Sinceramente, Nami acreditava que Luffy não era uma pessoa com bom gosto para roupas (e nem para as coisas em geral), mas o yukata que ele escolheu para ela realmente era muito bonito - feito de um tecido azul clarinho com flores de cerejeiras espalhadas por toda a vestimenta e um obi na cor rosa. Mas o bom gosto dele foi realmente demonstrado na forma do yukata preto que escolheu para si mesmo.
A vestimenta era simples, mas ficou tão bom em Luffy que Nami o encarou por alguns segundos porque não conseguia desviar o olhar. A cor e os padrões de nuvens deram um ar mais maduro para o garoto de borracha e ela não foi capaz de não soltar um elogio.
"Caramba Luffy, você ficou bonito."
O garoto apenas a encarou, piscando os olhos e Nami simplesmente virou uma poça de vergonha. Mas, rapidamente, Luffy se recuperou e abriu um sorriso imenso que a distraiu completamente e respondeu simplesmente:
"Ótimo! Eu disse que você é doida, shishishi."
.
.
.
.
.
.
.
Incrivelmente, o capitão tinha, de fato, se comportado durante o passeio às lojas de roupas e como prometido, ela o levou a uma sorveteria próxima. A ruiva sempre ria de como ele agia quando era levado a qualquer lugar que fosse relacionado a comida e mais uma vez, ele não decepcionou. Foi só pisar dentro da sorveteria para que Luffy ficasse maluco. Ela tinha notado o local quando passaram a caminho da viela cheia de lojas de roupas e viu como era colorido, bem iluminado e dizia "venha provar todos os sabores que a melhor sorveteria do Novo Mundo tem a oferecer!", o que a fez pensar instantaneamente que o garoto iria amar o lugar.
Obviamente, não tinha todos os sabores, mas Luffy acreditou e ficou desapontado, gritando com a atendente que isso era propaganda enganosa e a moça do caixa só conseguia ficando olhando entre ele e Nami sem saber o que fazer. A ruiva só queria rir daquela situação toda.
- Luffy! Luffy! Tá bom, se acalme. Que tal pegar um sabor de cada então? Pode ser?
- Sério? SÉRIO, NAMI? OE TIA DO SORVETE, ARRANJA UM BALDE E BOTA TUDO JUNTO!
E mais uma vez Monkey D. Luffy conseguiu deixar pessoas aleatórias completamente loucas da vida com sua hiperatividade e Nami só conseguia achar graça e se sentir tão… em casa. Já fazia um ano desde que todos se juntaram novamente e essa cena caótica já fazia tão parte da vida dela que a navegadora não sabia mais como viver sem isso.
Eu amo esse idiota.
Assim que uma atendente completamente exausta entregou um balde de sorvete nas mãos dele, ele sentou ao lado de Nami e começou a comer com uma expressão divertida, enquanto cantarolava baixinho uma música qualquer. Os dois caíram em um silêncio confortável e ele finalmente se acalmou.
Um Luffy calmo era uma ocorrência raríssima e Nami sempre se espantava. Ela sempre tentava aproveitar esses momentos porque eram ocasiões onde ela conseguia conversar sobre diversos assuntos com ele. Eram momentos onde Monkey D. Luffy se parecia menos com um macaco e mais como... veja bem, um rapaz de vinte anos.
Não é novidade para ninguém que ele agia como um tapado diariamente, mas Nami sabia que, no fundo, Luffy era observador. Especialmente em relação a seus amigos. Ela não chegaria a dizer que existia um cérebro brilhante dentro daquela cabeça sempre coberta por cabelos negros bagunçados, mas dizer que ele tinha zero noção das coisas que aconteciam ao seu redor seria uma completa mentira.
Ela sempre soube disso, mas ainda se surpreende quando essas ocasiões de calmaria acontecem. Elas começaram a aparecer depois de terem se juntado novamente após seus dois anos de separação e a ruiva tinha certeza que isso se devia a tudo que aconteceu na vida de Luffy após a morte de Ace. O amadurecimento era inevitável, mas se Nami pudesse, ela teria dado tudo para que esse crescimento tivesse acontecido de outra forma.
A navegadora apoiou o rosto em um das mãos e o encarou. Hoje ele estava particularmente amável vestido com uma camisa de gola amarela, bermuda cáqui, e uma bota marrom. O chapéu de palha estava por cima de um outro laranja com um óculos de mergulho preso que Nami tinha quase certeza que era o mesmo que ela tinha dado de presente anos atrás. Ela nem imaginava que ele ainda tinha o chapéu, levando em consideração a facilidade que tem para perder as coisas.
E agora que estava o observando, ela realmente viu como ele estava bonito. No fundo, ninguém é capaz de resistir o charme relaxado do capitão e Nami percebeu que, no fim, qualquer coisa que Luffy fizesse era completamente efetivo contra ela. O sorriso contagiante, o humor idiota, a eterna cara de moleque, a inocência mais bonita que já viu. Luffy tinha um coração de ouro e nenhuma pessoa nesse mundo conseguiria negar isso. Nem mesmo Torao. O Chapéu de Palha sempre encantava qualquer pessoa por onde passavam por conta da personalidade e da ingenuidade que possuía.
Meu Deus, como eu amo esse idiota.
- Aconteceu algo, Nami?
A voz de Luffy trouxe a ruiva de volta para o presente e ela se deu conta que estava encarando-o por muito tempo. Ele a olhava com curiosidade e uma certa expressão de preocupação e ela sentiu o coração aquecer ao lembrar que mesmo que ele não a ame daquela forma, ainda sim ela é importante para ele.
Você merece o mundo, Luffy e todos nós daríamos se pudéssemos.
Nami apenas negou com a cabeça e deu um sorriso carinhoso. Ele não faz ideia do tamanho da afeição que ela tinha por ele e acredita que nunca saberá. Mas obviamente, ela sempre estará por perto, ajudando-o com o que for necessário e focando no sonho do capitão (e o dela ao mesmo tempo), assim como todos da tripulação, porque a lealdade que ela tem por ele é completamente cega.
Uma lealdade cega e uma confiança inabalável que ela não terá por mais ninguém.
Você é a pessoa que mais confio nesse mundo.
- Você sabe que pode conversar comigo, certo?
Mais uma vez, Nami deve ter continuado a encará-lo sem falar nada porque a expressão do capitão começou a perder a curiosidade inocente e se transformar em completa preocupação.
- Uhum, eu sei.
- Então, o que você tá pensando? Tá me dando medo, Nami!
- Luffy.
- O-oe. - Ele respondeu cautelosamente.
- Você sabe que todos nós iremos segui-lo onde quer que você vá, né? - A voz da ruiva era firme e sérias.
- Sei!
- Sabe que nós somos completamentes leais a você, né?
- Sei! Eu também sou com todos vocês! shishishi. - Ele sorriu feito criança.
- Sabe que eu só vou embora se você especificamente disser pra eu ir, né? E sabe que mesmo assim, não vou embora sem meter a porrada em você, né?
- Seei-! Ué, mas por que diabos eu iria dizer pra você ir embora, Nami? V-v-ocê quer ir embora, N-N-Nami? POR QUE, NAMI?
Cascudo.
- Como diabos você não escuta direito o que a gente fala, seu mané?! Eu não falei nada disso! Só to falando que se, um dia, você quiser que eu vá embora, você vai ter que dizer claramente! Eu fiz uma promessa pra você, Luffy e pretendo cumprir!
Nami cruzou os braços e olhou irritada para o capitão. Luffy parecia remoer alguns pensamentos enquanto terminava de devorar seu sorvete.
- Existe algo que faria você ir embora, Nami?
A ruiva voltou a atenção para ele novamente, mas o garoto não estava olhando para ela. Luffy parecia estar preso em outra realidade, enquanto observava as pessoas passeando na rua estreita toda decorada para o festival.
- Hmmm… uma ordem sua. E talvez, mas discutivelmente, se eu casasse. Não sei quais são suas regras em relação a isso.
- Casar? Hmm, nunca pensei sobre isso. Você quer casar, Nami? - Ele cruzou os braços e inclinou a cabeça.
- Um dia sim. Não é meu sonho de menina, mas eu gosto da ideia de me aquietar com alguém no futuro. Quem sabe ter uma família. E como não sei o que você pensa sobre esse assunto, talvez essa seja uma situação excepcional que me faria ir embora.
Luffy virou o rosto para ela sem responder nada por alguns minutos. O olhos não focavam nela e a garota assumiu que ele ainda estava em outra realidade, mas não fazia ideia do que ele poderia estar pensando. O garoto nunca foi uma pessoa de matutar muito sobre as coisas em geral, então isso sempre a preocupava um pouco. Será que ele está pesando os prós e contras de deixar parceiros da sua tripulação se juntarem aos Chapéu de Palha?
Mas o descaso do capitão em relação ao assunto deixava um gosto amargo na boca de Nami e um certo aperto no coração. Ele realmente não pensa em mim dessa forma, ela pensou.
- Mas não se preocupe, capitão. - Nami cutucou a testa dele e isso o trouxe para o presente - Isso é um futuro bem distante. Temos muito trabalho a fazer antes disso, né?
- Mas se você casasse com algum de nós, essas chances seriam quase zero, certo? - O garoto perguntou enquanto botava a mão no queixo procurando uma solução.
- Bom, sua lógica faz sentido, mas eu não tenho intenção de casar com Sanji, Luffy.
- Eu não falei do Sanji.
- Nem Usopp.
- Também não falei dele.
- Se você falar Zoro, eu juro que te espanco, Luffy.
- Não falei nada de novo, sua idiota! - Curiosamente, o capitão se exaltou um pouco e Nami hesitou momentaneamente.
- Não sobra ninguém.
- Eu sou ninguém?
- Huh?
Nami arregalou tanto os olhos que ela tinha quase certeza que eles iam cair. Ele ao menos sabe o que está falando? Luffy estava cogitando casar com ela algum dia? Ou ele só estava falando isso para garantir que ela não fosse embora do bando? A navegadora decidiu que provavelmente era a segunda opção porque o cabeça de vento realmente não sabia nada sobre isso. Ele mesmo disse que quase não pensava sobre o assunto, então não era possível que ele de fato pensasse nela dessa forma.
- Não foi você que disse uma vez que não temos tanta coisa em comum, Luffy? - Ela respondeu baixinho olhando firmemente para o garoto.
Luffy manteve o contato visual mas não respondeu nada mais uma vez.
Ele não sabe mesmo o significado do que acabou de falar. Idiota.
- Luffy, relaxa. Como eu falei, é um futuro que pretendo pensar depois de alcançarmos nossos objetivos. Eu não quero que você se prenda a mim por medo de que vou deixá-lo na mão porque não vou, okay? Não se preocupe. E escuta… você deve casar com alguém que gosta, seu desmiolado.
- Mas eu gosto de você, Namiii!
A garota não conseguiu impedir o coração de galopar rapidamente como se estivesse em uma corrida de cavalos. Ela sentia que estava começando a corar, mas fez toda força do mundo para obrigar a manter-se indiferente. Não se iluda, não se iluda, não se iluda. Mesmo assim, ela não foi capaz de impedir ser engolida pelo olhar penetrante dele e sussurrar seriamente:
- Eu também gosto de você, Luffy.
Ele arqueou as sobrancelhas na hora e abriu a boca para falar algo, mas nenhum som saiu. Instantaneamente, Nami percebeu o peso das palavras que saíram de sua boca e seu cérebro parou de funcionar. O desespero bateu e ela tentou consertar a besteira que tinha feito.
- Q-q-quero dizer, v-você é meu c-c-capitão, meu m-melhor amigo e eu sei que você gosta de todos nós igualmente, m-m-mas falo de casar com alguém que você ama. Sabe, alguém pra ter uma família.
Ela deu um sorriso sem graça e coçou a nuca, esperando que Luffy não percebesse o deslize e a interrogasse mais sobre isso. Para surpresa dela, ele não expressou nenhuma reação, apoiou o rosto nas mãos e só direcionou seu olhar para as pessoas na rua novamente. Ele não parecia triste, nem chateado ou decepcionado. Pelo contrário, ele parecia simplesmente indiferente.
Com isso, Nami apenas lançou um olhar tristonho em sua direção enquanto ele não prestava atenção.
Você pensa em mim? Eu queria que pensasse em mim mais do que carne.
