Disclaimer: Nenhum dos personagens de Supernatural me pertence. Seria bom, porque assim, eu daria o final que eu quero que a série tenha. Aviso que o foco dessa Fanfic é o Jack e que estou começando ela logo após a última cena do episódio 15x11. Obviamente vou tomar muitas liberdades. Logo, não estranhem se seguir muito diferente do que a série vai nos mostrar (provavelmente vai seguir). E quero dizer, que independente da quantidade de reviews (mesmo que não tenha nenhuma), vou continuar postando, pois enquanto eu não por pra fora essa ideia, eu não terei paz. Apenas mantenham a mente aberta e aproveitem. Haha!

Sinopse: Jack aceitava o seu destino. Era como tinha de ser.

1. Matar e Morrer

Era estranho estar de volta, Jack pensou. Ele achou que nunca mais voltaria. Na verdade, ele teve certeza. Mas agora ele estava parado na entrada de seu antigo quarto no Bunker olhando para dentro, ainda surpreso de estar tudo como da última vez em que esteve lá. Surpreso que Sam e Dean o tivessem aceitado de volta.

Ele olhou para a cama, estava arrumada, assim como seus livros em cima do pequeno armário do outro lado da parece. Seus outros dois pares de tênis estavam ao lado da cama, como sempre estiveram. Ele olhou para Castiel, que estava parado atrás dele.

_ Você não vai entrar?_ o anjo perguntou.

_ Alguém mais estava dormindo aqui?_ Jack perguntou, confuso. Talvez eles tivessem deixado algum dos caçadores sobreviventes do Mundo Apocalipse, dormir ali. Era a única explicação para tudo estar tão limpo e arrumado.

_ Não. Eu mantive seu quarto arrumado, enquanto estive aqui. E depois que eu não estava, o Sam manteve_ Castiel respondeu, entendendo a confusão do filho.

_ Por quê?_ o garoto perguntou. Não fazia sentido arrumarem o quarto de alguém que havia morrido.

_ Eu não sei_ Castiel respondeu, incerto.

Nas vezes em que arrumou aquele quarto, ele também se perguntou o motivo. Quando voltou para o Bunker e descobriu que Sam também o arrumava, ele também se perguntou. Talvez algum instinto paternal, o impedia de simplesmente ignorar que um dia Jack havia dormido naquele quarto. Arrumar aquele quarto, era quase como se Jack fosse voltar a qualquer momento, pelo menos pra ele. Ele imaginava que os motivos de Sam fossem iguais aos dele.

_ E o Dean?_ Jack quis saber.

_ Dean não entrava aqui_ o anjo respondeu apenas.

"É claro que ele não entrava, ele me odeia", Jack pensou, mas não disse nada. Ele não culpava Dean. Se ele pudesse sentir alguma coisa, também se odiaria. Vantagens de estar sem alma.

Ele finalmente deu alguns passos dentro do quarto e se sentou na cama, estando de frente para Castiel, que ainda estava o olhando da porta.

_ O que você quis dizer com "e depois que eu não estava aqui"? Pra onde você foi?

Cas deu um suspiro e se aproximou, sentando na cama o lado de Jack. Doía lembrar do dia em que ele e Dean brigaram, o dia em que ele foi embora. As palavras do amigo o machucaram, o fato de Dean não tentar impedi-lo de ir, também. Mas a realização de que aquilo era um adeus foi o que mais doeu. Mesmo agora que haviam feito as pazes, e que ele estava de volta, só a lembrança o machucava.

_ Eu tive que ir embora por um tempo_ ele respondeu.

_ Por quê?_ Jack tinha o cenho franzido. Ele não entendia.

_ Depois que você… você morreu_ Cas engoliu em seco. Outra lembrança dolorosa, a pior de todas_ as coisas ficaram complicadas aqui, muita coisa aconteceu. Monstros soltos pelo mundo, um demônio que nos enganou_ ele achou melhor não mencionar que Belphogor havia possuído o corpo morto de Jack_ E bem, Rowena morreu para nos ajudar…

_ Rowena está morta?_ o garoto arregalou os olhos. Ele costumava gostar dela, e sabia que mesmo ele sendo filho de quem era, ela também gostava dele. Desejou que ela estivesse num lugar bom.

_ Infelizmente, sim_ Cas suspirou_ E Dean e eu tivemos alguns problemas em nos entender.

_ Depois da morte dela?

_ Na verdade, antes. Antes mesmo até de você morrer. Mas acho que a morte dela foi uma espécie de limite. Cruzamos uma linha e não sabíamos como voltar. Por isso eu tive que ir embora. Eu precisava disso, e acho que ele também. Mas agora eu estou de volta e tudo está bem de novo.

Jack não perguntou, mas sabia a quais problemas Castiel se referia. Ou melhor, qual o problema: ele. Ele matou Mary, e Cas tentou protegê-lo, apesar do mal que ele havia feito. Certamente, Dean não levou isso da melhor maneira possível. Mas Dean havia desistido de matá-lo no último momento. Será que isso queria dizer que o havia perdoado? Que ainda o amava como um filho? Ou será, que foi apenas um pouco de compaixão vindo de uma pessoa boa? Aquelas perguntas borbulhavam em sua mente enquanto ele pensava que ele era o motivo para que Dean e Cas tivessem chegado ao extremo. Era tudo culpa dele.

_ Vamos pedir comida_ uma voz disse da porta. Era Sam_ Jack, o que você quer comer? Você pode pedir o que quiser.

Jack forçou um sorriso. Ele não estava com fome. Ele tinha vergonha de encarar Sam, tinha vergonha de encarar Dean. Foi estranho sentar na biblioteca com eles e explicar os planos de Billie para matar Chuck. Ele não sabia como se comportar depois do que tinha feito a eles. Mary. Ele matou Mary, a mãe deles.

_ Pode ser qualquer coisa, vocês podem escolher_ ele disse tentando parecer o mais normal possível.

Sam o olhou por um instante, como se tentasse entender alguma coisa, e então sorriu e saiu.

_ Vamos? Você pode me ajudar a colocar a mesa_ Castiel chamou, se levantando da cama e caminhando em direção a porta.

_ Eu já vou, pode ir na frente_ Jack pediu.

Cas fez que sim com a cabeça, lhe deu uma última olhada e saiu.

Jack fechou a porta assim que Castiel saiu do quarto. Ele voltou a sentar na cama e esfregou as mãos na calça. Desde que Billie o trouxera dos mortos, ele não parava de pensar que não merecia estar vivo. Não depois de tudo o que ele fez. Sim, ele sabia que tinha uma missão, que naquele momento era mais importante que tudo. Ele precisava matar Chuck e era o único que poderia fazer isso. E ele estava focado nisso, era tudo em que ele conseguia pensar. Não falta muito, ele pensou.

Jack levantou e foi em direção ao espelho sobre a pia que ficava ao lado da porta do quarto. Ele encarou o seu próprio reflexo, incapaz de sentir qualquer coisa por si mesmo. Mesmo quando não tinha alma, ele nunca fora capaz de se amar, agora então era como encarar algo que não significava nada.

_ Esses sentimentos não vão te ajudar em nada_ uma voz disse atrás dele e ele se virou rápido, assustado, apesar de saber quem era.

Billie estava parada, segurando sua foice, no meio do quarto dele. Ela o encarava daquele jeito imponente que o metia medo, mas, ao mesmo tempo, o fascinava.

_ Você me assustou_ ele disse, ignorando o que ela disse. Ele não esperava uma visita dela tão cedo.

_ Só vim para lembrá-lo que não pode usar seus poderes_ ela disse.

_ Eu sei disso.

_ Você tem uma tendência a fazer coisas impensadas quando está com os Winchesters e com o anjo. Vocês estão sempre se metendo em problemas e um acaba sempre se machucando ou morrendo. Só quero que se lembre que se acontecer, não pode usar seus poderes para curá-los ou trazê-los de volta. Eu sei que não se importa consigo mesmo, mas mesmo sem alma, você se importa com eles o suficiente para usar seus poderes, mesmo sabendo que isso vai atrair Chuck.

Jack a encarou com um olhar vazio

_ Devo deixá-los morrer?

_ No momento, deve fazer o possível para se manter invisível para Chuck, e então quando chegar a hora, matá-lo. E se você tiver que chegar ao final disso sem um dos seus pais, ou sem os três, que seja. O importante é que você chegue vivo ao final.

Quando Billie foi buscá-lo no Vazio, ela lhe explicou algumas coisas do plano para derrotar Chuck. Comer corações de anjos, fazer um ritual relacionado as graças dos arcanjos já mortos, que ela explicaria quando chegasse a hora, e a parte mais importante do plano: assim que Jack igualasse seus poderes aos de Chuck, ele deveria canalizar a força vital que o mantinha vivo para ficar mais forte que o avô. Ele morreria no processo, mas conseguiria derrotar Chuck.

_ Jack, preciso saber se está pronto para fazer isso. Lutar contra Deus não será fácil. Preciso saber se está disposto a conter seus poderes, porque se Chuck encontrá-lo agora, quando não está forte o suficiente, ele vai matar você. De novo.

_ Eu vou fazer tudo o que você quiser_ ele afirmou, desejando internamente que Dean, Sam e Castiel não se metessem em situações que arriscassem suas vidas, mais do que o normal.

_ Está pronto para o momento final?_ ela perguntou mais incisiva_ Morrer quando tiver que morrer.

_ Estou pronto_ Jack garantiu, balançando a cabeça afirmativamente.

_ Então quando chegar a hora, vamos conversar sobre a segunda parte do plano_ ela disse_ Esteja pronto_ e antes que Jack pudesse dizer qualquer outra coisa, ela desapareceu.

Ele ficou parado no meio do quarto e voltou a olhar seu reflexo no espelho como estava fazendo antes de Billie aparecer. Quando ela o encontrou no vazio e explicou seu plano, ela disse que quando ele usasse sua força vital, ele morreria. Ela disse que usar esse tipo de força, era desgastante e que seu corpo não aguentaria, mas que essa seria a única maneira de matar Chuck. Mas Billie lhe deu a opção de escolher. Ela disse que entendia que não era justo, ressuscitá-lo, apenas para que ele lutasse em uma missão suicida e que a escolha era inteiramente dele. Jack aceitou, mas apenas porque sabia que ajudaria Sam, Dean e Castiel, e que morreria no final. Ele não achava que merecia viver, e principalmente, ele não queria.

Assim que ele estivesse com força total, ele poderia usar seus poderes e sabia que assim que fizesse isso, Chuck viria até ele. E tudo acabaria. Matar e morrer, era esse o seu destino. Ele estava pronto.

ooooooooooooooo

Sam e Dean pareciam bem, na medida do possível, Jack pensou. Mas Dean ainda parecia ter um pouco de dificuldade de olhar para ele. Assim que Castiel o levou de volta para casa, Sam o abraçou. Foi um abraço acolhedor, terno, forte, de alguém que o ama. Mas com Dean foi diferente. Ele se aproximou de Jack, se certificou de que era realmente ele, e foi isso. Sem abraço, sem muita demonstração de nada. Era apenas como se Dean estivesse conformado dele estar ali de volta.

Ele se forçou a engolir a fatia de pizza que comia, enquanto Sam, Dean e Castiel discutiam o acordo que Jack fez com Billie. Eles falavam sobre os prós e os contras. Jack não contou a eles que no final de tudo, morreria. Eles não precisavam saber até que fosse a hora.

_ Você confia nela?_ Dean perguntou a ele, o tirando de seus pensamentos.

_ Sim_ ele respondeu, engolindo a pizza com esforço_ Ela também acha que Chuck está acabando com o equilíbrio que deve existir na Terra.

_ Eu não gosto disso_ Sam falou, dando um gole em sua cerveja_ Não gosto de ser você a ter que fazer isso.

_ Não tem outro jeito_ Jack afirmou_ Eu sou o ser mais poderoso da Terra depois do Chuck, o único que pode igualar os poderes aos dele. Tem que ser eu.

_ Jack, você é uma criança_ Sam continuou, e olhando com ternura_ Suas obrigações deveriam ser outras, não salvar o mundo.

_ Desde que eu nasci eu nunca tive obrigações de criança_ o garoto respondeu sério_ Desde o meu primeiro dia na Terra, tudo que eu fiz foi lutar, por que agora seria diferente?

Os três pais o olharam e ele não soube dizer o que cada um estava pensando. Mas era a verdade. Jack não conheceu a paz em nenhum momento de sua curta vida. Ele nunca pôde ter uma vida normal como a de qualquer outra criança. Ele nunca brincou, ele nunca foi a escola, nunca foi a praia ou a um parque. A única coisa que ele conhecia era a luta pela sobrevivência.

Nenhum dos três adultos disse nada por um tempo, até que Dean quebrou o silêncio.

_ Bom, então se tá decidido, tá decidido. O garoto quer fazer isso, então é assim que tem que ser.

_ Simples assim?_ Sam questionou, olhando incrédulo para Dean.

_ Sim, simples assim_ Dean confirmou, pegando um pedaço de pizza na caixa e o enfiando quase inteiro na boca.

Aparentemente, Dean era o único que continuava com fome, pois ninguém mais tocou na pizza e ele comeu quase tudo sozinho. Depois de um tempo, Jack se levantou.

_ Eu vou pro quarto, estou cansado_ ele disse, mesmo não estando cansado. Era preciso muitos dias para que ele realmente se sentisse cansado, mas a verdade, é que queria ficar sozinho.

_ Tudo bem. Boa noite, Jack_ Castiel disse com um pequeno sorriso.

_ Boa noite, durma bem_ Sam falou, sem esconder seu incômodo. Dean apenas acenou com a cabeça, pois estava com a boca cheia e não conseguia falar.

Depois que Jack saiu, Sam se voltou para Dean.

_ Você não pode realmente concordar com isso, é perigoso demais expor Jack a esse tipo de coisa. E temos que lembrar que ele não tem alma, que passou meses no Vazio, não temos ideia do que se passa na cabeça dele.

_ Não temos ideia do que se passa na cabeça de ninguém, Sam. Não lemos mentes_ Dean falou, finalmente terminando de engolir sua pizza_ Talvez seja isso que o garoto tem que fazer.

_ Eu concordo com o Dean_ Castiel falou, olhando para Sam com cautela.

_ Sério? Você, dentre todas as pessoas?

_ Sam, Jack nasceu por um propósito_ Castiel continuou_ Ele não veio a esse mundo apenas por vir. Ele tem uma missão, ele me mostrou isso de dentro do útero da Kelly. Um mundo cheio de paz, sem sofrimento. Eu acreditei nisso até o último momento e continuo acreditando agora.

_ Você não acha que é responsabilidade demais nas costas de uma criança?_ Sam questionou se levantando_ Porque é isso que o Jack é, uma criança.

_ Uma criança com poder suficiente pra destruir o mundo se quiser_ Dean falou um pouco irritado_ Sammy, temos que encarar o Jack pelo que ele é. E ele é provavelmente nossa única chance. Se não tiver outro jeito, é isso que tem que ser feito.

_ E se tiver outro jeito?_ Sam perguntou, encarando o irmão.

_ Não tem_ Dean respondeu apenas, se levantou e saiu da biblioteca.

Sam olhou para Castiel. O amigo se aproximou dele.

_ Sam, temos que confiar no Jack, na força dele_ o anjo falou, colocando a mão no ombro de Sam_ Ele está bem e tudo vai ficar bem.

E dizendo isso, ele também saiu. Sam ficou parado na biblioteca, olhando por onde Dean e Castiel haviam saído.

Quando Jack matou Mary, Sam teve raiva dele, uma parte dele o quis morto. Mas quando ele realmente morreu, Sam sentiu como se uma parte dele também tivesse morrido. Sam literalmente foi a primeira pessoa que esteve lá logo após Jack nascer e imediatamente eles se conectaram. Ele acolheu o garoto, o guiou, o alimentou, o vestiu, cuidou dele. Quando se deu conta, o amava como se fosse seu filho. Talvez não fosse o melhor pai do mundo, mas ele fez o que pôde dentro do que as circunstâncias permitiram. Droga, ele até o trouxe de volta a vida uma vez, porque perdê-lo foi quase insuportável.

E agora Jack estava ali, de volta, com a maior missão que uma pessoa poderia ter, jogada em cima dele. Não era justo e Sam tinha um pressentimento ruim em relação a isso. Só esperava que seu menino não sofresse consequências terríveis novamente.