúde de Gavin e seu coração não resistiu. Ele faleceu de infarto.
- Gwen, eu sinto tanto.
- Obrigada.
- E desde então você está sozinha?
- Sim. Edward Sênior estava consolidando seu nome frente à Cullen Investments, junto com Elizabeth, enquanto Edward era apenas uma criança, assim decidi que seria uma boa dedicar meu tempo ao meu neto, para que assim seus pais pudessem investir com tudo na carreira. E foi o que aconteceu. Morei com eles até Edward ter mais ou menos 15 anos. Depois decidi que era hora de deixá-los e viver um pouco da minha vida, logo Edward entrou na faculdade também e sua vida virou uma correria sem fim, porém quando fez 21 anos, ele também saiu de casa e é como as coisas estão desde então.
- E você não sente falta de uma companhia?
- Sempre contei com a presença de Carlisle e Esme, quando mudei não hesitaram em vir comigo, não que Edward Sênior e Elizabeth fizessem questão da presença deles, só fiquei sentida por deixar Edward de certo modo desamparado, mas logo ele engatou em seu próprio estilo de vida e sempre está em contato com ambos quando vem me visitar. E agora tenho você. – Fez carinho no meu rosto. – Que é uma ótima companhia, então estou bem.
- Também estou amando passar esse tempo com você. Apesar de saber que de nós duas, claramente eu sou a mais velha da relação. – Brinquei e rimos.
- Não se engane pelo meu rosto jovial querida. Já sou uma senhora próxima a entrar na casa dos 70 anos. Daqui a um tempo você já terá que cuidar de mim como faz com seus outros pacientes, ajudando em funções não só sociais e mentais, mas também motoras.
- Primeiro que você não é minha paciente, é minha amiga. Segundo que estou aqui para ajudá-la no aspecto que necessitar, pelo tempo que quiser. Mas você sabe a que me referi quando questionei sobre companhia. Quero saber se nunca pensou em voltar a ter um relacionamento, encontrar um novo amor. – Surpreendentemente Gwen não teve uma resposta de pronto para dar e isso com certeza é algo a se estranhar. – Gwen?
- Não posso dizer que nunca pensei na ideia, mas sempre a deixei de lado e a vida passou, o tempo também e não sei ainda se estou apta a pensar em me relacionar novamente a essa altura do campeonato.
- Gwen. Nem parece que estou ouvindo esse tipo de coisa da mesma mulher que é tão cheia de vida e entusiasmo que conheço. Que afirma ao neto com veemência que encontrará um namorado.
- Ah, realmente só faço isso para provocar Edward, não é real. – Suas palavras dizem uma coisa, mas seus gestos mostram outra.
- Gwen...
- Ok, uma das meninas do Pilates contou que arrumou um namorado. – Sorri com o rumo da conversa. – Por um aplicativo...
- Não. Você não está pensando em procurar um namorado no Tinder, não é?
- Não é por onde as pessoas estão se relacionando hoje em dia?
- Não. – Afirmei categoricamente. – Quer dizer, não sei. Não que tenha algo contra quem usa esse tipo de aplicativo, mas sei lá, não acho que seja muito seguro.
- Você realmente não é uma boa representante dos jovens de hoje Bella.
- Não, não sou. – Rimos.
- Mas enfim, o aplicativo que essa amiga comentou não é o Tinder. É um aplicativo especializado em gerar interação para pessoas da terceira idade, não só visando relacionamentos amorosos, mas também outros tipos de interações, como amizades.
- E só agora você me fala sobre isso? Sabe o quão importante é para minha pesquisa de curso saber da existência de um aplicativo assim? Que usa a socialização na terceira idade com objetivo que interligá-los?
- Não tenho culpa se você não é antenada na modernidade.
- Gwen!
- Estou brincando. Mas enfim, só fiquei sabendo ontem, já ia te contar e aqui estamos falando sobre.
- Tudo bem. Mas fale mais sobre o mesmo. Você já baixou o aplicativo?
- Ainda não.
- Pois o faça agora. Podemos explorá-lo juntas, ver quem são os tipos de pessoas que também o utilizam, quais suas pretensões e histórias.
- Agora você ficou empolgada, não é? – Provocou.
- Você sabe que esse tipo de assunto desperta meu interesse, não faço Gerontologia atoa, realmente gosto do que estudo e gosto de saber como as coisas acontecem para as pessoas da terceira idade. Mas não protele, vamos criar uma conta para você e enchê-la de novos amigos e quem sabe, ouça bem, quem sabe através do mesmo não conheça um senhor legal, interessante e assim passar a amizade para algo mais real, porém com a minha supervisão, porque não sabemos com certeza quem pode estar por trás da tela do celular.
- Tudo bem agente do FBI. Vamos descobrir como os velhinhos se divertem hoje em dia. – Não me contive em rir da sua fala, mas logo pegamos seu celular baixando o aplicativo e criando uma conta...
XXX
Os primeiros dias foram usados como uma forma de análise da funcionalidade do aplicativo e também para saber quem de fato o usa e com qual finalidade. Porém é claro que Gwen com seu jeito único tem conquistado as pessoas e atraído muitas amizades.
Com três semanas usando o aplicativo já fez várias novas amigas e também alguns amigos, mas de todas as pessoas que conheceu uma em especial despertou seu interesse para algo mais que uma simples amizade.
Seu nome é Blake.
Ele também é viúvo, tem dois filhos e três netos.
É professor aposentado, mas utiliza parte do seu tempo para tocar violão a crianças em instituições que não podem pagar por programas de artes, então uma vez por semana é levado a uma nova para entreter as crianças.
Sério, ele parece ser incrível, acredito que até eu esteja me apaixonando um pouco, imagina Gwen.
Logo que começaram a conversar pelo aplicativo ele pediu seu número para poderem conversar também fora do mesmo e depois de um dia todo de indecisão, Gwen aceitou passá-lo e desde então tem conversado diariamente pelo Whatsapp.
Quase que não consigo mais tempo com ela, pois a mesma vive entretida com Blake e só consegue dar verdadeira atenção aos outros assuntos quando seu mais novo amigo está ocupado.
- Você sabe que precisa contar ao Edward.
- Continue procurando Bella. Falei para o Blake que tenho essa fita e precisamos encontrá-la para mostrar a ele.
- Não tente mudar de assunto, ainda mais com essa tentativa falha, já que estou falando exatamente que precisa contar ao seu neto que está conversando com alguém e com pensamentos de conhecê-lo pessoalmente.
- Bella, menos conversa e mais ação. – Retrucou como se não tivesse acabado de falar nada.
Querendo encontrar logo essa bendita fita, continuei a procura da mesma.
No início da semana Blake perguntou se Gwen não queria marcar de se conhecer pessoalmente, não sou contra a ideia, se eles têm a sorte de morar na mesma cidade e diante das conversas que vem desenvolvendo, não vejo mal em se conhecerem pessoalmente, mas o que tenho debatido com Gwen desde então é que ela precisa contar ao Edward sobre a amizade e especialmente sobre os próximos passos na mesma.
Desde o dia que nos conhecemos só o vi novamente outra vez, quando ele conseguiu tirar um tempo para almoçar com a avó. E qual não foi minha surpresa ao sair da faculdade e encontrar o volvo prata a minha espera. Ele passou para pegar Gwen e depois foram me buscar.
O almoço foi muito agradável, mas teve que ser encerrado mais cedo, pois ele teve uma emergência para resolver na empresa. Ao nos deixar em frente ao prédio prometeu fazer outra visita em breve, isso já faz duas semanas.
E mesmo Gwen já tendo começado a usar o aplicativo quando o encontrou, o assunto não entrou em pauta, até ai tudo bem, ela realmente não precisa dar satisfação de todo passo que dá, mas quando está pensando em encontrar pessoalmente uma pessoa que até pouco tempo atrás era desconhecida, sinto que a informação precisa chegar a ouvidos mais responsáveis.
- Acho que encontrei. – Falei ao puxar uma fita cassete, dentre tantas que Gwen possui.
- Deixe-me ver, por favor. – Levantei do chão onde o armário com as mesmas está e entreguei a fita a Gwen. – Aparentemente você tem razão, esse é o título que citei, mas temos que confirmar se as gravações aqui dentro estão certas. Pode colocar no som, por favor?
- É claro. Só preciso saber como funciona. – Brinquei.
- Engraçadinha. Você já era nascida quando os discos de vinil e as fitas cassetes ainda estavam em vigor.
- Em teoria, mas meus pais já não tinham esses utensílios em casa quando comecei a me atentar as coisas, então só peguei a partir do CD.
- Não é muito diferente. Temos que torcer para que a fita ainda rode, um dos grandes problemas da mesma era enroscar e perder todo o conteúdo, um problema também das fitas VSH, os discos podiam riscar como o CD, mas tinham a desvantagem de armazenar menos músicas, sendo preciso usar dois lados.
- Obrigada pela aula grátis sobre o cenário musical do século passado. – Provoquei.
- Alguém está mais do que brincalhona hoje.
- Aprendi com você.
- O que tentamos ensinar os jovens não aprendem, agora esse tipo de coisa querem atribuir a nós. – Ri enquanto mexo no aparelho de som, realmente do século passado, que Gwen ainda possui.
De verdade não sei como o mesmo ainda pode estar funcionando, mas diante das histórias que Gwen contou e do cuidado com o qual sempre pediu para cuidarem de tudo, não só do aparelho, como também dos discos, fitas e CDs que ainda possui, só posso torcer para que de tudo certo.
Coloquei a fita no compartimento, apertei o botão de play e aguardei. E como em um passe de mágica a música começou a preencher a biblioteca do apartamento, que é onde Gwen guarda essas recordações.
- Funcionou, que ótimo. – Comentei.
- É claro que funcionou, mas vamos prestar atenção nas músicas para ter certeza de que é a fita certa. – Me aproximei dela, que está sentada em um dos sofás dispostos no espaço e sentei ao seu lado.
Ela ficou concentradíssima, com o olhar distante, acredito que esteja sendo transportada a outra época e só comentou algo quando a primeira música acabou.
- Sim, a fita é essa. Poderei provar ao Blake que estava certa.
- Não tenho dúvidas que ele ficará desapontadíssimo por saber que errou.
- Sim, mal vejo a hora de contar a ele e ver sua expressão de derrota.
- Gwen, falando em ver...
- Sei que tenho que falar com Edward, farei isso. Prometo que a próxima vez que o vir, contarei sobre o aplicativo, as amizades e o possível encontro com Blake.
- Ótimo. Você sabe que não insistiria nisso se não pensasse que é o certo. Apesar de estar acompanhando tudo de perto e realmente acreditar que Blake é um bom homem, ainda sim acho que deve contar ao Edward, para que ele também fique por dentro das coisas e possa assegurar ainda mais a situação.
- Eu entendo e sei que está certa, agradeço de verdade a preocupação. – Sorri. A música acabou dando início à próxima fazendo Gwen levantar. – Vem vamos dançar.
- O que?
- É, seja minha parceira. Não podemos deixar uma balada passar sem dançá-la.
- Ok, mas não sou muito boa dançarina.
- Não tem problema, eu conduzo. Vem. – Mesmo não entendendo bem o sentido, não contrariei seu pedido.
Levantei e começamos a girar lentamente pelo espaço...
- Interrompo? – Fomos surpreendidas pela presença de Edward.
- Edward, que surpresa. Estávamos falando de você agora pouco. – Gwen comentou.
- Espero que coisas boas.
- Sempre querido, não tem o que falar mal de você.
- Me paparicando, sinto que tem algo mais por trás...
- Não, não é nada, depois te falo. Mas entre, estávamos mexendo em umas fitas antigas...
- E dançando...
- Sim. É um crime deixar uma balada tocar e não dançá-la.
- Se a senhora diz.
- E isso me deu uma ideia. Porque não vem aqui e dança... – Fiz menção de me afastar para dar espaço aos dois. – Com a Bella.
- O que? Achei que fosse sugerir para que ele dançasse com você. – Falei.
- Não. Sei que não sou mais tão boa dançarina como antigamente. Vocês formarão um par muito melhor. Vem Edward, uma dama não pode ficar esperando pelo cavalheiro na pista de dança. – Gwen se afastou indo até o som, enquanto Edward se aproximou.
- Não precisamos fazer isso só porque ela pediu. – Comentei.
- Não vejo problema em acatarmos sua sugestão. Posso? – Pediu permissão para se aproximar e assenti.
Ele passou um braço pela minha cintura aproximando-nos, ofeguei. O outro estendeu esperando pelo meu, encaixei uma mão na sua, enquanto a outra apoiei em seu ombro.
Gwen colocou a música para tocar novamente do início e assim começamos a dançar...
Diferente dos segundos que dancei com Gwen, que foi nada mais do que duas pessoas balançando, agora com Edward estou realmente dançando...
Ele me conduz com tanta precisão, parecendo saber perfeitamente o que fazer. E apesar de eu não ter ideia do que estou fazendo, acredito que não cometi erro algum ainda, tudo graças a excelente condução e talvez também, por estar presa no mar verde dos olhos de Edward...
Não tenho ideia dos minutos de duração da música, mas ao mesmo tempo em que pareceu durar um tempo infinito, quando Gwen nos trouxe de volta ao presente, tudo pareceu ter durado nada mais que um mero segundo...
- Ah vocês estavam lindos. Realmente tinha razão. Juntos formam um excelente par.
- Obrigado vovó. – Edward agradeceu e só então percebi que ainda estamos próximos, mesmo já tendo parado de dançar, com isso me afastei.
- Até os gravei dançando. Vou mandar para o Blake, tenho certeza que ele achará tão adorável quanto eu. – Gwen comentou animada e sorri.
- E posso saber quem é esse Blake que receberá um vídeo nosso? – Edward perguntou.
Gwen e eu trocamos olhares, apenas indiquei que essa é a deixa para que conte a ele e fui até o som parar a música.
- Blake é um amigo. – Comentou.
- Eu o conheço? O nome não me é familiar.
- Não, você não o conhece. Nossa amizade é recente.
- Ah sim. E como a senhora o conheceu?
- Então. Faz uns dias que baixei um aplicativo que pessoas da minha idade usam para interagir.
- Então esse Blake é seu amigo virtual? – Olhei por sobre o ombro e a expressão de Edward parece confusa.
- É. Quer dizer, nos conhecemos através do aplicativo, mas agora já somos amigos além do mesmo.
- Vovó... – Senti o tom de repreensão de longe.
- E estou pensando em aceitar seu convite para que nos encontremos pessoalmente. – Ok, esse é meu momento de deixá-los a sós, porém parei quando ouvi a próxima fala de Edward.
- O que? A senhora só pode ter perdido o juízo de vez.
- Olha como fala comigo rapaz.
- Perdão. Mas a senhora não pode achar que é viável encontrar com um homem que conheceu pela internet a que? Dois segundos?
- Já nos conhecemos a três semanas.
- Oh sim, não agora está tudo bem.
- Não use esse tom debochado comigo Edward.
- Então não me faça usá-lo vovó. A senhora não sabe que não pode confiar em pessoas que conhece pela internet? Ainda mais na sua idade. O que acha que um homem pode querer com a senhora? – Ouvi o ofego de Gwen e posso quase ter soltado um também.
- Para sua informação tenho muitas coisas a oferecer ainda. Especialmente a um homem.
- Vovó, não foi o que eu quis dizer...
- Não, agora você irá me ouvir. Não sou nenhuma velha senil Edward. Ainda possuo total controle sobre minhas faculdades mentais e ações. Sei que existem pessoas por ai dispostas a fazer mal as outras, em qualquer lugar, não só na internet. Mas se estou viva no momento que a internet está em vigor, sinto-me no direito de usufruir de seus benefícios muito mais do que temer seus malefícios. Sim, conheci o Blake através de um aplicativo, mas poderia ter sido de qualquer outra forma, o fato é que temos conversado, gosto da amizade que estamos criando e o encontrarei para conhecê-lo pessoalmente. Não preciso da sua permissão para fazer nada, apenas quis lhe contar sobre um fato da minha vida por nossa proximidade, mas se não é capaz de entender e tão pouco respeitar minhas decisões, receio ter que deixá-lo de fora dos aspectos pessoais da minha vida, da mesma forma que infelizmente seus pais já são. – Gwen finalizou a fala e saiu da sala deixando-nos a sós.
Vi Edward passar a mão no cabelo, em sinal claro de frustração. Mesmo sabendo que posso me complicar muito, não me contive em falar.
- Ela está certa.
- Você é conivente com essa ideia? – Retrucou.
- Não posso ser conivente com algo que não está errado.
- Você entendeu o que quis dizer. – Comentou sentando no sofá.
- Se está perguntando se estou sabendo que sua avó começou a usar um aplicativo para conhecer pessoas? A resposta é sim. Quando nos conhecemos você questionou se estava ciente da possibilidade de Gwen ter um namoro e respondi sinceramente que não, pois até o momento ela realmente não tinha comentado nada comigo. Mas como falou no dia, estamos construindo uma relação próxima e depois acabamos conversando sobre esse tipo de assunto e ela revelou tanto sentir falta de uma companhia, quanto o interesse em conhecer alguém, quem sabe se relacionar ou apaixonar. – Respondi sentando-me ao seu lado.
- Sei que minha avó merece ser feliz. Desde pequeno digo que ela não devia passar o resto da vida sozinha. Mas não podia conhecer alguém de forma normal?
- O que é forma normal para você? Conhecer alguém na fila do mercado? Isso quer dizer que automaticamente a pessoa será integra e jamais fará algo errado? Sinto muito Edward, mas se essa é sua concepção de certo e normalidade, precisa rever seus conceitos. Estamos na era digital, tudo é feito através de um celular cheio de aplicativos, imagino que várias transações que faz na empresa sejam resolvidas dessa forma. Então porque as pessoas não podem utilizar os mesmos para conhecer umas as outras também?
- Eu sei. Você tem razão. Mas é que me preocupo com a vovó.
- E está tudo bem preocupar-se. Justamente por isso insisti para que lhe contasse sobre estar utilizando o aplicativo, conhecendo pessoas novas, mas especialmente o Blake. Porque como parente mais próximo e querido é importante que esteja ciente de suas ações, não para recriminar ou julgar, mas para apoiar e assegurar. Não estou dizendo que não há riscos, sim, sempre haverá, mas também não podemos deixar de viver a vida por medo do desconhecido. É preciso agir com prudência, mas também é preciso viver. – Ele respirou fundo e sabendo que já falei o que precisava fiz menção de levantar, mas fui impedida por sua mão segurando a minha.
- Obrigado.
- Não tem o que agradecer.
- Não estou agradecendo apenas pelas palavras bem colocadas. Mas também por ser uma pessoa tão incrível com a minha avó. Ela tem sorte em tê-la em sua vida.
- Eu sou a sortuda por estar convivendo com ela.
- Vocês realmente parecem ter criado um elo forte.
- Meus avós já são falecidos e apesar de ter convivido com outros idosos, Gwen tem algo especial que me faz sentir acolhida.
- Ela tem mesmo algo especial. E eu fui um babaca com ela.
- Não usaria essas palavras, mas vocês precisam conversar novamente, mas com calma, sem exaltações.
- É o que farei. – Foi sua vez de fazer menção de levantar, mas antes, pega totalmente desprevenida senti um beijo ser depositado em minha bochecha. – Não é só vovó que é grata por ter aparecido em nossas vidas...
Ele saiu sem me dar chances de responder ou perguntar qualquer coisa, mas que bom que o fez, pois fiquei realmente sem saber o que falar depois do seu comentário...
XXX
- Você acha mesmo que estou bonita?
- Você está linda Gwen. Blake ficará impactando com tanta beleza.
- Não quero impactá-lo. Quer dizer, talvez um pouco. Mas ai estou nervosa, nem lembro a última vez que fui a um encontro. Espera, eu nunca fui a encontro.
- Gwen, calma. Fica tranquila. – A sentei na cama, pegando suas mãos entre as minhas, que estão realmente geladas. – Ouça o som da minha voz e respire fundo, comigo. Inspira e expira. Inspira e expira. – Ela começou a seguir minhas indicações e pouco a pouco conseguiu se acalmar.
- Obrigada.
- Não tem de que. Está mais calma? Você não é obrigada a ir. Caso queira desmarcar, falamos com o Blake e deixamos para outro dia. Não tem problema.
- Não, eu quero ir. Só fiquei nervosa por um instante.
- Dará tudo certo Gwen. Você e Blake já se conhecem, hoje só vão conversar sem os celulares entre vocês.
- Obrigada. Por essas palavras de conforto, mas especialmente pelo apoio com tudo. Não estaria vivendo nada disso se não fosse por você.
- Que é isso Gwen. Você por si só fez tudo, sou apenas seu backup.
- É mais do que isso. Tenho um neto de sangue que amo muito e é um dos meus maiores orgulhos, mas você é a neta que a vida me deu e estou muito grata por isso.
- Ai Gwen, não me faça chorar.
- Pois é, porque se chorar me fará chorar também e não quero arriscar borrar a maquiagem.
- Certo, então sem choro. Mas só quero dizer que você também é muito especial, tenho sorte tremenda em tê-la conhecido.
- Quer dizer que somos duas sortudas?
- Exatamente. E Blake será o próximo sortudo na fila por desfrutar da sua companhia nessa noite. Está pronta?
- Sim. Vamos. – Saímos do quarto em direção à sala onde Carlisle nos espera para levar-nos ao encontro.
Sim, nos levar.
Também irei ao encontro, mas foi um acordo mútuo entre Gwen, Edward e eu.
Após a discussão dos dois na semana passada, Edward e a avó conversaram e se acertaram. Ele ouviu todas as histórias que ela tinha a contar e pediu para conversar também com Blake que foi muito solicito e entendeu toda a preocupação.
Então quando marcaram o encontro, ficou combinado que Edward e eu acompanharemos Gwen, para atestar sua segurança.
É claro que não ficaremos na mesma mesa que os dois, estar no mesmo ambiente já será de bom tamanho. Blake não se opôs a ideia e assim o encontro foi marcado.
Gwen escolheu o lugar, na verdade aceitou uma sugestão da minha mãe que indicou um bistrô novo que abriu nas proximidades do salão. Por ser uma região conhecida por mim também a ideia foi ainda mais aprovada.
Como no fim de semana Blake terá que viajar para o aniversário de um dos netos que mora em outra cidade e ambos não estavam aguentando esperar mais para se conhecer, marcaram o encontro para um dia da semana, se bem que sexta-feira é realmente um dos dias mais oficiais do mundo para encontros.
Mas por conta disso Edward não poderá nos buscar, deixando marcado de nos encontrar no restaurante, com isso Carlisle nos levará e depois voltará para buscar Esme e assim os dois irem para casa.
Durante o dia Gwen foi até o salão da minha mãe para fazer cabelo e maquiagem. Mamãe também tentou me convencer a fazer alguma coisa diferente, mas não sou eu que estou indo a um encontro, apesar de saber que estarei na presença de Edward, declinei da sugestão.
Apenas tomei banho lavando o cabelo e deixando-o secar naturalmente e troquei a roupa que passei o dia, optando por uma combinação de calça e blusinha mais solta, diferente das básicas que uso geralmente e uma sapatilha, no lugar dos costumeiros tênis, confortável ainda, mas não desleixada.
Gwen que está exuberante. Mamãe hidratou e escovou seus cabelos e os mesmos estão meio presos com uma presilha elegante, a maquiagem foi feita com muito bom gosto, leve, mas realçando os melhores traços e para vestir optou por um vestido verde que combina muito com a cor de seus olhos, herança que o neto herdou. E nos pés um sapato de salto baixo que a deixa elegante, mas ainda sim confortável.
Ela está lindíssima e não tenho dúvida que Blake também achará. Os dois terão uma noite incrível.
Quando chegamos ao bistrô, Carlisle parou o carro e saiu para abrir a porta para nós.
- Estão entregues.
- Obrigada Carlisle. – Agradeci.
- Tem certeza que não quer que espere aqui Sra. Gwen?
- Não Carlisle, vá buscar sua esposa e aproveitar a noite de vocês. Até segunda-feira.
- Não se preocupe Carlisle, daqui a pouco Edward chega para nos fazer companhia. – Enfatizei.
- Tudo bem. Então tenham uma boa noite. – Assentimos em agradecimento e caminhamos para dentro do estabelecimento.
- Bem vindas ao Bistrô BFPM.
- Que nome interessante. – Comentei.
- São as iniciais dos donos do bistrô. – Sorrimos. – Vocês tem reserva?
- Na verdade viemos encontrar uma pessoa... – Gwen comentou passando os olhos pelo local até encontrar a figura de Blake sentado em uma das mesas. – E já o encontrei. – Comentou sorrindo.
- Ela já encontrou seu encontro, porém tem uma reserva no nome de Isabella Swan. – A recepcionista procurou a informação assentindo quando encontrou meu nome. – Irei cumprimentar o Blake, depois os deixarei a sós enquanto espero por Edward. – Informei a Gwen.
- Tudo bem querida, mas agora vamos. – Sorrindo com sua animação a segui.
Ao pararmos em frente à mesa, Blake já está de pé para recepcionarmos.
- Boa noite Gwen.
- Boa noite Blake.
- Você está linda.
- Obrigada. Você também está muito bonito.
- Tentei caprichar. Estou até estreando uma camisa nova. – Comentou e sorri, acredito que foi o momento que notou minha presença. – Olá, Bella, não é?
- Sim, é um prazer conhecê-lo Blake.
- O prazer é meu. Gwen fala muito de você.
- A recíproca é verdadeira. – Respondi.
- Seu neto não virá?
- Ele vem, só ainda está preso no trabalho. – Gwen respondeu.
- Entendo. Então nos acompanhará até que ele chegue? – Questionou a mim.
- Oh não, minha mesa já está reservada, só vim mesmo para cumprimentá-lo, mas a noite será apenas de vocês.
- Tem certeza que não quer esperar Edward conosco?
- Não se preocupe Gwen, daqui a pouco ele chega, mas podem ficar a vontade e nem pensem na minha presença. Aproveitem a noite. – Me afastei, mas ainda pude ver Blake aproximando-se para puxar a cadeira para Gwen sentar, ela parece ter tirado a sorte grande.
Caminhei até o balcão e a recepcionista indicou a mesa da minha reserva, quando sentei percebi que consigo ter uma boa visão da mesa deles, porém acho que eles não conseguem me ver, mas também não acredito que terão tempo de preocupar-se comigo, sendo que estão tão entretidos um com o outro.
- Boa noite. Posso trazer os cardápios? – Fui questionada por um dos garçons.
- Ainda estou esperando uma pessoa. Posso aguardar mais um pouco?
- É claro. Enquanto espera posso trazer uma cesta de pães e água com gás?
- Sim, obrigada. – Ele assentiu e se afastou da mesa.
Sozinha aproveitei para pegar meu celular e vi uma mensagem de Edward.
- Vocês já chegaram ao restaurante? ~E
- Sim. Gwen e Blake já foram formalmente apresentados e estão conversando agora. ~B
Enviei a mensagem e surpreendentemente obtive uma resposta rápida.
- Ok, fique de olho neles. ~E
- Pode deixar Edward, estou de olho. ~B
- Pode ficar tranquilo que o lobo mau não vai comer a vovozinha. ~B
- Bella! Não diga isso nem de brincadeira. ~E
- Edward relaxa, está tudo bem. ~B
- Os dois estão apenas conversando enquanto decidem o que pedir. ~B
- Falando em pedir, daqui a pouco chego. Estou finalizando umas coisas aqui. ~E
- Sem problemas. ~B
Enviei a mensagem, porém a mesma não deu mais confirmação de leitura, apenas de entrega.
Deixei o celular de lado quando o garçom voltou com os pães e água, agradeci começando a saborear os mesmos. Aproveitei também para abrir um arquivo de leitura com a matéria do dia, apesar de só ter aula agora segunda-feira, já que estou com esse tempo livre posso muito bem usá-lo para algo proveitoso.
Entretida no celular, mas também sem deixar de observar Gwen e Blake, o tempo começou a passar. Vi quando pediram a entrada, saborearam a mesma, terminaram e o prato principal chegou.
Gwen me enviou uma mensagem questionando sobre Edward, respondi apenas que continuo esperando-o, mas que estou estudando enquanto isso. Ela como uma boa avó me disse para pedir alguma coisa para comer, ou me obrigará a fazê-lo.
No momento enviei mais uma mensagem a Edward, porém quando não obtive resposta segui a indicação de Gwen e pedi uma salada, é algo que me sustentará, mas quando Edward chegar não terei perdido totalmente o apetite.
Minha salada chegou, assim como o prato principal do casal, no momento da refeição parei a leitura e coloquei um episódio de série para assistir enquanto como. Quando a mesma terminou vi que Gwen e Blake ainda saboreiam seus pratos. O celular continua sem nova mensagem, então só voltei à leitura.
Quando vi o casal o qual estou acompanhando pedir a sobremesa, entendi que Edward não conseguirá chegar a tempo de jantar, então optei por pedir algo doce também, para saborear enquanto aguardo o fim da noite.
Mais uma vez optei por comer assistindo algo no celular e quando o mesmo apitou com sinal de mensagem abri rapidamente achando que poderia ser Edward, mas vi que é da Gwen.
- Edward enviou alguma notícia a você? ~G
- Não. A última mensagem que recebi foi a que te falei. ~B
Bati o olho e não vi Blake á mesa.
- Onde Blake foi? ~B
- Ao banheiro. ~G
- Nós vamos encerrar a noite. ~G
- Você quer tentar ligar para o Edward e ver se ele virá nos buscar? ~G
- Caso contrário teremos que chamar um Uber. ~G
- Vou fechar minha conta e ir lá fora ligar. ~B
- Espero vocês na saída. ~B
- Tudo bem. ~G
Conforme falei pedi a conta ao garçom e depois de acertá-la segui para fora do restaurante tentando ligar para Edward, mas o mesmo simplesmente não atende.
Realmente deve ter acontecido algo sério no trabalho, pois imagino que só algo grande o impediria de vir até aqui, sendo que o assunto tem a ver com sua avó.
Enquanto tento mais uma vez ver se consigo falar com ele, passei os olhos no prédio em frente ao restaurante.
O mesmo é de construção clássica, com escadas por fora, tem uma bicicleta encostada próximo à porta central, talvez de um morador ou visitante, porém notei que sua iluminação está cheia de luzes que lembram as de enfeite de Natal, o que é engraçado visto à época do ano.
Pude notar também um abajur a meia luz em uma das janelas do prédio, quando pensei ver vultos circulando pela sala, baixei a vista não querendo invadir a privacidade alheia, no momento também encerrei mais uma tentativa falha de contato com Edward.
Nesse instante vi Gwen e Blake saindo do restaurante.
- Nada ainda? – Gwen questionou quando me viu e só balancei a cabeça negando. – Teremos que chamar um Uber. Edward não aparecerá nos próximos minutos.
- Sim. Vou solicitar um enquanto se despedem. – Informei.
- Porque vão pedir Uber se posso levá-las em casa? – Blake ofereceu.
- Não sei se é uma boa ideia Blake. – Comecei a falar.
- Vocês não estão com medo de mim, estão? Além do que, é muito mais seguro ir comigo, um já conhecido, do que andar essa hora da noite com um estranho. – Gwen e eu trocamos olhares, mas ainda sem muita certeza. – Tive uma ideia. Você sabe dirigir Bella?
- Sei.
- Pois pronto. Você leva o carro. Assim terão a segurança que não as levarei a qualquer parte que não o destino de vocês. A não ser que não queria que saiba onde você mora, nesse caso não há alternativa. – Blake concluiu falando com Gwen.
- Não, de maneira alguma. Não precisava nem oferecer essa ideia de Bella levar o carro, confiamos em você.
- Exatamente. – Confirmei.
- Obrigado meninas. Mas se não for incomodo para você Bella, pode dirigir, por favor? Assim Gwen e eu teremos mais um tempo apenas para nós.
- Tudo bem, vocês que mandam. – Respondi.
Com isso Blake pediu para buscarem seu carro, enquanto isso enviei uma mensagem a Edward avisando que vamos embora. Quando o veículo chegou peguei a chave com o manobrista entrando pela porta do motorista, enquanto esperei Gwen e Blake posicionarem-se nos bancos de trás, com todos acomodados segui para o prédio da Gwen.
Para deixá-los mais a vontade pedi permissão para Blake e liguei o som, deixando a música embalar o ambiente, mas também restringindo de certa forma o espaço deles e o meu.
Mesmo não sendo uma motorista tão veloz quanto Edward. Não demoramos a chegar ao condomínio de Gwen, estacionei em frente ao mesmo e descemos.
- Obrigada por nos trazer Blake. Foi um prazer conhecê-lo, espero que possamos nos ver mais vezes. – Comentei assim que colocamos os pés na calçada.
- Você quem nos trouxe na verdade. – Sorrimos. – Mas também foi um prazer conhecê-la e espero realmente que nos reencontremos.
- Imagino que há uma grande possibilidade sim. Deixarei com que se despeçam agora. Boa noite Blake e Gwen, estarei te esperando no apartamento. – Troquei beijos no rosto com Blake e para Gwen destinei apenas um piscar de olho.
Assim entrei no condomínio seguindo para o prédio da Gwen e ao entrar no elevador finalmente depois de um bom tempo recebi uma mensagem de Edward.
- Onde vocês estão? ~E
- Eu no elevador a caminho do apartamento da sua avó. ~B
- Ela está se despedindo do Blake. ~B
- E como foram para casa? ~E
- Viemos de carona com Blake. ~B
- Caramba Bella. ~E
- Se a questão toda de acompanharmos o encontro era pensando na segurança, vocês voltam para casa com ele... ~E
- Primeiro de tudo, confiamos no Blake. ~B
- Segundo, para sua informação, eu vim dirigindo. Não poderíamos estar mais seguras. ~B
- E tenha em mente que hoje não foi um encontro isolado. ~B
- Eles provavelmente ainda se encontrarão outras vezes e você terá que se acostumar e aprender a confiar no Blake. ~B
- Mas para isso seria legal conhecê-lo... ~B
- Eu sei. ~E
- Sei que calado já estou errado. ~E
- Realmente sinto muito em ter furado com vocês. Especialmente com você. ~E
- Vovó deve ter tido uma ótima noite, mas você ficou lá sozinha de babá, sendo que quem insistiu nessa ideia fui eu. ~E
- Mas realmente não consegui ir. ~E
- Houveram complicações... ~E
- Tudo bem. ~B
- Com certeza minha noite não foi tão incrível quanto à da Gwen, porém não foi de todo ruim. ~B
- Você precisa de carona para casa, não é? ~E
- Estou chegando ao condomínio da vovó. ~E
- Subirei para falar com ela e depois te deixo em casa. ~E
- Você está falando comigo enquanto dirige Edward?! ~B
- Não? ~E
- Edward! ~B
- Sei que mereço muitas broncas. ~E
- Mas já estou chegando e você poderá me passar todas ao vivo. ~E
- Até já. ~E
Não respondi para não lhe dar corda de continuar falando.
Quando cheguei ao apartamento abri a porta, liguei a luz da sala e sentei no sofá esperando por Gwen e logo por Edward.
Porém ao contrário do que pensei ambos não apareceram rápido. Nem Gwen que devia apenas despedir-se do Blake ou Edward que propagou tanto que já estava chegando.
Cansada de esperá-los e com sede, decidi ir até a cozinha para pegar um copo de água, quando terminei de encher o mesmo a porta abriu preenchendo a sala com a presença dos dois.
- Boa noite. – Cumprimentei. – Encontraram-se no elevador?
- Não. Cheguei a tempo que conhecer o famoso Blake. – Edward respondeu e arregalei os olhos em direção a Gwen.
- E como foi? – Perguntei.
- Normal. Estávamos conversando quando Edward parou o carro. Apresentei os dois, Edward pediu desculpas por furar o compromisso, porém disse que em breve marcará algo para que possam se conhecer melhor e Blake concordou. Então falei para Edward entrar e guardar o carro enquanto me despedia. Ai sim nos encontramos no elevador. – Gwen respondeu.
- E o que achou do Blake? Ao menos uma primeira impressão. – Perguntei a Edward.
- Normal. Ele parece ser boa gente. Mas ainda preciso de mais que uma troca de palavras para fazer uma avaliação completa. – Respondeu.
- Esse menino em alguns aspectos parece tanto com os homens da família que me da até um negócio. – Gwen comentou e rimos.
- Independente da minha semelhança com os homens Cullens, quero pedir desculpas as duas por furar hoje. Realmente sinto muito. Porém houve uma quebra de operação já no início da noite e simplesmente não consegui me livrar de tudo até agora pouco.
- Seus pais ainda não voltaram da última viagem?
- Voltaram vovó. Estavam lá comigo até agora, mas foi necessário nós três e várias outras pessoas para dar conta de evitar um estrago maior.
- Não tem problema querido. Entendemos como seu trabalho é desgastante. E no fim das contas foi tudo bem. Meu encontro foi ótimo, Blake é tudo que já parecia ser e mais. Estou felicíssima.
- Estou vendo. Realmente sua noite parece ter sido ótima. Com isso não sinto que estou em dívida com a senhora, mas tem alguém aqui que sei que preciso compensar. – Edward falou olhando em minha direção.
- O que? Eu? Não, de forma alguma.
- Não seja boba Bella. Se ele quer fazer algo para compensá-la. Aceite.
- Ouça a vovó. Como você teve que jantar hoje sozinha, estando ainda de vela/babá no encontro da vovó. O mínimo que posso oferecer é um jantar, dessa vez com a certeza da minha companhia. Você topa?
- Ela aceita sim.
- Gwen!
- Não vovó. Quero que Bella diga se aceita ou não. – Falou parando a centímetros de mim. – O que me diz. Aceita jantar comigo?
- Sim. – Falei a um fio de voz, porém parece que o mesmo foi suficiente para que ele ouça.
- Ótimo. Amanhã está bom para você? – Assenti. – Então estamos combinados. Te pego em casa ás 19h. Jantaremos no meu apartamento.
- No seu apartamento?
- Sim. Aproveitando a ocasião cozinharei para você. Como forma de desculpar-me por todos os furos que já dei.
- E você sabe cozinhar? – Questionei em tom de desafio.
- Eu moro sozinho, como acha que me viro? Mas amanhã você descobrirá se cozinho bem ou não...
Sim.
Amanhã.
Em um jantar com Edward.
No apartamento dele.
Só nós dois.
Que Deus me ajude...
.
Na volta para casa ontem não conversamos muito mais, ao menos não sobre assuntos pessoais, Edward apenas explicou mais a fundo referente à que eram os problemas da empresa e como tiveram que lidar com tudo.
Ao me deixar em casa enfatizou nosso jantar hoje e que passará para me pegar às 19h. Falei que não precisa vir me buscar, já que o jantar será em seu apartamento é meio sem nexo que ele venha até aqui para depois voltar, porém Edward me ouviu? Não, obviamente que não.
Tentei passar o dia sem pensar muito no jantar, foi uma missão praticamente impossível, mas por incrível que pareça o momento em que consegui dispersar mais foi quando estava no salão com mamãe cuidando do meu cabelo, já que hoje de fato terei um jantar focado em mim, pois estou me recusando a dizer a palavra encontro, ela quis que me produzisse um pouco mais e acabei concordando e envolta a todos os assuntos e conversas do salão minha mente conseguiu distrair-se.
No fim ela fez uma hidratação também, aparou um pouco as pontas e escovou. Quando voltei para casa tomei meu banho, escolhi a roupa, fiz uma maquiagem leve e me vesti.
Optei por uma saia de cintura alta que vai até abaixo do joelho e um cropped como contra ponto a seriedade do tecido inferior, sabendo que não vamos sair do apartamento, ao menos imagino que não, não vi motivo para usar salto, então calcei um tênis simples que combina com a roupa e me dei por satisfeita com o visual como um todo.
Quando terminei de ajeitar as coisas no quarto recebi uma mensagem de Edward.
- Sei que estou adiantado, não precisa se apressar. ~E
- Só estou mandando mensagem para avisar que cheguei. ~E
- Na verdade já estou pronta, só mais alguns minutos e desço. ~B
- Ok, estou esperando. ~E
Enviei uma mensagem a minha mãe dizendo que estou indo, peguei uma pequena bolsa onde guardarei o celular, como também dinheiro e documentos e sai do quarto.
Quando apareci no portão já enxerguei o volvo prata parado e encostado a ele Edward em toda sua glória e excelência.
Controle-se Bella, por favor.
Sai trancando o portão e aproximando-me do carro.
- Olá. – Cumprimentei.
- Oi. – Inclinou para dar um beijo no meu rosto. – Você está linda.
- Obrigada. Você também. – Edward assim como eu optou por um look despojado. Diferentemente dos tenros os quais estou acostumada a vê-lo, está com uma calça jeans, camiseta e tênis.
- Pronta para ir?
- Sim.
- Então vamos. – Ele abriu a porta do passageiro, agradeci antes de entrar e não demorou a fazer o mesmo do outro lado.
- Aprontou o jantar cedo ou continuará quando voltar?
- Deixei algumas coisas pré-prontas e outras terminarei quando chegar.
- Sabe que não precisava ter vindo me buscar, não é?
- E sabe que não adianta contestar isso. Ainda mais agora que já estou aqui.
- Ok.
- Mas como foi seu dia?
- Bom. Resolvi uns assuntos da faculdade de manhã e a tarde fui para o salão da minha mãe.
- Lá atende homens também ou é um espaço exclusivo para mulheres?
- Não, atende homens também.
- Pois qualquer dia vou marcar um horário para conhecer o espaço e também sua mãe. Aliás, não questionei, mas sei pai estava em casa? Por favor, diga que não, caso contrário terei que voltei para me apresentar formalmente.
- Relaxa Edward. Papai não estava em casa, ele saiu para jogar golfe com o pessoal do escritório. Além do mais, não precisaria dessa formalidade toda.
- Sou um garoto praticamente criado pela avó. Tenho um pezinho em costumes antigos. – Sorri.
- Mas e você? Como passou o dia?
- Dormi até quase meio dia.
- Nossa, nisso você realmente puxou sua avó. – Rimos.
- Sim, vovó detesta acordar cedo, sempre foi assim. Eu geralmente não protelo dessa forma, gosto de sair para caminhar ou descer à academia do prédio, porém depois do dia desgastante que tive ontem acho que merecia a folga.
- Imagino que sim. E poderia ter adiado o jantar também, não me importaria de remarcar para que assim pudesse curtir o dia todo tranquilamente sem mais preocupações.
- De forma alguma. Esse jantar é que dará vigor ao meu dia. Depois que acordei fui ao mercado comprar alguns ingredientes necessários que não tinha em casa. E quando voltei comecei a preparar as coisas.
- Estou ansiosa para provar sua comida.
- Olha, não sou nenhum chef. Sei que ontem fiz parecer que comeria um manjar dos deuses, porém são só coisas que aprendi ao longo dos anos e por gostar de comer acredito que consiga fazê-los bem.
- Não se preocupe Edward, não tenho frescura para comer. Se chegarmos lá e disser que o cardápio é macarrão instantâneo apreciarei da mesma forma que fosse uma lagosta.
- Obrigado. Não chega a nenhum desses extremos, mas espero realmente que goste. – Com sua direção rápida e conforme falou na primeira vez que me deixou em casa o condomínio onde mora é relativamente perto, com isso não demoramos a chegar ao mesmo.
Quando saímos do carro em direção ao elevador, confesso que ainda me espantei quando o vi apertar o botão da cobertura.
- Eu gostei do bairro e do condomínio. Na época que vim comprar o imóvel só tinha disponível a cobertura e achei que seria um bom investimento. E acho que entendo de investimentos, não é? Por isso comprei...
- Edward. – O fiz parar de falar. – Eu não falei nada. Não tem problema que more na cobertura. Imagino que o apartamento deve ser lindo e ter alguns privilégios a mais que os outros, mas está tudo bem.
- Certo. Só não quero que pense que sou algum tipo de riquinho esnobe que esbanja dinheiro como se não houvesse amanhã.
- Não nos conhecemos tão bem, mas pelo pouco que vi não consigo associar essa imagem a você.
- Fico feliz. – Chegamos ao andar e o elevador abriu revelando que no patamar só a uma porta. – Você não percebeu, mas quando apertei o botão também digitei uma senha de acesso. Só pessoas autorizadas sobem até aqui.
- Isso é vantajoso. – Comentei sorrindo e ele me acompanhou.
- Pois é. Agora seja bem vinda ao meu humilde lar. – Indicou abrindo a porta e me dando passagem.
A entrada da para uma linda sala, bem decorada não só em adornos, mas também em mobília.
- Pode deixar sua bolsa no aparador e ficar a vontade. – Edward indicou e assim o fiz. – Vou apresentá-la ao apartamento como um todo, mas antes quero saber se aceita beber alguma coisa?
- O acompanho no que preferir.
- Começamos com um vinho então. – Falou e assenti.
Ele foi até a adega localizada no canto esquerdo da sala, retirou uma garrafa de vinho, serviu duas taças e caminhou de volta a mim, entregou-me uma e ofereceu um brinde com a sua.
- A essa noite.
- A essa noite.
Encostamos as taças e sorvemos o líquido.
- É muito bom. – Comentei.
- Que bom que gostou. Mas pensei agora, você já tem idade legal para beber?
- Agora que se atentou a isso?
- Pois é. Você com a taça de vinho na mão enviou uma mensagem ao meu cérebro. – O olhei firmemente, mas respondi.
- Pode ficar tranquilo. Tenho mais de 21 anos. Em Setembro faço 22 anos.
- Perto, mas não tão perto quanto o meu aniversário. – Comentou.
- E quando é?
- Em Junho. Dia 20 farei 24 anos.
- Você também é muito novo, ainda mais se levarmos em conta tanto seu histórico acadêmico quanto o cargo que desempenha na empresa.
- Isso só me faz parecer um cara velho cansado e não um legal e maduro.
- Discordo. Mas em suma eu gosto de todos os idosos, dos mais divertidos aos mais ranzinzas.
- Isso é verdade. Usarei essa característica ao meu favor. – Sorrimos. – Agora que tal conhecer o apartamento?
- Você que manda.
- Cuidado, posso levar essas palavras muito a sério. – Imagino que tenha sido uma piada, porém seu olhar compenetrado no meu está me dando outro tipo de ideias... – Vamos. – Esticou sua mão livre entrelaçando a minha também livre, assim o segui pelos extensos metros quadrados do apartamento.
Edward começou a tour pelo andar inferior, assim como no apartamento da Gwen, tem um cômodo que se divide entre biblioteca e escritório, tem também uma sala exclusiva para assistir TV, que parece uma mini sala de cinema, por conta dos enormes sofás que ocupam toda a parede e a televisão enorme à frente, se é que posso chamar uma extensão de tela tão grande só de TV. No andar inferior também tem um quarto de hóspede, banheiro social e a cozinha, que ele falou que deixará para mostrar no fim.
Subimos as escadas chegando ao andar dos quartos, no mesmo tem três, sendo dois suítes, porém Edward falou que apenas no dele o banheiro tem banheira. Achei que ele não me levaria até seu quarto, mas em momento algum hesitou em mostrar o cômodo como um todo, que assim como o restante da casa é belíssimo, uma cama king size ocupa um bom espaço do quarto, assim como um closet bem organizado, alguns móveis e objetos pessoais incrementam a decoração e por fim conheci até o dito cujo banheiro com banheira, que é realmente impressionante...
Finalizamos a tour na cozinha que tem uma extensão ligando a uma lavandeira privativa, porém a cozinha do apartamento é realmente impecável, grande, com móveis planejados em uma cor escura, lustres a meio metro do teto ornam bem com a iluminação ambiente, realmente da para entender porque Edward especializou-se em cozinhar, em um lugar assim, quem não o faria?
Quando entramos na cozinha ele indicou para sentar no balcão, enquanto termina de preparar as coisas do jantar e ao passarmos pela sala ligou o som deixando uma música ambiente tocando em meio a nossa conversa. Também enchemos um pouco mais as taças de vinho que saboreamos pelo decorrer da casa e agora estou olhando-o preparar nosso jantar.
- Espero que goste de comida mexicana. – Comentou.
- Amo.
- Tacos?
- Adoro.
- Então acho que acertei.
- Pode apostar que sim. – Respondi sorrindo.
- Antes de sair preparei uma tábua de frios para saborearmos enquanto termino os recheios. – Falou pegando a mesma na geladeira e posicionando sobre o balcão.
- Não precisa de ajuda? – Ofereci.
- Não. Você é convidada, sua função é apenas sentar e apreciar a noite.
- Tudo bem, fingiremos que sim. – O vi colocar um rolinho na boca e fiz o mesmo comprovando que ao menos as entradas estão deliciosas.
- Mas vamos lá, fale mais sobre você. Sei onde faz faculdade, mas em que escola estudou? Também não tem irmãos? Algum melhor amigo? Vamos nos conhecer mais. – Com sua deixa começamos a trocar informações.
Contei onde estudei, assim como ele informou os colégios que cursou. Comentamos sobre amigos e até ex-namorados. Constatando que estamos solteiros a quase mesma quantidade de tempo.
Diferentemente do que Gwen pensa, o último relacionamento de Edward não foi o que terminou quando ingressou na faculdade, esse foi apenas seu último namoro público, mas ele teve outros envolvimentos que consistiram em mais de alguns meses, mas não viu necessidade de envolver os familiares em seus assuntos pessoais.
Conversamos sobre nossas famílias e o fato de sermos filhos únicos, como cada qual lidou com isso durante o crescimento e também sobre nossos amigos mais próximos, que ambos notamos estarmos em falta com os mesmos.
Quando terminou de montar os tacos colocou no forno para dar uma leve tostada e aumentar a sensação crocante dos tacos, então sentou ao meu lado no balcão.
- Daqui a pouco os tacos estarão prontos, só precisam de uma consistência a mais, por tê-los hoje à tarde...
- Espere um pouco. – O interrompi. – Você fez os tacos também?
- É claro. Acha que serviria coisa comprada por ai?
- Exibido. – Não respondeu apenas sorriu.
Um sorriso tão lindo e sedutor...
Em seguida levou mais um petisco a boca.
Sem entender o porquê de repente o vi levantar de seu banco e estender a mão.
- O que foi? – Questionei.
- Vovó diz que nunca podemos deixar uma balada tocar sem dançar. Portanto Srta. Swan me concede a honra dessa dança?
- Será um prazer Sr. Cullen. – Coloquei minha mão na sua e ele aproximou nossos corpos guiando-nos pela cozinha ao som da música.
- Acho que não me incomodo que me chamem de Sr. Cullen fora do trabalho. Quer dizer, não me incomodo se for você.
- Me sinto honrada pela cortesia. – Com minha fala o assunto se encerrou por alguns instantes, concentramo-nos apenas em balançar pelo espaço sentindo as respirações e de certo modo os corpos um do outro.
Em um movimento ensaiado Edward me girou, porém na volta não continuou na posição, ao invés disso deitou meu corpo com o seu inclinado por cima.
Com os rostos tão próximos não precisamos de palavras, as ações falaram por si só...
Ao menos foi o que imaginei que aconteceria, já que fomos interrompidos pelo barulho do timer do fogão anunciando que os tacos estão prontos.
Edward nos ergueu e separamos.
Ele foi retirar os tacos do forno, enquanto voltei ao balcão secando minha taça de vinho.
- Pronta para jantar?
- Sim. Estou faminta.
- Que bom. – Ele levou a travessa com os tacos até a mesa e o acompanhei. – Sei que começamos com o vinho, mas não da para comer tacos acompanhado do mesmo, então posso sugerir que ao menos por agora tomemos cerveja?
- Corona?
- Não poderia ser outra.
- Certo, mas apenas uma. Realmente não é uma boa ideia misturar bebidas.
- Pode deixar. Uma para cada, só enquanto comemos. Mais tarde podemos voltar ao vinho ou parar por completo. – Assenti.
Ele pegou as garrafas na geladeira e posicionou em frente aos pratos na mesa, não frente a frente, mas sim lado a lado.
- Bom apetite.
- Obrigada, a você também. – Dei a primeira mordida no taco e acho que gemi de tão gostoso que está.
- Caramba está bom assim?
- Uma maravilha. Se algum dia cansar de ser um grande empresário de sucesso, pode tranquilamente tornar-se um chef.
- Vou levar em conta sua opinião. – Sorri, enquanto o vi dar a primeira mordida em seu taco. – Está realmente muito bom, não lembro a última vez que fiz tacos tão bons.
- Posso pensar que de algum modo ficaram tão bons por minha causa? – Soltei.
- Pode com toda certeza pensar isso...
Continuamos a comer e conversar em um clima descontraído.
Talvez não devesse ter comido tanto, mas os tacos estavam realmente muito bons e no fim acabamos não ficando apenas na primeira garrafa de cerveja, porém conseguimos parar na segunda, mas acredito que diante da quantidade de comida que ingeri o efeito do álcool não será tão predominante.
Quando terminarmos de comer me ofereci ao menos para lavar a louça, porém Edward só aceitou que tirasse o excesso de condimentos e depois instruiu a colocar na lavadora.
Após organizarmos as coisas na cozinha, ele me levou de volta a sala, ambiente que ao menos acreditei estarmos indo.
- Quero te mostrar o último lugar do apartamento que ainda não viu.
- O que mais pode ter? – Obtive minha resposta, mas não de forma oral e sim visual.
Já que Edward abriu as portas da varanda em frente à sala brindando-me com a visão de uma linda piscina, além do que, a paisagem incrível de Boston à noite.
- Ok, você tem uma piscina no seu apartamento, isso sim é de espantar.
- Gostaria de apreciá-la?
- Não trouxe roupa de banho. – Lamentei, pois imagino como deve ser bom tomar um banho noturno.
- Podemos apenas molhar os pés, já aliviará um pouco o calor.
- Eu topo. – Começamos a tirar nossos calçados, ele ergueu a barra da calça, enquanto levantei também um pouco do tecido da saia, assim sentamos lado a lado. – Nossa a água está uma delícia, fresquinha.
- É verdade.
- Agora com a chegada do verão só imagino quantas noites não passa aproveitando essa maravilha.
- Muito menos do que gostaria, isso para não dizer que nunca.
- Mas como isso é possível? – Perguntei realmente intrigada.
- Minha vida é uma loucura Bella. Essa noite, esse momento aqui com você é algo muito raro. Quando não estou no trabalho, estou viajando a trabalho ou trabalhando de casa. Nos momentos livres tento dedicar algum tempo à vovó que sei que vive muito só. Quer dizer vivia, agora ela tem você e algo me diz que certo senhor também preencherá sua vida.
- Não seja ciumento. Sua avó jamais deixará de ter tempo para você. Não importa o quão charmoso, sofisticado, inteligente e bonito Blake seja.
- Você o acha bonito?
- Sim, ele é um senhor muito bem apessoado. Forma um casal bonito com sua avó.
- Sei. Mas enfim, essa é minha vida. Se perguntar quando foi à última vez que entrei nessa piscina, não conseguirei lembrar.
- Fico triste em saber disso Edward. Com a profissão que escolhi conheço muitas pessoas que passaram a vida correndo e apenas hoje em dia por já serem aposentados é que estão começando a aproveitar. Muitos ainda tem saúde, disposição e vivacidade para fazê-lo, porém tantos outros não. Fazemos o que podemos para ajudá-los a ter a melhor vida possível, não visando apenas à história de aproveitar o tempo restante, mas verdadeiramente viver o presente.
- Admiro muito com o que escolheu trabalhar. Qual é o seu plano concreto para o futuro?
- A pequeno prazo terminar a faculdade, com um emprego efetivo em alguma instituição grande, para que assim possa ajudar o máximo de pessoas possível. A longo, abrir um lugar que ofereça o melhor dos dois mundos, não só um recanto para idosos passarem o tempo, mas também com grande assistência médica. Geralmente quando um consegue bastante êxito em um campo, não consegue desenvolver bem o outro.
- São planos lindos Bella. Quando colocar a ideia em prática, quero ser informado, investir nesse tipo de projeto devia ser um dos pilares principais de grandes empresários. Infelizmente não é, mas ao menos na Cullen Investiments tentamos fazer o máximo possível não só por nós, mas por todos.
- Obrigada Edward, é bom saber que posso contar com apoio de pessoas íntegras como vocês.
- Sim. E não só pelo meu lado social é interessante apoiar, mas também porque do jeito que as coisas andam, logo precisarei ser um dos seus pacientes. – Seu tom foi brincalhão, mas sinto que no fundo há uma mágoa interna.
- Entristece-me saber que é tão novo, mas ao mesmo tempo ouvi-lo dizer que praticamente não tem vida fora da empresa. – Impulsionada pelo momento peguei sua mão que está posicionada ao lado da minha, para minha surpresa Edward não a afastou, apenas apertou mais forte e entrelaçou nossos dedos.
- Obrigado. Também não gosto de saber que minha vida transformou-se nisso. Mas não sei o que fazer para mudá-la. Não sei se sinto uma pressão maior porque meus pais ainda estão na empresa sempre de olho nos meus passos, se de alguma forma devo mostrar mais serviço por conta da presença deles. Só sei que é complicado e quando paro para refletir sinto o peso das minhas escolhas, mas não de estar verdadeiramente aproveitando a vida.
- Acho que você deve conversar com eles. Dizer o que sente. Ser sincero, pois mais do que tudo eles são seus pais e imagino que devam prezar pela sua felicidade em primeiro lugar. E caso não demonstrem a empatia que necessita, então talvez seja o momento de perceber sozinho o que mais vale a pena. Desgastar-se apenas pelo emprego ou arrumar um jeito, mesmo que não seja o aprovado por eles, de levar sua vida com equilíbrio, sem deixar o emprego que já disse que gosta, mas também sem se esquecer de si.
- Posso levá-la comigo no dia que for ter essa conversa com eles? – Sorri.
- Que bela primeira impressão daria. Uma total desconhecida chegando para falar como devem ou não lidar com o filho.
- Primeiro que você não é uma desconhecida, é amiga da minha avó, praticamente sua nova neta e minha amiga também.
- Gosto de pensar na Gwen como minha avó. – Comentei sorrindo. – Mas pensando nisso, se a considero minha avó, quer dizer que de algum modo seriamos parentes? Tipo primos ou irmãos? – Viramos os rostos um para o outro.
- Oh não. De forma alguma. Nada desse tipo de parentesco entre nós. Em nenhum universo poderíamos ser irmãos ou mesmo primos.
- E porque essa aversão toda?
- Porque me sentiria muito mal se desejasse fazer com uma irmã ou uma prima o que desejo fazer com você.
- E o que deseja fazer comigo? – Ele não respondeu, ao menos não com palavras.
Ao invés disso aproximou ainda mais o rosto do meu e dessa vez não houve timer algum para nos impedir de colar nossos lábios em um beijo.
O mesmo começou lento, um leve roçar de lábios, conhecendo e sentindo o que o outro gosta, Edward rodeou sua boca na minha salpicando pequenos beijos no canto dos meus lábios, mas foi quando pediu passagem com sua língua que perdi totalmente o rumo...
Parece que algo foi ligado dentro de nós, que um mecanismo que esteve adormecido durante toda nossa vida de repente despertou. Nunca um encaixe pareceu tão perfeito como o nosso.
Não tivemos pressa, apesar do desejo latente, aproveitamos o beijo como só um verdadeiro apreciador de iguarias sabe fazer. Aos poucos, com calma, tomando e provando tudo sem receios e tão pouco sem vontade de parar. Um beijo transformou-se em dois, três e a partir dai perdi as contas.
Não importa o que acontecerá depois, quem somos fora daqui, o que esse momento ocasionará no futuro, nada é mais importante do que o aqui e agora, quando estou entre os braços de Edward, com as mãos dividindo-se entre seu ombro, nuca e cabelo. Assim como as suas não param de tocar minha cintura ou afundar também acariciando minha nuca de forma sedutora e deliciosa.
Quando decidimos voltar a nos comunicar por palavras, não esperava ouvir as que Edward pronunciou.
- Se soubesse que seria tão bom assim teria te beijado no dia que nos conhecemos. – Sorri.
- Jura?
- Com toda certeza. Quando te deixei em casa depois que saiu do carro seu perfume permaneceu, só fiquei lamentando o fato de não ter guardado também seu gosto em meus lábios. – Não resisti em beijá-lo mais uma vez.
- Teria adorado se tivesse acontecido àquela noite, mas acho que adoro ainda mais saber que aconteceu aqui e agora, após esse jantar e noite incrível.
- Realmente gostou de tudo?
- Tudo. Sem exceção.
- Fico feliz em ouvir isso. Também fiz sobremesa, mas no momento só consigo pensar em sentir novamente o doce dos seus lábios.
- Por favor, não passe vontade. – Ainda pude ver um sorriso em seus lábios antes de fechar os olhos e senti-los junto aos meus.
Como a primeira sessão de beijos essa também começou lenta, mas logo nos empolgamos nos carinhos querendo aprofundar mais as coisas. Com isso em um momento de descuido, Edward puxou meu corpo para mais próximo do seu, porém por estarmos à beira da piscina nossas pernas se embolaram jogando nossos corpos dentro da água.
- Bella, você está bem? – Edward perguntou preocupado assim que emergimos.
- Não se preocupe. Estou ótima.
- Que bom. Sinto muito pela queda.
- Não tem problema. Pois finalmente depois de tanto tempo você está tomando um banho de piscina.
- É verdade e ainda em excelente companhia. O que mais um cara como eu pode querer da vida?
- Eu não sei.
- Mas eu sim. – Me puxou e voltamos a nos beijar.
Completamente molhados e entregues não nos importamos com nada, apenas em desfrutar do momento sem receios.
Logo nossas mãos tomaram conhecimento fugaz do corpo do outro.
Mal percebi, quando ou quem tomou a iniciativa de despir o vestuário superior primeiro, mas não demorou a Edward estar desnudo da cintura para cima, enquanto permaneci apenas com o sutiã.
Seus lábios começaram a tomar posse do meu corpo, descendo do pescoço ao colo, chegando até a região dos meus seios e quando os chupou, ainda por cima do sutiã, quase desfaleci, porém a peça tão pouco permaneceu muito tempo em meu corpo, já que realmente não preciso dela nesse momento.
Não me fazendo de rogada a cada novo toque minhas mãos perdem-se em suas costas másculas e quando tive oportunidade explorei com prazer seu dorso nu bem trabalhado.
Quando as roupas molhadas além de atrapalhar começaram a incomodar, Edward me ergueu sentando na beira da piscina e saindo logo depois.
- Está com frio? – Perguntou.
- Não. Com certeza a última coisa que estou sentindo nesse momento é frio.
- Que pena, pois poderia usar a cantada básica de que estou aqui para te esquentar. – Sorrimos.
- Você pode usar a cantada ainda mais eficaz de que me deixará em chamas...
- Essa perspectiva é com certeza muito melhor. – Grudamos nossas bocas e não demorou a Edward puxar minhas pernas indicando para rodeá-las ao redor de sua cintura. – Estou pensando em ir para o meu quarto. Algum problema para você?
- Nenhum.
- Maravilha... – Continuamos com os amassos e toques furtivos pelo caminho até chegar ao mesmo.
Quando entramos Edward me colocou no chão e com o ato abaixou para tirar minha saia.
- Deveríamos ter descartado as roupas molhadas lá embaixo. – Comentei em meio a um suspiro profundo quando ele começou a salpicar beijos nas minhas pernas.
- E perder a oportunidade de despi-la? Jamais.
- Então espero que a reciproca possa ser verdadeira. – Entendendo a que me referi Edward levantou para que tirasse sua calça, que não saiu tão fácil quanto minha saia, mas quando o fiz pudemos sentir os corpos quase ao extremos, apenas com as peças íntimas nos barrando.
Ele voltou a beijar meu pescoço e caminhar comigo até cairmos sobre a cama. Não precisamos de palavras para exemplificar nossos desejos, começamos a explorar nossas intimidades constatando como estamos desejosos um do outro.
Rapidamente as peças restantes sumiram e antes de aprofundar tudo de uma vez não deixamos de explorar com sagacidade nossos prazeres...
- Camisinha... – Edward sussurrou em meio aos toques.
- Tem na minha bolsa.
- Vou pegar aqui na gaveta.
Falamos juntos e nos olhamos sorrindo.
- Quer dizer que você trouxe camisinha na bolsa?
- Sou uma mulher prevenida.
- Gosto disso. – Me beijou. – Mas as minhas estão mais perto. – Se esticou abrindo a gaveta e tirando alguns pacotes. – Porém caso essas acabem é bom saber que temos outras reservas.
- Está maluco se acha que seremos capazes de usar todos esses pacotes.
- Não duvide da intensidade do meu desejo. – Ok, devo temer ou me animar?
Ele abriu o primeiro pacote, cobriu seu membro duro pulsante e vigoroso, então me penetrou.
- Ah meu Deus...
- Sim. Tão bom...
Levamos um tempo para acostumar-nos com as sensações e começar o ato em si, mas ao fazê-lo, atingimos praticamente o paraíso...
A partir disso não sei bem o que aconteceu...
A entrega poderosa.
O enlace alucinante.
Os corpos suados e desejosos.
Nossos ofegos e gemidos misturados.
Os beijos trocados.
As posições.
O sentimento crescendo dentro do peito...
Nunca antes foi assim e imagino que só entre nós dessa forma será.
Mas quando quase ao amanhecer deixamos nossos corpos cansados descansarem um pouco, deitados frente a frente, usamos nossas últimas forças em pequenas frases.
- Sempre serei grato à vovó por inúmeros motivos, mas agora acima de todos sempre a agradecerei por tê-la trazido a nossas vidas...
- Nossa gratidão a Gwen será realmente imensurável.
- Quem sabe no futuro batizemos nossa primeira filha em homenagem a ela. – O olhei pensando ter ouvido errado. – Mas não se preocupe, são questões futuras. Agora só quero ficar com você e pensar em não deixá-la sair nunca mais daqui.
- Tudo bem, por enquanto esse parece um bom plano. – Trocamos um beijo e deitamos próximos a expectativa de ser embalados pelo sono...
E mesmo achando Edward meio louco por pensar em algo tão longínquo, dormi com um sorriso no rosto por imaginar um futuro feliz e completo ao seu lado...
.
Três Anos Depois...
- Orgulhosa? – Gwen perguntou ao meu lado.
- Muito. É literalmente um sonho que virou realidade.
- Sei que é.
Esses anos foram cheio de surpresas, muitas boas, porém outras passaram longe disso...
Para começar fomos pegos de surpresa por uma doença epidêmica no início do ano de 2020, que tinha como principais afetados os idosos, o que ocasionou em noites de choro a fio com medo do que o dia seguinte poderia trazer, mas foi com satisfação que respiramos aliviados quando tudo terminou, mas ainda sim tivemos que tirar forças de algo inexplicável para seguir em frente após o acontecido.
Quando o mundo se normalizou e pude enfim concluir minha graduação consegui colocar em prática minha ideia de abrir um lugar especial para idosos. Não só um lar de apoio, não só uma clinica médica, não só um espaço de lazer e recreação, mas a junção de tudo isso e mais.
Claro que contei com variados apoios durante a trajetória. A começar dos meus pais, da Gwen, de vários investidores, mas, sobretudo e sempre, contei com o apoio de Edward.
Estamos juntos desde o dia do nosso primeiro encontro no seu apartamento, que levou pouco mais de alguns meses para tornar-se nosso. Assim como ele me apoiou também o fiz nas questões com seus pais, de início não foi algo fácil, eles tiveram vários embates, até ambos entenderem que mais do que profissionais e empresários incríveis, tinham que ser também filho, nora, pais e pessoas melhores.
O acontecido de 2020 acabou sendo um agente catalizador em meio a tudo, agradecidos por Gwen ter ficado bem, demonstraram uma melhora significativa na relação não só com ela, mas com Edward também.
Inspirados por uma enxurrada de sentimentos Gwen e Blake se casaram no início de 2021 em uma cerimônia pequena e simples, mas cheia de amor. Os filhos, genros e noras, assim como os netos, tornaram-se pessoas próximas a nós, verdadeiros membros da família.
E hoje estão todos aqui para prestigiar a abertura do primeiro, de vários que ainda serão inaugurados pelo país, Centros S&C Para A Melhor Idade.
- Quando você vai parar de enrolar meu neto? – Fui tirada dos pensamentos pela pergunta da Gwen.
- Perdão?
- Você ouviu bem mocinha. Quando você e meu neto vão casar e me dar bisnetos? Apesar de todas as maravilhas que proporcionará aqui e mesmo sabendo que ainda terei muitos anos pela frente, já quero logo começar a aproveitar meus bisnetos, está na hora.
- Gwen!
- Não, não. Você não sabe como é bom estar casada com o homem amado.
- Gwen, Edward e eu vivemos juntos quase que desde o começo do namoro. Eu sei como é acordar e adormecer ao seu lado.
- Isso é realmente muito bom. Mas ser casado é diferente. Acredite em mim.
- Imagino que seja Gwen. Mas somos novos ainda e estivemos envolvidos em tantas coisas nos últimos anos. Talvez agora com a inauguração do Centro possamos pensar nisso. E não pense que de forma alguma sou contra a união matrimonial, no dia que Edward pedir direi sim em todas as línguas que conheço. Mas simplesmente ainda não aconteceu o momento.
- Pois bem. Esperarei mais um pouco, mas só um pouco.
- Você continua impossível vovó. – Sorriu ao ouvir meu tratamento.
Com os anos passei a chamá-la assim. Às vezes a trato pelo primeiro nome quando agimos mais como amigas do que outra coisa. Em outros momentos a forma carinhosa e familiar domina nossas conversas.
Mesmo com o passar dos anos nossa relação não mudou, apenas ficou mais próxima e forte com o passar do tempo e como Edward e eu prometemos, sempre seremos gratos a Gwen por ter de certo modo nos unido.
- Blake está me chamando, conversamos mais depois. – Comentou e assenti.
Quando ela saiu, rapidamente Edward assumiu o lugar ao meu lado, me brindando com um selinho e depois um beijo na testa.
- Vovó estava sendo fofa ou irritante?
- Um pouco dos dois.
- Como sempre. – Sorri. – Pronta para começar uma nova etapa em nossas vidas?
- Você estará ao meu lado?
- Sempre.
- Então estou mais do que preparada. – Trocamos um beijo mais profundo, porém ainda casto por conta do lugar. – Eu te amo.
- Assim como eu amo você.
Não tive ideia do significado das palavras de Edward na hora, mas na mesma noite nossas vidas mudaram completamente.
Foi à noite que Edward me pediu em casamento...
A noite que com a consumação do nosso amor geramos nossa primeira filha, a pequena Gwen, conforme Edward prometeu um dia...
E nos anos posteriores entendemos mais do que com a mente, mas, sobretudo com o coração, o real significado de pertencimento...
N/A: Se você chegou até aqui, primeiramente quero lhe dar os parabéns e dizer muito obrigada. Realmente amei muito essa história, desde o dia que tive a ideia do plot sorria animada em perspectiva de escrevê-la e acho que por isso ela acabou se estendendo tanto, porque tinha muito a contar sobre esses personagens que já estão no meu coração.
E o que acharam de tudo? Gostaram de Beward e suas relações? E estão querendo uma vovó tão animada e espirituosa quanto a Gwen? A amizade entre a Bella e ela é simplesmente tudo pra mim. E ver mulheres de gerações tão diferentes encontrando-se e vivendo sua vida ao máximo foi algo ótimo de trabalhar. E o Edward, um verdadeiro garotinho da vovó, mas só com as características boas haha.
Vocês pegaram a dica nos nomes da Gwen e Blake? Porque sim, meus personagens foram inspirados nos cantores reais que também são um casal, não pude perder a oportunidade de homenageá-los. E acredito que ficou claro, mas não me importo em falar, a narrativa se passa no ano de 2019, conforme a Bella citou, em 2020 aconteceu o que estamos vivendo agora, no entanto, esperando que tudo fique bem logo, o futuro mostrou-se generoso com nossos personagens.
Mas agora quero saber a opinião de vocês. Se chegaram até aqui, deixem um comentário, por favor. Depois dessa maratona de leitura não tenho dúvida que tenham muitas impressões a passar, sendo assim quero saber tudo. E quero fazer um agradecimento especial a minha amiga Carol, que me ajudou no processo de postar aqui no FF, já que foi a minha primeira vez, sério mulher, sem sua ajuda, essa postagem nunca teria saído...
Não deixem de ler as outras Ones do desafio acessando os links. Sigam-me no twitter: (arroba)KaahNannda. Até a próxima.
~Kiss K Nanda.
