Capítulo 13 - A Kunoichi do Sharingan
Sarada não conseguia se concentrar em seu treino. Há horas ela estava no campo de treinamento fortalecendo suas habilidades com suas shurikens, mas ela arremessada uma por uma no modo automático. As vezes ela acertava o alvo, noutras não, mas ela não conseguia se incomodar com não estar se aprimorando.
Em um de seus arremessos, sua shuriken foi desviada de seu alvo por ter sido interceptada por outra shuriken, e Sarada não precisava olhar para trás para saber quem havia conseguido tal feito. Somente uma pessoa conseguiria fazer aquilo.
"Papai", ela cumprimentou.
Sasuke se aproximou da filha até ficar lado a lado — e então pegou outra shuriken e arremessou em um dos alvos que Sarada estava focando. Mas sua shuriken não chegou ao alvo, sendo interceptado pela shuriken de Sarada no meio do trajeto. Aquilo o fez sorrir.
"Você melhorou bastante", ele elogiou, virando o rosto para ela, evidenciando seu sorriso orgulhoso.
"Eu estou treinando bastante também", Sarada não era de se vangloriar, mas estava extasiada com o elogio do pai.
"Quando é o Exame para Jounin?", ele perguntou.
"Daqui 2 meses", ela respondeu, e jogou outra shuriken, que acertou um alvo atrás de uma árvore á 9 metros deles.
Sasuke parou para pensar sobre aquilo. Fazia 20 dias que Satoshi estava desacordado ainda, e apesar de sua rápida melhora, eles ainda não tinham ideia de quando ele iria acordar — e aquilo não poderia também influenciar na vida de Sarada. Eles amavam ambos os filhos, e precisavam estar presente na vida de ambos ao mesmo tempo. Sasuke sabia o quão importante era aquele Exame para Sarada, mas também sabia o quanto ela amava o irmão — e como aquela ocasião deveria estar prejudicado em seu treinamento diário. Sarada não estava se concentrando direito em seus treinamentos, e aquilo era esperado vindo de sua primogênita.
Sarada era altruísta, e ela havia herdado aquilo da mãe. Ela não ligaria de perder o Exame Jounin se aquilo significaria ficar longe do irmão. Ela valorizava os laços mais do que qualquer coisa, e isso fazia com que ele amasse ainda mais sua família que ele construíra com Sakura.
Laços.
Amor.
Companheirismo.
Parceria.
Sua família fora construída puramente com amor. E com amor, seus filhos foram criados. Com amor, ele havia pedido Sakura para ser sua esposa. Com amor, ele havia revelado a ela seus segredos mais obscuros, e com amor, ela decidiu dividir todos os fardos que ele carregava com ela — pois segundo ela, o que era dele, era dela, e vice-versa. Com amor, eles haviam feito seus filhos. E com amor, eles haviam os criado naquele mundo ninja imprevisível, e lhes dariam todo o conhecimento e sabedoria para jamais sucumbir a tentação de se desviar de seus caminhos ninjas.
"Mas não é importante", Sarada murmurou minutos depois de arremessar outra shuriken, "Eu posso me preparar para o próximo daqui 8 meses, pois provavelmente o Satoshi já estará acordado para voltarmos para casa, não é?", ela virou-se para o pai, esperando por uma confirmação.
Sasuke pensou um pouco antes de falar.
"Satoshi voltará para casa em breve, e é nisso que eu acredito. E eu também acredito que você é capaz de se preparar para o exame que acontecerá em daqui 2 meses"
"Mas, papai—"
"Não devemos parar nossa vida por conta do que aconteceu com Satoshi, Sarada", ele olhou bem nos olhos da filha, "Imagine a pressão que vamos botar nele quando ele acordar e saber que ficamos tanto tempo esperando por ele que não fizemos nossas obrigações?"
Sarada baixou o rosto, seus olhos encarando a grama em seus pés. Ela entendia o que o pai queria dizer, e ela também não queria colocar aquela pressão em Satoshi quando ele acordasse, mas como ela conseguiria se concentrar sabendo que o irmão ainda estava em uma cama de hospital?
"É por isso que vamos nos ajudar", ela ouviu-o murmurar com convicção.
"E como vamos fazer isso?"
"Eu te ajudo com seus treinamentos, e você me ajuda com meu dever como pai", ele deu uma piscadela para ela, e aquele gesto a fez sentir um calor imenso em seu coração.
"Mas e os treinamentos com o Boruto?", ele sabia que a dúvida de Sarada era genuína e inocente, mas perguntar de seu único aluno fez com que seu humor mudasse rapidamente.
"Ele não precisa mais de mim, tudo o que eu tive para ensinar eu já ensinei", ele respondeu quase que rispidamente.
"Mas você também me ensinou tudo o que você tinha para me ensinar, papai", Sarada tentou entender o raciocínio.
"Está enganada", ele prontamente disse, e olhando para o meio da floresta que os rodeava, ele finalmente soltou a informação que ele guardara para si há dias, "Você não sabe ainda como controlar e nem como usar seu Mangekyou Sharingan"
O quê?
A dúvida estampada na cara de Sarada era mais um motivo para Sasuke crer que a filha realmente não havia percebido, mesmo tendo ativado o poder ocular pelo menos duas vezes em menos de uma semana. Era inconsciente — ela não percebia quando ativava.
"Papai… eu desenvolvi completamente meu Sharingan, mas nunca evolui além disso", Sarada tentou se explicar. Talvez o pai estivesse esperando demais dela, imaginando que ela já despertara aquela evolução do Sharingan que pouquíssimos membros do clã Uchiha conseguiam. Talvez o fato dela ter evoluído tanto como kunoichi, o fizera crer que ela já desenvolvera aquele doujutsu peculiar.
"Está dizendo que meu Rinnegan está vendo coisas?", ele tombou a cabeça de lado, fazendo com que algumas mechas de seu cabelo negro caísse para o lado, mostrando ainda mais seu olho roxo.
"Mas se eu despertei isso… por que eu não sei?", ela perguntou, ainda na dúvida se o pai não estava imaginando coisas.
"Porquê você só o desperta sob fortes emoções", ele respondeu, se aproximando da filha, "Você o desperta quando está com raiva, com angústia, com medo ou com… ódio", ele começou a explicar, "Eu percebi uma mudança no fluxo de chakra em seus olhos pelo menos duas vezes — uma foi quando você teve uma crise e se trancou em um dos quartos do hospital por achar que Satoshi nunca mais iria acordar — horas depois da cirurgia, e outra, quando você se desesperou quando Satoshi estava respirando sozinho e estava sufocando com aquele tubo traqueal. E não era algo comum, esse fluxo de chakra, como acontece com o Sharingan — era mais concentrado. Se não fosse pelo Rinnegan, eu não teria notado, ainda mais que você despertava, e em questão de segundos, o fluxo de chakra em seus olhos sumia", Sasuke se perguntou se não estava infligindo o espaço pessoal de Sarada ao revelar suas observações, mas ao mesmo tempo, ele sentia que estava fazendo a coisa certa. Sarada precisava saber que ele estaria ali por ela, e também, que ele se importava o suficiente para saber sobre os momentos de angústia da filha.
Sarada precisou de vários minutos para filtrar toda a informação dita pelo pai. Seria possível que ela havia despertado uma evolução de seu poder ocular e não perceber?
"Se eu desenvolvi, e não percebi, como vou controlar?", ela se lembrara da época que despertara o Sharingan. Por muitos anos, Sarada nunca percebeu que havia o despertado, até o ativá-lo novamente quando se reencontrou com o pai após anos sem o vê-lo. A emoção do reencontro, fez com que ela tivesse seu poder ocular ativado sem ela perceber, e depois, quando se situava em batalhas, onde ela também o ativava inconscientemente. Foram meses e meses de treino até ela conseguir ativar e desativar seu poder ocular conscientemente. Mas com o Sharingan era diferente, pois Sarada sentia um fluxo de chakra estranho passando por seus olhos, e mesmo inconscientemente, ela sabia que tinha algo de estranho em seus olhos por conta da concentração de chakra. Agora, ela não havia percebido em momento nenhum uma concentração de chakra diferente em seus olhos nos últimos dias, não o que ela sempre estava acostumada a sentir, como quando ativava o Sharingan.
Ela lembrava de sentir uma concentração de chakra em seus olhos nos momentos que o pai citou a ela, mas para ela, ela estava com seu Sharingan ativado, e não uma evolução do mesmo.
"É por isso que eu vou te treinar", o pai respondeu suas dúvidas mentais, "Para você saber diferenciar e saber como controlar o fluxo de chakra em seus olhos quando quiser usar o Sharingan ou o Mangekyou Sharingan. No início, você não notará nada de diferente, mas conforme você se familiarizar com o fluxo de chakra levemente distinto, você conseguirá controlar e manter o doujutsu — e somente quando você souber como intercalar e diferenciar o Sharingan do Mangekyou Sharingan, é que irei lhe ensinar jutsus específicos que somente um usuário do Mangekyou Sharingan consegue, como o Susanoo", ouvir sobre o humanóide feito de chakra que Sarada já vira várias vezes o pai usar a impressionou.
Seria ela capaz de um dia realizar tal feito? Materializar um humanóide feito de chakra fora de seu corpo e usá-lo como arma?
Como se Sasuke pudesse ouvir seus pensamentos, ele disse em seguida, "Você é perfeitamente capaz de fazer isso, alias, você é filha da médica ninja, que me atrevo a dizer, mais forte do mundo ninja, e bem… ainda é minha filha", ele deu um sorriso que mostrava até os dentes para sua primogênita, e Sarada não conseguiu não sorrir de volta.
"Acho que chega de treinamento por hoje não?", ele murmurou, colocando a mão na cabeça da filha, e a afagando, "Amanhã vamos começar seu treinamento".
"Sim, senhor", ela respondeu animada.
˜˜˜•˜˜˜
Naquela noite, Sarada estava fazendo o que sempre fazia todas as noites desde que seu irmão chegara no hospital. Ela lia. Lia muito. E não era nenhum livro infantil ou infantojuvenil, era livros de história ninja, e ela sempre lia em voz alta, com esperança de que Satoshi estivesse a escutando.
"… o mundo ninja estava prestes a mudar drasticamente com esse feito. Pois uma aliança nunca antes prevista, estava sendo feita naquele momento, no País do Ferro, na presença dos líderes das cinco grandes nações ninjas…"
Sarada lia o trecho do capítulo "Histórias Ninjas Modernas I" em voz alta, e a cada parágrafo, ela dava uma pausa dramática, como se tivesse contando aquela história para uma grande platéia.
"…e foi naquela cúpula, onde todos esses líderes estavam reunidos, sob a orientação do líder Samurai, Mifune, que o ninja mascarado da Akatsuki, Madara Uchiha, tardiamente descoberto se tratar de Obito Uchiha, havia declarado a Grande Quarta Guerra Mundial Ninja…"
Sarada dera uma pausa naquela parte. Mesmo tendo lido e relido aquela livro tantas e tantas vezes, ainda a chocava o quão seu clã estava metido de maneira negativa na última Guerra Ninja que havia acontecido a mais de 20 anos atrás. Ela sabia que se tornar uma Hokage não seria fácil, dado a má fama que seu clã carregava — que automaticamente, ela carregava — e isso era mais um motivo para ela não desistir.
Um dia, ela faria as pessoas enxergarem que uma pessoa só não faz um clã inteiro. Ela faria as pessoas enxergarem que não havia motivos para temer o clã Uchiha. Ela faria as pessoas enxergarem que um membro do clã Uchiha, pode sim ter a vontade do fogo — e a prova disso, era sua existência.
"…e-han"
Sarada ia continuar com a leitura quando ouviu palavras desconexas e baixas vindo do seu lado direito — onde Satoshi estava deitado. Mas quando ficou observando o irmão, e notou o aparelho que estava ao seu lado, fazendo barulho a todo momento — mostrando seus batimentos cardíacos normais, como sempre — imaginou que fora aquilo que ouvira. Sarada resolveu que estava na hora de parar por aquela noite, deixando o livro em cima do criado mudo do lado esquerdo da cama de Satoshi, mas quando deixou o livro no criado-mudo, ela ouviu novamente.
"…one-han"
Sarada ficou petrificada quando olhou para os lábios do irmão — antes tão parados, como se fossem de mármore — agora se movimentando levemente.
"…conti…nua"
Ela não conseguia acreditar no que ouvia. Suas reações foram mais rápidas do que seus pensamentos, e quando se deu por si, estava o abraçando tão forte que só parou quando ouviu seus protestos baixos.
"…aper…tado", a voz tornava cada vez mais audível.
Sarada não tinha mais controle sobre suas ações, e muito menos conseguia controlar as lágrimas que não param de sair de seus olhos, fazendo com que sua visão ficasse completamente embasada ao ponto de não conseguir focar no rosto de Satoshi. Ela não sabia identificar a quantidade de sentimentos que estava preenchendo seu ser, e a emoção era tanta que ela não sabia nem mesmo como agir diante aquele situação.
"…seus olhos…"
Aquelas palavras de Satoshi chamaram sua atenção, fazendo com que ela esfregassem seus olhos — para desembaçar a visão por conta das lágrimas — e focasse nos grandes olhos verdes esmeralda que se destacava naqueles cabelos negros — visão que ela tanto sentiu falta de olhar.
"Es…tão difere…ntes", ele conseguia falar cada vez melhor, mas o que ele queria dizer ainda a confundia.
Sarada então virou o rosto para o lado esquerdo da cama, onde a grande janela de vidro mostrava a noite iluminada que estava do lado de fora, e pelo reflexo do vidro, Sarada pode ver o que Satoshi estava tentando lhe dizer.
Seus olhos estavam vermelhos, mas aquele não era o Sharingan.
O padrão do desenho em seus olhos eram diferentes, e era um padrão completamente diferente do que ela já vira nos livros de história dos clãs e até mesmo os de seu pai.
Era um padrão único, e seguindo a filosofia de que todo membro do clã do Uchiha que desenvolvia seu Mangekyou Sharingan possuía um perfil, forma e habilidades diferente — como se fosse uma digital — aqueles olhos davam a Sarada sua identidade pessoal.
Aquele era seu Mangekyou Sharingan.
