20

Bella.

Andei devagar pelos corredores da empresa, admirando pela janela o sol se pondo. Era novembro, a temperatura estava começando a cair bruscamente naquele horário e mesmo assim, Denver era privilegiado com um pôr-do-sol tão bonito. Parei um pouco, respirando fundo e deixando a energia daquela imagem bonita me dominar até que uma sombra negativa pairou sobre mim e ao olhar para o lado, Jacob Black encostou contra o vidro da janela, me olhando com seu clássico sorrisinho enfeitando os lábios.

Debochado.

— Olá. Café?

Não ia colocar a minha boca na caneca dele de forma alguma.

— Não, obrigada. — Sorri simpaticamente. A animosidade dele já me irritava o suficiente e não queria tê-lo me enchendo o saco.

— É uma linda visão, não é?

— É perfeito, uma das coisas que mais amo em Denver.

— Hum...

— Bella? — Tyler me chamou no final do corredor. Ele estava bem emburrado e sabia que era por causa do Jacob perto de mim. — Tem um minuto?

— É claro. — Sorri para ele e olhei para o Jacob. — Tenho que ir, bom café.

Me afastei ciente que seu olhar estava sobre mim o tempo inteiro.

— Precisa de ajuda, Sr. Black? — Tyler falou mais alto e franzi o cenho, passando por ele. — Ele estava olhando para você.

— E daí?

— Olhando para sua bunda, Bella. Não gosto dele, evita ficar perto ou sozinha, esse cara me dá vibrações realmente ruins.

— Não só a você, mas não posso fugir dele aqui no trabalho. O que precisa?

— Era só para te tirar de perto dele.

— Obrigada, eu vou arrumar minhas coisas e vou para casa.

Casa era o apartamento do Edward. Meu antigo apartamento foi esvaziado, pintado, vistoriado e devolvido ao dono. Desde então, estava morando com Edward, mas não desempacotei minhas coisas, estão empilhadas em um dos quartos e lentamente, começamos a guardar as dele. Começamos pelo escritório e outro quarto que tinha algumas bagunças. Todas as coisas da casa nova seriam novas...

Passo horas na internet comprando coisas, tinha que admitir que era um sonho consumista mobiliar uma casa inteira com dinheiro "ilimitado". Na verdade, era bastante consciente do valor. Não estava comprando do mais barato, nem do mais caro, Edward sempre escolhia algo de qualidade e um bom preço, o que demandava bastante pesquisa. Esme e Rosalie tem nos ajudado muito orientando sobre marcas de roupas de cama e de cozinha.

A ideia de morar em uma mansão ainda era absurda e pesava na minha consciência, mas eu tinha absoluta certeza que moraria com Edward debaixo da ponte, em uma simples casa ou em um apartamento de um quarto. Por que estava dando tanta crise em morar em uma mansão? Não podia deixar o dinheiro mudar quem eu era e o nosso relacionamento.

Edward me surpreendeu com um anel de compromisso. Não era parecido com um anel de noivado, era delicado, bonito e tinha seu nome escrito. Ele também usava um, símbolo do seu comprometimento comigo. Ele fazia de tudo para apaziguar meus medos e me transmitir confiança porque sabia que a minha mente era um poço de paranoias e medos.

Deixei claro para minha mãe que ela precisava amadurecer e que ia concentrar minha atenção pagando a hipoteca da casa do meu pai. Não podia torrar todo meu salário salvando a minha mãe das suas enrascadas porque ela não tinha controle de si mesma. Estava cansada de ser responsável por ela o tempo todo e dei uma chamada bem dura no Phil. Ele está trabalhando como entregador de jornal e minha mãe parece ter se encontrado vendendo velas.

Seja como for, eles estavam estabelecidos em Boston por um tempo e eu sabia que não duraria. Minha mãe odiava o frio, logo eles voltariam para Califórnia. Respeitava minha mãe por gostar dessa vida cigana, não era o meu caso e estava precisando de um tempo para cuidar de mim mesma.

Edward não estava em sua sala quando me aprontei para ir embora. Carmen optou por voltar a chegar mais tarde e sair tarde. Ela não aguentou acordar cedo, para mim acabava sendo melhor sair junto com Edward. Ele nunca saia cedo da empresa, enquanto meu horário era até às 16h, ele ficava na empresa até às 19h. Às vezes ficava junto com ele, a maioria não aguentava e ia embora.

Liam sempre vinha me buscar e nós íamos para casa. No caminho, fechei meus olhos, com sono e cansada. Fiquei até às três da manhã finalizando a minha tese. Enviei para revisão ortográfica e eles me entregariam em uma semana. Edward era um orientador insuportável. Ele rebatia todos os meus argumentos, riscava minhas folhas e respondia quase todos os parágrafos. Quase voltei para o meu antigo, mas eu sabia que era para o meu bem.

Carlisle fez a última correção, ele foi extremamente imparcial, mas senti o peso da sua caneta. Quando finalizei, ambos aprovaram, enviei para revisão e em seguida, enviaria para universidade. Era o fim de uma etapa da minha vida. Minha bolsa de estudos sairia do meu salário quando fosse aprovada, mas estava tudo bem, porque meu salário não era tão baixo assim.

Me despedi de quem encontrei no caminho. Liam não estava me esperando na calçada e sim na frente da empresa. Passei pelas portas de correr e encontrei com uma colega, ela era da copa e sempre me dava uns bolinhos da direção quando ficava até tarde. Aquela mulher me salvou da fome várias noites enquanto ainda era analista.

— Temos que combinar um cafezinho, sinto falta de conversar com você.

— Eu mudei de andar, ainda não sei meu novo horário.

— Só dar um oi no telefone que vou te encontrar, Lisa.

Liam saiu do carro, deu a volta e me despedi da Lisa e então uma mulher loira parou na minha frente. Sabia quem ela era. Tanya Denali. Me olhou de cima abaixo e sorriu cheia de simpatia.

— Não vai durar. Ele não consegue manter um relacionamento com ninguém. Estou falando isso de mulher para mulher. Edward me enrolou por anos na história que não queria nada sério e me machucou muito quando fui simplesmente trocada. Estou vendo que você é alguém que... — Seu olhar parou na minha mão. — Vocês estão noivos?

— Tanya, eu sinto muito. Eu não tenho que falar do Edward com você... Tenho que ir. — Passei por ela e Liam abriu a porta do carona, me deixando entrar, fechou e disse algo para Tanya. — O que falou com ela?

— Para se manter longe. Ela é maluca, branquela. Já quebrou minha moto só porque não deixei que chegasse perto de vocês em uma noite, no restaurante. Ela vem aparecendo atrás de vocês logo que paparazzis reconhecem ou fotografam.

— Caramba... Ela e o Jacob podem dar as mãos.

— Com toda certeza, branquela. Direto para casa?

— Sim, por favor.

Liam fez um percurso tranquilo. Edward me enviou uma mensagem de beicinho que não o esperei para dar um beijo de despedida. Ele sabia muito bem que não o beijaria lá. Assim que cheguei em casa, Angela ainda estava na cozinha, tirei os sapatos e comi uma salada de fruta que ela preparou especialmente para o mimado do Edward. Era impressionante como ele tinha até a Angela na palma da mão, que fazia mimos para ele com prazer. Edward era muito gentil com ela, deu um emprego ao seu marido e estava pagando a creche do bebê deles enquanto os dois se restabelecem após anos de desemprego.

Edward era um excelente chefe de forma particular. Todos os seus funcionários, pagos pela sua empresa privada – eu, Tyler, Liam, Angela e mais alguns, eram tratados muito bem, cheios de regalias. Pela CHE, recebia apenas a minha bolsa de estudos. Em breve, não seria mais funcionária dele, seria funcionária do CEO, é por isso que nós podemos ter um relacionamento sem sermos acusados de nepotismo.

E era por isso que Carlisle tinha que me engolir como sua nora e assistente do CEO. Ele ainda não me pediu desculpas, mas estava sempre me elogiando, me enviando flores e presentes – como ele fazia isso pela Alice e Rosalie, não achava incomum. Esme e Carlisle tinham prazer de mimar suas noras, era muito gentil da parte deles. Eles também eram avós muito legais, as meninas adoravam passar o final de semana no rancho e sempre choravam na hora de ir embora.

Edward mudou tanto a minha visão sobre filhos, mas foi a Rosalie que me fez crer que eu podia ter uma carreira e ser mãe. Ela trabalhava em casa por opção, assim ajustava seus horários com as meninas, mas sua empresa era totalmente independente do Emmett ou da CHE. Vê-la tão bem sucedida e mãe de duas meninas tão bem educadas e próxima aos pais me deu esperanças de que eu podia fazer aquilo também.

A única coisa que me deixava meio receosa de engravidar era estar longe do meu pai. Não só porque meu relacionamento era muito jovem, estava em uma idade que não seria um caos completo ter um filho e tinha total noção que não podia esperar mais quinze anos. Uma coisa era certa: precisava me planejar. Se não ia entrar na minha próxima graduação agora, esperaria mais dois anos, quando estivesse estudando não poderia pausar e ter um filho.

Quando me formasse, estaria com quase trinta e cinco. Era tão cruel ter essa incerteza. Decidi largar meus pensamentos de lado e tirar um cochilo antes do Edward chegar. Dormi apenas três horas essa noite, ainda bem que era sexta-feira e podíamos fazer o que quiséssemos no final de semana. Tínhamos que ir à casa, dar uma olhada nos móveis e na última parte da reforma, mas...

Tomei banho, vesti um pijama e me joguei na cama.

Acordei assustada e estava claro do lado de fora. Claro demais. O lado dele estava todo bagunçado, travesseiro no chão e a televisão ligada no noticiário matinal no mudo. Seu calção de ginástica estava no chão e me espreguicei, saindo da cama. Entrei no banheiro e ele estava dentro da banheira, de olhos fechados e sorri.

— Bom dia... — Falei sonolenta.

— Bom dia, linda. Está descansada?

— Estou. Por que não me acordou?

— Você precisava dormir. Cheguei, comi um sanduíche e dormi também.

— Posso entrar aí?

— É claro que sim.

Tirei meu pijama, prendi meu cabelo e nua, entrei na banheira. Edward esticou as pernas, me convidando para me sentar no seu colo e a água estava morninha, agradável. Montei no seu colo, abraçando-o e minhas coxas ficaram exatamente contra as paredes da banheira.

— Você é como uma sereia... Me encanta com seu corpo perfeito.

— Olha quem fala... Você está bem? Quase não nos falamos ontem.

— Depois de dormir quase doze horas, malhei e estou me sentindo ótimo. Foi uma semana muito cansativa, precisávamos dessa noite de sono.

— Foi sim... Minha tese acabou.

— Não fique ansiosa com a apresentação... Você vai arrebentar. Sua ideia é genial, Bella. Em pouco tempo, você será CEO da sua própria empresa e nossos filhos vão se orgulhar do império que vai criar.

Estava para nascer homem que me idolatrava como esse. Sorri e beijei sua boca, começando a namorar na banheira, mas ele quis sair e mesmo de pau duro, ficou me olhando me secar com cuidado e me levou bruscamente para o quarto.

— Deite-se, amor.

Obedeci ao seu comando carinhoso e ele gentilmente afastou meus joelhos. Eu não estava totalmente depilada como gostava, essa era uma coisa sobre morar junto que era complicado manter minha depilação em dia. Não que ele tenha reclamado, se importado ou deixado de ser tão intenso no sexo. Pelo contrário. Se ele reclamasse, mandaria a merda, mas era apenas um pensamento sobre como Edward não era o tipo de homem escroto que precisava de incentivos para gostar de mulher.

— Porra, você me deixa com a boca cheia...

E ele começou a me chupar, agarrando meus peitos, beliscando meus mamilos e me olhando intensamente enquanto me enchia de prazer, fazendo meu tesão por ele transbordar e explodir em um orgasmo gostoso que mal tive tempo de processar porque aos beijos, sentindo meu gosto na sua língua, meteu fundo de uma vez só. Soltei um gritinho, agarrando seus ombros e empurrei minha unha na sua pele.

— Sei que você gosta disso, sua safada.

Agarrei seu cabelo, puxando com força e ele respondeu metendo ainda mais duro, sem parar, se afastou um pouco erguendo minhas pernas e riu.

— Vira essa bunda pro alto.

Virei na cama, empinando a minha bunda e era a posição que mais sentia vergonha, me sentia exposta demais e se tornou uma das minhas favoritas. Agarrei a beirada da cama enquanto ele brincava comigo.

— Você me faz gozar tão rápido... — Ele estava tentando se acalmar para não gozar logo. — Que bunda perfeita... — Estapeou minha nádega, metendo o dedo em mim e tocando os pontos sensíveis para me fazer gozar de novo. E ele conseguia. Deu um tapa na minha buceta.

— Filho da puta! — Gritei de volta.

— É irresistível. — Senti sua língua no meu clitóris.

— Edward... — Choraminguei quase caindo. Tudo que ele fez foi colocar dois travesseiros debaixo de mim, me deitar e lentamente empurrar seu pau pelas minhas dobras muito molhadas. — Ah, que delícia. — Ele segurava minha bunda, metendo e foi perdendo o controle sobre si mesmo. — Goza, amor.

Edward gozou forte, porque senti. Seu aperto na minha nádega era quase mortal e caímos na cama, porra, que sexo matinal foi aquele?

— Eu te amo... — Me inclinei sobre ele e beijei sua boca.

Edward sorriu, seus olhos ficaram carinhosos e apaixonados.

— Eu te amo, Isabella Cullen.

Soltei uma risada. Ele cismou com essa bobeira. Casamento e filhos, ele só podia estar fazendo lavagem cerebral. Ainda debruçada nele, abri a gavetinha da mesinha ao lado da cama para pegar meu anticoncepcional e ao olhar a cartela...

— Puta que pariu! — Soltei e sentei imediatamente. Senti o esperma dele escorrer, corri para o banheiro, desesperada, arremessei a cartela na pia. Entrei no chuveiro e comecei a me lavar.

— Caramba, o que houve? — Edward estava assustado. — Você está machucada?

— Esqueci de tomar o anticoncepcional, Edward! Desde quinta-feira de manhã e tudo que nós fizemos antes de dormir foi muito sexo! — Gritei do box e ele apenas sorriu.

— Ah, é isso?

— Não vem com "é isso"! Eu disse que estava ok com a ideia de ter filhos, não que a gente ia imediatamente engravidar!

— Bella... Foi uma semana turbulenta, eu não me arrependo de todo sexo, porque foi incrível, gostoso e nós somos um casal que mesmo cansados gostamos de transar. Prometemos ser responsáveis e aconteceu, seguiremos sendo responsáveis. — Meu lábio inferior tremeu. — Sei que você tinha sua vida inteira planejada e que nosso relacionamento mudou tudo, mas se tivermos um bebê, será tão ruim assim?

— Não, vai ser incrível. — E eu comecei a chorar. Edward começou a rir.

— Não, amor. Não chora... Sabe o que devemos fazer? Transar de novo e quem sabe dá uma ajudinha...