Capítulo 2

"Muito obrigado pela comida, ela estava deliciosa" Inclusive é ainda melhor por ser grátis e inclusa no meu pagamento anterior.

"Oh que educado..." Sério que alguém com boas maneiras é tão incomum, isso é básico. "Que bom que você tenha gostado, caso queira mais é só pedir. Normalmente não permitimos os clientes repetirem; mas com sua gentileza acredito que você merece." Piscando para mim, a dona da estalagem volta para a cozinha fazer os pratos para os outros clientes.

Desde hoje de manhã, eu consegui aprender algumas coisas novas.

Primeiro que o nome da dona da estalagem é Laila, ela é mais bonita do que eu esperava de uma mulher com 35 ano, estar em um mundo de animes realmente faz milagres; e a sua filha que cuida do atendimento se chama Mio, parece que ela é antissocial.

Olho para a Mio que acabou de terminar um de seus livros. Ela percebeu meu olhar. 'Não se preocupe Mio, eu te entendo.' Dou um joinha enquanto deixava minha simpatia por sua situação clara nos meus olhos.

Ela estremece e pega outro livro para ler. Eh!? parece que ela entendeu errado.

Ah é mesmo, outra coisa que aprendi foi que minha aparência mudou MUITO.

Eu pareço algo entre um vilão de NTR e um personagem secundário. Uma fusão entre o protagonista de REDO HEALER com uma pele clara de Tanaka-kun e olhos verdes claros meio assustadores.

É claro que coisas importantes como o meu biotipo não mudaram quase nada, e graças a Deus o meu tamanho lá embaixo não aumentou drasticamente então com certeza não sou algum tipo de escória NTR.

Também pensei se tinha alguma forma de voltar para casa. Tipo minha antiga casa.

A única maneira plausível seria destruindo o Rei Demônio e depois pedir as Deusas para me levarem de volta. Mas além disso não ser possível, também seria meio idiota. Afinal existe muitas coisas que se pode pedir e seria melhor do que apenas ir para casa.

A segunda verdadeira mágica, o poder dos Planeswalkers, imortalidade(talvez não); são muitas opções melhores para pedir.

Pedir um Kaleidostick seria com certeza o que eu faria. Mesmo que ele fosse um pervertido idiota, eu ainda seria basicamente invencível e com o poder de mudar para qualquer plano existencial.

E o tanto de waifus e poderes que eu conseguiria... "Hehehehe, isso seria bom." Não tenho mais dúvidas, esse será a minha prioridade nesse mundo. Matar o Rei Demônio e conseguir um Kaleidostick.

"Eh, senhor... Você ta bem?" Laila me olha com uma sobrancelha levantada, enquanto Mio gruda ainda mais a cara nos livros.

Então minha mania de falar sozinho sem perceber ainda está presente mesmo aqui... Merda.

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Coloco as minhas mãos em meus joelhos enquanto regulo minha respiração ofegante.

Finalmente cheguei na Guilda dos aventureiros. Parece que a população desse lugar é horrível em dar orientações.

É sério o que 'de meia volta duas vezes e depois curve para o lado mais perto' deveria significar? Eu fui parar em uma bifurcação.

Mesmo assim, depois de seguir a estrada por um bom tempo finalmente encontrei. Uma grande construção com uma faixa enorme com a estampa do que parece um espada junto a uma águia. A famosa e clichê guilda.

Finalmente entro no local, um sentimento de bar dominava quase tudo à vista, normalmente não parece um lugar onde as pessoas mais mortais ficam, a menos que você use Fairy Tail para me refutar.

Bancos e mesas de madeira, garçonetes, um grande balcão onde estão pessoas bebendo; é realmente uma espécie de bar. Porém com uma pitada de clima mitólogico com ossos de dragão circulando pilares junto a estátuas de cavaleiros.

Ando calmamente em direção ao atendimento do lugar, onde uma loira familiar está me olhando com curiosidade. Não só ela como muitos outras pessoas começaram a me encarar.

"Ai! Nunca vi você por aqui antes. Que roupa é essa que você está usando?" Pergunta um cara fortão com moicano que eu não lembro o nome, parece que ele fala a mesma coisa para cada pessoa nova que aparece aqui. Bem se for para jogar assim, então vamos.

"Ah, na verdade eu vim de um lugar bem longe e desconhecido em busca de aventuras." Chego na mesa dele, tentando imitar o jeito do Kazuma. Encaro ele com um sorriso no rosto. "Quero me tornar o aventureiro que irá matar o Rei Demônio".

"Humm..." Ele me olha por um tempo e depois sorri. "Está falando sério, criança corajosa." Seu sorriso aumenta ainda mais, ele deve mesmo gostar de assustar novatos. "Bem vindo aos portões do inferno! Se está procurar se inscrever a recepção é para lá" Ele aponta com o dedão para a direita, eu meio que já tinha visto, mas tudo bem.

"Obrigado, que o fogo do inferno tenha pena de minha alma." Espero não ter sido muito Chunni. Talvez eu tenha falado alto demais... muitas pessoas estão olhando para mim aqui. Pelo menos é curiosidade e não medo.

Quando chego no balcão de inscrição, não perco mais tempo "Gostaria de me inscrever na guilda".

"Nesse caso, primeiro preciso que você pague a taxa de inscrição. São 1000 eris por favor" Pelo menos isso eu acertei.

"Aqui senhorita." Dou minhas únicas moedas para ela, que as pega antes de ir buscar algo.

Agora que penso bem, como consigo falar com essas pessoas em português? Talvez seja algum tipo de feitiço passivo de tradução, ou eles realmente falam essa língua por aqui? Não pode ser isso, me lembro do Kyou-algumacoisa usando honoríficos japoneses antes.

"Aqui está!" ela volta trazendo um cartão consigo.

Ela sai da recepção, colocando um mecanismo composto por uma grande bola azul no balcão em minha frente.

Agora deve começar a explicação chata. "Esse cartão irá coletar e gravar as informações dos monstros que você eliminar. Eliminar monstros e completar missões é o trabalho do aventureiro. E esse cartão será seu registo, além disso cada aventureiro possui uma ocupação em que é especializado" Nada de diferente do original então.

"Ao matar monstros você conseguirá Experiência, com muita experiência você passará de nível e ao passar de nível você conseguirá pontos de habilidade para desbloquear habilidades novas e ficar mais forte. Então se esforce para subir de nível, entendido?"

"Sim, entendido." Por favor acaba logo essa palestra.

Ela acena feliz, deve ser chato ter que repetir tudo isso afinal.

Apontando para o maquinário estranho em suas costas ela exclama. "Então coloque sua mão encima desse cristal azul, por favor." Sem perder tempo, eu a obedeço.

O cristal arredondado começa a brilhar, a máquina em funcionamento começa a gravar informações no meu cartão de aventureiro através de um raio azul. Como será que isso funciona realmente?

Quando a máquina finalmente termina, Luna a recepcionista pega o meu cartão e começa analisa-lo. Espera um pouco, isso não é invasão de privacidade?

Ela percebe meu olhar é claro. "Ah não se preocupe! o cartão não possui informações comprometedoras. Apenas preciso analisar os seus atributos para coloca-lo em uma ocupação." Certo, certo, vamos do seu jeito Luna. Como se não soubesse que irão pegar minhas informações e divulga-las para as outras guildas, organizações ardilosas.

"Rick Kotomine-san é? Vamos ver..." O que? Como o cartão anotou meu pseudônimo?

"Mediano nos atributos gerais, apesar de possuir uma inteligência alta... Hã? Seu atributo mágico também é mais alto que o normal, interessante. Talvez você possa pegar uma ocupação como aprendiz mágico." Magia!? mas que sorte. Pelo menos ganhei em alguma loteria genética dessa vez.

"Errr... como assim?" Ela está bem tensa olhando para o meu cartão agora. "Luna-san, possui algo de errado com meu cartão?" Vamos lá, minha sorte finalmente chegou e algo ruim acontece? Sério?

"Ah, não é nada muito ruim. Só que você possui apenas uma ocupação disponível. E eu nunca vi antes." Espera isso não é bom?

"Então é uma ocupação rara?" Pergunto intrigado, se é algo raro, ela devia tá gritando de surpresa ou algo assim.

"Bem, pode ser... Mas é que não consigo ver as informações dessa ocupação. E esse é meu trabalho..." Ah entendi. Ela só está triste por não conseguir fazer a sua função, e eu assustado atoa.

"Ah não se preocupe, eu me viro com a ocupação pode colocá-la ai." Uma ocupação rara, dupla sorte. "Além disso, qual é ela exatamente."

Luna termina de anotar tudo no meu cartão e depois volta sua atenção para minha pessoa. "Aqui está" ela o entrega em minhas mãos "o nome da sua ocupação é 'Magu', imagino que tenha relação com magia pelo nome, mas não tenho certeza."

'Magu'? Onde já ouvi isso antes? Me lembro de ver algo parecido nas séries Fate, talvez seja isso.

"Ohoo! Então o novato possui uma classe rara em" As pessoas começaram a se amontoar ao meu redor. Agora eles estão fazendo uma barulheira enorme.

Inclusive as outras funcionárias da Guilda estão fazendo uma fila na minha frente. Deve ser algum roteiro padrão para casos raros como o meu.

Luna começa a falar em uma postura de respeito. "Sem mais delongas, bem vindo a nossa guilda de aventureiros, Rick-sama." Meu nome realmente não combina com honoríficos japoneses. "Todos os nossos membros estão ansiosos por suas proezas!"

Agora o barulho foi para o seu pico. Todo mundo desse lugar é tão animado assim?

"Uou uma classe rara, que incrível!" Diz uma maga bonitinha.

"Alguém como você poderá derrotar o rei demônio, garoto destemido!" Você com isso de novo?

Odeio multidões. Saio caminhando da construção e procuro um lugar vazio para testar hipóteses, foi até fácil já que as pessoas abriram caminho para eu passar. Consegui ficar fora daquele amontoado de pessoas, já é alguma coisa.

Eu olhei ao meu redor. Embora não havia nada para temer aqui, ainda precisava saber em que parte do Canon eu estava. Se o Mitsurugi já está aqui e com sua espada, significa que não posso estar longe do começo.

Preciso conseguir a Megumin em minha festa antes do Kazuma, não quero ter que ficar no meio daquele bando dele depois, inclusive com a doida da Aqua. Nunca irei entender como ela ganhou da Megumin em todos os rankings de popularidade. MALDITA SEJA A DEMOCRACIA.

Olho para o meu cartão em excitação.

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Nome: Rick Kotomine

Ocupação: [Magu]

Level: 1

Força: 9 Inteligência: 30

Resistência: 9 Magia: 25

Agilidade: 10 Sorte: 10

SKILLS (SP: 5)

[ Create Wind ] [ - ]

[ Create Spark ] [ - ]

[ Create Éter ] [ - ]

[ - ] [ - ]

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Então essas são minhas afinidades mágicas, me lembro disso de Type Moon. A magia de Fate é baseada em mistério, em que a raiz alimentaria o poder do magu dando vida ao mistério. Cada magu possui tipos de afinidade, além de uma origem que deve ser desbloqueada. Também tinha algumas leis, como a da troca equivalente em que a magia só poderia dar a luz a algo já existente, mas é muito complicado para entender agora.

No que me lembro as afinidades de Vento e raio são meio que autoexplicativas, mas a do Éter é complexa. Tanto que a habilidade dele precisa da PORRA de 50 SP para desbloquar. Enquanto os outros precisam apenas de 2. Isso é um roubo.

Ativo as habilidades 'Create Wind e Spark' já que eles eram bem baratos.

Meu corpo começa a brilhar em verde e doer. DOER MUITO. DOER PARA CARALHO.

Começo a ofegar enquanto meu corpo volta ao normal. "Mas o que infernos foi isso?" Olhe de volta para o meu cartão e descubro algo anormal.

Minha magia que antes era 30 agora não era mais um número. Estava representado pela letra B junto ao sinal de menos, ou seja, B-.

Só pode significar que eu desbloqueie meus circuitos mágicos. E se fosse isso então eu deveria poder senti-los no meu corpo.

Fecho os meus olhos e tento sentir algo dentro de mim. E incrivelmente eu consigo, é como um membro extra que nunca vi, formado por vários agromerados grandes juntos a ligações. E nesses acúmulos seria armazenado algum tipo de energia, provavelmente a magia. Contei 20 acúmulos no total, o que significa 20 circuitos, um número até que bom.

Agora então, está na hora de. "TESTAR MAGIA!"

"Okaa-sama por que aquele moço está gritando sozinho?" O que?

"Cuidado filho, não se misture com essas pessoas estranhas" A mulher que imagino ser a mãe começa a se afastar levando o filho junto.

Meu rosto cora de vergonha, ainda bem que era só eles que estavam aqui.

Mas quem se importa, é hora da magia.

Estendo minha mão para frente, regulo minha respiração atento com o olhar em minha frente. Abro a mão e digo "Create WIND!"

...

NADA. Como assim nada.

Ainda com a mão estendida, tento outra coisa "Create Spark!"

...

...

NADA MAIS UMA VEZ. Mas o que está faltando?

Vamos ver... Eu estendi minha mão e falei as palavras de ativação, o que mais falta para fazer magia?

... Ah, é claro. A MANA.

Mantendo meu braço estendido, comecei a mexer nos meus circuitos levando a mana pelo meu braço até minha mão. Esvaziei dois circuitos e tentei mais uma vez. "Create WIND!"

Um vento mediano, do tipo que um ventilador na sua potência alta produz, saiu das minhas mãos pelo que imagino ser exatos 5 segundos.

Esvaziando mais 5 circuitos, eu fiz o mesmo procedimento. Dessa vez saiu um vento forte como o de uma ventania, não o suficiente para levar um pessoa embora, porém forte o bastante para dificultar seus movimentos.

Fiz mais alguns testes e tive algumas conclusões interessantes. Quanto mais mana é aplicada mais forte é a magia; Demora até 10 minutos para um circuito recarregar por completo e é recuperado um de cada vez;

Além disso o 'Create Spark' não é útil para ser letal, e sim para paralisar o oponente. Testei ele em uns ratos que apareceram, e os roedores ficaram apenas alguns minutos paralisados mesmo eu aplicando 10 circuitos mágicos inteiros na habilidade.

As implicações eram claras. Precisarei usar armas letais para conseguir eliminar monstros, porém não tenho dinheiro para isso. O problema era claro... Precisarei fazer um empréstimo.

Droga, mais dívidas.

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"Esse lugar é imenso!" Minha voz ranzinza eccoa na floresta que estou. Peguei uma missão simples de matar 10 coelhos unicórnios, o interessante é que não preciso realmente leva-los para a guilda, alguém é responsável por pegar eles mortos depois.

Agora estou com uma espada simples de ferro, peguei ela de um empréstimo de 200 mil eris; dependendo de quantos coelhos eu conseguir eliminar minha dívida será quitada rápido.

*Ping* *Ping*

Coelhos com chifres na testa; vários deles estão aqui, o que significa que deve ter uma plantação de cenouras por perto, mas isso não importa agora.

*Squeak*

O coelho mais próximo protesta antes de falecer, tiro a espada de seu corpo e começo a caça.

Os outros coelhos alertados começam a mirar seus chifres ne mim, 'então é assim que eles vão atacar é'. Cinco pulam direto em minha direção, caindo em minha armadilha.

"Create Wind!" Seis circuitos mágicos foram o suficiente, seus saltos bateram em meu vento empurrando-os para trás, eles caem confusos e eu aproveito é claro.

*Squeak* *Squeak*

Acabar com eles era fácil, sua pele não era resistente então eu podia perfura-los e até mesmo atravessa-los inteiros.

Uma coisa que o anime não mostrou foi o TANTO DE SANGUE que isso gera, é muito nojento e perturbador, eu até hesitei algumas vezes por isso.

*SQUEEEAKKK*

Mais de 10 deles estão me encarando agora, 'então querem ganhar por número é?'

"Create Wind!" Coloco 10 circuitos dessa vez, e corro para eles ao mesmo tempo que faço magia, afinal quem disse que precisa ficar parado para usar magia.

O forte vento empurra sujeira nos olhos dos monstrinhos ao mesmo tempo que os desequilibra, quando chego perto o suficiente começo a mata-los de forma rápida e eficiente.

*Squeak*

Perfurar, tirar, desviar, perfurar, tirar. Um ciclo não muito dificil, exceto por algumas vezes que a espada ficava presa nos orgãos do animal, ai ficava mais dificil e nojento tirar a espada. No entanto, ignorando essa parte não foi algo dificil de se fazer.

Não demorou muito e eu já tinha matado uns 19 coelhos unicórnios. Alguns fugiram, mas ainda é quase o dobro do que a missão pedia.

"Por que ninguém tinha aceitado essa missão antes de mim afinal?" Uma missão relativamente fácil que dava 150 000 eris por 10 coelhos abatidos, e mesmo assim de acordo com a Luna ninguém queria pegar ela, diziam que é muito perigoso.

"Onde está o perigo afinal?" Meu sorriso escancarado, algo fácil assim já me deu o suficiente para quitar todas as minhas dividas; esse mundo é mais fácil do que o esperado.

Ao ativar a lei de Murphy de forma estúpida, começo a sentir o chão tremer bastante, como se algo grande estivesse chegando.

"Mas o que?" ao olhar para trás vejo algo assustador.

Um coelho de pele escura com no minimo 3 metros de altura e 3 chifres enormes na cabeça. E uma coisa estava clara em seu olhar, era seu ódio.

*SSSSSSQUEEEEEEEEEEEEEEEEAAAAAAAAAKKKKKKKKKK*

...

É, tô ferrado.