Boa Leitura!!!

Capítulo 11

— O que você acha, mãe? Perto da costa ou mais para as montanhas? Onde você quer morar?

A voz de Bella estava alegre, como estivera desde que chegara, há duas semanas, com a maravilhosa notícia de que seu avô lhe dera dinheiro suficiente para pagar as suas dívidas e permitir-lhes se mudar para a Espanha.

Mas, apesar de sua determinação em se mostrar alegre, via que sua mãe estava preocupada com ela. Ficara feliz com as notícias sobre o dinheiro, saldara suas dívidas com um único cheque, e comentara como Bella estava linda e bronzeada e caminhava com muito mais segurança, mas mesmo assim ela podia sentir a preocupação de Renée.

Bella não queria que sua mãe se preocupasse. Enquanto preparava o jantar, conversava animada sobre a Espanha. Queria se mudar o mais rápido possível. Talvez lá pudesse começar a esquecer Edward...

Edward...

A dor apunhalou seu peito. Não — não devia pensar, lembrar. Acabara. Estava começando nova vida agora— isso era importante. Isso e fazer Renée feliz. Ela não podia deixar que sua mãe suspeitasse de nada.

Ela não pode ver que seu coração está partido...

Sorriu, determinada, para Renée.

— Vai ficar tudo bem, mãe. A partir de agora, tudo será maravilhoso!

Uma batida súbita e imperativa na porta fez com que as duas estancassem.

Renée imediatamente pareceu nervosa, e Bella disse:

— Ignore, mãe. Tentarão em outro lugar.

Crianças agressivas faziam a ronda a esta hora, vendo se conseguiam arrancar algum dinheiro dos moradores.

Graças a Deus estamos indo embora, pensou Bella. Estariam em Málaga em 48 horas — somente para procurar um apartamento — e Bella mal podia esperar.

A batida soou novamente, ainda mais imperativa.

— Está bem — disse Bella —, chega.

Ela marchou para a porta da frente para confrontá-los, mas viu uma silhueta masculina e alta. Abriu a porta para encontrar olhos verdes esmeraldas que a fitavam. Seu coração parou.

Edward Cullen entrou, forçando-a a tropeçar nas pernas dormentes.

— Nunca mais — disse ele com uma voz que a fez tremer — fuja de mim novamente.

O choque a tomou, onda após onda. Mas, por baixo do horror e incredulidade, outra emoção a queimava como uma chama.

— Como... Como? — ela gaguejou.

— Como eu a achei? Com grande dificuldade! — Ele cuspia as palavras. Olhou com desprezo o corredor estreito, sentiu o cheiro forte de mofo. — E em um buraco como este eu não me surpreendo de que tenha levado tanto tempo aos detetives para achá-la! Que lixo é este? — A boca dele se retorceu com desdém à pobreza evidente do ambiente.

— Esse lixo — disse uma voz tranquila da porta da cozinha_ é o meu lar, senhor?

Bella se voltou. Renée estava de pé ali, a expressão desconfiada e inquisidora.

— Cullen — apresentou-se ele educadamente. — Edward Cullen. Eu vim buscar Bella.

— Eu não vou com você! — Bella exclamou. Não podia acreditar no que estava acontecendo — que era realmente Edward ali, sua presença esbelta e cara cheirando a dinheiro, parecendo fora de lugar no corredor de um conjunto habitacional como se fosse um alienígena.

— O que está acontecendo? — perguntou Renée ansiosamente, adiantando-se.

— Nada! — retrucou Bella. — O senhor Cullen — ela disse, dentes cerrados — se enganou! Está indo embora agora! Sem mim!

— Nada disso. — A voz de Edward era mortal. — Pegue suas coisas, e assegure-se de que seu passaporte esteja no meio!

— Eu não vou a lugar nenhum!

— Vai sim — ele rugiu —, de volta para Atenas! Você foi um pouco prematura em sua partida. Pode ter conseguido seu dinheiro de seu avô — seu interesse principal, não? — a voz dele aumentava de volume —, mas a sua partida precipitada fez com que ele se sentisse... ludibriado. Ele a quer de volta em Atenas para cumprir com suas... obrigações. Senão — ele lançou — não continuará com a fusão.

Era a vez dela de fechar a cara.

— Oh, bem, nós não podemos ficar no caminho da preciosa fusão, não é? Foi, afinal, o seu interesse principal, não? — Deliberadamente ela repetiu as palavras dele, confrontando-o com a razão pela qual ele a olhara duas vezes! Não adiantou.

— Havia outros interesses... Como eu me lembro... Interesses que eu pretendo plenamente reiniciar quando você voltar a Atenas para cumprir com suas... obrigações, não é?

Ele viu em seus olhos o calor das recordações e sorriu. Um sorriso maléfico que não tinha graça.

— Sabe, eu também, Bella mou, me senti ludibriado por sua partida tão precipitada e inesperada.

Ela ouviu a raiva em sua voz — suprimida, controlada, mas selvagem sob as palavras.

Havia algo além dessa raiva, algo cru, doloroso. Depois ele olhou para Renée.

— Eu preciso falar com Bella. Em particular. Será que a senhora poderia...?

— Eu não tenho nada a lhe dizer! — Bella lançou-lhe. Olhos de aço, pintados de ouro, repousaram nela.

— Mas eu — disse ele com uma suavidade que arrepiou os cabelos em sua nuca — tenho muita coisa para lhe dizer, Bella mou.

Ela se sentiu fraca ao ouvi-lo dizer seu nome, que antes era um tratamento carinhoso, pronunciado com escárnio. Atrás dela, Bella adiantou-se e fechou a mão protetoramente em torno do braço de Bella.

— Senhor Cullen, se minha filha não quer falar com o senhor...

O resto de suas palavras foi interrompido por uma expressão de choque de Edward.

— Essa mulher é a sua mãe?

Havia descrença em cada palavra. Foi Renée quem respondeu.

— Sim, sou a mãe da Bella, senhor Cullen. E talvez... O senhor pudesse explicar o que está acontecendo?

— Senhora Volturi — ele começou. Sua voz parecia perturbada, mas ainda assim determinada.

Renée balançou a cabeça.

— Eu sou Renée Marie, senhor Cullen. Charlie e eu nunca nos casamos.

Suas palavras foram ditas suavemente e sem vergonha. Ela não tinha nada do que se envergonhar.

O choque passou pelo rosto de Edward novamente e apunhalou Bella.

— Você vê — disse ela com dificuldade —, eu não sou a mulher que você pensava. Olhe em volta! Será que pareço uma herdeira? Morando aqui?

Suas palavras eram um desafio amargo.

— Não é possível! — A voz de Edward era fria. Sua negação era total. Ela deu um sorriso de raiva e escárnio. Sempre soubera que ele ficaria horrorizado ao descobrir sua origem humilde — que ela não viera de seu mundo rico e sofisticado. Afinal, o que um homem tão rico quanto Edward Cullen iria querer com uma esposa vinda de um conjunto habitacional?

Ele se moveu de súbito, abrindo a porta da sala. Entrou. Ela estava limpa e arrumada, mas o carpete era barato e usado, as cadeiras e o sofá puídos.

— Você mora aqui?

A voz dele ainda era fria. Bella respondeu no mesmo tom.

— Sim. Toda a minha vida.

— Por quê?!

A pergunta explodiu de dentro dele. Bella deu uma risada alta e curta.

— Por quê? Porque é tudo o que mamãe podia pagar, por isso! Ela vivia da ajuda da cúria até que eu tivesse idade para ir para a escola, e a cúria nos colocou aqui. Ela teve sorte de conseguir um apartamento próprio, uma mãe solteira e adolescente! Quando fui para a escola, ela conseguiu um emprego de meio expediente, mas é difícil economizar para comprar um lugar quando se tem uma criança para criar sozinha.

— Sozinha? Quando seu avô é Aro Volturi? — sua voz era sarcástica.

Os olhos dela faiscavam.

— Aro Volturi — ela cuspiu o nome de seu avô com contentamento — disse à minha mãe que ela não tinha direito aos bens de meu pai. Ela me criou totalmente sozinha.

— Você está me dizendo — ele perguntou, e seu rosto estava tenso como um arco — que o seu avô não a sustenta?

— É isto mesmo — disse ela, friamente. — Eu já lhe disse: eu não sou uma Volturi.

Renée interveio, parecendo confusa e perturbada.

— Bella, e o dinheiro? Você me falou que Aro lhe dera todo o dinheiro de boa vontade! Se você o extorquiu dele de algum modo, precisa devolver!

— Não! — ela gritou, horrorizada. — O dinheiro é seu, é todo seu — para comprar o seu apartamento na Espanha, pagar suas dívidas, para...

— Dívidas? — Edward saltou com a palavra. Seu rosto parecia cavado em pedra.

— Sim — disse Renée, voltando-se para ele. — Infelizmente, senhor Cullen, eu devo bastante dinheiro. Sabe, quando ela era mais nova, sofreu um acidente muito grave. A terapia disponível era só particular, e precisei pegar dinheiro emprestado para pagar. Ainda estamos pagando Bella ajuda como pode. Tem dois empregos, e cada centavo que consegue guardar vai para isso!

Edward olhou estupefato, mas se recobrou.

— A senhora nunca pediu a Volturi para ajudá-la?

Um riso duro escapou de Bella.

— Oh, mamãe pediu, claro! Ficou de joelhos pedindo ajuda! Enviou-lhe todos os relatórios médicos todos! Suplicou-lhe que ajudasse, por amor de seu filho, ela prometeu-lhe que devolveria o dinheiro assim que pudesse

— E? — A voz de Edward tremia.

— Ele se negou. Disse que ela estava tentando arrancar dinheiro dele com falsos pretextos. Os advogados escreveram a mamãe que se ela tentasse contatá-lo novamente por qualquer razão seria processada por assédio. — Ela inspirou e continuou— E por isso que não lhe devolverei o dinheiro! Não importa o que mamãe disser! Paguei as dívidas e vou comprar um apartamento para ela na Espanha! Sobrará dinheiro suficiente das 500 mil libras para investir e dar-lhe uma renda e uma pensão.

— Quinhentas mil libras? - A voz dele era oca. — Você está me dizendo que foi isso que Volturi lhe deu?

Ela ergueu o queixo, desafiadora.

— Eu sei que é uma quantia enorme, mas é o que eu precisava para dar segurança a ela.

— Quinhentas mil — ele repetiu. Meio milhão de libras — seus olhos se acenderam novamente. — Você tem alguma ideia de quanto vale o seu avô? — Adiantou-se, e suas mãos se fecharam nos braços dela. Estava perto demais de Bella. — Meio milhão é uma bagatela para ele!

Ela se afastou.

— Não importa quanto ele vale! Não importa nada sobre ele! Tratou mamãe como lixo e eu o amaldiçoo por isso! Não quero mais do seu dinheiro nojento somente o suficiente para colocar mamãe em algum lugar seguro e quente, com o suficiente para viver sem se preocupar o tempo todo! Ela tem asma, e a umidade do apartamento a faz ficar mal...

Ele não ouvia. Olhava à sua volta e anotava cada detalhe miserável.

É isto, pensou Bella, apunhalada pela dor, enquanto ele olhava com desprezo para o local em que ela vivera. Olhe bem! Foi daqui que eu vim! Esta é a minha casa! Agora me desprezará por isto!

Então, no silêncio, Renée falou.

— Senhor Cullen, eu posso ver que isto foi um choque indesejável para o senhor, e eu sinto muito. Mas... — ela hesitou, depois continuou — eu agradeceria se o senhor explicasse qual o propósito de sua visita...

Os olhos dele a golpearam.

— Meu propósito? Meu propósito, senhorita Marie... — disse o nome dela de solteira como se lhe doesse — acabou de mudar.

A garganta de Bella se apertou. Com certeza mudou! Você vem aqui para me levar para casa com você e provavelmente agora mal pode esperar para sair tão rápido quanto puder...

Ele voltou a atenção para ela. Seus olhos eram pedras, o rosto fechado.

E ainda assim era o rosto do homem que ela amava. Desesperadamente.

Nunca pensei que o veria novamente! Pensei que viveria o resto da vida sem ele! Mas ele está aqui, agora...

Uma voz lhe esmagou o coração. Sim, e agora ele vai embora —pois já sabe a verdade sobre você.

Sentiu-se culpada.

Eu deveria ter sido honesta — desde o início. Eu o decepcionei — por isto está zangado!

Ela inspirou profundamente.

— Olhe, Edward, eu sinto muito, de verdade. Eu não tinha consciência de que minha partida estragaria sua fusão!

Uma expressão sombria cruzou o rosto dele.

— Não há fusão. Nem haverá nunca!

Como assim?, pensou Bella. Edward Cullen pensou que se casara com a herdeira Volturi — não a bastarda de uma mulher que Aro Volturi considerava uma vagabunda mercenária! Edward pensou que estava se casando com uma mulher que vinha de seu mundo — não uma garota nascida e criada em um conjunto habitacional decadente.

— Eu deveria ter lhe dito — disse ela pesadamente. Seus olhos se pousaram nela como pesos insuportáveis.

— Sim, você deveria ter me dito. Deveria.

— Eu sinto muito — disse ela novamente. Parecia ser a única coisa a dizer.

— Você sente? — Havia algo muito estranho em sua voz. — Eu também.

Bem, claro. Claro que ele queria ter sabido desde o início o quão maculada ela era! Como se não fosse mau o suficiente descobrir que era aleijada — também era medíocre...

Edward pensou na longa viagem que fizera — a longa viagem desde as ruas de Atenas, com um único foco, uma única meta. Fazer dinheiro. Mais e mais. Adquirir as Indústrias Volturi seria o clímax de suas conquistas.

E ainda era jovem. Quem sabia que reinos poderia construir e vender antes que seu tempo acabasse? Quem sabia o que ele podia comprar e vender com toda a sua riqueza?

Um rosto veio à sua mente. O rosto de um velho, cujos olhos sabiam bem o preço da alma de um homem.

Quanto vale a minha?, pensou Edward. E a resposta veio clara. Clara como água.

Demais para que Aro Volturi a compre.

Ele olhou para as duas mulheres no quarto miserável. Pegou seu celular. Digitou um número. Falou pouco.

— Aqui é Edward Cullen. Tenho uma mensagem para Aro Volturi. Diga-lhe que eu estou diante de Renée Marie e sua filha na casa delas, a fusão está desfeita.

E desligou.

Enquanto colocava o celular no bolso, seus olhos encontraram os de Bella. Ela recuou.

O brilho de emoção neles era como um raio.

— Eu o farei pagar — disse suavemente. — Mesmo que leve o resto de minha vida, eu o farei pagar pelo que fez com vocês.

Bella estava boquiaberta. A boca dele se retorceu com sua expressão, e ele continuou:

— Eu sabia que o homem não tinha escrúpulos todo mundo sabia! Mas que ele caísse tão baixo... Christos, ele agiu como um animal!

Ela não conseguia falar — somente fitá-lo, sem acreditar. Os olhos de Edward passaram pela sala novamente.

— Fazê-las viver assim — disse ele. — Virar as costas ao próprio sangue, deixá-las lutar sozinhas todos estes anos. Nem mesmo... — A voz dele endureceu — levantar um dedo quando sua própria neta enfrentava o risco de passar a vida em uma cadeira de rodas... — Ele fechou os olhos. — Deus do céu, que espécie de escória ele é?

Abriu os olhos. Eles brilhavam como aço. Telefonou novamente.

— Bem — disse, sombrio — o mundo logo saberá. Falou em inglês novamente.

— Demetrios? Prepare um press release. A fusão está desfeita. Sim, você ouviu bem. E eu estarei esclarecendo explicitamente as razões para minha desistência. O mau cheiro chegará até o céu, eu lhe asseguro! Telefonarei novamente em uma hora, quando você tiver tido tempo de contatar a diretoria!

Desligou novamente.

— Senhor Cullen — falou Renée, a voz perturbada. — Por favor, eu não estou entendendo nada. O que está acontecendo?

— O que está acontecendo — a voz de Edward se suavizou — é que eu decidi não assumir as Indústrias Volturi. Eu me recuso, absolutamente — sua voz endureceu novamente — a ter qualquer ligação com o homem que agiu assim com a senhora e sua filha!

— Mas... a fusão representa tanto para você... — gaguejou Bella.

Ele ergueu a mão no ar.

— Não. Só uma coisa tem importância para mim, Bella.

A voz dele mudou.

— Somente uma coisa.

Deu um passo em sua direção. Ela queria recuar, mas não podia. Estava imobilizada.

— Você não sabe o que é, Bella mou! — A voz dele se suavizara. — Com certeza deve saber. — Estendeu a mão para tocar a auréola flamejante de seus cabelos. Ela parou de respirar.

Ele a fitou, os olhos pintados de ouro.

— Quando você me deixou, foi como se tivesse me apunhalado até o coração. Eu sangrei, Bella mou. Sangrei.

Seus dedos roçaram as faces dela e pareceu que ela perderia os sentidos.

— Volte para mim, pethi mou, volte...

A garganta dela estava apertada, mas ela lhe cuspiu as palavras:

— Para quê? Se não vai haver fusão, você não precisa de mim!

Ele sorriu. O coração dela quase parou.

— Precisar? Oh, minha Bella, eu preciso de você para respirar. Não posso viver sem você!

Tocou sua face.

— Eu preciso de você para iluminar meu caminho, para andar ao meu lado por toda a minha vida. Preciso de você comigo, a cada dia e a cada noite. — A outra mão pegou seu rosto e ergueu-o para si.

Era estranho, pensou Bella. Seu rosto saiu de foco. Falou:

— Mas — engoliu em seco — eu não sei por que você precisaria de mim.

Ele sorriu, enchendo o coração dela.

— Será que eu não lhe mostrei isto a cada noite, a cada dia que passamos juntos? Você não me mostrou isto?

— Mostrei o quê? — ela sussurrou. Seus olhos transbordavam. Ela não podia evitá-lo.

Ele a beijou suavemente.

— Que estávamos nos apaixonando, Bella mou.

— Amor? — era um sussurro, um sopro.

— Oh, sim. Amor — definitivamente amor. Não havia dúvidas em sua voz. Nenhuma.

— Não há outra palavra para isso. Como a ferida que você me fez quando me abandonou poderia ser tão mortal, se não fosse amor? Como então — um dedo aparou suas lágrimas — poderiam estas lágrimas estar fazendo diamantes em seus olhos?

— Mas você não me ama — não pode — não precisa! Foi só por causa da fusão que você se casou comigo!

Ninguém ouviu o gemido de Renée.

— Nosso casamento, minha doce e amada Bella, é a única coisa boa que veio desta maldita fusão. Eu sempre quis ser um bom marido, mesmo quando pensava que o nosso casamento seria apenas de conveniência. Antes eu teria ficado satisfeito com isto. Mas em Creta — ah, ele se tornou muito, muito mais! E quando descobri que você havia me deixado, vi o quanto mais ainda! A dor de perdê-la era uma agonia, e eu soube que algo acontecera comigo, algo com que eu nunca sonhara. Eu me apaixonara por você — profundamente.

Ele a fitou possessiva e apaixonadamente.

— Você não pode me amar...

A voz dela era um sussurro.

— Nós viemos de mundos tão diferentes...

Ela mostrou o apartamento miserável com um gesto de mão.

Ele então entendeu por que ela lhe dissera as mesmas palavras na noite de seu casamento.

E ele pensara ser porque ela nascera na abundância que ele batalhara a vida toda para conseguir...

— Quando você voltar a Atenas comigo — disse — eu lhe mostrarei onde nasci, onde vivi até me arrastar para fora da sarjeta, quando jovem. — Um homem que nunca conheceu seu pai, e cuja mãe não se importava se ele estava vivo ou morto. Um homem que jurou que se tornaria alguém! Estava determinado a alcançar o sucesso e reconhecimento a que ambicionava!

Ele tomou fôlego, e Bella olhou para ele, sem palavras, pois subitamente via o homem que Edward era na realidade — não o belo herdeiro de um patrimônio enorme, mas alguém com a coragem e a determinação de fazer algo de si mesmo a partir do nada com que nascera.

— Mas eu aprendi... — a voz dele se suavizara — que a verdadeira riqueza está aqui, dentro de nós. Eu a invejo tanto, Bella.

Seus olhos dirigiram-se para Renée, ali, observando, intrigada.

— Ter tido o amor da sua mãe, e ainda mais — sua voz, ela pensou, quase se partia —, seu amor por ela. E eu também peço a você, lhe suplico — e enquanto ele falava a garganta dela se fechou — que aceite meu amor por você, e me dê o seu.

Ele fez uma pausa, olhando para ela, juntando as mãos ao peito.

— Volte para mim, Bella, e seja a mulher de meu coração, pois eu a amo mais do que posso suportar.

As lágrimas desciam pelas faces dela.

— Sim! — ela exclamou, enquanto ele lhe beijava as lágrimas, e cobria a boca dela com a sua, e o que era um toque gentil de homenagem se tornou uma saudação ao futuro que teriam juntos.

Ele a largou e voltou o rosto para Renée. Bella podia ver as lágrimas no rosto dela.

— Eu tenho a sua benção? — perguntou Edward suavemente.

Por um momento Renée não pôde dizer nada. Depois, com um grito, respondeu:

— Oh, sim! Oh, sim!

E enfim ele descobriu a origem dela e renunciou toda a fortuna do Aro por ela! E claro declarou seu amor também! Lindo!!! Mas não acabou ainda meninas teremos o epílogo para encerrar esse romance maravilhoso!!! Então comentem e já já eu voltou com o último capítulo!