18

Bella.

Nunca imaginaria que ganharia uma festa surpresa muito pomposa no rancho dos Cullen's. Era surreal imaginar tantas pessoas do trabalho, algumas amigas que Alice e eu temos em comum, toda família Cullen e a pessoa mais importante do mundo: meu pai. Estava realmente feliz e satisfeita com a comemoração privada que tive com Edward ontem à noite, mas aquela festa era a realização de um sonho que nem sabia que tinha. Nunca mais me permiti ter.

Meu primeiro aniversário com meu pai, ele ficou tão feliz e empolgado, que organizou uma festa de aniversário convidando meus novos amiguinhos da escola e seus amigos do trabalho. Fiquei feliz, ele fez uma decoração rosa com azul, um bolo de chocolate delicioso e no dia, me arrumei, ele aprendeu a fazer tranças com a vizinha.

Todos os amigos solteiros e adultos do meu pai compareceram. Nenhuma criança, nem aquelas que se comprometeram e me confirmaram que estariam presentes. Foi bastante frustrante e eu só não chorei, porque meu pai havia se esforçado muito para que aquele dia fosse especial. E no final, acabou sendo. Eles e seus amigos fizeram todas as minhas vontades e na hora do parabéns, meu pai me deu uma coleção completa de cadernos coloridos que eu sonhava ter.

Alice sabia dos meus traumas e sempre respeitou minha escolha de comemorações bem privadas, mas, sabia que toda aquela pompa era coisa do Edward. A criaturinha adorava arrumar um motivo para comemorar. Ele ia negar até a morte, colocando a culpa na sua mãe e nas cunhadas, mas, ele gostava de uma comemoração. Ontem à noite, ele me fez tão feliz e me senti cuidadosamente amada.

Ele disse que sou a sua mulher maravilha.

Um elogio bobo que me deixou muito feliz.

— Você está bem e satisfeito? — Conferi meu pai, que conversava com Carlisle.

— Estou sim, querida. Obrigado. — Ele agradeceu com um sorriso. — Carlisle está me convidando para ir a casa deles nas montanhas, ele disse que tem um rio com excelentes peixes.

— Você tem que voltar durante suas férias. — Apertei seu ombro e alguém me chamou. Era Mike Newton, de novo, minha nossa, como era difícil ser simpática com ele. — Eu já volto, papai.

Virei e sorri para o Mike, mas antes de chegar até ele, Edward me interceptou no caminho. Seu olhar para o Mike foi competitivo, me abraçou pela cintura e fomos até onde um grupo do trabalho estava reunido. Mike não queria falar nada demais ou sentiu-se intimidado com a presença do Edward, dei-lhe um beliscão e sorri, me afastando quando a Esme chamou a todos para o momento dos parabéns.

Fiquei atrás do bolo, nervosa com tantos olhares sobre mim. Meu pai estava de um lado e Edward do outro. Aquela massa de pessoas cantando, batendo palmas e me incentivando a fazer um pedido me deixou toda rubra. Fechei meus olhos e fiz um pedido. Queria ser feliz... Sempre. Cortei o primeiro pedaço, dei ao meu amado pai e o segundo, dei ao Edward, que cortou um pedaço, me oferecendo o garfo.

— Sempre dividindo. — Beijei seus lábios e então, lembrei que estávamos com uma plateia muito curiosa.

Levou pouco mais de duas horas para me despedir do último convidado e permanecer apenas a família Cullen, meu pai e eu. Alice estava no sofá, com os pés para o alto e Jasper estava chamando atenção pelos saltos altos e a maneira que ela extrapolou. Meu pai estava se divertindo com as besteiras do Emmett. Rosalie estava colocando as meninas para dormir. Carlisle e Edward conversavam, tomando uma bebida.

Com o serviço do buffett, estava tudo limpo. Eles foram embora depois de recolher as mesas, tirar as toalhas e lavar toda a louça. Sobrou muita comida, guardei em milhares de potes na geladeira com a Esme. Em seguida, sentei-me com Alice para abrir os milhares de presentes. Ganhei algumas coisas realmente caras como perfumes, bolsas e sapatos de marca.

Ganhei presentes mais simples e adoráveis, como um imenso álbum de fotografia, canetas coloridas – provavelmente de alguém que trabalhou comigo e sabia o quanto gosto de separar informações por cor –, cadernos, blocos e agendas. Meu pai me deu um vale presente da Amazon e um cartão de presente de uma loja de lingerie no valor de cinco mil dólares só podia ser coisa do besta do meu namorado.

— Uau! — Rosalie puxou o cartão da minha mão. — Alguém gosta de coisinhas sexys! — Me provocou e ri, ela deu para Alice ver o valor. — Devemos combinar de ir juntas, assim que a gravidinha for liberada para as compras.

— Não vejo a hora, sinto como se tivesse energia de sobra e preciso ficar presa no sofá ou na cama. Jasper e Esme parecem dois generais, se respiro fundo, eles mandam descansar. — Alice resmungou e me deu um sorriso. — Isso é um convite para você abandonar as calcinhas de vovó ou você já abandonou?

— Deixa de ser chata! — Peguei de volta meu cartão presente. — Edward não se incomoda minhas calcinhas de vovó, inclusive, ele acha algumas bem fofas... Ele sabe que tudo entra na minha bunda e que calcinhas fio dental me machucam, mas de vez em quando uso umas coisinhas para surpreendê-lo.

— Bella! Eu estou feliz por esse seu lado tão safadinho! — Alice gritou e ouvimos meu pai ter uma crise de tosse, Emmett cair na gargalhada e Edward apenas me olhou divertido. — Desculpa, eu não sei porque não consigo controlar meu tom de voz.

— É normal, Alice. Seu corpo e seus hormônios estão em plena transformação. Durante a gravidez da Carrie, vivia perdendo as coisas. Cheguei a pensar que havia algo errado comigo... — Rosalie a segurou pela mão.

Nós conversamos por horas, até comemos novamente e quando estava bem tarde, levei meu pai para o quarto que a Esme preparou especialmente para ele. Ela até revelou uma foto minha e dele, achada no meu facebook e colocou em um porta-retrato ao lado da cama. Achei o cuidado dela com meu pai um carinho tão maravilhoso.

— As toalhas ficam nesse armário aqui, caso precise de mais. Tem no banheiro, estão aquecidas. E se precisar de qualquer coisa, só me chamar.

— Está ótimo, querida. Isso é muito melhor que os hotéis que fiquei na vida. — Charlie olhou ao redor. — Essa família parece te amar, por isso fico feliz. Um pai sempre fica feliz onde sua filha está bem cuidada.

De repente, dei outro abraço nele. Charlie ficou surpreso e sorriu.

— É o segundo abraço espontâneo que me dá na vida, minha filha. Sabe quanto tempo sonhei em ter seus abraços? — Falou abafado contra o meu cabelo. — Sempre respeitei a sua distância. Sabia que a sua mãe, nunca foi do tipo carinhosa e quando você foi morar comigo, estava desacreditada com carinhos. Nunca soube como lidar com você, tentei te mostrar o amor do jeito que sabia.

— E eu senti, pai. É que Edward tem me ensinado que um abraço faz muito mais bem do que mal e pensei em todas as vezes que estive ao seu lado e não te abracei. Você sempre fez tanto por mim que um abraço é pouco. — Olhei para seu rosto e ele beijou minha testa. — Te amo, obrigada por viajar tanto tempo para passar apenas algumas horas comigo.

— Eu atravessaria o continente. — Charlie sorriu.

— Vou te deixar descansar. Boa noite, pai.

Deixei Charlie em seu quarto e andei silenciosamente pelo corredor. Entrei no quarto do Edward, ele estava na cama, só com sua calça do pijama, os cabelos molhados e me deu um sorriso. Tirei meus sapatos, deixei no canto e tirei minha roupa, dobrando e colocando no saquinho de roupa suja. Fiquei nua, a vontade, estava cansada e só queria dormir. A noite mal dormida, mais um dia inteiro de festa e bebida, meu corpo estava pesado.

Tomei banho, tirei toda maquiagem e vesti meu pijama. Voltei para o quarto, tirando o telefone da mão dele e me deitei, ele riu, me abraçou bem apertado com braços e pernas. Não sei quanto tempo ficamos assim e já estava me acostumando a carinhos e a ficar tanto tempo juntos, porque Edward sempre me abraçava em casa e na cama. No trabalho, nunca ficava perto dele. Parte porque ele sempre dava um jeitinho de me tocar, porque não sabia ao certo se conseguia me controlar.

Obviamente, durante o dia, sentia falta de beijá-lo como meu namorado, mas eu tinha completa consciência que no trabalho, ele era meu chefe e em casa, podíamos fazer o que bem entendêssemos. Ele queria testar sobre morarmos juntos. Não podia negar para mim mesma que queria morar com ele sim, primeiro que seria uma economia, a garantia do sexo todo dia e as nossas conversas na cama.

Só que em um relacionamento real nem tudo são flores. Tem dias que não quero olhar na cara dele de tanto que me irrita no trabalho, como iremos sobreviver convivendo no mesmo teto sem querer matar o outro? Como lidaremos com a questão financeira? Eu nunca vivi com um homem, nunca estive em um relacionamento para saber como fazer dar certo, mas estava tão apaixonada pelo Edward que viver com ele era tudo que mais queria e tudo que mais temia.

Adormeci entre os braços dele e acordei espalhada na cama, no meio da noite, aberta como uma estrela e ele encolhido no canto, virado de lado, com um beicinho engraçado, soltando uns bufos de respiração. O quarto estava quente, suada, liguei o ar na ventilação e tirei minha blusa.

— Olá, peitinhos. — Edward murmurou sonolento e chegou mais perto.

— Estou com calor.

— Eu te refresco depois... — Prometeu e sorri, me livrando da calça. — Eu amo a minha mulher decidida.

Ele disse que me amava? Meu cérebro entrou em queda livre após isso.

Dez dias depois, acordei com um barulho do lado de fora do quarto. Dessa vez, estávamos no apartamento do Edward depois de sete dias nos vendo apenas no trabalho, trocando alguns beijos dentro do carro e saindo para jantar. A história de ficarmos longe do outro por alguns dias foi divertida só no começo, depois, comecei a sentir saudades e a me sentir solitária no meu apartamento, dormi pouco e mesmo rabugenta com a minha menstruação, senti saudades dele.

— Edward? — Chamei e não obtive resposta. Com dor de cabeça após uma semana infernal sangrando como se tivesse um rio dentro de mim e muito que fazer com a minha tese, com todas as tarefas que Edward me passava para desenvolver e minha rotina de trabalho.

Levantei-me da cama, fui ao banheiro, fiz xixi, lavei meu rosto e escovei os dentes. Andei pelo seu apartamento a sua procura e da sala, o vi todo suado, usando apenas um calção de ginástica e tênis, bebendo água e sua amiga e personal, Lauren, estava com ele. Ela parou de entrar no quarto dele e sempre avisava quando estava chegando. Ainda sentia ciúmes dela, não conseguia controlar, mas tanto ela quanto Jessica me tratavam muito bem.

— Bom dia. — Minha voz estava rouca de sono.

— Você precisa começar a malhar conosco, Bella. — Lauren estava na adrenalina. Ela sempre tinha mais energia que conseguia acompanhar.

— Vocês gostam de malhar com as galinhas, essa hora estou acordada, porém, nenhum pouco feliz. — Resmunguei me aproximando da minha salvação matinal. Enchi a minha caneca de café, coloquei um sachê de açúcar, mexi e dei um golinho.

— A minha sócia tem horário a tarde. — Lauren continuou falando e Edward fez uma careta. — Deixa de ser chato, até mais tarde. — Ela saiu pilhada do mesmo jeito que entrou.

— O que tem a sócia dela? — Olhei para o Edward. — Já ficou com ela?

Edward sorriu.

— Não, ciumenta. Ela é lésbica como a Lauren, mas não tem escrúpulos quando se trata de dar em cima da mulher que acha bonita. E é meio insistente.

— Preocupado? — Arqueei a sobrancelha. — A maioria dos homens tem fantasias com duas mulheres na cama.

— Eu não sou esse homem, porque em você, só eu dou prazer. — Piscou e sorri, porque sim, ele me fazia ver estrelas. — Essa coisa de homem ter ciúme da sua mulher com outro homem, mas fantasiar com outra mulher é meio esquisito. Ciúme é ciúme. — Comentou pensativo e sorri. — Você me quer na cama com outra pessoa junto?

— Nem fodendo. — Rebati na mesma hora, fazendo-o rir. — Você é meu. — Me inclinei sobre o balcão e beijei seus lábios.

— Vou tomar um banho. — Avisou e seu olhar me fez um convite velado.

Tirou o calção bem na minha frente, junto com a cueca, levou para a lavanderia e andou nu pela casa. Me inclinei para observar suas costas malhadas, seus músculos estavam inchados e a sua bunda era simplesmente perfeita. Bebi meu café, porque precisava estar acordada para invadir o seu banho. Tirei meu pijama no quarto e ele estava lavando o cabelo no momento que entrei no box.

— Sabe que ao morarmos juntos, podemos agir mais ecologicamente economizando água. — Edward me puxou para o jato de água morna.

— Você deveria usar essa desculpa na casa nova, com a instalação dos painéis solares e do sistema de reutilização de água da chuva.

— Eu vou usar. E eu estava certo com as minhas previsões: você estará lá, na cama e no quarto comigo. — Beijou minha boca e desisti de discutir com ele sobre morar na sua casa. Nunca poderia dividir as despesas daquele lugar e não sabia ao certo como me sentiria ao morar com ele sem contribuir com nada.

Esqueci totalmente meus argumentos e inseguranças durante toda sacanagem no chuveiro e sexo fenomenal na cama. Edward sempre me surpreendia com uma faceta cheia de putaria, nem parecia que era um chefe pau no cú no trabalho.

Nós tivemos um final de semana realmente incrível e como era a nossa semana juntos, fomos trabalhar no mesmo carro e era a primeira vez desde que assumimos o relacionamento – sem dizer as palavras, que chegamos juntos ao trabalho. Tyler não travou o elevador como costumava e eu reparei que os olhares em relação a nós não eram mais intensos. Alguns colegas voltaram a falar comigo e a me convidar para as bebidas no fim do expediente. Fui algumas vezes e foi divertido.

— Sr. Cullen. — Jacob deu a Edward um aceno frio e fingiu que não me viu. Evitei olhar muito, porque normalmente ele era como um cão correndo atrás do Edward e me infernizando a cada oportunidade que tinha. Ele saiu no mesmo andar que nós, mas foi andando na direção oposta e Tyler manteve-se perto só para implicar.

— O que aconteceu? — Segui Edward até a sua sala.

— James deu uma reprimenda formal ao Jacob ao ouvi-lo falar coisas indevidas sobre você no refeitório. Ele deve estar chateado. — Edward não parecia preocupado com isso. Só eu senti um arrepio na espinha com o olhar dele? — Número 2, meu café.

— Babaca. — falei baixinho, mas ele ouviu. Peguei o café dele (eu odiava buscar seu café e ele sabia disso). Voltei e coloquei na sua mesa, batendo a caneca com força.

— Não faz essa cara de brava que você me deixa cheio de tesão. — Sorriu e me puxou pelo decote da blusa. — Eu amo te irritar.

— Edward... A porta está aberta. — Me afastei e seus olhos brilharam.

— Srta. Swan... — Ele começou falando mais alto e do seu jeito arrogante. — Eu disse que gostaria que os relatórios financeiros de sexta-feira estivessem na minha mesa segunda pela manhã. E não os encontrei aqui essa manhã, devo sempre lembrá-la como fazer seu trabalho com eficiência?

Filho da puta miserável. Encarei-o, olhei para sua mesa e eu sabia que a merda da pasta estava ali antes de ir buscar seu café da manhã.

— Sinto muito, Sr. Cullen. Isso não vai se repetir. — Usei meu tom de voz mais doce e abri um botãozinho da minha blusa, deixando meu decote ainda mais profundo.

Edward lambeu o lábio inferior e me deu um olhar apreciativo.

— Irei imprimi-los agora mesmo.

— Faça isso, Srta. Swan e não me dê mais... — Ele parou de falar quando me inclinei para ajeitar uma pasta torta e meus peitos ficaram quase de fora. Limpou a garganta. — Fora da minha sala agora e só volte aqui com os relatórios.

Sorrindo para seu desespero, fui andando devagar e rebolando. Algo me dizia que ele mal aguentaria chegar em casa se continuasse me irritando porque iria provocá-lo tanto ao ponto de esquecer seu nome. O sexo hoje seria incrível.