Olá, galerinha! Depois de muitos anos resolvi voltar a escrever! E bem, essa estória surgiu de uma maneira bem inusitada. Eu sonhei esses dias com os eventos que irei escrever, compartilhei meu sonho com minhas amigas no grupo do Whatsapp SasuSaku e fui estimulada a escrever. Não é uma estória alegre, e não sei explicar também se haverá um final feliz, pois tudo depende do ponto de vista. Alerto que terá muita violência e descrição fortes, portanto estejam avisados. Não faria sentido eu escrever a estória que sonhei sem antes dar um contexto para tudo, por isso, nesse primeiro capítulo eu quis explorar os laços entre Satoshi (filho mais novo do Sasuke e da Sakura que imagino existir após Naruto Gaiden) e uma garota que veio do País da Cachoeira que estuda na Academia Ninja, Inoue. Alerto que irei trabalhar com a Organização Kara, que já está presente no mangá de Boruto. E bem... tudo depende se vocês irão gostar do que estarei construindo. Então, agradeço antecipadamente o feedback de vocês. E gostaria de agradecer a minhas amigas lindas pelo incentivo a escrever essa estória, a Pri, a Luana, a Gabi e a Débora. Esse capítulo saiu graças a vocês!
E a vocês, leitores, desejo uma boa leitura!
The Massacre - Capítulo 1 - O Começo de Tudo
"Ninguém te chamou aqui, sai daqui esquisita"
Ela não entendia o porquê. Ela só queria voltar para casa.
Voltar para onde?, ela não tinha para onde voltar.
Não mais.
Ela não sabia o porquê sumiam com seus materiais escolares, e quando ela esperava que todos saíssem da sala de aula, os encontrava no lixo.
Ela não sabia o porquê sempre era a última a ser escolhida para os grupos de times durante as aulas de Treinamento Ninja I.
Ela não sabia o que ela havia feito para ser tão odiada, esnobada e excluída.
Quando a tristeza era grande, ao ponto de sentir um aperto enorme no coração, como se fosse difícil a tarefa de respirar, ela focava seus pensamentos nos pais.
"Mamãe… papai… eu não gosto daqui"
Mas não havia como fugir daquela realidade. Seus pais não estavam mais presentes, e para ela era impossível continuar em seu vilarejo pacato no país da Cachoeira. Ela não tinha família para a acolher ali, ela não tinha ninguém que pudesse assumir sua guarda. As únicas pessoas vivas que poderiam a acolher, eram seus avós maternos, membros oficiais do Clã Hyuga, obrigando-a a mudar-se para Konoha da noite para o dia, se adaptar ao clima quente e seco, e lidar com o preconceito das crianças de sua idade que não sabiam lidar com alguém diferente — alguém como ela.
Ela nunca havia tido contato com seus avós maternos, não até o dia que ela recebeu a pior notícia de sua pequena vida: que seus pais nunca mais voltariam de sua missão. No início, ela achou que eles iriam levar somente um pouquinho mais de tempo para voltarem, mas então meses se passaram, até ela perceber que aquela fora uma maneira de dizer que seus pais já não estavam mais entre eles.
E voltar da academia ninja não melhorava seu estado mental e físico. Eram horas de treinamento com taijutsu com subordinados de seus avô, treinamentos que se estendiam até o horário do jantar — único momento que ela ansiava do dia. Sua avó, uma senhora com seus 70 anos, era completamente o oposto de todos aqueles velhos que viviam dentro da casa de seus avós. Era doce, meiga e a tratava como igual, diferente de seu avô, que a todo momento, dizia que "ela poderia ser melhor que a mãe e tornar-se alguém para se orgulhar".
Ela não entendia o que aquilo queria dizer. Ela não entendia o porquê deveria treinar todas as tardes até desmaiar. Ela não entendia o porquê tinha que frequentar a academia ninja, lugar onde ninguém a queria por perto.
Alias, por que ela tinha que ser uma kunoichi?
"Você vai ficar desidratada se tomar muito sol"
Uma voz a tirou de seus devaneios melancólicos. Ela já havia visto aquele garoto antes. Ele era aluno da sala vizinha a sua, e aparentemente, popular com os colegas. Ela nunca o via sozinho, ele sempre estava rodeado de outras crianças, e por esse motivo, ela nunca conseguiu prestar a devida atenção nele. Ela tinha medo de olhar demais e atrair os olhares das outras crianças.
"Ah…", foi o que ela conseguiu responder. Ela não sabia como proceder, ninguém conversava com ela. Talvez o garoto só esteja querendo arranjar alguma desculpa para a tirar dali também, como outros já fizeram.
Quando ela se levantou, o garoto logo respondeu:
"Espera ai! Eu já volto!"
Que raios aquilo queria dizer? Agora que ninguém estava a olhando, ela pode finalmente analisar o garoto que se dirigiu a ela. Ele estava de costas para ela, correndo em direção as grandes árvores que encostavam no cerco do parquinho da escola, com seus cabelos negros balançando em direção ao vento. Ele usava um short branco opaco, junto com uma camisa regata verde musgo, onde ela também podia ver um símbolo que ela nunca havia visto antes, um catavento de cores vermelho e branco. Quando viu a figura do garoto sumir, ela desceu do balanço, e se infiltrou ainda mais dentro da floresta da academia ninja, ela não iria esperar pelo garoto, ela já estava ali a tempo suficiente para saber o que acontecia quando ela confiava em seus colegas.
Ela encontrou um tronco de árvore já seco, poucos galhos ainda de pé, e se encostou na parte central. Deveria esperar até que um de seus avós a buscassem logo, e ela torcia todos os dias que fosse a vez de sua avó e não de seu avô.
"Ei, por que não me esperou?", ela viu virou o rosto para a direita, onde havia um caminho entre as árvores, caminho que ela havia feito para chegar até ali.
Ela não conseguia acreditar no que estava vendo. O menino estava segurando um grande galho com várias folhas, o tronco do galho era bem grande e espesso, sendo até um pouco engraçado vê-lo segurando algo que era duas vezes maior que seu tamanho.
"Olha só", ele fez um sinal com a cabeça, pedindo que ela o acompanhasse, mas ela apenas se levantou do tronco que estava encostada para conseguir seguir com os olhos o caminho entre as árvores. O balanço que ela estava anteriormente, ficava um pouco a frente da floresta, e naquele final de tarde batia muito sol no local. Ela ficou observando o garoto fincar o grande galho na árvore na grama, onde uma leve sombra agora batia no balanço que ela estava anteriormente. Quando ela percebeu, ela havia seguido o garoto até ali.
"Viu só? Agora não bate mais sol em você", o menino constatou, dando um sorriso singelo para ela, orgulhoso de seu feito.
"Ah…", ela não conseguia responder. Por que o garoto estava sendo tão legal com ela?
"Você sabe falar? Sabe, minha mãe me diz que é normal falarmos enrolado na nossa idade, então eu não me importo se você trocar o "l" pelo "r", eu também faço isso as vezes", ele riu com a própria piada.
Ela não conseguia mais ignorar o garoto. A risada dele era contagiante, e estranhamente, ela sentiu um calor dentro de si que não sabia explicar. Ele transmitia uma energia em volta de sua áurea, energia que há tempos ela não sentia. Ela olhou bem no rosto dele, e se assustou quando o fez. Ele era lindo. Seus grandes olhos verdes esmeralda destacavam-se com seus cabelos negros, e sua pele branca dava um contraste entre as cores.
"E então?", ela o ouviu perguntar. Aparentemente, ele havia feito uma pergunta, e ela estava tão absorta olhando todos os detalhes no garoto que não prestou atenção no que ele perguntara.
"Pode repetir?", ela disse com uma voz baixa e delicada, quase inaudível.
"Como é o seu nome?", ele repetiu a pergunta, inclinando levemente a cabeça para o lado, mostrando interesse em saber mais sobre ela.
Era a primeira vez que alguém perguntava por seu nome — não só isso, era a primeira vez que alguém conversava com ela desde que ela entrou na academia ninja há 3 semanas atrás. Ela passara tanto tempo calada, que esquecera até mesmo de como pronunciar seu próprio nome.
"I…I-Inoue", ela conseguiu responder após alguns segundos.
"Ahh, que legal! Eu me chamo Satoshi!", o garoto respondeu, ainda sorrindo, mas quando parecia que iria falar mais, ela ouviu uma voz adulta chamando por ele.
"Satoshi! Satooshi!"
"To indo!", ele respondeu alto para o professor responsável daquele momento, "Me encontra amanhã aqui no recreio?", ela se assustou com a pergunta. Ele queria passar o recreio com ela? Mas ele não deixou-a responder, logo correndo em direção ao portão de entrada da academia, onde uma mulher de cabelos rosa o esperava. Ela não conseguiu não notar que o garoto ainda sorria, ao segurar uma das mãos da mulher, e saindo pelo portão.
Como alguém podia sorrir tanto?
…
Foi quando Inoue percebeu. Ela também já sorriu assim.
"Eu gosto do seu cabelo"
Aquilo a alarmou. Nunca ninguém havia falado do cabelo dela. Ninguém nunca elogiou. Pelo contrário, seu cabelo era a fonte de zoação entre as crianças da academia.
Seu cabelo nunca havia sido alvo de atenção em sua terra natal, já que em seu vilarejo, era comum as pessoas terem aquele cabelo — branco como a neve, com uma mecha dourada fina que saia do meio do couro cabeludo. Ela se lembrava quando a mãe dizia que era encantada pelo cabelo de seu pai, e era grata pela filha ter herdado um cabelo tão lindo. Esse fora um dos únicos momentos que seu cabelo fora elogiado.
"Por quê?", ela precisava entender como alguém que não era sua mãe poderia gostar de um cabelo tão esquisito.
"É diferente", Satoshi respondeu, montando uma espécie de trem com as peças lego. Naquele dia eles brincavam de lego dentro da floresta, longe do barulho das outras crianças. Fazia 2 semanas desde que Satoshi havia conversado com ela pela primeira vez, e desde então, eles passavam o recreio junto todos os dias. Inoue se pegava ansiosa todas as noites antes de dormir, pensando no dia seguinte — que iria ver Satoshi novamente. Ela nem mesmo ligava mais para os treinamentos intensivos de taijutsu nos finais de tarde no casarão dos avós, pois ela sabia que após aquilo a noite viria, e após isso, o dia de ver Satoshi.
"Diferente como?", ela insistiu.
"Não é igual de todo mundo. Essa mecha dourada destaca em seu cabelo branco. Eu… gosto", ela notou o tom rubro nas bochechas do garoto ao dizer isso, fazendo com que ela também ficasse envergonhada pelo elogio. "Eu falei para todo mundo parar de falar do seu cabelo", ele logo emendou, para disfarçar a timidez. Isso a fez levantar o rosto e o encarar.
"Eles disseram que se eu quisesse ainda brincar com eles, eu deveria parar de falar bobagem", ele continuou, concentrado em montar seu trem de lego.
"E o que você disse?", era para ter sido um pensamento, mas Inoue acabou verbalizando a pergunta.
"Que não, é lógico!", ele respondeu como se fosse a resposta mais óbvia do mundo, "Você é mais legal que todo mundo", ele disse sorrindo para ela, os olhos fecharam tamanho o sorriso.
"Satoshi!", antes que ela respondesse, a voz do professor soou alta através da floresta.
"Mas já é hora de ir embora?", ele lamentou com um muxoxo. Inoue começou a recolher as peças do lego para guardá-las na caixa, mas Satoshi pediu para que ela parasse, "Pode ficar com você, eu tenho mais em casa. Seus pais sempre demoram né?", ela não respondeu. Ela não era como ele, e ela não havia contado ainda que morava com os avós. Satoshi se levantou rapidamente antes que o professor gritasse de novo.
"Te vejo amanhã!", ele murmurou e logo correu até o portão de entrada da academia.
Ela se levantou e caminhou até a entrada da floresta, que ficava do lado esquerdo da academia ninja. O pátio rodeava toda a estrutura da academia, e era fácil observar o portão de entrada do lugar que ela estava. Dessa vez, não era a mesma mulher de cabelo rosa que estava esperando por Satoshi. Era um homem alto, de cabelos negros e ele usava uma capa preta, que escondia completamente suas vestes. Ela percebeu o momento que Satoshi olhou e viu que não era a mãe, e ela deduziu que aquele era o pai, já que ele havia comentado uma vez que "seu pai era um ninja muito importante, e ele ficava muito fora em missões para proteger ele, a mãe e sua onee-chan". Talvez fazia tempo que ele não via o pai, pois ela o viu correr até os braços do mesmo, para logo depois segurar sua mão e seguirem rumo desconhecido.
Inoue demorou a perceber o sorriso que deu ao presenciar aquela cena.
"Eu fiz um amigo na escola", Inoue pronunciou enquanto comiam silenciosamente o jantar. A mesa de centro ficava no meio da enorme cozinha, e apenas de haver 6 lugares, eram apenas 3 pessoas sentadas ali. Inoue olhou para a avó ao seu lado, que lhe deu um sorriso gentil como resposta a neta, estimulando-a continuar. Seu avô continuava a comer, como se não estivesse escutado a neta, "Ele se chama Satoshi, e ele deixa eu brincar com os legos dele. Os brinquedos que eu trouxe hoje são dele, ele disse que eu poderia brincar e levar para ele amanhã", ela continuou. O nome "Satoshi" fez com que o o avô de Inoue encarasse a neta, seu olhar era severo.
"Eu não quero você perto desse menino", foi tudo o que ele disse, e então, voltou a comer, espraguejando algo como "maldito cria de Uchiha".
"Hyaru", Ren, chamou a atenção do marido, "São crianças", mas vendo que o marido continuava a comer, e ignorar sua sentença, resolveu tirar Inoue dali antes que ele dissesse algo a mais, "Inoue, querida, se já terminou de comer, que tal subir para seu quarto e fazer sua lição da academia?", ofereceu gentilmente. Inoue acenou para a avó, levou seu prato até a pia da cozinha e foi em direção ao seu quarto, porém, parou no pé da escada, curiosa para saber se o avô falaria mais alguma coisa.
"Não quero você falando esse tipo de coisa perto da Inoue", ela ouviu a voz da avó minutos depois do barulho de garfo raspando no prato parar.
"Eu não quero minha neta perto de um Uchiha", ela sentiu um calafrio ao ouvir o avô pronunciar o sobrenome de Satoshi com tanta repulsa.
"Os Uchihas não são uma ameaça"
"Quem te diz isso? O Hokage? Confia mesmo naquele Jinchuuriki? Já basta Hiashi ter permitido um casamento bastardo, permitindo que a herdeira do Clã Hyuga casasse com aquele Jinchuuriki. O clã Hyuga está cada vez mais perdendo a supremacia de puro sangue. Estou cansado demais para tanta decepção, estou ficando velho, e tudo que vi até agora foi fracasso atrás de fracasso. Já se esqueceu do que Fugaku Uchiha fez a nossa família? O que Sasuke Uchiha fez a essa nação na Quarta Grande Guerra Ninja?"
"Akira era um traidor dentro de nosso clã", pela voz da avó, era um fato que a mesma já estava cansada de estar discutindo aquele assunto.
"Isso não dava direito a Fugaku Uchiha de resolver um assunto interno que pertence somente aos Hyuga", Hyaru respondeu levantando a voz, "Aquele… usar o nome da academia de policia foi somente uma desculpa para ele descobrir os nossos segredos. Não foi nenhum altruísmo, não seja inocente, Ren, e depois, nossa filha…"
"Basta"
"Fugiu com aquele…"
"Eu disse basta!", Inoue se assustou com a voz da avó — ela nunca ouvira-a exaltada naquele ponto antes.
"Eu não quero Inoue perto daquele Uchiha", ela ouviu a voz do avô sumir, e então percebeu que já ouvira demais daquela conversa. Ela entraria em apuros se fosse pega ouvindo a conversa dos avós.
Inoue fez o que lhe foi dito. Subiu em seu quarto, resolveu as questões da lição da academia, e então, começou a brincar com o lego que tivera trazido consigo naquela tarde. Até que ouviu passos perto de sua porta.
"Posso entrar?", era sua avó, e ao abrir ligeiramente a porta, segurava consigo daifukus em uma bandeja dourada, "Não deixe seu avô saber que estamos comendo no quarto", ela deu uma piscadela para Inoue ao sentar-se em sua cama, e observar a neta brincando no chão. Inoue sorriu para a avó, e pegou um daifuku.
"Não se intimide com seu avô, Inoue. Muita coisa aconteceu para que ele ficasse daquela maneira, e eu não quero que isso influencie em sua vida"
"Ele nem conhece o Satoshi", Inoue disse inocente.
"Eu sei. E eu estou ansiosa para conhece-lo. Não tenho dúvidas que seja um bom garoto, alias, sua mãe é a médica ninja mais respeitada do mundo ninja, ela jamais permitiria que o filho fosse mal educado", ouvir sobre a mãe de Satoshi fez com que Inoue levantasse a cabeça com curiosidade.
"Eu não sabia que ela era tão importante", Inoue disse, com esperança que a avó dissesse mais.
"Sakura Uchiha foi discípula da Quinta Hokage, Tsunade Senju, neta do Primeiro Hokage. É uma mulher que mostrou garra, força e determinação durante a Quarta Grande Guerra Ninja, além de ter revolucionado completamente toda a área médica do mundo todo. Não é algo que você espera de alguém que veio de uma família pouco conhecida no país do fogo", ouvir tudo aquilo para Inoue foi algo espetacular. A mãe do Toshi-kan é incrível.
"E o pai dele, vovó?", Inoue precisava saber, sua curiosidade sobre o garoto que ela ansiava ver todos os dias era incansável.
"Sasuke Uchiha trabalha diretamente para nosso Hokage. É um ninja importante para nossa aldeia", Inoue percebeu que a avó não diria nada mais além daquilo, e isso a frustava. Qual era o problema do avô com a família de Satoshi? Eles não pareciam ruins, e dado as informações de sua avó, eles pareciam pessoas incríveis.
"Está na hora de dormir", sua avó então pronunciou, para o desagrado de Inoue que gostaria de fazer mais perguntas, "Pode pegar mais um daifuku"
"Tudo bem…", ela respondeu em derrota, pegando mais um doce, e ao olhar a avó saindo pela porta, agradeceu pela sobremesa escondida, "Obrigada, vovó".
"Boa noite, minha Inoue", respondeu a neta gentilmente, e saiu do quarto.
Amanhã, eu vou perguntar ao Satoshi do que ele sabe.
Pensou determinada.
"Quem te chamou aqui?", Yumi era colega de sala de Satoshi, era uma garota de cabelos loiros e olhos azuis. E aparentemente como outros colegas, não estava gostando da aproximação dela com o Uchiha. "O Satoshi não vem hoje, não tem porquê você ficar aqui na porta o esperando", ela disse com rispidez, "Talvez ele tenha pegado alguma doença sua" disse, e começou a rir, fazendo com que outros colegas dentro da sala rissem junto.
Inoue sempre esperava por Satoshi na entrada na academia, onde sempre era cumprimentada pela mãe dele, e agora, ela sabia que a mulher de cabelo rosa se chamava Sakura. A mulher sempre lhe dava um sorriso gentil e meigo, um sorriso que a fazia lembra-se de sua própria mãe, e então, dava as costas para eles desejando uma "boa aula e treinem muito". Inoue não sabia o porquê, mas as vezes pegava Satoshi e sua mãe trocando olhares, o menino com as bochechas rubras, e a mãe sorrindo divertida e ouvindo-o reclamar "você está me envergonhando mamãe!".
Uma vez, ela viu os dois se aproximando, um Satoshi muito vermelho, e sua mãe o cutucando, como se o estimulando a fazer algo. Ela não entendeu o que estava acontecendo, até a mulher de cabelo rosa se retirar e o amigo finalmente a cutucar pelo braço, "Ei", ele a chamou, e quando olhou para trás, viu o amigo segurando um pequeno buque com 4 astromélias, uma de cada cor, ela não achou que veria Satoshi ter tantas cores como estava nesse momento. O menino mudava de rosa para roxo em segundos.
Inoue se perguntava se ela também mudava de cores assim como Satoshi.
"E-eu trouxe para… você", conseguiu pronunciar. Satoshi olhava para o lado, ignorando totalmente o rosto de Inoue, enquanto braço direito se estendia para o rosto da colega, esperando que ela aceitasse o presente. Inoue nunca ligou para flores, ela não entendia e nem tinha interesse de saber de seus significados— apesar de ter uma matéria sobre aquilo na academia — porém, a partir daquele dia, Inoue cuidava das astromélias como se fossem a coisa mais importante do mundo.
Fazia 5 dias desde que Satoshi havia lhe trazido as flores, e hoje Inoue carregava consigo algo especial, e ansiava pela chegada do amigo, para que ela pudesse retribuir o favor. Porém, a entrada da academia já estava fechada, mostrando que estava próximo da hora de começar a aula, resolvendo então esperar pelo amigo na frente de sua sala de aula, talvez ele tenha se atrasado por algum motivo.
"Inoue, sua aula vai começar agora, você pode se encontrar com o Satoshi no recreio, ele está passando pela secretaria agora, por favor, entre na sala", ela ouviu a voz de seu professor a chamando, e Inoue suspirou derrotada.
"Eu já vou, Shino-sensei", eu posso entregar isso para ele no recreio, ela pensou otimista.
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Mas o recreio nunca chegou.
Tudo o que aconteceu no momento em que todos os alunos entraram em suas salas de aula era impossível de ser acompanhada.
Podia se ouvir sons de espada, selos de jutsus sendo pronunciados, crianças gritando pelos corredores, sangue espalhado pelos corredores dos armários dos alunos, crianças sendo pisoteadas enquanto corriam pela academia.
Aquilo era um pesadelo. E não havia como acordar.
Toshi-kan, onde você está?, foi a ultima coisa que Inoue pensou antes do pesadelo começar.
