16
Bella.
— Você parece estar passando mal! — Liam tentou me segurar pelo ombro. — Calma, Bella!
Meu sangue estava fervendo.
— Como você pode me pedir para ficar calma? Já faz seis horas que eles saíram, não deram notícias e não sabemos o que está acontecendo. E se foi uma emboscada?
— Tyler é um homem treinado, sabe o que faz. E o Illya é muito amigo do Sr. Cullen para fazer tal traição. Acredito que não esteja sendo uma reunião amigável, mas nada que os dois não possam lidar. — Liam estava falando e tentei dar meu jeito de sair do carro, mas ele travou as portas. — Desculpa, branquela. Você precisa ficar em segurança ou Edward vai me matar.
Liam ligou o carro e nos tirou de perto do porto. Minha vontade era chutar o banco repetidas vezes como uma criança birrenta. Ali era o nosso ponto de encontro, inferno. Cruzei meus braços e funguei, tentando não chorar. Estava desesperada de preocupação. Fiquei muito chateada quando Illya disse que eu não podia ir à reunião, mesmo sendo assistente do Edward, mas era mulher. Machista dos infernos.
Achei um absurdo o Edward concordar, mas depois entendi o lado dele. Mesmo assim, estava sentada há horas dentro do carro sem notícias. O celular dele estava sem visualizações desde a última vez no que nos vimos. Aflita, comecei a me sacudir. Liam parou o carro em frente a uma rede de fast food, olhei-o irada e sai do carro batendo a porta. Andei atrás dele e entrei no local arejado, quando olhei para o lado, vi o homem que povoava todos os meus pensamentos, sentado com as pernas esticadas.
Seu lábio estava cortado e bebia um milkshake. Ele sorriu do seu jeito debochado para o Tyler e em seguida, me viu. Quase atropelei as cadeiras, indo até ele e literalmente me joguei no seu colo.
— Por que estão aqui?
— Acabamos de chegar. — Segurou meu rosto e olhei para sua boca. — Está tudo bem, briguei com um imbecil.
— Teve brigas? Ai meu Deus!
— Calma, eu vou te contar tudo, mas não aqui. Preciso comer, colocar um gelo nos meus lábios e depois sou todo seu. — Prometeu e olhei ao redor, não estava cheio, mas algumas mesas estavam ocupadas. Cruzei meus braços, não satisfeita por ter que esperar e Edward apenas me puxou para perto. — Quando faz essa carinha, me dá vontade de fazer um monte de coisas sacanas. — Cochichou no meu ouvido e só fiz um beicinho, não perdi o olhar entre Liam, Tyler e seus telefones. Algo ainda estava acontecendo e eu não sabia o quê.
Esperava que não estivesse me excluindo por ser mulher e por estar namorando o Edward. E sim porque era algo de segurança, no qual, não era exatamente da minha conta. Não entendi porquê estávamos ali, fazendo várias coisas aleatórias, enchendo a mesa de lanches e ao olhar para trás, percebi que estávamos sendo fotografados. Beijei a bochecha do Edward, me recostando e tentando me esconder ao máximo dos cliques armados. Essa era uma das muitas perguntas que ele seria obrigado a me responder.
Não consegui comer nada. Edward pediu para embalar meu lanche para viagem, segurou minha mão e saiu da lanchonete de cabeça erguida, encarando os fotógrafos com seu ar de badboy, me puxando para o carro e eu só encarei o chão porque não queria ser fotografada. Ele abriu a porta, mandando que eles se afastassem.
— Não foram vocês que chamaram? — Perguntei bem baixinho dentro do carro.
— Claro que sim. Eles só não precisam saber disso. — Sorriu e entrou. Liam e Tyler entraram para os bancos da frente. A velocidade que Tyler atingiu me deixou um pouco tensa, mas ele estava andando como se tivéssemos em fuga. Olhei para trás algumas vezes, tentando ver se havia alguém atrás de nós, porém, logo chegamos ao porto.
Edward saiu do carro e antes que pudesse, abriu a minha porta. Desci com cuidado, porque sempre escorregava ali e segurei seu braço. Tyler me ajudou a entrar na lancha, ligando. Esperamos o Liam e fomos em direção ao iate, que na escuridão do oceano, era um pontinho branco bem distante. Levamos um tempo até chegarmos lá, o que me deixou um pouco tensa porque não dava para ver nada.
A tripulação ainda estava circulando, provavelmente nos aguardando e Tyler pediu que esperássemos em uma sala. Ele e Liam sumiram, vasculhando todo iate, embora o capitão garantisse que ninguém embarcou, eles não estavam confiantes.
— Edward, o que está acontecendo? — Encostei-me nele. — Estou ficando assustada.
— Ao chegar na reunião com Illya, Aro estava lá. Illya garantiu que foi basicamente obrigado a nos reunir, mas, Tyler ficou chateado. Já estávamos prevendo algo quando ele disse que você não poderia ir. De alguma forma, ele nos alertou com a sua proteção. — Edward beijou minha testa. — Ficamos desconfiados, embora tenhamos um acordo no final da reunião.
— Que acordo?
— Aro monopoliza por mar e nós continuamos com o ar. Eles não compram nenhuma empresa aérea e nós não compramos nenhuma empresa marítima que faça viagens internacionais. E vou ceder o uso dos estaleiros para Illya, sem lavagem de dinheiro, ele vai pagar os custos de uso e dividir o lucro. Era isso ou nada.
— Então... Tudo certo com Aro Volturi?
— Basicamente, sim. Só não confio nele e quando se trata da nossa segurança, não quero relaxar. Amanhã iremos desembarcar, ficaremos em terra e vamos para casa. — Beijou meus lábios.
— Fiquei tão preocupada e tão puta por estar de fora. — Reclamei contra seus lábios. — Você brigou com alguém?
— Com o filho do Aro Volturi. Ele era um merdinha que não parava de falar besteira, fiquei puto e parti para cima dele.
— Ah, Edward. Demorou tanto e você ainda brigou!
— Demorou porque os dois velhos eram mais caducos e malucos que imaginava, além dos filhos, se metendo. Era muita gente dando pitaco sem realmente resolver, quando soquei o babaca do Caius Volturi, que parecia um advogado do diabo sussurrando besteira no ouvido do seu pai, as coisas pareceram andar e então, fizemos um acordo. Não queria te deixar de fora, você colocaria ordem naquele monte de macho em dois tempos, mas...
— Por incrível que pareça, entendi o lado do Illya. Mesmo não gostando nenhum pouco de estar de fora, espero que não tenhamos mais reuniões assim...
— Também espero. Vem, você está tensa, não comeu nada e precisa descansar.
De mãos dadas, andamos pelo iate até o nosso quarto com o saco de lanches. Nos despedimos do Tyler e do Liam, fechamos a porta e tudo que queria era me jogar naquela cama e não sair até que meus músculos tensos parassem de doer. Tomei um banho, zonza com a velocidade do iate e esperava que eles soubessem para onde estavam indo porque tudo parecia muito escuro e o mar um pouco agitado.
Edward tentou me fazer comer, mas as ondas batendo firme contra as laterais estavam me assustando. Fiquei na cama, grudada nele, querendo um colete salva vidas e quando a tempestade caiu, fechei meus olhos e desejei tomar um calmante.
— Ei, vai ficar tudo bem. As ondas não passaram de dois metros... Esse iate foi projetado para aguentar muito mais. — Edward tentou me consolar e só piorou meu estado de nervos. — Prometo que vai ficar tudo bem. — Me abraçou apertado e me manteve em seus braços. Não consegui relaxar, cada solavanco, era um arrepio e frio na espinha diferente.
Quando a chuva parou de cair, não levou muito tempo para o mar se acalmar e relaxei, me sentindo pesada de sono. Edward me colocou deitada, me cobrindo e ficou atrás de mim, me abraçando e ninando. Ninguém nunca me colocou para dormir. Minha mãe não foi desse tipo, de cama e historinhas, ela mesma dizia que me deixava sozinha no berço até que pegasse no sono e com o tempo, aprendi a deitar e dormir sozinha. Quando fui morar com meu pai, era grandinha e independente.
Não sei se dei espaço a ele para me ninar. No começo, mal deixava que meu pai encostasse em mim. Talvez viesse daí a minha resistência a momentos de carinho... Mas com Edward, eu me senti amada. Acordei sozinha na cama, toda espalhada e com os sons dos pássaros do lado de fora. Deveríamos estar perto da costa e o mar parecia uma piscina de tão azul.
Era o nosso último dia, deveríamos desembarcar em algumas horas e a maioria das nossas coisas estavam embaladas. Escolhi um vestido até os joelhos, marcando bem a minha cintura, mas a sua saia só uma pouco mais solta. Prendi meu cabelo, lavei o rosto, escovei os dentes e saí do quarto a procura do Edward. Passei pelo iate, imaginando que estava na parte da frente, na varanda, onde normalmente o café da manhã era servido.
Encontrei-o segurando uma xícara de café, lendo o jornal, de pé de frente ao oceano a nossa frente. Ainda estávamos navegando, só que bem devagar.
— Bom dia... — Falei baixo, não querendo assustá-lo. Ele virou, apoiou a xícara na mesa e me puxou para seus braços. Me deu um beijo, com gostinho de café. — Extraforte. Não te deixei dormir.
— Não foi isso, fiquei apenas com a adrenalina do encontro e foi difícil pegar no sono e por isso, aproveitei para ficar o máximo agarradinho com você. — Beijou meu pescoço. — Vamos desembarcar em algumas horas, reservei três dias em Mônaco.
— Edward! Nós temos que voltar!
— Vamos voltar a tempo do trabalho na segunda-feira, relaxa. Esses três dias será apenas sobre nós dois antes de voltarmos a nossa rotina muito louca. Não estou preparado para te dividir com o mundo. — Beijou-me e todo seu beijo me deixou maluca, agarrei sua camisa, mantendo-o pertinho.
Meu estômago estragou o momento, exigindo ser lembrado. Ele rosnou alto e corei até a raiz do meu cabelo. Edward não economizou na gargalhada, dei um soco no seu estômago e fui para mesa, tomar meu merecido café da manhã depois de um dia e uma noite inteira de tensão. O estúpido resolveu me acompanhar, largando o jornal e me perguntei como ele conseguiu. Só depois de comer, que eu reparei a cidade no meu lado esquerdo. Mônaco era bonita, mas simplesmente pequena a sua primeira impressão.
Nós voltamos para o quarto, terminando de arrumar nossas bagagens e despachando para o hotel surpresa que Edward fez as reservas. Tyler desembarcou primeiro, resolvendo tudo que seria necessário em terra e Edward me convenceu a aproveitar a hidromassagem, antes de nos despedirmos do maravilhoso iate que nos abrigou por vários dias.
— Acho que vou convencer a Alice a termos uma em casa. — Fechei meus olhos.
— Não cabe no seu apartamento. Sempre que quiser, você pode usar a minha... Sem roupas e comigo dentro... De você. — Abri meus olhos só para vê-lo sorrir do seu jeitinho sacana. Afastei meus joelhos e o puxei com meus pés. Ele pairou em cima de mim, mesmo com toda agitação da água, agarrou minha bunda e nos beijamos, começando uma espécie de pegação desenfreada.
— Não podemos transar aqui, é aberto.
— Ninguém vai vir aqui. — Choramingou e empurrou a cortininha do meu biquíni para o lado, chupando meu peito. — Podemos ser bem discretos, até porque, quem tiver observando pode pensar que estamos transando desde o primeiro beijo.
— Alguém observando? — Olhei ao redor e só havia mar e mar. A cidade estava atrás do iate. — E se algum funcionário vier aqui em cima?
— Hum? — Edward estava ocupado demais liberando seu pau da sunga.
Desajeitada, puxei as cortinas o máximo que elas iam, ainda assim, ficava uma parte pequena aberta. Edward nos mudou de posição, me olhou nos olhos e assenti, ele tirou minha calcinha e me provocou com seus dedos. Precisei esconder meu rosto no seu pescoço, mordê-lo de vez em quando para abafar meus gemidinhos que logo se tornaram bons gemidos quando ele meteu devagarzinho.
Foi uma rapidinha, nós dois gozamos, mas ainda havia uma necessidade louca por mais que mesmo quando nos arrumamos para desembarcar, não conseguia parar de olhá-lo com desejo. Tyler nos levou pela cidade, até onde era permitido passar com o carro e nós entramos em um restaurante que estava reservado para o almoço.
— O que nós vamos fazer? — Olhei para o Edward, acomodado do outro lado da mesa e ele se inclinou, me dando um longo beijo nos lábios.
— Reservei um passeio de ônibus pelos pontos turísticos principais e um jantar. Acreditei que você quisesse aproveitar ao máximo. — Beijou minha mão.
— Quero sim, é claro. — Estar em Mônaco era uma oportunidade única, mas, naquele momento, só conseguia pensar no quanto queria pular nele. De preferência, na privacidade do nosso quarto no hotel.
Os dias em Mônaco foram incríveis e infelizmente para mim, ao retornar do almoço, percebi que a minha menstruação desceu. E não só como um pouco e sim como um rio. Tomei um monte de medicação para aguentar os passeios, já que não podia saltar no meu namorado, eu ia curtir cada ponto turístico daquele lugar.
Ao retornamos para casa, a viagem foi longa e cansativa. Edward me deixou em frente ao meu prédio, nós nos beijamos deliciosamente dentro do carro. Me ajudou a subir com as malas e eu tinha tantas roupas para lavar que estava calculando se deixaria para depois ou se lavaria logo para me livrar do trabalho.
O celular do Edward apitou logo que deixamos minhas malas no quarto.
— Meus pais e irmãos fizeram uma reserva... Em uma pizzaria não muito longe.
Olhei para as roupas, sentindo urticária por não lavar logo e olhei para Edward, aflita, porque sabia que ele queria ir encontrar com sua família comigo. Separei rapidamente as roupas sujas, deixando no cesto do meu banheiro, tirei a calça que usei o dia inteiro no avião e troquei por um vestido.
— Sua barriga está muito inchada, isso é normal? — Edward passou a mão e sorri.
— Nenhuma mulher ficou menstruada ao seu lado?
— Não. Eu não sabia que vocês ficavam assim... Está doendo?
— Estou inchada porque estou com cólicas, mas tomei a medicação e vou ficar bem. Amanhã ou depois ela irá embora. Já está descendo bem pouco...
— Caramba! — Edward ainda parecia impressionado.
— Tem certeza de que está tudo bem ir ao encontro da sua família?
— Você é a minha namorada e eles já sabem disso, quero ir com você. Estava sempre sozinho e estou feliz por não estar mais. — Seu beijo foi suave.
Saímos do meu apartamento, fechando a porta e não demorou muito para Tyler nos deixar na pizzaria familiar algumas ruas depois do meu prédio. Logo que entramos, identificamos as meninas correndo entre as mesas e a risada estrondosa do Emmett. Todos ficaram de pé para nos abraçar. Alice quase quebrou meus ossos, mas sei que meu abraço não foi nada leve porque senti muito a sua falta.
— Você está tão linda! — Alice se afastou para me olhar. — A viagem te fez bem. Nunca te vi com esse bronzeado e olhinhos brilhando. Como é ser namorada do bonitão?
— Por enquanto está tudo bem.
— E sempre vai ficar, basta crer. — Alice me garantiu. — Antes de tudo, quero te pedir desculpas, mas descobri no dia seguinte que viajou e não quis te contar a distância. Jasper está em cólicas...
Não entendi nada, mas sentei-me ao lado do Edward. Nós pedimos mais pizza, refrigerante e eu não queria beber vinho para não acordar com dor de cabeça amanhã.
— Família... — Jasper ficou de pé. — Quero dar uma notícia maravilhosa a vocês. Alice e eu fomos agraciados com um bebê!
Fiquei tão chocada por uns segundos e depois, não me contive em me jogar nela. Nós trocamos um abraço apertado e eu sabia que Alice queria ser mãe desde nova. Ela amava crianças e por ser filha única, não queria demorar muito a ter bebês. Ano passado ela descobriu que poderia ter dificuldade de engravidar, só não falamos mais disso.
— Quando descobrimos que mesmo jovem, Alice não produzia folículos para sua idade, decidimos fazer um tratamento e esperar o momento que Deus quisesse nos abençoar. — Jasper segurou sua Alice em um abraço.
— Eu não estava levando fé. — Alice me olhou preocupada que estivesse chateada. — Estava meio com vergonha, porque sempre enchi o saco de todo mundo sobre filhos e justamente eu não poderia tê-los. — Segurei sua mão e apertei. — Nós não nos prevenimos mais e mesmo assim, não aconteceu por quase dois anos. Até que aquela bebedeira lá em casa me deixou mal, fui ao médico e descobri que já estou com quase três meses! Eu nem percebi nada! Até o momento, o bebê é muito saudável!
— E fizemos a sexagem fetal, queremos compartilhar que teremos um menininho! — Jasper mal se continha de felicidade.
Esme e Carlisle não paravam de chorar e abraçar os novos papais. Olhei para Edward e pensei "ah merda". Aquele olhar era de quem queria filhos também. Eu não estava preparada para tê-los, nem de perto e nem de longe. Ainda precisava me formar, acima de qualquer coisa. Nós mal começamos, só de pensar, ficava toda nervosa e incomodada.
— Relaxa... Eu quero sim, mas não agora. — Edward me deu um beijo e fiquei surpresa o quanto ele rapidamente desvendou meus pensamentos. — Ainda quero viajar bastante, namorar muito e te ver conquistando seus sonhos profissionais. Depois disso, você não me escapa.
Sorri e ao mesmo tempo pensei: ele vê um futuro comigo. Nós mal começamos... E ele vê um futuro comigo. Não sabia se ria, chorava, saia correndo ou deixava o medo me corroer. Meus pais não deram certo. Certamente quando se casaram, imaginavam uma vida linda e me criar em conjunto. Meu pai jamais contou que a minha mãe fosse inconstante e tinha certeza absolutamente que minha mãe nunca pensou que o jeito tímido do meu pai, na verdade, lhe daria nervos e a faria sentir carente e solitária.
E se Edward e eu ainda não estivéssemos enxergando o que poderia ser a nossa ruptura? E se o futuro fosse apenas uma esperança a ser quebrada?
Eu não queria ficar quebrada.
NOTA: Que tal uns 15 comentários para ter + um capítulo hoje?
