Capítulo 12 - Cabelos Brancos
Sakura estava fazendo as trocas rotineiras dos curativos de Satoshi, e a cada dia que passava, mas esperançosa ela ficava com a recuperação do caçula. Há 4 dias Satoshi tinha sido transferido da ala da UTI para o quarto hospitalar de recuperação. Seus machucados e arranhões pelo corpo já estavam completamente cicatrizados, enquanto o corte profundo no rosto ainda terminava de cicatrizar — mas Sakura sabia que haveria uma cicatriz no local, começando na bochecha direita e transpassando o olho até a sobrancelha direita. Olhar aquela cicatriz a entristecia, pois Satoshi sempre tivera um rosto angelical, e aquela cicatriz o fazia parecer um garoto sofrido, que havia visto de tudo no mundo ninja.
Sakura tinha muito orgulho de suas cicatrizes pelo corpo, especialmente aquelas adquiridas em grandes batalhas onde ela fora vencedora. Mas aquilo era diferente. Satoshi não era ainda um ninja, e muito menos havia feito missões perigosas como tal. Ele era ainda uma criança, uma criança inocente que ainda estava aprendendo — de uma maneira mais lúdica — o que era ser um ninja.
Ele deveria estar aprendendo a controlar chakra, a lutar, a brincar, a saber trabalhar em equipe, a rir, a provocar os colegas e ser provocado — e não ver tão cedo o quão cruel pode ser a vida de um ninja. Tudo na vida deveria ser feito por etapas, baseadas em seu amadurecimento e crescimento, e ela sabia que uma etapa da vida de Satoshi tinha sido pulada, e ela precisava estar presente quando ele mais precisasse.
Daquele dia, Sakura não colocou outro curativo no corte em seu rosto, pois já não tinha mais nenhum risco de infecção, e também, já era hora deles se acostumarem a olhar aquela cicatriz antes que Satoshi acordasse e percebesse que todos a encaravam. E ela sabia que isso aconteceria.
Depois de tanto observar o corte em seu rosto, Sakura olhou o machucado em seu tórax, a segunda maior que tinha em seu corpo tão pequeno. A cicatriz que se formava ali não era tão grande, e provavelmente quando ele crescesse, seria escondida por pelos que ainda nasceriam no local. Olhar aquela cicatriz a fez se lembrar do susto que havia tomado há 4 noites quando Sarada saiu gritando do quarto dizendo que Satoshi estava engasgando.
"ALGUÉM", Sarada gritara em desespero pelo corredor, havia lágrimas em seu rosto tamanho seu desespero, "MÃE!"
Sakura, que estava descansando ao lado de Sasuke num quarto reservado para funcionários, ouviu os gritos da filha pelo corredor, e entrou em alerta com os gritos.
"Sarada, o que está acontecendo!?", Sakura, se desvencilhou de Sasuke e saiu do quartinho, abrindo a porta com tudo — sendo seguida por Sasuke, que acordou tão rápido quanto ela.
"EU NÃO SEI!", Sarada não conseguia parar de chorar quando viu a mãe entrar no quarto de Satoshi — tudo acontecia tão rápido, pois de repente, mais 2 médicos que estavam de plantão naquele final de noite correram para o quarto devido aos gritos que ouviram de Sarada.
"Não há motivo para tanta gente aqui dentro", apesar do clima pesado de desespero, Sakura estava completamente calma com o ocorrido. Sarada estava petrificada na porta, até notar uma mão em seu ombro, e ela não precisava olhar para trás para saber que era seu pai do seu lado.
"Está tudo sob controle", ela continuou, e mesmo falando aquilo, Sarada ainda via o irmão engasgando e movimentando o corpo sem parar, assustando-a ainda mais, "Isso vai passar", ela ouviu a mãe falar baixinho, e ela percebeu que a mãe conversava com Satoshi.
Quando os médicos que entraram no quarto se afastaram da maca de Satoshi, Sarada observou quando a mãe retirou um enorme cano de silicone que estava dentro da boca de Satoshi, e no momento que ela tirou completamente aquilo, o irmão se acalmou, e até mesmo tossiu um pouco de sangue depois de ter aquele enorme tubo retirado de dentro de si.
"Agora está melhor, não?", ela ouviu a mãe murmurar para Satoshi, passando sua mão esquerda pelo rosto do irmão, como se tivesse o acalmando do acontecido. Sakura então olhou para os médicos, "Eu quero o prontuário dele para fazer uma atualização"
"Mas Tsunade-sama disse…", um dos médicos começou mas foi cortado por Sakura.
"Eu me resolvo com Tsunade depois. Por favor, eu quero o prontuário dele", apesar da educação, Sakura soava como uma leoa prestes a dar o bote.
Vendo que não havia discussão, os médicos se retiraram do local, deixando Sakura, Sarada e Sasuke sozinhos no quarto.
"Não há nada de errado, Sarada", Sakura murmurou gentilmente para a filha, mas ainda olhando para Satoshi, "Muito pelo contrário, está tudo certo", ela então olhou para a filha e o marido ainda parados de frente com a porta, "Ele está respirando sozinho", ela murmurou, um sorriso enorme no rosto, "Satoshi não precisa mais de ajuda para respirar".
Aquele susto fora uma das melhores coisas que havia lhe acontecido. Aquilo queria dizer que Satoshi estava se recuperando cada vez mais — o filho já era capaz de respirar sozinho. Fazia duas semanas do atentado, e até o momento, apesar de não estar acompanhando as investigações sobre os responsáveis, Sakura estava feliz por pelo menos ver o filho se recuperando cada dia mais.
Tsunade havia conversado com ela dias atrás, dizendo que a prótese de Satoshi estava quase pronta, e que até em 3 dias elas poderiam estar fazendo o reimplante — e mesmo que Satoshi não acordasse, elas poderiam fazer fisioterapia para não deixar os músculos atrofiarem, pelo menos até que Satoshi acorde e consiga ele mesmo realizar os exercícios. Aquela notícia também havia animado Sakura, pois ainda era difícil olhar para a falta do membro esquerdo do filho.
"Posso saber o porquê você está assustando os médicos responsáveis pelo seu filho?", ela ouviu a voz de Tsunade pela porta do quarto de Satoshi. Ela estava terminando de trocar o último curativo — abaixo de seu joelho esquerdo, onde deveria ter um membro.
"Eu já disse que eu mesma posso cuidar dele", Sakura respondeu categórica.
Tsunade suspirou, mas parecia irritada com aquela resposta, "Eu sei de todas as suas capacidades Sakura, e sei muito bem que você daria conta desses hospital inteiro se quisesse. Mas isso aqui não é um caso comum. É seu filho que está aqui, e não um paciente rotineiro. Pare de ser teimosa e deixe quem eu comandei fazer o trabalho! Eles tem medo até mesmo de chegar perto quando você está aqui"
"Bom saber", Sakura prontamente respondeu.
"Sakura, eu posso pedir uma medida para te proibir até mesmo de entrar nesse quarto. Vocês já tem muitos privilégios aqui dentro. Vocês entram quando quer, saem quando quer. E até mesmo dormem dentro dos quartos dos funcionários!"
"Não seja por isso, Sarada e Sasuke-kun podem dormir no sofá do meu consultório, é só 2 andares para cima mesmo", Tsunade não estava gostando nem um pouquinho daquele tom.
"Você poderia pelo menos entender os problemas que podemos enfrentar se saberem dos seus privilégios dentro desse hospital? Sakura, você mesma quem fez parte do conselho para a formação dessas regras! Elas não se aplicam para você?", Sakura ponderou sobre as palavras de sua ex-mestra, e com um suspiro, percebeu que estava errada em discutir sobre aquilo.
"Me desculpe… é que…"
"Você está agindo como mãe, e eu entendo isso", Tsunade a cortou, mas parecia mais calma, "E assim como você está agindo como uma, eu também estou agindo — ou quem você acha que acabou lhe dando liberdade demais nesses últimos dias?", Tsunade deu um sorriso torno para sua ex-discípula.
Vendo que Sakura não tinha mais nenhum argumento, notando que sua eterna pupila olhava para Satoshi, se aproximou da maca, e tocou a testa do garoto com sua mão direita.
"Ele é um garoto forte", e então, após minutos ali parada, Tsunade deu as costas, e antes de sair pela porta, falou mais uma vez, "Deixa pelo menos os médicos que designei trabalharem, para eu pelo menos conseguir disfarçar".
"Sim, Shishou", Sakura respondeu, com um ar derrotado.
Quando Tsunade saiu pela porta, Sakura tocou a mão direita de Satoshi, "Eu irei comer algo, mas não demoro. Talvez seu pai venha logo ficar com você, ok?", seu tom de voz era doce, "E mais tarde, Sarada também virá — não deixaremos você sozinho nunca", e dizendo isso, se retirou do quarto — mas algo logo chamou sua atenção.
Do final do corredor, perto da bancada onde ficava a secretaria e a ala das enfermeiras, ela viu uma garotinha de cabelos brancos, e conforme Sakura se aproximava, ela logo reconheceu a dona dos cabelos cor de neve.
Inoue.
Quando Inoue notou Sakura, ela logo ficou com as bochechas rubras, e Sakura a viu cutucar alguém ao seu lado, como se tivesse chamando a atenção para olhar também.
"Oi, Inoue-chan", Sakura cumprimentou a garotinha — que ela já se apegara nos últimos meses. Ela notou que a pequena segurava uma pequena camélia vermelha em suas mãos. E apesar de muito tímida, ela cumprimentara Sakura de volta com um aceno de cabeça.
"Sakura-san"
"Ren-san", Sakura cumprimentou de volta a avó de Inoue.
"Estávamos conversando com as secretárias do hospital sobre visitar Satoshi-san, mas não sabíamos que ele não podia receber visitas", Sakura então olhou para a secretária do hospital que não sabia onde enfiar a cara.
Agora ela entendia o que Tsunade queria dizer.
Parecia que todos os funcionários do hospital estavam pisando em ovos com ela, e a culpada era ela mesma.
Ela parecia que atacaria qualquer um que fizesse qualquer coisa minimamente errada. E os funcionários já conhecendo seu gênio, optavam em evitar qualquer conflito.
Ela precisava se controlar um pouco, caso contrário, o conselho do hospital iria arranjar todas as desculpas possíveis para a tirar do comando do hospital infantil — alegando que ela não tinha condições de administrar tudo aquilo. E não havia Tsunade ou Naruto que poderia a salvar daquela problemão.
"Eu fico grata de terem vocês aqui, e fico muito feliz de ver você, Inoue. Como você está?", Sakura se ajoelhou para ficar da altura da menina, olhando-a carinhosamente.
"Eu estou bem, Sakura-obaasan", a menina estava bem vermelha, mas parecia que estava juntando coragem para dizer algo, e Sakura a esperou pacientemente.
"E-eu trouxe isso… para o T-Toshi-kun", ela disse ao estender a camélia vermelha em suas mãos. Mas Sakura negou com a cabeça e se levantou, estendendo sua mão direita para Inoue, estimulando-a a segurar. No mesmo momento, Sakura olhou para Ren, como se pedindo permissão, mas a senhora apenas acenou com a cabeça em concordância.
"Vem entregar você mesma para ele", Sakura esticou mais o braço para Inoue, que olhou rapidamente para a avó, e em seguida para a mão estendida de Sakura, e então, segurou sua mão, deixando-se ser guiada até o outro lado do corredor.
˜˜˜•˜˜˜
"Ele está dormindo", Inoue disse baixinho para Sakura, logo que entrou no quarto, e Sakura quase riu da inocência da pequena. Ela não fazia ideia se um dia o filho iria acordar, mas para uma criança da mesma idade, ele estava apenas dormindo, e talvez acordaria no final do dia — aquela inocência de Inoue fez com que as esperanças de Sakura crescessem ainda mais.
"Sim, ele está, mas não tem problema você deixar o que veio deixar para ele, quando ele acordar, eu digo que você deixou um presente para ele", Sakura a estimulou.
Sakura viu que Inoue observava tudo. Tanto o quarto completamente branco, com grandes janelas de vidro que davam vista para o parquinho do hospital infantil como também para Satoshi, que apesar não ter mais nenhum curativo em si, a cicatriz em seu rosto era evidente.
Inoue se aproximou de Satoshi, e então, colocou a camélia vermelha no criado mudo que ficava a direita dele — próximo de seu rosto, e então deu pequenos passos para trás, e Sakura pode ver que ela mexia em alguma coisa em seu bolso direito.
"Sakura-obasan", Inoue a chamou, e apesar da fala mais firme, suas bochechas ainda estavam vermelhas, "Você pode entregar isso para o Toshi-kun quando ele acordar? Eu… ia entregar para ele, no dia….", Inoue não conseguiu terminar a frase, e Sakura entendeu exatamente como ela queria terminar a frase. No dia que aconteceu aquilo tudo.
"É claro que eu entrego", Sakura pegou o envelope da mão de Inoue, e o segurou, olhando para o envelope com curiosidade, e Inoue logo acrescentou, "Você pode olhar, eu deixo você olhar", a forma como Inoue disse aquilo, era como se ela confiasse em Sakura. Sakura se deliciava com tamanha inocência, e sempre ficava maravilhada de ver a interação entre Inoue e Satoshi. A forma como a garotinha havia mudado o filho em tão pouco tempo era impossível de ser ignorada.
Satoshi era uma criança maravilhosa e alegre, mas ele tinha suas manias e mimos. Satoshi não dividia seus brinquedos com ninguém, e nunca gostou que ninguém tocasse em suas coisas, e ela percebeu como Inoue havia mudado ele naquele aspecto.
Satoshi não fazia mais manhã na hora de comer por não gostar de alguma comida, dizendo que ele já era "um homenzinho" para ficar reclamando. Satoshi não era mais mesquinho com suas coisas, juntando brinquedos que ele não brincava mais para que a mãe doasse para quem precisasse. Ela não recebia mais reclamações da Academia sobre Satoshi estar tirando o sarro de algum colega no recreio. Satoshi estava mudando, e amadurecendo, e Sakura podia ver que Inoue estava causando aquilo.
Sakura teve algumas oportunidades de os observarem quando ela trazia eles ao parquinho do hospital, e era visível também o quão a tímida garota de cabelos brancos e mecha dourada mudara. Antes muito tímida, Inoue interagia mais com as outras crianças, tomando a atitude de ser até mesmo a líder quando brincavam, e cada vez sendo mais ativa do que passiva durante as conversas. Antes ela notava que era sempre Satoshi que iniciava uma conversa, mas com o tempo, ela notara que Inoue começara a puxar conversa também.
Quando Sakura pegou na mão da garota para levá-la até a avó novamente, Inoue logo disse para Sakura, "Eu vou trazer o Buggy para o Satoshi, talvez ele o ajude com os pesadelos"
Sakura paralisou com aquela frase. Pesadelos. Era óbvio que Inoue tinha pesadelos devido ao trauma que havia passado, e ela sabia que quando Satoshi acordasse, ele também lidaria com aquilo. Mas a palavra "Buggy" havia a deixado curiosa.
"Por que o Buggy ajudaria?", ela quis saber.
"Satoshi disse que o Buggy é mágico, e que ele tira os pesadelos quando dormimos com ele. Ele tem me ajudado muito, mas meus pesadelos estão melhorando, então eu vou trazer para ajudar o Satoshi", Inoue disse na maior inocência que uma criança de 5 anos poderia ter.
Sakura sabia quem era Buggy. Se elas estivessem falando da mesma coisa, Buggy era um leão de pelúcia que Satoshi havia ganhado de Sarada em seu aniversário de 3 anos. Satoshi andava com aquele leão para cima e para baixo, e Sakura havia notado que há alguns meses, ela não o via mais com o leão, e ela imaginava que era porquê ele já se achava grandinho para andar com aquele leão por qualquer lugar.
Buggy não estava desaparecido em alguma caixa de brinquedo de Satoshi — ele havia dado o leãozinho para uma amiga, com a desculpa de a proteger de pesadelos.
"Tem razão Inoue, eu também acho que o Buggy ajudaria", ela respondeu dando um sorriso gentil para a menina.
˜˜˜•˜˜˜
"Obrigada por deixá-la vê-lo", Ren agradecia Sakura enquanto Inoue brincava no parque do hospital infantil.
"Sou eu quem devo agradecer por vocês terem vindo", Sakura prontamente disse a senhora Hyuga, "Satoshi ficará muito feliz quando ele acordar e saber que Inoue veio o visitar", a senhora Hyuga podia estar velha, mas ela sabia quando algo não estava completamente certo.
"Seu menino não acordou ainda não é?", ela perguntou sutilmente a Sakura, que abaixou os olhos, mas concordou com a cabeça.
"Tenha fé, minha jovem. Eu posso ser apenas uma velha agora, mas vivi muito nessa vida, e se há algo que eu aprendi nesses longos anos: tudo pode acontecer — e quando menos esperamos"
Sakura sorriu para a senhora, sentindo toda a sinceridade de suas palavras. Ren Hyuga era completamente o oposto de seu marido. Ela era uma senhora amorosa, gentil e altruísta — e Sakura nunca conseguia raciocinar como aquela senhora acabara com alguém tão egoísta, mau humorado e agressivo como Hyaru Hyuga.
"Eu esperarei para trazer Inoue novamente", a senhora disse, e deu sinal que ia se retirar do local, quando Sakura a chamou novamente.
"Eu não me importo se Inoue quiser vir todos os dias, na verdade, acho que faria bem a Satoshi — mas é claro, se a senhora não se importar"
"Eu não me importo", ela respondeu de prontidão, "A noite passada foi a única desde a tragédia que Inoue não teve pesadelos, e creio que foi por eu dizer que hoje eu a traria para ver Satoshi".
Saber que aquela menina tão doce tinha pesadelos horríveis com o ocorrido, a fez se lembrar da ala que tratava de saúde mental do hospital — que ela mesma havia fundado há anos atrás.
"Inoue poderia fazer acompanhamento psicológico aqui, há especialistas somente com trauma infantil, e isso a ajudaria muito. Ela já deveria estar acompanhando, para ser sincera"
Aquilo parecia inflingir a senhora Hyuga de alguma maneira, e Sakura pensou que aquilo talvez fosse pelo preconceito que ainda existia com o tratamento de saúde mental. Ela sabia que havia pessoas que achavam que tratar da saúde mental era somente para quem tinha distúrbios ou problemas mentais, mas Sakura lutava todos os anos contra esse preconceito, preconizando que tratar da saúde mental era importante para todos os indivíduos, até mesmo aqueles que não possuíam nenhum trauma.
Tratar da saúde mental, era tratar da saúde física e espiritual.
"Talvez eu trazer Inoue aqui todos os dias, possa ser uma desculpa para que eu também consiga a levar a atendimentos especializados aqui no hospital", a senhora Hyuga então respondeu — e Sakura havia entendido o que ela queria dizer. Não era ela que não queria Inoue fazendo tratamentos psicológicos, era seu marido.
"Ninguém irá saber disso, Ren-san, deixe isso comigo", Sakura a assegurou, e a senhora então se retirou, não antes de acenar em agradecimento.
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"Satoshi recebeu uma visita hoje"
Sakura puxou assunto logo que viu Sasuke entrar no quarto de Satoshi, e pelo aspecto de seu cabelo, dava para ver que ele havia acabado de tomar um banho.
"Naruto veio aqui?", Sasuke imaginou.
"Ele veio sim, mas não era do Naruto que eu estava falando", mas aquele também era um assunto que ainda gostaria de ter com o marido. Era impressão dela, ou Naruto sempre aparecia no hospital conscientemente quando Sasuke não estava? Ela tentou arrancar alguma informação do amigo, mas a tentativa fora em vão. Com Sasuke talvez ela teria sucesso.
Sasuke se aproximou do sofá que Sakura estava sentada, que ficava de frente com a maca onde Satoshi estava acamado, e antes de sentar, notou que no criado mudo que ficava a direita do filho, tinha um jarro com uma camélia vermelha. E quando sentou-se no sofá, notou que Sakura segurava um envelope branco em suas mãos, deixando-o curioso.
"O que é isso?"
"Não sei exatamente, mas deve ser algum recado ou algum desenho que Inoue fez", Sasuke estendeu a mão para pegar o envelope mas Sakura o impediu.
"É do Satoshi, ele quem vai abrir"
"Não está curiosa de abrir?"
"Estou, e mesmo tendo autorização da própria Inoue de ver o que é isso, eu não vou olhar, não vou tirar esse direito do Satoshi", Sakura começou a dizer, "Ela queria dar esse envelope para ele, e então me pediu para entregar quando ele acordasse", Sakura disse aquilo de maneira triste, olhando o filho a sua frente, "Eu não tive coragem de dizer a ela que Satoshi ainda não havia acordado, ela parecia tão feliz de vê-lo — e o pior, eu sugeri que a avó a trouxesse todos os dias para vê-lo, e eu me sinto completamente egoísta por isso. Isso fará bem para Satoshi, mas isso fará bem para ela?", Sakura não sabia se havia feito uma escolha certa naquela manhã, e aquilo havia a perseguido por toda a tarde.
"Você não é egoísta", Sasuke murmurou.
Sabendo que aquele assunto não daria em nada, ela resolveu provocá-lo com sua atitude de segundos atrás.
"Desde quando você é curioso?", ela balançou o envelope em suas mãos, sorrindo maliciosamente para marido.
"Não seja irritante, Sakura, eu só queria saber do que se tratava"
"Então você É curioso", ela riu — e apesar da provocação, Sasuke sorriu. Fazia dias que ele não a via rir daquela maneira.
"Quando ele ver isso, ele vai me mostrar", Sasuke disse num tom brando, mas Sakura conhecia aquele tom melhor do que ninguém, ele estava a provocando.
"O que você quer dizer com isso? Satoshi te fala sobre Inoue?", mas logo que ela perguntou, Sasuke se levantou do sofá e foi em direção a porta.
"Eu vou pegar um pouco de café"
"Sasuke Uchiha, volta aqui"
"Quer que eu traga café para você também?"
"Não me ignore"
"Eu já volto"
"Sasuke!"
Chamá-lo sem o pronome de tratamento fora em vão. Ela viu o sorriso satisfeito que ele tinha estampado na boca quando fechou a porta. E pior, agora ela sabia que Sasuke sabia coisas que ela não sabia.
E isso a deixava tremendamente frustada.
