Era bem tarde da noite, sai do restaurante que trabalhava há quase um ano e estava entrando no meu carro quando o cliente de mais cedo se aproximou. Minhas mãos tremendo, meu coração batendo acelerado e as minhas chaves caindo no chão, tudo ai mesmo tempo. Merda!

- É Mary Isabella, não é?

- É sim senhor. - Tentei ser o mais pobre possível em meu vocabulário. Minhas chaves estavam no chão ainda e me abaixo bem rápido para pegar.

- Você fica bonita assim, comigo te olhando de joelhos, pronta para me receber. - Ele lambeu os lábios e tentou se aproximar.

- Por favor, me deixe ir. - As aulas de autodefesa só me ajudariam se ele estivesse sozinho. - Eu preciso ir.

- É claro querida, mas antes, vai ter que me dar o que eu percebi a noite inteira que você queria me dar. Não pense que não notei seus olhares.

- Eu olho para todos da mesma forma, é meu serviço.

- Entendo. Mas se antes você não me queria, agora vou te fazer implorar por mim. - Ele agarrou meus cabelos da nuca e me puxou para o beco do outro lado. Tropecei duas vezes, além de forçar meu peso contra o meu raptor.

- Me larga! - Eu estava berrando para ele o tempo todo e ele apertava e puxava mais o meu cabelo.

Fui jogada com força no chão. Senti algo pontudo ali. Um pedaço de vidro.

O louco estuprador estava abaixando as calças, aperto o vidro em minha mão sem me importar em cortar minha pele. Ele se deitou em cima de mim e forçava minha calça para baixo. Esperei que ele prestasse atenção no meu zíper antes de enfiar a ponta do caco em sua garganta. Uma, duas, três, quatro vezes.

Sangue jorrava em cima de mim e ele tentou estancar os cortes, mas eu sabia que era em vão. Tirei o corpo de cima de mim e corri de volta para o meu carro. Minhas chaves ainda estavam no chão. Entrei e dei partida, acelerei o máximo que podia e tomei um caminho diferente. Dei duas voltas e entrei com o carro no quintal da casa abandonada.

Naquele momento, eu ainda pensava que só uma pessoa poderia me entender e salvar.

Abri a porta de casa, minha adorável casa azul. As luzes estavam apagadas, mas a do quarto ainda estava acessa. Ele sempre me esperava acordado. Escutei a água do chuveiro.

Tirei a bolsa e coloquei em cima da cama. Olhei para os meus braços e roupas ensopados pelo sangue daquele homem. Minha cabeça rodou e eu fui ao chão. Minhas lágrimas e soluços preenchiam o quarto. Ele deve ter escutado, pois saiu enrolando o meu roupão sem se preocupar em ver se estava bem fechado.

- O que...? Bella o que... o que houve, esse sangue é seu? - Ele se ajoelhou ao meu lado. Ele tentava encontrar por onde esse sangue saia. Minhas mãos ardiam agora.

- Eu... Eu... ten-tei impedir. Edward, ele tentou me... ele quis que eu...

- Quem Bella? Respire fundo. Vamos, você vai respirar junto comigo. Vamos.

- Eu juro que não me insinuei o cliente, mas ele disse que iria me pegar.

Ele estava entendendo, como eu imaginava. Ele percebeu que minha calça estava com o zíper quebrado e meu cabelo bagunçado. Eu chorei lembrando do sangue jorrando e do meu salvador, um pedaço de vidro e minha vontade de viver.

- Ele... não precisa contar nesse segundo. Mas me diz, ele te machucou?

- Não sinto nada. - Eu solucei. - Edward, eu o matei.

- Como?

- Um pedaço de vidro... eu peguei e esperei ele olhar pra baixo e... -Fechei os olhos. Eu matei um cara. Eu sou uma assassina.

- Bella. - Ele me fez o encarar.

- Enfiei o caco no pescoço dele. O sangue jorrou em mim... eu... eu não queria matar ele, não quero ir para a prisão.

- Não vai amor, sei que foi para se defender.

- Mas ele tinha um estilo e um sotaque forte. Mais cedo o vi com dois brutamontes... seguranças, sim, eram seguranças. Edward e se ele for um cara rico e descobrirem que o matei. Tentarão te matar, me matar, queimar arquivo.

- Temos que os denunciar.

- Não. Eles vão me prender, eu o matei.

- Calma. - Eu mal conseguia respirar, como ficar calma?

- Edward. - Eu choro. - Eu não quero ir presa. Eu vou morrer ou ser presa. O que eu fiz?

- Ei. O que está dizendo? Poderia ter morrido antes. E se ele, além de violentar você, te deixasse para morrer onde quer que ele tenha te levado?

Levo as mãos à cabeça.

- Meu pai. Temos que falar com ele. Ele pode nos ajudar. Só posso confiar na polícia se ele estiver junto.

- Então. Assim será.

- Preciso tomar banho.

- Não pode amor. - Ele avisou chateado. - Isso é evidência. Precisam ver o que ele fez, tirar fotos... não pode se lavar até essa parte acabar?

- E quando vai acabar? - Edward ficou cabisbaixo e não me respondeu. - Isso mal começou.