Milo, Kanon, Saga, Aldebaran e Shura já haviam começado a jogatina, enquanto Afrodite, Aiolos e Máscara da Morte conversavam bebendo whisky .

- Que cara é essa carcamano? Não abriu a boca e fumou quase meio maço de cigarro, tá nervoso com o que ? - o pisciano, sensível como era, conseguia ver a aflição do melhor amigo, aflição que ele sabia bem que tinha nome e sobrenome, dois pares de olhos castanhos e cabelos bem compridos.

- No é nada, só me deixa quieto Peixes.

O loiro olhou para o sagitariano que também sacou o do canceriano dando um largo gole na bebida ambar. - Hey italiano que está pegando? Você é sempre tão animado no dia da jogatina, tá aí com essa carranca fumegante, esse cigarro vai te matar ainda!

- Me deixa Olos. - Máscara deu um gole na sua bebida e fixou o olhar para dentro do copo, como bom canceriano que era, ficava lembrando dos momentos gostosos que teve com Calisto, da risada, dos carinhos, dos elogios que ela lhe fazia, dos beijos carinhoso. - Tsc… eu só faço merda! - pensou alto.

Afrodite tombou a cabeça pro lado, ressabiado. - O que você fez Mask?

O canceriano se assustou com a pergunta do nórdico, nem percebeu que pensou alto. - No é nada, já disse! - respondeu nervoso se levantando e caminhando para a mesa de cartas, deu um belo gole no seu copo que estava cheio esvaziando toda a bebida fazendo uma careta no final - Sou o próximo! - disse alto.

- Aêêêê, até que enfim o italiano chegou! - disse o taurino animado. - Kanon, vamos terminar logo com isso! Kanon? Kanon? Terra para Kanon! - Aldebaran passava a mão na frente dos olhos cor de jade do geminiano que estavam fixos no além.

- Ihhhhhh esse aí tá pensando na Bombom, nem consegue jogar, tá ficando mole, hein Anjão, kkkkkkk! - Milo deu um tapa forte nas costas do geminiano o acordando de seu transe.

- Olha quem está falando! - Kanon disse entredentes. - Eu ouvi você pedindo para ela se comportar lá no cantinho da varanda enquanto dava uns amassos nela, meu ouvido é de cavaleiro Escorpião!

- Ah, não enche o saco Anjão. - Milo disse nervoso.

- Para de me chamar de Anjão, só ela pode!

- Ok Querubim - Milo ria da própria piada e para desgosto do Marina, todos riam também!

- Vão se ferrar todos vocês! Seus idiotas, e eu bati! Tomaaaaaaaaa! - O geminiano se levantou jogando as cartas com força no centro da mesa.

- Agora é mia vez - o canceriano expulsou o taurino que havia perdido, enquanto Aiolos fazia o mesmo com o capricorniano. - Sai pra lá hombre!

Logo que Aiolos se sentou, olhou para os três que estavam bem de frente de si com cara de enterro.

- Bah! Se vão ficar com essa cara, vou embora! - o sagitariano falou

- Ihhhh, tá passando muito tempo com a Lu, até o sotaque dela ta aprendendo - Aldebaran falou de longe, enquanto gargalhava e Milo fechou a cara em contragosto.

O sagitariano bateu a mão na testa se dando conta - É mesmo, mas ela tem um sotaque mais carregado que a Calisto e Koga, sem contar que ela fala tu, bah, tchê, eu acho essas duas últimas palavras engraçadas, fico tirando tanto sarro que agora peguei o tique.

- Eu acho lindo o sotaque dela - Milo disse com cara de esnobe.

- Sei, tem muita coisa que você acha lindo nela, né peçonha safado! - Milo riu com a constatação do sagitariano.

- Sim, eu acho ela toda linda!

Saga deu um bocejo alto. - Vamos ficar falando das meninas ou vamos jogar? Essa hora elas já devem ter se enfiado em algum barzinho e nem lembram de vocês dois, então bora dar as cartas.

- Barzinho? - Máscara da Morte perguntou para Milo, que lembrando do motivo da saída das garotas se sentiu numa saia justa, olhou para Kanon pedindo ajuda, ele falaria que o motivo era o próprio italiano?

- É, ahm…. sabe como é, garotas! - disse levantando os ombros.

- E vocês deixaram elas irem desacompanhadas? - o canceriano conhecia muito bem os dois para saber que eram um poço de ciúmes, não que ele não tivesse, mas agora que havia terminado com Calisto não tinha mais direito àquele sentimento, mesmo que no fundo estava se corroendo.

- Elas não vão fazer nada, deixe elas se divertirem. - Kanon disse por fim jogando as cartas na mesa.

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- Gente que lugar é esse! - Koga dizia olhando o teto do bar que mais parecia uma gruta e com uma bela vista para o mar, tinha uma saída que dava para praia que era iluminada por tochas em toda a sua extensão.

Logo que Luísa desceu as escadas sentiu alguns olhares sobre si e não era pra menos usava um lindo vestido azul bebê frente única que tinha um decote generoso, realçando seus seios e a tatuagem que tinha nos ombros, fez uma maquiagem mais carregada nos olhos realçando-os, ela estava um espetáculo como disse Calisto assim que viu a amiga saindo do quarto.

- Meninas tem música ao vivo! Ownn, vocês são demais! - Calisto disse abraçando as duas.

- A gente sabia que você ia amar! - Koga disse apertando o abraço. - Agora vamos brindar à gente!

- Vamoooos! - Calisto disse feliz já indo para o bar.

- Amiga, só não vai beber horrores igual da outra vez - Luísa disse preocupada sabendo que a canceriana exagerava sem perceber.

A noite foi passando e o bar virou uma grande balada, as meninas se esbaldaram na pista de dança, fizeram coreografia, cantaram as músicas fingindo ter um microfone nas mãos, até que a banda subiu ao palco deixando Calisto ainda mais animada!

- Koga tu que é mais saidinha fala pro cantor deixar a Cali cantar uma música, ela vai amar!

- Ai será que eu tenho coragem? - Koga disse mordendo os lábios. - Ah, também que se dane, no máximo receberei um não!

A morena se aproximou do palco e chamou o cantor falando em seu ouvido.

- O que a Koga foi fazer? - Calisto voltou do bar com mais três canecos de uma bebida docinha que já estava deixando as três bem tontinhas.

- Foi pedir pra você cantar! - Luísa disse pegando sua caneca.

- Consegui!! - Koga voltou saltitando, ele disse que a próxima você canta!

- Ai vou matar vocês!! Que vergonha! - Calisto colocou a mão na testa arregalando os olhos.

- Vergonha nada! Você canta lindamente, o povo vai amar!

E assim depois que a música terminou Calisto foi chamada, ela estava um pouco nervosa fazia já um tempinho que não subia num palco e tinha tanta gente, respirou fundo, pegou o violão e se sentou para fazer uma música estilo acústico.

- Ahm, boa noite! - ela disse no microfone. - Meu nome é Calisto e espero que gostem da música que vou cantar, é uma baladinha, hein, quero ver os casais dançando aqui na minha frente.

Logo Luísa e Koga se olharam e se abraçaram para dançar juntinhas, não iam dar brecha para nenhum cara vir em cima, para a tristeza de muitos que as rondavam.

Calisto começou a cantar e logo casais se formavam na sua frente, deixando a canceriana feliz, pois isso queria dizer que estavam gostando, ela olhava cada um, se sentiu plena por alguns instantes até seu olhar pousar num canceriano que a olhava de longe, ela acabou errando um acorde, mas logo voltou a música, para ninguém perceber, continuando a cantar.

Faltavam poucas horas para amanhecer e a jogatina na casa de câncer já havia terminado a pouco tempo, Máscara da Morte depois que soube que elas haviam saído não pensou duas vezes em procurá-las, na verdade, procura-la, ficou deslumbrado com a voz de Calisto, se arrependia amargamente de ter feito o que fez, queria conversar com ela, queria fazer as pazes, mas as palavras bem claras do ódio que ela sentia por ele martelava em sua cabeça.

- Perche eu vim? - perguntou para si, acendendo um cigarro e depois tomando um gole da long neck, até que a música terminou e ele ouviu os aplausos fervorosos para a canceriana que agradecia tímida.

Para o descontentamento do canceriano, Calisto foi abordada por várias pessoas, inclusive o cantor, da banda que falava no pé do ouvido da castanha fazendo ela rir, seu ódio pelo cara extrapolou de uma maneira, fora que ele também já havia bebido muito e sem se conter, apagou o cigarro na areia, terminou sua cerveja e se dirigiu ao "casal", assim que chegou perto, Calisto desfez o sorriso o que tirou ele ainda mais do sério, ele pegou o cantor pelo colarinho e o ergueu tirando os pés do chão.

- Não se aproxime dela seu figlio della putana! - e jogou o rapaz para longe fazendo-o cair de costas.

Calisto arregalou os olhos assustada colocando as duas mãos ao lado do rosto em espanto. - Máscara da Morte o que fez?? - ela correu para acudir o cantor que levantava com dificuldade. - Meu Deus, moço você está bem? Me desculpe!

- Non tem que pedir desculpas, esse babaca estava dando em cima de você - o canceriano foi de encontro aos dois e logo Calisto se levantou parando o dourado com as duas mãos em seu peito.

- Seu covarde! Você é um cavaleiro, como pôde? Sai daqui! Eu não quero mais nada com você, sai daqui! - ala dizia querendo se matar ao sentir sua lágrimas escorrerem no rosto. - Por que veio para cá? Pra estragar minha noite, é? Você não pode me ver feliz, que logo vem e me machuca! Seu sádico, você não entendeu que EU TE ODEIO!

Máscara congelou com as palavras duras de Calisto, novamente enfiou os pés pelas mãos, tinha ido para lá para consertar as coisas e acabou ferrando tudo de novo e agora provavelmente para sempre! Ele segurou os pulsos de Calisto levando as pequenas mãos até seus lábios a beijando - Non fale una cosa dessas, cara mia, non me odeie! - disse, sentido.

- Pois EU TE ODEIO! VAI EMBORA! - a canceriana já gritava transtornada sendo abraçada por Luísa.

- Calma amiga, fica calma. - a escorpiana tentava segurar Calisto que tinha ganas de matar o canceriano.

- Máscara? - Koga apareceu atrás do cavaleiro chamando sua atenção, dizendo seriamente. - Acho melhor você ir, a gente cuida dela, por favor deixa ela sozinha, ela precisa de um tempo.

Máscara da Morte olhou Calisto com tristeza, ela que chorava abraçada a escorpiana que afagava seus cabelos dizendo palavras calmantes, ele encarou as orbes ametistas e assentiu saindo de lá rapidamente.

- Pronto amiga, ele já foi, está tudo bem. - Koga disse dando um carinho nas costas da castanha.

- Por que ele tem que fazer isso comigo? Ele é um maluco! - Calisto disse fungando e limpando as lágrimas.

- Amiga sabe o que podemos fazer agora? - Luísa disse puxando as duas em direção ao bar.

- O que? - a canceriana disse desanimada.

- Afogar as mágoas com você! Garçom, traz três tequilas! Agora a gente vai beber de verdade! - a escorpiana esfregou as duas mãos ao ver os três pequenos copos com a bebida dourada sendo colocados na sua frente.

- Senhor! - Koga negativava com a cabeça já prevendo o estrago.

- Então minha dose pode ser dupla - Calisto completou o pedido.

As três nem saberiam dizer quanto chotes tomaram, mas foram muitos e foram até de manhã nesse ritmo.

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O sol já estava alto, devia ser quase dez horas da manhã quando as três cambaleantes entraram no Santuário, logo Seiya, Hyoga e Shun toparam com elas que andavam abraçadas uma nas outras para não cair, riam alto, falavam alto, estavam todas desgrenhadas, com a maquiagem escorrida, fora o cheiro forte de álcool que exalavam.

- Garotas, isso é hora de chegar? Seus namorados estão tendo uma síncope de preocupação lá nas doze casas, o Mu e o Shaka estão tentando acalmá-los porque por eles já teriam saído a procura. - Shun disse colocando o braço de Luísa atrás da sua nuca para ajudá-la a ficar em pé.

- Caramba Cali, bebeu até cair de novo! - Hyoga segurou a cintura da canceriana que ria da cara do Cisne.

- Imazina a cara do Kanon quando me ver azim, kkkkkkk! - Koga ria bêbada só de imaginar a cara de bravo do Marina, sua risada contagiou as outras duas, que gargalhavam alto.

- Você tá é ferrada! - Seiya disse ajudando Koga - Nem quero ver quando Kanon te ver neste estado.

- Ahhhhhh, ele não zai fazer nada, eu zô ótima! - Koga soluçou no final, rindo mais um pouco.

- Tô vendo, tá ótima! - o sagitariano disse sarcástico conduzindo a morena que andava em zig zag.

Milo e Kanon discutiam com Mu e Shaka até que pararam ao avistar as três garotas, que nitidamente estavam alteradas, beeem alteradas.

- Elas estão bêbadas? - Milo disse estreitando os olhos descendo as escadarias de Áries.

- Bombom? - Kanon olhou para a morena que tinha até perdido a fivela que antes estava adornando os cachos, ele trocou de lugar com Seiya para ajudá-la a andar. - Bombom você está bêbada?

- Não, zô ótima! Pronta pra prózima Anzão! - Kanon segurou os nervos para não ter um ataque de fúria na frente de todos, não que ela não pudesse beber e ficar de fogo, mas isso só poderia acontecer com ele junto! O que mais poderia ter acontecido com ela naquele estado? Ah, mas ela ia se explicar direitinho, ah se ia!

Milo por sua vez, não disse nada, só pegou Luísa no colo, que ria e cantarolava alguma canção que tinha ouvido na balada e levou ela para Casa de Escorpião, ela naquele estado não tinha como conversar.

Já Calisto tinha dormido no colo de Hyoga que a levou até aquário, depois Camus cuidaria dela.

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Após Kanon ter ajudado Koga a tomar banho e colocado para dormir, foi para cozinha passar um café preto, ela com certeza ia precisar! Ele não estava nada contente, o que não passou despercebido pelo seu irmão, que entrou no recinto ao sentir o cheirinho delicioso da bebida.

- Credo Non, que cara é essa? Eu ouvi a voz de Koga, onde ela está? - Saga dizia montando um sanduíche.

Kanon com cenho franzido e braços cruzados respondeu seriamente. - Ela está dormindo.

- Ué mas essa hora? Meio dia? Essa noite delas foi longa, hein? - disse em tom divertido, mas logo desfazendo com a cara amarrada que o caçula fez. - Nossa Non parece que alguém morreu, o que aconteceu? - Saga perguntou agora se preocupando.

- Ela chegou cruzando as pernas. - Kanon esfregou o rosto com as duas mãos. - Só de pensar que alguém pode ter se aproximado dela, se aproveitando do seu estado. - o cosmo do mais novo até começou a reluzir em volta de seu corpo.

- Se acalme! Quem nunca ficou de fogo? Isso é normal! - o mais velho disse sério - O que é isso cara, não confia nela?

- Claro que eu confio - respondeu nervoso - Não confio nos outros! - Saga, a Koga é linda, exótica, negra de olhos cor de ametista, que cara não ia querer dar em cima dela?

- Realmente ela é linda mesmo, porém é de você que ela gosta Non, para com esse ciúmes descabido, senão você pode fazer besteira!

- Não sei não. - Kanon puxava os cabelos para trás, nervoso. - Eu vou lá ver ela - se desencostou da pia e foi em direção ao seu lado da casa onde Koga repousava no quarto.

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Milo chegou até o Oitavo Templo ainda com a cara amarrada, enquanto Luisa se desembestava a falar e rir de tudo, o escorpiano desceu as escadarias, rumou ao quarto, mas antes passou pela cozinha, pedindo para D. Agnes fazer um café bem forte, assim que chegaram no quarto, deitou a castanha em sua cama ajudando ela retirar as sandálias, já Luísa tinha voltando a cantarolar alguma música, parou assim que ele colocou suas pernas em cima da cama e sentou ao seu lado. Foi só então que Milo percebeu o quanto o vestido que ela estava usando era decotado, decotado até demais, sentiu uma pontada de ciúmes ao imaginar em quantos urubus devem ter ficado observando seu busto.

- Miluzooooo - a escorpiana falou tirando o grego de seus devaneios. - Eu zá disse que te amo? - aproximou seu rosto do dele, o que fez Milo fazer uma careta devido ao cheiro forte de álcool. - Luísa você está…. - o momento foi quebrado com a chegada de D. Agnes trazendo o café, o dourado agradeceu, pegou a xícara e a levou até a boca de Luisa para que ela bebesse.

- Pobrezinha, precisa dar um banho frio nela Milo, vou preparar uma comida leve pra depois, com licença - a senhora deixou o quarto preocupada com a moça.

A escorpiana tomou um gole, fez uma careta e afastou a mão de Milo - Izo tá amargo e forte demaiz, eca! - fez um bico.

- Mas você precisa tomar, vai te fazer bem. - levou novamente a xícara até próximo do rosto dela.

- Não quero - virou o rosto e afastou novamente a mão de Milo.

O escorpiano suspirou fundo e mentalmente contou até mil, pedindo paciência, pois, Luisa parecia uma criança mimada, fechou os olhos e suspirou novamente para tornar abrir os olhos e encarar a castanha. - Lu, por favor! Eu sei que é ruim, mas é para você melhorar.

A brasileira mesmo estando com a cabeça girando por conta da bebida, percebeu o quanto estava sendo infantil e também como o dourado estava sendo paciente e atencioso, fez um biquinho esperando que ele lhe desse o café, o que Milo fez. Luisa finalmente tomou todo o líquido que já estava até frio, então o cavaleiro colocou a xícara em cima do criado mudo e voltou a olhar pra ela. - Vem, vou te ajudar ir até o banheiro, você precisa de um banho.

Luisa olhou para ele e depois pegou uma parte do seu vestido e levou até o nariz, repetiu o gesto levando uma mecha dos cabelos, foi então que percebeu que o cheiro de bebida estava impregnado em si. - É, realmente, eztou parezendo um pudim de cana - riu da própria piada se jogando para trás com os braços abertos dando uma gargalhada alta, o escorpiano revirou os olhos e respirou fundo, ela ergueu o corpo se apoiando nos cotovelos e olhou pra ele com um sorrisinho safado - Tu vai me dar banho?

Milo sentiu a garganta secar, eles apesar de já estarem juntos há algum tempo ainda não tinham se amado e obviamente não iria se aproveitar do estado que ela estava, queria que fosse um momento único e especial, ele esfregou o rosto com as duas mãos de forma nervosa - Não Lu, você vai tomar banho sozinha, mas vou ficar por aqui, caso aconteça algo você me chama, por isso, não tranque a porta.

Ela o olhou com um semblante decepcionado fazendo um bico maior ainda, Milo riu da cara infantil de Luísa. - Vamos, vou ajudar você a levantar, sua bêbada. - ela assentiu que sim pois realmente estava difícil de controlar o próprio corpo, saindo da cama, ainda sentia como se as paredes e pisos se movessem, Milo segurou suas mãos e a guiou até o banheiro e a colocou sentada no vaso, voltou ao quarto e pegou uma camiseta sua pra que ela vestisse e um shorts que já não lhe servia mais, ia ficar grande mas melhor que nada, voltou ao banheiro, entregou as peças à ela e duas toalhas, saiu fechando a porta. - Bom banho, deixa a água morna tá!

A castanha permaneceu sentada, retirou o vestido e a calcinha colocando em cima de um cesto que tinha em frente ao vaso, e com certa dificuldade se apoiou nas paredes indo até o box e ligou o chuveiro, com a água morna entrou em baixo, deixando que ela fosse aos poucos revigorando suas forças, foi então que com ajuda de seu estado alcoólico, que a deixou mais sensível que o normal, todos os acontecimentos desde quando foi para a Grécia começou a passar como um filme em sua mente, o aperto no peito ao lembrar dos pais voltou com força, não entendia porque disso, devia ser saudade e preocupação com a família, de maneira alguma estava triste no Santuário, pelo contrário, estava vivendo o que sempre havia sonhado, mas não saber o que estava acontecendo em sua dimensão a preocupava, não saber se o tempo lá havia parado ou transcorria normalmente fazia com que ficasse pensando sobre o que teriam dito do que aconteceu com ela e as amigas, por vezes, também se pegava pensando sobre o que Milo pensava se ela tivesse o direito de escolher entre voltar para sua dimensão ou permanecer no Santuário.

As suas dúvidas sobre seu relacionamento com o dourado ainda insistiam em rondar seus pensamentos, ela já havia se declarado para ele, mas ele apesar de demonstrar ser carinhoso, e de cumprir o que disse no luau, que queria tentar algo sério, ainda não havia se declarado ou oficializado um pedido. Luisa apesar de ser fã das atitudes e dos gestos, às vezes, necessitava das palavras também.

O turbilhão de emoções em seu peito, fez com que apoiasse as mãos na parede e apoiasse a cabeça em um dos braços para deixar que o pranto tomasse conta de si, aos poucos, os soluços se tornaram incontroláveis e mais audíveis e Luisa só desejou que as lágrimas levassem embora toda sua dor.

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Milo estava com as costas apoiada na porta, para no caso Luisa o chamasse, ele já estava próximo, por isso, acabou ouvindo o choro dela, e isso fez com que seu coração se enchesse de tristeza, ainda mais por não conseguir entender o motivo do pranto, já que ela era sempre sorridente, vê-la assim tão frágil emocionalmente e sem saber porque era torturante. Não demorou muito e um barulho no trinco fez com que se afastasse da porta, mais alguns segundos e Luisa abriu a porta vestindo a roupa que ele havia lhe emprestado.

- Esse short ficou um pouco grande - ela sorriu, tentando esconder o pranto de minutos atrás porque não sabia se Milo havia escutado - Mas dá pro gasto - deu uma voltinha no próprio corpo e quando parou deu um bocejo alto.

- Vem descansar Lu. - Milo falou com um certo desânimo, se ergueu seguiu Luísa com o olhar.

A castanha caminhou até a cama se deitou e olhou para ele - Deita comigo?

Milo sorriu ao ver a cara pidona dela, assentiu e deitou-se ao seu lado, ela aninhou em seu peito enquanto ele afagava os longos cabelos molhados e não tardou para que ela adormecesse, os soluços dela ainda ecoavam em sua mente e as incertezas também, será que o motivo da tristeza dela seria ele? Luisa em seu sono se aconchegou mais ainda em seu peito, o loiro pensou em se levantar para fazer algumas obrigações, mas estava tão gostoso tê-la daquela forma, tão vulnerável e linda que acabou se aconchegando a ela e adormeceu também.

D. Agnes na cozinha percebeu o silêncio no quarto e se dirigiu até lá, parou na porta e viu o casal dormindo, sorriu e fechou a porta com cuidado.

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Kanon ficou algum tempo olhando Koga dormir, ela era tão linda e especial, tinha certeza que algum espertinho tinha dado em cima dela, e isso estava o tirando do sério, fazendo hora ou outra ele bufar até que sentiu uma mão em seu peito e um olhar cair sobre si.

- Bom dia Anjão… - Koga estava com a voz rouca, o que a deixava mais sexy no olhar no geminiano e mais um pontada de ciúmes se formou. - Nossa que noite! - ela disse sorrindo.

- É, sua noite deve ter sido ótima mesmo. - falou seco.

Koga nem percebeu a irritação do mais velho e se espreguiçou toda na cama.

- Nossa Anjão, a gente cantou, dançou, foi ótimo, no final conseguimos deixar a Cali feliz. - continuou contando para o loiro que cada vez ficava mais irritado com a felicidade da companheira.

- E tinha que beber tanto Tereza? - Kanon se sentou de pernas de índio na cama a olhando sério.

- Tereza? Você nunca me chamou de Tereza? - Koga se levantou meio cambaleante e se sentou no colchão apoiando as costas na cabeceira, encarando as jades de Kanon. - Oras Anjão, você não está com ciúmes, não é? Que bobagem lindo! - ela se inclinou para colocar a mão nos joelhos de Kanon que bufou e revirou os olhos se levantando e não deixando ela o tocar.

- Anjão? Você está bravo comigo? - ela perguntou confusa com a atitude do namorado. - Não tem porque você ficar bravo comigo.

- Não? - Kanon se virou para olhar pra ela já alterando a voz. - Você sai com as suas amigas, fica até amanhecer fora, ainda chega aqui bêbada! O que você quer que eu ache? Legal?

- Não é isso Kanon, não fiz nada demais, só me diverti! - Koga dizia indignada - Você também teve sua noite com os garotos.

- Sim, só que eu fiquei aqui, na casa do Mask, sem nenhuma mulher me olhando, bebendo com eles e jogando cartas, é diferente! Porra Koga, você não tem limites!

- Limites? Você que está saindo dos limites, não fale alto comigo, que eu não estou falando assim com você! Estamos conversando de forma civilizada, então abaixa bola!

- Abaixa a bola? Você que abaixa sua bola, que eu não sou trouxa, tenho certeza que você aprontou naquele bar, ou você acha que eu sou idiota? - o geminiano dizia alterado.

- Kanon por Deus, você está se ouvindo? - Koga sentia seus olhos marejarem, não podia acreditar que estava tendo sua primeira discussão com o geminiano. - Eu não fiz nada eu….

- Eu o que Koga? Eu o que? - Kanon se abaixou para ficar cara a cara com ela. - Vamos Koga, fala, confessa a merda que você fez!

Koga engoliu em seco, sentindo as lágrimas pingarem nas suas pernas, o que fez doer no fundo do coração do geminiano - Eu nada Kanon, eu não tenho nada pra confessar, sinto muito que você não confia em mim! - Koga afastou Kanon e se levantou.

- Onde pensa que vai? - Kanon seguiu ela com os olhos vendo que ela já estava de saída do seu quarto.

- Eu vou pra casa! Não dá pra conversar com você assim, depois a gente conversa KANON! -

O geminiano até se assustou com a forma seca dela referir seu nome. - Isso, melhor assim! Vai embora Koga. - falou orgulhoso.

Continua…