22
Bella.
Assim que entrei no elevador da empresa, tirei a aliança ostentosa do meu dedo, guardei no bolso porque ainda não estava preparada para a coisa toda do noivado explodir pelos corredores da empresa. Edward não estava sendo muito sutil sobre a coisa toda de um casamento, na verdade, ele estava olhando anéis na internet sem saber que o histórico dele ficava diretamente no meu telefone celular.
Conversei com a Alice sobre isso, principalmente para acalmar sua ansiedade desde que Edward me deu um anel de compromisso. Eu sabia que ele faria absolutamente tudo para tranquilizar meus medos, mas era um homem determinado e eu não duvidava nenhum pouco sobre os seus sentimentos, seu amor e devoção por mim. Ele me colocava em um pedestal e eu gostava disso, porque em toda a minha vida, eu nunca fui tão adorada.
Perguntei a Alice o que a fez acreditar que Jasper era o homem certo para passar o resto da sua vida. Na sua simplicidade doce, apenas respondeu que ela não podia imaginar a sua vida sem ele e que em todos os planos futuros, de repente, ele estava incluído. Foi aí que me dei conta sobre o quanto planejava uma vida com Edward. Ele era... A parte que faltava na minha vida. Era uma mulher completa, tinha uma carreira em ascensão e muito o que aprender, mas havia a simples diferença que eu queria viver todas as etapas ao seu lado.
Contei ao meu pai sobre meus sentimentos. Primeiro, Charlie ficou surpreso sobre me abrir abertamente com ele e segundo, ele me castigou sobre colocar os erros da nossa família em cima de mim. Ele disse que se tudo que via era Edward no futuro, eu tinha o direito de me arriscar. E convenhamos, não podia ter uma carreira de sucesso e ser uma completa cagona no quesito amor.
Eu o amava.
E ele estava fora da cidade para uma conferência, era a nossa primeira noite na casa nova. Enrolar para me mudar não mudava nada, só me embolei na agenda das festas de fim de ano já que Edward queria muito que fosse lá em casa. Depois de vários agendamentos, decidimos por um jantar tranquilo de natal na nossa casa e iríamos para festa de ano novo que os pais dele iriam oferecer para amigos, familiares e vizinhos.
Todos nós estávamos ansiosos com o casamento de Alice e Jasper em Janeiro, na casa da família em Aspen, mas primeiro, tínhamos que organizar os feriados. Apesar de cozinhar, nunca tive a experiência de fazer comida para muitas pessoas, estava ansiosa. Ângela estaria de folga, estava contando com a ajuda do Edward e do meu pai, que estará hospedado conosco para o feriado.
Sorri para uma menina no elevador e sequei o suor fino no meu buço. Estava me sentindo estranha desde que acordei, mas estava levando bem o trabalho. Enquanto estava na minha sala climatizada, sentada, consegui ignorar o mal estar. De pé no elevador, segurando uma pasta de relatórios que Mike Newton me enviou, me sentia estranha.
Quando Mike me abordou, dizendo que precisava me enviar uns relatórios que não podiam passar pelo Jacob, como assistente do James, entendi que poderia ser algo relativamente grave. Mas o que ele me enviou era de extrema importância e eu tinha que conversar sobre seus destaques pessoalmente. Imprimi e coloquei em uma pasta, descendo, preocupada com a bomba grave que podíamos ter em mãos.
Saí no andar dos analistas, sorrindo para alguns colegas.
— Oi, Bella. — Embry me deu um aceno.
— Oi, homem. Como você está?
— Estou bem, obrigado pelo presente do meu noivado. Kyla e eu realmente adoramos o conjunto de cozinha.
— Foi uma noite divertida, obrigada pelo convite. — Olhei ao redor. — Então, viu Mike Newton?
— Ele saiu para pegar um café. — Embry continuou falando, mas eu não estava ouvindo direito, sentindo a minha cabeça doer. — Bella? Está me ouvindo? Você está bem?
— Desculpa... Acho que preciso ir atrás do Mike. — Bati a pasta de relatório na mesa, andando pelas mesas e cubículos, sentindo a vertigem me dominar cada vez mais. Avistei o Mike mexendo o café, sorrindo para uma menina e assim que me viu, acenou. — Hey, será que podemos conversar sobre o seu relatório?
— Caramba, você está pálida. Está tudo bem?
Senti a sala rodopiando ao meu redor.
— Acho que preciso me sentar. — Agarrei o antebraço do Mike antes de sentir minhas pernas falhando e ele jogou seu café no chão para me segurar.
— Opa, alguém me ajuda aqui! — Mike chamou e um aglomerado de pessoas tentaram me levantar. Milhares de águas e abanos, eu só pedi ajuda para voltar ao meu andar.
Segurando minha pasta, eu sabia que faltava pouco para a notícia que desmaiei estar se espalhando feito pólvora pela empresa. Isso se alguém não tivesse filmado. Embry e Mike me escoltaram para minha sala, assim que Carmen me viu pálida, ela disse que era queda de pressão e eu deveria comer mesmo, porque além de uma banana antes de sair de casa, não comi nada.
— Obrigada, rapazes. Mike, podemos conversar depois que comer?
— Você deveria ir para casa, mas sim, podemos conversar. — Mike estava parecendo preocupado e eu só precisava comer.
Carmen apareceu na minha sala com um yakisoba de frango e um suco de laranja. Comer me fez infinitamente melhor, bebi bastante água e decidi deixar a conversa com Mike para quando Edward voltasse. Trabalhei quieta na minha, distraída, quando dei por mim, Liam estava me esperando para ir embora.
Guardei minhas coisas e tranquei minha sala, me despedindo da Carmen. Meu telefone estava sem bateria, deixei para carregar no carro no caminho para casa.
— Será que podemos parar em alguma farmácia? — Pedi ao Liam depois de me acomodar no banco da frente, no lado do carona.
— Soube que você desmaiou, branquela. Está tudo bem?
— Aprendendo minha lição sobre não comer. Estou bem... Você falou com Edward?
— Bem, ele já sabe e a última coisa que eu ouvi foi que ele estava tentando falar com você. — Liam verificou seu telefone. — O helicóptero devo pousar em algumas horas.
— Está bem.
Liam dirigiu tranquilamente pela cidade, parou em uma grande farmácia e eu sabia que precisava deixar de ser estúpida comigo mesma e não ignorar outro elefante branco na sala. Entre algumas maquiagens, cremes, comprei três tipos de teste de gravidez. Paguei minhas compras, saindo com Liam de volta para o carro.
Meu telefone finalmente ligou e mandei mensagens para Edward, mas ele parecia não estar online. Deveria estar a caminho. Fechei meus olhos, cochilando a maior parte do caminho. Era uma viagem de quase uma hora para casa, mas eu não podia negar o quanto parecia tranquilo viver no rancho. Nós apenas desmaiamos ontem, de tão cansados com vários dias de arrumação. Eu não queria ficar com um monte de caixas para desfazer, queria me mudar de uma vez só com tudo pronto.
Edward me chamou de irritante umas mil vezes, mas na verdade, ele admitiu que meu esquema de organização valeu muito mais a pena. O bobinho precisava aprender que eu sempre estava certa.
Acordei assim que o carro estacionou na garagem. Liam e Tyler estavam dividindo uma das casas de hóspedes no limiar do rancho. Nós não tínhamos visão da casa deles e eles não viam a nossa casa, todo mato, árvores e jardins nos dava muita privacidade. Tirei minha aliança do bolso, coloquei no dedo e destravei a porta da frente. Subi a escada para o quarto e sorri, cada maldita vez que entrava ali, sorria feito uma boba porque Edward tinha razão: Ele me tinha ali, no seu quarto, na sua cama.
A diferença que era o nosso quarto e a nossa cama. Meu irritante namorado, agora noivo, sempre acertava nas suas misteriosas previsões do futuro porque era um homem persistente. Ele não teve problemas de admitir sua paixão por mim mesmo quando eu ainda me sentia insegura sobre qual passo dar.
Tomei um banho gostoso, vesti um shortinho de dormir que era mais como uma cueca, optei por ficar sem sutiã, me envolvendo em um roupãozinho de cetim que mal cobria a minha bunda. Desci a escada devagar. Angela deixou um delicioso risoto de funghi prontinho, ela estava ficando muito metida na cozinha e uma panela com carne, que estava desfiando de tão macia. Arrumei a mesa para jantar, separando o vinho, soltando um suspiro de prazer ao ver o pudim na geladeira. Quando Angie estava inspirada, ela cozinhava feito louca para o meu deleite.
Culpava os pais dela tomando conta do bebê Eric, assim ela e Benjamin tinham um monte de tempo juntos. Cantarolando, enquanto esquentava a comida, ouvi a porta da frente abrir. Edward assobiou, revirei os olhos e não respondi. Ele deveria estar chamando seu cachorro imaginário, o idiota.
— Você passou mal. — Foi a primeira coisa que ele disse, mas a primeira coisa que eu reparei foi que quando ele usava uma camisa preta simples, um jeans baixo e tênis, era a criatura mais gostosa do universo. Em casa, Edward usava cueca. Ele raramente estava de roupas.
Desde que nos tornamos um casal, seus amigos passaram a chamá-lo para eventos de casais. Todos eles eram comprometidos, noivos, com filhos ou casados. Acho que apenas Edward e Jasper que estavam sem filhos no pacote. Jasper estava na frente. Edward... Iriamos descobrir em breve. Nós passamos a ir a jantares, festas, até mesmo nas noites de jogos e danças, tem sido divertido.
Edward se veste bem, mas ele raramente se vestia daquele jeito.
Lambi meu lábio inferior, comendo-o com os olhos.
— Você está um tesão...
— Não desvia do assunto. — Ele me abraçou, beijei seu pescoço.
— Foi só uma vertigem porque eu não comi o dia inteiro. — Fiz um pouco de charme. — Estou bem agora. Carmen me alimentou, trabalhei e vim para casa. Angela fez um jantar delicioso e estou faminta...
— Parecia faminta de outra coisa...
— Bem... — Desci minhas mãos pelo seu peitoral, o abracei e apertei sua bunda.
— Vamos jantar, sua safadinha. — Beijou minha boca e foi um senhor beijo.
A comida estava ainda mais gostosa do que imaginava e o pudim deixou tudo ainda melhor. Edward compartilhou sobre como foi a rápida viagem até a filial e a conferência foi bastante proveitosa. Disse que muitas pessoas perguntaram por mim. Ele detestava viajar sozinho e eu sabia que era porque Tyler não dava a mínima confiança para as birras dele.
Edward mostrou mais de uma vez o quão feliz estava por estar de volta em casa e eu o fiz me comer contra o balcão da cozinha sem tirar a droga da calça jeans que me deixou toda excitada. Nós fomos para o quarto tarde da noite, a casa era tão grande, tudo ao redor era extremamente silencioso, com cheiro de bom de ar puro e uma vista magnifica para as montanhas congeladas que só o colorado tinha.
Acordei bem antes dele, precisando fazer xixi. Edward estava enrolado de um lado só, com sua camisa azul escura e a cueca preta. Eu não sei bem o que o fez dormir de camisa, mas ele estava reclamando que o quarto ficava muito gelado a noite. Não tinha culpa por ser calorenta.
Saí da cama de fininho e peguei os testes, escondidos no armário do banheiro. Eu segui os procedimentos a risca, terminando de aliviar minha bexiga e peguei meu telefone, gravando o momento em que estava fazendo e em seguida, quando o resultado começou a aparecer e se fixar, estava congelada demais para reagir. Um teste deu o indicador sorrindo, que era claramente positivo, outro... Duas fitinhas rosas. Positivo. E o terceiro, indicou que além de positivo, estava com 5 semanas.
Caramba.
Não sabia muito bem o que pensar... Queria sei lá, gritar, chorar, xingar e apenas conclui que Edward precisava fazer parte daquele momento. Deixei o telefone ainda gravando em uma das prateleiras e fui até o quarto, me sentando na pontinha da cama.
— É muito cedo. — Ele gemeu, não querendo acordar.
— Eu sei, você pode vir ao banheiro comigo?
— Você quer sexo agora? — Brincou e agradeci por não estar filmando naquele momento. Edward era tão bobo. — O que você tem?
— Preciso da sua ajuda.
Sonolento, me seguiu até o banheiro. Acendi a luz, ele bocejou e ficou coçando os olhos como uma criança. Esperava que a câmera não estivesse pegando a protuberância nada discreta da sua cueca. Meu eterno adolescente acordava meio animado.
— Porra. — Edward soltou quando viu os testes. Comecei a roer minha unha do dedo mindinho, nervosa. — Caralho. Os três são positivos? — A voz dele rachou no final. Balancei a cabeça que sim, esperançosa e ele pegou um, olhando de perto e eu fiquei incrédula quando vi as lágrimas caindo por seu rosto. Eram senhoras lágrimas grossas e ele me deu o olhar mais bonito e apaixonado de toda a minha vida. — Ai meu Deus, eu serei um pai.
— Sim, você será.
— Poxa, Bella. — Ele me segurou tão apertado. — Te amo tanto. — E voltou a chorar, soluçando como um bebê. — Eu te amo muito, mulher. Caramba, teremos um bebê! — Sua emoção e alegria me levou as lágrimas mais emocionantes que pude experimentar. Edward ajoelhou na minha frente, com o rosto vermelho, olhos brilhantes e beijou minha barriga totalmente plana umas mil vezes. De repente, ficou de pé e me agarrou, rodando pelo banheiro gritando tão alto que seus pais poderiam ouvir alguns quilômetros a frente. — SEREI PAI, PORRAAAAA!
Rindo do seu estado, abracei-o com braços e pernas.
— Esse é, sem sombra de dúvidas, um dos momentos mais felizes da minha vida. Isabella Cullen, eu te amo. Obrigado por esse presente...
— Obrigada você, Edward. Você é o meu maior presente e esse bebê... Apesar de assustador, só confirma tudo. A minha vida era organizada e certa, mas agora ela é perfeita e do jeito certo.
Edward me colocou no chão e voltamos a olhar os testes como dois bobos. Encerrei a gravação, mandando uma mensagem para clínica médica que tanto Rosalie quanto Alice faziam acompanhamentos para agendar uma consulta. Eu estava me sentindo nas nuvens, meio confusa, mas com uma excitação sem tamanho. Decidimos esperar para contar a nossa família.
O jantar de ação de graças seria apenas em alguns dias, talvez ninguém percebesse se eu não bebesse como costumava. Edward queria ir ao médico, fazer todos os exames iniciais necessários, esperar passar as primeiras semanas para compartilhar com quem amamos. Queria contar a Alice ou a Esme, porque eu não tinha nenhuma referência feminina para passar as dúvidas e ansiedades. Minha mãe estava fora da lista, ela provavelmente faria o mapa astral do bebê e me enviaria pedras exóticas pelo correio. Ela me enviou uma estátua de uma suposta deusa da fertilidade quando fui morar com Edward.
Hum, acho que deu certo.
Mesmo assim, optei por manter esse momento apenas entre nós dois porque... Era o começo da nossa família. Era um desafio, mas eu mudei tanto nos últimos tempos que estava apenas ansiosa, grata e pensando que apesar das minhas paranoias e inseguranças, poderia passar por todas as novidades.
Quem diria... Havia um pequeno ser humano dentro de mim.
