Capítulo 20 – Operação de Resgate

POV Percy

Eu vi deuses, Percy. Presos no Monte Olimpo por gigantes. — disse Rachel, quando finalmente consegui me livrar dos outros e enviar uma mensagem de Íris para ela do meu quarto.

— O quê?!

Eu meio que estou acompanhando o progresso de vocês por visões, e sei que vocês precisam ir para a Acrópole o quanto antes, mas precisam libertar os deuses primeiro.

— Mas... Rachel, são deuses.

Os gigantes estão tendo algumas ajudinhas. E gigantes não podem ser mortos sem um deus e um semideus trabalhando juntos.

Eu suspirei.

Não sei há quanto tempo eles estão lá. Mas vocês precisam libertá-los e derrotar os gigantes que os prendem lá, se quiserem ter alguma chance de impedir Gaia de acordar na Acrópole. E cada hora que os deuses passam lá, eles enfraquecem mais.

— E por que você não disse isso aos outros?

Rachel parecia dividida.

Eles não precisavam saber agora. Você sim. Prepare-se. Você verá coisas lá não muito agradáveis.

Pela cara dela, eu soube: tinha a ver com o Tártaro. Eu realmente não podia ter nenhuma folga. Suspirei e assenti.

— Entendi, Rach. Obrigado pelo aviso.

Vá lá. E lembre-se: você é mais forte do que pensa. E não digo só fisicamente, viu?

Eu não pude evitar sorrir.

— Obrigado Rachel. Vou tentar lembrar disso.

Ela sorriu novamente e se despediu, e eu desliguei a água da pia que estava usando para falar com ela.

E foi bem na hora de um solavanco. Tão grande que eu tive que parar e me levantar do chão, para sair logo correndo para o deque principal.

— O que aconteceu? — perguntei a primeira pessoa que vi, Piper, pendurada de um dos lados do deque.

— Espíritos da tempestade. E monstros. Estão se aglomerando no casco do Argo.

Eu me debrucei no deque para ver melhor, e vi que ela tinha razão. Praguejei enquanto olhava ao meu redor.

— O que podemos fazer?

— Leo está armando as defesas inferiores.

Arqueei uma sobrancelha.

— Temos defesas inferiores?

— Para o caso de isso acontecer. — Disse Leo, aparecendo do nada, e dando de ombros. — Comam poeira, seus comedores de terra.

Eu segurei a risada enquanto Leo apertava um dos botões do Wii, e ouvimos vários gritos e guinchos de monstros. Eu, Piper e Jason olhamos pelo nosso lado do deque e vimos monstros caindo no ar, soltando o Argo.

— De onde eles vieram?

— Passamos por uma montanha agora há pouco. Estamos supondo que eles pularam de lá. O cerco está apertando para nós. — disse Jason.

— Eu pensei que o Argo tinha proteção contra monstros.

— E tem, — disse Leo. — eles não podem entrar no deque, ou no barco. Mas podem agitá-lo pelo lado de fora. E agora que estamos em Roma, bem... tem muitos monstros por aqui.

— Provavelmente seguidores de Gaia. — disse Piper, bufando.

— É, — Jason continuou — temos que ter cuidado.

Assenti e olhei ao redor.

— Onde estão Frank, Annabeth e Hazel?

— Foram para o convés inferior ver se conseguiam tirar os monstros pelas janelas. Devem estar subindo. — disse Piper.

Bem na hora que ela falou isso, os três apareceram.

— Bom truque, Leo. — disse Hazel, fazendo o comandante do Argo corar e sorrir pequeno.

Eu segurei outra risadinha.

— Tudo bem?

Me virei para ver Annabeth ao meu lado, com cara de preocupada.

— Sim.

— Você sumiu antes do ataque...

Suspirei, e aproveitei que os outros tinham se afastado para falar baixinho com ela.

— Fui tentar falar com meu pai. Sobre nossa mudança de rota.

— E?

— Não consegui. Então liguei pra Rachel e ela me disse. — Mordi o lábio. — Só não posso contar a vocês.

Ela não parecia satisfeita com a resposta, mas balançou a cabeça e deixou por isso mesmo. Imaginei que ela sabia que se eu pudesse contar, contaria. Ainda não sabia por quê os outros não podiam saber até que chegássemos ao Monte Olimpo, mas Rachel tinha seus motivos e eu geralmente me dava mal quando duvidava do Oráculo.

— Só espero que seja rápido. Tenho um mau pressentimento. — Annabeth suspirou.

Eu não falei nada, apenas peguei sua mão e a apertei. Eu sentia o mesmo.

~.~

O Argo parou no ar, a alguns metros de distância do Monte Olimpo. Leo tinha ativado o sistema de camuflagem, que ele tinha consertado recentemente, e a ideia era que o navio estivesse invisível aos olhos dos gigantes que estavam no Monte. Sabiamente Leo "estacionou" um pouco abaixo do cume, onde os gigantes estavam reunidos. Esperávamos que ninguém nos notasse.

— Qual o plano? — perguntou Leo assim que o Argo II estava seguramente estacionado e camuflado.

— Tem um templo antigo no topo do Monte Olimpo que costumava ser a casa original dos deuses, há muito tempo — disse Annabeth —, está tudo em ruínas. Vamos nos esgueirar por lá e ver o que os gigantes estão aprontando e tentar impedir.

Ela me olhou de soslaio, sabendo que eu sabia mais do que os outros, e eu apenas assenti. Era o suficiente, talvez.

— E como vamos nos esgueirar? Somos Sete semideuses. Tem dois filhos dos Três Grandes aqui, e o cheiro da gente não é lá muito discreto. Eles vão nos notar. — disse Hazel.

— É verdade. — Concordaram os outros.

Piper parecia nervosa. Eu lembrei da minha conversa com ela.

— Piper? Tem algum problema?

Ela olhou para mim surpresa, mas algo na minha expressão deve tê-la acalmado, porque ela suspirou e respondeu.

— Não é um problema. Creio que eu tenha a solução para nosso problema do cheiro.

Annabeth arqueou uma sobrancelha.

— E qual seria?

— Está no meu quarto. Esperem um minuto.

Ela saiu correndo sem esperar resposta, e ficamos nos olhando, sem entender. Não demorou muito, porém, e ela estava de volta, com um frasquinho pequeno de perfume.

— Esse perfume é um encantamento de Afrodite. Minha mãe me deu há alguns meses, dizendo que eu precisaria. Ele camufla o cheiro de semideus. Podemos usá-lo e não seremos detectados, ao menos não pelo cheiro.

— Isso é ótimo! — disse Annabeth. — Tem tempo de duração?

— Seis horas — disse Piper. — E só é necessário passar um pouco.

— Ótimo. Então problema resolvido.

— E quando chegarmos lá — disse Jason —, o que fazer?

— Precisamos ver qual a situação primeiro, e então precisaremos bolar um plano na hora. — Suspirou Annabeth, e eu sabia que ela estava odiando entrar no lugar sem saber o que esperar.

— Eu tenho uma ideia, mas... — eu comecei a dizer, e todos olharam pra mim. — Foi-me dito que vocês teriam que ver.

— Eu vou matar Rachel quando chegarmos. — disse Annabeth.

Eu não pude evitar a risada. Mas então lembrei do aviso de Rachel e parei de rir tão subitamente quanto tinha começado.

— O que foi, Percy? — Frank perguntou, percebendo minha mudança de humor.

Olhei seriamente nos olhos dos outros e suspirei.

— Vou precisar da ajuda de vocês.

— Em quê? — Jason.

— Rachel também me disse que eu encontrarei algo não muito agradável lá. Eu só posso assumir que seja algo relacionado ao meu tempo no Tártaro. E eu não quero, não posso perder o controle novamente.

— Pode contar com a gente — disse Hazel, colocando uma mão no meu ombro. — Vamos fazer nosso melhor pra te manter aqui, com a gente, sem alucinações.

— Exatamente — finalizou Annabeth. — Estamos com você.

Eu assenti e agradeci.

Jason respirou fundo e foi em direção à saída mais próxima.

— Então, como vamos escalar esse Monte?

Leo abriu o sorriso maníaco dele.

— Festus. — ele disse.

E então eu estava animado de novo.

Não era todo dia que eu tinha oportunidade de montar um dragão de bronze celestial. E mesmo que eu estivesse apreensivo com o que estava vindo, eu não poderia evitar ficar animado.

Leo retirou a maleta de sua bolsa de ferramentas portátil – e eu entendi o que Jason quis dizer em como aquilo era insano – e pressionou o polegar direito em um dos rubis laterais que ficavam na borda da maleta.

— Todo mundo pra trás — disse ele, enquanto a maleta se abria de maneiras que deveriam ser impossíveis, se transformando a cada segundo, expandindo, até se tornar o dragão que eu conhecera apenas horas antes.

— Uau — eu falei quando Festus estava pronto, ganhando cafuné de Leo.

— Hora do perfume! — disse Piper, antes que pudéssemos subir no dragão.

Ela borrifou a coisa duas vezes no pescoço e uma no pulso, esfregando os dois pulsos juntos.

— Façam o mesmo que eu. É suficiente para seis horas.

Ela passou borrifando o perfume encantado e seguimos suas orientações. Eu arrisquei uma cheirada no meu pulso, mas não senti diferença.

— Não sinto diferença. — comentei.

— Você não sente. Mas os monstros vão sentir. Garanto.

— Okay...

Quando todos tinham se perfumado para lutar com monstros – eu esperava mesmo que funcionasse – era hora de subir o Monte.

Leo fez um sinal para Festus, que deixou que ele subisse nele por uma das patas, e logo que ele estava sentado e no lugar, ele acenou para nós.

— Todos a bordo!

Um a um, fomos subindo por uma das pernas de Festus, e nos arrumamos nas costas dele. Quando todos estavam prontos, Festus abriu as asas e levantou voo.

~.~

Festus sobrevoou o Monte Olimpo devagar, camuflado com alguma tecnologia que Leo conhecia, e percebemos que na subida não existiam monstros... e então chegamos ao cume.

O cume do Monte Olimpo original era quase uma cópia mal feita do Monte Olimpo que eu conhecia... aquele encantado que ficava no céu do Empire State Building. Era tudo protegido pela Névoa, mas todos vimos assim que subimos o suficiente.

Parecia uma cidade grega antiga. Pequenos casebres de pedra e granito que quase formavam quarteirões, e ruas de pedra conectando tudo, distribuídos entre as subidas e descidas próprias do cume do Monte. No final, em cima, um templo antigo, enorme, de granito e mármore.

Tudo estava quase destruído. Ruínas que não chegavam nem aos pés do Monte Olimpo atual. Eu supunha que era obra do tempo, e talvez até de guerras passadas. Ia perguntar para Annabeth quando Festus mergulhou, do nada, atrás de uma pequena parte da rocha que serviu como esconderijo.

— O que foi?

— Vimos alguns monstros ali. É melhor se formos a pé daqui pra lá. — Leo avisou, franzindo a testa. — A camuflagem de Festus é boa apenas para longas distâncias. Se voarmos com ele pelas ruínas até chegar ao templo, que é onde eu assumo que precisamos ir, então seremos detectados logo.

— Então é melhor irmos logo. Ainda temos que ir até a Acrópole. — Disse Annabeth, se preparando para descer.

Seguimos ela para fora de Festus, e tão logo todos desceram, Leo desativou seu dragão, com um discreto "até daqui a pouco, amigão" e Festus voltou a ser maleta – e de volta para a bolsa de ferramentas.

Tentei não pensar em qual o tamanho daquela bolsa, afinal, enquanto Annabeth analisava o terreno.

— As ruas parecem relativamente vazias. Ainda bem que as casas menores estão tão horríveis que dá pra saber que não tem ninguém nelas.

— É, mas mesmo assim pode ter monstros escondidos lá. — disse Jason. — Vamos com cuidado.

— Temos o perfume encantado de Afrodite pra nos ajudar. Mas precisamos ser espertos — eu concordei.

Annabeth, então, nos mostrou o caminho que ela queria seguir, e logo estávamos um quase atrás do outro nos esgueirando pelas ruínas do Monte Olimpo.

Era mais íngreme do que parecia, e eu agradeci aos deuses pelas aulas de escalada do Acampamento.

Com exceção de alguns monstros que patrulhavam o caminho, não encontramos nenhum inimigo. Nenhum deles nos viu.

— Esse perfume é maravilhoso — comentou Hazel, baixinho, assim que chegamos às portas do Monte Olimpo.

Todos demos uma risada discreta, concordando.

— Alguém cronometrou o tempo do perfume? — perguntou Jason.

— Eu. — Disse Piper. — Temos bastante tempo. Agora vamos descobrir o que tem lá dentro.

Eu engoli seco.

— Vamos — disse Annabeth. Por ali, as ruínas das colunas parecem estar mais preservadas. Vão ser suficientes para nos esconder até vermos o que tem lá dentro.

— E então saberemos com o que estamos lidando... — murmurou Jason.

Cada um empunhou sua arma enquanto nos esgueiramos para dentro do templo em ruínas. Quando nos aproximamos o suficiente, ouvimos uma risada nada amigável, e outro monte de risadas monstruosas que os acompanhavam.

Eu engoli seco mais uma vez, enquanto percebi como os outros estavam tensos. Passamos mais algumas colunas até chegar quase ao centro do tempo, onde havia uma coluna caída que serviu para que todos ficássemos juntos, numa linha, olhando diretamente para a cena à nossa frente.

— Aqueles são...? — começou Hazel.

Deuses? — perguntou Frank, chocado e parecendo assustado.

Havia cerca de uns vinte deuses numa roda feita com ruínas do templo. Todos trancafiados dentro do que parecia ser um campo de força, com exceção de um, que estava fisicamente paralisado atrás de todos os outros: Poseidon.


Eu não tenho nem como pedir desculpas por essa ausência horrível, mas honestamente achei que nunca conseguiria voltar a escrever nada.

Obrigada a todos que acreditam nessa história e tem me mandado mensagem ao longo dos meses de hiatus s2

Feliz Páscoa.