23

Edward.

Andei assobiando pela empresa com meu fone no ouvido e ouvindo o som mais lindo do mundo. O coração do meu bebê. Bella e eu fomos capazes de obter através de uma ultrassonografia ontem a tarde e desde então, é tudo que consigo ouvir. Meu bebê, que ainda não é possível saber o sexo por imagem, está crescendo saudável no ventre da mulher que amo e escolhi passar o resto da minha vida. E agora, ela estava me dando o presente mais belo de todos: um filho.

No momento, ela estava em seu momento de glória. A hora mais feliz da sua vida, é quando está sendo uma cadela no trabalho. Era por isso que estava andando para longe, me afastando dos seus grunhidos irritados que eram muito sexys. Bella estava concentrada em uma série de relatórios dos últimos meses, analisando cuidadosamente a denúncia sutil feita por Mike Newton. Nós ainda não entendemos exatamente o que estava errado, mas... Havia algo desconexo.

Mike implorou para a auditoria ser silenciosa, ele era próximo do Embry e do Jacob e não queria parecer que estava querendo queimar seus amigos, eu entendi e acatei. Não estava interessado em causar rixas entre meus funcionários, apenas descobrir o que estava saindo sutilmente bem debaixo do nosso nariz.

Empurrei a porta da sala do meu irmão, sem bater, porque queria irritar alguém e a médica foi clara em deixar a Bella calma e feliz. Na verdade, ela disse "deixar a mamãe calma e feliz". Obviamente, ela estava apavorada com toda essa história de gravidez, de ser mãe e com a gestação, mas a cada medo, eram dois sorrisos. Ela estava feliz, cheia de expectativas e paranóias, mas o fato de a Alice estar grávida ajudava bastante.

— Não sabe bater na porta? — Emmett ergueu o olhar do documento que lia.

— A empresa é minha. — Debochei ciente que aquilo ajudaria a esquentar seu sangue.

— Babaca. — Emmett tossiu e sorri, parando contra a sua janela. — O que você quer?

— Andando por aí, analisando as coisas. — Continuei olhando para janela, porque da sala do Emmett, eu tinha uma visão intensa da sala do Jacob. Ele estava com a porta fechada, com as persianas da janela para o corredor fechadas, mas ele não deveria saber que naquela parede havia um vidro. A arquitetura do prédio era cheia de janelas falsas.

Fiquei parado, olhando usar o leitor de digitais.

— Você não tem uma câmera fotográfica aqui, tem?

— Na verdade... Não. — Emmett jogou as folhas para o lado. — O que tem o filho da puta? — Parou atrás de mim.

— Eu queria olhar a sua tela e ver o que está fazendo. Não gosto dele e infelizmente não posso demitir apenas porque não gosto dele. — Resmunguei e então, ouvi um pigarro.

— Você está passeando pela empresa e conversando besteiras com seu irmão enquanto eu faço todo trabalho duro? — Bella me deu um olhar zombeteiro e cruzou os braços. — Estou com fome. Você disse que ia pedir o almoço.

— Desculpa, baby. — Abri um sorriso que considerava irresistível. — Eu vou pedir agora mesmo.

— Esquece, já fiz isso. Oi, Emm. O que vocês estão olhando? — Parou do nosso lado. — Humpf. — Deu as costas e voltou para o corredor. Fiquei olhando para sua bunda como um tarado, porque não podia resistir e meu irmão bateu no meu ombro.

— Sexo no escritório?

— Foda-se, idiota. Então, vou pegar as meninas para um dia divertido sem vocês dois na minha casa.

— Só se elas ficarem para dormir. Preciso de um tempinho com a minha esposa. — Balançou as sobrancelhas.

— A vontade. — Sorri e sai da sua sala. Em breve, ele precisaria me pagar todas as noites que tomei conta das meninas desde que elas nasceram.

Encontrei o entregador do nosso almoço, paguei a compra e lhe dei a gorjeta, passando pela sala da recepção e acenei o saco de comida para minha noiva grávida, que saiu do seu lugar na velocidade da luz e me seguiu para minha sala. Arrumei minha pequena mesa do café com suas exóticas escolhas para o almoço.

— Comida mexicana? — Questionei ao pensar em comer aquilo tudo apimentado naquela hora do dia.

— Eu pensei que tacos, guacamole e chili era tudo que queria para viver. — Ela parecia sedenta e eu sabia que aquilo tudo ia resultar nela curvada no sanitário do escritório. — Você quer um pouco?

— Pensei que fosse para dois?

— E eu pensei que você pediria o almoço. — Ela deu os ombros e começou a comer, enfiando um taco quase inteiro na boca, escorrendo queijo e carne pelo seu queixo. Ela não estava se importando. A Bella não grávida estaria surtada em ficar suja no seu ambiente de trabalho. A Bella grávida com fome estava pouco se importando.

Peguei um taco e um sanduíche do frigobar, abrindo duas garrafas de água porque do jeito que aquilo estava picante, precisaria beber um galão inteiro.

— Hum, pimentas extras. — Ela gemeu, enfiando um bocado de chili na sua torrada. — Quer um pouco?

— Não, baby. Está satisfeita?

— Muito. — Continuou comendo.

— Nós vamos sair mais cedo hoje, está bem? Vamos buscar as meninas...

— Rose me ligou. Estou empolgada em ficar com as meninas! — Bella sorriu. Já fazia algum tempo que as minhas sobrinhas pediram para ter uma festa do pijama lá em casa. Eu estava ocupado demais para recebê-las, mas Bella ficou empolgada porque adorava as meninas, ainda mais agora que ela ganhou o apelido de Tia Bell.

Fomos ao mercado e compramos um monte de coisas, além de brinquedos e filmes. Era uma pena que estivesse tão frio, mesmo com a piscina aquecida, Rosalie arrancaria as minhas bolas se deixasse as meninas na água.

Parecia que o desejo por comida mexicana era real, porque a Bella ficou incrivelmente bem humorada a maior parte do dia. Ela cantarolou na frente do computador, balançando a cabeça e tudo. Ainda não existia nenhum sinal visível da gravidez, apesar de ela estar com oito semanas, tudo que sentia era sono, enjoo, muito enjoo, náuseas, azia e um humor volátil. Mesmo assim, nosso bebê trazia sorrisos imensos ao seu rosto. Ela estava muito assustada, preocupada, ficava fazendo pesquisas sobre a gravidez.

Como ela e Alice conversavam muito e trocavam intimidades, alguns dos seus sintomas mais bizarros eram aceitos com tranquilidades. A única coisa que tem incomodado é a dor nos seios. Ela nem quer usar sutiãs ou que eu encoste neles. Após encerrar o dia, enviei uma mensagem para Illya. Estava mantendo esse negócio a olho vivo e bem de perto, principalmente porque não confiava em Aro Volturi.

— Você está cansada? — perguntei ao vê-la bocejar no carro.

— Sempre sinto sono no caminho para casa. — Ela me deu um olhar doce e eu pensei que era a mulher mais bonita do mundo inteiro. — Faz muito tempo que não vamos para casa juntos.

— Eu sei, não consigo sair da empresa tão cedo...

— Mas se acha no direito de me expulsar sempre que encerra o meu horário?

— Carmen é quem precisa ficar até mais tarde e a nova assistente, quando chegar, fará o mesmo. Você precisará treiná-la para ficar no seu lugar durante sua licença maternidade. Como seu chefe, vou enlouquecer sem você na empresa, mas como seu noivo, espero que tenha uma longa licença porque o nosso bebê irá precisar muito mais de nós em casa do que trabalhando.

— E a sua licença?

— Irei ficar um mês em casa. Você precisa me dizer se prefere que fique duas semanas do fim da gestação e as duas primeiras semanas do bebê ou um mês após o nascimento. O segundo mês irei reduzir minhas horas de trabalhando, saindo às 15h sempre que possível para estar em casa com você até que consiga voltar ao normal. Farei bastante trabalho remoto, mas pelo menos estarei em casa e não vou agendar nenhuma viagem. — Segurei sua mão e beijei. — Vou pedir ajuda aos meus irmãos.

— Tudo bem. Eu acho que vou preferir você em casa após o nascimento do bebê, mas eu não sei com toda certeza agora.

— Temos tempo. — Beijei sua bochecha e ela pegou seu travesseiro, que tanto Tyler quanto Liam carregavam no carro para que ela pudesse dormir confortável, recostada ao vidro.

Ao chegarmos em casa, ela foi direto para cozinha olhar o que tinha para o jantar. Rosalie e Emmett trariam as meninas após o jantar de família deles – que era toda sexta-feira – e viriam buscá-las após o almoço amanhã. Apesar de todas as brincadeiras que ambos faziam sobre ter filhos, não conseguiam ficar longe delas e muito menos renunciavam às suas responsabilidades como pais.

— Você quer um lanche? — Bella apareceu na sala, descalça, com seu cabelo preso e a blusa para fora da calça. Neguei, olhando-a ficar à vontade em casa. — Eu vou fazer um sanduíche para mim.

Andei atrás dela apenas para verificar sua comida. Ela pegou o bacon e eu guardei, deixei o presunto e o queijo, mas tomei o pote de mostarda e maionese da sua mão antes que aquilo virasse uma confusão picante. Assim que ela alcançou as pimentas, eu arrematei e escondi.

— Burro. — Resmungou dando uma boa mordida. Servi um copo de suco de laranja e coloquei na sua frente.

Após comer, ela subiu para ligar para seu pai e em seguida, tomar banho. Era a sua rotina e sempre lhe dava privacidade, então, segui para o escritório, colocando em ordem algumas pastas e arquivos que ainda precisavam ser arrumados. Levei um tempo, jogando folhas antigas fora e colocando meus livros no lugar até que ouvi os passos suaves da Bella aproximando-se do escritório. Seus cabelos estavam molhados e usava um conjunto de moletom com uma camisa branca.

Seu perfume chegou em mim antes dela. Dei espaço para sentar-se no meu colo.

— Você não vai tomar banho? As meninas já estão comendo, devemos jantar também e nos preparar para recebê-las. — Me deu um beijo na bochecha. — Vou descer e aquecer a comida.

— Você levou horas no quarto, só tomou banho agora?

— Estava falando com a Alice, depois a sua mãe, quase uma hora com meu pai e por fim, fiquei de bobeira nas redes sociais deitada na cama. — Sorriu e saiu do meu colo. — Vá se limpar, anda.

— Você não manda em mim. — Pontuei com um sorriso.

Bella parou na porta e me deu um olhar brincalhão.

— Quem disse que não?

Balancei a cabeça, seguindo sua ordem, tomando um banho e pegando uma calça de moletom, uma camisa, vestindo, passei uma mão no cabelo e desci a escada em passos rápidos.

— Angela fez milho assado, que delícia. — Espiei o forno. — Hum, a carne parece incrível.

— Arrume nossos lugares, vai ficar aquecido em alguns minutos.

— Como está o seu pai? — Peguei os pratos, os apoiadores e coloquei no balcão mesmo. Como ela não estava bebendo mais vinho, uma taça para mim e copo de suco para ela. Peguei a salada, o milho já aquecido e servi o arroz nos nossos pratos.

— Acho que ele tem uma namorada. — Bella comentou tirando a carne do forno, me entregou a faca e enquanto cortava as fatias, ela cortou os pães. Olhei-a esperando que ela terminasse o assunto. — É a terceira vez que ele diz estar em casa e sem querer, ouço a voz de uma mulher no fundo.

— E está tudo bem para você?

— Acho que sim. É estranho pensar no meu pai namorando, mas, ele passou tanto tempo sozinho que espero que seja verdade. Só não sei como abordar o assunto, vou deixá-lo ficar a vontade para me contar. — Colocou os pães entre os nossos pratos. — Já pensou? Meu pai namorando! — Sorriu e percebi que ela estava realmente feliz. — Não sei como ele vai reagir sobre o bebê, mas acho que ficará feliz, assim como ficou com o noivado.

— É claro que seu pai ficará feliz. — Beijei a sua bochecha.

Nós compartilhamos o jantar e eu adorava vê-la comendo tão bem. Era diferente a maneira como ela encarava uma refeição e eu estava louco para ver a sua barriga crescer. Assim que terminamos de lavar a louça, meu irmão buzinou na entrada e minhas sobrinhas gritaram logo que abri a porta da frente. Elas correram na minha direção, agasalhadas, com bonecas nos braços e eu agarrei as duas ao mesmo tempo.

Ambas cheiravam muito bem e fui atacado por beijos.

— Tia Bella! — Carrie gritou para minha noiva.

— Vocês se comportem, crianças. — Emmett berrou. — Oi, cunhada.

— Nós vamos nos divertir. — Bella estava com um sorrisão no rosto. — Dêem tchau para o papai, meninas.

Minhas sobrinhas estavam ansiosas para se despedir do Emmett, que sorriu e falou que sua esposa estava esperando-o para um encontro quente. Sempre cuidei das meninas, desde pequenas, porque eu adorava ser o tio favorito – embora Jasper discorde profundamente dessa parte. Ter uma noite de pijama acompanhado era muito diferente. Bella preparou sanduíches, pipoca e gelatina.

Nós assistimos filmes, filmei as três pintando uma a outra com maquiagem e fazendo tranças. As gargalhadas ecoavam pelos quatro cantos da casa e como era uma festa, não havia hora de dormir. Mas elas ficaram cansadas após brincar no pula-pula inflável que montei em uma das salas que ainda estavam vazias. Elas tomaram banho juntas e nos deitamos na minha cama para assistir Moana.

Não levou vinte minutos para as duas pestinhas e a grávida estarem no profundo sono. Eu não trocaria nada daquilo. Enviei uma foto para o grupo da família, assim como muitas outras da bagunça.

De manhã cedo, um dedinho gelado enfiou no meu ouvido.

— Acorda, tio Edward! — Carrie gritou no meu ouvido.

Foi um pesadelo dormir com as duas na cama. Elas chutavam e se mexiam como verdadeiras lutadoras de muay thai. Minhas costelas estavam doloridas. Abri os olhos e me deparei com as duas em cima de mim, ambas com hálito de chocolate quente.

— A Tia Bella mandou te acordar. — Claire falou com doçura. — Ela disse que o café da manhã está pronto e é melhor você estar lá embaixo quando ela servir os ovos.

— Sua tia pensa que é muito engraçadinha. Vamos comer!

A bagunça no café-da-manhã deixou a mesa praticamente virada. Bella preparava as melhores panquecas do mundo, quando ela derretia o chocolate e misturava com algumas frutas, era a minha completa perdição. Desde que começamos a namorar, parei de beber drasticamente, ficando na bebida social e comendo mais. Tinha todas as refeições ficava apenas no vinho. Na minha última pesagem, estava com oito quilos a mais e a Lauren reclamando que estava perdendo massa muscular por malhar menos.

Rosalie e Emmett chegaram mais cedo.

— Vocês se divertiram, meninas? — Rose abraçou as duas ao mesmo tempo.

— Tia Bella nos deu bala de goma! — Carrie gritou.

— E nós usamos maquiagens! — Claire adicionou na mesma alegria.

— Parece que foi divertido. — Rose sorriu. — Então, para fins de treinamento vocês falharam miseravelmente em dar doces a elas. — Brincou. — Obrigada pelo carinho. Nos vemos semana que vem, vou chegar cedo para te ajudar. — Rose abraçou a Bella bem apertado e me deu um beijo na bochecha.

— Nós vamos nos sair bem quando for a nossa vez, certo? — Bella me abraçou e beijei seus cabelos, descendo minha mão para sua bunda. — Parece que o papai quer brincar com a mamãe agora.

Não consegui esconder meu sorriso ao ouvi-la se referir a nós como papai e mamãe. Ela podia estar apavorada e insegura, mas não estava sendo negativa com a melhor fase das nossas vidas.

— Só se a mamãe estiver sentindo-se bem.

Com um sorriso emocionado, me olhou.

— Estou perfeita.

Arrastei-a para o quarto e tivemos uma festa extremamente produtiva. Com o ritmo dos seus enjoos, sexo era uma memória de duas semanas antes, mas eu não estava me importando. Antigamente, seria um babaca sobre isso e no momento, tudo que conseguia pensar era que o seu corpo estava carregando a pessoa mais importante do universo e por isso ela tinha que ser adorada e mimada.

Nós ficamos na cama, de preguiça, assistindo filmes e aproveitando a rara folga. Pedi pizza para o jantar, arrumamos mais alguns livros do meu escritório e voltamos para cama quando ela claramente ficou entediada, com preguiça de se mover. Eu amava cada um dos nossos momentos, podia ser cedo para dizer, mas tudo que ela pensou que aconteceria sobre brigarmos por espaço e enjoar do outro não estava acontecendo.

— Você está bem? — Perguntei ao sentir sua bunda se esfregar contra mim.

— Estou apenas me acomodando. — Pegou minha mão e colocou na sua cintura. — Você está do meu lado da cama...

— Aqui é mais... Gostoso. — Beijei seu pescoço. — Principalmente com a sua bunda tão bem acomodada aqui.

— Eu sei, mas eu vou dormir. — Bocejou e eu sabia que não ia levar dez segundos. Fiquei parado, admirando-a e logo sua respiração ficou pesada. Sempre que ela dormia, conseguia relaxar.

Demorei mais um pouco para finalmente pegar no sono, me mexi na cama e acordei assustado. Estava sozinho. O quarto estava escuro e logo me levantei, querendo saber se ela estava passando mal ou se enchendo de mostarda na cozinha. O banheiro estava vazio e silencioso. Desci a escada, passando rapidamente pela sala e a luz da cozinha estava acesa.

Bella estava na dispensa, mexendo nas latas e chorando.

— Ei, amor. O que foi?

Com o rosto molhado em lágrimas, virou-se na minha direção segurando uma lata de milho. Minha cabeça mergulhou nos piores cenários possíveis.

— Não tem pêssego em calda. — Chorou e surpreso, abracei-a bem apertado, mas não consegui segurar a risada. Logo estava gargalhando, em um misto de alívio e achando muito engraçado a sua expressão de desespero por pêssego em calda. Chateada com minha risada, me bateu e se afastou. — Não consigo controlar o choro, seu burro. — Saiu da dispensa batendo os pés.

Peguei a chave do carro no painel.

— Você vai sair? — Bella praticamente gritou no seu espírito assassino.

— Vou procurar o que a minha linda noiva quer.

— É meia noite, Edward.

— Vou encontrar, prometo. — Beijei seus lábios.

Esqueci que do lado de fora estava congelando. Entrei no carro correndo e saí da garagem, avisando ao Tyler que ainda estava acordado, que estava saindo. Passei por dois mercados e três postos de gasolina vinte e quatro horas, mesmo congelando e correndo com minha calça e chinelos, não encontrei a porcaria da lata de pêssegos em calda. Frustrado, dirigi de volta para casa, até que passei na rua da minha mãe e decidi olhar a sua dispensa.

Acenei para o segurança da guarita, ao invés de parar na garagem, dei a volta com o carro e parei próximo a entrada da cozinha. Saí correndo, arrepiado de frio e digitei o código do alarme, acendendo a luz e me deparei com a minha mãe bebendo chá.

— Bella te expulsou de casa? Por que está sem casaco? — Ela me olhou divertida.

— Na verdade, não imaginei que estivessem acordados. — Cocei minha cabeça.

— Seu pai está dormindo, estou sem sono.

— Hum... Eu vim assaltar a sua dispensa. Tem pêssego em caldas?

Esme sorriu, desceu do banquinho da cozinha e foi até a dispensa, voltando com uma lata grande.

— E você quer a lata para alguma sobremesa específica? — Escondeu a lata antes que pudesse pegar. Sorri sem graça. — De quantas semanas ela está?

— Fará onze amanhã. — Deixei escapar com o maior sorriso do universo.

Esme me abraçou apertado, explodindo de felicidade.

— Você vai ser pai, menino. — Colocou a mão no meu rosto. Seu olhar quase me fez chorar. Ah, que droga. A paternidade está me fazendo uma banana. — E ela quer isso?

— Estava chorando como se tivesse perdido seu cachorrinho de estimação. Eram muitas lágrimas...

— Vá levar. Eu vou esperar o momento que forem anunciar e fingir surpresa. — Beijei sua bochecha e voltei correndo para o meu carro.

Dirigi para casa um pouco mais rápido que a velocidade permitida e com a quantidade de gelo se formando na pista. Entrei em casa, abri a lata, virei em uma vasilha alguns pedaços com um pouco de calda. Ainda levei o vidro de chantilly, caso ela quisesse incrementar seu desejo.

Bella estava na cama, olhando para televisão e com o rosto vermelho como se tivesse chorado bastante. Ao ver o que estava nas minhas mãos, abriu o sorriso que me fez sentir o cara mais importante do mundo. Eu ia me esforçar todos os dias da minha vida para ganhar aquele sorriso e ser a porra do seu herói.

— Eu te amo. — Me deu um beijo doce. — Bebê, seu papai é um homem incrível.