Se havia algo que Mu de Áries nunca fora capaz de compreender completamente, era sua complexa fascinação por cheiros. Longe de ser um osmólogo*, ele nem entendia muito bem de aromas rebuscados e coisas do tipo. O que realmente fazia do olfato um de seus sentidos favoritos, a qual dedicava certa atenção especial e que lhe proporcionava muitos momentos de apreciação e deleite, não era o perfume das essências puras ou dos temperos exóticos e sim algo bem mais simples. O lemuriano adorava o cheiro natural que brotava da pele de algumas pessoas, mais especificamente alguns homens. Inclusive fora essa fascinação que lhe indicara qual sua orientação sexual ainda garoto, pois o pré-adolescente Mu sentia vontade de cheirar corpos masculinos suados antes mesmo de fantasiar toca-los.

Não sabia direito como isso começou ou o porque. Talvez fosse culpa de ter crescido no ambiente do Santuário, cheio de rapazes jovens, bonitos e sarados. Poderia ser algo mais simples também como a testosterona, ou quem sabe algum outro feromônio, presente no suor que brotava da pele de indivíduos machos e que enviava sinais químicos ao seu cérebro, lhe atraindo como uma abelha no pólen. A questão toda era que quando um homem lhe despertava desejo sexual, seja pela aparência ou por qualquer outro motivo, era o cheiro dele, ou a fantasia com esse cheiro, que lhe instigava primeiro e sustentava o real interesse.

Quando mais jovem, para que pudesse abrandar sua libido em alta, costumava escapulir em segredo de Jamiel em busca de "aventuras sexuais sigilosas" mundo afora. Nada sério, coisa de uma noite em algum lugar distante que seu teleporte o levara. E não foram uma, nem duas as vezes em que ao encontrar um parceiro, discretamente buscou as roupas dele após o sexo e as cheirou só para confirmar suas suspeitas de que aquele "cara" era bom porque cheirava bem, prolongando assim o prazer do encontro.

Isso não passava de um pequeno detalhe peculiar e bem particular de sua personalidade, mas com um impacto muito importante em sua vida, pois que o tirava de tino e as vezes o levava a situações no mínimo inusitadas, como a que estava vivendo naquele momento: com o rosto todo afundado na axila de Shaka esfregando o nariz nos pelos aloirados que cresciam ali.

De olhos fechados, ofegante e excitado, Mu sentia um furor sexual tão grande que nem se dava conta do que fazia. Momentos antes havia traçado uma trilha de beijos sensuais molhados pela barriga e peito do indiano, inalando fundo o aroma instigante da pele dele, e sem que pudesse controlar seus instintos migrara automaticamente na direção do braço erguido, onde poderia senti-lo mais forte ao chafurdar naquele ninho de pelinhos macios.

Só os deuses sabiam o quanto o cheiro delicioso de Shaka mexia consigo. Se algum dia parasse bem para pensar sobre quando sua relação com o virginiano tivera o primeiro gatilho de mudança, de bom amigo puro para um homem interessante e atraente sexualmente, seria levado de volta a Jamiel, ao treino de Tai Chi Chuan na montanha, onde as mãos perfumadas de Shaka percorreram seu corpo até que dominado pela fragrância forte de sândalo que emanava dele tivera uma vergonhosa ereção. Na ocasião Virgem lhe tocara de forma sensual falando rouco ao pé do ouvido, porém fora o cheiro dele o fator determinante. Através dos sinais químicos presentes em seu suor corporal, Shaka mandara uma mensagem direta, perturbadora e irrevogável ao cérebro de Mu: Ele era um parceiro sexual viável. Estava feito, a chave fora virada e não tinha mais retorno. Daquele dia em diante, por mais que lutasse contra seus instintos, a forma como seu corpo e sua mente reagiam ao "amigo" mudara para sempre.

Longe de pensamentos complexos como esses, a mente enevoada de Mu estava bem menos interessada em explicações do passado e bem mais focada no tempo presente, mais especificamente no prazer e satisfação que sentia ao inspirar profundamente, abrindo bem as narinas, e capturar o máximo possível da fragrância instigante com toques de sândalo que emanava do corpo do namorado.

A cada nova inspiração seu subconsciente fazia uma analise apurada de tudo o que tornava aquela experiência tão satisfatória: o suor natural que brotava da pele bronzeada de Shaka não era forte e nem azedo, daqueles fedidos, muito menos fraco e insosso que até passava batido. Não, o cheiro dele era intenso, másculo, viril, profundo, possuía ainda um toque amadeirado oriental que trazia consigo um ar de mistério... exótico. Shaka tinha um cheiro bom de homem gostoso, homem sarado, homem tesudo, do tipo que lhe deixava duro só de dar uma boa fungada na nuca bem rente ao couro cabeludo.

Mas naquela altura de seus devaneios inconscientes, cheirar apenas não era suficiente. Mu precisava de mais. O olfato fora apenas a porta de entrada para outros dois sentidos que exigiam satisfação imediata: o tato e o paladar.

Inebriado pelo aroma que o enlouquecia e guiado por seus instintos sexuais mais primitivos, o lemuriano abriu a boca e provou com arroubo libidinoso o suor de Shaka usando a ponta da língua para acaricia-lo, e foi com imenso prazer que sentiu o gosto salgado dele inundando suas papilas gustativas ao brincar com a textura macia dos fiozinhos loiros.

Abriu-se a caixa de pandora.

Sem controle algum, não que antes estivesse realmente no comando de seus atos, Mu beijou devotamente toda aquela região sensível e inusitada. De olhos fechados, corpo quente e ao som dos próprios gemidos altos que lhe escapavam roucos do fundo da garganta, esfregava o rosto e a boca no local sentindo a ereção latejar exigente contra a coxa de Shaka. Ansiando por mais prazer o lemuriano não tardou a desferir pequenas mordidas como se provasse um manjar dos deuses, e que logo se transformaram em chupadas vigorosas.

— O meu cheiro é tão bom assim?

A pergunta dita despretensiosamente em voz baixa e divertida próxima demais de seu ouvido assustou Mu.

Imediatamente ele despertou de seu estado de delírio luxurioso. Envergonhado por ter se deixado levar tão profundamente por aquela experiência excitante, afastou-se lentamente da região um tanto constrangido, pois Shaka o observava bem de perto com a cabeça inclinada e os olhos azuis cravados em si.

— Me desculpe! — foi tudo o que conseguiu dizer com a face ardendo em brasa quanto notou, estarrecido por sinal, que toda a pele da cavidade embaixo do braço de Shaka estava molhada de saliva e com intensas marcas vermelho-arroxeadas.

A reação tímida de Mu, que agora beijava o pescoço do indiano de maneira bem mais comedida, soou inusitada para Virgem. Apesar de terem uma vida sexual ativa, estavam juntos há tão pouco tempo que Shaka ainda descobria a própria sexualidade, assim como aprendia sobre as preferências e hábitos do namorado. Quando ele lhe atacou a axila deixou-o seguir em frente e até havia levantado mais o braço, facilitando o acesso e expondo mais a pele, ao notar que aquilo era realmente algo muito excitante para ele. A súbita mudança de postura e vergonha do ariano com sua pergunta despertou-lhe ainda mais curiosidade, afinal estava achando interessante, e por que não instigante, aquela atração de Mu por axilas.

— Ei?! Por que parou? — perguntou ao abaixar o braço um pouco dolorido e segurar o rosto de Mu com as duas mãos, levantando-o para olha-lo nos olhos — Você parecia estar aproveitando tanto...

Ao encarar o namorado deitado embaixo de si, Mu vacilou por um instante mordendo o lábio inferior sem saber ao certo o que responder.

— Desculpa, foi sem querer. Nem pensei no que estava fazendo.

Shaka riu divertido da cara engraçada que ele fazia naquele momento.

— Não precisa se desculpar, bobo. Eu só estou curioso.

— É que... é meio esquisito, não é?!

— Esquisito? Por quê?

— Ah, eu sei lá. Lamber sovaco e ficar com tesão não é exatamente uma coisa muito "normal"...

Shaka deu outra risada bem mais intensa que a anterior, quase uma gargalhada, e abraçou o pescoço do ariano, trazendo-o mais para perto a fim de aconchegar melhor o corpo nu dele ao seu.

— E daí? Se isso te excita tanto assim eu não vejo o que tem de errado. — disse sedutor ao beijar os lábios de dele e sentir ali o gosto salgado do próprio suor — Além disso, eu até que estava curtindo. É diferente, gostosinho e faz um pouco de cócegas. Se quiser, pode continuar.

Displicentemente soltou-lhe o pescoço e elevou um dos braços acima da cabeça, exibindo e oferecendo a outra axila ao ariano.

Foi a vez de Mu rir, sem jeito.

— Vai ficar me sacaneando agora?

— Eu? Não! Só achei interessante descobrir que o reservado e discreto Cavaleiro de Áries tem um fetiche incomum.

Mu fez um bico adorável, deu um beijo estalado na axila oferecida, rolou por sobre o corpo do namorado e saiu de cima dele deitando-se de lado na cama. Com a cabeça apoiada em um travesseiro recoberto por uma bela fronha novinha de cor azul marinho, o ariano viu o virginiano abaixar o braço e também se virar de lado, ficando bem próximos, um de frente para o outro.

Já era noite e fazia algumas horas que o casal apaixonado se dedicava exclusivamente a prazerosa missão de cumprir a proposta feita por Shaka na tarde daquele mesmo dia. Queimar os lençóis usados de Mu fora divertido e rápido, principalmente porque o dono deles possuía a seu dispor uma forja enorme com um potente forno à carvão e após ter a roupa de cama antiga devidamente incinerada, voltar ao quarto e incendiar os lençóis novos com o "fogo da paixão" foi consequência.

Por isso nenhum dos dois se incomodou por aquele diálogo interromper o clima acalorado dos amassos que estavam dando. Já haviam feito amor algumas vezes e uma pequena pausa para recuperar as energias era sempre bem vinda.

— Não é um fetiche! — Mu disse em tom confessional.

— Como não? Tem até um nome: axilismo!

— Deixa de ser sabe tudo! Falando assim até parece que eu tenho uma tara maluca e que saio por aí atacando sovacos. — riu

— E não sai? O meu foi, está até dolorido.

— Aff! Como você exagera. — riu de novo dando um empurrãozinho no ombro dele — Não foi bem isso.

— E o que foi então? — Shaka perguntou ao se ajeitar melhor no travesseiro. Aproveitou a proximidade dos corpos para entrelaçar suas pernas nas de Mu — Me conta. Eu quero saber.

O clima entre os dois voltou a ficar íntimo e Mu sorriu ao contornar o rosto do virginiano com a ponta dos dedos em uma carícia sem pressa. Shaka despertava coisas em si que iam muito além do amor e da paixão e nem ele mesmo sabia ainda o que acontecia consigo. Porém incentivado pelo namorado que tinha a curiosidade estampada nos intensos olhos azuis cravados nos seus, Mu se arriscou a tentar explicar.

— Eu nunca lambi a axila de ninguém antes. — admitiu notando que também nunca falara sobre o assunto. — Quer dizer, eu já fiz muita coisa ao longo da minha vida sexual, não sou nenhum casto inocente. Devo até ter dado alguns beijos rápidos, algumas fungadas, mas só. Nunca me deixei levar com tanta intensidade como aconteceu agora a pouco, de chegar ao ponto de atacar a região com furor.

— Interessante! Então a minha é especial. — Shaka tinha um ar convencido no rosto.

— Talvez! — Mu fez um charme só para contraria-lo — Eu não sei bem como funciona, mas o que me excita é algo relacionado ao cheiro, porém não especificamente da axila em si e sim algo mais... abrangente. O que me atrai é o odor característico do suor corporal masculino. Eu gosto muito de sentir cheiro de homem como um todo, sempre gostei. Deve ser porque sou gay.

Shaka ponderou por um instante sobre a questão.

— Eu também sou e nunca tive fascínio com cheiro de homem nenhum. Bom, com o seu cheiro sim, mas eu já era apaixonado por você desde garoto, então não conta. — foi impossível para Mu conter o sorriso em seus lábios ao ouvir aquilo. Toda vez que Shaka mencionava o fato de que o amava há tantos anos, o coração do lemuriano batia acelerado derretendo-se todo. — Isso me lembra de que não respondeu minha pergunta inicial. O meu cheiro é tão bom assim?

Mu inclinou cabeça para frente e embrenhou o rosto entre os fios dourados dos cabelos de Shaka, bem próximo o pescoço suado, onde inspirou o ar com força e em seguida soltou um grave e baixo gemido de prazer.

— Pelos deuses! O seu cheiro é maravilhoso. — balbuciou aproveitando-se da situação para dar uma longa lambida molhada na região.

Virgem sentiu um forte calafrio imediato que o deixou com todos os pelos do corpo arrepiados.

— Ahhh, Mu! E você gosta? — instigou-o para que continuasse, tombando o pescoço para trás.

— Ainda tem dúvidas?

— Não. Mas eu quero ouvir.

Mu sorriu sacana e enlaçando a cintura dele, voltou a atacar o pescoço do namorado agora com beijos provocantes.

— Eu adoro. Só de pensar no cheiro gostoso de suor com um toque de sândalo que sai da sua pele eu fico sem ar. Quando você aparece nos meus sonhos fica tudo perfumado e é meio enlouquecedor. — deu ao namorado exatamente o que ele queria — Quando a gente se encontra e você vai embora, as minhas roupas ficam perfumadas e me dá vontade de me esfregar todo em você toda vez que troco de roupa só para ficar impregnado com esse cheiro gostoso.

De olhos fechados, Shaka gemeu em resposta mordendo os lábios de tesão tanto pelos beijos quanto pelas palavras. Quem diria que o namorado até sonhava com seu perfume?

— Hmm! Acho que o que você sente é salirofilia... Atração sexual por fluidos corporais com sal. — deixou escapar sem querer.

Mais uma vez as palavras inesperadas de Shaka quebram o clima, só que agora Mu afastou-se dele levemente chateado.

— O que foi? — Virgem abriu os olhos confuso e encontrou Áries o encarando.

— Vai ficar me analisando e dando nome para tudo que eu faço agora? — Mu exibia um pequeno bico no lábio superior e algumas rugas entre as pintinhas comprimidas pela testa franzida.

— E por que não, se isso muito me interessa?

As rugas na testa do ariano só aumentaram.

Pronto para dar fim aquele bico adorável no rosto do namorado, Shaka avançou sobre ele e o tombou na cama subindo em cima de seu corpo logo em seguida. Sem se preocupar com a chateação dele, sentou-se sobre seu quadril e apoiou os braços no travesseiro, mantendo seus rostos bem próximos.

— Não me olhe assim, Mu. Não quero que se chateie ou que se iniba por conta de palavras que escapuliram da minha boca. Entenda, eu não fiz por mal. — roçava o nariz no dele tentando apaziguar-lhe a zanga — Eu quero saber e entender tudo sobre você, analisar o que mais gosta na cama, o que te excita de verdade, como prefere fazer amor e o que te deixa louco de tesão. Que mal há nisso? — sussurrou sensual sem desvirar os olhos dos dele enquanto lhe distribuía beijos molhados —- Não fique bravo comigo. Ei desmancha esse bico e me da um beijo.

— Hm!

Shaka sabia ser bem convincente e aos poucos Mu ia desfazendo as rugas e o bico na mesma medida em que ficava ofegante e instigado com aquele ataque repentino. Áries adorava quando Shaka tomava a iniciativa, mesmo sabendo que em casos como o de agora ele estava apenas lhe adulando a fim de acalma-lo, o que o miserável parecia estar conseguindo com uma rapidez irritante. Sem pudor algum Mu levou ambas as mãos às nádegas de Shaka, e as apertou com força.

— Hmmm... Mas precisa ficar comentando?

— Foi sem querer, eu já disse. — Shaka sorriu malicioso e mordeu o queixo dele — Eu passei tantos anos fantasiando com momentos como este, sem nenhuma pista de como seria realmente fazer amor com você, que cada mínimo detalhe dessa sua nova faceta que eu descubro é extremamente instigante para mim, Mu — confessou ao mover o quadril insinuante — Veja pelo lado bom. Quanto mais eu descobrir, mais eu vou saber como te seduzir, te provocar e satisfazer de um jeito que nenhum outro homem foi capaz antes.

— Ahhh! — deixou o ar escapar em um ofego — Não fala isso assim, desse jeito. — Mu apertava ainda mais a bunda macia com as mãos e impulsionava o quadril para cima, contra o corpo de Shaka, estimulando a nova ereção que despertava vigorosa — Além de me deixar muito excitado, posso pensar que está com ciúmes.

— Pois pensaria certo.

Áries impulsionou o corpo para cima e com um movimento rápido girou e inverteu as posições, ficando por cima do namorado que o acomodou entre as pernas.

— Eu ouvi direito? — provocou esfregando a ereção na dele.

Agora era Mu a atacar o pescoço e colo do indiano com beijos molhados enquanto fazia movimentos insinuantes com o quadril.

— Ouviu! — Shaka respondeu lascivo ao dar um suspiro de prazer e correr as mãos pelos músculos bem trabalhados das costas de Mu, marcando-os com suas unhas — Acho justo que saiba algo novo sobre mim também. Eu sinto muito ciúmes de você! Sempre senti. Quando que me contou sobre sua vida de solteiro e das escapadas de Jamiel, eu tive uma vontade enorme de rastrear cada maldito homem com quem já dormiu e mandar todos eles para um dos seis infernos. Na verdade ainda tenho. — confessou com um riso baixo ao descer as mãos pela coluna dele até alcançar-lhe a bunda.

Buliçoso o virginiano deslizou os dedos curiosos pela fenda entre nádegas do namorado e acariciou-o ali. Fazia movimentos delicados, apenas um carinho sutil em tom de provocação na região inchada, já que o local deveria estar sensível por conta de terem feito amor algumas vezes naquele dia.

— Hmm! Que homem perigoso! — Mu sorriu safado ao afastar a boca do pomo de adão de Shaka e de olhos fechados apreciar os toques instigantes que ele lhe fazia.

O lemuriano ondulou bem de leve o quadril, para frente e para trás, no mesma velocidade torturantemente lenta com que o namorado o bolinava, adorando como podia sentir o pênis duro dele latejando contra o seu.

— Muito perigoso! — Shaka sussurrou ao escorregar apenas a pontinha do dedo médio dentro dele — Eu odeio saber que um bando de homens indignos tiveram com facilidade algo que eu tanto desejei e que agora é só meu. — introduziu o dedo todo de uma só vez, enterrando-se fundo em Mu ao lhe agarrar forte a bunda.

O ariano fechou os olhos soltando um gemido ao sentir o deleite da invasão. Instintivamente se empinou para trás rebolando em clara aprovação ao toque firme, o que acabou por encaixar seu quadril ao do namorado de forma bem instigante e prazerosa com seu pênis roçando as nádegas dele.

— Está me chamando de fácil, Shaka de Virgem? — perguntou rouco ao abrir os olhos e começar a beijar o pescoço do namorado.

Mantendo o dedo no lugar e apertando ainda mais Mu contra si, o indiano acariciava-o com a mão livre enquanto esfregava as pernas dele com os pés e a parte interna das coxas.

— Claro que não. Ter o seu amor foi muito difícil, Mu de Áries. Só Buda sabe o quanto eu lutei por você. Eu sei que seu coração é somente meu. Mas... Hmmm!... Não consigo evitar o ciúme ao pensar que outros te tocaram assim... Que te deram prazer. Fico com raiva, mas não de você e sim deles. Malditos safados! Aproveitaram-se de meu momento de devoção exclusiva à Causa Divina para se esbaldarem no que eu queria e que um dia me pertenceria, mas que eu ainda não podia ter! — dominado pela luxuria e em meio às carícias quentes Shaka confessava seus pensamentos mais íntimos com fluidez incomum.

Mu riu baixinho incrédulo com o raciocínio absurdo do namorado enquanto brincava com a argolinha do brinco dourado dele usando a ponta da língua e os dentes.

— Tem noção do que acabou de Falar?

— Tenho! — Shaka riu de si mesmo — E não me questione. Faz total sentido na minha cabeça. — ainda risonho enlaçou a cintura do ariano com as pernas, apertando-o contra si ainda com a mão na bunda dele fazendo pequenos movimentos circulares.

— Nunca pensei que você pudesse ser do tipo ciumento, possessivo e rancoroso... — brincou ao tentar beija-lo, mas Shaka desvirou o rosto.

— E nem eu que você fazia o tipo lambedor de sovacos! — o virginiano concluiu com ar convencido.

Concordando plenamente com o namorado, Mu precisou morder os lábios para não rir alto ao ouvir Shaka de Virgem pronunciar a palavra sovaco enquanto transavam. Foram melhores amigos e confidentes por anos antes de se tornarem um casal, mas nunca passou pela cabeça do lemuriano, nem em seus mais esdrúxulos devaneios, que um dia viveria com o Santo de Virgem uma cena tão inusitada, absurda e extremamente excitante como aquela.

Quantas descobertas aquele novo amor poderia lhes trazer? E quantas novas facetas maravilhosas e instigantes de suas personalidades misteriosas a intimidade de amantes revelaria? Eles não faziam ideia, mas estavam doidos para descobrir.

— Quer saber mais uma coisa sobre você que eu só descobri depois que passamos a transar, Shaka de Virgem? — Áries provocou ao se dirigir furtivamente para um dos mamilos do indiano onde deu uma mordida.

— Hmmm... O que?

— Que o tesão te deixa sem-vergonha, abusado e tagarela. — Mu ralhou e mordeu o outro mamilo com certa força.

— Aii!

— Pelos deuses! É incrível! — o lemuriano resmungou ao se afastar do peito do namorado e pressionar o quadril dele contra o colchão, dividindo com ele o prazer do ato — Mede cada palavra que diz o tempo todo, mas é só ter um orgasmo ou ereção que abre a matraca e não para mais de falar. — riu inconformado ao correr a mão pela coxa do indiano aperta-a com força para em seguida lhe dar um tapa ardido no local — Fica quieto! Eu estou tentando fazer amor com você.

— Então faz! — o virginiano sorriu malicioso e divertido ao mandar um olhar convidativo ao lemuriano. No mesmo instante retirou o dedo que ainda mantinha dentro dele, retribuindo o tapa que levou com uma sonora palmada nas nádegas durinhas, então para a surpresa do lemuriano, abriu mais as pernas e elevou os dois braços acima da cabeça, embrenhando as mãos nos longos fios dourados de seu cabelo, e de forma insinuante e um tanto obscena, expôs as duas axilas — Vem, Mu! Realize todos os seus desejos, faça tudo o que quiser comigo. Eu sou seu.

O apelo de Shaka soou tão depravado e pervertido para Mu que sua mente em um segundo voou longe para uma infinidade de possibilidades inexploradas. Seu coração disparado batia tão descompassado e forte que ele sentiu vertigem, provavelmente por conta da musculatura cardíaca estar naquele instante bombeando todo o sangue de seu corpo direto pra um órgão em especifico. Comprimido contra as nádegas do namorado o pênis latejava dolorido ao pulsar loucamente tentando se insinuar entre elas. Em toda sua vida o lemuriano nunca havia experimentado algo parecido, um desejo inesperado, uma vontade diferente que naquele instante parecia arrebatar todo o seu ser. Shaka tinha noção do que havia feito?

A julgar pelo olhar luxurioso e o sorrisinho safado estampado na cara do indiano: sim!

A cabeça de Mu rodava entre milhares de pensamentos acelerados.

Com o rosto vermelho e pegando fogo, assim como todo o resto de seu corpo, avançou sobre Shaka feito um predador. Prendeu-lhe os braços para cima com uma das mãos, empurrou o quadril contra o dele e faminto atacou-lhe os lábios sem piedade, mordendo e chupando a carne macia ao invadir a boca dele com a língua, onde tocou e lambeu tudo que estivesse ao seu alcance.

Ofegante e aos gemidos Shaka mal conseguia respirar, não esperava um ataque tão feroz, mas estava longe de achar ruim, ao contrário, devolvia com satisfação os beijos calorosos na mesma intensidade em que os recebia, deixando uma trilha de saliva lhe escorrer pelo canto dos lábios. Em meio ao calor do momento não deixou de notar que o namorado insinuava e esfregava a ereção muito dura e quente contra sua intimidade. O toque era novo, instigante por isso retribuiu a ele ondulando o corpo a fim de aumentar o contato. Até aquele momento Mu sempre fora passivo absoluto ao fazerem amor, a preferência sexual dele ficara bem clara desde a primeira transa que tiveram, e mesmo se não tivesse ficado, ele mesmo lhe contara mais tarde que era assim desde sua primeira vez e que não sentia vontade alguma de mudar de posição, pois seu prazer e tesão estava em ser penetrado. Ciente do fato, Shaka não viu problema algum em ser ativo na cama, até porque possuir aquele lemuriano fogoso e safado não era nenhum sacrifício, ao contrário, era como alcançar o nirvana na terra. Adorava toma-lo com força e ouvi-lo chamar seu nome, implorando por mais. Porém ali naquele instante, notou que talvez tivesse despertado em Áries algo ainda mais inesperado do que um simples fetiche por axilas.

E de fato tinha.

Sua ação sem querer gravara uma nova informação bem fundo na mente de Mu, virando a chave interna no controle da libido dele com uma mensagem instigante que fora capturada e interpretada subliminarmente como um convite imoral, uma oferta de luxúria e devassidão irresistível.

Mu nunca sentira tanta vontade de enfiar-se inteiro dentro de alguém como naquele momento. E aquilo era um tanto perturbador para si.

Em furor beijava o namorado enlouquecidamente sentindo todo seu o corpo vibrar e queimar de desejo. Queria invadir Shaka com força, fundir-se a ele até que se seus corpos materiais fossem feitos da mesma carne, ir tão fundo que sua alma tocaria a dele.

Pelos deuses! O que era aquilo agora?

Nunca tivera dúvidas de suas preferências e estava satisfeito com elas, mas Shaka tinha o poder de revirar tudo dentro de si e derrubar até mesmo suas bases mais sólidas.

Afoito em meio aos beijos quentes e movimentos insinuantes, Áries ansiava com um desejo visceral possuir Virgem.

O problema é que apesar de Shaka ter se oferecido disposto a lhe realizar todas as fantasias, não estava certo se que ser passivo estava incluso no pacote. Na verdade, no fundo ficou um pouco confuso e aflito com os próprios sentimentos, pois apesar de seu querer e mesmo se o namorado aceitasse, havia uma insegurança latente que o impedia de seguir em frente. Estava tão familiarizado com seu papel que inverter as posições não lhe parecia ser tão fácil e automático como a ideia lhe soara inicialmente.

Esse conflito não passou despercebido por Shaka. O virginiano sentia o desejo dele gritando na maneira como se esfregava e empurrava-se contra si e ao abrir os olhos pode ler nitidamente o receio na face atribulada do namorado que lhe beijava sôfrego.

Tolo. Como se fosse capaz de negar-lhe aquilo de que já era dono.

— Mu! Olhe para mim.

Mu atendeu ao pedido da voz doce e sensual.

Quando as íris esmeraldas encontraram às safiras, Shaka então olhou bem dentro dos olhos dele, soltou uma das mãos presas e segurou no rosto do homem que amava, terno, apaixonado, carinhoso e entregue.

— Mu... O meu rosto é meu, minhas mãos são minhas, minha boca é minha... Mas eu não. Eu sou seu. — disse com segurança — Eu quero. Faça.

Aquelas palavras sussurradas arrebataram todo o ser de Mu que surpreso e de olhos arregalados perdeu o ar em meio a um ofego vacilante, como se houvesse sido acertado por uma dezena de flechas do cupido de uma só vez.

— Ahh! Shaka! — Mu murmurou ao lhe beijar a boca — Tem certeza?

— Tenho.

Mu sorriu ao lhe beijar de novo, porém logo se afastou e resolveu abrir o coração ao namorado.

— Estou um pouco inseguro.

— Por que?

— Eu não tenho nenhuma experiência como ativo.

Shaka sorriu sensual.

— Ótimo, saber que só eu despertei esse desejo em você me deixa ainda mais instigado.

— Mas e se eu te machucar?

Virgem afagou o rosto de Mu correndo os dedos para sua nuca. A preocupação dele só lhe dava mais certeza de que apaixonara-se pelo homem certo. Oferecera-se de corpo e alma para que ele, e ainda assim ele não fora egoísta. Mu existia mesmo? Com o coração pleno de felicidade trouxe-o para perto de si e lhe sussurrou lascivo:

— Eu te machuquei na nossa primeira vez?

— Não, mas era diferente. Eu sabia exatamente o que viria e como agir para evitar qualquer problema.

— Exatamente! — o indiano voltou a mirar os olhos esmeralda — Você sabe tudo o que eu vou sentir, o que pode me machucar e o que não fazer.

Porém uma pequena nuvem de preocupação e dúvida ainda nublava os olhos de Mu, portanto Virgem decidiu ser mais direto.

— Sei bem quais seus receios. Eu não me preparei para isso, entendo, mas está tudo bem, estou em jejum a horas e provavelmente não teremos nenhum "acidente". — deu uma piscadinha marota com um dos olhos o que arrancou um risinho da boca de Mu — Além disso, o máximo que pode acontecer é nós dois não gostarmos, o que eu sinceramente duvido muito, mas aí é só parar tudo e "voltarmos" a programação normal.

Áries encarou o homem embaixo de si por alguns instantes, não acreditando em como demorara tantos anos para descobrir aquele amor.

— Eu te amo. — foram as únicas palavras proferidas quando Mu finalmente deixou as preocupações para de lado e abriu um sorriso pleno inclinando-se para tomar os lábios do namorado.

Com as bocas unidas logo o clima de luxúria voltou a domina-los. Entre beijos voluptuosos e carícias eróticas, Mu usou de sua telecinese para mover os botões do aparelho de som ao lado da cama, o ligando. Em instantes os autofalantes começaram a reproduzir uma seleção de músicas com uma pegada "sexy lounge" e a batida baixa e sensual ecoou pelo quarto, inundando o quarto com um clima ainda mais erótico.

— Hmm! Safado! — Shaka murmurou surpreso, adorando o ar voluptuoso e devasso que agora os envolvia.

— Precavido! — Mu corrigiu-o sagaz.

Muito excitados por aquela preliminar que estendia-se em meio a conversas e provocações bem mais do que deveria, o lemuriano estendeu o braço, apanhou o tubo de lubrificante que jazia aberto e esquecido jogado em um dos cantos da cama e rapidamente aplicou um pouco do gel a base de água em dois dedos. Calmamente desceu a mão até o meio das pernas do namorado e o tocou intimamente.

—Ahhh! — Shaka contraiu os olhos e deixou o ar escapar ao sentir o gel gelado e os dedos no namorado a lhe fazerem uma pequena preparação.

Muito atento a todas as reações do indiano, Mu prosseguia com um mistura de cautela e êxtase. Invadia-o com os dedos de forma lenta distribuindo beijos por todo o peito e pescoço e quando notou que ele mais uma vez erguera os braços cima da cabeça com um ar travesso e convidativo, não se reprimiu.

Foi com profundo deleite que Shaka recebeu um novo ataque em suas axilas. De olhos fechados o Cavaleiro de Virgem ouvia a batida sensual da música mergulhado em um mar de novas sensações prazerosas e estimulantes, sem se prender em entender e analisar nada, apenas sentia. A língua de Mu era muito quente e macia, causava-lhe suspiros e arrepios pelo corpo, seus dedos também eram quentes e depois do estranhamento inicial começava a se aprazer do pequeno vai e vem que eles faziam.

Excitava-o ouvir os gemidos exaltados do lemuriano e quanto mais ele o lambia, mordia e estocava com os dígitos, mais Shaka arqueava o corpo entregue, abrindo-se convidativo para ele. Não tardou para o indiano ficar em uma situação delicada, ofegante, ondulando o quadril ansioso, queimando de tesão e com uma dolorosa ereção implorando por alívio.

— M-Mu! Por favor! — murmurou suplicante.

Atendendo ao pedido, até porque também estava em uma situação tão ou mais desesperada que o namorado, Mu finalmente abandonou a axila de Shaka lambendo sensualmente os lábios de satisfação ao sentir na boca toda o gosto salgado e picante do cheiro extasiante que brotava da pele dele.

— Ahh! Shaka! Você me deixa louco. — disse com a voz grave e baixa próximo ao ouvido do namorado ao mesmo tempo em que retirava os dedos de dentro dele e posicionava o quadril preparando-se para penetra-lo — Olha o que faz comigo!

Shaka ainda tentou elaborar qualquer resposta em sua mente afogueada, mas Mu o calou com um beijo urgente ao segurar o pênis rijo com uma mão e insinuar a glande quente e inchada para dentro dele. Qualquer pensamento lógico desapareceu da mente do indiano quando sentiu a pontada dura. Agarrou-se aos lençóis com força os apertando entre os dedos magros e prendeu a respiração com uma golfada de ar.

Aquilo doeu. Bastante.

Virgem precisou de alguns segundos para recuperar o fôlego e relaxar o corpo, porém logo a dor se amenizara e notou que Mu não se movera. Ao abrir os olhos encontrou o rosto vermelho dele logo acima do seu lhe mirando ofegante em contemplação e devoção. Conhecia muito bem aquela expressão de prazer e resignação.

Eram sensações inéditas para ambos e Mu naquele momento usava todas as forças de seu ser para conter a ânsia de seu corpo, que latejava implorando por mais, para dar o tempo que o amado precisava, evitando aumentar a dor que sabia que infligia a ele.

— T-Tudo bem? — perguntou sôfrego rente aos lábios de Virgem.

— T-Tudo.

Com um anseio simultâneo buscaram os lábios um do outro trocando beijos cálidos, ternos, sem pressa, apenas curtindo o momento. Relaxando todo o corpo Virgem soltou o lençol e abraçou Áries, embolando os dedos nos longos cabelos lavanda. Este por sua vez, alisava a lateral do corpo dele correndo a mão pela pele macia, causando-lhe arrepios, até alcançar a coxas onde deteve-se apertando e marcando a carne trêmula com as unhas.

Lentamente, centímetro a centímetro, Mu empurrou-se para dentro de Shaka, que se abria recebendo-o de bom grado. Estupefato com a sensação de estrangulamento maravilhosa e arrebatadora que a invasão lhe causava, o lemuriano chegou até a perder a voz quanto finalmente entrou completamente dentro dele, penetrando-o fundo.

Pelos deuses! Nunca pensara que possuir Shaka pudesse ser tão bom. Queria mais.

Para o virginiano a sensação ainda era um pouco estranha, porém não mais dolorosa, o namorado fora cuidadoso e sentia-se muito excitado e instigado a prosseguir.

— Ahh!... Continue. — pediu em voz trêmula, pois o ariano ainda se continha.

Mu recuou o quadril bem devagar e avançou firme, dando a primeira estoca.

— Ohhh! — Áries gemeu alto recuperando a voz presa no fundo da garganta ao sentir o prazer irradiar de sua pelve para todo o corpo.

— De novo! — Virgem ordenou suplicante atracado ao pescoço dele.

Mu obedeceu e moveu o quadril para frente e para trás em uma nova estocada prazerosa. E mais uma, de novo, e de novo até que estar completamente arrebatado pelo furor sexual que o fazia invadir em ritmo constante o corpo languido, quente e sensual sob o seu.

— Ahh! Mu!

Shaka chamava pelo nome do amado ao senti-lo entrando e saindo cada vez mais rápido dentro de si. Não se surpreendeu ao ver-se ansiando por mais, desejando desesperadamente tê-lo mais fundo. Sentia ondas de calor e prazer ao ser esmagado contra o colchão pelo corpo pesado de ferreiro vigoroso do namorado que lhe estocava com força.

Jamais contaria a Mu, mas naquele momento, sendo possuído por ele, Shaka entrou em um estado de graça e enlevo, tomado por um sentimento de pertencimento que arrebatou todo seu ser e o elevou aos céus. Era uma felicidade tola, de garoto apaixonado e que lhe fazia sorrir ao sentir como se finalmente Mu o reclama-se para si. Algo que não esperava, mas que em seu âmago selava eternamente o amor entre eles, unindo-os definitivamente de corpo e alma.

Agora pertenceria completamente a Mu, assim como ele lhe pertencia.

Alheio ao motivo do sorriso bobo nos lábios do namorado, o ariano estava preso em devaneios bem mais carnais, não conseguindo parar de mover-se tentando ir cada vez mais fundo. Soltando gemidos roucos e altos, que mais pareciam uivos, Mu arremetia-se com vigor dentro de Shaka ciente de que ele estava gostando do que fazia por conta dos ofegos e murmúrios de prazer que ele lhe dava e também por conta da ereção dele latejando dura contra seu abdômen.

— Gostoso! — Mu falou sôfrego ao se agarrar ainda mais ao namorado e lhe atacar o lóbulo da orelha. Lambia e mordia toda região enfiando o nariz rente ao couro cabeludo úmido, estocando-o sem parar enquanto em deleite aspirava louco de tesão o perfume delicioso que vinha dele. Virilidade masculina com sândalo, combinação perfeita — Hmm... Você é um tesão, sabia?... Ahhh... Pelos deuses, que delícia... Tão quente... — sussurrava-lhe sacanagens ao pé do ouvido.

Shaka adorava cada uma delas.

— Mais! Ahhh, Mu! Eu quero mais... — Virgem pediu entorpecido.

E Mu lhe atendeu prontamente dizendo mais algumas tantas safadezas enquanto desferia estocadas tão vigorosas que o som do choque entre seus quadris ecoava por todo o quarto, abafando a música que tocava. Completamente entregue a luxuria Áries só se calou ao morder a junta entre o ombro e o pescoço do namorado, o segurando forte nos braços, para invadi-lo sem dó ou piedade. Seus corpos chacoalhavam em meio a movimentos frenéticos que culminavam em batidas surdas da cabeceira da cama contra a parede de pedra o que só lhes aumentava o tesão.

Agora não tinha mais volta, haviam perdido completamente o controle de seus corpos e só lhes restava alcançar o júbilo.

Após alguns minutos ambos encontravam-se suados, ofegantes e no limite físico do que restara de suas energias. Mu movia-se incessantemente apertando os olhos fechados e por mais embriagado de prazer que estivesse. sentia certa dificuldade em alcançar o gozo, talvez fosse por conta das transas anteriores que lhe esgotaram, mas como agora cabia a si o papel de conter o orgasmo até que o namorado alcançasse o dele, achava até conveniente. Não que isso fosse demorar, pois com um ritmo tão intenso e sentindo o pênis ser esmagado, apertado e esfregado entre seus abdomens, Shaka revirava os olhos com o corpo todo em combustão enquanto, sem pudor algum, praticamente gritava clamores eróticos, agarrado a Mu.

Porém o jogo virou repentinamente, quando de forma atrevida e um tanto travessa o virginiano desceu uma das mãos deslizando-a pelas costas marcadas de arranhões do namorado e sem aviso sorrateiramente escorregou o dedo médio e o anelar para dentro dele, empurrando-os bem fundo.

Mu quase teve uma síncope.

Abriu os olhos na hora, contraindo-se por inteiro com o prazer da invasão sem conseguir parar de mover-se, porém muito surpreso.

— Não... Não faz isso... Eu... Ahh! — balbuciou. Os dedos em sua bunda dissolveram qualquer dificuldade que sentia e agora mordia os próprios lábios com demasiada força tentando conter desesperadamente as ondas de prazer que ameaçavam irromper de dentro de si.

— Faço!... Eu sei... que você... gosta! — o indiano respondeu arfante entre uma estocada e outra, mantendo a pegada firme nos dedos — Vem, Mu!... Eu quero... Hmm!... Goza... dentro... de mim... Ahh!... Vem! — com um sorriso de pura satisfação, Shaka enfiou ainda mais os dígitos no namorado e ergueu levemente as pernas dobradas, aumentando assim a profundidade da penetração em si mesmo.

— Ahhhh! Seu... safado!

Áries nem precisou fazer mais nada, apenas soltou as amarras mentais que usava para tentar segurar o prazer e com um último empurrão forte, seco e profundo, inundou o interior quente de Virgem com seu sêmen, simultaneamente sentindo-o enterrar fundo os longos dedos dentro de si.

Mas o lemuriano nem bem teve tempo de recuperar o folego e já sentiu a mão livre de Virgem lhe empurrar o tronco, buscando espaço entre seus corpos para poder tocar-se.

— Olhe para mim... Ahh... Ahh... Não se mova... – Shaka disse aflito com uma mistura de ordem e suplica ao conseguir alcançar própria ereção latejante desesperado por alívio.

Com seus olhos azuis cravados na face rubra e ofegante de Mu e tendo os imensos olhos verdes de pupilas dilatadas dele cravados nos seus, o virginiano masturbou-se em ritmo acelerado, ainda mantendo seus dedos no interior dele e sentindo-o latejando quente dentro de si a medida que o pênis do lemuriano pulsava e diminuía de tamanho.

Logo Shaka gemeu muito alto fechando os olhos no instante final, quando molhou a barriga de Mu, ao ter um orgasmo deliciosamente longo e prazeroso. Só então tirou a mão da bunda dele e permitiu que ele também se retirasse de dentro de si caindo sem forças em seus braços.

— Uau! Isso... Isso foi muito bom. — confessou com um sorriso de satisfação ao acolher o corpo do lemuriano esgotado sobre o seu.

— Não... Isso foi covardia. — Mu riu aconchegando-se melhor no peito de Shaka — Fio terra é sacanagem.

Virgem riu alto.

— Não foi você que me disse que com tesão eu fico sem-vergonha e abusado?! —brincou — Além disso, eu senti que estava precisando de um... incentivo. Aiii! — reclamou do beliscão ardido que recebeu perto da costela.

— Calunia! Você também precisou de "incentivo" no final, a sua... "dedada", não teria sido necessária se não estivéssemos transando pela quarta vez hoje. — o lemuriano ralhou com certo charme já sentindo o preço de tanta atividade física lhe tomando todo o corpo em forma de um sono irresistível — Pois saiba que para quem passou a vida sendo passivo, eu me sinto muito orgulhoso do meu desempenho na minha primeira vez como ativo, senhor Shaka de Virgem.

— Hmmm! Pois eu também estou. Foi delicioso. Da próxima vez prometo não escorregar nenhum dedo atrevido por mais que me seja tentador, a menos que peça, claro. — disse maroto ao apalpar nádega firme do lemuriano.

Mu imediatamente ergueu a cabeça e encarou um tanto sério a face do namorado.

— Vai haver próxima vez? — a pergunta era genuína, afinal o que lhe garantia que Shaka não havia apenas lhe satisfeito uma fantasia momentânea? Shaka aceitaria ser passivo de novo? Ele mesmo gostaria de ser ativo outra vez? Teriam uma relação versátil dali em diante? Havia muitas questões implícitas em sua pergunta.

Porém Shaka não as entendeu, afinal tudo era muito mais simples em sua cabeça, então mirou o namorado e arqueou as sobrancelhas um pouco confuso.

— Ué... Por que a pergunta? Eu gostei, você gostou.

Mu ficou parado alguns segundos olhando sério para Shaka, absorvendo a resposta e as implicações dela, até que sem mais nem menos voltou a deitar a cabeça no peito dele ocultando o sorrisinho maroto em seus lábios.

No primeiro momento Virgem entendeu menos ainda aquela reação silenciosa do namorado. Mu às vezes podia ser muito misterioso, porém após alguns instantes lhe acariciando os cabelos e pondo a mente para trabalhar, finalmente entendeu qual fora a verdadeira pergunta que o lemuriano lhe fizera.

— Mu... — chamou-o baixinho.

— Hm! — o lemuriano respondeu com um resmungo. Estava quase dormindo.

— Vai haver próxima vez? — repetiu o questionamento que ele lhe fizera, esperançoso.

De olhos fechados e ainda com o sorriso nos lábios, Mu ergueu o rosto e beijou o pescoço do indiano lhe sussurrando a resposta que mudaria definitivamente a dinâmica sexual entre eles.

— Eu espero que sim.

E Shaka apertou Mu em seus braços feliz da vida.

Na cozinha do Templo de Áries, o casal de esfomeados atacava a geladeira em plena madrugada.

Por mais esgotados que estivessem, Mu e Shaka haviam apenas tirado um cochilo longo e logo foram acordos pelos estômagos roncando. A fome era tanta que não perderam tempo com protocolos, passaram rapidinho no banheiro para fazer a higiene intima básica e logo correram para a cozinha sem nem tomarem banho ou vestirem roupas, o ariano só colocara a cueca usada para não ficar totalmente nu e Virgem enrolou o lençol na cintura, pois sentia o frio da noite e também porque não fazia ideia de onde fora parar a própria cueca.

Enquanto comiam em clima descontraído, conversavam sobre as escapadas de Mu em sua época de solteiro e do modo peculiar como ele lidava com os homens com quem saía.

— Você simplesmente se teleportava? — Perguntou Shaka que estava de pé, encostado na pia descascando uma maçã com uma faca. Ia comendo pequenos pedaços da fruta enquanto juntava as casquinhas todas em um cantinho para depois jogar no lixo.

— Assim? Do nada? Não, né. — Mu, que estava de pé perto dele, riu abocanhando um grande pedaço da pizza requentada que tinha nas mãos — Eu esperava eles dormirem, ou quando o cara não queria dormir pedia para ir ao banheiro e aí sim eu me teleportava de volta para Jamiel.

Virgem riu intrigado.

— Mas por que isso? Por que não se despedir e sair pela porta?

Mu soltou um suspiro e abocanhou o resto da pizza ganhando tempo para pensar em como responder.

— Era e não era complicado. — fez uma pausa ao relembrar sua adolescência conturbada de Cavaleiro foragido — Eu não queria e não podia ter envolvimento com nenhum deles. Você mais do que ninguém sabe o porque, como Cavaleiro de Ouro exilado esperando uma Guerra Santa, minha situação era muito delicada, perigosa. Ainda havia o agravante de ser o último ferreiro celestial. Só que eu fui de um Santuário cheio de gente, para uma torre isolada cravada no alto das montanhas Tibet. Pelos deuses, Shaka! A solidão absoluta é enlouquecedora, tinha dias que eu precisava ver gente, qualquer gente ou eu surtaria, fora que eu era muito novo, meus hormônios estavam em ebulição, sentia muito tesão naquela época e...

— Disso eu não sei muito. — Virgem o interrompeu sem querer com um pensamento alto, mas ao ver o olhar curioso do ariano prosseguiu, explicando-se — Minha juventude foi bem diferente do que é considerado "normal". — fez aspas com os dedos sem soltar a faca e a maçã — Nessa época eu meditava muito, lógico que eu tinha certas necessidades, já até era apaixonado por você, mas eu tinha tanta certeza da minha missão, da minha morte e do sacrifício que não havia espaço para mais nada. Tudo era supérfluo, incluso a minha necessidade sexual.

O silêncio pairou por um tempo enquanto ambos refletiam sobre como a vida de Cavaleiros os afetara tão profundamente, mesmo nas coisas mais básicas, até que o lemuriano se encostou de lado na pia, ao lado de Shaka, e ajeitou os cabelos com os dedos,

— Falando assim parece que faz tanto tempo... — Mu tinha o olhar vago — Que era uma outra vida, não é?

— Sim, e de certo modo era mesmo. Eu mesmo só experimentei a plenitude dos sentimentos humanos quando Atena nos deu uma nova chance.

— Sim. Pra mim também era tudo muito diferente, quer dizer, não igual a você, mas havia um afastamento das coisas. Refletindo sobre isso, acho que era essa a razão das minhas atitudes estranhas, eu não gostava de me envolver, calculava minhas ações friamente. Meu corpo jovem exigia sexo, alívio, e na clausura, sem muitas distrações, isso piorava, me atormentava, sinceramente até me irritava, então a solução era escapar por aí, achar um cara bonito numa boate, num bar, atraí-lo para um quarto, suprir minhas necessidades e sumir. — deu de ombros, não muito orgulhoso com seu passado — Rápido, prático, seguro pra mim, e muito mais seguro pra ele, imagina... Um civil envolvido com um Cavaleiro de Ouro foragido, que vivia exilado como ferreiro celestial no alto de uma torre. Só furada! Problema! Não, nesse quesito eu sempre tive meu dever e missão em primeiro lugar, e lidava com minhas necessidades da maneira mais prática e impessoal possível. Se eu não podia me envolver com ninguém então era melhor poupar despedidas e explicações desnecessárias. As vezes eu nem perguntava o nome, e quando perguntavam o meu eu mentia, acabou tudo? Tchau. Não podia correr o risco de gostar de ninguém, melhor seria se o cara me esquecesse.

Shaka realmente estava um tanto surpreso. A vida de Cavaleiro nos anos pré Guerra Santa não fora limitante apenas para si.

— E você ficou com muitos homens?— Virgem desviou os olhos do namorado fingindo distração ao enfiar o último pedaço da maçã na boca.

Mu sorriu malicioso ao notar o nítido ciúme estampado em toda a figura do loiro ao seu lado, principalmente na maneira nervosa e agitada com que ele deixava a faca na pia e apanhava as casquinhas de maçã para jogar fora.

— Você devia ver a sua cara! — Mu avançou sobre Shaka, se pondo de frente a ele, e o pressionou contra a pia roubando-lhe um beijo — Não, não foram tantos assim, seu tolo enciumado. — acariciou risonho e divertido a face rubra do namorado — Com o surgimento de Kiki minha solidão diminuiu muito, cuidar de um bebê sozinho ocupou grande parte do meu tempo e desviou o meu foco de necessidades mais... carnais. Eu fui pai solteiro, esqueceu?

— Hm! Depois me lembre de agradecer o pestinha. — Shaka resmungou e passou o braço no pescoço de Mu o trazendo para um beijo — Você já parou pra pensar no que eles ficavam pensando depois?— riu um pouco divertido ao refletir no absurdo da situação. — Você simplesmente sumia...

—Sim! — respondeu mais interessado acariciar a cintura do namorado — Acho que até hoje alguns não fazem ideia do como um "cara" desapareceu dentro do banheiro. Devem pensar que fui abduzido... — precisou segurar a risada focado em beijar o pescoço longo do loiro.

— Hmmm! Existem muitas lendas pelo mundo sobre seres folclóricos que atraem homens e mulheres em busca de sexo e depois somem sem deixar vestígio, sabia? — Shaka sussurrou baixo próximo ao ouvido de Mu, como quem conta um segredo — Quem diria que meu namorado seria uma delas?! O misterioso demônio de cabelos cor de lavanda, uma criatura etérea que aparece na calada da noite em vários lugares do mundo na forma de um lemuriano lindo e sedutor, que atrai jovens inocentes em busca de energia sexual masculina, sumindo em seguida e os deixando eternamente presos por sua magia de sedução.

Mu bem que tentou segurar, mas acabou por gargalhar alto com a imaginação de Shaka e o puxou pra si, desencostando-o da pia para poder desamarrar o lençol da cintura dele e ter acesso as nádegas macias.

— E você não tem medo de ser mais uma pobre vítima do demônio de cabelos cor de lavanda? — Mu provocou instigante ao apalpar forte com as duas mãos a bunda do virginiano

Shaka olhou dentro dos olhos do lemuriano e mordeu o queixo dele com malícia.

— Não, porque eu já sou. Fui o primeiro a ficar preso na sua magia de sedução.

As bocas se uniram em um beijo longo e apaixonado na mesma sincronia em que os olhos foram fechados, cumplices daquele momento de entrega e amor.

Foi nesse instante que o inimaginável aconteceu. Uma voz jovem, masculina e um tanto assustada ecoou alta por todo o cômodo quebrando imediatamente o encanto do momento.

— MESTRE MU? SENHOR SHAKA?!

Imediatamente os dois Cavaleiros de Ouro separaram-se como se o contato entre seus corpos causasse um poderoso choque elétrico.

Atarantado Shaka apenas conseguiu abaixar o rosto constrangido enquanto segurava com certo desespero o lençol preso entre seu corpo e o do lemuriano, impedindo-o de cair e ficar completamente nu. Já Mu olhava assustadíssimo e em choque para o adolescente de cabelos ruivos revoltos parado na porta de sua cozinha com uma caixa de pandora nas costas, uma mala na mão e com os enormes olhos lilases esbugalhados encarando-lhe inquisidoramente.