Avisos: Shinya Hiragi é um personagem pertencente ao anime Seraph of the End. A sua personalidade ou os seus feitos no anime não estão a ser contabilizados nesta história, mas o seu fisico (para mim) que faz lembrar Draco Malfoy é o foco.


0. Prólogo

Assim que conseguiu infiltrar-se entre as estruturas da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, e de caminho, o Quartel-General dos bruxos, ele soube que não tinha mais como abandonar o plano uma vez que um exército inteiro de demónios estava camuflado entre os arbustos e as árvores no campo fora dos portões gigantes de Hogwarts, contando ansiosamente os segundos para invadir a escola e tomar aquele território como seu.

Durante anos, demónios haviam sido discriminados no estreito de uma rua, postos à margem da sociedade como seres sanguinários, indignos da vida que possuiam. E apesar de serem a raça em maioria, as suas técnicas de guerra assemelhavam-se à dos trouxas, em aversão aos bruxos, que eram criaturas puramente mágicas. Eles achavam-se tão bons por carregarem uma varinha, quando se esqueciam que aquele era o único instrumento que lhes garantia o poder absoluto e uma vez que lhes fosse retirada, eram totalmente inúteis e facilmente derrotáveis.

Mas eles não pareciam muito cientes do facto. Ele tinha de tirar o chápeu a Draco Malfoy, o Comandante dos bruxos, por ter alimentado cordeiros com a promessa de oferecer-lhes um abismo de poder ilimitado que eles nunca seriam capazes de alcançar em troca de se mobilizarem para um campo de batalha sob planos suicidas.

E com aquilo que considerava mera sorte, todos os Comandantes anteriores a Malfoy haviam-no derrotado e deixado-o à beira do desespero, quando tudo o que ele desejava era um mero estatuto no Mundo Mágico para finalmente calar a boca a todos os bruxos que cuspiam no chão cada vez que ele passava. A guerra entre as duas raças havia durado séculos, e demorou três séculos para entender que a chave para o sucesso era... traição.

Após voltar a encaixar a estátua da Gruhilda no lugar, ele consultou o relógio de ponteiros no seu pulso para confirmar que tinha precisamente quatro minutos para sair de Hogwarts antes que fosse descoberto a vaguear os corredores do território inimigo por Severus Snape, o braço-direito de Malfoy, que fazia a ronda todas as noites precisamente às onze horas.

A figura encapuzada escondia-se nas sombras à medida que avançava pelo corredor largo, seus passos leves e cuidadosos eram imperceptíveis mesmo com suas botas militares, enquanto seus olhos verdes ocultos pelo capuz percorriam atentos cada canto, cada esquina da escola.

Sorriu vitorioso assim que viu a escadaria que o levaria até ao primeiro andar, porém quando pisou o primeiro degrau subitamente as escadas começaram-se a mover, encaminhando-o para a outra ponta do corredor do terceiro andar. Velho imbecil. Foi o seu primeiro pensamento. O segundo foi que ele não tinha tempo a perder. Num movimento subtil, a figura, cuja a fisionomia era oculta pela longa capa preta, equilibrou-se com os pés no corrimão da escadaria que se estava movendo e deslizou elegantemente adiante, sempre mantendo o equilíbrio até dar um pulo no final do corrimão, onde aterrou impecavelmente no piso de pedra do primeiro andar, como esperado do Lider dos Demónios.

Ele voltou a consultar o relógio em seu pulso onde os ponteiros mostravam que lhe restava somente vinte segundos. Apressou ainda mais os seus passos até que finalmente, com a sua força estrondosa e surreal abriu as grandes portas de Hogwarts com as próprias mãos, dando boas vindas à ruina do trono de Draco Malfoy.

— Em cima da hora. — Provocou Sirius olhando para o próprio relógio de pulso, com um sorriso triunfante e o outro revirou os olhos, o ego levemente elevado.

— Entre logo antes que o Professor-malvado o pegue.

— Pff. — Bufou divertido, enrolando uma mecha do cabelo ondulado preto no dedo como uma criança engênua. — Acho que posso dar conta dele.

— Quer tirar a limpo as suas dúvidas, Black? — Num relance, os dois demónios viraram a cabeça na direção da voz profunda que de tão grave provocou um calafrio ao ser ecoada pelo corredor amplo e vazio. Não havia um pingo de empatia na pose do bruxo, que lhes apontava firmemente a varinha e estava na cara que não os deixaria escapar ilesos.

Sirius poderia ser considerado o mais excêntrico e insano dos demónios, e ainda assim era o seu braço-direito, por mais diferentes que fossem. Estava sempre com um sorriso estampado no rosto, bem humorado, para ele uma batalha eram o seu entretenimento, o seu inimigo um brinquedo e o território em questão o seu parque de diversão. Era extremamente imprudente e era um mistério como Sirius ainda não tinha virado cinzas diante de tantas atitudes incoerentes. Mesmo que demónios fossem imortais, cujo os anos não os afetavam, nem as doenças bruxas nem trouxas, não era dificil matá-los. Afinal, um Avadra Kedrava mataria qualquer um.

— Snivellus! — Festejou contente, abrindo os braços como se esperasse receber um abraço caloroso de Snape. Deu um passo na direção do bruxo, que arqueou a ponta do lábio em glória como se a emoção não conseguisse penetrar a sua pele.

Alarte Ascendere!

Antes que o feitiço atingisse Sirius, ele puxou o padrinho para si pelo colarinho da capa preta.

— Você enlouqueceu? — Repreendeu baixinho, mas a voz soou extremamente fria. — Quer deitar o plano a baixo?

— Autch. — Queixou-se tristemente Sirius, massajando a nuca com uma careta de descontentamento quando esta bateu nos portões de madeira quando o afilhado o puxou para trás. — Só queria despedir-me antes de o matar.

— Acredite que aquele feitiço iria doer mais. — Murmurou o outro demónio desinteressado. Ele consultou o relógio de pulso. — Por esta hora Malfoy já deu conta que os demónios invadiram Hogwarts e eu tenho de achá-lo antes dos outros. — Deu uma última olhada em Snape no fundo do corredor a avançar a passos cautelosos, a varinha erguida. — Cubra-me.

Sirius esfregou as mãos e avançou para a frente em passos vagarosos, com um ar mais brincalhão que o costume e era aquela atitude imprudente no demónio, de encontrar prazer nos pequenos detalhes que deixariam qualquer um de pernas bambas, que o tornavam tão temivel e imprevisivel.

Logo atrás de Sirius, a figura encapuzada avançou também alguns passos, a longa capa esvoaçou atraindo a atenção de Snape para o areio de couro com duas armas de cada lado, quando o vulto avançou mais um passo o luar através da janela iluminou parte do rosto do demónio. Os olhos de Snape esbugalharam-se quando se cruzaram com o olhar maniaco de Harry Potter, que lhe respondeu com um breve sorriso fechado.

Cruciatus! — Berrou Snape que rezou ansiosamente que o feitiço atingisse o lider dos demónios antes que ele fosse encobrido denovo pelas sombras, mas Snape tinha-se esquecido de um detalhe fundamental... Black, o cachorrinho de Potter, que se tinha colocado entre eles dois como uma muralha, e com um punhal de ferro refletiu o feitiço contra Snape, assim o bruxo só teve tempo de se atirar para o lado oposto aquele a que o feitiço tinha sido lançado.

— Fico triste que não queira brincar comigo. — Disse numa falsa melancolia, Black. Avançando alguns passos na direção de Snape. — Harry nem é tão divertido assim.

— Ainda quer brincar, Black? — Provocou aquele que Sirius e Snape reconheceram como a voz de Remus Lupin. — Immobulus! — Remus gritou, apontando a sua varinha para as costas largas do demónio e somente Snape que estava virado de caras para Sirius, viu um sorriso matreiro surgir em seu rosto. Num movimento agil, Sirius desviou-se na direção do estreito do corredor fazendo o feitiço quase atingir um Snape caido se este não se defendesse num reflexo rápido:

Proteggo! — Conjurou Snape rapidamente num gesto simples. — Lupin, vá avisar Dumbledore! Potter está em Hogwarts.

Lupin virou costas, ele sabia que precisava correr porque Dumbledore era o Lider dos Bruxos, mas parou ao ouvir as palavras de Black.

— Ainda agora chegou e já quer ir embora? — Disse Sirius num tom brincalhão. — Tantas promessas que brincaria comigo e agora descarta-me como um brinquedo velho?

— Velho? E quantos anos você tem? — Provocou Lupin de costas, a varinha em mãos, pronto para a qualquer momento se virar e atingir Black.

— Cinco séculos. — Com um sorriso convencido, ele desencostou-se da parede de pedra, e sem tempo para Lupin processar, Sirius, a longa distância, num lance certeiro mandou a navalha contra a ante perna de Lupin, impedindo-o de avançar. Lupin perdeu resistência e caiu de joelhos no chão, o músculo da perna preso.

Pelo canto do olho, ele viu Snape mover os lábios e num reflexo rápido tirou a espada demoníaca da armadura e apontou-a contra a garganta do bruxo, a um mero centímetro de a perfurar.

— Se tiver algo a dizer diga, mas pode ter a certeza que será a última coisa que dirá. — Assegurou-lhe com um sorriso fechado e dissimulado.

Os membros principais do Conselho dos Demónios, os demónios mais capacitados, os únicos que sob a chefia de Harry Potter poderiam ser os Comandantes em missões, ou seja, os únicos que Harry confiava a mobilização de uma boa parte do seu exército para terreno, eram facilmente indentificavéis porque havia algo em comum entre eles: Todos os Comandantes carregavam uma espada no lado esquerdo do cinto, protegida por uma armadura. E era aquela exclusiva arma poderosa que permitia aos demónios matar os bruxos, enquanto que os restantes demónios apenas tinham o privilégio de causar estragos, como cortar uma perna, perfurar o pulmão para deixa-los com problemas respiratórios o resto da vida...

Havia rumores entre os bruxos de que essas espadas estavam possuidas por um espírito demoniaco que tentava a todo o custo alimentar-se da sede de vingança e de ódio dos seus progenitores dando aos mesmos mais poder quando eles o desejavam. A contradição, que deixava a história mais assustadora, era que o espírito demoníaco só entregava um pouco de poder em troca de puder consumir um pouco da alma do demónio que possuia a espada. E se essa situação se repetisse inúmeras vezes, o espírito demoníaco poderia chegar a controlar a mente do progenitor.

Seus olhos verdes analisaram sob o capuz os corredores da escola em ruinas onde havia maioritariamente bruxos estendidos no chão, todos eles banhados em poças de sangue, ainda assim, uma dúzia eram demónios que encontravam-se limpos graças à maldição imperdoável que não deixava rasto. Na sua direção viu um bruxo que parecia tão covarde a correr enquanto olhava para trás a certificar-se que não o seguiam que nem se apercebeu que estava a um ponto de chocar contra si.

O bruxo analisou-o de baixo para cima.

— Buu! — Harry provocou e o outro deu um berro estridente com medo.

Repentinamente, uma cena entre dois inimigos poderia ser vista. O demónio tinha o braço estendido assegurando-se de uma distância razoável entre ambos, sua mão de dedos grossos cercava o pescoço do bruxo enquanto apertava-o a ponto de o asfixiar. Por breves momentos um sorriso afetado surgiu no seu rosto ao ver, sob o ombro do bruxo, um rapaz alto mas não mais que ele próprio, que supreendia com a sua aparente fisionomia delicada ao derrubar à pancada dois demónios, era reconhecivel tal habilidade, além de reconhecer o rapaz em si.

Ele deu uma última olhada no bruxo que tentava a todo o custo soltar-se do seu aperto, mas quando o bruxo cravou as unhas nos pulsos de Harry o demónio rosnou, o seu rosto disfigurado em desagrado, e acabou jogando-o brutamente contra a parede de pedra do corredor.

Em passos lentos, ignorando tudo á sua volta, aproximou-se do Comandante dos bruxos, que subitamente suspirou assim que sentiu a presença pesada do demónio no campo de batalha, e virou-se para encará-lo com a varinha erguida.

— Potter. — A voz sibilou cansada, segurando com mais veemência a varinha.

— E que tal? Gostou da surpresa, Malfoy? — Perguntou retórico e venenoso. Malfoy estreitou os olhos na sua direção e Harry pode sentir a fraqueza do loiro, ver o ferimento à distância e entorpecer-se no cheiro a sangue.

— Como você entrou? — Exigiu impaciente e Harry não pode mentir que ouvir o tom de desespero vindo do outro Comandante, que sabia que a sua armada de bruxos estava sendo lentamente dizimada a cada segundo da sua vida que Harry desperdiçava com conversa fiada, era uma vitória maior do que conquistar Hogwarts.

— Oh, você ainda não sabe? — Pausou em forma de suspanse e ergueu o canto do lábio. Não era simpático e tão pouco um sorriso. Num gesto agil, ele tirou o capuz, revelando lindos cabelos pretos que estavam presos num carrapito frouxo. — O velho lunático deu uma pequena ajuda. — Malfoy parecia um pouco atordoado. — Dumbledore, digo. — Piscou-lhe o olho, mas algo na postura de Malfoy dava a querer a Harry que o bruxo não acreditava nas suas palavras.

— Eu exijo que você e o seu bando se retirem do meu território. — Ele disse com voz autoritária, a varinha dava-lhe um toque ameaçador e Harry permitiu-se rir para depois sustentar uma expressão séria e fria, tipica dele como se as ameaças não o abalassem.

— Quem é você para fazer exigências? — Perguntou com uma expressão perigosa, cruzando os braços sobre o peito. — Veja como fala a não ser que queira acabar como o seu amigo.

Harry, com um mero gesto de cabeça, fez menção para o bruxo atrás dele que tinha asfixiado há poucos minutos, agora com dificuldades em respirar.

— Você orgulha-se dessa demonstração patética de poder, Potter? — Bufou Malfoy. — É assim tão covarde para desafiar adversários mais fracos que você?

— Se esse fosse o caso eu não o teria desafiado, Malfoy. — Concluiu ameaçando tirar a espada da armadura sob o olhar atento do bruxo, e por breves segundos ficou com pena de ser necessário fazer aquele rosto, que ele tinha de confessar que era bonito, se contorcer em dor.

Sem pensar duas vezes, após a ameaça, Malfoy murmurou um feitiço e Harry só teve tempo para se baixar a tempo do feitiço passar a rasos centímetros acima da sua cabeça, ele retorcou fazendo pontaria, com uma navalha que estava escondida no seu tornozelo, para a barriga de Malfoy quando se levantou destemido, porém o bruxo defendeu-se num mero gesto de varinha.

— Você já não tem idade para estas coisas. — O riso histérico ouviu-se por toda a Hogwarts o que fez Harry lançar outra navalha inesperada quase na direção da sua cabeça, Malfoy parou de rir e apenas se defendeu sem retorquir com outro feitiço, limitando-se a fazer uma carranca.

As coisas estavam a ficar verdadeiramente sérias, e Harry meio que não queria levar as coisas para esse lado, mas eram ordens e ele tinha de respeitar e obdecer. Velozmente, digno de um demónio, Harry tirou a espada da armadura e tentou cortar a mão com que Malfoy segurava a varinha, ato a qual Malfoy reivindicou chutando insensivel o seu ante braço fazendo com que a espada escorregasse da sua mão e em vantagem, Malfoy, conjurou um feitiço que lançou o corpo do demónio brutamente contra a parede de pedra.

Malfoy chutou a espada para o lado oposto aquele a que Harry estava caido.

— Se você continuar desta forma vou ter de o descartar. — Brincou, puxando o queixo de Harry assim que agachou-se perante ele, com o polegar limpando a linha de sangue que escorria da boca do demónio. — Sou demasiado bom para si.

A cabeça de Harry gritava poder. Era como um vicio e Harry estava adicto à sensação de grandeza e excelência que o poder demoníaco lhe proporcionava, era como renascer das cinzas e não havia nada mais prazeroso que derrotar os inimigos quando estes já estavam tão convencidos da sua vitória.

Você quer poder, Harry?

Oh aquela voz. A voz suave e terna como uma música de embalar que remetia Harry para o seu passado, onde ele a imaginava nos seus sonhos mais bonitos e eróticos, ao invés de a associar a um espírito maligno que o queria devorar vivo. A visão de Harry começou a ficar entorpecida quando o dono da voz ameaçava fugir. Harry queria... puxá-lo e abraça-lo.

Só depois de me suplicar por poder, Harry.

Ele não queria trocar Shinya por um Malfoy que ficava embaciando a sua visão. Harry queria beijar Shinya, mas ele não conseguia alcança-lo porque Malfoy estava à sua frente. Ele queria segurar Shinya em suas mãos assim que ele ocupasse o lugar de Malfoy, mas Malfoy não tinha intenções de ir embora e deixá-lo a sós com a pessoa que Harry mais prezou na sua vida inteira e interna.

Aquilo estava deixando a mente de Harry confusa.

Numa hora via o arrogante e mimado Draco Malfoy, que atiçava a sua raiva com tanta facilidade como se incendeia uma floresta, e noutra hora via o agradável e gentil Shinya Hiragi, que fez e continuava a fazer o coração de Harry crepitar durante um século e meio.

Era certo que havia certas semelhanças entre os dois. Ambos eram altos mas nenhum deles teve o privilégio de atingir a altura de Harry, tinham um corpo esguio que não explicavam os suspiros das raparigas quando eles passavam, mas era aquela delicadeza nos gestos e a fragilidade nos ossos que os tornava tão belos. A postura correta tornava-os um simbolo de elegância e admiração já para não falar dos cabelos cinza como a prata que caiam sobre o rosto de ambos, o corte de cabelo quase o mesmo, e nem o detalhe da franja que tapava um dos olhos passava despercebido a Harry, mas era algo que ele achava tentador.

Fazia Harry querer erguer a mão e desviar a franja que cobria uma das iris cinza-azuladas como a tempestade no céu, simplesmente para as admirar.

Shinya apareceu no seu campo de visão, embaciando a realidade e envolvendo Harry no conforto de falsa esperança. Era aquela submissão ao espírito demoníaco que tornava Harry tão deteriorado por dentro, mas tão forte por fora.

Ele não conseguia evitar os seus impulsos e lutar contra o desejo ardente de possuir o amor de alguém que o vento já tinha levado. Estava cego, mas ele ainda via Shinya à sua frente, o mesmo brilho no olhar de há quase dois séculos quando o conheceu.

Ele puxou o rosto do outro contra o seu e beijou-o.

O beijo não tinha nada de carinhoso, era descuidado e doloroso, mas ardente, isso foi o suficiente para o outro não se afastar. Ele conseguia saborear o sangue na sua lingua que dançava na boca do outro, como se ambos tivessem cobiçado aquela sensação por anos.

Harry revelou lindas iris verdes, que não se lembrava de ter fechado, os dois ainda intimamente ligados, e chocaram-se com o olhar apático e vago de Malfoy, que apesar de o olhar desnorteado não parava de retribuir o beijo na mesma intensidade desesperada.

Você não o quer morto, Harry, pois não?

Mas ele ainda tinha uma ordem a cumprir.

Por que?

Ele tinha de matar Malfoy.

É porque somos idênticos, Harry?

O demónio fechou os olhos novamente e aprofundou o beijo desajeitado, como se ele quisesse comê-lo vivo, mas não o quisesse admirar. Harry não queria matá-lo, ele queria guardá-lo para si. E de repente, havia não só sangue de Harry como ele também podia saborear a fraqueza no beijo de Malfoy.

Harry fez uma carícia no rosto ossudo e retirou o punhal que cravou sem piedade no peito de Malfoy, fazendo inevitavelmente o bruxo tombar contra o seu corpo, inconsciente.

O Mundo Mágico tinha-se rendido aos demónios. O coração de Malfoy a Harry. E Harry à loucura.


Continua...