Disclaimer:

Eu não possuo Overlord.


A Árvore está morta

Prólogo


Dive Massively Multiplayer Online Role Playing Game, ou simplesmente, DMMO-RPG, era o tipo de jogo mais popular naquele ano de 2138.

Esses jogos conectavam nanointerfaces neurais de uso diário dos cidadãos a consoles recreativos dedicados. Isso permitia que, dentro dos limites sensoriais regulados, os jogadores entrassem em uma realidade virtual simulada onde poderiam se aliviar da dureza do mundo real daquela era.

No Japão, entre os inúmeros DMMO-RPGs existentes um deles esteve no topo por muitos anos.

Yggdrasil.

Yggdrasil foi lançado 12 anos atrás e oferecia uma liberdade de jogo inédita até então. As possibilidades de personalização de avatares eram absurdas: mais de 2.000 classes de trabalho e 700 classes raciais, cada uma com suas próprias habilidades e características.

Como o nível máximo por classe era 15 e o Level Cap do jogo era 100, um personagem que atingisse o Level Cap teria no mínimo 7 classes. Um jogador poderia até mesmo escolher ser ineficiente e ter nível 1 em cem classes. Tal variedade e abundância de opções tornava muito difícil que se criasse dois personagens iguais se essa não fosse a intenção inicial.

O jogo oferecia nove grandes mundos para explorar: Niflheim, Muspelheim, Asgard, Midgard, Jotunheim, Vanaheim, Alfheim, Svartalfheim e Helheim.

Eles eram baseados nos nove mundos da mitologia nórdica. Cada mundo tinha características próprias e um tamanho que variava d vezes o tamanho da Grande Tóquio daqueles dias.

Para incentivar a aventura e a exploração os desenvolvedores deixaram para os jogadores a tarefa de descobrir e desbloquear cada elemento do jogo, sendo raras as vezes que funcionalidades eram detalhados de antemão. Isso gerava uma corrida por informações e um comércio paralelo por conhecimento.

Havia também um sistema de guildas. Uma guilda podia ser fundadas por um clã, ou party, ao conquistar uma masmorra e portanto preencher o requisito de ter uma base de guilda. Em seu auge houve cerca de 800 guildas no jogo que competiam em um ranking público. Incontáveis guerras e insuperáveis rivalidades eclodiram entre estas guildas.

Yggdrasil foi de fato um jogo virtual marcante naquele mundo real arruinado.

Mas hoje, após 12 anos de atividade, Yggdrasil encerraria suas atividades.


Havia uma enorme mesa de obsidiana em uma sala muito elegante. Era uma mesa tão grande que permitia que 41 cadeiras luxuosas fossem dispostas a sua volta em intervalos regulares.

No passado cada uma destas cadeiras foi ocupada, mas hoje apenas três vultos se sentavam àquela mesa. Todos os três eram figuras apavorantes que pareciam seres vindos de um pesadelo doentio.

O primeiro vestia uma túnica acadêmica escura que era tão magnífica quanto sinistra. Seu corpo completamente despido de carne se parecia com um esqueleto humano. Dentro de suas órbitas oculares vazias havia duas luzes vermelhas macabras que lhe serviam de olhos e cada um de seus dedos esqueléticos tinha anéis de aparência cara.

Este esqueleto sinistro era um Overlord, um Soberano da Morte, que se chamava Momonga.

O segundo ser não lembrava um humano e sim uma coisa. Sua forma era um grande amontoado amorfo de uma substância negra pegajosa cuja superfície parecida com piche se agitava constantemente, nunca ficando em uma forma por mais de um segundo.

Esta aberração gosmenta era um Elder Black Ooze, um Lodo Negro Ancião, que se chamava Herohero.

O terceiro se parecia vagamente com um homem velho e curvado. Ele estava coberto por uma capa preta e vermelha sobre uma túnica cinza escura, mas seu torso que lembrava uma pessoa faminta estava exposto, com todas as costelas visíveis sob a pele pálida. Tinha uma boca inumana, grande e circular com centenas de dentes caninos como a boca de uma lampreia.

Este monstruosidade era o Greater One, um Vampiro Primordial, que se chamava Famicom.

Estes três monstros com fisionomias tão aterrorizantes estavam reunidos naquela sala conversando fervorosamente. Vê-los conversar tão intensamente faria qualquer um pensar que era um encontro de senhores malignos que tramavam malfeitos ou ações perversas, como a morte de um homem, a extinção de uma linhagem, a ruína de um reino ou o genocídio de uma raça.

Mas o assunto que discutiam era outro bem diferente.

O que os três monstros discutiam era a situação atual do trabalho como programador de software de um deles.

"Herohero-san… você está sendo vítima desse gerente de projetos!"

"Concordo com Momonga-san! Esse gordo escroto está claramente te explorando!"

"Obviamente sei disso. Mas eu… eu não consigo fechar no azul no final do mês sem exceder o limite de horas extras..."

Estes três não eram senhores malignos de verdade e nem mesmo a sala em que estavam reunidos era verdadeira. O encontro deles estava acontecendo dentro do ambiente virtual de um jogo de DMMORPG chamado Yggdrasil.

As real natureza de Momonga, Herohero e Famicom era a de trabalhadores japoneses modernos sendo aquelas três figuras aterradoras apenas seus avatares no jogo.

Hoje era o dia final de funcionamento do jogo Yggdrasil. A partir de amanhã tanto a sala onde estavam quanto seus personagens deixariam de existir, portanto este seria o último encontro deles aqui.

Estes três jogadores foram tudo que restou da Ainz Ooal Gown, uma das mais infames e icônicas guildas de jogadores em Yggdrasil. No seu auge a Ainz Ooal Gown foi a maior guilda do mundo de Helheim e a nona maior de todos os nove mundos jogáveis.

Na era dourada da Ainz Ooal Gown todos os 41 membros eram ativos no jogo e dedicados ao crescimento da guilda, mas cerca de seis anos atrás eles começaram a abandonar o jogo um a um. Hoje, no último dia de Yggdrasil, apenas três deles deram as caras na base da guilda, a masmorra conhecida como Grande Tumba de Nazarick.

Herohero que já não logava no jogo a dois anos.

Famicom que não logava a seis meses.

Momonga que nunca deixou de logar diariamente.

"Hajime! Você trabalha demais e ainda é mal remunerado. Em alguns meses vai haver contratações na corporação que trabalho… vou tentar fazer algo para você naquele momento. Mas não é nada certo..."

O Greater One Famicom disse isso preocupado com o Elder Black Ooze Herohero. Na vida real Herohero se chamava Miura Hajime e ele foi colega de Famicom no colegial. Foi Herohero quem trouxe Famicom para a guilda Ainz Ooal Gown.

"Ah Famicom-san, isso seria bom. Honestamente, se eu tivesse outro lugar onde trabalhar sairia imediatamente do meu trabalho atual. Você sabe… meu chefe não é uma pessoa razoável..."

Ao ouvir a sugestão de Famicom, Herohero usou um emojin de alívio que passou a flutuar na sua cabeça. Como não havia alteração faciais implantadas em Yggdrasil, emojins eram usados amplamente pelos jogadores para expressar emoções.

Herohero então se queixou do seu chefe e carrasco laboral por vários minutos. Momonga aproveitou a oportunidade e se queixou do dele também. Famicom por sua vez reclamou de alguns dos colegas de trabalho que faziam corpo mole.

Os três reclamaram da vida real sem impedimentos. Este tipo de conversa sempre foi uma característica agradável da guilda e ajudava a aliviar o estresse da vida real.

Momonga era quem mais sentia falta dessas conversas queixosas com seus amigos. Nos últimos seis meses Momonga foi o único membro ativo e esteve vagando sozinho pelos ambientes de jogo. Por estar sempre sozinho ele jogava em silêncio a maior parte do tempo.

"Uwaa… Eu realmente queria ficar até o último momento mas eu estou tão cansado..."

Herohero disse após um bocejo com uma voz exausta.

"Você realmente parece cansado, Herohero-san. Tente ter um bom descanso."

Momonga disse isso de forma compreensiva. Mas em sua mente ele gostaria que seu colega permanece com ele até o fim. Afinal isto era praticamente uma despedida permanente da guilda que construíram juntos.

"Pro diabo com isso Hajime, você fica até o final conosco! Em nome dos velhos tempos! A questão é o que nós três vamos fazer nestas horas finais aqui?"

"Ah bem… já que insiste farei o possível para me manter acordado..."

Famicom intimou seu amigo Herohero a continuar online e o último acabou aceitando um pouco relutante.

"Talvez devêssemos assistir os fogos de artifício de encerramento?"

"Por que não vemos as empregadas?"

"Que tal atacarmos algum desafeto uma última vez?"

Os três então passaram a discutir suas últimas ações antes do encerramento do jogo e não muito tempo depois eles decidiram o que fazer.

Como sair da base da guilda não era recomendado, já que algum outro membro poderia chegar nestas três horas finais, optaram por fazer um tour pelos dez andares da sua base, a Grande Tumba de Nazarick.

Eles usaram um item que se chamava Ring of Ainz Ooal Gown, necessário para teletransporte dentro da base, e foram até o Mausoléu na superfície da Grande Tumba de Nazarick.

A Grande Tumba de Nazarick foi conquistada por eles muito tempo atrás. Nazarick era uma dungeon do tipo tumba subterrânea com originalmente seis andares que foram ampliados pela guilda. Agora no último dia do jogo Nazarick tinha dez vastos andares.

A tumba também era uma das bases de guilda mais famosas. Conhecida por resistir a maior invasão já feita na história do jogo, quando uma aliança de oito guildas juntou 1.500 jogadores e NPCs mercenários apenas para que no final todos morressem sem nem mesmo passarem do oitavo andar da base.

Uma vez que se teleportaram para superfície os três jogadores remanescentes da Ainz Ooal Gown atravessaram o Mausoléu e desceram a tumba.

Eles planejavam percorrer do 1° ao 10°. Fariam o que nenhum invasor jamais conseguiu indo do Mausoléu a Sala do Trono.

Enquanto caminhavam por mais de duas horas eles se lembravam de momentos marcantes da guilda e do jogo. Fazer isso foi algo muito agradável para todos, principalmente para Momonga que todo este tempo nunca deixou de viver Yggdrasil.

Para os outro dois o passeio foi muito nostálgico.

Quando chegaram no destino final, a Sala do Trono, o relógio no console pessoal de cada um deles marcava 23:32.

O jogo seria encerrado à meia-noite.

Os três jogadores cruzaram as imensas portas duplas da sala do trono com trinta figuras os seguindo, estas figuras se moviam de forma pré-programada e mecânica.

Eram trinta dos muitos NPCs personalizados da guilda, e atualmente obedeciam o comando "Siga-me".

NPCs personalizados eram as criações pessoais de uma guilda. Uma guilda podia decidir desde os níveis de classe e itens, até as configurações e aparência de cada um deles.

Foi sugestão de Herohero que coletassem alguns NPCs importantes com os quais cruzavam durante o passeio.

Todos estes NPCs eram criações de seus amigos e também parte importante de Nazarick. Eles decidiram levá-los até o trono como representações simbólicas de seus criadores. Infelizmente nem todos estariam representados já que em sua caminhada não visitaram todos os caminhos da tumba.

A grande comitiva cruzou regiamente a Sala do Trono, que era o ponto final da masmorra.

Esta sala talvez fosse também a mais esteticamente elaborada de toda Nazarick e foi planejada para ser o lugar onde os membros da guilda se reuniriam para enfrentar um invasor que superasse todas as defesas da tumba.

É claro que nenhuma invasão chegou tão longe.

Momonga liderou a comitiva até o fim da Sala do Trono. Lá estava uma escadaria e no topo dela havia um colossal trono negro, o Throne of Kings. Este era um item mundial, o mais alto grau de item dentro do jogo. O trono conferia a tumba proteções variadas e podia protegê-la até de outros itens mundiais.

Ao lado do Throne of Kings um NPC feminino estava parado.

Era uma beldade de cabelos negros, pele branca e seios fartos. Suas generosas formas eram meio-cobertas por um vestido branco um pouco revelador com detalhes dourados como a cor de seus olhos. A beleza no entanto não era uma humana, seu par de asas negras na cintura e seus chifres brancos na cabeça deixavam isso claro.

O membro da guilda chamado Tabula Smaragdina foi quem a criou e a nomeou como Albedo. Ela foi uma de suas quatro criações. Sua aparência era sem dúvidas encantadora e sua capacidade em combate era alta.

Mas o que chamou a atenção de Momonga quando olhou Albedo foi que ela usava um item que não devia estar com ela.

Albedo estava usando um item mundial como arma principal. Mas as regras da guilda previam que a retirada de itens mundiais do tesouro apenas podia ser feita depois de uma votação prévia com todos os membros.

Momonga não entrava nesta sala a mais de um ano já que estava sempre se aventurando no exterior para fornecer riquezas ao tesouro da guilda. Tabula deve ter dado o item mundial para sua NPC como seu ato final antes de deixar o jogo.

"Ei... Aquele ali não é o Ginnungagap? Você deu ele para uma NPC, Momonga-san?!"

Famicom perguntou. Ele também estava surpreso com o item mundial nas mãos de Albedo.

Itens Mundiais eram raros demais. No jogo todo havia apenas 200 deles. De todas as guildas, até onde eles sabiam, a Ainz Ooal Gown era a que possuía mais destes itens, 11.

Mesmo assim eles eram extremamente importantes para serem dados a um mero NPC cuja IA não saberia como usá-los corretamente.

Era até perigoso fazer isso, pois Albedo poderia facilmente destruir esta sala se ela entrasse em modo de combate e usasse este item poderoso que era focado em ataque contra construções.

Embora pelas regras do jogo ela não pudesse ferir aliados, ela ainda podia causar danos ao ambiente.

"Eu não fiz isso Famicom-san. Talvez isso seja um presente de despedida de Tabula-san para ela."

"Mas isso não é totalmente contra as regras e contra o bom senso?"

Momonga respondeu Famicom e Herohero fez outra pergunta na sequência.

"Claro que é Hajime! Essa NPC poderia destruir a sala do trono! O Ginnungagap tem o poder de uma magia de super-nível só que sem tempo de conjuração!"

"Agora… por que Tabula faria isso?"

"Por que ele tem uma personalidade doente!"

Momonga aprendeu nestes anos jogando com seus amigos que Famicom tinha uma rivalidade com Tabula Smaragdina. Sempre foi algo muito mais suave do que a que existia entre Ulbert Alain Odle e Touch Me, mas como Líder da Guilda é óbvio que ele notaria isso.

"O que faremos sobre isso?"

Famicom perguntou

"Awn… Que tal nada? Não acho que Albedo entrará em combate nestes minutos finais..."

Herohero deu sua resposta e também o bocejo mais longo da noite. Ele estava fazendo seu melhor para não dormir.

"Ainda assim não é certo este item ficar na mão de um NPC, levar ele pro tesouro também ia ser demorado demais... então não me incomodo de manter ele comigo."

Famicom sugeriu ficar com o item, depois que os outros dois concordaram ele foi até Albedo e deu um comando pré-programado para desequipar a Arma Principal.

Enquanto ele fazia isso Momonga comentou algo.

"Me pergunto o que diz a descrição dela..."

Os três vinham olhando as configurações de alguns de seus NPCs preferidos durante o passeio que fizeram. Momonga ficou surpreso com alguma das configurações que viram.

Por exemplo, houve o caso de uma NPC chamada Shalltear Bloodfallen, uma Guardiã de Andar. Aquela NPC tinha um longuíssimo texto em sua descrição detalhando fetiches sexuais. Embora Yggdrasil fosse um jogo com censura de conteúdo sexual, as descrições dos personagens não eram verificadas. Se aproveitando disso o criador daquela NPC, escreveu praticamente um mini-conto erótico na descrição dela.

"Se está curioso então por que você não verifica isso com a Arma da Guilda, assim como fizemos com algum dos outros NPCs?"

Foi uma sugestão de Herohero.

Momonga acatou a ideia e ergueu o Staff of Ainz Ooal Gown para saciar a própria curiosidade.

Uma Arma da Guilda era a ferramenta usada para gerenciar uma guilda e também o item mais importante para a ela. A destruição deste item equivalia a destruição da guilda inteira. Por esse motivo o Staff of Ainz Ooal Gown nunca tinha sido usado em combate ou deixado o interior de Nazarick.

Enquanto os três olhavam a descrição da NPC Albedo eles notaram que era tão longa quanto a de Shalltear Bloodfallen. Porém era muito mais complexa, erudita e sinistra.

Apesar do texto ser bem trabalhado e pensado, uma linha no final destoava e estragava tudo. Estava escrito naquela última linha:

Aliás, ela é uma puta.

"Por que isso Tabula-san?"

"Essa linha final me surpreendeu muito…"

"Como eu disse antes, aquele cara era um doente."

Tabula sempre foi fã de personagens que aparentavam ser uma coisa por fora mas que na realidade eram algo totalmente diferente.

"Por que não mudamos isso?"

Foi uma sugestão de Famicom.

Depois de suas palavras os três debateram por quase dez minutos e foi necessária uma votação para pôr fim ao debate. Aquela deveria ter sido a última votação oficial da guilda Ainz Ooal Gown e nela se aprovou por dois votos a um, sendo o voto vencido pertencente a Momonga, que a última linha da descrição de Albedo seria removida e que se adicionaria uma nova linha.

Ela ama Momonga.

"Isso é tão vergonhoso!"

Disse Momonga levando as mãos ossudas para a face em vergonha.

"A culpa disso é sua, Momonga-san. Quando rejeitou minha sugestão de 'Ela é uma frígida', eu tive que apoiar a sugestão de Hajime como uma retaliação."

Famicom respondeu ao envergonhado Momonga.

"Por que sugerir isso Herohero-san?!"

"Não é como se isso tivesse consequências, Momonga-san. Muito mais importante que isso… faltam cinco minutos agora."

Olhando o relógio eles viram que marcava exatamente 23:55:00.

Lá fora, nas praças centrais dos nove mundos de jogo, os fogos de artifício de encerramento deviam estar começando a ser lançados.

"Como era mesmo o comando… Ajoelhem-se."

Momonga disse para os NPCs presentes.

Os 30 NPCs que os acompanharam até aqui se ajeitaram ordenadamente antes de ajoelhar na base da escadaria. Albedo se ajoelhou no topo dela, um pouco distante do trono, como foi programada para fazer.

"Momonga-san, por que você não senta no trono neste finzinho?"

Herohero sugeriu.

"Isso mesmo! Se alguém deve sentar aí é você!"

Famicom aprovou a ideia imediatamente.

Momonga se sentiu lisonjeado pela atitude dos amigos e depois de uma breve resistência cedeu se sentando no Throne of Kings com muitos pensamentos na cabeça.

Ele imediatamente pôde ler no log do console que recebeu um buff temporário nas estatísticas. Algo que ele nunca imaginou que aconteceria quando se sentasse ali.

Ninguém nunca havia se sentado neste Trono desde sua instalação.

Os três ficaram em silêncio por um tempo olhando a sala e os NPCS.

O silêncio durou até Momonga apontar para uma das 41 bandeiras penduradas na sala. Essas bandeiras tinham o símbolo escolhido como brasão pessoal por cada um de seus amigos.

"Momonga, Touch Me, Taylar, Shijuuten Suzaku, Ankoro Mochi Mochi, Herohero, Peroroncino, Bukubukuchagama, Famicom, Tabula Smaragdina, Warrior Takemikazuchi, Tri'ade, Variable Talisman, Genjiro, Alcatraz…"

Enquanto apontava para os brasões pessoais deles, Momonga nomeou cada um dos amigos com quem se uniu para jogar este jogo.

Quando terminou de nomeá-los, suspirou profundamente.

Momonga jogou Yggdrasil seriamente por mais de um terço de sua vida. Não era exagero dizer que foi neste jogo que ele viveu sua era de ouro. Foi em Yggdrasil, com seus amigos, que teve os momentos mais alegres e agradáveis de sua existência.

Isso acabaria hoje.

"Foi divertido jogar com todos vocês..."

Foi o que Momonga disse em um tom um pouco abatido.

"Um amigo meu que trabalha com Dive me disse que os desenvolvedores estão trabalhando em Yggdrasil II, deve ficar pronto em dois anos..."

Famicom revelou do nada uma fofoca do seu círculo pessoal.

"Se daqui a dois anos eu conseguir um emprego melhor que me permita viver como gente… talvez nos encontremos laaawn?"

Herohero deu uma ideia com uma voz cansada pontuando com um bocejo.

"Isso seria ótimo… Apesar de atualmente Yggdrasil ser datado, o jogo era um divisor de águas quando foi lançado. A segunda versão vai certamente ser tão revolucionária quanto a primeira. Devíamos nos encontrar lá sim!"

Famicom pareceu aceitar imediatamente a ideia de Herohero.

"Se tivermos essa chance seria bom nós nos aventurarmos novamente, não é?"

Momonga também entrou na conversa.

Depois de passarem um minuto combinando que jogariam juntos de novo caso realmente saísse um Yggdrasil II os três se fecharam em seus próprios pensamentos.

Amanhã todos os três teriam que acordar cedo para trabalhar.

Fizeram um último minuto de silêncio enquanto refletiam suas próprias circunstâncias e a temporalidade das coisas boas da vida.

[23:59:48, 49, 50]

Nos dez últimos segundos de Yggdrasil, como um, os três fecharam os olhos.

[23:59:57, 58, 59]

Tudo ficou preto.

[00:00:00, 01, 02]

Hm?

- FIM DO PRÓLOGO-


NOTA DO AUTOR:

Eu já estava escrevendo uma fanfic antes aqui neste site. Minha vontade é retomar ela no futuro depois que sair a quarta temporada. Nesse meio tempo vou escrever essa aqui para melhorar minha habilidade de escrita.

Esse prólogo foi uma versão alterada desta outra fanfic.