Capítulo 2 - O traidor da Organização Kara

"Mitsuki, é a sua vez"

"Por que a minha?"

"Porque eu estou dizendo que é a sua vez, `ttebasa!"

Boruto e Mitsuki estavam naquele impasse a minutos e aquilo estava deixando Sarada maluca. Os três estavam voltando de uma missão de escolta no País da Água, e haviam acabado de aterrisar no País do Fogo de navio. Para serem discretos, os três haviam assumidos diferentes identidades para proteger o Daimyō do País do Fogo até uma reunião com o Daimyō do País da Água, e seus disfarces eram de assumirem serem comissários de bordo dentro do navio. A missão havia sido um sucesso, e o Daimyō do País do Fogo já estava de volta são e salvo, liberando então o Time 7 da missão para voltar para casa e entregar seu relatório da missão.

É claro que a missão do Time 7, um grupo de ninjas experientes preparados para uma missão de Rank S, não era somente escoltar o Daimyō do País do Fogo, internamente, ele tinham uma missão secundária confiada a eles pelo Sétimo Hokage. Investigar a fundo um possível ex-membro da Organização Kara.

"Há grandes chances de que esse ex-membro seja Amado, que foi o responsável por todos os experimentos envolvendo o Karma. Se o encontrarmos podemos ter todas as nossas respostas", Naruto começara a explicar a missão secundária para o Time 7.

"É claro que as chances são mínimas. Vale lembrar que Amado está sendo procurado pelos próprios membros da Organização Kara. Ele é um traidor e é experiente. Não será fácil de encontrá-lo", Shikamaru completou, "Amado será morto imediatamente quando encontrado. E por esse motivo, nem mesmo temos informações sobre ele pelo mercado negro, Sasuke já investigou a fundo todos os pontos de encontro nos últimos meses. Ninguém sabe sobre ele. Nossa única esperança é essa informação que recebemos de um informante anônimo".

"Tenham cuidado. Não é para vocês agirem, vocês não tem permissão nenhuma para isso. O que eu quero é: que vocês verifiquem a veracidade dessa informação. Qualquer atividade suspeita, liguem por um celular pré-pago para a minha linha segura e imediatamente eliminem o aparelho. Deixaremos membros da Anbu prontos na costa caso necessário", Naruto completou, olhando a carinha de cada membro do Time 7.

"Tomem cuidado", Shikamaru murmurou.

Sarada sentia-se frustada por não terem descoberto absolutamente nada sobre aquela informação. Ela procurou por todas as pistas possíveis, mas não haviam encontrado nada de relevante. Era bem possível que o informante estava a quilômetros de distância do País da Água. Ela não conseguia não encarar o símbolo na palma de Boruto, que aparecia sempre que ele a abria energeticamente enquanto discutia com Mitsuki. Kawaki estava desaparecido há quase 5 anos, e eles não tinham notícias nenhuma sobre o paradeiro do garoto. Se eles demorassem para descobrir qualquer coisa sobre os próximos passos da Organização Kara, logo Jigen voltaria, e eles estavam com as mãos vazias.

Estamos ficando sem tempo…

"Sa—ra—daaaaa?"

Ela finalmente olhou para Boruto, que a encarava com as mãos cruzadas atrás da cabeça, esperando por sua resposta. Mitsuki deu um olhar interrogativo para ela, mas ela ignorou.

"O que é?"

"Quem você acha que deveria pagar a conta?"

Tantos problemas para se pensar. A cabeça de Sarada estava a mil. Quem era o informante e por que se arriscar com uma informação tão perigosa? Por que Amado trairia a Organização Kara se ele era o cientista responsável pelo Karma sintético? Por que Kawaki fugiu com Jigen sem dar pistas aos amigos de seu paradeiro? Por que Jigen ainda não atacou? O que ele estava esperando? Por que seu pai demostrava quase que uma desistência de procurar por pistas da Organização? Será por que ele estava otimista ou pessimista? Por quê? Por quê? Por quê? A quantidade de porquês eram enormes, e se Sarada quisesse sair um pouco desse devaneio, ela precisava relaxar um pouco e fingir que tudo estava bem.

"É você, com certeza", ela respondeu com desdém, empinando o nariz e passando entre os dois garotos.

"Por que, eu, `attebasa!?"

"Não é você que ficou a viagem inteira se gabando que era o líder dessa vez da equipe?", ela começou a usar as palavras dele contra ele.

"Sim, mas…"

"Nada mais justo do que você pagar a nossa conta. Tivemos que te suportar a missão inteira, pague nosso almoço. O que você acha, Mitsuki?"

"Acho que você tem razão", Mitsuki respondeu categórico.

Mitsuki seguiu Sarada até um restaurante próximo da costa, deixando um Boruto muito bolado por toda a situação

"Lá se vai meu salário dessa missão, `ttebasa…", lamentou.


"Olha, Sarada, aqui tem frutos do mar"

"Boruto"

"Hum?"

"Estamos na costa"

"Sim", ele respondeu, ainda encarando o menu.

"É um pouco óbvio que aqui tem frutos do mar", ela respondeu com petulância, fazendo Mitsuki rir.

"Você sabe que ele só quer te impressionar, não sabe?", Mitsuki cochilou no ouvido dela enquanto Boruto estava ocupado pedindo seu X-Burguer com a garçonete, fazendo-a corar.

Os três estavam sentados no balcão de um restaurante bem simples na costa do País do Fogo, sentados enfileirados. Apesar da hora do almoço ter terminado, ainda havia algumas pessoas sentadas por algumas mesas do restaurante, gerando um silêncio agradável. Sarada havia pedido uma porção de anéis de lula á milanesa para dividir com Mitsuki.

"Não vejo a hora de voltar para casa, já fazem mais de 3 semanas, Himawari já deve ter voltado da missão dela na Areia", Boruto começou a puxar assunto, enquanto esperava pela comida.

"Ela está se destacando muito nos últimos tempos, tenho ouvido muitos elogios dela, eu teria muito orgulho", Sarada sorriu ao falar sobre a amiga. E era verdade, Sarada sentia um tremendo orgulho da kunoichi que Himawari estava se tornando, era como se ela sentisse orgulho de uma irmã. Sarada passou tanto tempo querendo um irmão que Himawari acabou se tornando uma por convivência, e isso nunca passou despercebido por Boruto. Se algum dia ele não pudesse estar presente, ele sabia que podia confiar em Sarada para ajudar Himawari. Mas é claro que muito tardiamente lhe veio o irmão que ela tanto queria. Boruto achava um máximo o quão Sarada era diferente perto de Satoshi. Era como se ela girasse em torno do garoto, e ao mesmo tempo, ele a admirava como uma deusa. Boruto via muito dele em Sarada, assim como via muito do Satoshi em Himawari. Eles eram irmãos tremendamente conectados.

"Ouvi falar que Satoshi começou a frequentar a academia ninja também", Mitsuki murmurou, querendo participar do assunto.

"Dá para acreditar? Parece que foi ontem que ele nasceu, e agora já está frequentando a academia. Ainda bem que deu tempo de eu estar presente em seu primeiro dia de aula antes de vir para essa missão, eu não iria querer perder isso por nada", Sarada sempre era muito falante quando se tratava do irmão, e ambos os garotos achavam quase que engraçado esse fato. A garota durona do Time 7 que babava para cima do irmão caçula.

"Sasuke-san comentou que Satoshi não deixou ninguém dormir na véspera", Boruto disse, divertido.

Sarada riu, "Meu pai teve que cansar ele até ele dormir, minha mãe não gostou muito da ideia, mas meu pai levou ele até o campo de treinamento para treinar taijutsu até ele desmaiar. Ele trouxe o Satoshi nas costas quando eram quase 3 horas da manhã"

"Ele é cheio de energia", Mitsuki comentou.

"E eu não sei da onde ele tira tanta energia", Sarada respondeu, lembrando-se do dia. Ela sempre admirava a interação entre o pai e o irmão. Ela claro o quão fácil era para Sasuke lidar e interagir com Satoshi, e isso se dava ao fato de que agora seu pai era mais presente na vida da família. É claro que seu relacionamento com o pai também era daquele jeito, mas eles demoraram um tempo para conseguir sentirem-se a vontade um com o outro. Com Satoshi foi natural desde o início, mas porquê Satoshi crescera junto da personalidade constrita do pai.

"….nessa tragédia que ficará marcada em nossa história em Konoha"

Uma voz que parecia surgir da televisão chamou a atenção dos membros do Time 7. Quando olharam para a televisão, eles viram uma manchete "Konoha Atacada: Responsáveis Ainda Desconhecidos", com o barulho da conversa ao fundo de algumas pessoas, Boruto pediu para que a garçonete do outro lado do balcão aumentasse um pouco o volume.

"Há informações atualizadas sobre o número de vitimas, Mayumi?", o âncora perguntou ao repórter que estava em um local desconhecido. O lugar estava cheio de escombros, e ao fundo, era possível observar vários ninja médicos pelo local, com macas e parecia que até mesmo havia corpos no chão.

"Heidi…", a repórter parecia respirar fundo, como se preparasse para soltar uma informação, "Segundo informações direto da equipe médica, já foram encontrados 384 corpos, desses corpos, 6 ainda não identificados, mas provavelmente são de professores da instituição por conta do tamanho", a repórter parecia que segurava o choro.

"Mayumi? E os outros 378 corpos?", a voz do âncora era insistente.

"Todos já foram identificados apesar da semi-carbonização. São todos de crianças entre 5 e 12 anos, estudantes da instituição", a repórter informou.

"O quê?", era a voz de Mitsuki, aparentemente pertubada.

O estômago de Sarada começou a embrulhar.

Não… não… que sensação é essa?

"Mayumi?", a voz do âncora chamou a atenção da repórter, porém a transmissão por algum motivo havia sido cancelada, voltando a câmera para a apresentadora, Heidi.

"Bom, iremos cobrir exclusivamente os últimos acontecimentos nesse ataque cruel e covarde na Academia Ninja de Konoha. Ainda não sabemos todos os detalhes sobre o que motivou o ataque, tudo o que sabemos é que nossa equipe médica especializada está no local e ainda estamos esperançosos de encontrar sobreviventes. As notícias que temos até agora é que o ataque começou as 7:58 da manhã e as primeiras explosões foram identificadas as 8:43 da manhã, sendo que a equipe médica chegou ao local por volta das 8:55 da manhã. Ao todo, a Academia Ninja de Konoha tem matriculado 430 estudantes e 40 servidores. E infelizmente, todos os corpos encontrados já estavam sem vida. A equipe médica luta para encontrar sobreviventes, enquanto ninjas especializados enviados diretamente pelo Lorde Hokage estão fazendo buscas pelo perímetro para encontrar qualquer pista que leve aos responsáveis por essa atrocidade", a âncora finalizou a matéria, e então um símbolo da emissora apareceu pedindo luto por 10 minuto pelas mortes das crianças já identificadas, mostrando rostinho por rostinho na tela da televisão.

"Isso…", Boruto não conseguia pronunciar nenhuma palavra coerente. Parecia que ele estava preso em um pesadelo e ele só queria acordar. Quando ele finalmente olhou para Sarada, ele quase não a reconheceu. Ela tremia. Ela tremia ao ponto dele ouvir seus dentes rangerem.

"Sarada…", Boruto começou, mas a verdade era que ele não sabia nem mesmo o que dizer. O que ele poderia dizer? "Não se preocupe, tudo vai ficar bem"?, e se por acaso fosse Himawari ainda presente na academia? Como ele agiria? Ele conseguia imaginar muito bem como Sarada estava se sentindo, mas ele não fazia a mínima ideia de como ajudá-la naquele momento. O que eu iria querer que me dissessem?

"Eu vou para Konoha, AGORA!", ela pronunciou com a voz tremida, nem tocando na porção que a garçonete acabara de deixar na frente deles. Boruto olhou rapidamente para Mitsuki que logo entendeu o recado. Ele não deixaria Sarada naquele estado seguir sozinha para Konoha. Ele iria junto.

"Eu cuido do resto", Mitsuki assegurou Boruto.

Boruto sabia que não havia nada que ele pudesse dizer a Sarada naquele momento. Ele não conseguia imaginar o que ele poderia falar para acalmá-la, se é que isso fosse possível. Boruto conhecia Sarada, e sabia o quão semelhante ela era com seu mestre, Sasuke. Ela precisava ficar sozinha, mas ele também não tinha coragem de deixá-la, não naquele estado. Ainda respeitando o espaço dela, ele a seguiu através das árvores, deixando claro a ela que ela não estava só, e ao mesmo tempo, que ele respeitava o espaço que ela almejava naquele momento até Konoha.

Ele só esperava que eles não fossem recebidos por más notícias.

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.

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Satoshi…

Satoshi…

Eu deveria te proteger.

Eu lhe prometi isso.

Eu prometi que lhe protegeria com a minha vida.

Satoshi….

Eu falhei?

Satoshi…

Por favor…

Fazia 4 horas que Sarada sairá em disparada da costa do País do Fogo. Faltava apenas 2 horas para chegar até Konoha. Mas essas horas pareciam dias.

Sarada não conseguia mais segurar as teimosas lágrimas que queimavam seus olhos. Ela não podia chorar. Se ela chorasse, isso era algo ruim. Era como se ela admitisse derrota, como se admitisse que o irmão estava morto.

Não…

Ele estava vivo. Uma parte de sua mente queria acreditar.

430 estudantes… 378 corpos identificados….

Qual era a possibilidade de seu irmão ser um sobrevivente? Ainda faltava 52 crianças para serem encontradas. Ela precisava se agarrar nessa possibilidade, por mais baixa que fosse. Sarada fechou os olhos com força.

Satoshi…

"Neeee, Onee-Chan, um dia será o seu rosto ali do lado do sétimo!", Satoshi disse alegre, sentado nos ombros de Sarada, seus bracinhos apontando para o monumento do Hokage.

"Você acredita nisso?", apesar de Sarada ter se tornado uma garota um pouco reservada, ela se sentia a vontade em demonstrar um pouco de sua insegurança na presença do irmão. Ela conseguia ser ela mesma na presença dele.

"Mas é claro, você é a ninja mais forte do mundo. Tenho certeza que é mais forte que o papai e a mamãe juntos!", ele respondeu, convicto de sua resposta, fazendo Sarada rir.

"Você me endeusa demais"

"E quando esse dia chegar, eu vou ser um ninja muito forte também, e eu irei te proteger", Sarada olhou para cima, e encarou o olhar do irmão para o monumento do Hokage. Ela podia sentir a firmeza e a determinação daquelas palavras.

Mesmo sendo tão pequeno… da onde ele tira toda essa segurança?

"Sempre?", ela perguntou a ele, sorrindo genuinamente para seu bem mais precioso em vida.

"Sempre!", ele respondeu aproximando o rosto do couro cabeludo da irmã.

Satoshi…

Sarada não podia perder as esperanças.

"Esteja… vivo", ela abriu os olhos. Um vermelho vivo dominava sua íris, mostrando um arranjo diferente dos tomoes padrões do Sharingan. Era um formato oval, com riscas negras, que sobre o fundo vermelho, formava um arranjo floral.

O Mangekyou Sharingan.