Calisto abriu os olhos devagar, parecia que seu corpo tinha adquirido uma tonelada e a enxaqueca estava insuportável.

- Viu sua imbecil, não sabe beber, bebe leite da próxima vez. Ai que saco, odeio ficar de ressaca.

- Que bom que acordou Mon ange, bebeu até cair de novo!?

Num rompante assustado, Calisto puxou todas as cobertas para tapar o corpo miúdo. - Camus, que faz no meu quarto?

Camus estava sentado de abrigo de moletom e cabelos soltos meios úmidos, de quem tinha acabado de se banhar, na cama da canceriana a observando e falando sériamente.

- Ué non lembra de nada? Fiquei cuidando de você a manhã toda, Hyoga te trouxe num estado deplorável. - disse como se não fosse nada.

- Jura? - Calisto foi relaxando o corpo e entrando mais para dentro das cobertas. - Tenho um problema de falta de memória quando bebo heheheh - riu sem graça - Aim Camus que vergonha, me perdoa.

O Aquariano sorriu contido tombando a cabeça para o lado para tentar enxergar o rosto da moça que já estava engalfinhando dentro do edredom - Essas coisas acontecem, fica tranquila.

- Camus? - ela disse com a voz abafada pelas cobertas.

- Hum? - arqueou as sobrancelhas.

- Por que eu estou cheirosa e trocada? - Calisto sentiu uma pontada do estômago, um acúmulo de vergonha que já transbordava pelo seu ser. - Você me deu banho?

- Oui! - ele disse como nada fosse.

Calisto pegou o próprio travesseiro e colocou na frente do rosto. - Que vergonhaaaaaaaaa! - Sua voz saiu abafada mais abafada.

- Calma cherri, eu non te deixei completamente nua, ficou de roupas íntimas. - colocou a mão no que seria a perna dela fazendo um leve carinho - encarei como uma roupa de banho, non se preocupe, o importante é que você ficou melhor.

- Uhum… - mais uma vez a voz saiu abafada. - Quero me enfiar no primeiro buraco que eu achar!

- Non se preocupe, vamos! - ele deu um tapinha de leve em suas coxas e se levantou da cama, dando uma espreguiçada gostosa - Marie deixou seu almoço na geladeira, você precisa se alimentar! - mandou já buscando o pé dela em meio as cobertas para puxar de uma só vez!

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Após deixar gêmeos, Koga foi subindo as escadarias até virgem, as lágrimas escorriam por seu rosto, por mais que quisesse controlar, ao chegar no quinto templo, Marin estava sentada nas escadarias de mármore, com as costas apoiadas na estátua de Leão, logo na entrada, lia um livro, porém interrompeu ao ouvir o choro contido da amiga, olhou preocupada e correu até ela. - O que aconteceu?

A virginiana fungou, não queria preocupar ninguém, mas ao ver o semblante da japonesa percebeu que isso já era tarde para acontecer, secou alguns resquícios de lágrimas do rosto e olhou para Marin - É que…. - baixou o olhar envergonhada o que a Amazona percebeu.

- Vamos fazer o seguinte - ficou ao lado da virginiana, passou o braço por cima dos ombros dela - A gente entra, e você me conta o que está acontecendo, o Aiolia não está, então, podemos conversar a vontade. Pode ser? - sorriu para passar confiança para a outra que apenas assentiu com um menear de cabeça e juntas foram para a área privativa do Templo de Leão.

A japonesa conduziu a virginiana até a sala onde sentaram no grande sofá de cor cinza chumbo, Koga esqueceu um pouco sua tristeza e percorreu com os olhos o ambiente, como em Virgem e Gêmeos, era espaçosa, porém simples, além do sofá, tinha uma mesinha de centro, em um dos cantos tinha uma pequena estante com alguns livros e, em outro canto alguns vasos com algumas folhagens, estava achando tudo lindo, mas um barulho estranho fez Koga despertar da observação que fazia e envergonhada levou uma das mãos até sua face e a outra sobre a barriga tentando inutilmente abafar o ronco de seu estômago.

- D-desculpa - disse cada vez mais envergonhada.

Marin gargalhou alto achando graça da vergonha da amiga - Não precisa pedir desculpas, peraí que vou pedir pro Garan esquentar o almoço para você comer.

- N-não precisa…

- Como não? Deixa de ser boba menina, já volto!

Minutos depois Marin voltou, sentou novamente ao lado da amiga - Daqui uns minutinhos estará pronto.

- Tá bom, não queria dar trabalho

- Mas não é trabalho algum Koga, agora vá lá lavar o rosto pra ir almoçar, me encontre na cozinha.

A brasileira fez o que a pisciana pediu, após voltar do banheiro foi até a cozinha onde a mesa já estava posta, Marin e Garan a esperavam, ela sentou à mesa e agradeceu o servo, sem antes achar o máximo poder conhecê-lo, mas sua tristeza era tanta que não conseguiu expor sua felicidade de fã, agradeceu e comeu a refeição em silêncio, Marin ficou a observando preocupada pois hora ou outra a negra deixava uma lágrima fujona cair.

Após o almoço, Marin e Koga voltaram para a sala, a virginiana suspirou fundo, virou de frente para a Amazona e começou a falar tudo o que havia acontecido no dia anterior até chegar na briga com Kanon. Marin ouviu atenta, por horas apenas balançava a cabeça negativamente, provavelmente em desagrado com as atitudes do geminiano e de Máscara da Morte. - Esses homens - passou a mão no rosto num gesto nervoso - Eu tive muito problema por causa do ciúmes do Olia, brigamos muitas vezes, mas aos poucos eu o domei.

- O que mais me deixou triste - Koga fungou - É que ele já saiu me acusando, não é porque eu saí com minhas amigas que iria traí-lo, ele pensa que sou uma adolescente! - cerrou os punhos - Devia ter dado um tapa na cara dele pra deixar de ser idiota.

- Calma Koga, não adianta fazer nada com a cabeça quente, vai pra casa, esfria a cabeça e depois vocês conversam.

- É, você tem razão

I

A conversa das duas foi interrompida com a chegada de Aiolia, ele sentou ao lado da Marin e deu um selinho em seus lábios e quando olhou para Koga e viu o semblante entristecido dela só olhou de soslaio para a namorada que lhe falou via cosmo: "Depois te explico"

- Olá Koga - esticou a mão para que ela pusesse a dela, e assim que o fez, deu um beijo no dorso.

- Olá - respondeu timidamente, olhou para o casal e depois para os lados - Eu já vou indo…

- Já? - Marin falou - Fica mais um pouco!

- Não, eu já vou mesmo, depois falamos e obrigada - falou e se levantou - Tchau!

A virginiana se dirigiu à saída sob o olhar da Amazona e quando a perdeu de vista, se virou para o leonino. - Ela e Kanon brigaram, ele teve um acesso de ciúmes por ela ter saído com as amigas e ter enchido a cara.

Aiolia abaixou a cabeça e balançou a cabeça - Acho que preciso dar uns conselhos para ele.

- Aproveita e faz o mesmo com o Máscara da Morte

- Por quê? O que foi que ele fez?

E assim, Marin contou para Aiolia tudo o que Koga havia dito.

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Depois que a canceriana terminou de almoçar ela voltou para o seu quarto, mais uma vez não tinha vontade nenhuma de sair de lá. Entrou no banheiro para escovar os dentes trancando a porta, a seguir, ficou se encarando no espelho, passando os dedos delicadamente pelo seu rosto como se tivesse tentando decifrar algo, sentiu aquela pontadinha dolorida no peito e não conseguiu mais segurar o pranto.

Apoiou as costas no gabinete da pia e deixou-se cair no chão, segurando a cabeça deixando as lágrimas tombarem no chão.

O que eu fiz de errado? - falava para si com a voz chorosa colocando a cabeça entre as pernas flexionadas, deixando as lágrimas rolarem mais um pouco. - Porque isso está acontecendo comigo?

Não aguentou acabou deitando de cócoras no chão se encolhendo toda. - Eu quero voltar pra casa….. - pediu tapando os olhos com as mãos e se entregando a tristeza.

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Já passava das duas da tarde quando Milo acordou, ele estava confuso, olhou para todos os lados tentando se lembrar onde estava, que dia era, até que sentiu um peso sobre seu corpo, ao olhar, viu Luisa dormindo tranquilamente e as lembranças do que tinha acontecido logo lhe vieram à mente, ele retira seu braço delicadamente o que faz com que ela resmungasse e se virasse na cama. O dourado levantou e foi até o banheiro e quando retornou sentou na beirada da cama e ficou observando Luísa, e ali lembrou o dia que ela chegou no Santuário, quando ela recusou em ir para escorpião, as conversas, quando foi presa e a declaração que fez delirando, o luau, acontecimentos que pareciam tão distantes, mas aconteceu a pouco mais de um mês, definitivamente, Luisa havia chegado e aos poucos foi lhe conquistando. Milo estava apaixonado pela castanha, queria se declarar, assumir um compromisso, mas devido a vida que levava como guerreiro, sente uma grande dificuldade em se abrir dessa maneira.

Luisa se remexeu na cama e fez com que despertasse de seus pensamentos, ela ainda de olhos fechados fez uma enorme careta e levou a mão até a cabeça - Aiiiii, parece que minha cabeça vai explodir - tentou abrir os olhos, mas a dor foi tão forte que voltou a fechá-los - Inferno, por que fui beber desse jeito?

- Toma esse remédio Lu - Milo que tinha levantado para pegar um comprimido, agora estava em pé ao lado da cama segurando o remédio em uma mão e um copo com água em outra.

A castanha com muito custo conseguiu sentar e tomar o comprimido - Obrigada! - agradeceu enquanto devolvia o copo. Luísa sentia seu corpo todo pesado, fechou os olhos e encostou a cabeça na cabeceira da cama.

Milo sentou a seu lado e fez com que ela depositasse a cabeça em seu ombro - Daqui a pouco passa, meu anjo!

A escorpiana ao ouvir a forma com que ele se referiu esqueceu sua dor e abriu os olhos, voltou a sentar e o encarou, confusa.

- O que foi? - o dourado perguntou achando graça da cara dela

- Não é nada, é que estranhei a maneira que tu me chamou - ela suspirou fundo - Achei que você iria ficar irritado por ter chegado do jeito que cheguei.

Milo ficou sério, estava tentando postergar aquele assunto, não queria se indispor com ela, claro que estava enciumado, ainda mais imaginando o que poderia ter acontecido no bar com ela no estado que havia chegado, fora no que poderia ter acontecido, afinal elas não avisaram onde estavam, ele tinha ficado preocupado, de fato, mas já que ela havia tocado no assunto, achou melhor colocar os pingos nos is. Suspirou fundo e olhou bem nos olhos dela - Lu, quero que seja bem sincera comigo - viu ela adotar um semblante preocupado, desviou o olhar para tentar achar as palavras certas para o que iria perguntar, mas depois de alguns segundos achou melhor ir direto ao ponto - Aconteceu algo naquele bar? Digo, você ficou com outro homem?

A castanha imediatamente fechou mais o semblante, se ofendeu com a pergunta do dourado - Quem tu acha que sou Milo? Acha mesmo que sou desse tipo de mulher que fala pra um homem que o ama e depois fica dando bola para todo os homens da face da Terra? - ela respirou para tentar coordenar os pensamentos - Sei que exagerei na bebida, mas isso não quer dizer que tenha perdido controle sobre meus atos, não sou uma qualquer Milo - sentia suas bochechas queimarem, sabia que deveria estar vermelha, mas era de raiva.

Detestava que duvidassem de si por isso, esqueceu a dor na cabeça, se ergueu da cama e já estava prestes a sair do quarto quando sentiu Milo segurar seu pulso puxando seu corpo e sentando-a novamente na cama.

Dessa vez você não vai fugir da conversa - falou com um semblante sério - Primeiramente: fugir desse jeito é infantilidade e covardia, segundamente: não estou te acusando, apenas fiz uma pergunta e não tem porque você ficar tão agressiva desse jeito. - ele voltou a respirar para tentar manter o controle - Sim, fiquei com ciúmes, mas também fiquei preocupado, você viu a hora que chegaram aqui? Vocês saíram e não disseram onde estavam, e se tivesse acontecido algo?

A escorpiana baixou o rosto, sim, se auto detestava por ter essas atitudes infantis, mas foi a última pergunta de Milo que fez com que percebesse que realmente haviam sido imprudentes, respirou fundo e voltou a fitá-lo - Me desculpe, tu tem razão, mas estávamos tão empenhadas em querer ajudar a Cali que não pensamos nas consequências, desculpa também pelo meu acesso de raiva, mas é que detesto que duvidem de mim. - parou por um instante, se aproximou mais dele, ficou de joelhos e com uma das mãos, acariciou o rosto moreno do dourado - Milo, se tu soubesse que eu te amo desde que me entendo por gente, pode vir todos os homens da face da Terra querendo algo, mas te garanto que nenhum deles será capaz de representar algo pra mim - deu um riso nervoso, tinha grande dificuldade em expressar suas emoções - Não precisa ter ciúmes porque tu sempre foi único para mim, tu sempre foi parte de um sonho e agora que estou aqui, vivendo tudo que sempre sonhei, não colocaria tudo fora por causa de uma noitada - desviou o rosto

Milo depositou sua mão sobre a dela, que ainda acariciava seu rosto, ficou envaidecido com tudo o que ouviu, mas não de uma maneira convencida e sim, porque jamais pensou em ouvir isso um dia de alguém, então num rompante a abraçou, após alguns minutos assim, afastou-se e a beijou, um beijo terno, cheio de paixão que demonstrava tudo o que tinha em seu âmago, afastou-se quando lhes faltou o ar, alisou o rosto feminino.

Luisa naquele momento achou que a tão esperada declaração dele viria, mas não foi o que aconteceu, o dourado se levantou e chamou para irem almoçar o que a deixou decepcionada.

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- Tu veio até mia casa para ficar mudo Kanon? - Máscara da Morte estava sentado juntamente com o geminiano no balcão da cozinha. Não fazia muito tempo que Kanon sem a mínima vontade de ficar ouvindo sermões de seu irmão mais velho, subiu até a quarta casa, pois sabia que o canceriano não ia ficar julgando suas atitudes até mesmo porque em questões do coração ele era discreto.

- Me serve uma breja então carcamano.

- Ok. - assim que o grisalho os serviu sentiu um cosmo familiar pedir permissão para entrar na sua casa. - Parece que hoje é dia de receber visitas - ele logo pega outra cerveja na geladeira e alguns petiscos.

- E aí cavaleiros do mal posso entrar? - Aiolia dizia enquanto descia as escadas para ala residencial.

- E aí Leão, quanto tempo? - Kanon cumprimentava o loiro desanimado - nem apareceu na jogatina de ontem.

- Ah sabe como é, fiquei com minha Águia e a noite foi ótima, preferi ela que ficar com um monte de marmanjos bêbados, ahahahah!

- Faz tempo que non me visita vizinho que devo a honra - Máscara acendeu um cigarro com o próprio dedo.

Aiolia ficou alguns segundos mudo procurando as palavras, Kanon e Máscara eram osso duro de roer, odiavam falar sobre eles mesmos, Máscara era um bom conselheiro mas quando se trata dele entra no primeiro buraco se escondendo igualmente seu patrono, já Kanon era um poço de orgulho, não seria uma conversa fácil.

Então o leonino olhou para Kanon que aguardava ele se pronunciar, coçou os cabelos da nuca, por Athena, que missão!

- Ahm, sabe o que é, Kanon….. Koga acabou de prosear com Marin lá em casa e acabou contando sobre o que aconteceu com vocês agora pouco.

- Ela o que ? Não acredito que ela fica espalhando por aí sobre o que acontece no nosso relacionamento - o geminiano franziu os lábios ficando nervoso, tomou um bom gole de cerveja no gargalo e negativou com a cabeça - Ela é surpreendente - disse cínico

Aiolia tinha que explicar melhor a situação senão o Marina ia tirar suas conclusões e ele de vez de ajudar pioraria tudo! - Kanon, escuta ! Ela não saiu fofocando sobre vocês não! Não é nada disso.

- Então o que foi que aconteceu Leão? - perguntou de forma estúpida.

Aiolia por mais bondoso que fosse não tinha sangue de barata e engoliu a atitude do geminiano bem torto.

- Olha aqui Kanon! Para de ser babaca e me escuta! Ela apareceu na minha casa aos prantos, Marin ficou comovida e fez ela desabafar porque ela estava péssima, ao contrário que vc pensa ela não saiu querendo falar mal de você, aliás nem mal ela falou, mas está muito triste, aliás outra que está triste de cortar o coração é Calisto, você não se cansa de fazer merda com ela? - olhou para os olhos claríssimos do italiano que na hora os estreitou, já previa que ia sobrar pra ele também! - Cara qual é a sua? Se não gosta dela deixa-a em paz!

- Da mia vida cuido io - disse como se não fosse nada.

- Só que tá cuidando bem mal né? Cara ela está apaixonada por você? Apaixonada, sabia?

Máscara da Morte se incomodou com as palavras do leonino mas não respondeu nada.

- Quanto a você Kanon? Vai perder a Koga por ciúmes como eu quase perdi a Marin? Lembra como eu era possessivo e sufocava ela?

Kanon soltou um risinho se divertindo com a lembrança - Até ela te dar um pé na bunda e você ficar chorando por todos os cantos do Santuário.

- Pois é Kanon, pois é! Foi um dos piores momentos da minha vida, ficar sem ela fazia meu coração ficar em frangalhos pois eu sabia, aliás eu sei, que ela é a mulher da minha vida e eu por machismo quase perdi minha cara metade!

Kanon voltou seu olhar para a garrafa de cerveja já vazia girando-a com os dedos, suspirou vencido - Eu sinto que ela é também a mulher da minha vida.

- Então por que brigou com ela cara? - Aiolia apontou a saída da casa olhando o geminiano - A garota está inconsolável, eu até avisei o Buda e ele vai entoar uns mantras calmantes pra ver se ela dorme um pouco!

- Tsc… vocês sabem como sou, quando fico nervoso acabo falando mais que devia, não consigo me controlar.

- Então aprenda a controlar esses nervos senão quem vai tomar o pé na bunda é você! - O leonino colocou a mão no ombro do mais velho - aproveita Kanon, aproveita a oportunidade que a vida te deu! Vai lá mais tarde COM CALMA e conversa com ela, pede desculpas.

- Sei não Olia, ela deve estar com raiva de mim! - disse chateado.

- Oras, deixa ela te bater, depois agarra ela é da um beijo - o leonino disse divertido.

- ahahahah ela vai me machucar, a moça tem a mão pesada!

- E você Câncer? Vai ficar se escondendo quanto tempo, até ela te esquecer e achar quem cuide dela direito? Ela já teve pretendentes aqui no Santuário se você não se mexer a fila vai andar!

O canceriano tragou o cigarro jogando a farta fumaça para o alto, depois massageou a ponte do nariz, Kanon até achou que os olhos dele se marejaram mas talvez fosse impressão, ele jamais ia se expor assim. - Io tenho que confessar uma coisa, non consigo guardar mais!

- Por que eu acho que não vou gostar nada do que vou ouvir? - Aiolia disse assustado. Quando o canceriano resolvia se abrir é porque era treta, das grandes.

Máscara da Morte foi até seu bar, pegando três copos de Whisky e servindo os companheiros de arma - O assunto é pesado, vamos precisar de uma bebida mais forte.

Assim, o canceriano contou sobre a mentira que plantou no dia que se deitou com Calisto e que não sabia como consertar toda história, confessou estar gostando dela de verdade, mas não queria começar uma história baseada numa grande mentira.

Kanon é Aiolia se olhavam enquanto ele contava o ocorrido, realmente ele estava lascado e seria difícil sair dessa.

- Bem, Mask.., - Aiolia pigarreou - Eu nunca passei por isso então não sei bem como te aconselhar, única coisa que posso te dizer é que a verdade sempre vem à tona e é melhor que ela venha da sua boca do que de qualquer outro.

- … e o tempo cura todos os males - Kanon completou.

Os três ficaram mudos, até o silêncio se quebrou com as palavras alegres do leonino. - Eu também tenho que contar um segredo! - disse mostrando todos os dentes num sorriso largo.

- Ahahahah lá vem! - Máscara da Morte disse sorrindo com a felicidade contagiante do mais novo.

- Pedi Marin em casamento! E ela aceitou!

- Porraaaa! Parabénssss! - Kanon se levantou dando um abraço de urso em Aiolia!

- Felicidade ao casal! - Mask também abraçou o leonino dando tapas fortes nas costas dele.

- E tem mais!

- Vou ser titio? - Mask disse assustado colocando a mão no peito!

- Hahahahahaha, ainda não meu caro amigo! Mas…., vocês serão meus padrinhos junto com Calisto e Koga.

- O QUÊ? - os dois disseram em uníssono.

- Isso mesmo! - Aiolia disse fechando os olhos fingindo desprezo - então camaradas vocês se virem pra se conciliar porque eu quero meu casamento perfeito e todo mundo feliz! - o leonino já ia se despedindo e saindo da ala residencial - Se virem!

Máscara e Kanon se entreolharam, suspiraram e deram um último gole na bebida ao mesmo tempo.

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Calisto finalmente conseguiu se recompor, se olhou de novo no espelho observando a grande bolsa que se formou embaixo dos olhos, quanto tempo ficou lá chorando? Mas até que agora sentia o coração mais leve mas não menos confuso.

Voltou para seu quarto que estava uma zona pra variar, pensou em se jogar novamente nas cobertas e talvez achar algum programa bobo na tv para passar o tempo, mas eis que ela teve uma grande idéia.

- Hummm, ……. - estreitou os olhos castanhos, como se tivesse uma grande missão pela frente. - Já sei…. heheheheh - riu chacoalhando os ombros, o sorriso quase maldoso foi desenhado em seus lábios

Saiu de seu quarto como fosse um foguete, cruzou com Marie que estava tricotando alguma coisa e Camus que jogava uma partida de xadrez contra ele mesmo, quem será que estava ganhando? Enfim…

- Onde você vai mocinha? - Marie parou o que estava fazendo pois percebeu a invasão em sua cozinha. - Calisto, pelo amor dos deuses! - Marie levantou da cadeira num pulo, ao ouvir já algumas panelas batendo.

Camus suspirou pois sabia que com Calisto na cozinha, Marie jamais ia deixá-lo em paz até ele tira-la de lá!

Marie e Camus foram até o recinto, os dois ficaram escondidos atrás do batente da porta só com os olhos aparecendo, os do aquariano arregalaram ao ver a canceriana discursando com o além, ela estava brigando com ela mesma?

- Você quer namorar comigo? - ela falava para si.

- Óbvio que não, quem iria querer namorar uma tonta como você - a castanha respondia com a voz grossa usando uma colher de pau como microfone, pegando uma lata de leite condensado que roubou da dispensa de gêmeos.

- Não sabia que tinha leite condensado aqui Camyu, você nem gosta de doces - Marie disse sussurrando para o ruivo que olhou para ela e apenas negou com a cabeça.

-Eu nunca, nunca deveria ter me entregado pra ele, aquele ogro, Sebastião falsificado - Calisto já choramingava enquanto mexia o doce na panela, pegando um punhado de chocolate em pó., que deixou cair metade na bancada - fungava, deixando algumas lágrimas caírem, porém para o assombro dos dois escondidos, ela começou a rir histericamente jogando a cabeça para trás sem deixar de mexer o doce, que caiu um bocado para fora da panela, enchendo o fogão de melado.

- Seu babaca, devia ter visto sua cara quando a Koga te dirou de lá, imbecil, ahahahahahah! Babaca, eu te odeio tanto! ahahahahah - ria, tentou limpar o fogão com um paninho branco todo bordado, e acabou queimando nas chamas uma parte

Os olhos amarelos da serva franziram e a boca entreabriu. - Mon petit, será que não era uma boa hora pedir pro Saga emprestar o remedinho dele? Ela está descompensada! Ela vai acabar com a minha COZINHA!!! - rosnou mas ainda sussurrando.

Calisto de repente ficou séria, mexendo ainda mais o doce que já estava chegando na consistência que queria. - Tsc, quem eu quero enganar…., seu semblante ficou triste, não chorou, mas sua aura perdeu toda cor.

Pegou o doce colocou numa tigela e uma colherzinha, e foi andando calmamente para fora da cozinha, passando pelos dois anfitriões. Ela soprou o doce quente e sorriu.

- Vocês querem brigadeiro? - sorrindo de forma serena e leve.

Os dois se olharam e negativaram. - Cancerianos…..

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Após almoçar em Escorpião, Luisa desceu até Touro, ainda estava chateada pelo escorpiano não ter se declarado, mas iria tentar deixar as coisas fluírem naturalmente, mas era inevitável pensar se Milo um dia o faria. Assim que chegou na área privativa da Segunda Casa, se dirigiu até a cozinha para fazer seu chimarrão e acabou encontrando D.Maria que terminava de ajeitar algumas coisas.

- Ué!? A senhora não foi ainda? Anda trabalhando demais! - falou preocupada porque de fato, a serva de Touro ia muito além de seu horário.

D. Maria era uma senhora na faixa dos cinquenta anos, baixinha, rechonchuda, com a pele parda, já com as marcas da idade, os cabelos preto já tinham algumas mechas branca, era alguém que estava sempre sorrindo, era gentil com todo mundo. - Minha filha, eu só estou terminando algumas coisas e já vou. - respondeu com seu característico sorriso enquanto limpava as mãos no avental que usava na cintura.

A escorpiana sorriu de volta e foi colocar a água na chaleira para aquecer - Eu me preocupo da senhora fazer tudo sozinha e ficar até tarde aqui, se ao menos me deixasse ajudar….

Luisa, eu faço porque gosto, me deixa feliz poder cuidar de vocês.

Tá bem então - a castanha suspirou - Não vou mais insistir - foi aprontar a erva na cuia e sentou-se à mesa, colocou o cotovelo sobre essa e apoiou o queixo na mão - Posso lhe fazer uma pergunta?

Claro que sim! - a senhorinha respondeu já sentando em frente de Luísa.

A senhora trabalha aqui no Santuário desde quando?

Desde quando Aldebaran chegou, quando mestre Shion descobriu onde estariam os novos portadores das armaduras douradas, solicitou que fossem chamados servos dos países natal dos meninos, para eles se ambientarem melhor, sabe? - a escorpiana só balançava a cabeça que sim - Na época, eu já morava aqui há algum tempo, vim para Grécia com meu marido e nosso filho, mas... - D. Maria adotou um semblante triste e melancólico - Um ano depois que chegamos aqui, perdi os dois num acidente - a jovem senhora limpou uma lágrima que escorreu pelo seu rosto e Luisa colocou a mão em frente a boca, tinha os olhos arregalados pela declaração da serva de Touro - Quando isso aconteceu, pensei em voltar ao Brasil, foi então que descobri esse serviço e ao saber do que se tratava aceitei. - voltou a levantar para desligar a chaleira que já estava chiando - De maneira alguma quis substituir meu filho, mas quando cheguei aqui e vi aquele meninão com cabelos loiros, olhos azuis e um sorriso largo, me apaixonei e passei a criá-lo como filho.

A castanha ouviu tudo atentamente, jamais imaginou que D. Maria tivesse um passado tão triste assim, levantou e a abraçou - A senhora é uma pessoa maravilhosa e uma vencedora, sinto muito por sua perda….

-Sabe filha, nunca vou esquecê-los, mas o tempo é nosso melhor amigo e sabe suavizar nossas dores. A prosa tá muito boa, mas eu preciso ir agora. - levantou, tirou o avental, pegou sua bolsa, se despediu da escorpiana e saiu deixando-a tomando seu chimarrão e provavelmente pensando em suas palavras.

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Shion escrevia em seus pergaminhos parando de tempos e tempos ficando com o olhar perdido. Após ter criado um vínculo com as garotas usando seu cosmo nos colares era inevitável sentir nestes últimos dias elas aflitas, não queria se intrometer pois eram três mulheres adultas e vacinadas porém não era só aflição que ele sentia nesse mesmo dia e sim uma tristeza profunda vindo do pequenino cosmo da virginiana.

Levantou da cadeira e foi até a grande janela de seu escritório onde era possível enxergar as doze casa. Pousou os dedos no cavanhaque bem aparado massageando a área. - O que será que estão aprontando meus filhos? - Shion ficou pensando na melhor forma de agir, não queria ser indiscreto, mas o sentimento estava tão forte e latente que estava o incomodando. O ariano teve uma idéia, juntou os livros e cadernos os guardando em seu armário e rumou para fora da sala

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- Pois não Shion, entre? - Saori estava sentada em posição de lótus numa pequena sala bem decorada, ali era o lugar que ela meditava pelo bem dos seres humanos emanando seu cosmo cálido e amoroso.

- Boa tarde Athena, desculpe interrompê-la mas a algo que vem me incomodando e resolvi compartilhar com a senhorita.

- Claro, entre Shion! Diana, por favor nos traga um chá! - a serva pessoal da deusa fez-lhe uma reverência e saiu do recinto. Assim os olhos azuis da deusa seguiu o Grande Mestre até ele sentar na mesma posição só que de frente a ela, assim que o fez ela pousou a mão em seu joelho fazendo um carinho tímido - Em que posso lhe ajudar mestre?

- É sobre as garotas minha deusa…. - Assim o loiro contou tudo que estava sentindo, contou sobre os colares que foi muito bem recebido pela deusa e pediu ajuda da deusa para que ela intercedesse da melhor forma.

- Entendo Shion, acho que já sei o que está ocorrendo, bem , amanhã após meu desjejum vou entender melhor o que está havendo, não se preocupe.

- Seu otimismo é o que me motiva minha deusa, gratidão! O ariano juntou as duas palmas da mão em prece e curvou o corpo para frente. - Se precisar de qualquer coisa sabe que pode me chamar!

- Sei sim meu querido Mestre, mas não se preocupe.

Continua...