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Bella.

— Oi, amor. — Edward entrou na minha sala e apenas suspirei. Ele fechou a porta atrás dele, olhando para Mike e Embry sentados à minha frente. — Hum, é grave assim? — Não falei nada, apenas entreguei o meu relatório de conclusão.

— Sr. Cullen... — Embry estava nervoso.

— Que diabos? COMO ESSA PORRA FOI ACONTECER? — Edward perdeu as estribeiras em dois segundos. — PUTA QUE PARIU.

Não falei nada. Não estava assustada, na verdade, estava... Incrédula. Alguém estava fraudando o sistema da Cullen Seguros. Até o momento, havia quase dez mil segurados com seus faturamentos prejudicados e precisávamos resolver antes que desse algum problema, como por exemplo, algum segurado morrer e a família ativar o seguro... Sem fundos. Porra. Prendi meu cabelo, ouvindo Embry explicar que encontrou a discrepância e ficou com medo, querendo reunir as informações antes de acusar alguém, exatamente do mesmo jeito que o Mike encontrou.

A diferença do Embry para o Mike era que, em um dos dias ficando até tarde, ele percebeu que um dos computadores ao lado ligou sozinho e a tela teve o cursor do mouse mexendo. Então, ele gravou e mostrou ao Edward. Havia algo errado, ele imprimiu e foi juntando provas. Fiquei em silêncio até mesmo quando Edward saiu com os dois para sua sala e ficou horas lá dentro, lidando com o assunto com o sigilo que precisava.

Respirei fundo, acalmei a minha respiração e puxei as folhas dos relatórios que Mike que me entregou e sem coragem, não entreguei ao Edward. Grifei cada numeração de login, os horários e tudo que podia lembrar, mas estava tão nervosa que a minha cabeça doía e meu estômago estava torcido. Reuni tudo em uma pasta, ajeitei minha roupa e bati na porta da sala do meu futuro marido, mas naquele momento, ele seria meu chefe e eu tinha que aguentar.

— Oi, posso falar com você agora? É importante. — Abri a porta. Ele ergueu o rosto, me deu um olhar cansado, mas ficou aprumado na cadeira.

— Baby, você está pálida. O que foi?

Minhas mãos tremiam quando estiquei a pasta. Edward pegou desconfiado e abriu, seu cenho franziu.

— Não estou entendendo. O que é isso?

— Você pode ver meu nome de login quando ainda trabalhava como analista, começando às 08h15 e encerrando às 23h45, certo?

— Sim.

— Em seguida, existe um código começando às 23h48 e encerrando às 06h. Essa numeração é o meu login. Cada conta criada tem um nome e um número. Esse é o meu número. Não sei como é possível, mas... Foi através do meu login que o dinheiro da Cullen Seguros foi desviado. — Engoli seco. — Obviamente, eu não fiz isso. Eu nunca acessei o sistema fora daqui. Eu... Não sei como provar minha inocência.

— Amor, sente-se um pouco.

— Honestamente, eu acho que se me mover irei cair.

Edward levantou-se imediatamente, correu em volta da sua mesa e sentou-se no sofá, me puxando para o seu colo. Ele esfregou as minhas costas, dizendo palavras doces, que me amava e lentamente, percebi que a minha respiração estava acalmando.

— Nós temos imagens de câmeras e o vídeo do Embry provando que a tela estava ligando sozinha. É claramente uma invasão. Um hacker. Eu já pedi o bloqueio imediato de todo sistema, ninguém está mais operando, os dados estão paralisados, meus irmãos estão apenas esperando o meu pai chegar. — Ele puxou meu cabelo, tentando prendê-lo porque estava suando.

Ouvi uma batida na porta e era o Carlisle, senti como se fosse vomitar e vendo meu estado, ele logo questionou ao Edward em tom de acusação o que tinha acontecido comigo.

— Eu não fiz nada, pai. — Edward suspirou. — É melhor o senhor se sentar.

Edward narrou com calma tudo que estava acontecendo, as lágrimas escorriam do meu rosto e ambos pediam para ficar calma.

— Bella, não há nenhum motivo pelo qual você precise ficar com medo. Nós vamos descobrir quem está fazendo isso.

— E por que você acredita que não fui eu? — Era apenas a minha consciência precisando de conforto. Nunca roubaria a empresa, não por estar noiva do CEO e grávida do seu primeiro filho, apenas não era da minha índole.

Carlisle me deu um sorriso.

— Você nunca seria pega. Não deixaria rastros. Não se esqueça que eu fundei uma empresa que investe em tecnologias desde que o homem estava tentando passear no espaço... E eu também assinei o sistema que você criou. Uma mulher capaz de escrever uma tese e criar um algoritmo do zero não deixaria rastros.

Tentei abrir um sorriso grato, mas eu estava muito chateada, estressada e irritada. Edward me abraçou, beijando minha cabeça e disse baixinho que eu deveria pensar no nosso bebê e me acalmar. Carlisle abriu um imenso sorriso porque seus ouvidos velhos eram muito bons.

— Um bebê? — Ele chegou para frente.

— Nós iremos contar a todos no natal. — Edward respondeu com calma.

— Bem... Isso é uma excelente notícia, meu filho. E você, mocinha, deite-se um pouco. Você está pálida e muito nervosa, nesse momento é muito importante que o bebê fique tranquilo aí na sua barriguinha. — Obedecendo sua sugestão, me deitei no sofá do escritório e meu noivo tirou meus sapatos. — Talvez seja melhor levá-la para casa, Edward.

— Vocês precisarão me afastar da investigação?

Carlisle trocou um olhar com Edward, afinal, a decisão era dele.

— Baby, eu não me sinto confortável em tê-la no meio de tanto caos e estresse enquanto nosso bebezinho precisa da sua tranquilidade. — Ele segurou a minha mão. — Eu prefiro que você tire alguns dias de descanso e volte a trabalhar no começo do ano que vem. Eu prometo que vou te manter a par e darei o meu melhor para que tudo seja resolvido. Nós temos que tomar cuidado...

A taxa de abortos no primeiro trimestre enfeitou a minha mente e logo me senti nervosa. Mesmo não sendo o que eu queria, concordei com os dias de folga em casa. Até porque, eu não queria que acusassem o Edward de favoritismo, queria apenas que ele fosse justo, porque eu era inocente. Só precisava provar isso.

Só de pensar que essa informação causaria uma perseguição em massa. Seria um escândalo quase impossível de lidar. Mais uma vez, meu nome no centro das atenções. Quando Emmett entrou na sala, Edward e Carlisle contaram o que de fato, estava acontecendo.

— Impossível. Bella já teria secado nossas contas bancárias e estaria vivendo em um paraíso fiscal. — Me provocou e eu sorri. Edward apertou meu pé, fazendo uma massagem. — Você está abatida, cunhada.

— Um pouco sim, não posso negar.

James bateu na porta e entrou, cumprimentando a todos. Ele ocupou um lugar e foi colocado a par. Respeitei seu silêncio, porque ele não me conhecia, mas me senti desconfortável, deitada, aparentemente relaxando enquanto havia "provas" de que estava roubando a empresa.

— Todos os analistas fazem a mesma coisa? — James cruzou os braços e me olhou. — E o acesso é limitado por igual?

— Basicamente. São divididos por equipes que atuam nos dados iguais de cada empresa... Então, se eu mexo nos seguros, só quem mexe nos seguros comigo que vai ter o mesmo acesso. A equipe de finanças ou comercial, não tem acesso a seguros, por assim vai. Por que?

— Só quero ter a certeza de que todos os seus antigos colegas analistas sabem o que você fazia. Era compartilhado, certo?

— Sim. Tínhamos plantões e às vezes, cobrimos ao outro. Trocamos...

James suspirou.

— Por favor, não me julguem. Não é óbvio para vocês? — Edward ficou tenso, eu sabia que estava interpretando errado a opinião do seu primo. — Jacob era analista de seguros, ele claramente menospreza o trabalho da Bella e a despreza como pessoa. E acima de tudo, fez de tudo para estar no mesmo andar que ela. Eu sei que eu fui inocente, com o passar das semanas, percebi coisas e me dá calafrios a maneira que ele fica olhando-a pelos corredores ou como, de alguma forma, quer competir. Ele saberia como executar o sistema. Não se esqueçam que é ele que é responsável pelos relatórios comerciais, não custa absolutamente nada alterar os relatórios financeiros… Isso vem acontecendo há semanas, ele entregou os relatórios limpos para a assistente do Jasper e contratou alguém para criar o vírus perfeito e de quebra, incriminar a pessoa que ele claramente não gosta?

— Faz todo sentido, a questão é que não podemos provar. — Emmett comentou.

— Seja como for, nós iremos trabalhar nisso.

De repente, a porta foi aberta e era Jasper.

— Me desculpem. Alice teve um pequeno sangramento e eu estava no médico com ela. — Explicou e me levantei na mesma hora, calçando meus sapatos. — Calma, Bella. Ela está chateada e não queria preocupar ninguém.

— Não me interessa, Jas. Hoje é o pior dia da minha vida

— Ei, você precisa se acalmar. — Carlisle segurou a minha mão e fez pressão para que pudesse voltar para o meu lugar.

— Alice está dormindo e a mãe dela está lá em casa, eu prometo que te contaria se fosse algo grave, mas não foi. Graças a Deus, o médico disse que foi um pequeno vaso rompido. O bebê e a placenta estão intactos. — Jasper me deu um beijo na testa.

Não levou muito tempo para que ele ficasse a par e todos chegaram a um consenso que apesar do Jacob ser um suspeito muito óbvio, ele não deveria ser descartado, assim como muitos outros. Poderia ser qualquer pessoa com conhecimento necessário, me usando como isca. Felizmente, Emmett trouxe à tona uma das maiores provas da minha inocência. O sistema, quando fechado, ele desligava as chaves de segurança que mantém os dados seguros.

Não era possível reiniciá-lo em menos de cinco minutos. Esse pequeno e importante detalhe, era uma das muitas coisas que aprendemos logo que somos treinados a usá-lo. Na minha experiência, o acesso era remoto e através de um vírus tão silencioso que o firewall e o sistema não detectaram. Deveria ser do tipo guardião, que coletava dados, exportava, mas não excluía.

A reunião levou horas e eu estava esgotada, física e emocionalmente. Assim que eles saíram, Edward olhou para mim. Ele estava com o cabelo em pé, os olhos vermelhos e o rosto aparentando cansaço. Depois de olhar seu telefone, virou-se para mim.

— O que você precisa agora?

— De você, não como meu chefe, mas sim como meu futuro marido. Preciso que me leve para casa, mas antes compre sorvete e entenda que eu vou sentar no nosso lindo sofá e chorar.

— Nada de chorar. Não quero que sofra por isso, está bem? Todos confiam e amam você. — Ajoelhou na minha frente e me deu um beijo. — Eu vou arrumar nossas coisas para irmos embora. Você precisa descansar e eu só quero ficar na nossa casa.

Balancei a cabeça e o esperei recolher seus pertences, entrou na minha sala, pegando minha bolsa, telefone, pasta e desligou tudo, fechando a porta. Tyler estava no corredor, nos aguardando e abriu os braços, no qual me refugiei. Ele disse que ia ficar tudo bem, porque ele e o Liam já estavam com um conhecido para investigar e deter o cyber roubo.

— Solte a minha mulher, Tyler.

— Deixa de ser ciumento, Chefe. A branquela só precisa parar de chorar, certo?

— São os hormônios. — Me desculpei e sequei meu rosto. — Não tenho controle das lágrimas e do bendito enjoo. Em falar nisso... Estou com fome.

— Vamos buscar algo para comer no caminho. — Edward segurou minha mão e andamos para o elevador.

Liam já estava nos esperando no carro, pronto para sair da garagem do prédio o mais rápido possível. Coloquei meu cinto de segurança e peguei meu travesseiro, acomodando meu pescoço. Fechei meus olhos e me permiti dormir, só para desligar dos problemas e descansar minha mente. Me deixei mergulhar na noite em que Edward me pediu em casamento – bem, depois que eu o pedi no carro. Ele sumiu por algumas horas, estava realmente chateada com ele.

Entrei em casa, muito puta e me deparei com a casa inteira cheia de rosas em diversas cores. Havia vasos e velas por todo lado. Era simplesmente o cenário mais lindo e mais romântico de toda a minha vida. E o idiota que tinha passado o dia inteiro me estressando, estava parado dentro de um coração feito com pétalas de rosas e com a caixinha do ostentoso anel me esperando.

— Você está bem, baby? — Edward segurou a minha mão e apertou.

— Estava lembrando do dia que você me deu esse anel que deixa alguns lustres com inveja. — Sorri e abri meus olhos, encarando-o me olhar com carinho. — Foi um dos dias mais felizes da minha vida.

— É um dos meus também. Embora goste mais do dia em que você me pediu em casamento. — Piscou e mordi meu lábio. — Tenho uma lista com os meus dias favoritos.

— Uma lista?

— O dia em que te conheci está entre os primeiros, nosso noivado e com toda certeza, a manhã mais incrível da minha vida na qual você me disse que aí dentro estava o nosso bebê. Desde que te conheci, minha vida ganhou muitos dias felizes, Bella.

Normalmente, aquela declaração me faria corar e sorrir, mas a gravidez não contribuía em nada ao me transformar em uma manteiga derretida. As lágrimas escorreram antes que tivesse controle e aí, soltei o meu cinto e dei a ele um beijo na bochecha e outro nos lábios. Edward me abraçou apertado e me senti segura, mesmo com o mundo desmoronando e meu nome tendo grandes chances de estar no meio de um tornado, enquanto estivesse com ele, ficaria bem.

Edward entrou na minha vida para me ensinar que finais felizes eram possíveis.