17
Edward.
Nunca imaginei que ser um CEO poderia me levar a beira da exaustão em poucos meses. Meu pai me avisou para ir com calma com todas as minhas mudanças, mas eu tinha um prazo para receber de volta todos os meus investimentos. Agosto foi um mês exaustivo, setembro começou e em um piscar de olhos estava carregando uma torta e um buquê de flores, me equilibrando com minha pasta de trabalho que tinha uma garrafa de vinho.
Ao invés de tocar a campainha, dei uns chutes suaves na porta. Bella não demorou a abrir, sorriu e agarrou as flores, quase derrubando a torta. Ficou na ponta dos pés e me deu o beijo que ansiei o dia inteiro. Passamos todo tempo juntos no trabalho, mas ela raramente permitia interações pessoais. Na verdade, ela era bem dura, distante e às vezes, cruel. Por sermos pouco vistos pela imprensa no último mês, chegaram a especular o fim do nosso relacionamento.
Só voltaram a comentar sobre quando as fotos do aniversário da Carrie foram publicadas pela minha cunhada, que tinha um perfil público e todos viram que estávamos juntos lá e como um casal. Respeitava a necessidade da Bella em manter as coisas muito privadas porque apesar de ser louco para dar-lhe um super beijo no trabalho, principalmente com suas roupas sexys, eu aguento porque a recompensa vem em casa. Quando Alice ainda estava morando aqui, nós dormíamos algumas vezes por semana no meu apartamento.
Agora dividimos, não exatamente por dividir. Não era todo dia que ela dormia comigo, dependia das nossas agendas, do seu humor, da sua vontade de me ter por perto. Final de semana era sempre nosso. Da sexta ao domingo. Durante a semana, eu rezava pelo dia que ela queria olhar na minha cara depois do trabalho. Era exigente com ela, principalmente durante seu treinamento, muita das vezes sabia que ela se controlava para não me dar uma resposta atravessada.
— Oi, aniversariante.
— É só amanhã. — Ela sorriu contra meus lábios. — Trouxe a nossa comemoração privada?
— Um aniversário tem que ter bolo, flores, vinho e um presente. — Deixei a torta na mesa, me livrando da pasta e a agarrei apertado, beijando seu rosto em diversos lugares. Bella sorriu e passei a mão na sua bunda perfeita. Ela ainda estava com a roupa do trabalho, descalça e com o cabelo preso. — Eu te disse que você estava linda hoje?
— Umas trinta vezes por mensagem. — Sorriu envaidecida. — Pedi comida, acabei me distraindo e não vi a hora passar.
— Não tem problema, vou buscar umas taças...
— Vou tirar essa roupa, já volto. — Foi andando em direção ao seu quarto.
Abri seu armário, pegando duas taças e coloquei no balcão. Seu notebook estava ligado e aberto em cima do balcão, mas os arquivos abertos me chamaram atenção. Ela estava procurando apartamentos e parecia ter estabelecido um valor bem baixo. A tela ao lado, era do seu saldo no banco e estava negativo. Que diabos? Bella recebia muito bem. Dei um gole no meu vinho e ela apareceu, enrolada no seu roupão de cetim.
— Está querendo se mudar? — Fui direto ao ponto.
Bella corou e puxou o banquinho.
— Desde que Alice se mudou, ficou um pouco caro sustentar esse apartamento e ajudar minha mãe. Ela perdeu o trailer que morava, foi guinchado e como estava com muitas multas, eles perderam e dormiram em um centro comunitário. Minha mãe se recusa a morar em um lugar e eu não teria como assumir um lugar para ela... Peguei todo dinheiro que tinha e comprei um novo trailer.
Coloquei minha taça de volta ao balcão.
— Por que não me falou nada?
Ela mordeu o lábio e pegou sua taça.
— Não sei? — Suspirou e me encarou. — Estou acostumada a resolver tudo sozinha. Quando dei por mim, tudo saiu do controle. Não sei como vou pagar o aluguel esse mês, mesmo assim, preciso encontrar um lugar menor e mais barato. O contrato vence em novembro... Isso não é assunto para uma comemoração.
— Você não quer minha ajuda?
— Se me oferecer dinheiro, eu vou te bater. — Avisou severamente. — Vou falar com meu pai. Ele vai me ajudar a pensar em algo.
— Eu sou seu namorado, Bella. Poxa... Todo dia me esforço para provar que quero um relacionamento sério e você não cogita me procurar nem para pedir um conselho?
— Não. Você vai dizer que fiz uma completa estupidez em limpar minha conta bancária para ajudar a irresponsável da minha mãe.
— Realmente diria todas essas coisas, mas você já está se castigando o suficiente. E além do mais, não posso me intrometer na maneira que ajuda a sua família. Não ainda. — Segurei sua mão e beijei. — Ficar no vermelho é uma responsabilidade muito grande e você não deveria ter feito isso, mas eu posso, pelo menos te ajudar com o aluguel desse mês e a procurar um novo lugar?
Bella mordeu o lábio e me deu um olharzinho triste.
— Não queria envolver dinheiro entre nós... Fiquei com medo do que poderia pensar.
— A sua mãe é irresponsável, pelo que ouço falar e às vezes, pelo seu comportamento ao telefone, parece que ela não enxerga a realidade como ela é. E o seu padrasto só é alguém que gosta de viver sem nenhuma responsabilidade. Você já parou para analisar que eles não vão deixar de viver loucamente porque sabem que você irá ajuda-los? — Dei a volta no balcão e parei entre as suas pernas. — Quero que confie em mim para tudo, principalmente os problemas. Você gostaria que planejasse me mudar sem te falar nada?
— Não, ficaria chateada. Me desculpa. — Me abraçou apertado.
— Sei que parece difícil para você, principalmente depois que Alice engravidou e se mudou para o apartamento do meu irmão. Você me tem, Bella. Não está sozinha...
Seu sorriso encheu meu coração de paixão. Ela me tinha da cabeça aos pés.
— E se... Até novembro nós pensarmos em morar juntos?
A maneira como seus olhos arregalaram foi bastante cômica.
— Podemos ensaiar esse passo nas próximas semanas...
— Não seria muito cedo? Alice foi morar com Jasper com mais de um ano...
— Primeiro que ele morava em um cubículo, quando comprou um lugar, precisou de uma reforma estrondosa e segundo ... Acho que a Alice não queria te deixar sozinha. Talvez ela soubesse que você precisaria de apoio por mais um tempo, ela é sua melhor amiga, Bella. Já deu para perceber que Alice é capaz de fazer qualquer coisa por você.
— Ela é sim. Um pouco mimadinha, mas é uma amiga protetora.
Abaixei para meu rosto estar nivelado ao seu.
— Eu também sou capaz de qualquer coisa por você.
Bella me agarrou apertado.
— Eu preciso que entenda que morar junto me assusta muito, tenho medo que nossas manias no dia-a-dia nos sufoquem e acabe nos afastando.
— Vamos nos afastar se em problemas como esse, você me manter de fora. Precisa confiar em nós, no que sentimos e não é porque ninguém da sua família deu certo em relacionamentos que o nosso não vai dar. Olha a minha família como exemplo... Emmett e Rosalie estão juntos desde as fraldas. Jasper conheceu a Alice no saguão do prédio e caiu de amores e eu... Assim que te vi, me perdi. Ainda mais quando sem querer, chutou a mesa e soltou um belo puta que pariu.
— Ai que mico! Deu para você ouvir?
— Sabe que amo a sua boca suja... Quando você me xinga, gemendo gostosinho no meu ouvido. Você pode imaginar isso por todos os dias e a deliciosa vantagem do sexo matinal todos os dias?
— Ah, seus sonhos masculinos. — Ela riu e me deu uma bitoca. — Nós vamos brigar. Passamos o dia inteiro juntos e a noite, às vezes, quero socar a sua cara e transar. Você me irrita, aí eu venho para minha casa para poder não olhar na sua direção por algumas horas, aí acontece de me dar um tesão maluco e ligo pedindo para vir dormir aqui. Caramba, vai ser confuso!
— Vai ser épico. Vamos treinar por uma semana? Podemos fazer assim... Uma semana juntos de domingo a domingo e uma semana separados. Vamos revezar, saber como será estar muito tempo juntos e muito tempo separados.
— Tudo bem, posso lidar com isso.
Soltei o ar aliviado, já prevendo todos os argumentos que iria usar para convencê-la. O interfone tocou e era o porteiro avisando que nosso jantar estava subindo. Pedi que arrumasse dois lugares, ela desceu do banquinho, reclamando de fome e pegou dois pratos rasos, dois pratos de sobremesa, as taças e talheres. Abri a porta para o entregador, pagando o jantar e pegando as sacolas de comida.
— Uau, você pediu comida para quantas pessoas?
— Acho que me empolguei, tudo lá é tão gostoso... Pedi aquela salada caprese de entrada, lasanha e ainda tem a torta. Espero que aguente comer tudo... — Bella se inclinou e tirou seu roupão. — Não quero sentir que coloquei esse body novo atoa.
Era um body de renda todo transparente.
Minha mente entrou em queda livre.
— Tem certeza de que precisamos jantar?
— Ah... Você não vai aguentar comer me vendo assim? — Virou de costas.
Era a porra do fio dental mais bonito, enterrado entre suas nádegas maravilhosas. Ajoelhei atrás dela, beijando cada uma. A bunda dela era meu centro de adoração. Rindo, fiquei de pé e fomos comer. Só porque era seu aniversário, porque ela estava com fome e porque não queria que a mensagem em cima da sua torta derretesse.
Servi nossos pratos, mais vinho e começamos a comer. Era um mistério porque a Bella gostava tanto da comida desse restaurante, era bom, mas a lasanha dela era infinitamente melhor. Tudo que fazia na cozinha era muito bom, principalmente massas. Ela também preparava o melhor café da manhã do mundo.
— Preparada para sobremesa? — Peguei a torta na geladeira, tirei da caixa e coloquei bem na sua frente, tirando a vela do pacote e ela sorriu ao ler as palavras. Seus olhos se encheram de lágrimas.
— Ah, Edward! — Cobriu o rosto com as mãos. — Por que você faz isso comigo?
— Porque eu posso. — Tirei suas mãos do rosto e beijei seus lábios.
Coloquei a vela e acendi, ela não queria que cantasse parabéns, mas eu a obriguei fazer um pedido e assoprar as velas. Em cima da torta, estava escrito: Felicidades para minha mulher-maravilha. Cortamos dois pedaços.
— Puta merda! Essa torta é incrível! — Ela gemeu com a boca toda suja de chocolate. — Você só pode comer mais um pedaço. O restante é todo meu.
Ela não fazia ideia, que na sua festa surpresa amanhã, teria muito mais. Fingi estar chateado e enquanto ela me consolava dizendo que precisava ter aquela torta quando ficasse menstruada, roubei vários pedaços do seu prato, enfiando na boca.
— Eu não acredito, Edward! Traidor! Roubar torta de chocolate de uma mulher no período fértil é demais! — Me bateu e ri.
Bella no período fértil era a minha felicidade. Pelo menos no mês passado, foi a festa do sexo. Uma mulher insaciável e sem negar nenhuma das minhas putarias. Seu aniversário cair no período fértil era um presente para mim. Se bem que, até menstruada nós chegamos a fazer. Ela estava sem cólicas, já no final do período, tomamos um banho juntos e acabou acontecendo... Nunca fiz sexo com uma namorada menstruada antes. Era um tipo de intimidade que só tinha com ela.
Peguei um pouco da cobertura e fingi deixar cair no seu peito sem querer. Lambi o local com o maior cuidado, deixando bem limpo.
— Está na hora do sexo de aniversário. — Sorriu travessa.
— Sim, por favor.
Nós começamos na sala e terminamos no quarto. Sexo com ela era sempre incrível e apaixonante. Cada segundo ao seu lado, me fazia sentir um homem completo. Acordar ao lado de uma mulher sempre foi meio irritante, porque era hora de ir embora ou de dizer que ela deveria ir embora. Em um relacionamento, não tinha esse problema. Principalmente que acordar sentindo seu cheiro era sinal de rotina.
Virei na cama e beijei suas costas, em seguida, seu pescoço. Ela já estava acordada, embora ainda sonolenta.
— Feliz aniversário.
— Estou tão mais velha. — Brincou e sabia que revirou os olhos. — Dormimos muito, já é quase hora do almoço e sua mãe já te ligou umas trinta vezes.
Bella não estava muito feliz em sair de casa no dia do seu aniversário, mas, Alice fez chantagem emocional por estar de repouso no rancho dos meus pais e eu basicamente implorei que ela fosse até a obra da minha casa comigo. Concordou com um pouco de chateação, ela ia me perdoar quando descobrisse que sua melhor amiga, minha mãe e minha cunhada estavam empolgadas e se empenhando em fazer uma festa de aniversário surpresa.
Nós nos arrumamos, convenci ela a usar seu vestido azul, era bonito e bem arrumado para a festa. Sabendo que minha mãe era meio maluca, concordou em se arrumar achando que tinha uma visita importante lá. Desde que Alice caiu da escada durante a mudança e teve um sangramento, a médica lhe proibiu de fazer qualquer esforço. Seus pais estavam viajando em um cruzeiro, para comemorar o casamento e por isso estava de repouso na casa dos meus pais assim minha mãe podia tomar conta dela.
Alice tinha energia demais para ficar de repouso. Final de semana passado, passamos com ela e Jasper para ajudar o que pudéssemos, mas ela me irritou tanto querendo levantar a cada hora que a Bella achou melhor virmos embora. Ela tinha sorte de estar carregando o primeiro bebê menino da família.
— É tudo tão silencioso por aqui, você vai aguentar viver deste lado da cidade?
— Acho que sim... É bom ter paz, pelo menos em casa. E você?
— Cresci um lugar como esse, silencioso, um pequeno mercado e vizinhos que se conhecem. Acho que sim... Por quê? — Seu olhar encontrou o meu. Voltei a encarar a rua.
— Se nossos planos derem certo... Moraremos aqui até o natal.
— Eu sei. Acho que preciso envolver a minha mente ao redor disso. — Colocou sua mão na minha perna. — Às vezes, tenho a sensação de que estamos indo rápido demais, ao mesmo tempo, penso como seria possível ditar o tempo certo?
— Não tem uma fórmula.
— Estou percebendo isso. — Virou o rosto para janela e sabia que de alguma forma, estava pensando no casamento dos seus pais. Bella fala muito pouco do período que viveu com sua mãe, é como se ignorasse completamente. — Meu pai me enviou umas trinta mensagens, a minha mãe nada ainda. Ela sempre esquece meu aniversário e sou sua única filha.
— Calma, ainda temos o dia inteiro.
— Eu a conheço, Edward.
Não falei nada, porque me incomodava muito saber que a Bella sofria com sua mãe e todas as vezes que elas se falavam, o jeito aleatório e infantil da Renée me fazia crer que algo estava bem errado com a sua mente de modo geral.
Estacionei o carro na garagem. Meus pais estavam mais ou menos cientes da minha chegada, avisei ao sair do apartamento. Não podia combinar nada da festa no meu telefone, porque ela mexia nele o tempo todo e lia as mensagens, mais pelo trabalho que por ser namorada, porém, podia acontecer de ela ler e acabar com a surpresa.
Nós não temos segredos com nossos telefones, nunca paramos para ler as mensagens do outro por desconfiança. Nunca abri suas mensagens pessoais, mas as vezes acontecia do meu telefone acabar a bateria e precisar usar o dela. Gostava da nossa relação sem segredos, com intimidade.
Nós saímos da garagem e segurei sua mão. Os cachorros estavam presos, latindo, passamos rápido e ouvi as risadinhas das crianças. Bella me deu um olhar, mantive a cara impassível e passamos pela cozinha, andamos para sala e me preparei para quando gritassem surpresa.
— SURPRESA! — Rosalie e Alice jogaram serpentinas enquanto todo restante gritou. Bella saltou surpresa e grudou em mim inicialmente, em seguida, rindo e chorando. Alice lhe abraçou, Rosalie e então, um homem alto, robusto e com um bigode surgiu entre os convidados que variam entre minha família e alguns funcionários da empresa.
— Ah, papai! — Bella me soltou e correu para os braços do seu pai. — Que felicidade! É uma surpresa maravilhosa!
— Não podia ficar de fora da sua festinha de aniversário. — Charlie tinha uma voz potente e me deu um olhar. — Você é o homem que está tocando a minha filhinha? — Arqueou a sobrancelha.
— Ele é meu namorado, deixa de ser bobo. Pai, quero que conheça o Edward. — Ela me puxou pela mão. — Esse é o meu papai.
— Garotinha do papai. — Provoquei e ela riu.
Várias pessoas da empresa se aproximaram para falar com ela. Carmen, Eleazar, James, Victória, Mike Newton, Jessica do RH e mais alguns analistas que trabalham com ela. Quando Rosalie montou a lista, deixei claro que Jacob Black não chegava perto da lista e muito menos da festa de aniversário dela. Não queria saber se ele ficaria chateado ou se não era socialmente educado, ele não.
— Você sabia de tudo isso, não é? — Bella me abraçou no meio da sala.
— Claro que sim. Eu sempre sei de tudo. — Beijei a pontinha do seu nariz.
— Obrigada por organizar isso, é a primeira festa e surpresa da minha vida.
— É a primeira de muitas, prometo. — Beijei sua boca e seu pai limpou a garganta, me olhando severamente e de brincadeira, puxou sua filha de perto de mim.
— Você a tem todos os dias e eu só a terei por algumas horas. Sai de perto.
Charlie parecia ser boa pessoa e esperava que gostasse de mim. Era importante ter a aprovação do seu pai e um bom relacionamento com ele.
Nota: Peço desculpas. Acabei dormindo antes de completar os comentários e sábado viajei, fiquei ilhada com a chuva e aqui está o capítulo prometido. E vocês mostraram o quanto podem comentar aqui, inclusive, gente que nunca nem vi. Que tal continuar? Quanto mais comentários, mais... CAPÍTULOS!
