One-Short "That Scent"

A Drastoria Fanfiction

"That scent. The moment I dread most every time you leave is when it fades. " Geralt, The Witcher

Era manhã já alta e um belo loiro encarava o tecto do seu quarto, com seu longo e esguio braço debaixo de sua cabeça, deixando seu torso exposto ao Sol que nascia no horizonte, olhando como se não estivesse realmente vendo os detalhes barrocos que o embelezavam.

E na realidade, não estava. Seu pensamento estava longe, bem longe .

Por algum motivo, ele deitava um olhar de esguelha para seu lado esquerdo, como se esperasse ver alguém ali e não estava, temia olhar definitivamente como se isso fosse confirmar o enorme vazio que ali se encontrava.

Fechara os olhos, concentrando-se e podia jurar que um suave cheiro a morango e baunilha perfumava o ar, aquele cheiro tão característico e tão dela.

Ele queria entender, mas não conseguia. Porque ela sempre ia? Porque nunca ficava?

Não podia reclamar, ainda em Hogwarts, desde que tinha começado a despertar para a adolescência á anos atrás, que ele sempre queria aquele tipo de distanciamento, ele sempre prezara, afinal, uma Pansy Parkinson carente em sua vida fora o bastante que ele pudera tolerar, então sempre que tinha alguma menina que pegava deixava bem claro suas intenções, podiam fingir o que quer que fosse depois, mas ele sempre era honesto no que desejava.

Mas, desde que ele havia começado com ela, cerca de dois anos atrás, ele não recordava-se de ter imposto esses termos, não mesmo. O que ele questionava-se agora do porque? Porque com ela era diferente? Não queria admitir, mas ela era importante na solidão da sua vida.

Astoria atraia-o aos seus encantos e por Merlin, ela sempre conseguia. Como não?

Bela, com traços aristocráticos, belos detalhes corporais que ele na condição de homem era obrigado a reconhecer e sem contar, com um enorme sentido de humor , brutalmente honesta e ela tinha um sorriso, um enorme sorriso podia encantar todos em sua volta .

Lembrava do dia em que conhecera Astoria, a mansão dos pais era perto da sua , tinha-a conhecido ainda em criança, ela havia pego marotamente num pavão albino de sua mãe...para cavalgar nele. Ele ainda se ria com esse acontecimento, cada vez que lembrava, pois mal ela subira, mal o pavão dera uma guinada e ela cairá ao chão, mas ainda não contente, tentara de novo teimando até se esfolar toda. Ele observava distante, achava extraordinário aquela liberdade, ele não se lembrava de ter. Daphne, sua irmã viera com sua mãe repreendê-la com alguma preocupação. Das suas memórias de infância, era a sua mais remota, pois quase nunca vira.

Vez ou outra a encontrava em Hogwarts, mas era sempre discreta e com seu grupo de amigas e amigos de outras casas, nomeadamente Corvinal e Lufanos, muitos questionavam-se como ela havia calhado na casa das serpentes, não parecia ter nada a ver. De facto, ele não a entendia de todo naquela altura.

Então após todos esses anos, ele a reencontrara na festa em homenagem aos heróis da Guerra, fora a primeira e única vez que fora, mas ainda recordava-se, do quão se havia esgueirado e encostado num canto, de modo a não ser reconhecido por ninguém.

Mas, sempre haveria de ter algum ressentido que iria querer cuspir-lhe na cara e quando ia embora, fora salvo de ir, pasmem-se...por Harry Potter, que havia dito que ele estava ali por convite dele- o que era verdade.- E fim de história, afinal o que ele dizia era lei e tudo bem, pois a partir dai ninguém mais o incomodou, preferiram ignorar o que era óptimo. Podia simplesmente ter declinado o convite, mas não fora por ele de facto que havia ido.

Ele fora ali, porque um dos seus melhores amigos lhe havia pedido, Theodore Nott, que queria pedir conselhos a ele e a uma grande amiga para pedir a namorada Daphne Greengrass em casamento.

Revirara os olhos ao recordar o pedido desesperado dele para o ajudar, era mais que óbvio que ela iria dizer que sim, era louca por ele, babava por ele até mais não.

—Cuidado para não lhe cair os olhos...de tanto os revirar.- Aquela voz melódica, ele não reconhecia , mas ao virar vira uma bela mulher morena, baixa e perfeita na sua proporção, belos olhos azulados que reflectiam um sorriso bem disposta e uma belo vestido avermelhado até aos joelhos com uma enorme racha que subia até perto da coxa.- Bem, sempre lhe caiu os olhos afinal... .- Dessa vez, ela empregara um tom de voz muito mais maldoso, como se soubesse o exacto efeito que lhe causara e sem contar, que havia notado o extenso exame que ele lhe havia feito. Ele não conseguia desviar o olhar dela, tendo um olhar de todo desconcertado, quem era aquela mulher?

— Demorei muito, Draco?- Aquela voz ele reconhecia sem dúvida, era Theo, quando olhara para ele sorrira, ao que ele retribuirá mantendo um leve sorriso de lado, dando a entender que havia percebido, ele tentara disfarçar o momento embaraçoso que acabava de passar.

— Não...ahm...cheguei a pouco, podia me apresentar Theo?

—Ah..sim, a irmã da Daphne, Astoria Greengrass...e bem, ela já te conhece.

— Sua fama em Hogwarts lhe precede...minhas colegas de quarto falavam imensamente bem...- Ela sorrira, e ele assentira sentindo de súbito, seu rosto ficar mais quente, sentia-se corar, mas podia disfarçar com o vinho, sim, ele podia.

Pelo que recordava, havia sido assim a primeira vez que lhe havia falado, já dali ela o intrigava e muito. Não tinha problemas em falar com ele, nem com ele ter sido ex-comensal ou que lhe olhassem torto por isso, ela falava animadíssima dos planos que tinha para o pedido de casamento da irmã e ele por norma, aceitava o que ela dizia, tinham senso e sem contar, que ela conhecia bem melhor a irmã que ele. Ele realmente, não estava prestando grande atenção no dilema dos dois, somente a ouvia falar. E podia notar pelo sorriso que lhe ofertava de esguelha, que notava o seu alheamento e sua distracção com ela.

Ele precisava de apanhar ar, sim ele necessitava disso. Astoria Greengrass conseguia sem dúvida, o deixar mais vivo do que se sentia em meses, afinal, ele se sentia tão com vontade de lhe provar como a sua fama nunca fora inventada.

Sentira um toque no ombro, pronto para dispensar quem se aproximara, ele ficara em choque ao ver que era...

—Está tudo bem? Fugiu bem rápido lá de dentro...

Era ela, por amor de Merlin, o havia seguido. Ele balbuceara, até que lograra falar.

—Estou sim...eu ...hm...

— Você?

Draco não conseguia evitar olhar para ela e ficar sem palavras, tinha uns lábios que era forçado a admirar, sentia por todo o seu corpo o sangue ferver, até que dera por si deixando o seu corpo e mente dominar-lhe, puxando-a e beijando e por Merlin, que ela tinha um gosto incrível em sua boca. Em seu intimo, ele esperava que ela o afastasse, mas isso não ocorrera, pelo contrário, ela o aproximara mais.

A intensidade dela naquele beijo, o quão o guiava a um canto isolado e escondido de todos, mostrava que ela tinha o mesmo desejo que ele.

E aquele cheiro, a morangos e baunilha, doce como ela o prometia enlouquecer. Mas, alguma voz na sua consciência havia falado antes que ele pensasse.

—Astoria?

—Sim?

Aquela voz rouca prometia o tirar do desquício, se ela não se afastasse naquele exacto momento. Ela alisara o seu rosto com carinho e lhe incitava a falar algo mais, seus olhos azulados brilhavam como num desafio dele quebrar aquele entrosamento.

Fora nessa altura, que mandara tudo pelos ares, ele precisava daquele contato humano e mais que tudo, ele desejava aquela mulher mais que tudo naquele momento.

Encostara-a com alguma pressa na parede atrás de si, procurando ás cegas, o inicio da racha daquele vestido , ao que ela ajudara na tarefa, o guiando até la, ao que ele puxara com alguma agressividade, mas ela não parecera intimidar-se nem um pouco com isso. Erguera-a suas pernas agora nuas, até sua cintura, ela era incrivelmente leve, por amor de Merlin.

—Draco...

Sua voz pedia cada vez mais que ele continuasse, mandara o pouco cavalheirismo que ainda lhe restava e desviara com algo de pressa sua calcinha , ao que ela ajudara-o com sua varinha, a abrir as calças, libertando o seu membro no processo, ereto ao que ela sorrira ao constatar.

—Gosta?

Seu sorriso alargara, sendo ainda mais maroto do que no inicio , encostara-o ainda mais nela, beijando-o , ao que ele correspondera, remexendo na suave abertura dela e estava incrivelmente molhada, por amor de Merlin. Descera-a devagar, até adentrar o seu interior, sentira o seu leve gemido, sendo a sua perdição.

Abanara a cabeça, sentindo que o rumo dos seus pensamentos já estava dando embaraçosas ereções inconvenientes.

Essa noite tinha sido mais do que ele esperava sem dúvida, haviam terminado aquele maravilhoso interlúdio num quarto de hotel, de manhã quando acordara vira a sua expressão calma e serena dormindo, pensando quem era aquela mulher tão bela e tão incrível, porém sentia que se ela acordasse aquela noite mágica fosse pelo ralo e ela simplesmente tivesse vindo comprovar a sua fama. Fora embora, deixando-a ali, completamente confuso e vivo pela primeira vez em tanto tempo. Mentiria a si próprio, se dissesse alguma vez que não a desejaria ver de novo.

Erguera-se da cama, dispensando a sua onda de pensamentos, era demais, não queria debater consigo mesmo, porque essa questão o incomodava.

Afinal, ela sempre voltava ou ele sempre a encontrava. Depois desse primeiro encontro, após algum tempo da festa do Ministério, havia sido numa festa na Mansão da família dela, pela ocasião do casamento da irmã com Theodore, depois no Florean Fortescue e por ai ia, ele se atraia a ela e ela por sua vez, sempre o chamava a sua teia, eram intensos e rápidos esses encontros, afinal quando ele abria o olhos ou virava para o lado, ela já não estava, esfumava-se completamente no ar.

Sempre ansiava pelo dia que a encontraria novamente, mesmo sem querer pensar no porque.

E assim fora, dias depois , enquanto ele caminhava nuns bosques remotos que adornavam a bela Escócia, ganhara esse hábito, porque era isolado e por norma, não encontrava uma pessoa que o odiava no meio da natureza ao anoitecer.

Quando chegara perto de um rio, que compunha aquela trilha que ele estava fazendo, vira uma tenda disposta de frente para este e com alguma surpresa, ele a encontrara.

De todos os locais, não pensava que seria ali, era algum mal-fadado destino que o punha nessa trilha, só para a achar?

E igual borboleta se atrai á bela luz, ele seguira-a até sua tenda no meio do nada. Que ela faria ali?

— Astoria?

Por incrível que fosse, ela olhara-o sorrindo de leve, aproximando-se dele, por amor de Merlin, encontrava-se com a blusa aberta os botões, revelando seu espartilho avermelhado, que lhe assentava divinamente, vira para onde ele olhava, ao que ela sorrira ainda mais, o convidando a entrar, fechando a entrada da tenda ao que ele franzira o cenho, ela rira-se de leve.

—Tem muitos pernilongos e mosquitos no cair da noite...a menos que você queira ficar picado sugiro que entre Draco e mantenha fechado...

—Que faz aqui?

Astoria franzira-lhe aquela bela sobrancelha, suspirando de leve, desviando o rosto por uns segundos.

—Busco ervas que crescem aqui, Draco...pode ter curas especiais...para casos especiais...e você? Que faz aqui?

Ele não focara no que ela dizia, afinal, aproximava-se dele devagar, rodeando-o com seus braços, encostando ao corpo dela, ao que o beijara e ele correspondera com alguma relutância.

O pensamento dos últimos dias dominava-lhe o pensamento. Ela pressentira, afastando-se de leve, com o mesmo sorriso intacto.

—Não foi por isso que veio?

Draco olhara-a, não por isso que ele a seguira? Que ele sempre se pegava voltando para ela, mesmo sabendo que ela nunca ficava? Seus pensamentos se estrangulavam uns aos outros, engolindo em seco, fixara o rosto dela, alisando de leve a sua face ao que ela não o afastara, alargando mais o sorriso, ao que ele falara sem pensar, mais precisamente falando o que seu coração lhe dizia.

—Vim por você...

—Porque?

Encostara a sua testa na dela, fechando os olhos, ao que ela o abraçara , rodeando e apertando com seus braços. Ela falara novamente.

—Não me diga que finalmente, Draco Malfoy perdeu o juízo...decidindo seguir-me...pelo bosque.- Dissera num tom de brincadeira, que tentava quebrar aquele silêncio que se seguira a sua pergunta.

Ele desencostara do rosto dela, alisando seu rosto, ao que ela intensificara o olhar.

—Não poderia perder o que nunca tive, Astoria...

Ela sorrira ainda mais, passando o dorso de sua mão, pelo seu ombro.

—Realmente...

Ficaram em silêncio, olhando um para o outro, como tentando descobrir o pensamento do outro.

—Esse cheiro...

—Morangos e baunilha...- Sussurrara, ao que ele assentia ao que ela havia dito.

—Sim...esse cheiro...

A morena olhara-o interrogativamente, como questionando que ele queria dizer.

—O momento que mais temo é de toda a vez que você vai embora é quando acaba. Quando você realmente vai embora...

Astoria olhara-o, perdendo algo do seu sorriso, sem perder toda a sua característica intensidade . Seu coração batia a mil por hora, esperando o que ela iria dizer.

— Você foi embora primeiro...daquele hotel. Eu acordei naquele lugar e você tinha ido embora.

Engolira em seco, remexendo devagar no seu cabelo, sentindo-se um idiota naquele momento.

—Me perdoe...

Ela não respondera somente o beijara, ao que ele apressara-se em corresponder, puxando-a para perto, terminando de retirar aquela incomoda blusa, sob o olhar sorridente dela.

E dessa vez, naquela manhã quando acordara, virara-se ainda com algo de receio mas logo acalmara-se ao vê-la ali, acordando ao notar o movimento da cama, sorrindo para ele, apertando a sua mão.

Uma alegria sem fim o preenchia, ao corresponder ao aperto de sua mão.

Nesse momento, não precisara de nenhuma auto-análise profunda a si mesmo para saber, que a amava e ela era importante para ele.

E por Merlin, não a deixaria escapar dessa vez.