Capítulo 11 - Sem Pressão

Code estava observando o tempo de ação de uma amostra em um de seus cobaias, e os resultados estavam sendo satisfatórios até então, mostrando que a junção do DNA estava cada fez mais rápido. Ele sabia que se fora pego por Amado toda sua investigação estaria sendo em vão. Ele precisava não somente ter toda a decodificação para a formação do Karma-G, como também a cura do mesmo. Ele não deixaria Amado ficar com aquela glória — ele o mataria antes disso.

Code não planejava deixar Amado vivo por muito tempo, mas ele precisava ter certeza de que sozinho ele daria conta de desenvolver um Karma-G perfeito, além de ter o anti-Karma e o anti-Karma-G. Ele sabia o quanto uma pequeno vidro contendo aquelas soluções valeriam no mercado ninja, e ele poderia estar a frente até mesmo da Organização Kara com aquelas amostras.

Code ainda tinha dificuldade de entender toda a decodificação do DNA, e para isso que ainda deixava Amado vivo — para fazer esse processo para ele, para depois, ele roubá-la e então livrar-se do peso morto.

Ele sabia que Amado desconfiava dele desde o início, e começou a desconfiar ainda mais após o ataque na Academia Ninja de Konoha, onde os ninjas que eles haviam contratado do País da Areia haviam recebido o Karma-G em seu sangue, e quando eles começaram a usufruir do Karma, minutos depois seus corpos foram explodidos sem nenhum motivo aparente.

Pelo menos para Amado fora sem nenhum motivo aparente, mas para Code, aqueles ninjas tinham sido somente um teste. Sem Amado saber, Code havia sabotado as amostras de Karma-G que foram injetadas nos ninjas da Areia, e seu objetivo era testar o Karma-G que ele havia desenvolvido através da já existente de Amado.

Fazer com que o usuário faça suas vontades, esse era uma das alterações que Code fizera, mas para que ele tivesse esse poder sobre o corpo de seu cobaia, era necessário que eles usufruíssem dos poderes que o Karma-G lhes ofereciam.

Chakra ilimitado.

Capacidade de usar todos os 5 elementos.

Memória fotográfica para gravar todos os selos possíveis sem nem mesmo ter aprendido o jutsu.

Capacidade de auto cura instantânea.

Estamina ilimitada.

E é claro, a única maneira de controlar um usuário de Karma-G a seu favor, era ter um comando em seu DNA, que caso o usuário não obedeça as vontades de quem está controlando seus movimentos e vontades — exploda.

Sem mais, sem menos.

Mas aquilo ainda não era perfeito. Code queria explodir os usuários caso ele precisasse eliminar um subordinado, mas não por desobediência e sim por vontades pessoais. Todos os ninjas que ele explodiu, foi pela simples razão que eles começaram a recuperar suas antigas memórias e estavam desobedecendo os comandos de Code, deixando-o irritado e os explodindo um a um. E a maneira como Code os controlava era muito fácil. Através de um dispositivo que ficava em seu braço, Code conseguia realizar todos os comandos, e era aquele dispositivo que ele estava testando no momento com com sua última amostra de Karma-G, pois segundo o dispositivo, havia um subordinado vivo dentro de Konoha, o que não fazia sentido para Code, já que para todos os seus subordinados enviados para Konoha, ele havia comandado uma auto-explosão. A única maneira dele tirar aquilo a limpo, era testar o dispositivo com mais uma cobaia dentro do laboratório.

"Code-sama", ele ouviu um de seus subordinados entrando no laboratório onde Amado fazia seus experimentos — e onde ele estava fazendo os dele por debaixo dos panos, "Amado foi visto nas dependências do prédio, ele estará aqui em breve".

Code tinha um subordinado Sham, como ele gostava de chamá-lo, para analisar de perto toda a dinâmica entre seus comandos e as ações do subordinado. Ele precisava sair do laboratório antes que Amado chegasse, e pois isso, ele havia retirado seu pen-drive do computador e depois disso, inserido um outro pen-drive, que seria responsável de apagar todos os algarismos que poderiam dedar ele para Amado de estar usando aquele computador central do laboratório. Quando ele fez isso, ele notou seu dispositivo no braço apitando, indicando que o cobaia que ele testava no momento já estava pronto para receber qualquer comando seu.

Mas aquilo havia o deixado ainda mais confuso. O objetivo de Code naquela tarde não era testar o Karma-G no cobaia — porquê ele já sabia o que aquela solução faria, como também sabia que precisava descobrir qual parte do DNA dava erro e fazia com que ele perdesse o controle cerebral de suas cobaias depois de num certo período — mas seu objetivo era observar se havia algo de errado no dispositivo que indiciava um subordinado dentro de Konoha.

Se o dispositivo havia apitado para o cabaia que ele testara, só significava uma coisa.

O dispositivo não estava com defeito.

E um de seus subordinados estava vivo — e dentro de Konoha.

O porquê Code não conseguia controlar esse subordinado também era um mistério.

Um mistério que ele deveria resolver o mais rápido possível.

Ou então Konoha descobriria todos os seus planos.

˜˜˜˜•˜˜˜˜

"Sasuke-kun, eu lhe trouxe onigiris", Sakura se aproximou do marido, que estava sentado em um banco do meio do corredor da UTI infantil. Eram somente os dois ali, além dos funcionários do hospital que passavam de vez em quando. Uma televisão estava ligada a frente dele, e era óbvio que ele não estava prestando atenção a televisão. Sakura podia notar que seus olhos estavam inchados, indicando que ele havia chorado em algum momento.

"Obrigado", ele respondeu com uma voz baixa, olhando para ela e forçando um sorriso, mas o sorriso não a convenceu.

"Algo aconteceu com Satoshi?", ela logo perguntou, e no mesmo momento, mudou a direção do corpo para ir até o quarto onde se encontrava o menino, mas ela fora segurada por Sasuke.

"Não há nada de errado com ele, ele está na mesma maneira como estava quando vocês saíram para comer", ele logo quis se explicar, não querendo a preocupar a toa. Talvez sua cara não esteja das melhores, só isso para explicar Sakura achar que algo de ruim havia acontecido em sua ausência.

"Então o que aconteceu?", ela quis saber — um pouco mais calma — sentando-se do lado do marido, e o encarando enquanto ele pegava um onigiri na sacola que ela havia lhe entregado.

"Não aconteceu nada", ele deu uma mordida em seu onigiri, sentindo uma sensação boa pela primeira vez naquela manhã.

Sakura suspirou.

"O que foi?", era a vez dele perguntar sobre a atitude da esposa.

"Se vamos passar por isso juntos, devemos conversar sobre tudo o que pensamos, e não ficar guardando coisas com nós. Eu também estou sofrendo, então por favor, abra-se comigo"

Sasuke ficou encarando o onigiri em sua mão, até que sussurrou baixo "Eu não sei o que dizer".

"Comece dizendo o que está passando por sua cabeça", ela tentou ajudar.

"Eu não sei se você vai querer saber o que se passa por minha cabeça", ele respondeu, sua voz estava completamente vazia, como se ele tivesse pensando tanto sobre algo que ele já estava desistindo até de si mesmo.

"Experimente", ela o desafiou.

Se fosse um outro momento, e um outra ocasião, ele teria amado aquilo, e provavelmente iria provocá-la em seguida, pois não havia algo que Sasuke Uchiha amava mais do que provocar a esposa. Mas aquele não era nem um momento e nem mesmo uma ocasião comum.

"O quê vamos fazer se Satoshi não acordar?", ele perguntou baixinho, virando o rosto para esquerda, para a fitar no olhos, esperando ansiosamente por uma resposta.

"Não faz um dia que Satoshi está se recuperando da cirurgia, ainda não é hora de nos preocuparmos com isso", ela não gostava do rumo que aquela conversa os levava.

"Você já pensou que talvez ele não queira acordar, Sakura?", aquela pergunta, tão prontamente pronunciada de uma vez foi como arrancar um bandaid em seu coração. Sakura não conseguiu ficar sentada, tendo que se levantar e andar de um lado para o outro, ainda permanecendo na frente de Sasuke. Como se ela lutasse contra aquela pergunta, aquelas palavras, aquele pensamento.

Como se ela lutasse para pensar em uma resposta.

"Por que acha que ele não iria querer acordar?", ela conseguiu pensar em um argumento.

Sasuke riu da pergunta, mas não era uma risada comum, era uma risada com escárnio.

"Talvez porque ele viu todos os colegas que ele estudou morrendo na sua frente? Porque ele teve que sobreviver e se esconder enquanto provavelmente ele via colegas morrer na sua frente sem que ele pudesse fazer alguma coisa? Ele tem 5 anos, Sakura, 5 ANOS!", Sasuke não se exaltara assim há anos, e aquilo havia assustado Sakura. Parecia definitivamente que ele havia desistido.

E eles só estavam no início do que eles iriam passar.

Ele não poderia desistir logo no início.

Ela não iria deixar.

"Eu não imagino o quão traumatizante deve ser ver pessoas mortas ou morrendo na sua frente com tão pouca idade", Sakura murmurou controlando a voz que saia embargada, "Eu não imagino como deve ser perder toda uma família em uma única noite, e passar boa parte de sua vida odiando alguém que no fim, era a pessoa que mais o amada", aquela frase deu um arrepio em Sasuke — sentindo toda a impactação daquelas palavras.

"Satoshi não é você, Sasuke-kun", ela murmurou aquelas palavras, o fitando diretamente nos olhos, como se o desafiasse a encará-la de volta, "Satoshi não perdeu a família inteira, o amor ou sonhos em uma única noite. Ele não será condenado a viver sozinho em um apartamento grande demais para ele enquanto remói todas as noites o rancor, a raiva e o ódio por ter perdido tudo. Ele não irá fugir da aldeia com 12 anos porquê se acha fraco demais para lidar com todos os seus demônios e buscar por poder. Ele não vai se isolar de tudo de todos por achar que laços o enfraquecem", aquela altura, Sakura se perguntara se estava indo longe demais. Aquele assunto não era algo corriqueiro entre os dois. Ela sabia sim sobre toda a história de Sasuke, a verdade sobre o Massacre do Clã Uchiha, o sacrifício de Itachi Uchiha e tudo o que Sasuke havia passado — ele havia contado tudo aquilo para ela quando eles estavam iniciando seu relacionamento. Ele havia confiado a ela todas aquelas lembranças do passado, e agora ela estava trazendo do fundo do baú todas aquelas informações, "Satoshi passou por algo parecido com você sim, mas a forma como ele vai lidar com isso será completamente diferente, e sabe o porquê?", ela esperou que Sasuke voltasse a olhar nos olhos, dado que no meio de sua fala, ele havia desviado o olhar para o chão, "Por que ele tem a nós, Sasuke-kun, ele tem a nós… consegue enxergar a diferença?"

Sasuke ponderou sobre as palavras da esposa por longos minutos, mas não conseguia dizer nada. Sua mente estava vazia, como se algo tivesse tirado sua capacidade de pensar. Minutos deveriam ter passado, pois ele, antes sentindo o corpo frio e perdido, começou a sentir um calor reconfortante e uma segurança que ele não sabia que precisava. Sakura se aproximou novamente dele, sentando-se na cadeira ao seu lado, e em seguida, sentiu os braços dela envolver seu pescoço, e sua mão forçar seu rosto a se virar para encará-la.

Ele podia ver lágrimas em seus olhos — ele podia sentir a raiva emanando dali também.

"Você deixaria seu filho encarar o mundo sozinho?", aquela pergunta o confundiu. Por que ela o estava perguntando um absurdo daquele?

"Nunca", ele respondeu de prontidão.

"Então, por que está preocupado em como Satoshi irá superar os desafios depois que acordar? Parece até que você não estará aqui quando isso acontecer", ela o acusou, e ela não percebera, mas aquelas palavras haviam o ofendido.

"Eu jamais deixaria qualquer um de vocês sozinhos", ele disse com veemência.

"Então não há motivos para achar que seria melhor Satoshi não acordar", ele não sabia direito o que Sakura queria exatamente com aquele discussão, mas algo dentro dele dizia que ele havia perdido mais um argumento.

Vendo que ele não diria mais nada, Sakura continuou, "Quando ele acordar, nós estaremos lá para garantir a ele que nunca deixaremos o seu lado. Quando ele se sentir triste em suas futuras sessões de fisioterapia, você vai estar lá para mostrar que a falta de um membro não muda a essência de quem você verdadeiramente é. Quando ele ter pesadelos, ele acordará e saberá que não estará sozinho, porque nós — eu, você e Sarada — iremos dormir com ele todos os dias se necessário, até ele perceber que a realidade dele é melhor que seus pesadelos, e um dia, esses pesadelos não passarão de meras lembranças dolorosas que irão o acompanhar e o amadurecer. E talvez, um dia, quando ele se perguntar se fale a pena continuar apesar de tudo que ele passou, você estará aqui, afirmando a ele que vale a pena sim, porquê você pode ter demorado em encontrar seu propósito, mas Satoshi já tem um lar, e é disso que ele precisa se lembrar. Sempre."

Sakura então depositou um beijo em sua testa, meio que um pedido de desculpas por palavras anteriores, meio que para passar uma segurança — e então, encostou sua testa com a dele, fechando os olhos.

"Sakura", ele a chamou, após minutos em silêncio.

Ela abriu os olhos para olhar para ele, esperando pacientemente por sua próxima fala.

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"Obrigado por ser o meu propósito"