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Na manhã seguinte, acordei Peter bem cedo para irmos a minha lanchonete preferida por aqui. Eu ainda tinha mais duas provas na semana até finalmente o semestre acabar. Depois, seriam mais 4 dias até minha formatura. Um frio na barriga de ansiedade sempre tomava conta de mim quando eu pensava nisso.

– Você nunca me contou quais são seus planos para depois da formatura, Peter. – Eu estava comendo waffle com calda de frutas vermelhas e um chá gelado de limão. Peter já havia terminado seus ovos com bacon e seu suco de laranja, então ocasionalmente roubava pedaços do meu waffle.

– É claro que eu já contei. – Ele enrugou a testa e me olhou com descrença.

– Não me contou, não. – Afasto seu garfo com o meu antes que ele pegue mais um pedaço com calda. – Sempre que eu pergunto, você muda de assunto.

– Você é tão caluniosa, Lara Jean.

Enquanto eu mostro minha indignação, Peter rouba mais pedaço do waffle.

– Eu não sou caluniosa!

Olhei feio para ele, me dando por vencida e empurrando o resto do meu waffle para ele. Eu não vou conseguir comer tudo a tempo, preciso ir para a prova em 40 minutos e Peter ficaria chateado se eu não o deixasse comer o que falta.

– Para a sua informação, eu consegui um emprego. – Ele falou com a boca cheia e com uma expressão toda orgulhosa. – O emprego dos sonhos.

– Como jogador ou advogado? – Eu me sentia estúpida por não saber. Namoramos há três anos, eu deveria saber, mas namorar a distância pode ser cansativo às vezes.

– Advogado. – Peter falou como se fosse óbvio. – Quanto tivermos nossos filhos, eu posso ser treinador da liga infantil de lacrosse. Já pensou? Eu seria o melhor treinador da liga infantil de todos os tempos.

– Aposto que sim!

É tão fofo quando Peter fala do nosso futuro. Eu sei que ele quer ter filhos e eu também sempre sonhei com isso. Crescer com duas irmãs me fez uma pessoa melhor, tenho certeza disso, e também quero ter três filhos. Não me importaria se fossem três garotas, mas posso apostar que Peter quer ter meninos. Se bem que ele é tão atencioso e tem uma relação tão especial com a Kitty que consigo imaginá-lo sendo pai de meninas sem problema algum.

– Você não precisa ir? – Ele me mostra o horário no celular e mudando de assunto mais uma vez.

– Droga, preciso mesmo. – Levanto e peguei minha bolsa. Peter não se mexe. – Você não vai me acompanhar até a faculdade?

– É que eu vi uma loja de artigos esportivos ali atrás e pensei em dar uma olhada, ver se encontro uma chuteira nova. – Ele limpa o prato em uma última garfada e se levanta.

– Tudo bem. – Eu fico meio desapontada, mas espero que não esteja evidente. – Até mais tarde?

– Até mais tarde. – Peter me dá um beijo de despedida e vou correndo para a prova.

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Estou a caminho do dormitório para encontrar Peter quando meu celular vibra com uma mensagem.

E aí, LJ? Pronta para a formatura?

Era uma mensagem de Chris. Ela acabou indo mesmo para a Costa Rica, mas odiou trabalhar em uma plantação de laranjas. Chris é uma garota da cidade e, assim que pôde, ela arrumou um emprego em um restaurante de Puerto Limón. Há algum tempo, ela está saindo com um instrutor de surf mais velho chamado Rick. Chris parece bem feliz na Costa Rica com o emprego novo e José.

Mandei uma mensagem contando que Peter estava na Califórnia e Chris responde logo em seguida.

Manda a ver, Covey! O corpo quer o que o corpo precisa.

Guardo imediatamente o celular na bolsa. Começo a refletir se foi uma boa ideia ter contado para Chris que eu e Peter fizemos sexo, pois sempre que ela tem uma oportunidade, ela faz piada sobre isso. Ela adora me ver constrangida, então não perde a oportunidade. Mas não posso negar que Kavinsky desperta o pior em mim.

Obviamente contei para Chris só depois de ter conversado com Margot. Foi muito embaraçoso e tive que fazer Margot prometer que não contaria nada ao Ravi. Eles estão morando juntos e ela começou a fazer seu mestrado na Escócia mesmo. Acho que Gogo não volta mais a morar no Estados Unidos, mas eles estão felizes e Kitty está adorando ser "filha única". Não sei como ela reagir quando eu voltar para casa. Quer dizer, eu nem sei se vou morar na mesma casa que papai e da Trina. Eu deveria alugar um lugar para mim ou voltar para o meu quarto antigo? Acho que posso ficar com meu pai só algumas semanas, até eu encontrar um lugar só meu. São tantas coisas para fazer e pensar antes de voltar para a Virgínia que nem sei por onde começo!

Quando entro no quarto, Peter está jogando no Nintendo Switch, deitado na minha cama com uma colcha estilo patchwork que Margot comprou para mim de aniversário. Ele está usando apenas uma calça de moletom, sem camisa, e parece muito despreocupado. Agora só falta uma prova, a de quinta, então eu posso estudar em outro momento, um em que Peter esteja menos sexy.

Entro e tranco a porta atrás de mim. Ele nem tira os olhos da tela do Switch, então eu respiro fundo, tomando coragem, e me sento sobre a sua barriga tanquinho, uma perna de cada lado do seu corpo no que eu espero ser uma postura sexy, e tiro o Nintendo na mão dele.

– Ah Covey, eu estava na fas... – Ele começa a protestar, bravo, quando eu tiro minha blusa de botões e mostro meu sutiã rosa de renda. Tenho a total atenção de Peter e o rosto vermelho, tenho certeza.

Ainda bem que eu raspei minhas pernas ontem, antes de Peter chegar, e que estou usando uma lingerie adulta, nada de roupa íntima fofa coreana.

– O que você está fazendo, Covey? – Os olhos de Peter brilham, me desejando, mas eu noto certa desconfiança no seu tom de voz.

– Bem, nós estamos sozinhos, então... – Eu estou tremendo. É a segunda vez que vamos fazer isso e a primeira que eu tomo a iniciativa. Estou orgulhosa de mim, mas isso não me impede de ficar muito nervosa.

Peter me beija com delicadeza, sem pressa, passeando entre meus lábios, pescoço e colo. A cada movimento da sua mão pelo meu corpo, eu me arrepio. Ele afasta a colcha e me deita na cama, ficando por cima, e concentra seus beijos no meu pescoço. Eu acaricio suas costas e Peter tira a saia que eu estava usando e sua calça de moletom. Ele não estava usando cueca. Não posso comparar ou outros pênis porque só vi o de Peter pessoal, mas posso assegurar que Kavinsky não tem do que se envergonhar. Quando o vejo assim, completamente nu e meu, percebo o quão sortuda eu sou.

Ele passa a mão pela minha cintura, de baixo para cima com movimentos calmos, e segura meu seio sobre o sutiã. Meu estômago parece estar cheio de gelo, mas eu quero ser tocada, desejo ser tocada por Peter.

– Tira meu sutiã. – Minha voz sai baixa e rouca entre um beijo e outro.

Como se uma chave tivesse virando, Peter fica sedento, seus movimentos são mais urgentes e, quando meu sutiã desliza pelos meus braços, ele se demora olhando meu corpo.

– Dá pra você não fazer isso, por favor? – Eu desvio o olhar de Peter e me controlo para não me cobrir. Peter gosta de ser admirado e é muito vaidoso, totalmente contrário de mim.

– Você é linda, Lara Jean. – Ele segura meu queixo para não desviar os olhos dele. – Linda de um jeito fofo e sexy.

Os olhos de Peter estão brilhando e são tentadores. Eu o puxo para perto e agora é minha vez de ser impaciente. Me sinto poderosa e sedutora porque Peter Kavinsky me escolheu, porque ele me quer e me deseja.

– Espera, espera. – Ele se afasta abruptamente. Peter parece assustado e eu começo a me questionar o que posso ter feito de errado. – Eu não sabia que garotas fofas beijavam assim.

– Cala a boca, Kavinsky. – Dou um tapa de leve no braço dele e continuamos a nos beijar.

Quando ele chega no cós da minha calcinha, Peter me olha como se pedindo aprovação e eu faço que sim com a cabeça. Ele tira a minha calcinha também rosa e de renda e passa algum tempo me olhando novamente.

– Para com isso! – Quero puxar a colcha e cobrir meu corpo, mas Kavinsky joga a colcha para mais longe ainda com um sorriso provocante nos lábios.

– Vou pegar a camisinha. – O seguro antes que ele se levante e tiro uma camisinha da minha mesa de cabeceira. Consigo surpreender Peter. – Danadinha.

Ele me lança uma piscadela e se vira para coloca-la. Nunca pensei que ter uma camisinha ali viria a ser útil.

Vejo nesse momento uma oportunidade para desistir e não ser essa garota provocante que eu, definitivamente, não sou. Esse é o momento ideal. Peter talvez nunca mais olhe para a minha cara, mas, se eu quiser desistir, a hora é agora. Só que eu não penso em fugir. Eu quero o Peter e quero que ele me queira. Apesar da tremedeira e do medo, eu quero definitivamente ser a garota do Peter mais uma vez.

Ele se vira e me beija. Peter entra em mim com um gemido baixo e me olha. Ele começa a se movimentar e eu também. Ele olha fundo nos meus olhos e me sinto tímida, com vontade de desviar o olhar, mas seus olhos brilhantes me hipnotizam. Nesse momento, com Peter gemendo sobre mim e também me fazendo gemer, e que eu sinto seu corpo no meu, eu me sinto completa.

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Acordo no meio da noite para ir ao banheiro. Peter dorme de barriga para baixo, espalhado na minha pequena cama de solteiro. Ele dormindo é uma das coisas mais fofas que eu já vi. O rosto dele fica amassado de um jeito que os lábios não se fecham completamente. Seu sono é pesado e ele nem se mexe quando eu volto para a cama.

Me deito bem perto de Peter e, não resisto, começo a acariciar o cabelo dele. Peter acorda sem abrir os olhos, e me puxa para junto dele.

– Essa é a melhor forma de ser acordado, Covey.

Um sorriso bobo surge no meu rosto.

– Pode voltar a dormir, Kavinsky. Ainda é noite.

– Então boa noite, Lara Jean.

– Boa noite, Peter K.